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9.8.17

Bye bye iPods

Semana passada a Apple decidiu acabar com os iPods. Não vai mais vender nem o nano nem o shuffle. O único que ainda resiste é o iPod Touch, que é um iPhone sem o telefone.

Eu acho que o iPod foi uma das melhores invenções ever. Aqui no blog tenho uma sessão dedicada a ele, e até fiz um momento TOC de um dos meus iPods (tive -ainda tenho- alguns e até contei história deles aqui).

Antes do iPod eu tinha que carregar um walkman e fitas k7, e depois um discman e cds. A evolução não foi só no hardware que tinha que carregar, foi também na forma de escutar as músicas.

Na era da fita a gente gravava as músicas de um lado e de outro, só cabiam umas 16 músicas por fita, e procurar uma música na fita era uma chatice. Na era do cd melhorou um pouco.

Mas foram os MP3 que facilitaram a vida nesse sentido. Cabia mais de 20 músicas e pular ou voltar era fácil.

A revolução do iPod foi, além do armazenamento organizado de centenas (milhares) músicas, a possibilidade do shuffle. É como se alguém escolhesse as músicas, sempre uma surpresa.

Hoje essas funções todas estão no telefone e por isso os iPods subiram no telhado.

Usei meu iPod nano até bem pouco tempo. Achava muito melhor para correr por ser bem pequeno e mais leve, mas, no mundo conectado de hoje, a camera faz falta e os aplicativos esportivos também.

Então me despeço da era do iPod, foi ótimo enquanto durou.

2.8.17

Analisando a música: Society (Eddie Vedder)

O analisando a música da vez foi um pedido da Magê. Ela e a Rapha fazem um podcast chamado Livre e o tema do episódio da semana passada foi Grandes Viradas. No podcast a Magê citou o filme Into The Wild (Na Natureza Selvagem) como exemplo de uma grande virada no cinema e até colocou um pedaço dessa música.

Aí ela me pediu para analisar Society e como sou fã do Eddie Vedder (que lê o blog sabe que a voz dele é mel nos meus ouvidos) disse que faria, claro.

Society faz parte da excelente trilha sonora de Na Natureza Selvagem, um filme sobre um rapaz que deixa tudo para trás (a grande virada da vida dele) e vai num road trip pelos Estados Unidos até chegar no Alasca. O filme é baseado no livro de mesmo nome do Jon Krakauer (não li).

Esse filme é muito bom, escrevi um post aqui no blog quando assisti.  Até coloquei no meu Top 5 filmes de viagem só porque depois de ver esse filme fiquei com vontade de ir ao Alasca. De lá pra cá já vi mais algumas vezes e ainda acho um filme sensacional, tanto nas imagens quanto na história do Christopher McCandless e especialmente na trilha sonora.

O Sean Pean, diretor do filme, escolheu o Eddie Vedder a dedo para a trilha sonora (eu escolheria o Eddie Vedder para qualquer trilha sonora).

A trilha sonora é toda composta de músicas que refletem a jornada do Christopher McCandless. A maioria é de músicas no estilo folk, voz e violão. Guaranteed que é a última música do album deu ao Eddie Vedder um Globo de Ouro de Melhor Canção Original em 2008.

Um parenteses para dizer que a galera do Oscar em 2008 não indicou nenhuma música dessa trilha. Indicaram 3 músicas do Encantada da Disney (#revoltada), ainda bem que quem ganhou o Oscar foi Falling Slowly de Once.

Eddie Vedder canta todas as músicas na trilha sonora, mas nem todas foram compostas por ele. Hard Sun que é a música de maior sucesso dessa trilha é um cover de um músico canadense chamado Indio (o nome dele é Gordon Peterson, com esse nome eu também ia preferir Indio).

Society também não é do Eddie Vedder, foi composta por um cantor-compositor americano chamado Jerry Hannan, mas aqui é o Eddie que canta e é isso que interessa.

Vamos analisar o que Society tem a nos dizer.

Essa música foi composta para a trilha sonora de na Na Natureza Selvagem. O filme conta a história do Christopher McCandless um rapaz que buscava uma vida anti materialista. Depois que se formou na universidade resolveu doar seu dinheiro para uma instituição e foi ver onde a vida o levava pelas estradas dos Estados Unidos até chegar no Alasca. Ele passa por muitas situações: enchentes que o pegam de surpresa, vive num trailer numa comunidade, faz caiaque no Grand Canyon, trabalha numa fazenda para ganhar din din (o mínimo para sobreviver), mora com um senhor e aprende a trabalhar com couro, trabalha num restaurante fast food, etc. Quando chega no Alasca vive sua última aventura num lugar onde ele depende exclusivamente da natureza (selvagem).

It's a mystery to me
We have a greed
With which we have agreed
You think you have to want more than you need
Until you have it all you won't be free

Em um momento do filme ele vai parar em Los Angeles, chega em homeless town (uma area do centro de L.A. que é cheia de mendigos) e arranja um lugar para deixar as coisas. Passeando pela cidade Chris vê num bar um yuppie que poderia ser ele e então decide ir embora da cidade grande. Ele pega uma carona num vagão de trem mas é pego pelos seguranças no meio do caminho e apanha um bocado.

Ele vai para estrada pedir carona e corta para cenas lindas dele no Alasca e essa música começa a tocar.

A música começa dizendo que é um mistério esse acordo que temos (nós a sociedade) em que todos temos que ter essa ambição/ganância de ter mais do que precisamos. Que a liberdade (ou a sensação de) só vem quando temos tudo.

Society you're a crazy breed
I hope you're not lonely without me

No filme tem uma parte (quando ele está trabalhando na fazenda) que ele faz um meio discurso dizendo que quer ir para natureza selvagem do Alasca porque quer sair "dessa sociedade doente". Chris diz que não entende como as pessoas podem ser tão más umas com as outras, julgando e controlando, pessoas cheias de hipocrisia.

Então o refrão não poderia ser outro: Sociedade, sua louca, espero que eu não esteja fazendo falta.

When you want more than you have, you think you need
And when you think more than you want
Your thoughts begin to bleed
I think I need to find a bigger place
'Cause when you have more than you think
You need more space

Aqui uma reflexão sobre querer mais do que tem e querer mais do que precisa. E que quando você pensa mais do que quer os pensamentos sangram (no sentido de derramar, transbordar). E aí ele diz que precisa de um lugar maior porque quando se tem mais do que se pensa você vai precisar de mais espaço.

Essa estrofe é um convite ao minimalismo

Lembrei da outra música que analisei: Everything Now que em uma estrofe diz: "Quero e preciso de tudo agora, até cada quarto da minha casa estar cheio de porcarias que não pude viver sem".

Society you're a crazy breed
I hope you'r not lonely without me
Society, crazy indeed
I hope you're not lonely without me

O Chris tinha muitos problemas com os pais, muitas diferenças especialmente com o pai. A história da família é contada em partes ao longo do filme pela irmã dele. A irmã conta que durante essa viagem ele nem se comunicava, nada de cartas nem telefonemas.

Sociedade, uma raça louca, louca de fato. Espero que não estejam solitários sem mim.

There's those thinking more or less less is more
But if less is more how you keeping score?
Means for every point you make your level drops
Kinda like you're starting from the top
You can't do that...

Aqui é uma tentativa de entender como é que a sociedade funciona com aqueles que pensam (mais ou menos) que menos é mais. Acho que é uma crítica as pessoas que tentam manter um estilo minimalista pero no mucho. Então a pergunta: "se menos é mais como é que vocês contam os pontos? Para cada ponto que você faz seu nível cai? Começa do topo? Assim não pode." Essas pessoas que continuam vivendo na sociedade louca, então não estão livres do julgamento e controle das coisas que são quase que impostas pela sociedade, essa tal contagem de pontos.

O Chris McCandless trabalhava só para ter o mínimo de dinheiro. Quando ele trabalhou na fazenda até ganhou um bom dinheiro, foi gastar se divertindo e em um momento do filme ele escreve para o cara da fazenda (que foi preso) e diz que vagabundiar com o dinheiro que ele recebeu é fácil e afirma que os dias eram mais emocionantes quando ele não tinha um centavo no bolso. O Chris radicalizou na sua busca por uma vida só com o mínimo e o essencial, pela liberdade definitiva (se é que isso existe) mas ele também era viciado em emoções.

Society you're a crazy breed
I hope you'r not lonely without me
Society, crazy indeed
I hope you're not lonely without me
Society, have mercy on me
I hope you're not angry if I disagree

O refrão mais uma vez, mas agora ele acrescenta: Sociedade, tenha pena de mim, espero que você não tenha raiva se eu discordar.

Vamos filosofar nessa frase.

Claro que não concorda com as regras da sociedade tanto que decidiu viver na natureza selvagem, livre, leve e solto. Acontece que, na música, ele pede compaixão para si mesmo, será isso ironicamente? Ou um entendimento que a sociedade pode achar tudo isso uma maluquice e pede pena? Afinal ele diz "Espero que você não esteja solitária sem mim", não se sintam abandonados. É uma contradição: ele não quer fazer parte da sociedade (do jeito que é) mas não quer ser esquecido. No filme ele diz que vai viver essa aventura e depois quem sabe escrever um livro, então ele tinha a intenção de voltar para essa nossa sociedade louca.

Pelo o que o filme mostra o Chris McCandless era cheio de empatia, bondoso e carismático. Todos que cruzaram seu caminho o adotaram de alguma forma: como filho, como neto, como amigo. Ainda assim ele decidiu seguir seu caminho sozinho.

O fim do filme, e da vida do Chris McCandless, é trágico. Quando ele chegou no Alasca e foi para o meio do mato ele não foi preparado para muitas coisas. Ele achava que iria encontrar tudo na natureza (e nos livros sobre a natureza) e não contava com adversidades num lugar que ele não conhecia e acabou morrendo de fome.

Não é uma história com final feliz mas é inspiradora em muitas partes.

