29.4.12

Stand up



O stand up, que já foi conhecido como paddle surf, nada mais é do que ficar em pé numa prancha remando. É um mix de surf com canoagem. Tenho alguns amigos que praticam, mas eu nunca tinha experimentado.



E foi só por preguiça mesmo porque o mar está aqui na frente, e o lugar que aluga a prancha e remo fica a menos de 1km de casa.

pessoal fazendo uma social no stand up


Então hoje eu decidi tentar. Quando cheguei no lugar das pranchas estavam todas ocupadas com um grupo lá perto de um dos navios naufragados. Peguei um caiaque e fui remar para passar o tempo e apreciar a paisagem (Fortaleza é bonita vista do mar).

pescador e fortaleza


Chegou minha vez de tentar o stand up. Recebi 5 minutos de instruções - iniciar de joelhos, o lado certo do remo, como ficar em pé, manter os pés paralelos, retos, dobrar as pernas para remar, etc - e entrei no mar. A remada do stand up é mais parecida com a do rafting do que com a do caiaque. Remar de joelhos é fácil, um pouco difícil foi ficar em pé do jeito que o rapaz me ensinou. Caí duas vezes, mas na terceira decidi usar a técnica de ficar em pé na prancha que aprendi no surf ( meio que fazendo aquela posição da yoga - downward dog) e fiquei em pé. O resto foi fácil.

Achei que fosse ficar com os braços doídos, ainda mais depois de ter remado no caiaque, mas as pernas sofreram mais para manter o equilíbrio.

caindo

Agora vou treinar a remada e o equilíbrio porque bom mesmo deve ser pegar onda.




(da próxima vez levo uma máquina e tiro uma foto minha fazendo stand up)


28.4.12

Revenge

Alguém colocou o link para essa notícia no Twitter (infelizmente não lembro quem foi). Diz que um cara foi na sua dentista, que, por acaso, era sua ex-namorada. A dentista o sedou e arrancou to-dos os dentes. Isso mesmo: TODOS. O tal homem acordou da anestesia, e estava com a boca cheia de curativos, a dentista disse que era para proteger a gengiva e ele foi para casa.

Quando ele olhou no espelho....tá-dá! estava tão banguela quanto um bebê recém nascido.

A ex-namorada dentista disse que tentou ser profissional, sem emoções, mas não conseguiu, quando o viu ali deitado na cadeira, apagado, ela só pensou "que babaca!". E, para piorar a situação do homem, a atual namorada o largou porque ele agora é um desdentado.

O que podemos aprender com esse caso:  não deixe um ex te anestesiar. Obviamente isso não tem como acabar bem, nunca. Você pode acordar: pelado, tatuado, em posições comprometedoras, roupas de palhaço e até sem dentes.


(melhor comentário da notícia foi "Olha mãe, tô sem cáries." #humornegro)

18.4.12

Analisando a música: Total Eclipse Of The Heart (Bonnie Tyler)

Semana passada vi um episódio de Criminal Minds onde o serial killer da vez matava mulheres que ele já tinha estuprado, e, na primeira vez, ele tinha uma música especial para cada uma. Bizarro. Para uma das mulheres a música era "Making Love Out of Nothing at All" do (argh) Air Supply, e para a outra era "Total Eclipse of the Heart" cantada pela Bonnie Tyler. Em um momento do episódio, o serial killer quis enganar uma das mulheres dizendo que não tinha tocado Total Eclipse e sim a outra música. Essa confusão faz sentido porque as duas músicas foram compostas pela mesma pessoa e são igualmente cafonas.

A Bonnie Tyler surgiu (e desapareceu) na década de 1980 com essa música duvidosa, e uma voz rouca incrível. Ela teve outros sucessos como "It's a Heartache", "Holding Out For a Hero" (quem nunca fez uma aula de aeróbica com essa música?) e até uma versão de "Have You Ever Seen The Rain", se ela fez alguma coisa depois da década de 1980 eu não sei, mas Total Eclipse Of The Heart foi o maior hit da cantora e continua fazendo sucesso até hoje, alías, já virou um clássico.

Voltando a Criminal Minds, Total Eclipse of The Heart é uma música sobre o desespero de uma mulher, faz sentido um serial killer (stalker) se apropiar dessa música. Acompanhem.

(Turn around) Every now and then I get a little bit lonely and you're never coming around
(Turn around) Every now and then I get a little bit tired of listening to the sound of my tears
(Turn around) Every now and then I get a little bit nervous that the best of all the years have gone by
(Turn around) Every now and then I get a little terrified and then I see the look in your eyes
(Turn around bright eyes) Every now and then I fall apart (2x)

(Turn around) Every now and then I get a little bit restless and I dream of something wild
(Turn around) Every now and then I get a little bit helpless and I'm Lying like a child in your arms
(Turn around) Every now and then I get a little bit angry and I know I've got to get out and cry
(Turn around) Every now and then I get a little bit terrified but the I see the look in your eyes
(Turn around bright eyes) Every now and then I fall apart (2x)

