31.3.11

Brincando com a diana mini


Sempre que entrava na Urban Outfitters, eu via essas máquinas fotográficas coloridas para vender, mas não sabia exatamente como funcionava.

Depois do carnaval eu descobri (via @neybarroso e @valtercl) que tinha uma loja da Lomography, Lomo para os íntimos, no Rio e fui conferir.

Lomografia é foto old school, com filme. As câmeras da Lomo são todas analógicas, daquelas que temos que colocar filme, rodar para encaixar, foco manual, regular entrada de luz e só ver o que aconteceu depois.

Existem vários tipos de câmeras: a diana, que parece aquelas clássicas dos anos 60; a fish eye, que tira fotos com efeito olho de peixe (óbvio), as multilentes como a sampler, a pinhole para quem quer ser old school mesmo, a colorsplash para fotos coloridas, a holga para quem gosta de cantos escuros (nas fotos); a sprocket rocket para fotos panorâmicas; e muitas outras.

Confesso que fiquei entre a super sampler (que tira 4 fotos de uma vez), a colorsplash e a diana mini.

Comprei a diana mini por ser pequena, porque bato mais fotos diurnas e se eu quiser bater fotos noturnas posso comprar um flash e colocar (até com filtros coloridos).

Então, tirar fotos com essa câmera é uma aventura. Primeiro, o foco é ajustado manualmente, mas você não vê como vai ficar, o visor não reflete a imagem, é só para dar uma noção para onde apontar a lente. Depois, existem dois formatos para as fotos: frame inteiro e meio frame (e o frame inteiro é quadrado e não retangular tradicional). Pode mudar o formato no meio do filme, e quando isso acontece pode ser que algumas (muitas) fotos fiquem sobrepostas. E você pode segurar o shuttter para entrar mais luz, e aí só vai saber depois se deu certo.

A escolha do filme também é importante e a variedade é e-nor-me. Eu peguei 3 de asa 100 (para fotos diurnas) e um com efeito negativo (ainda vou descobrir como funciona), mas tem asa 800, com efeitos vermelhos, coloridos, etc.

Terminado um filme é bom digitalizar o negativo e ver o que aconteceu para depois, se quiser, imprimir. Na caixa da camera vem um livro com fotos e dá para ver o que se pode fazer com a diana mini.

O meu primeiro filme foi uma supresa. Começei colocando o filme e não sabia se tinha colocado certo, mas aparentemente acertei (e eu sou da época das máquinas com filme hein?). Na primeira foto que bati olhei para a câmera como se fosse aparecer a foto. Dã.

Aqui estão algumas:

aqui são duas fotos em meio frame que tirei de um lado e outro da praia. dei sorte de ser no mesmo frame e combinar, dando esse efeito.

outras duas fotos em meio frame (e o restinho de um frame inteiro no canto), a revelação fica assim mesmo.

e essa foto são 3 fotos sobrepostas (devo ter trocado o formato no meio da sequência), eu gostei do efeito.

uma foto tradicional, mas ficou com cara de antiga né?

e nessa eu esqueci de segurar o shutter mais tempo, ficou escura, mas gostei

Muitos desses efeitos podem ser feitos com fotos de máquina digital no photoshop, mas não tem graça. A diversão é experimentar. Claro que é sempre bom levar a máquina digital se quiser garantir a foto (como numa viagem).

Mais fotos no flickr.

O segundo filme já está na câmera!

20.3.11

Bye, bye buggy


Em 1986 compramos um buggy (ou bugre), veículo muito útil aqui no Ceará, e semana passada vendemos. Foram 25 anos de muitas dunas, praias, estradas, e até uma viagem Fortaleza-Natal pela praia. Eu praticamente aprendi a dirigir nesse carro. Nos últimos anos ele ficava na casa de praia, servia para carregar alguns materiais e para passeios por perto. Agora se foi para novas mãos e aventuras.

