7.6.11

Nas estradas da Guatemala



Para conhecer a Guatemala nos alugamos um carro. Sem GPS para ficar mais emocionante.

As estradas da Guatemala sao boas, mas sao simples. Nao tem buracos, so estao duplicadas perto da capital, e nao tem acostamento. Sao estradas para velocidades baixas e os guatemaltecos respeitam e nao correm muito. Alias, o transito e trafego eh sem stress.

As distancias sao curtas e, justamente porque as velocidades sao baixas, demora para chegar, mas sao estradas agradaveis.

na balsa

A sinalizacao eh boa em alguns trechos e em outras nao tem, mas eh so perguntar que te indicam o caminho certo. Teve um carro que ate nos disse "follow me" e nos levou ate nosso destino. As estradas sao bem policiadas, inclusive pelo exercito em alguns lugares. Nos fomos parados algumas vezes, mas era so para ver documentos e todos muito educados.

cobras na pista

Nos passamos por montanhas, florestas, lagos, e vimos bastante do interior do pais. As mulheres de Antigua e do Lago Atitlan se vestem com roupas tipicas completamente diferente das mulheres na estrada entre Flores e Coban. E na estrada entre Rio Dulce e Tikal, nao vimos nenhuma em trajes tipicos.

peru na estrada??

Entre Flores e Coban foi o trecho mais cansativo (e mais bonito). Foram 250km em 5 horas. O grande motivo dessa demora nao foi transito, nem a balsa que tivemos que pegar, nem os caminhoes no caminho; o que atrasou esse trecho foram os tumulos, tambem conhecidos como quebra molas.

malditos túmulos

Em alguns pontos chegava a ter 8 seguidos, e, para o meu desespero, em certo ponto vi uma placa que dizia "tumulos a cada 150m". Gente, isso eh tumulo que nao acaba mais. Pelo nossos calculos foram mais de 100 tumulos.

4 tumulos seguidos

Mesmo com esses tumulos todos, foi tudo bem e nossa experiência nas estradas da Guatemala valeu a pena.

6.6.11

Tikal


templo II

A estrada de Rio Dulce ate El Remate, a cidadezinha mais perto do parque de Tikal, foi boa, sem muito transito e chegamos no final da tarde.

No meio do caminho demos uma passada em Flores, uma cidade que fica numa ilha do lago Peten Itza, e onde a maioria dos turistas que vao ver Tikal ficam.

gringos curtindo o lago

Nos hospedamos em El Remate, na pousada de um americano, o David, que mora na Guatemala ha 35 anos. A pousada dele eh muito boa, com jantar ou cafe da manha incluido na diaria, um jardim bonito e vista para o lago (o terceiro lago dessa viagem).

No dia seguinte fomos a Tikal, um parque nacional com o maior sitio arqueologico de ruinas Mayas. Para ver a primeira ruina Maya eh preciso andar 15 minutos numa trilha na floresta, mas eh tranquilo.

Chegamos na Plaza Mayor onde estao as piramides/templos I e II. O templo I eh conhecido como o Grande Jaguar , tem 38 metros, mas nao da para subir. O templo II eh um pouco mais baixo, mas tem uma escadinha de madeira para ver a praca e a acropolis sul la de cima. A simetria das pirâmides sempre impressiona.

plaza mayor e great jaguar visto do templo II

acropolis

Andamos ate o templo IV, que eh o mais alto com 70 metros e tem uma escada facil de subir. A vista de la eh fantastica, da para ver todo o parque por cima e as pontas das piramides.

vista de cima do templo IV

No caminho tem alguns bichos locais e se escuta um barulho ensurdecedor de macacos gritando (parece um cara num megafone chamando os companheiros para greve).



Tem uma area chamada Mundo Perdido com outras piramides menores e estruturas de moradia.