O cara deu as costas e ela decide contar tudo que ela sente de vez em quando (e só um pouquinho), pedindo para ele olhar na cara dela. Então, de vez em quando ela: fica um pouco cansada de escutar o som das próprias lágrimas, fica nervosa que perdeu tempo, entra em pânico quando vê o olhar dele (que deve ser uma boa virada de olhos), fica inquieta quando sonha com alguma coisa louca, se sente impotente nos braços dele, fica com raiva e precisa chorar; e, claro, desaba. Ufa!
Se juntarmos todos esses "de vez em quando" vai ser igual a um "tempo todo", ou seja, essa mulher nunca está bem.

liz lemon mostrando uma virada de olho

And I need you now tonight
And I need you more than ever
And if you only hold me tight
We'll be holding on forever
And we'll only be making it right
'Cause we'll never be wrong together
We can take it to the end of the line
Your love is like a shadow on me all of the time
I don't know what to do and I'm always in the dark
We're living in a powder keg giving off sparks
I really need you tonight
Forever is gonna start tonight
Forever is gonna start tonight



Refrão e fase stalker mulher apaixonada (e iludida) da música. Ela tenta convencer que precisa dele, mais do que nunca, que é só ele a segurar que ficarão juntos para sempre, e que estarão fazendo tudo certo porque nada entre eles pode estar errado. "Vamos levar isso até o fim, seu amor é uma sombra sobre mim" (que rima péssima essa que fiz). MEDO. Aí ela confessa que não sabe o que está fazendo, que estão vivendo num barril de pólvora saindo faíscas. PARA TUDO. Gente, barril de pólvora é bom demais! Toda vez que escuto essa parte da música só penso em uma coisa:
coiote e papaléguas: amor eterno

Ela insiste que precisa dele hoje a noite, que "para sempre" vai começar ali. (foge que é cilada!)
Once upon a time I was falling in love
Now I'm only falling apart
Nothing I can do
A total eclipse of the heart
Once upon a time there was light in my life
Now there's only love in the dark
Nothing I can say
A total eclipse of the heart
Aí eu fico com pena dela porque um dia ela estava se apaixonando, mas agora só está desmoronando e não pode fazer nada. (detalhe do uso de "once upon a time", frase que inicia todos os contos de fadas) Era uma vez uma vida iluminada, e agora só amor na escuridão.
Essa música tem muitas coisas duvidosas, mas gosto de "eclipse total do coração", acho poético. #prontoconfessei
A música repete o refrão, mas uma eclipse total do coração. (O que está acontecendo que só faço rimas cafonas?)
O video dessa música merece uma outra análise: a Bonnie Tyler em um colégio para rapazes que tem até ninjas bailarinos (oi?).

13.4.12

Gelado

(uma história verdadeira, com algumas alterações, nomes trocados, e a colaboração do @neybarroso)

Maria e Pedro estavam namorando há 3 anos. Estava tudo bem, o amor é lindo, planejando morar juntos, até que Maria descobriu que Pedro a estava traindo com outra. Depois de uma DR, terminaram o relacionamento e Pedro começou a namorar a outra.

Acontece que Maria não se conformou com essa traição, achou que foi muita sacanagem e decidiu por uma vingança. E, como todo mundo sabe, vingança é um prato que se come frio (como ninguém define que comida tem nesse prato, pode ser sorvete, que quanto mais frio, melhor).

Maria, então, pensou e.....

Criou uma conta falsa no Facebook e no Twitter com nome de Roberto. No FB Colocou fotos de um outro amigo virtual (que Pedro não conhecia) e fez um perfil bacana. Começou a seguir o Pedro no Twitter, e, depois de algumas conversas sobre assuntos em comum por lá, Roberto ficou amigo do Pedro no FB.

Pedro nunca teve um amigo tão legal, nem virtualmente, nem pessoalmente. Roberto, óbvio, morava em outra cidade, e isso dificultava aquele chopinho básico da sexta-feira, mas nada que impedisse mensagens (piadas e besteiras) trocadas a toda hora no FB do smartphone.

A amizade fluiu, Pedro sentiu que poderia contar com Roberto para se abrir com seus problemas e Roberto sempre com bons conselhos, um amigão. A Maria se dedicou e se divertiu com a situação (especialmente quando Pedro pedia conselhos sobre a outra). Quem diria que seus conhecimentos do Pedro seriam tão úteis?

Até que Maria decidiu ir rumo a reta final. Roberto começou a dar umas sumidinhas, e quando aparecia era sempre relatando uma aventura animada com outros amigos, no início Pedro não deu muita bola, mas começou a sentir, hum, ciúmes do seu amigo. Como assim outra turma de amigos? Aventuras? Cada vez que o Roberto sumia por um tempo maior, Pedro sentia a saudade apertar, até que ele decidiu que queria conhecer Roberto pessoalmente. Roberto escreveu: "Vem sim, vai ser ótimo, mas antes preciso te confessar uma coisa."

Roberto contou para Pedro que esse tempo todo que ficaram amigos ele desenvolveu alguns sentimentos especiais pelo amigo, coisa que ele não entendia direito, mas que estava disposto a descobrir com a visita de Pedro a sua cidade. Pedro ficou um pouco chocado, porém, muito mais curioso e interessado (o Roberto, pelas fotos, era um cara bonito, bacana), decidiu comprar a passagem e ver onde essa amizade ia.