Na venda eu não estava aqui e o Nick, meu padastro inglês, que se desfez do buggy porque já não o usava muito, com saudade, me mandou um e-mail, poético, descrevendo a partida do buggy: (não vou corrigir o português dele)

"Acho que o Buggy nao gostou muito da mudanca, saiu daqui, com um olho fechado (farol quiemado!), cuspindo fogo (ja que um cilindro estava falhando) e de ombros baixos (suspensao traseira baleada), mas logo apos de virar esquerda (sem sinal que nao funciona) parece que acertou com o novo dono, tocou uma alegre symphonia parecido com um mistura da quinta de Beethoven e o Ride das Valquirias de Wagner. Ainda pulando feito um kangaroo (isso devido o carburador entupido por sujeira da gasolina refinada e o escapamento furado), o filho do dono adorou e estava que era um sorriso so, e ai se foi e nao parou mais (ja adivinhou ? eh isso, os freios tambem acabaram !!) Tchau buggy."

17.3.11

St. Patrick's com Ney

Hoje é dia do St. Patrick, e dia de beber uma Guinness, então fui com o Ney atrás de um lugar que vendesse a cerveja irlandesa aqui na cidade.

Encontramos a Guinness, em lata (que, obviamente, não é tão boa quanto a draft servida em Dublin), na Confeitaria Sublime, onde ia ter uma festa para celebrar a data.

Estavamos sentados, papaeando, quando o Ney observou que havia um duende cara sentado na mesa ao lado e disse "Vou já saber onde ele escondeu o pote de ouro.". Logo depois o cara se levantou e saiu, aí o Ney observou "Tá vendo, ouviu falar em pote de ouro e saiu.".

Eu já tinha tomado a Guinnes e estavamos indo embora quando o duende cara voltou, e o Ney então fechou com: "Voltou. Foi esconder o pote de ouro em outro lugar."

Não adianta, assim que o arco-íris aparecer vamos saber onde está.

14.3.11

Momento TOC: top 6 versões de Glee

Glee é uma série que agrada a uns, outros detestam, eu acho muito divertida. Tem a Sue Sylvester que é uma das melhores vilãs da tv. As músicas são importantes na série, algumas eu não gosto, acho várias divertidas, poucas nunca tinha escutado e as vezes eles até acertam. Os atores cantam bem, alguns são excelentes e outros nem tanto (dizem que usam o tal do auto tune, mas fica legal do mesmo jeito). Então segue 6 versões que eu gostei.

1- Toxic (Britney Spears). Teve um episódio inteiro dedicado a cantora e essa versão, para mim, ficou melhor que a original, e eu gosto da original.

2- River Deep, Moutain High (Tina e Ike Turner). Acho que a diva Tina ia ficar orgulhosa dessa versão cantada pela Mercedes e a Santana, duas das melhores vozes de Glee. (a original é essa.)

3- Poker Face (Lady Gaga). A original dançante da Lady Gaga é um grude instanâneo. A versão Glee é mais lenta e a Rachel usa sua voz bonita nos altos e baixos junto com a sua mãe na série (Idina Menzel).

4- Teenage Dream (Katy Perry). A versão Glee é dos Warblers, coral da escola rival, e ficou muito legal os rapazes cantando, mas, vamos combinar que o clipe da original é muito melhor.

5- Sweet Caroline (Niel Diamond). A versão Glee não é muito diferente da original, mas o Puck cantando é uma delícia.

6- Don't You Want Me (The Human League). Quando soube que Glee ia fazer uma versão desse clássico dos anos 80 achei que não ia dar certo, mas a batida mais atual me surpreendeu, ficou mais dançante. O Blaine (Darren Criss) canta muito bem, a voz dele combina com tudo, e a Rachel, claro, acompanha bem.

8.3.11

Carnaval carioca (2)

E quando achei que não ia ver mais nenhum bloco...

Hoje, último dia de festa, já estava com preguiça de carnaval quando fui andar por Copacabana. Por incrível que pareça, Copacabana tem, durante o carnaval, muito menos turistas, confusão, sujeira, etc, do que os nobres vizinhos, Ipanema e Leblon.

O carnaval de Copacabana consiste em vários bloquinhos (e são pequenos mesmo, não como o Sargento Pimenta que também chamam de bloquinho). Poucos andam pela Av. Atlântica, a maioria fica parado nas ruas transversais. Muitos tem bandas boas e pessoas animadas. Como Copacabana tem muito mais espaço que Ipanema e Leblon, nada fica lotado, ou tumultuado, inclusive, é fácil achar banheiro vazio (#epicwin).