Encontrei um video da música no youtube que tem cenas do filme (que está na Netflix). A fotografia desse filme é linda.

21.7.17

Analisando a música: Cold Day In The Sun (Foo Fighters)

Quando estava em Londres a Helô me pediu para analisar essa música e pedido de leitora amiga é atendido.

Essa é a segunda música do Foo Fighters que aparece aqui, a primeira foi Everlong.

Foo fighters nasceu depois que o Nirvana subiu no telhado com a morte do Kurt Cobain e o Dave Grohl decidiu ter sua própria banda.

Acho essa banda muito divertida e como escrevi no outro post:
 "...os caras são simpáticos, não se levam muito a sério (os videos são ótimos!), tocam um rock n' roll muito digno e levam isso ao seu público."
Em 2014 a banda fez uma série-documentário na HBO (dirigida pelo Dave Grohl) sobre a gravação do seu album Sonic Highways em várias cidades americanas. É uma ótima série para ver como um album é produzido, de onde vem a inspiração de algumas músicas, história da música americana e conhecer melhor a banda. Recomendo.

Os caras são tão legais que inspiraram um projeto onde 1000 músicos tocaram Learn To Fly (a sequencia de baterias nesse video é incrível) em Cesena na Itália para que a banda fosse fazer um show lá. Dave Grohl respondeu e a banda foi.

Falei das baterias no video porque as músicas do Foo Fighters tem sempre uma bateria marcante, afinal Dave Grohl é um dos melhores bateristas do mundo do rock.

Acontece que nessa banda o Dave Grohl pegou a guitarra e foi para os vocais. No primeiro disco o Dave Grohl executou todos os instrumentos mas ele se deu conta que para tocar ao vivo precisava de outras pessoas. Primeiro baterista foi o William Goldsmith que não deu muito certo. Aí para executar a bateria o Dave chamou Taylor Hawkins, que tocou no tour de Jagged Little Pill com a Alanis Morissette antes de aceitar o emprego com os Foo Fighters.

O Taylor Hawkins é um excelente baterista, tanto que está na banda até hoje e segura muito bem a onda na frente do Dave Grohl.

A música analisada da vez é uma das poucas que o Dave Grohl não compôs e nem canta. Essa música é do Taylor Hawkins. Cold Day In The Sun foi um single lançado em 2005 e está no In Your Honor, o quinto album do Foo Fighters. É um album duplo que tem uma parte de músicas de rock mais pesadas (Best of You, Resolve, No Way Back) e outra parte de músicas mais leves e acústicas.

Cold Day In The Sun está no lado acústico do album. Taylor Hawkins nasceu no Texas mas cresceu na California, então essa música tem uma pegada mais leve com uma bateria marcante.

Vamos saber sobre o que é essa música com uma batida gostosa, daquelas que você se vê pegando a prancha de surf e indo à praia. Inclusive lembra algumas das músicas dos Eagles.

Took a high dive into your brain
And you made your lonely calls
Just might wear your welcome out if you don't let it go

Quero começar dizendo que tocar bateria e cantar ao mesmo tempo é para poucos e o Taylor Hawkins faz isso muito bem. Dito isso, confesso que não conhecia essa música até a Helô me pedir para analisar. Na verdade eu só conhecia as músicas do lado mais pesado do album.

Olhei 10 sites de letras de música as primeiras 2 linhas dessa letra são diferentes em vários lugares. Metade diz que é "Took a high dive into your brain/And you made your lonely calls" e a outra metade diz que é "Take a high dive into your brain/ Made your only cause". Teve um site que disse que era "Take a high dive into your brain/ And make you only cost". Fiquei confusa, escutei várias vezes para ver se entendia direito, mas fui na que me pareceu fazer mais sentido.

O pessoal do forum acha que é sobre problemas, talvez fim, de relacionamento, não necessariamente amoroso, pode ser uma amizade conturbada.

Ele começa dizendo que a pessoa deu um mergulho (bem do alto) no seu próprio cérebro, ou seja, foi fundo, e tomou suas próprias decisões. E emenda "Você pode não ser mais bem-vinda se não deixar para lá.". Deixar o que para lá? Qual foi o babado? Fiquei curiosa.

There's nothing that you couldn't say
'Cause you said it all before
Think it's time you walked this lonely road all on your own

"Não tem nada que você já não tenha dito e acho que está na hora de seguir esse caminho solitário desacompanhada." Vai na frente que ele não vai atrás.

So it's your cold day in the sun
Looks like your bleeding heart has already won

"Então é seu dia frio sob o sol." Traduzindo: não tem calor de raios solares que vai aquecer a situação em que essa pessoa se encontra. A luz do sol chega fraca no fundo do poço. O coração partido já venceu a parada.

I wish I could take it away
Save you from yourself
You get so lost inside your head like no one else
Looking for someone to blame?
Blame me all along
You take the heat but you would never take the fall

Vamos ver se entendi até agora. Houve algum desentendimento entre essas pessoas e nosso narrador está falando para esse amigo/amiga/amante/namorada que a situação não é boa. Que a pessoa está indo numa direção sombria e ele não está a fim de acompanhar.

Mas nessa estrofe ele se propõe a ajudar, diz que gostaria de tirar todas as coisa ruins, e de salvar essa pessoa de si mesma porque ela se perde dentro da própria cabeça.
E ainda pergunta se ela quer alguém para culpar e e diz que pode culpá-lo porque aparentemente ela aguenta a pressão mas nunca assumiria a culpa.

It's your cold day in the sun
Looks like your bleeding heart has already won

Refrão. Um dia frio sob o sol. Talvez essa música seja sobre depressão.

You're so afraid that you are the only one
But you are the only one you know
Don't be afraid 'cause you're not the only one
You're not the only one I know

Nessa parte da música a fase tormenta do relacionamento passou e ele só quer ajudar. Ele entende que a pessoa se sente solitária mas ele a conforta dizendo que ela não está sozinha.

Aqui ele canta a música num tom mais alto como se fosse uma segunda voz, como se fosse um mantra.

It's your cold day in the sun
Looks like your bleeding heart has already won

It's your cold day in the sun

Que é apenas o dia frio sob o sol, a tristeza está dominando, mas pela batida animada e pelo solo de guitarra (violão) acho que tem uma luz aí no fim do túnel.

Vamos ser otimistas, pegar as pranchas, ir até a praia e ver se tem onda no mar.




Esse segundo video é uma das várias vezes que o Foo Fighters tocou no programa do David Letterman (ele é fã).

2.6.17

Analisando a música: Everything Now (Arcade Fire)

Acho que nunca fiz um analisando a música tão atual. O Arcade Fire tem um album novo que será lançado em julho, e ontem jogaram essa música nova nas redes sociais.

Para mim apareceu no Twitter, claro, que é minha rede social favorita e onde chega, para mim, a maior parte das informações e notícias.

Adorei melodia inicial que de cara lembra qualquer música do ABBA, e como já disse algumas vezes aqui no blog, inclusive no post anterior a esse, os suecos são mestres em fazer hits pop.

Acontece que o Arcade Fire não é uma banda pop e muito menos sueca, pelo contrário, eles são alternativos nível hipster. É uma banda canadense de indie rock, formada em 2001 e é praticamente uma família: marido, esposa, irmão mais novo e amigos. O som deles é bem variado, é elaborado e eles não tem medo de experimentar - o que acho ótimo mesmo dando certo ou não. As letras costumam ter criticas sociais poeticamente colocadas no meio dos acordes.

O primeiro album foi Funeral (2004) que tem Neighborhood #2 (Laika), o segundo é o ótimo Neon Bible (2007) que é um album bem experimental e tem a ótima No Cars Go. O terceiro é The Suburbs (2010) que foi o maior sucesso comercial e de crítica da banda, inclusive ganhou um Grammy de Album do Ano em 2011, é bom de ponta a ponta, e tem uma das músicas mais tocadas na minha playlist de corrida: Ready To Start.  O quarto album Reflektor (2013) que tem uma música que veio com um video sensacional estrelado pelo Andrew Garfield: We Exist. Então aguardo o lançamento do próximo album com muita curiosidade e se depender dessa primeira música, já gostei.

I'm in the black again
Can't make it back again
We can just pretend
We'll make it home again
From everything now

O video começa com essa introdução, a música que está nas redes (spotify, apple music, etc) não tem (talvez no album tenha), mas como coloco o video aqui e provavelmente tem algum significado, vamos analisar.

O titulo dessa música (e do album) me lembra um dos discos dos Titãs que se chama: Tudo ao Mesmo Tempo Agora. Gosto muito de usar essa expressão juntando todas as palavras e quem lê o blog certamente já viu muitas vezes nos posts.

Ele começa dizendo que está no escuro outra vez, que não consegue voltar. Onde? Não sei. talvez seja de um mundo moderno no qual não tem volta, mas ele quer fingir que pode voltar para casa (ou uma zona de conforto) dessa coisa que é tudoaomesmotempoagora.

Acho que temos uma música sobre tempos modernos - um titulo de música do Lulu Santos. (Hoje estou cheia de referências do rock nacional para fazer análise) E como diz Lulu na sua música "não há tempo que volte, amor.". Mas vamos saber o que o Arcade fire tem a dizer sobre o assunto.

No video a camera vai por uma estrada, chega numa mulher no teto do carro, tem um PAH! e começa a música de fato.

Every inch of sky's got a star
Every inch of skin's got a scar
I guess that you've got everything now
Every inch of space in your head
Is filled up with the things that you read
I guess you've got everything now
And every film that you've ever seen
Fills the spaces up in your dreams
That reminds me

E que delícia essa introdução ABBA style! No The Suburbs tem uma música, We Used To Wait, que também tem uma introdução meio ABBA. O pessoal do Arcade Fire deve gostar do ABBA, mas quem não gosta?