Pedro chegou no hotel combinado e no frigobar tinha algumas garrafas de sua cerveja favorita e um cartão do Roberto: "Para começar. Passo aí a noite.". Pedro abriu primeira garrafa e começou a beber. A noite chegou, Pedro ansioso, e nada do Roberto além de mensagens curtas no FB dizendo "tô chegando".

O telefone toca, Pedro atende e é Maria.
- Oi Pedro, tudo bem?
- Ah, é você. Tudo.
- Como está a outra?
- Acabamos.
- Ah, que pena (cinismo mode:ON), por que?
- Sei lá, esfriou, me interessei por outra pessoa.
- Entendi.
- Olha, te ligo depois, estou em outra cidade esperando alguém.
- Nossa, que ansiedade....deve ser alguém especial. Quem é?
- Não te interessa.
- Ah, vai, me conta.
- Não.
- Você está esperando o Roberto?
- ???????
- Pedro? Você está aí? Pois é, liguei só para te dizer que o Roberto não vai aparecer, e eu sei de TU-DO. Beijo, tchau.

Roberto desapareceu do Facebook e Maria deu uma colherada no seu sorvete.



12.4.12

Enquanto isso no salão de festas...

Vamos combinar que ninguém gosta de reunião de condomínio. Conviver com tantas pessoas diferentes dividindo espaço não é fácil, chegar a conclusões lógicas, práticas e que todos aceitem é tarefa impossível, mas morar em prédio é assim.

Eu nunca tinha ido a uma reunião desse condomínio, e, sinceramente, acho que tudo funciona bem aqui no prédio (tirando os problemas de vazamentos, mas isso acontece em todo lugar). A senhora que queria ser a nova síndica foi em todos apartamentos pedindo para as pessoas comparecerem e votarem. Ela até disse que o pessoal do outro prédio (é um condomínio de 2 edifícios) estava querendo separar, claro que é uma idéia absurda, mas por via das dúvidas fui na reunião para garantir que a piscina ficasse do nosso lado.

A tal separação dos prédios nem foi mencionada na reunião (óbvio), mas muitos outros assuntos surgiram, teve uma discussão com direito a dedo na cara, alguns palavrões, gente tentando colocar panos quentes, outros querendo justificar o aumento da taxa usando a Copa do Mundo (hã?), etc. Eu estava me atualizando de todas os acontecimentos (e fofocas) do condomínio, achando tudo muito curioso, mas nada que me surpreendesse.

Até que.....

Uma senhora se levantou, se exaltou, e começou a gritar: "O meu bebê (o cachorro), que voa de primeira classe para Paris, não pode descer no elevador!".

Oi?

E eu achando que mulheres ricas era só na TV. (#classemédiasofre)

6.4.12

+ Filmes

Jogos Vorazes (The Hunger Games)

Eu não sabia da existência de Jogos Vorazes até o filme ser lançado, muito menos que o livro era sucesso entre os jovens adultos, aka adolescentes.

A história do filme se passa num futuro meio apocalíptico, onde, depois de uma guerra, a Capital comanda os 12 distritos que se rebelaram. E para que esses distritos não esqueçam quem manda na parada, o pessoal da Capital criou os tais Hunger Games. Cada distrito tem um menino e uma menina (entre 12 e 18 anos) sorteado para participar de uma espécie de Survivor com Highlander (claro que é televisionado para todo país), onde os teens lutam (ou tentam sobreviver) até restar só um vivo.

A Capital é uma cidade futurista, rica, cheia de gente com roupas muito coloridas (que parecem ter saído de um trip de LSD do David Bowie), enquanto que os distritos (que fornecem tudo de básico: carvão, grãos, etc) parecem os EUA na depressão dos anos 1930. (não li o livro, mas pela euforia dos adolescentes no cinema, parece que acertaram na caracterização dos personagens urbanos)

A Katniss, menina-que-atira-com-arco-e-flecha e cuida da família, do distrito 12 se ofereceu par ir no lugar da irmã sorteada. O filme mostra todo o processo do programa, desde o treinamento dos teens até a manipulação do jogo para melhores resultados.

Eu gostei do filme, até fiquei curiosa para ler o livro. Acho que se as adolescentes de hoje se espelharem na Katniss, ao invés da Bella-ama-vampiro-purpurina, vejo uma luz no fim do túnel.

A Tia Helo diria uns 323 "Ai, Jesus!", ainda mais para aquele cabelo azul do Stanley Tucci. (Fiquei supresa de ver o Lenny Kravitz no elenco)


Espelho, Espelho Meu (Mirror, Mirror)

A Branca de Neve está na moda. Além da série (Once Upon A Time, que tem vários contos de fadas, mas a Branca de Neve é o arco central), tem dois filmes esse ano. E os dois com propostas diferentes.

O primeiro que saiu foi esse 'Espelho, Espelho Meu' com a Julia Roberts fazendo a Rainha Má, era para ser engraçado (?). Sinceramente, a Julia Roberts poderia ter ficado sem essa. Pouca coisa nesse filme funciona. Os diálogos são péssimos, os cenários cafonas, e a Rainha Má da Julia Roberts é uma santinha perto da Rainha do desenho animado da Disney.