Ontem, a caminho do Sargento Pimenta eu dei de cara com a Bandinha do Bairro Peixoto que animava umas 70 pessoas na esquina.

pequena mas animada


Hoje eu vi a Banda Saldanha, com uma bateria muito boa e metais no trio que completavam a festa.


samba é coisa séria

bloco da galinha

Depois foi o Volto Já Meu Bem, bloco que desce a Princesa Isabel até a Praia do Leme. Muita gente fantasiada, muitas crianças, uma música engraçada e até o Wally estava lá.

fazendo a curva para o leme

pernas de pau fantasiados

onde estava? no leme.


No fim da tarde fiquei local no Boca Seca, bloco do Leme.

Para quem não é tão fã de carnaval até que fui bem né? :)

Observações da festa nababesca:
- Nunca vi tanta mulher "fantasiada" de noiva. Por que?
- Os homens se divertem mais com as fantasias, a maioria das mulheres só usam fantasias para ficarem sexy. #prontofalei
- Prefeitura, vocês tem que calcular melhor esse número de banheiros por bloco, hein?
- Dos lugares que fui, posso classificar assim: Centro = tradicional e muitas fantasias criativas; Botafogo = moderninhos e música alternativa; Ipanema/Leblon = lugares da moda, multidão, micareta; Copacabana = família e locais.
- Blocos que eu voltaria: Boitatá e Sargento Pimenta (mesmo lotado). O Cru é divertido, mas só se ajeitarem aquele som. E gostei do momento rock n' roll do Bloco da Maldita que encontrei por acaso.
- Blocos que não fui e acho interessante: Suvaco de Cristo (perdi a hora); Céu na Terra e Carmelitas (acho Santa Tereza claustrofóbico); Boi Tolo (não sabia que saía logo depois do Boitatá); Bloco da Ansiedade (esqueci que era sábado antes do Carnaval) e Dois pra lá, dois pra cá (choveu muito).

Todas as fotos no flickr.

E assim termino o meu Carnaval 2011.

7.3.11

Carnaval carioca

Em outros carnavais aqui já fui ver as escolas de samba (que recomendo, pelo menos uma vez), mas esse ano o meu carnaval carioca foi dedicado aos blocos de rua.

Não fui a muitos, mesmo porque são tantos que tem que ter foco. Então vamos lá.

No sábado do pré-carnaval eu fui ver a concentração do Simpatia é Quase Amor, bloco tradicional de Ipanema, que durante o carnaval chega a arrastar uma multidão. A concentração foi legal, na sombra, o samba estava animado, e só senti falta de mais gente fantasiada, mas ainda não era carnaval oficial.

trio do simpatia saindo
No domingo do pré-carnaval passei pelo BloCão, em Copacabana, com os cahorros e outros animais de estimação fantasiados, achei fofo.


E no meio de um passeio de bicicleta dei de cara com o Bloco da Preta, com a Preta Gil animando uma multidão. Eu gostei da variedade das músicas que ela cantava, mas achei muito cheio e muito carnaval de Salvador/Fortal/Micareta (eu não gosto). Eu queria ter ido no Suvaco de Cristo, que só sai no domingo antes do carnaval, mas não foi dessa vez que consegui.

e lá vai o bloco da preta

E no Leblon cheguei no Chora e me Liga, com muita gente jovem e bonita, mas tocava música baiana e assim eu fui embora.