O templo V tem 57 metros, eh mais baixo que o IV, mas tem uma escada muito mais radical e se bate um vento mais forte la em cima da um medinho.

templo V

parece facil, mas nao eh

a vista vale a pena

O parque eh bem organizado, melhora se voce tiver um mapa, e, se preferir, um guia. Os caminhos sao todos arborizados e ameniza o calor. O que muitas pessoas fazem eh chegar no parque bem cedo para ver o sol nascer de cima do templo IV e tambem andar pelo parque com menos calor.


E o guia em Copan estava certo, Tikal eh pura arquitetura, mas Copan tem mais detalhes.


O tempo todo que estava em Tikal so me lembrava do Apocalypto, o filme que o Mel Gibson dirigiu sobre os Mayas.




5.6.11

Rio Dulce


A caminho de Tikal, paramos em Rio Dulce, uma cidadezinha na beira do lago Izabal.

O lago Izabal se transforma no Golfete Dulce e vai ate o mar do Caribe. Em Rio dulce fica o mini castelo de San Felipe que era uma fortaleza contra os ataques piratas. Na beira do lago da para ver muitas casas com garagem para lanchas enormes.

castillo san felipe



Nos fizemos um passeio ate Livingston, que era o antigo porto para quem vinha do Caribe, ate construirem Puerto Barrios do outro lado da entrada para o lago.


O passeio eh muito bonito, mesmo com chuva. Passamos no meio do lago, por debaixo da ponte, entre flores de lotus, ilhas de passaros e um canion totalmente arborizado.





Livingston so vale uma coca-cola e eh direto de volta no barco.

4.6.11

Copan



De Antigua pegamos a estrada, atravessamos a Cidade da Guatemala e fomos em direcao ao Caribe. Como Copan, que fica em Honduras, esta a poucos quilometros da fronteira com a Guatemala, fomos ate la ver as ruinas Mayas.




O parque arqueologico eh bem bonito, com muito verde, muitas araras e outros passaros. As ruinas de Copan tem escrituras detalhadas, altares dentro das piramides/templos, e area de jogos mayas (the ball court).




Copan eh o unico lugar onde se pode ver o sistema de escrita dos Mayas, baseado nos hieroglifos.




No parque, alem das ruinas, tambem tem um museu bacana com muitas pecas escavadas. Um dos guias que fica la me disse que as ruinas de Copan eram artisticas e as de Tikal (onde fomos depois, num proximo post) eram arquitetonicas.

A cidade perto das ruinas se chama Copan Ruinas, claro. Eh pequena, mas com restaurantes, hoteis e pousadas.

Nos so ficamos nas ruinas ate a hora da chuva, sempre pontual as 14:00, e depois voltamos para a Guatemala.

3.6.11

Antigua e Lago Atitlan




Do Panama viemos para a Guatemala. Do aeroporto da Cidade da Guatemala pegamos o carro e fomos direto para Antigua.



Antigua era a capital da Guatemala, mas no fim do sec XVIII, depois de tres grandes terremotos, decidiram mudar a capital de lugar. Aos poucos as pessoas foram voltando a Antigua, deviam ser muito apegadas ao vulcao que fica ali perto, e reconstruiram a cidade.



Antigua ainda tem as ruinas das construcoes antes dos terremotos, mas a cidade foi toda reconstruida, numa malha quadrada perfeitinha e facil de andar pela cidade. A Cidade da Guatemala cresceu e se modernizou, mas Antigua nao, ficou com as casas antigas, cidade pequena com igreja na praca central. As casinhas de Antigua sao quase todas vilas, aquela casas com um patio no meio, todas coloridas por fora. As ruas sao de pedra, e o comercio so pode ter letreiros discretos, nada que tire a atencao da cidade.

ruinas

letreiros discretos

tem ate loja de comics

Tem muitos hoteis e restaurantes, escolas de espanhol e muitos estrangeiros. Em Antigua o supermercado se chama La Bodegona. Adorei.