Uma coisa que eu gostei, e é bem diferente do desenho, é que a Branca de Neve quando vai morar com os anões não vira babá deles, ela se torna uma espécie de Branca de Neve do Gueto, que luta e rouba com seus novos amigos. Acontece que para quem vê Once Upon a Time (que, aliás, tem uma ótima Rainha Má), isso não é novidade.

Os anões do filme são engraçados e o Armie Hammer é o Príncipe em pessoa (mas poderia ter diálogos melhores). Só. Tem até algumas cenas que, se fosse na mão do Tim Burton, funcionariam melhor.

No fim do filme tem um número musical estilo Bollywood, e aí é que vi que o filme foi dirigido por um indiano.  Se tivessem me avisado antes que era Bollywood, eu teria abraçado a idéia (e toda cafonice que vem junto).

Julia Roberts, corra para pegar a Framboesa de Ouro, merecida.

A Tia Helo diria 478 "Ai, Jesus!" para os espelhos, ainda mais na tapera onde a Julia Roberts vai buscar sua mágica.

O segundo filme estreia em junho, Branca de Neve e o Caçador, com a Charlize Theron no papel da Rainha Má, num tom mais dramático. Como eu prefiro o caçador ao príncipe, acho que esse filme vai ser muito melhor.



30.3.12

Analisando a música: Enjoy The Silence (Depeche Mode)

O Depeche Mode se formou no fim dos anos 1970, mas o sucesso só veio mesmo na metade dos anos 1980. Eu só fui saber da existência deles em 1987 com o album Music for the Masses (faz sentido), que tinha o sucesso Strangelove. Depois disso lançaram Violator, o album de maior sucesso da banda que continha seu maior hit: Enjoy The Silence.

Confesso que não sou conhecedora da discografia do Depeche Mode. Para mim é uma daquelas bandas que conheço muitas músicas, só não sei que são deles. (fui pesquisar para escrever esse post e tive vários momentos "ah, essa música é do Depeche Mode?!?")

Enjoy the Silence é de 1989, e tem um dos melhores videos ever. Infelizmente só encontrei a versão remasterizada (Oi??), mas, no video um cara vestido (fantasiado?) de rei percorre várias paisagens diferentes, das highlands, passando pela praia, até as montanhas com neve, só com sua cadeirinha de praia pronto para admirar a vista e aproveitar o silencio.

Então vamos uma música sobre... o silêncio?

Words like violence
Break the silence
Come crashing in
Into my little world
Painful to me
Pierce right through me
Can't you understand
Oh my little girl


Na verdade acho que é uma música sobre um cara que não quer ter uma DR com a namorada. Ele sabe que vai escutar coisas que não quer ouvir, provavelmente não quer dizer outras, e faz essa poesia bonita sobre o mal que as palavras podem causar.

"As palavras são violentas, quebram o silêncio, entram despedaçando o meu mundinho, me doem, penetram (ou me atingem). Poxa, garotinha, você não entende?" Não sei se o garotinha é porque ele está no mundinho, ou é sendo condescendente mesmo. Ainda assim são versos bonitos.

All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm


Então, tudo que ele quer e precisa está ali nos braços dele (no mundinho). Palavras são desnecessárias, elas só podem fazer mal. 

Vows are spoken
To be broken
Feelings are intense
Words are trivial
Pleasures remain
So does the pain
Words are meaningless
And forgettable


"Para que promessas, se são só para serem quebradas? Os sentimentos são intensos, as palavras são triviais. As únicas coisas que ficam são os prazeres e a dor. Palavras são sem sentido e esquecíveis." Será?

Acho que ele até tem razão, mas, no seu mundinho, ele não entende nada de mulher, porque todas sempre lembram tudo que foi dito, e as promessas que foram feitas. #ficadica

All I ever wanted
All I ever needed
Is here in my arms
Words are very unnecessary
They can only do harm


Ele tenta ser romântico dizendo que já tem tudo que quer e precisa, mas, mesmo ele insistindo no silêncio, acho que leva um fora. Por isso o rei do video vai apreciar a paisagem sozinho. E que paisagem bonita!




27.3.12

Momento TOC mulherzinha séries (2)

Em 2008 eu fiz um post com os homens da séries que mais gostava. De lá para cá algumas séries foram canceladas, outras acabaram, novas estrearam, então resolvi fazer um update dessa lista.

Sawyer, queria dizer que você mora no meu coração, me chama de freckles e me joga na areia, mas sua série acabou na luz e vamos as novas caras.

1. Don Draper (Jon Hamm) de Mad Men. Esse homem sabe exatamente o poder do seu charme, da sua beleza, e a quantidade de testosterona no seu sangue. Lindo. Usa tudo isso a seu favor, ele conquista todos, das secretárias aos clientes. Um sorriso dele vale ouro. E ele não é um cara legal, mas as vezes é. Gente, eu quero ter filhos do Don Draper. #mulherdemalandrofeelings A série se passa nos anos 60, mas Don seria cool hoje em dia. Macho-que-é-macho até acendendo o centésimo cigarro.




2. Steve McGarrett (Alex O'Laughlin) de Hawaii 5-0. Steve é americano, mas o Alex é australiano e emprestou seu corpinho criado com leitinho especial australiano para esse policial/militar que soluciona crimes no Hawaii, nessa que é a melhor série pipoca da temporada. E sendo no Hawaii, o Steve obviamente aparece um bocado sem camisa. Aloha, macho-que-é-macho! Papapapapa!