"Cada polegada de céu tem uma estrela." (Americanos e suas unidades de medida que ninguém entende. O cantor é americano que mora no Canadá há muito anos, mas acho que usar centímetros não ficaria tão poético, além do que a expressão em inglês é polegadas mesmo.)
"Cada polegada de pele tem uma cicatriz", então ele acha que todo mundo tem tudo agora.
Cada espaço da nossa cabeça está cheia de coisas que lemos, é muita informação, temos tudo, e até no inconsciente nossos sonhos estão preenchidos com os filmes que vemos.

É verdade. Já tive vários sonhos com o Don Draper de Mad Men, Sawyer de Lost, Kevin de The Leftovers, e por aí vai.

(Everything now)

E isso o lembra que...tudoaomesmotempoagora.

Every inch of road's got a sign
And every boy uses the same line
I pledge allegiance to everything now
Every song that I've ever heard
Is playing at the same time, it's absurd
And it reminds me, we've got everything now
We turn the speakers up till they break
'Cause every time you smile it's a fake
Stop pretending, you've got..

Cada polegada de estrada tem uma placa. Bem, só se for nos USA, Canadá ou Europa, porque aqui dá para se perder por falta de placas. Mas ele está falando de propaganda para todo lado e isso tem em qualquer lugar. Estamos afogados em informação.
"Every boy uses the same line", é tudo repetido e como já dizia Lavoisier (modo filosófico: ON) - nada se cria, nada se perde, tudo se transforma. Everything is a remix.
Somos todos fiéis a tudo agora, queremos tudo na ponta dos dedos.
Todas as músicas que ele já escutou estão tocando tudoaomesmotempoagora. Ele acha absurdo mas lembra que temos acesso a tudo agora: imagens, sons, palavras...
"Porque toda vez que você sorri é falso", é aquele sorriso para a selfie do instagram.

A musica vai ficando poluída de sons nas ultimas frases desse verso depois que ele fala que vai aumentar as caixas de som até quebrarem.

Então para de fingir, você tem...

Everything now! I need it
Everything now! I want it
Everything now! I can't live without
Everything now! I can't live without
Everything now!

O refrão é ótimo! 
Tudo agora! Preciso! Quero! Não posso viver sem!
Mesmo que tenhamos tudo que precisamos, queremos mais, de tudo.

E essa flauta peruana depois do refrão? Preciso! Quero! Não posso viver sem!

Every ancient road's got a town
Daddy, how come you're never around?
I miss you, like everything now
Mama, leave the food on the stove
Leave your car in the middle of the road
This happy family with everything now
We turn the speakers up till they break
'Cause every time you smile it's a fake
Stop pretending, you've got


Essa estrofe considera a possibilidade que apesar de termos tudo disponível tecnologicamente e comercialmente algumas outras coisas da vida real não conseguimos ter. Mas é interessante a frase "Sinto falta de você como tudo agora." Ou seja, sente falta do Daddy como sente falta de todas as coisas que quer ter. Pausa para reflexão.
"Mãe, larga a comida no fogão, o carro no meio da rua, essa familia já é feliz com tudo agora." E vamos sorrir para a selfie!

Everything now! I need it
Everything now! I want it
Everything now! I can't live without
Everything now! I can't live without
Everything now!

Tudo agora! Preciso! Quero! Não posso viver sem!

'Til every room in my house is filled with shit I couldn't live without

Melhor frase da música que define nosso tempos modernos: Quero e preciso de tudo agora até cada quarto da minha casa estar cheio de porcaria que não pude viver sem.

Vai um minimalismo aí?

Everything now! I need it
Everything now! I can't live without
Everything now!

Tudo agora! Preciso! Não posso viver sem!

La La La La La La Na Na Na

Tem essa pausa na música e claro que não podia faltar um coro fazendo la la la com a flauta peruana.

Stop pretending, you've got

Everything now! I need it
Everything now! I want it
Everything now! I can't live without
Everything now! I can't live without
Everything now!

E vamos parar de fingir porque temos tudo agora. Preciso! Quero! Não posso viver sem!

And every room in my house is filled with shit I couldn't live without

"A casa agora já está cheia de besteiras que não pude viver sem." Acumuladores.

Everything now! I need it
Everything now! I can't live without
Everything now! I can't live 
Everything now!

Tudo agora! Preciso! Não posso viver sem! Não posso viver. 

Every inch of space in my heart is filled with something I'll never start

A vontade de começar e mudar está lá, mas o tudoaomesmotempoagora está sufocando.

The ashes of everything now
And then you're black again
Can't make it back again
From everything now

A estrofe de introdução do video é para complementar essa estrofe final da música. Tudo agora está em cinzas e estamos no escuro outra vez, não podemos voltar do tudo agora, mas quem sabe seguir em frente com menos coisas que precisamos, queremos e não podemos viver sem.


O Arcade Fire trabalha bem a linguagem visual dos videos. O video de Everything Now merece uma análise própria, mas só vou dizer que a banda chegou a criar uma marca para essa música que também é o título do album. A marca está nos uniformes que a banda usa, nas pastas que os vendedores de porta em porta carregam e nas costas dos cientistas (?). O cenário é um deserto com pessoas que aparentemente não tem tudo, ou tem? Será que querem?

Essa música é ótima para um road trip.



29.5.17

Analisando a música: Take On Me (A-Ha)

O quarto episódio da terceira temporada de The Leftovers (que temporada incrível) é encerrado com essa música do A-Ha depois de uma cena intensa entre o casal principal. Esse clássico dos anos 1980 tocou antes no meio do episódio num jogo de "adivinhe a música" entre duas colegas de trabalho (ou parceiras) e aquela introdução super conhecida já gruda na sua cabeça.

No fim do episódio ela vem carregada de um significado que eu nunca tinha atribuído a música, mesmo porque nunca tinha prestado atenção na letra, e embala uma das cenas mais tristes e bonitas da série. Aí fiquei com vontade de analisar essa música da banda norueguesa mais conhecida no mundo (ou vocês conhecem outra banda norueguesa?).

O A-ha foi formado por três rapazes (Morten, Pal e Magne) em Oslo em 1982. Em 1985 eles viraram um sucesso mundial com um som new wave meets synthpop que na época estava no auge. O primeiro album Hunting High and Low é cheio de hits (Take on Me é um deles, The Sun Always Shines on TV e Hunting High and Low). Em 1986 eles lançaram Scoundrel Days (que tem a ótima I've been Losing You) e em 1988 teve o Stay On These Roads (que tem Living Daylights a música de um dos 007, e mais uma penca de hits: Stay On These Roads, a animada You Are The One, a divertida Touchy e There's Never A Forever Thing - ótimo título e filosofia de vida).

Confesso que depois do quarto album, de 1990, East of The Sun West of The Moon (que tem Crying in The Rain) deixei de acompanhar o A-ha por motivo de: abracei o grunge com vontade. Mas cheguei a ir a um show deles na primeira vez que vieram ao Brasil em 1989.

Em 2009 os rapazes do A-Ha resolveram se separar mas voltaram em 2015, lançando o album Cast in Steel e fazendo shows (inclusive estiveram no Rock in Rio 2015 aqui no Brasil).

É uma banda muito simpática, divertida, os noruegueses seguem a tradição escandinava de fazer música pop (os suecos são mestres nessa arte), o vocalista Morten é bonitão e tem uma voz delícia nos graves e ainda consegue dar um falseto agudo como poucos.

Vamos falar de Take On Me, o primeiro sucesso da banda, uma música que gosto muito e que, apesar de grudar na sua cabeça por um bom tempo, não fica chata. Take On Me tem uma versão anterior, de 1984, que não é tão boa quanto a de 1985, até fizeram um video (que também não chega aos pés do mais conhecido - no fim do post). Felizmente algum produtor musical resolveu dar um beat mais animado a música e virou o sucesso mundial. Take On Me sobreviveu aos anos 1980 e hoje está aí numa das melhores séries de 2017 e ainda gruda na sua cabeça.

Mas o que diz a letra de Take On Me? Vamos analisar.

(começa com aquela introdução que todo mundo faz teclado imaginário)

We're talking away
I don't know what
I'm to say
I'll say it anyway
Today is another day to find you
Shying away
I'll be coming for your love, ok?

Essa música pode ser uma DR ou uma declaração ou um pedido. Ele começa dizendo que estão jogando conversa fora, ele não sabe o que deve dizer mas vai dizer de qualquer jeito. E o que ele diz? "hoje é um outro dia para te encontrar fugindo, mas estou indo atrás do seu amor, ok?". Resumindo: eles estavam de bobeira papeando, ele sabe que ela não quer muito falar no assunto mas ele decidiu colocar as cartas na mesa dizendo que está a fim dela.

Take on me
Take me on
I'll be gone
In a day or two

O refrão é basicamente ele dizendo que quer ficar com ela e quer reciprocidade, mas ele está indo embora em um dia ou dois. Como assim vai embora? Desse jeito fica difícil ela se decidir.
Demorei anos para entender que nesse agudo ele fala "In a day or twoooo".

So needless to say
I'm odds and ends
I'll be stumbling away
Slowly learning that life is OK
Say after me
It's no better to be safe than sorry

"Nem preciso dizer que sou insignificante, mas mesmo tropeçando estou aprendendo que a vida é OK." Amigo, cadê sua autoestima? Aí ele joga uma frase para ela refletir e repetir: "Não é melhor ser seguro do que estar arrependido". Traduzindo: é melhor se arrepender do que fez do que o que não fez.

Take on me
Take me on
I'll be gone
In a day or two

Mais uma vez o refrão seguido de outra parte ótima para teclado imaginário.

The things that you say
Is it a life or
Just to play my worries away
You're all the things I've got to remember
You're shying away
I'll be coming for you anyway

Aqui acho que ela está na dúvida (afinal ele vai embora em um ou dois dias né?) e deve dizer coisas que o confundem. Aí ele diz que ela é tudo que ele tem para lembrar, e que mesmo ela se esquivando ele vai atrás. Talvez eles já tenham tido um relacionamento e ele quer voltar, ou não quer não acabe.