Na sexta de Carnaval, a diversão começou no centro da cidade onde já dava para ver as pessoas se animando e algumas fantasias.

enfermeira e o arroz integral na cinelândia

A noite fui parar no Azeitona sem Caroço, com gente demais e um pouco tumultuado. Consegui passar pela multidão (essa palavra vai aparecer várias vezes) e cheguei na Dias Ferreira onde já dava para ver a grande tendência de fantasia desse ano: Black Swan.

multidão difícil de atravessar

black swan

O sábado é o dia da fantástica feijoada do Rodrigo, festa animada, amigos e uma vista maravilhosa.

caldinho para começar

vista noturna da lagoa para terminar

Acontece que a feijoada é no Alto Leblon e a única maneira de voltar para o Leme é andando até Copacabana. Sim, andando, já que o trânsito fica parado e cheio de desvios. Então, já que é inevitável, peguei o resto de algum bloco no Leblon, e a Banda de Ipanema com fantasias divertidas.

abelhas em ipanema

No Domingo de carnaval resolvi que ia ver o tradicional Bloco do Boitatá, que sai na Praça XV, no centro. Esse bloco exige dedicação carnavalesca já que a concentração é as 8 da manhã e sai as 9. Amanheceu chovendo e friozinho, e mesmo assim fui encontrar meus amigos alemães, Jakob e Anna, para encarar o bloco.

Esse bloco é uma delícia, é carnaval como antigamente, banda com marchinha e todo mundo fantasiado. No início não é muito cheio, mas conforme vai dando a volta do Paço Imperial o cortejo aumenta. Quando chega nas escadarias da Assembleia, já está lotado. E as pessoas fantasiadas entram no clima da fantasia, todo mundo brinca. Valeu a pena acordar mais cedo, aliás, acho que esse bloco é bom por ser mais cedo.


black swan e white swan (com sangue e tudo)

the hangover, eu ri muito

Do Boitatá, fui para Ipanema e Leblon, tem muita gente fantasiada (bem menos que no Boitatá), mas por lá já esta tudo lotado, gente demais, bebados demais, confusão demais, xixi demais (mesmo sendo proíbido). #prontofalei

proíbido

eu não sei de que é essa fantasia, mas já vi 4

No fim da tarde fui no Bloco Cru, que em 2009 foi bem divertido. Nesse bloco a música é rock n' roll em ritmo de samba/marchinha/etc. Parece que descobriram esse bloco porque estava lo-ta-do. Eu fiquei na esquina esperando os amigos e não parava de chegar gente. Esse bloco também tinha bastante gente fantasiada. A banda melhorou, mas o pessoal da organização tem que melhorar o som.

casal avatar

Na Segunda, decidi ver qual era a do Sargento Pimenta e o Clube dos Corações Solitários, que toca Beatles, obviamente, em ritmo de samba. No caminho dei de cara com a bandinha do Bairro Peixoto animando uma esquina em Copacabana com várias crianças.



O Bloco do Sargento Pimenta estava lo-ta-do. No começo achei que não ia dar certo, mas depois achamos um lugar razoavelmente perto do trio/palco que deu para escutar a música. Só não dava para beber porque: 1) não tinha vendedor de cerveja perto; 2) tinha muita gente e 3) os banheiros estavam longe (e eram poucos).

na na na na na na hey jude

Do nosso lado tinha um cara fantasiado de mago que ia comprar cerveja na esquina, enchia o chapéu de latinhas e quando voltava tirava uma por uma para os amigos, como se fosse mágica (e era mesmo). The Beer Wizard.

fazendo a cerveja aparecer

A banda não era das melhores e achei o repertório muito pequeno, repetiram várias músicas muitas vezes, mesmo assim foi super animado. A melhor foi Yellow Submarine em ritmo de frevo e depois Hey Jude, que cantado por uma multidão sempre é legal.

cadê a guinness?

Na volta para casa ainda paramos na Casa da Matriz para ver duas bandas de rock que estavam animando a rua.

Então, esse foi o carnaval até agora. Ainda tem a terça-feira, mas acho que descanso. Ufa!


Mais fotos no Flickr.

1.3.11

Momento transporte público: o corredor de ônibus de Copacabana

Uma das coisas que mais gosto no Rio é não precisar de carro para nada. As necessidades básicas são todas atendidas perto de casa; supermercado, padaria, praia, clube, academia de ginástica, loja de suco, vários butiquins, comida a quilo, etc. E quando preciso ir mais longe o transporte público é razoavelmente eficiente.

Do metrô eu já falei aqui.

Com a Copa do Mundo e Olímpiadas vindo para a cidade, uma das coisas que precisa organizar (ampliar e melhorar) é o transporte público. É eficiente, mas é desorganizado.