3. Rayland Givens (Timothy Olyphant) de Justified. É uma série policial que se passa no interior caipira do Kentucky e Rayland é um marshall (policial que caça fugitivos) que anda de botas de rodeio e um chapéu na maior classe. E aquela fala mansa, sussurada? Macho-que-é-macho com uma pontaria certeira.






4. Vampiro Eric (Alexander Skarsgård)Alcide (Joe Manganiello) de True Blood. (não consegui escolher só um) Frio e quente. O Vampiro Viking que deixa a Sookie louca, também anima as moças do lado de cá da tela. Macho-que-é-macho nórdico vem-morder-meu-pescoço. E o Alcide é o lobisomen sangue quente. Adoro quando ele sente calor e tira a camisa. Macho-que-é-macho suei.





5. Peter Bishop (Joshua Jackson) de Fringe. Ele não sabe a qual mundo pertence, é um nerd, filho de um cientista maluco genial, e está sempre charmoso naquele figurino escuro, de sobretudo. Ele é de uma segurança impressionante, daqueles homens que você sabe que ficará tudo bem. Macho-que-é-macho em qualquer universo.





6. Jax Teller (Charlie Hunnam) de Sons of Anarchy. Definição de bad boy. Motoqueiro, bandido, faz parte de uma gangue de traficante de armas (mas quer sair) e mata pessoas. Ele apanha muito, leva tiros e tal, mas é apaixonado por sua mulher e filhos. Não tem como não gostar desse loirinho. Macho-que-é-macho cheio de tattoos.


7. Nick Brody (Damian Lewis) de Homeland. Eu adoro um ruivinho. O sargento do exército que passou anos sumido e retornou para casa, é um homem perturbado e não sabemos muito bem qual é a intenção dele, mas o episódio na cabana com a Carrie valeu seu lugar nessa lista. Macho-que-é-macho com um detonador.



8. Sheriff Graham (Jamie Dornan) de Once Upon A Time. Ele tem sotaque irlandês, usa roupas hipsters, não quer obedecer a prefeita (e rainha má), e, apesar de não ter coração, é um homem justo. Tem gente que prefere o príncipe, eu gosto mais do caçador. Macho-que-é-macho com uma faca na mão.




9. Will Gardner (Josh Charles) The Good Wife. Nunca fui fã do Mr. Big, então o marido traidor da Alicia não tem vez na minha lista, mas o querido Will, que a contrata depois de 15 anos longe dos tribunais, tem uma química incrível com ela (apesar do péssimo timing) merece estar nessa lista. Macho-que-é-macho, na minha opinião.






10. Mike Ross (Patrick J. Adams) de Suits. Um bom menino nessa lista. Se bem que ele é um cara muito inteligente que se passa por um advogado. Mike sempre tem boas intenções e isso é que vale. Macho-que-é-macho pedalando nas ruas de Manhattan.

22.3.12

Olhe para o seu peixe

É difícil encontrar algo na internet que dure mais do que um dia (hora, minuto, segundo), e de muitas coisas gostamos, curtimos, mas quais realmente nos chamam atenção o suficiente para voltar várias vezes? Qual a diferença entre gostar e amar algo na internet? O que significa?

O escritor Robin Sloan, pensou no assunto e lançou um ensaio sobre o assunto em forma de app que ficou interessante. Tem que baixar a app que se chama Fish: a tap essay (só para iPhone, iPod Touch, iPad, iCoisas), é lá que está o texto. É em inglês. A leitura é boa, rápida, e interessante, é como se fosse um slideshow que você vai batendo o dedo e as palavras vão surgindo. É interativo, ao longo da leitura tem frases que, se você quiser, pode twittar direto. No fim ele dá uma senha para ir aos outros links disponíveis no site.

As coisas (sites, fotos, videos) que gostamos na internet passamos adiante no twitter, facebook, etc, até colocamos nos favoritos, as que amamos também, mas sempre voltamos a elas para mais algumas olhadas.

O que o peixe tem a ver com isso? É uma experiência que Louis Agassiz (que fez expedições no Brasil) fez com seus alunos: os colocou para observar um peixe numa bandeja de metal, e saía da sala. Cada vez que voltava ele perguntava o que tinham visto.

Estou passando adiante. Ainda não decidi se gostei e pronto, ou se amei para voltar várias vezes. Só sei que nunca tinha lido nada do Sr. Sloan, nem tinha ouvido falar dele, mas agora fiquei curiosa para ler um de seus livros.

19.3.12

Conversas iPodianas (23)

Hoje de manhã estava com preguiça de correr e saí para uma caminhada. Depois de duas músicas o iPod manda a seguinte sequência:

- Pumped Up Kicks - Foster the People (you better run, better run, outrun my gun)
- Dog Days Are Over - Florence + The Machine (you better run, run fast for you mother, run fast for you father...)
- Born to Run - Bruce Springsteen

Comecei a correr, óbvio.

Run, Forrest, run!