Take on me
Take me on
I'll be gone
In a day or two

E ele continua pedindo para ela ficar com ele, mesmo ele indo embora. Ou será que ele diz que vai embora no sentido que se ela não quiser ele desiste (mas que ela tem até dois dias para decidir)?

Enquanto ela não decide a gente toca piano, teclado, sintetizador imaginários.

O video dessa música é outro clássico por si só. Na época foi uma revolução e até hoje é um dos melhores videos de música já feitos.



E acho que os roteiristas/produtores de The Leftovers escolheram essa música não só pela letra, mas também pelo video que tem todo um significado próprio.

A história desse video até tem um desfecho que acontece no início do video de The Sun Always Shines on Tv. E tem outro na mesma linha que é o de Train of Thought.

E aqui uma versão unplugged dessa música.

22.4.17

Analisando a música: I Feel It Coming (The Weeknd ft. Daft Punk)

No Grammy desse ano o The Weeknd se apresentou com o Daft Punk com uma música muito gostosa de escutar e que grudou na minha cabeça. I Feel It Coming tem um quê de Michael Jackson que ativa a veia nostálgica e a gente gosta de imediato.

Não conheço nada da discografia do artista (com nome de banda) canadense The Weeknd (sem o "e" mesmo), as vezes que tentei escutar outras músicas dele achei chatinho (até a conhecida Can't Feel My Face), mas nesse disco novo ele fez parceria com o Daft Punk e a gente sabe que o duo francês anima qualquer festa.

Essa parceria rendeu I Feel It Coming e Starboy.

Coloquei I Feel It Coming na playlist de corrida e adoro, acho o ritmo ótimo. Acontece que decidi reparar na letra e aí....

Tenho a impressão que o Daft Punk e Weeknd chegaram nessa melodia e precisavam de uma letra urgente, aí o Weeknd resolveu escrever sobre um assunto que ele deve entender bem.

Bem, vamos analisar.

Tell me what you really like
Baby, I can take my time
We don't ever have to fight
Just take it step-by-step
I can see it in your eyes
'Cause they never tell me lies
I can feel that body shake
And the heat between your legs

É uma música sobre sexo. Na verdade, é uma música sobre um cara que: 1) está assegurando a namorada (ou a garota que ele quer namorar) que está investido na relação e que ela é quem manda OU 2) está simplesmente tentando convencer a garota a transar com ele. Como gosto dessa música prefiro acreditar na primeira opção, mas existem evidências fortes da segunda.

Ele começa perguntando do que ela gosta, diz que podem ir devagar, passo a passo, MAS ele pode ver nos olhos dela (que nunca mentem) que ela está a fim e pode sentir o corpo dela tremendo (ou balançando) e o calor no meio das pernas. Ui Ui Ui. Espero que ela esteja mais balançando do que tremendo, ou que seja um tremor de prazer. E vamos combinar que se ele já está sentindo o calor num lugar específico é porque o rala e rola já está numa fase avançada.

You've been scared of love and what it did to you
You don't have to run, I know what you've been through
Just a simple touch and it can set you free
We don't have to rush when you're alone with me

Provavelmente ela teve uma experiência amorosa (ou sexual) muito ruim e que ficou traumatizada, mas ele diz que entende o que ela passou e que ela não precisa fugir. Ele deve ter uma mão mágica porque diz que com apenas um toque pode libertá-la e que não precisam ter pressa.

Vou acreditar que ele está sendo fofo e compreensivo.

I feel it coming, I feel it coming

E temos um refrão com uma frase simples que tem dois sentidos. Pode ser: 1) sinto que está chegando (o desejo, o tesão, o amor, etc) ou 2) to come também significa gozar em inglês, tirem suas conclusões.

You are not the single type
So baby, this is the perfect time
I'm just trying to get you high
And faded off this touch
You don't need a lonely night
So baby, I can make it right
You just got to let me try
To give you what you want

Essa segunda estrofe é confusa, mas vou tentar ver o copo cheio só porque gosto da melodia e não quero tirar essa música da minha playlist.

Ele já decreta que ela não é do tipo que fica solteira (amigo, que tipo é esse? quem é que não fica solteira? afff) e aí tenta convencê-la de que é a hora certa. Diz que está tentando deixá-la alta (ou nas alturas) e espero que seja com muito amor e não substâncias alucinógenas ou alcool. Diz que ela não precisa de uma noite solitária, que ele pode fazer bem a ela e pede (quase insiste) para tentar dar o que ela quer.

E se ela quiser ficar sozinha? Hein?

You've been scared of love and what it did to you
You don't have to run, I know what you've been through
Just a simple touch and it can set you free
We don't have to rush when you're alone with me

I feel it coming, I feel it coming

E aí repete mais uma vez que ela não precisa se preocupar, que ele entende, que o toque mágico vai resolver tudo e sente o amor vindo.

E aí? Mocinho fofo ou não?

Enquanto decidimos vamos curtir o ritmo porque estou sentindo a vontade de dançar vindo.

28.2.17

Analisando a música: Sweet Child O' Mine (Guns N' Roses)

No meio dos filmes que assisti para poder opinar muito no twitter sobre o Oscar, estava Capitão Fantástico.

Viggo Mortensen recebeu uma indicação de melhor ator nesse filme que conta história de um pai que cria seus seis filhos de maneira alternativa. Um hippie da atualidade. Viggo não ganhou o Oscar, foi para o Casey Affleck por Manchester By The Sea, mas queria dizer que ele está ótimo nesse filme, e em forma (se é que vocês me entendem hihihi).

Numa cena especial do filme os filhos do Capitão Fantástico cantam uma versão bonita dessa música do Guns N' Roses e achei que merecia um Analisando a música.

O Guns N' Roses é uma banda americana de Los Angeles, formada em 1985. Eles surgiram entre a leva do Rock Farofa e a leva do Grunge, por isso eles tem o visual meio farofa (cabelos compridos, calças apertadas de cintura baixíssima, bandanas) mas a música é bem pesada tanto que eles são considerados Heavy Metal ou Hard Rock.

Em 1987 lançaram seu primeiro album, Appetite For Destruction, nele estão Paradise City, Welcome To The Jungle, Rocket Queen e Sweet Child O' Mine.

A não ser esse primeiro album (eu tinha o vinil e acho muito bom) e as outras músicas que fizeram sucesso nas rádios (Patience, Don't Cry, November Rain, You Could Be Mine, versão de Knocking On Heaven's Door, versão de Live and Let Die - eles são bons de versões), não conheço muito bem a discografia da banda. 

O Axl Rose fazia sucesso com sua reboladinha e com aqueles gritos agudos e o guitarrista Slash com aquele cabelo escondendo uma cara que ninguém vê, bad boys do rock n' roll. Gosto de várias músicas, mas nunca fui fã. Lembro bem da confusão que foi o show deles no Rock in Rio 2, os fãs da banda são fervorosos. Ano passado quando estiveram no Rio só soube que ia ter show porque vi alguns fãs com camisas pretas da banda perdidos na praia do Leme.

Mas vamos falar de Sweet Child O' Mine, que é o tipo da música que vai embalar muitas gerações ainda. 

O album Appetite for Destruction foi lançado em 1987 mas só fez sucesso em 1988, e só depois que colocaram Sweet Child O' Mine nas rádios. Essa música é bem diferente das outras no album, é quase uma balada romântica. 

Parece que o Slash não gosta muito dessa música porque não é hardcore suficiente, mas tem um riff de guitarra que todo mundo reconhece no primeiro acorde, tem um dos solos de guitarra mais conhecidos e deve render uma boa grana em direitos autorais para ele. (e, Slash, não tem nada menos hardcore do que Since I Don't Have You)

Eu gosto muito de Sweet Child O' Mine, é uma música deliciosa e ótima para correr, então vamos analisar para saber que criança doce é essa.


She's got a smile that it seems to me
Reminds me of childhood memories
Where everything was fresh as a bright blue sky
Now and then when I see her face
She takes me away to that special place
And if I'd stare too long
I'd probably break down and cry

Sweet Child O' Mine é uma música romântica, é uma declaração de amor e é uma balada com um solo potente de guitarra. Melodia e letra casam super bem nessa música onde o Axl Rose descreve sua namorada. "Ela tem um sorriso que me me faz ter recordações de memórias da infância. Onde tudo era fresco como um céu azul.". Ai, memórias da infância...quem nunca?

"De vez em quando quando olho para seu rosto ela me leva para aquele lugar especial, e se eu olhar demais provavelmente vou chorar." Owwww, é muito amor.

Oh, oh, oh sweet child o' mine
oh, oh, oh, oh, sweet love of mine

É a querida dele, o amor dele. 

She's got eyes of the bluest skies 
As if they thought of rain
I hate to look into those eyes and see an ounce of pain
He hair reminds me of a warm safe place
Where as a child I'd hide
And pray for the thunder and the rain
To quietly pass me by

E continua..."Ela tem os olhos como o céu mais azul, como se eles pensassem em chuva." Ai que lindo! E ele não gosta de ver nada de dor e sofrimento naqueles olhos. E o cabelo? Ahh, o cabelo dela o lembra de um lugar seguro onde ele se escondia e pedia aos céus para o trovão e chuva passar logo.

Oh, oh, oh sweet child o' mine
oh, oh, oh, oh, sweet love of mine

Nesse momento já estamos fazendo coraçãozinho com as mãos.

Where do we go?
Where do we go now?
(Sweet child)

Acho que ele até continuaria descrevendo a namorada em detalhes mas aí não teria espaço para o solo de guitarra (afinal, essa é uma banda de Hard Rock).

Então ele pergunta com certa insistência e urgência: "Aonde vamos? Aonde vamos agora?". Pode ser ele querendo saber qual a próxima parte do corpo dela ele vai descrever, ou quer saber dela para onde vai o relacionamento, pode ser um aonde vamos filosófico, ou simplesmente ele querendo saber para que lugar vão - que depois de tanto elogio posso imaginar vários.


Vamos fazer a dança da minhoca junto com Axl Rose.