Quem já tenteou pegar um ônibus no Rio sabe que é quase como andar de montanha russa. Primeiro eles quase não param no ponto, as vezes a gente tem que correr atrás gritando. Depois, na hora de descer param no meio da rua se o ponto estiver ocupado. Muitas vezes já saem andando quando você ainda está com o pé no degrau. Em muitos lugares da cidade não se sabe qual ônibus vai para qual lugar, por onde, e onde para. Os pontos estão lá, mas sem indicação das linhas. E, claro, os motoristas tem paciência zero.

Então dia 19/02 começou a funcionar o BRS, que é um sistema de ônibus rápido, o tal corredor. E o que é isso? Nada mais do que separar duas pistas só para ônibus e organizar os pontos. As linhas foram divididas em 3 grupos e cada grupo tem pontos definidos ao longo da N.Sª. de Copacabana e Barata Ribeiro. Os pontos agora tem um número (1,2 e 3), e adesivos dizendo quais ônibus param ali, um mapa da área com as outras paradas e uma lista dos grupos. Agora qualquer turista, nacional ou estrangeiro, vai conseguir desvendar o sistema de ônibus. Pelo menos em Copacabana. (O sistema será expandido para outras 21 ruas da cidade)


No fim de semana tinha funcionários da empresa distribuindo folhetos e explicando como o sistema funcionava. Um dos funcionários me disse que a maioria das pessoas estão satisfeitas, mas sempre tem um que não quer andar até o ponto certo e reclama. Dentro do ônibus tem aqueles que estavam acostumados a pedir par ao motorista parar em qualquer lugar e agora só pode no ponto certo, também reclamam, mas é tudo adaptação.

Reduziram a frota de ônibus, e o sistema flui.

Na minha opinião, só falta educar os motoristas que continuam no vício de acelera/freia/acelera/freia, tensos, correm demais, além de invadir a pista dos carros.

Os motoristas de taxi também reclamaram já que agora só podem pegar passageiros do lado esquerdo da rua. As vans tem que ir pela Av. Atlântica.

Claro que os motoristas de carro não ficaram satisfeitos porque só tem 2 pistas para eles. Deixem os carros em casa e andem de ônibus. #prontofalei

Eu gostei, já passei 4 vezes pelo corredor, em horários diferentes, e foi bem mais rápido chegar em casa. Ainda não é ideal, mas já é um começo.

E uma sugestão, que já deixei no site, é que os pontos sejam anunciados ou colocados num painel eletrônico, "próxima parada: Santa Clara", como nos ônibus de Londres. (ok, é pedir demais, mas quem sabe um dia né?)

28.2.11

Oscar 2011

Esse ano tivemos a divertida Anne Hathaway e o delícia James Franco de apresentadores. O pessoal do Oscar até colocou pessoas mais jovens para apresentar, mas a premiação....continua a mesma.

Anne e James fizeram uma montagem inical muito boa com todos os filmes indicados (ela de pato marrom e ele de malha de ballet foi a melhor parte) que terminou num DeLorean de Back To The Future. E só.

Confesso que não entendi o tema da apresentação. Falavam de outros filmes antes da entrega dos prêmios, mas só ficava mais chato. Aliás, podiam deixar aqueles números musicais de fora once and for all. Melhor ainda, evitem a Celine Dion. Melhor comentário no twitter sobre ela foi: "Celine, pode ir, não vai ter bolo."

Anyway, quase todos os prêmios foram óbvios, eu acertei vários no bolão. Melissa Leo (mesmo depois daquela campanha vergonha alheia) e Christian Bale levaram atores coadjuvantes, Natalia Portman e Colin Firth se confirmaram favoritos, a Origem levou todos os prêmios técnicos, Alice no País das Maravilhas levou figurino (são lindos!) e direção de arte; Toy Story 3, o filme que fez tdo mundo chorar, levou melhor animação; e a Rede Social levou melhor roteiro adaptado (o genial Aaron Sorkin), edição e trilha sonora (fantástica).