17.3.12

Analisando a música: You Only Live Once (The Strokes)

O The Strokes surgiu no fim dos anos 1990 quase entrando em 2000. Depois do grunge, antecipando uma invasão indie (e hipster) que viria a seguir (também o britpop, britrock e glam rock), a banda nova iorquina decidiu mater o som de garagem, mas seus integrantes trocaram as camisas xadrez pelo skinny jeans. O Julian Casablancas tem aquele vocal um pouco sujo que funciona, e a bateria é sempre precisa.

O primeiro sucesso foi  a ótima Last Nite, do album Is This It. Depois veio o Room on Fire, que é o meu preferido, um dos melhores albuns com músicas para correr de ponta a ponta (tem a deliciosa 12:51, a batida certa de The End Has No End, e a tensa Reptilia). É do terceiro album, First Impressions Of Earth, que vem a música analisada da vez: You Only Live Once.

Essa música nasceu como I'll Try Anything Once (ótimo nome de música e filosofia de vida), que depois foi parar no lado B do single Heart in a Cage, e ficou famosa na cena da piscina no filme Somewhere da Sofia Coppola. Então, para colocar no album adicionaram a batida, um ritmo mais animado, mudaram a letra (mas a intenção é a mesma), gravaram um clipe bacana e virou You Only Live Once. Gosto das duas letras, mas prefiro a batida mais animada da segunda. A banda criou a operação YOLO na qual convocaram os fãs para pedirem a música nas rádios e assim chegar ao topo das paradas só com um boca a boca. Funcionou.

Some people think they're always right
Others are quiet and uptight
Others, they seem so very nice
Inside they might feel sad and wrong


A primeira impressão que tenho é que essa é uma música sobre briga, ainda mais pelo refrão, mas depois concluí que faz a linha: ah, para que me estressar, a gente só vive uma vez mesmo. 

A música já começa com uma analise das pessoas em geral: algumas acham que estão sempre certas, outras são quietas e tensas, algumas parecem legais, mas no fundo talvez se sintam tristes e inadequados. Ou é ele sendo sarcástico com a namorada?

Twenty-nine different attributes
Only seven that you like
Twenty ways to see the world
Twenty ways to start a fight



Ela é uma pessoa que tem vinte e nove qualidades diferentes (29??), mas ele só gosta de sete, ou ele tem as qualidades e ela é exigente? Ele diz que tem vinte formas de ver o mundo e vinte maneiras de começar uma briga. Pelo jeito discordam de muita coisa.

Oh, don't don't don't get out
I can't see the sunshine
I'll be waiting for you baby
'Cause I'm through
Sit me down, shut me up
I'll calm down
And I'll get along with you



O refrão. Então ele diz para ela "Olha, não vai embora, eu não vejo a luz, mas vou te esperar. Cansei. Me senta e me cala (Oi? Como?) que eu fico calmo e aí a gente se entende". Traduzindo: ok, ok a gente briga mas no fim eu calo a boca e tudo dá certo, chega de DR, a vida é curta.

Men don't notice what they got
Women think of that a lot
One thousand ways to please your man
Not even one requires a plan, I know



Aqui é o seguinte: homens não estão nem aí (ou não reparam no que tem) e mulheres pensam demais. Ah, a boa e velha diferença entre os gêneros. Para ele, as mulheres pensam em mil maneiras de satisfazer seus homens, mas que nenhuma precisa de um plano, ou seja, as mulheres não precisam pensar tanto. (agora entendi porque ele pede para a menina calar a boca dele)

And countless odd religions too
It doesn't matter which you choose
One stubborn way to turn your back
I guess I've tried and I refuse



Não sei onde as incontáveis religiões entraram na conversa, acho que é um jeito dele dizer que não importa qual a sua escolha religiosa, são todas estranhas, e formas de se tornar inflexível. Que a vida é curta (afinal, só se vive uma vez) e que não precisa disso. Tentou e recusou, muito bem.

Don't don't don't get out
I can't see the sunshine
Oh, I'll be waiting for you baby
'Cause I'm through
Sit me down, shut me up
I'll calm down
And I'll get along with you
Alright
Shut me up
Shut me up
And I'll get along with you



Mais uma vez o refrão, e ele insiste que ela cale a boca dele que tudo vai ficar bem.


Ah, nada de silêncio, canta aí Julian, porque só se vive uma vez.


10.3.12

Amanhecer parte 1

Depois de ter sobrevivido aos 3 primeiros filmes da saga (??) Crepúsculo, demorei mas vi o penúltimo filme: Amanhecer parte 1. Sim, ainda vão nos torturar com a parte 2.

O primeiro filme não foi ruim, era bobinho, mas até me divertiu. O segundo foi mais dramático, teve uma ótima participação dos Volturi, mas foi nesse que descobrimos que o Vampirinho só ia transar transformar a Bella depois de casar. O terceiro filme foi mais animado, teve flashback, teve guerra entre vampiros e lobos e o Vampirinho teve que aceitar que o Lobinho era muito mais sangue quente.

Então chegamos ao quarto filme dessa saga que parece não ter fim. E esse filme é o PIOR de todos até aqui.

E até achei que um filme que começa com o Lobinho tirando a camisa nos primeiros 5 segundos não poderia ser tão ruim, mas foi péssimo e ele não tira mais a camisa.