Não é a toa que essa música tem em todas as versões possíveis: tem da Sheryl Crow, tem quarteto de cordas, tem música de elevador e tem até forró. Sim, existe uma versão forró dessa música (abre o link por sua conta e risco).

14.2.17

Analisando a música: How Deep Is Your Love (Bee Gees)

Domingo teve o Grammy e mais uma vez a Adele saiu carregada de troféus. No discurso do Grammy de Melhor Album do Ano a Adele até o dedicou para a Beyoncé mas a Queen B teve que se contentar mesmo só com o Grammy de Melhor Album de Contemporary Urban (categoria que nunca entendi) com Lemonade.

David Bowie levou todos na categoria rock. Gênio, mas ele nunca tinha ganhado um, agora o filho dele vai poder decorar a lareira.

George Michael e Prince foram homenageados. Adele cantou Fastlove da maneira mais deprimente que essa música poderia ser cantada e ficou bonito. Ela errou, falou uns palavrões, recomeçou e deu tudo certo. Já Bruno Mars se fantasiou de Prince e cantou Let's Go Crazy, bem mais animada.

Lady Gaga cantou com o Metallica e provou que pode cantar qualquer coisa.

Ed Sheeran cantou com um violão e uma parafernalha eletrônica que fazia os outros instrumentos, tipo cantor de churrascaria com um orgão, mas a música Shape of You é boa.

Beyoncé fez uma apresentação conceitual, ficou muito bonito mas achei a música sonolenta.

Katy Perry fez uma apresentação politizada e a música era ótima.

Gostei da música que o The Weeknd cantou com o Daft Punk. Saudades do ano que o Daft Punk ganhou tudo, foi muito animado.

E teve uma homenagem aos Bee Gees. Vamos falar dos Bee Gees. Os irmãos Barry, Maurice e Robin Gibb começaram cantando juntos em 1958. Robin e Maurice eram gemeos e Barry o mais velho. Tinha outro irmão mais novo, o Andy, mas ele fez carreira solo.

Os Brothers Gibb, BGs, Bee Gees, fizeram hits nas décadas de 1960, 1970, 1980 e até 1990.

O primeiro hit dos Bee Gees foi To Love Somebody em 1967.

Eles são conhecidos pela trilha sonora de Saturday Night Fever (1977), filme que o John Travolta rebola lindamente nas discotecas de NYC. Essa trilha sonora é só hits: Stayin' Alive, How Deep Is Your Love, More Than a Woman, Night Fever, If I Can't Have You (cantada pela Yvonne Elliman) e muitas outras. Essa trilha sonora rendeu vários Grammys aos irmãos. Duvido alguém colocar esse disco para tocar e não dançar.

A marca registrada do trio é que eles cantam num falseto (ou agudo, ou falseto über agudo, não sei a diferença) o tempo inteiro (o Barry é que tem esse agudo), tanto que é difícil até para mulheres cantarem as músicas deles. Quando analisei a música Grease disse que o único outro capaz dessa façanha era o Frankie Valli.

Os irmãos também compuseram vários hits que foram cantados por outros artistas como: Heartbreaker (Dione Warwick), Islands In The Stream (Dolly Parton e Kenny Rogers), Woman in Love (Barbra Streisand), Emotion (Destiny's Child), Grease (Frankiie Valli) e muitas outras.

Cantaram juntos até o Maurice falecer em 2003 aí o Robin seguiu carreira solo. Em 2009 Robin e Barry se juntaram mais uma vez até o Robin morrer em 2012. Só sobrou o Barry, mas ele está aí ainda gravando e aparecendo em shows.

Barry Gibb estava curtindo a homenagem no Grammy, cantava junto, batia palma. No palco Demi Lovatto, Tori Kelly, Little Big Town e Andra Day cantaram um medley com Stayin' Alive, Tragedy, How Deep is Your love e Night Fever.

Como hoje é Valentine's Day vou analisar How Deep Is Your Love.

I know your eyes in the morning sun
I feel you touch me in the pouring rain
and the moment that you wander far from me
I wanna feel you in my arms again

Essa música foi lançada em 1977 como um single e depois entrou na trilha sonora de Saturday Night Fever (Embalos de Sábado a Noite). Foi número 1 em vários países (inclusive aqui no Brasil), ficou no Top 10 da Billboard por muito tempo e ganhou o Grammy de Melhor Performance de um Grupo.

É uma música românica, daquelas que o pessoal dançava na parte música lenta das festas nos anos 1970/80 e aproveitava para chegar mais perto do crush.

Ele começa dizendo "conheço (ou reconheço) seus olhos no sol da manhã, sinto seu toque na chuva e no momento que você se afasta de mim quero tê-la em meus braços outra vez". Chega mais que vai esquentar.

And you come to me on a summer breeze
Keep me warm in you love
Then you softly leave
And it's me you need to show
How deep is your love

Aí ela vem numa brisa de verão, aquece e depois vai embora suavemente. E acho que porque ela as vezes se afasta e dá amor mas vai embora, ele quer que ela mostre o quanto profundo é o amor dela.
Estou começando achar que ele está inseguro.

How deep is your love
How deep is your love
I really need to learn
'Cause we're living in a world of fools
Breaking us down
When they all should let us be
We belong to you and me

"Então diz aí, quanto profundo é esse amor que você sente? Eu preciso muito saber." Calma amigo, relaxa e aproveita a melodia. E temos uma filosofada sobre o mundo de tolos que querem destruí-los mas que deveriam deixá-los em paz. Ciúmes detected. "Afinal, nós pertencemos um ao outro."

I believe in you
You know the door to my very soul
You're the light in my deepest, darkest hour
You're my savior when I fall
And you may not think that I care for you
When you know down inside that I really do

E ela pode dizer a profundidade do amor que ele acredita. Ainda bem. E faz essa declaração "você sabe onde fica a porta para minha alma, você é a luz no momento que estou mais deprimido, você me salva quando caio." Que responsabilidade. (Adoro a combinação da melodia com as frases You're the light in my deepest darkest hour. You're my savior when I fall)
E ele garante que ela sabe que ele se importa apesar dela achar que não.

And it's me you need to show
How deep is your love
How deep is your love
How deep is your love
I really need to learn
'Cause we're living in a world of fools
Breaking us down
When they all should let us be
We belong to you and me

Claro que ele se importa e ainda quer mensurar a profundidade do amor mais uma vez no refrão. Mas vamos deixar os tolos de lado e foca no eu e você que é o que interessa.


Vamos ligar a luz negra (que é roxa), escolher o par e dançar de rosto colado.




A boy band Take That fez uma versão dessa música.

2.2.17

Analisando a música: Lithium (Nirvana)

Essa semana assisti o documentário Montage of a Heck que fala do Kurt Cobain, e do Nirvana por tabela. Esse documentário usou fitas gravadas pelo Kurt Cobain (com músicas, entrevistas, depoimentos, etc), filmes caseiros, os diários e desenhos. Tem também depoimentos dos pais, irmã, do Krist Novoselic e até da Courtney Love. Esse documentário é como ver um pouco da loucura dentro da cabeça do Kurt Cobain.

Kurt teve uma infância ok até seus pais se separarem e daí para frente foi rebelde com e sem causa. Ele era hiperativo e hipersensível. Kurt também devia ter alguns problemas de saúde que ele não resolvia, o histórico de família não estava a seu favor e era viciado em heroína. Tão viciado que a Courtney Love disse que ele queria ganhar dinheiro suficiente para ser junkie sem preocupações.

Kurt Cobain compôs músicas que farão sucesso ainda por muitos anos porque pessoas se indentificam com as letras melancólicas, dramáticas, guitarras pesadas e a voz crua dele. O Nirvana colocou o grunge no mapa mundial (junto com o Pearl Jam, mas isso é outra história) e os fãs vieram em progressão geométrica. Kurt Cobain queria sucesso mas não queria fama. Infelizmente para ele os dois vieram juntos e com força.

Além do Kurt Cobain, o Nirvana era composto pelo Krist Novoselic (amigo de adolescência do Kurt) e Dave Grohl (que entrou para ser baterista no Nevermind e ficou).

A discografia do Nirvana é curta, são 3 discos: Bleach, Nevermind e In Utero. Os dois últimos são ótimos. Ainda tem o excelente Unplugged que gravaram em 1993 e só foi lançado em 1994, depois que Kurt Cobain morreu.

Uma biografia boa sobre o Kurt Cobain é Heavier Than Heaven (Mais Pesado Que O Céu) do Charles Cross. A história dele e da banda é curta mas é intensa.

Já contei como abracei o grunge nos anos 1990 quando analisei uma música do Pearl Jam, e gosto de várias do Nirvana.

O Kurt Cobain odiava dar entrevistas e falava pouco das músicas, inclusive preferia saber o como os fãs as analisavam. Então, Kurt, vou dizer para você o que eu acho que Lithium significa.

Lithium é do album Nevermind. As letras do Nirvana não são longas mas são significativas e tem um bocado de coisa para analisar em poucas estrofes.

I'm so happy because today
I've found my friends
They're in my head
I'm so ugly, but that's ok, 'cause so are you
We've broken our mirrors
Sunday morning is everyday for all I care
And I'm not scared
Light my candles in a daze
'Cause I've found god

Essa música pode ser sobre várias coisas mas acho que é sobre transtorno bipolar, afinal lítio é um dos remédios indicados para controlar e estabilizar essa doença.
Bipolar é um estado mental volátil e poucas coisas são mais assustadoras do que uma doença mental, seja por química confusa do corpo, trauma, velhice ou drogas.
É uma música que começa num ritmo mais devagar mas o refrão vem com força, ou seja uma fase depressiva e uma fase irritada.

É uma música ambivalente com altos e baixos. (Come As You Are também é assim, todas as frases da música tem alguma contradição "take your time, hurry up don't be late")

A música começa com ele dizendo que está feliz porque encontrou os amiguinhos....que estão dentro da cabeça dele. "Eu sou feio, mas tudo bem, você também é.", aqui acho que ele está com uma outra pessoa que ele julga adequada a imagem que ele tem dele mesmo. Aí aproveitam e quebram os espelhos que pode ser: quebraram porque se acham tão feios que não aguentam olhar no espelho OU não se importam com suas aparências e não querem se preocupar.