Que O Discurso do Rei ia levar melhor filme eu já esperava, tanto que coloquei no bolão, mas a minha surpresa foi levar roteiro original (???) e direção. Eu gostei do filme, histórias da família real britânica sempre são boas, Colin Firth realmente estava maravilhoso, assim como o resto do elenco. Acontece que a única coisa original desse roteiro foi não ter outra obra sobre o assunto, porque não foi um roteiro original no sentido criativo (e nem no de falas porque o tal Lionel guardava tudo em cartões). A direção não foi tão inspirada quanto a do Aronofsky (Cisne Negro), ou David Fincher (Rede Social), ou os irmãos Coen. Tem que ver isso aí, academia.

Quanto ao tapete vermelho só me arrisco a dizer que tinha brilho demais, quase uma ala de escola de samba. O Rosebud é o Trenó fez um post ótimo sobre o assunto, e esse tumblr tem várias fotos.

Pessoal do Oscar, até o Kirk Douglas apareceu para provar a muita gente (inclusive eu) que não estava morto. E foi engraçado. Então, please, traz o Jack Nicholson de volta. Pelo menos ele parecia se divertir na platéia. #prontofalei

(já que estou pedindo coisas, coloquem o Ricky Gervais para apresentar, diversão garantida)

25.2.11

Outras Tias (11)

Essa semana eu conheci a Tia Aparecida, prima do meu pai (sim, a família mineira é enorme). Ela veio ao Rio com a filha que tinha que fazer algumas provas.

A Tia Aparecida foi passear na praia, sentou num quiosque e presenciou a negociação de 300 dinheiros de um gringo com uma moça. Mais tarde a Tia Foi com sua filha para um bar tomar um chopinho.

Depois de um tempo a filha da Tia reparou que o bar era frequentado por um público específico e disse para a Tia: "mãe, vamos embora, o trem aqui é esquisito, acabei de ver aquele gringo dando 50 dinheiros para aquela moça". E a Tia respondeu: "50?? Uai, vamos para o bar da praia que deve ser melhor, lá eles pagam 300".

19.2.11

Música e livro

Essa semana o iPod tocou uma daquelas sequências: três músicas seguidas que foram inspiradas em livros. Claro que resolvi fazer um top 5.

1. Wuthering Heights - Kate Bush
Livro: Wuthering Heights (O Morro dos Ventos Uivantes) Emily Brontë

Sobre o livro já escrevi bastante aqui, aqui e aqui. É um dos meus livros favoritos, e, para quem não sabe, é a história de amor do Heathcliff com a Cathy.

A música é a Cathy falando para o Heathcliff. Eu acho a Cathy uma das piores heroínas já escritas (se é que ela pode ser chamada de heroína). Que mulher chata, mimada, desesperada. E a voz aguda da Kate Bush traduz tudo isso. Na música a Cathy está morta voltando como fantasma para o Heathcliff, o fim do livro. Além do refrão marcante: "Heathcliff, it's me, Cathy/I've come home/I'm sooo cooold/let me in your window", ela fala na música "you had a temper like my jelousy/ too hot, too greedy" e depois "I hated you/ I loved you too" essa é a Cathy, egoísta e indecisa. E ela nem precisava gritar tanto, ele iria de qualquer jeito.

2. Don't Stand So Close to Me - The Police
Livro: Lolita - Vladmir Nabokov

O livro é sobre um professor (pervertido que gosta de garotinhas) que se apaixona pela filha da dona (viúva) da pensão onde ele mora. Ele casa com a viúva para não sair de perto da Lolita. Quando ele consegue levar a Lolita para um hotel, já pensando em usar um boa-noite-cinderela e abusar da menina quando ele descobre que ela não é tão inocente assim. Eles passam a viajar pelo país, moram juntos, e depois a Lolita consegue fugir dele. Quando ela se dá mal na vida vai atrás do professor taradão pedir dinheiro, ele, ainda apaixonado, a quer de volta, mas ela recusa. É um livro polêmico (erótico? irônico? sarcástico? nojento?), mas é muito bom e está na lista dos melhores da literatura inglesa do séc XX.