A Bella conseguiu se segurar até o dia do casamento porque ela acreditou na propaganda de True Blood e Vampire Diaries que sexo com vampiros é uma coisa do outro mundo. Bella, o seu vampiro brilha como purpurina na luz do sol. Enough said. (Antes do casório a Bella tem um sonho que todos os convidados estão mortos. Acho que isso reflete o desejo do público. Just saying.)

O casamento é tradicional, com uma decoração que tenho certeza será imitada por todas as fãs da série, Bella e Vampirinho declaram seu amor eterno e tal. O Lobinho não foi para cerimônia, mas apareceu no mato para uma dancinha com a noiva. Aí descobrimos que ela vai para a lua de mel ainda humana, que vai tentar transar com o Vampirinho antes de se transformar em vampira. Lobinho faz cara de WTF? e nós também. Bella, você foi ENGANADA. Para que casar se você poderia ter descoberto antes se o Vampirinho é mesmo tudo que a literatura gótica promete? E aquele papo todo de "eu posso te matar com minha força"? Sinto muito, mas o Vampirinho não é o Superman.

Aí eles vem para a lua de mel no Brasil. Primeiro uma passadinha na Lapa para uma roda de samba e depois direto para uma ilha em Angra. (O único ponto positivo desse filme é que colocaram pessoas que realmente falam português.) Finalmente Vampirinho e Bella transam, quebram a cama, ela fica com algumas manchas roxas, mas sobrevive e gosta. Ele é que ficou na dúvida e decide não transar mais até transformá-la. #significa

A Bella fica grávida. Oi? Como assim? É, leitoras e leitores, a Stephanie Meyer sambou de tamancos holandeses na cara do Bram Stoker e criou um bebê híbrido. Se bem que depois de vampiros purpurinados eu espero tudo.

A gravidez é difícil, o bebê só gosta de sangue, a Bella fica moribunda e o Vampirinho faz a única coisa que ele sabe: sofrer. Quem não deixa os outros lobos atacarem o bebê é o Lobinho, que agora vai tentar ser lider da alcatéia. (Gente, os lobos se comunicam telepaticamente!) A neném nasce, a Bella morre no processo, mas o Vampirinho já tinha dado algumas mordidas nela. O Lobinho imprime a bebê, que em outras palavras significa que ele é um pedófilo que se vê no futuro xonado, capaz de tudo pela pequena Renesmee (nome da bebê, Renee + Esmee, prova que a Bella assimilou a cultura brasileira), e assim os outros lobos não podem atacar.

A Bella se transforma em vampira e acorda com os olhos vermelhos, querendo sangue. Fim. Ou quase. Os Volturi aparecem no finalzinho deixando a dica que não vão deixar barato o nascimento de uma híbrida com um nome cafona como Renesmee. Que eles matem todo mundo e o sonho da Bella se torne realidade.

Acho que a Tia Helo nem se daria o trabalho de ver esse filme. Um "Ai, Jesus!" só porque aparece o Corcovado no filme.

27.2.12

Enquanto isso no supermercado...

Eu estava na seção de frutas tentando abrir um daqueles sacos plásticos que você puxa do rolo. Na verdade eu estava pelejando com o tal saco que não abria de jeito nenhum.

Foi aí que chegou uma senhora simpática e me disse: "Tenho uma dica para você.". Oba! Adoro dicas. "Para abrir esse saquinho basta molhar um pouquinho a ponta dos dedinhos.". Ok.

Procurei a pia, porque não ia lamber os dedos que já tinham passado por quase todas as seções do supermercado, mas estava looooonge. A tiazinha deve ter notado meu desanimo e disse: "Passa a mão no peru que resolve".

*crise de gargalhadas*

Antes que vocês achem que eu estava sendo assediada por uma espécie de travesti da terceira idade, o peru ao qual ela estava se referindo era esse:

congelado no carrinho


That's what she said.

Oscar 2012

Cheguei ao Oscar desse ano com 8 filmes, entre os 9 indicados, assistidos. Yeah! (Só fiquei devendo o Cavalo De Guerra do Spielberg).

O Billy Crystal voltou a ser o apresentador pela 9ª vez. A montagem inicial foi até engraçada (ainda mais quando o George Clooney deu um beijo na boca do Billy Crystal), mas a música que ele cantou foi uma das coisas mais chaaaaatas dos últimos anos na tv. Depois foi uma eternidade de depoimentos  e sketches de como ver filmes no cinema é melhor. Se tivesse fast forward eu teria apertado. Até fiquei com saudade do James Franco.

Teve uma apresentação do Cirque Du Soleil, mas isso só indicou que era hora de ir na cozinha.

A Separação ganhou melhor filme estrangeiro, mais do que merecido. Atriz coadjuvante foi para Octavia Spencer, uma das barbadas da noite, gostei mais dela do que da Viola Davis em The Help. The Girl With The Dragon Tattoo ganhou melhor montagem, que foi uma surpresa! Hugo levou vários prêmios técnicos: mixagem de som, edição sonora, fotografia, direção de arte e efeitos especiais. Rango, o camaleão cowboy levou melhor animação, numa categoria que não tinha nem Rio, nem Tin Tin. A música dos Muppets venceu sua única concorrente (a do Rio). Christopher Plummer levou sua estatueta de ator coadjuvante (categoria de vovôs, só com Jonah hill com menos de 50 anos). O Artista levou figurino, trilha sonora, diretor e ator (o Jean Dujardin).  Os Decendentes levou roteiro adaptado, infelizmente não foi o Clooney o melhor ator. A tia Meryl levou seu 3º Oscar pela Dama de Ferro. O Woody Allen, que nunca vai a festa, prefere tocar jazz num bar em NY (está certo ele), ganhou roteiro original por Meia Noite em Paris.