E para ele todo dia pode ser domingo de manhã que ele não se importa. (Domingo de manhã é ótimo, eu gosto, sempre vou andar de bicicleta, mas não é o caso aqui.) Ele não está com medo, acende as velas e diz que encontrou deus. Aqui vale uma observação: Kurt Cobain, depois do divórcio dos pais, vivia pulando de casa em casa e passou por uma fase religiosa onde ele frequentou a igreja mas isso só durou uns três meses.

Yeah, yeah, yeah

A música aqui passe de um ritmo mais lento para um rock pesado e Kurt quase gritando yeah, yeah, yeah...

I'm so lonely but that's ok I shaved my head
And I'm not sad
And just maybe I'm to blame for all I've heard
But I'm not sure
I'm so excited, I can't wait to meet you there
But I don't care
I'm so horny but that's ok
My will is good

De volta a calma. Ele continua dizendo que está solitário mas tudo bem ele raspou a cabeça. Hã? Bem, nada como um look novo para dar animo. Mas ele se acha culpado de algo que aconteceu e relataram para ele, mas não tem certeza.
Ele está animado, mal pode esperar para encontrar outra pessoa, mas não se importa. Está com muito tesão, mas tudo bem a vontade dele é boa (no sentido que consegue segurar o impulso). Coisas que são simultaneamente excitantes e péssimas. Highs and lows.

yeah, yeah, yeah

I like it, I'm not gonna crack
I miss you, I'm not gonna crack
I love you, I'm not gonna crack
I killed you, I'm not gonna crack

E aí emenda o yeah yeah yeah forte e rock pesado com essas quatro frases que pegam carona no fim da estrofe anterior ("My will is good"), e diz: eu gosto mas não vou ceder, sinto saudades de você mas não vou ceder, te amo mas não vou ceder, te matei mas não vou ceder. Altos e baixos.
Aqui acho que, apesar da depressão, ele está dizendo que não vai tomar uma atitude mais drástica.


Como disse alguém na internet (procurei mas não achei): "Kurt Cobain era bom em transmitir a idéia de ter sentimentos fortes sobre não ter sentimentos.".

Vamos quebrar alguns instrumentos com o Nirvana! I'm not gonna crack!



12.12.16

Analisando a música: Masters of War (Bob Dylan)

Bob Dylan ganhou o Prêmio Nobel de Literatura esse ano. Premiação mais do que justa para esse poeta moderno.

Teve gente que reclamou porque ele não é escritor. Como não? Poesia não é literatura? E música não é poesia cantada? Ok, nem toda música tem letras poéticas mas as do Bob Dylan sim. Aliás o Bob Dylan mais declama suas músicas do que propriamente canta.

Bob Dylan surgiu na cena musical na década de 1960, e ele começou bem jovem. No meio do furor do rock n' roll (Beatles e tal) com músicas dançantes de refrões pegajosos (mas que a maioria era sobre amor ou dor de cotovelo), Bob Dylan quis escrever músicas sobre temas mais sérios e foi para o folk.

(Só queria dizer que dor de cotovelo é uma coisa muito séria para muitas pessoas. Né, Adele?)

O folk é um gênero mais voz e violão, músicas com letras melancólicas, realistas, sentimentos profundos, in your face.

Um ótimo filme sobre essa época e música folk é Inside Llewyn Davis onde o Oscar Isaac (eu coração Oscar Isaac) vive uma versão loser do Bob Dylan.

O filme I'm Not There, onde Bob Dylan é interpretado por diversos atores (incluindo a Cate Blanchett) é muito bom também.

Então o Bob Dylan começou fazendo muitas músicas de protesto como Blowin' In The Wind e The Times They Are a-Changing. Ele é um compositor prolífico e muitos outros artistas gravaram suas músicas.

Gosto várias músicas mas não posso me considerar conhecedora da discografia do Bob Dylan. Na verdade só gosto das músicas dele cantadas por outros artistas. Não gosto da voz do Bob Dylan. Pronto. Falei. Poeta genial, voz horrível.

Like a Rolling Stone na versão Rolling Stones, All Along The Watchwater pelo Jimi Hendrix, Lay Lady Lay pelo Duran Duran, Mr. Tambourine Man pelo The Byrds, Knockin' on Heaven's Door pelo Guns and Roses, I Shall Be Released pela Nina Simone (The Band tem uma versão ótima também), Make You Feel My Love pela Adele (e pelo Billy Joel), Forever Young pelo Pearl Jam, Kansas City pelo Marcus Mumford, Stuck Inside Mobile pela Cat Power, Girl Form the North Country pelo Eddie Vedder (QUALQUER música cantada pelo Eddie Vedder, mas isso é outro post) - a versão dessa música do Dylan com o Johnny Cash também é ótima.

Até a versão do Caetano Veloso de Jokerman acho melhor. E não curto a voz do Caetano.

Duas músicas que gosto, mesmo com Bob Dylan cantando: Most of The Time e Things Have Changed, música que ele compôs para o filme Wonder Boys e ganhou um Oscar.

Masters of War é de 1963 e é da fase músicas de protesto do Bob Dylan. Gosto dessa música especialmente porque o Pearl Jam faz uma excelente versão. Eddie Vedder sabe dar o tom de revolta que a música merece e por isso (e porque eu sou fã do Eddie Vedder) vou analisar essa.

Essa música é uma adaptação de uma música folk tradicional chamada Nottamun Town. Bob Dylan usou a melodia e fez uma letra atualizada.

Come, you masters of war
You that built all the guns
You that built the death planes
You that built the big bombs
You that hide behind walls
You that hide behind desks
I just want you to know
I can see through your masks

Bob Dylan disse que essa é uma música pacifista, que ele fez depois do discurso do Eisenhower ao sair da Casa Branca falando de um complexo militar-industrial. Bem, sabemos que essa coisa militar-industrial é um comércio de bilhões de dinheiros, mas é tudo para a defesa do mundo. Aham, Claudia, senta lá. (Sim, desenterrei esse meme).

Então, vejo essa música como uma carta super sincera do Bob Dylan para o pessoal que adora fazer guerra mas não vai de fato ao front pegar numa arma e atirar. Se bem que hoje fazem guerra com drones.

Mas o Bob Dylan já começa dizendo que consegue ver através de todas as máscaras desse pessoal que constrói armas, bombas e se esconde atrás de paredes em escritórios.

You that never done nothing
But build to destroy
You play with my world
Like it's your little toy
You put a gun in my hands
And you hide from my eyes
And you turn and run farther
When the fast bullets fly

"Vocês não fizeram nada além de construir para destruir. Vocês brincam com o meu mundo como se fosse seu brinquedinho, colocam uma arma nas minhas mãos, se escondem e são os primeiros a correr para longe quando os tiros passam voando."

Like Judas of old
You lie and deceive
A world war can be won
You want me to believe
But I see through your eyes
And I see through your brain
Like I see through the water
That runs down my drain

"Seus traidores, mentirosos, querem que eu acredite que uma guerra pode ser vencida. MAS eu vejo através dos seus olhos e seus cérebros assim como vejo através da água descendo pelo ralo".

Bob Dylan mandando ver na galera dos jogos de guerra! Bob, cuidado que eles tem armas (muitas).

You fasten the triggers
For the others to fire
Then you set back and watch
When the death count gets higher
You hide in your mansion
As young people's blood
Flows out of their bodies
And is buried in the mud

Mas o Bob Dylan sabe que são covardes. Eles apertam os gatilhos para os outros atirarem. Ficam vendo só de longe, em suas mansões, enquanto o sangue dos jovens escoa de seus corpos para a lama.

You've thrown the worst fear
That can ever be hurled
Fear to bring children
Into the world
For threatening my baby
Unborn and unnamed
You ain't worth the blood
That runs in your veins

E Bob joga na cara deles que conseguiram infligir nas pessoas o medo de não querer colocar filhos no mundo por ser um lugar perigoso. Olha, Bob, sinceramente, acho que as pessoas tem filhos de qualquer jeito, porque se realmente se preocupassem com a situação do mundo a população mundial diminuiria.
Na música o Bob já está pensando em ter filhos porque diz que estão ameaçando seu bebê que nem nasceu ainda. (Só para constar: Bob Dylan tem 6 filhos.)

How much do I know?
To talk out of turn
You might say that I'm young
You might say I'm unlearned
But there's one thing I know
Though I'm younger than you
Even Jesus would never
Forgive what you do

Aí Bob Dylan (que na época que escreveu essa música tinha uns 21 anos) diz que é novo, e que pode até ser inculto, mas ele tem certeza que Jesus nunca vai perdoar esses mestres da guerra. PAH! Nem Jesus nem ninguém.

Let me ask you one question
Is you money that good?
Will it buy you forgiveness?
Do you think that it could?
I think you will find
When your death takes its toll
All the money you made
Will never buy back your soul

"Vem cá, deixa eu te fazer uma perguntinha: O seu dinheiro é tão bom assim?? Vai te comprar perdão? Você acha que sim? Eu acho que quando a morte bater na sua porta todo esse din din não vai comprar sua alma de volta." É mestres de guerra, o diabo paga bem pela alma, mas cobra muito mais caro para vender de volta (se é que ele vende de volta).

And I hope that you die
And your death will come soon
I will follow your casket
In the pale afternoon
And I'll watch while you're lowered
Down to your deathbed
And I'll stand over your grave
'Till I'm sure that you're dead

E aí para terminar o Bob Dylan diz logo que quer que todos os mestres de guerra morram, e logo. Que ele vai seguir o caixão, vai vê-lo ser colocado a sete palmos e ainda vai ficar em cima até ter certeza que estão mortos. Eitaaaaaaa! PAH! BUFO!