Na música uma aluna está apaixonada pelo professor e ele resiste bravamente com o "Don't Stand So Close To Me". O livro é citado na música "It's no use/ He sees her/ He starts to shake and cough/ Just like the old man in / That book by Nabokov". A música começa um pouco lenta e depois evolui para a batida do refrão, tipo "eu quero, mas sai daqui!"
O Sting foi professor antes de ficar famoso com o The Police, não sei se é uma letra autobiográfica, mas entendo qualquer aluna que tenha se apaixonado por ele. Passei boa parte da minha adolescência querendo ser a Lolita do Sting. #prontofalei

3. Killing an Arab - The Cure
Livro: O Estrangeiro - Albert Camus

No livro o Meursault tem uma vida normal, trabalha, tem uma namorada ocasional, e não se abala com muita coisa, nem com a morte da mãe. Ele é indiferente a tudo (estrangeiro vem de estranho). Meursault faz amizade com um vizinho que seria cafetão. Um dia, numa praia, eles são abordados pelo irmão (árabe) de uma das mulheres do vizinho, e o vizinho sai ferido a facadas. Meursault, num momento de delírio causado pelo sol e calor (ou piração momentânea) volta na praia e dá 4 tiros no sujeito. Meursault vai a julgamento, mas é mais julgado por não ter chorado no enterro de sua mãe do que por ter matado um homem. O Estrangeiro é um clássico existencialista/niilista/whatever. Esse livro é excelente. Recomendo.

A música é exatamente o estrangeiro matando o árabe e o momento existencialista: "Standing on the beach/With a gun in my hand/Staring at the sea/Staring at the sand/Staring down the barrel/At the arab on the ground/I can see his open mouth /But I hear no sound // I'm alive/I'm dead/I'm the stranger/Killing an arab"

4. Eye In The Sky - Alan Parsons Project
Livro: 1984 - George Orwell

E quem não conhece 1984? O livro do Big Brother, o grande irmão que vê e controla todos (e no qual foi baseado o programa da Globo).

Esse livro inspirou vááárias músicas, inclusive a ótima 1984 do David Bowie, mas eu escolhi esse clássico cafona dos anos 80 pelo refrão: "I am the eye in the sky/Looking at you/I can read your mind/ I am the maker of rules/ Dealing with fools/ I can cheat you blind/ and I don't need to see anymore to know that/ I can read your mind". Agora, olha para a câmera dentro do elevador, lembra dessa música e diz se não dá um medinho.

5. Romeo an Juliet - Dire Straits
Peça/Livro: Romeo and Juliet - William Shakespeare

Romeu e Julieta todo mundo conhece. E acho que quase todas as histórias de tragédias amorosas modernas são baseadas nessa peça do Shakespeare.

Mas a música não é sobre uma tragédia amorosa , é só um casal moderno tentando se entender. A referência ao Romeu e Julieta original fica na parte que o Romeo da música está embaixo da luz de um poste, a Juliet na janela, e ao invés de um longo monólogo sobre a amada, o Romeo só manda um "You and me babe, how about it?". Joey Tribiani style.


Bonus tracks: Tom Sawyer - Rush (The Adventures of Tom Sawyer - Mark Twain), Wild Boys - Duran Duran (Wild Boys - William S. Burroughs) e Who Wrote Holden Caufield - Green Day (O Apanhador no Campo de Centeio - J.D. Salinger)

16.2.11

Grudes musicais

Das cinco músicas que concorriam ao Grammy, que aconteceu domingo, na categoria de melhor música, só duas grudam na cabeça (as outras eu já esqueci).

Duas músicas de fossa. Num clima pós-Valentine's, vamos a elas.

Need You Now

Quem canta? Lady Antebellum. Who? Exatamente. Uma banda country, formada por dois rapazes e uma moça.

Passei 2010 inteiro sem saber da existência de Need You Now. Só escutei no episódio de Glee do Superbowl. Depois que ganhou o Grammy fui ver o clipe oficial da banda:



Por que tanto grude? A melodia dessa música é boa, e a letra simples encaixa que é uma beleza. As duas vozes, da moça e do rapaz combinam e ele parece que bebeu um pouco de uísque mesmo, sexy. Dúvido alguém escutar essa música e depois não ficar com o refrão da cabeça. O que pega mais é a identificação com a letra, afinal, quem é que nunca ficou a little drunk ou all alone e pensou em fazer (ou fez) um telefonema para o ex?