O lago Atitlan fica a 80km de Antigua, e a estrada eh movimentada com muitos onibus coloridos (conhecidos como chicken bus). Nos fomos ate Panajachel, uma cidade no lago, tambem com muitos hoteis, uma pub street com restaurantes e uma calcada na beira do lago. O lago eh rodeado por varios vulcoes. Varios. Ativos. Eh bonito.



coloridao

beira lago de panajachel


1.6.11

O canal do Panama



O canal comecou a ser construido em 1880 por um frances, quando o territorio ainda era colombiano, mas ele enfrentou muitas dificuldades do terreno, chuvas torrenciais, as doencas tropicais (o nosso velho conhecido aedes aegypti atacava impunemente, transmitindo a febre amarela) e foi a falencia. Depois, em 1903, os americanos entraram no pareo, atraves de um tratado, e uma luta armada, transforam a parte do territorio colombiano no Panama. Os Panamenhos, em 1904, em troca pelo aumento de seu territorio, deram aos americanos o controle da zona do canal pela bagatela de 10 milhoes de doletas e mais uma renda anual. O canal foi inaugurado em 1913 e comecou a operar em 1914.


vindo do pacifico

Todo o terreno em volta do canal era considerado solo americano e os panamenhos nao tinham acesso. Em 1964 houve uma revolta dos panamenhos que queriam o territorio do canal de volta, e em 1977 o Jimmy Carter assinou um tratado que devolveria a zona do canal ao Panama em 31/12/1999. Entao, agora os panamenhos sao donos do canal e de todo o dinheiro que ele rende.


indo para o lago gatun


E nao eh pouco dinheiro nao. Tem navio que paga mais de 250 mil doletas para passar pelos 8okm do canal. (e quem pagou menos foi um homem que atravessou a nado nos anos 20, ele pagou 36 centavos) E certamente eh mais barato que dar a volta pelo continente.

O Canal eh uma das obras de engenharia mais incriveis. Tudo foi tao bem feito que funciona do mesmo jeito ha quase 100 anos. Inclusive os portoes das comportas sao originais (e enormes com 26 metros de altura cada). O canal nao tem nenhuma bomba fazendo a troca da agua nas comportas, eh tudo feito atraves de buracos onde a agua eh transferida de um lado para o outro. Se mudaram alguma coisa foi o sistema de abrir os portoes de mecanico para hidraulico.

A estacao/eclusa de Miraflores eh a primeira de quem vem do Pacifico e ultima de quem vem do Atlantico. Alem dela existem outras duas estacoes. Todas sao para levar os navios de e para o nivel do lago Gatun (maior man made lake), onde navegam entre as saidas.

O ingresso vale uma visita a um museu bacana, um filminho sobre o canal e ficar la vendo os navios passarem. Quando um navio se aproxima, um narrador chama todos para verem e explica todo o proceso das comportas. Quando os portoes vao abrir para o navio passar o narrador faz disso o evento do ano. Serio. Parece que foi gol decisivo em final de copa do mundo.


um navio entrando e outro saindo

Itálico

portoes abrindo (emocao)


navio passando


Os panamenhos votaram num plebiscito para aumentar o canal, e obras de ampliacao das eclusas estao sendo feitas. Eh uma obra necessaria, assim mais (e maiores) navios vao poder passar. O navio que vimos passando tinha uma folga de 70 centimetros de cada lado.


Quando estavamos saindo para ver o canal, uma senhora nos viu tentando pegar um taxi, perguntou onde iamos e ofereceu carona. Ela disse que ia la perto buscar a filha na natacao e nos deixava na estacao de Miraflores, a que fica mais perto da Cidade do Panama. A Rosario, uma Colombiana muito simpatica, casada com um americano da forca aerea, nao so nos levou ate a bilheteria da estacao como nos levou para um passeio por Clayton (onde a filha dela faz natacao), a antiga base militar americana e hoje um bairro da Cidade do Panama. Ate 2000 os panamenhos eram proibidos de entrar nessa área e hoje podem comprar casas la dentro. O bairro eh mantido como se ainda fosse uma base militar.