E é assim que se xinga, ameaça, provoca, joga na cara e ainda diz que quer ver alguém morto de forma poética. Acho que isso vale sim um Nobel de Literatura. (Ainda mais levando em conta que o Alfred Nobel que criou os prêmios é o mesmo que inventou a dinamite.)
Palmas para Bob Dylan.


O Pearl Jam tem algumas versões dessa música, essa é quando eles se apresentaram no programa do David Letterman. Eddie Vedder não canta a letra inteira e troca muitos I por We, troca a ordem de duas estrofes e fica ótimo.

Ninguém dá ênfase a frase "Is you money that good?"como o Eddie Vedder.



Para quem quiser, uma versão do Pearl Jam com a letra inteira, cheia de sentimento é essa ao vivo no Benaroya Hall em 2003. O video é péssimo mas o som está ótimo.



Ed Sheeran tem uma versão muito boa dessa música:




Bob Dylan cantando (mas ele não canta a letra inteira).



6.12.16

Analisando a música: Aqua Profunda (Courtney Barnett)

Semana passada voltei a fazer natação. Há anos não treinava os 4 estilos numa piscina e nadar é sempre um ótimo exercício.

Aí hoje estava indo para a piscina e tocou essa música da Courtney Barnett no shuffle.

Até novembro desse ano eu não sabia quem era essa cantora de Melbourne. Comprei um ingresso para um show dela junto com um show do Edward Sharpe and the Magnetic Zeros no Circo Voador sem conhecer nenhuma das duas bandas.

Até baixei o único album dela para escutar durante a corrida, mas choveu tanto no Rio que não corri. Então cheguei no Circo Voador sem conhecer uma música dela. (E, sim, eu costumo ver shows de bandas que não conheço e acho divertido)

Gostei muito do show dela, um rock básico, cru, de garagem. No palco só ela, um outro guitarrista e um baterista. E tocaram direto por pouco mais de uma hora com umas projeções maravilhosas de desenhos (que depois descobri que a própria Courtney desenha).

Voltando a natação. Só hoje reparei na letra dessa música e dei uma risada. Aqua Profunda é do primeiro (e único até agora) album da Courtney Barnett que tem o excelente título: Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit.

Como boa australiana, a Courtney escreveu uma música que envolve água. Vamos ver o que acontece nas águas profundas.

I saw you in the lane next to me
You were doing freestyle
Then you switched it around to a little bit of backstroke
I couldn't see you underneath
Your swimming cap, but it appeared that you had
Dark colored hair, maybe it was blonde for all I know

Essa é uma música sobre uma paquera na piscina. Quem nunca?
Ela começa contando que viu o paquerinha na raia ao lado e ele estava nadando crawl (também conhecido como: nado livre) e virou para nadar costas. É um atleta.
Ela não podia ver o que tinha embaixo da toca, se ele era moreno ou loiro. Ou ruivinho.
Acho que não foi bem a cor do cabelo o que atiçou a curiosidade, just saying.

I had goggles on
They were getting foggy
I much prefer swimming to jogging
I tried my very best to impress you
Held my breath longer than I normally do

Ela diz que estava de óculos de natação e que estavam ficando embaçados. Te entendo Courtney, é um saco óculos embaçado.
Ela diz que prefere nadar a correr. Aí já não sei se concordo. Nadar é ótimo, mas vamos combinar que depois de umas 30 voltas na piscina só olhando os azulejos fica um pouco chato. A corrida pode cansar mais no início, mas correr com vista é uma delícia.
Voltando as estratégias de paquera na piscina, ela tentou segurar o fôlego por mais tempo só para impressionar.
Adianto que essa tática não é boa. Quem é que repara se a pessoa está segurando fôlego embaixo d'água na raia do lado??

I was getting dizzy, my hair was wet and frizzy
Felt my muscles burn, I took a tumble
Turn for the worse, it's a curse
My lack of athleticism
Sunk like a stone
Like a first owners home loan
When I came to, you and your towel were gone

Claro que ela começou a ficar tonta, sentiu os músculos queimando, aí acho que tentou sair da piscina, caiu e afundou que nem uma pedra. Total falta de talento esportivo e ainda diz que é maldição. Não Courtney, é só falta de treino mesmo.

Aí alguém deve ter tirado ela da piscina e quando acordou viu que o paquera e a toalha dele tinham ido embora. Fuén, fuén, fuén..... FAIL.

Courtney, troca de piscina.



Esse video não é oficial (acho que nem tem), mas ficou muito bom!




30.6.16

Analisando a música: Everybody Wants To Rule The World (Tears For Fears)

A Thea deixou um comentário pedindo para analisar uma música do Tears For Fears. A banda vem fazer shows no aqui no Brasil em outubro e como gosto de algumas músicas deles achei ótima idéia.

O Tears For Fears é uma banda inglesa formada em 1981 pelo Roland Orzabal e Kurt Smith. Os dois eram amigos de adolescência, formaram um duo e depois uma banda. Li na internet que a primeira banda se chamou Graduate, a segunda History of Headaches (achei ótimo esse nome!) e finalmente Tears For Fears.

O primeiro album deles foi The Hurting, de 1982, que tem: Pale Shelter, Change e Mad World. Esse primeiro album foi bem, mas o sucesso internacional da banda veio com Songs From The Big Chair, 1985, que tem: Shout, Head Over Heels, Mother's Talk e a analisada da vez.

Gosto muito do terceiro album deles, The Seeds of Love (de 1989). Tem músicas mais elaboradas e teve hits como Woman In Chains, Advice For The Young At Heart e Sowing The Seeds of Love. Desse album também destaco de Badman's Song e Year of the Knife.

Vi o Tears For Fears tocando ao vivo na Apoteose no Rio de Janeiro em 1990, e gostei muito do show, eles são muito bons ao vivo. Trouxeram a Oletta Adams, vocalista maravilhosa e pianista que faz um dueto com o Roland Orzabal em Woman in Chains e Badman's Song, e foi um upgrade total em todas as outras músicas.

Os dois se separaram em 1991, mas o Roland Orzabal seguiu com outros músicos usando o nome da banda e chegou a lançar mais dois albuns.

Se juntaram outra vez em 2000, retomaram a parceria e lançaram um disco em 2005: Everybody Loves a Happy Ending. Como eu parei de saber o que eles faziam depois que se separaram lá em 1991 (e tinha abraçado o rock grunge) não conheço nada desses outros albuns mais recentes.

Tenho pelo menos 10 músicas dos primeiros albuns no iPod e o shuffle quase sempre manda uma na hora da corrida.

Foi difícil escollher uma música, mas nesses tempos de Brexit, eleições nos EUA com Trump na parada, Isis aterrorizando e situaçao confusa por aqui, achei que esse sucesso de 1985 cai como uma luva nos dias de hoje.

Muitas das músicas do Tears For Fears tem essa temática de colocar indignação para fora e reclamar de tudo que está acontecendo. De forma pop, claro. Vide Shout com "in violent times, you shouldn't have to sell your soul", Sowing the Seed of Love com "Politician grannie with your high ideals, have you no idea how the majority feels, we're fools to the rules of a government plan" e até Woman in Chains "it's a world gone crazy, keeps woman in chains."

Everybody Wants To Rule The World é sobre isso mesmo, gente que quer dominar o mundo colocado de forma poética e dançante com uma batida pop anos 1980.


Welcome to your life
There's no turning back
Even while we sleep
We will find you acting on your best behavior
Turn your back on Mother Nature
Everybody wants to rule the world

Roland e Kurt dividem os vocais nas músicas e essa é cantada pelo Kurt Smith. Tem gente no Forum que diz que essa música é sobre ou inspirada no 1984 do Geroge Orwell, não achei nada confirmando isso mas o livro também é sobre poder e controle dos governos. A banda diz que essa música surgiu rapidinho depois de trabalharem por muito tempo em Shout. (Acho Shout uma daquelas músicas que começa bem mas fica chaaataaaa - vou fazer um top 5 dessas músicas)

Acho essa música um pouco confusa, como se eles quisessem usar a frase "Everybody wants to rule the world" de qualquer jeito e colocaram outras coisas só para preencher espaço da música. Mas vamos ver o que diz o resto da letra.

A música já começa com uma frase fato: seja bem vindo a sua vida, agora não tem mais volta. Não sei quem é esse "nós" da música, mas é quem observa a todos e sabe que mesmo quando nós, humanos, estamos no nosso melhor comportamento podemos dar as costas a mãe natureza. E assim surge o lixo, a sujeira, as brigas, desentendimentos e guerras.

Lado negro da humanidade. Todos querem dominar o mundo.

It's my own design
It's my own remorse
Help me to decide
Help me make the most of freedom and of pleasure
Nothing ever lasts forever
Everybody wants to rule the world

Então ele diz que é seu próprio desenho/criação e também seu arrependimento. O que? Acho que o estilo de vida. E pede ajuda aos universitários para decidir e aproveitar o máximo da liberdade e prazer. Nada dura para sempre. FATO.
Temos uma pessoa que quer mudar mas está sem coragem.
Acontece que todos querem conquistar o mundo e cada um sabe da sua vida.

There's a room where the light won't find you
Holding hands while the walls com tumbling down
When they do I'll be right behind you
So glad we've almost made it
So glad they had to fade it
Everybody wants to rule the world

"Tem um quarto onde a luz não vai te encontrar" é uma forma poética de dizer quarto escuro. OU uma forma de dizer que tem como escapar da luz (que luz maligna é essa?) mas que as paredes fatalmente irão cair. Pelo menos não vai estar sozinho.
No modo filosófico pode ser que a pessoa tenha idéias (ou sonhos) que fogem do padrão, da sociedade, e nesse quarto escuro pode contemplá-las, mas que um dia terá que desistir de algumas delas para continuar a vida coletiva.

Todos querem mandar no mundo.

I can't stand this indecision
Married with a lack of vision
Everybody wants to rule the world

Mas não aguenta essa indecisão casada com falta de visão. Rimou. Resumindo: em cima do muro.