Melhor parte: justamente o tal refrão "It's a quarter after one, I'm a little drunk and I need you now. Said I wouldn't call, but I lost all control, and I need you now."

Antes que alguém comece a beber e vá apertando os botões do celular, é melhor escutar a próxima.

F**k You

Quem canta? Cee Lo Green, mais conhecido como o vocalista do Gnarls Barkley.
Essa música eu já tinha escutado bastante no ano passado. É dançante, boa para correr, e sim, é de fossa. Nela o Cee Lo Green manda a namorada e o novo boyfriend dela se fu**** no maior estilo. É uma música para a fase raiva da fossa e funciona muito bem.



Por que tanto grude? Ah vai, só esse F**k You já é motivo suficiente né? Ainda tem todos aqueles ahhhhs e uhhhhs, a parte que ele pergunta Why??? Why??, uma melodia fantástica e uma das melhores rimas ever: ferrari com atari.

Melhor parte: "although there is pain in my chest, I still wish you the best with a F**k You!"

Claro que fizeram uma versão para menores dessa música e virou Forget You.

Prefiro a original, é mais libertadora.


Ney, esse post é para você. Músicas 81 e 82.

13.2.11

Jardim Japonês (2)

jardim japonês em fevereiro 2011


Em julho de 2009 eu escrevi esse post sobre o Jardim Japonês de Fortaleza e disse que não iria falar de uma obra antes dela ser terminada.

Um ano e meio depois, essa obra já está quase terminada e agora posso falar dela.

Em 2008 o governo federal distribuiu dinheiro para algumas prefeituras fazerem uma homenagem ao centenário da imigração japonesa no Brasil. Em Fortaleza, que tem no máximo 3 famílias japonesas que vivem aqui há mais de 30 anos, foi escolhido o Jardim Japonês.

Esse jardim foi construído onde antes havia uma morrinho gramado com duas árvores, manutenção zero e agradável de olhar.

As obras começaram em julho de 2008 para ser inaugurado em fevereiro de 2009. Em julho de 2009 ainda estava tudo em concreto e pedras.

em julho 2009

Em agosto de 2010 finalizaram o paisagismo vertical, aka parede de plantas.

parede de plantas em agosto 2010


E agora, em fevereiro de 2011, dois anos depois da data inicial para a inauguração, o jardim está quase pronto. Parece que falta a "instalação das bombas e filtros d'água que irão fazer a irrigação das plantas e encher a fonte" segundo a prefeitura informou ao jornal local.

a ponte já está lá

algumas plantas já estão prontas

e outras estão cansadas com o atraso

o vigia também está esperando a inauguração

Dando uma volta pelo lado de fora do muro dá para ver tudo dentro do jardim. Algumas plantas já estão amarelas e caindo, os bancos e a cerca de madeira já estãos descascados e o lago da dengue carpas está cheio de água e nenhum peixe. E, pelo que vi, só três pessoas aproveitam o jardim: o vigia que fica lá a noite e um guardador de carro e sua sócia que pegam água dentro do jardim para lavar os carros na rua (e acho que, as vezes, dormem lá).

a parede de plantas em fevereiro 2011 (notem que tem uma pessoa dormindo no canto)

portão descascado

bancos descascados

lagoa das carpas

pelo menos uma família foi beneficiada

o guardador e sua sócia (ela dentro)

Mesmo que instalem esses filtros e bombas amanhã ainda vai demorar para dar um jeito em tudo que já estragou. E se já está desgastado antes de inaugurar, volto a fazer a mesma pergunta do post anterior: quem vai fazer a manutenção desse jardim?

Eu não acho esse jardim bonito,#prontofalei. Seria melhor, e mais barato, se implodissem tudo e voltassem ao morrinho gramado com as duas árvores.


só vou achar legal se sair fogo dessas colunas

Jardim Japonês (1), inauguração (3) e visita (4)