Say that you'll never never need it
One headline, why believe it?
Everybody wants to rule the world

"Diga que nunca vai precisar." De que? Conquistar o mundo?
Uma manchete, por que acreditar? Isso é verdade, do jeito que andam as notícias não dá para ler só a manchete sem ler o resto, vai que é pegadinha tipo Meia Hora.

All for freedom and for pleasure
Nothing ever lasts forever
Everybody wants to rule the world

Tudo pela liberdade e prazer, tentar ser feliz. Porque com essa briga toda pelo poder nada dura para sempre mesmo.


Um video clássico dos anos 1980. Adoro a coreografia que os dois caras fazem no posto de gasolina.


12.6.16

Analisando a música: Freedom '90 (George Michael)

Essa semana no Lip Sync Battle (um programa que os artistas americanos tem seu dia de Pablo, qual é a música? com muita produção) o Zachary Quinto batalhou com a Zoe Saldana e eu fiquei na dúvida entre duas músicas que eles apresentaram.

Zoe Saldana fez um ótimo lip sync de No Scrubs do TLC, inclusive com duas integrantes do grupo, e essa música, além de ser ótima, é bem apropriada ao momento porque fala de assédio e dá um fora musical no palhaço.

(Tem até uma história ótima que aconteceu no metrô de Chicago onde um cara assediou uma moça pedindo o telefone dela e quando ele insistiu "me dá seu número, você é tão bonita, quer o meu número?" a moça respondeu "No, I don't want you number!" e a moça do lado continuou "and no, I don't want to give you mine" e a outra "and no, I don't wanna meet you no where" e juntas "no, I don't wanna none of your tiiime".)

Só que... Zachary Quinto trouxe Cindy Crawford para ajudar no seu lip sync desse clássico do George Michael, ela roubou a cena, e eu lembrei que a-dor-ro essa música.

Duas músicas ótimas, mas fui no George Michael.

George Michael surgiu com o Wham! um duo inglês (que ele fazia junto com o Andrew Ridgeley) que tem músicas pop super dançantes como Wake Me up Before You Go Go e I'm Your Man, um clássico da dor de cotovelo: Careless Whisper, e uma música de Natal: Last Christmas.

O Wham! fazia sucesso com as adolescentes, lançaram 3 albums e em 1986 George partiu para carreira solo. Teve um babado entre os dois que levou ao fim do duo, mas depois fizeram as pazes.

(Cheguei a ver os dois juntos no Rock in Rio 2, em 1991, quando o Andrew fez parte do ótimo show do George Michael)

O primeiro album solo do George Michael foi Faith (1987). E foi um sucesso. É um disco pop muito bom, tem: I Want Your Sex, Faith, Father Figure, One More Try e Kissing a Fool. George Michael fez videos para quase todas as músicas, teve polemica e ele ficou super exposto. O pop não poupa ninguém.

Essa super exposição cansou o George Michael de um jeito que no album seguinte, Listen Without Prejudice (que também é muito bom), ele veio logo com Freedom! (o '90 foi colocado depois para não confundir com a outra Freedom do Wham!) que fala basicamente que a imagem não deve afetar a música, mas vamos analisar.


I won't let you down
I will not give you up
Gotta have some faith in the sound
It's the one good thing that I've got
I won't let you down
So please don't give me up
Because I would really, really love to stick around

George Michael já começa avisando que não vai decepcionar nem desistir, que a música é o que ele tem de bom. "Não vou decepcionar, não desista de mim, porque quero muito, mas muito mesmo, continuar (fazendo música e sucesso)". Ok, George Michael, manda ver então!

Heaven knows I was just a young boy
Didn't know what I wanted to be
I was every little hungry schoolgirl's pride and joy
And I guess it was enough for me

Então vamos saber a história de vida do pequeno George Michael. Era apenas um rapaz grego-britânico que não sabia o que queria da vida, mas montou um duo com seu amigo, fez sucesso com as meninas e para ele estava tudo bem.

To win the race? A prettier face!
Brand new clothes and a big fat place
On your rock and roll tv

Acontece que a indústria não perdoa e para fazer mais sucesso tem que fazer um make over. E foi o que aconteceu com o George Michael depois que ele saiu do Wham!. Cortou o cabelo, vestiu umas roupas mais apertadas e ganhou muito espaço na MTV.

But, today, the way I play the game is not the same
No way
Think I'm gonna get myself happy.

Mas ele quer mudar a tática de jogo (ou o jogo todo) e ser feliz. Está mais do que certo George Michael!

I think there's something you should know
I think it's time I told you so
There's something deep inside of me
There's someone else I've got to be

"Então deixa eu te dizer uma coisa, acho que está na hora de você saber, há algo dentro de mim, tem alguém que eu preciso ser." Uma estrofe fica a dica. Dizem que é o George Michael saindo do armário, mas não acho que foi exatamente o caso na época dessa música, acho que era mesmo sobre a carreira musical e sua imagem.
O George Michael só foi mesmo catapultado para fora do armário quando ele foi preso em 1998 por fazer amizades íntimas num banheiro público de Los Angeles.

Take back your picture in a frame
Take back your singing in the rain
I just hope you understand
Sometimes the clothes do not make the man

Toma de volta sua foto na moldura (uma coisa certinha), sua cantoria na chuva e espero que entenda: as vezes a roupa não faz o homem. Resumindo: não julgue um livro pela capa.

All we have to do now
Is take these lies and make them true somehow
All we have to see
Is that I don't belong to you
And you don't belong to me
Freedom
You've gotta give for what you take

Momento levanta os braços e canta!
"Tudo que precisamos fazer agora é pegar essas mentiras e fazê-las verdades de algum jeito." É George Michael querendo mostrar seu talento e sua música do jeito que ele quer. E ainda manda um recadinho para a gravadora: Não pertenço a você e nem você a mim. PAH! Freedoooom!!

Adoro que ele repete o refrão inicial nos intervalos entre Freeedoms.

Heaven knows we sure had some fun boy
What a kick, just a buddy and me
We had every big shot, good time, band on the run, boy
We were living in a fantasy

Voltamos ao pequeno George Michael e seu amigo que se divertiam no duo, fazendo shows, divertindo as adolescentes e vivendo a fantasia. Ahhh os bons tempos do Wham! né George Michael?

We won the race
Got out of the place
I went back home, got a brand new face
For the boys in MTV

Conseguiram sucesso, sairam da mesmice, mas aí o George Michael achou que era pouco, queria mais crédito, largou o duo, cortou o cabelo e foi rebolar na MTV.

But today the way I play the game has got to change
Oh, yeah
Now I'm gonna get myself happy

Acontece que ele precisa mudar o jogo para ser feliz.

I think there's something you should know
I think it's time I stopped the show
There's something deep inside of me
There's someone I forgot to be
Take back your picture in the frame
Don't think that I'll be back again
I just hope you understand
Sometimes the clothes don't make the man
Freedom!

E George Michael volta a deixar a dica, mas dessa vez é diferente. "Tem alguém que eu esqueci de ser", muito boa essa frase, é isso aí George Michael, tem que ser você mesmo. Ele acha que está na hora de parar o show e que se não o deixarem ser livre ele não voltará mais. PAH! PAH! PAH!
E a gente cantando e levantando os braços! Freeeedoooom!!

Well it looks like the road to heaven
But it feels like the road to hell
When I knew which side my bread was buttered
I took the knife as well
Posing for another picture
Everybody's got to sell
But when you shake you ass
They notice fast
And some mistakes were build to last
That's what you get
I say, that's what you get
That's what you get for changing your mind

Então parece o caminho do céu mas é a estrada do inferno. Ou seja, é tudo lindo na fachada mas por trás.... Aí vem essa metafora ótima: "Quando descobri em qual lado do meu pão tinha manteiga, tomei conta da faca." You go George Michael! Esse é o lado comercial dá música, tem que tirar foto e tem que vender discos. E aí ele fala quando dá uma reboladinha todos notam. E parece que George Michael se arrependeu da reboladinha clássica com zoom no derriere de Faith, mas fazer o que né? Depois de toda super exposição George Michael deve ter mudado de idéia mas os executivos queriam o artista de Faith.

And after all this time
I just hope you understand
Sometimes the clothes
Do not make the man

"Amigues, vocês ainda não entenderam que não se julga livro pela capa?"

All we have to do now
Is take these lies and make them true somehow
All we have to see 
Is that I don't belong to you and you don't belong to me
Freedom!

Ninguém é de ninguém e vamos todos ser livres e felizes.

I'll hold on to my freedom
May not what you want from me
Just the way it's got to be
Lose the face now
I've got to live

E como George Michael diz no início e ao longo da música, "não vou decepcionar nem desistir". Ele quer continuar fazendo música do seu jeito, que pode não ser o que os executivos (e alguns fãs) queiram mas vai ser assim e ponto final. Deal with it. Freeeeedoooom!


(Depois de Listen Without Prejudice o George Michael brigou com a gravadora e demorou 6 anos para lançar outro album, o Older - que também gosto- em 1996.)


O video dessa música é maravilhoso. Dirigido pelo David Fincher (sim, o mesmo de Clube da Luta, A Rede Social, Seven, etc), com top models daquele ano (cinco apareceram juntas numa capa da Vogue de Janeiro/1990). Tem Cindy Crawford, Naomi Campbell, Linda Evangelista, Christy Turlington e Tatjana Patitz, e os modelos masculinos John Pearson, Mario Sorrenti, Peter Formby e Todo Segalla. É muita gente bonita e sexy num video só!

Dizem que o George Michael aparece rapidamente numa parte significativa do video, não sei se é verdade, mas quem não sabe vou deixar adivinhar nos comentários.

Ter modelos profissionais fazendo lip sync de "sometimes the clothes do not make the man" é significativo.

No video, enquanto os modelos fazem lip sync da música, a guitarra, a jukebox e a jaqueta de couro, os símbolos do album anterior, Faith, são todos destruídos.

Agora vamos todos cantar e dançar Freedom! jogando os braços para o alto.