No fim, o melhor filme foi O Artista.

No red carpet eu gostei da Octavia Spencer, acho que ela acertou na cor, corte, cabelo, etc. E o George Clooney, claro, era o mais bonito. Ok, o Brad Pitt também estava lindo, só precisava lavar o cabelo. Para mais looks o Rosebud é o Trenó fez um ótimo post. E o Sacha Baron Cohen não deixou de polemizar (ou avacalhar) indo de Ditator, personagem de seu próximo filme, espalhando as cinzas do Kim Jong Il pelo tapete vermelho.

Mais uma vez o Jack Nicholson ficou em casa. Quando é que vão se dar conta que sem ele a coisa fica ainda mais chata?

20.2.12

A Invenção de Hugo Cabret

Martin Scorsese, além de amante, é um exímio conhecedor de cinema, e um excelente diretor, óbvio. E, como tal, é dele uma das mais bonitas homenagens ao próprio cinema e seus primeiros artistas e entusiastas.

Acho que a maioria das pessoas associa o Martin Scorsese aos filmes sobre mafiosos, ou violência, ou suspense e as vezes esquecem que sua filmografia é muita mais variada e que ele também é de uma delicadeza incrível.

O Hugo do título é um garotinho que vive nos corredores internos das engenhocas dos relógios da estação de trem de Paris. Ele foi parar lá porque seu pai morreu e seu tio o levou para ficar acertando a hora enquanto tomava um goles nas ruas. Antes de morrer o pai do Hugo tinha levado para casa um autômato, um robô analógico, quebrado, que ele tinha começado a consertar antes de morrer. O Hugo acha que se colocar o robô para funcionar vai ter uma mensagem do seu pai. Acontece que o robô precisa de uma chave especial.

Hugo conhece garotinha-louca-por-livros Isabelle, a netinha do dono da banca de brinquedos da estação, e os dois começam uma aventura. Isabelle apresenta Hugo aos livros e e ele apresenta Isabelle ao cinema.

Hugo é sobre a magia do cinema, desde o início, da necessidade de preservar os filmes e essa história. É uma belíssima homenagem aos irmãos Lumiere (especialmente o fato do filme ser feito em 3D, e deve ser visto assim, vai por mim) e a Georges Melies, o homem que levou a fantasia ao cinema.

É também,  através da Isabelle, um pouco sobre literatura. Adoro quando ela diz para o Hugo que é ok chorar porque o Heathcliff também chora. (Aposto que quando a Isabelle menciona David Copperfield, a maior parte das pessoas no cinema achou que era o ilusionista de Las Vegas. O que ele estaria fazendo na Paris do início do século 20 eu não sei. Charles Dickens people!)


Hugo é um filme para família. Tem crianças, é colorido, tem mágica, tem comédia, drama e emoção. Lindo.

A Tia Helo ia adorar esse filme, acho que ela ia ter uma quedinha pelo inspetor (feito pelo Borat), 35 "Ai, Jesus!" para a invenção do Hugo.

18.2.12

Momento TOC: Lá vem a chuva.

Para comemorar o início do inverno nordestino, aquela época do ano que chove muito, o dia inteiro, aqui vai um top 10 de músicas (em inglês) sobre a chuva.

1- Rain - Madonna - Gosto muito essa música e é um dos clipes mais chiques da Madonna (até que ela combina com o minimalismo japonês). A chuva da música é uma metáfora para o amor que ela espera que caia do céu e lave as tristezas, afaste a dor. "Rain, feel it in my finger tips, hear on the window pane, your love's coming down like rain...". Fez bonito, Madonna. 'Real rain is what the thunder brings' é a melhor frase da música.

2- No Rain - Blind Melon- Apesar de ser uma música sobre depressão, no meio ele fala que dorme o dia inteiro e reclama da falta de chuva (a chuva é sempre um bom motivo para ficar em casa), é uma música animada. Esquece a letra e vai andar na chuva estalando os dedos. "All I can say is that my life is pretty plain / I like watching the puddles gather rain".

3- Rain - Mika - Mais uma ótima música sobre fim de relacionamento, e coloca um ponto final no namoro. "More than this, baby I hate days like this / When it rain and rain and rain and rains..." Vamos detestar esses dias de chuva que não acabam mais dançando muito.

4- Have You Ever Seen The Rain - Creedence Clearwater Revival (original) OU Bonnie Tyler - A música foi feita por um dos membros do CCR para o seu irmão que estava deixando a banda. Para mim é uma música conversa-sobre-o-tempo ("Sun is cold and rain is hard"). Então da próxima vez no elevador é só começar a cantar para o seu vizinho: "I wanna know, have you ever seen the rain / Comin' down on a sunny day?"

5- Here Comes The Rain Again - Eurythmics - Uma música, eu dira, bipolar. Começa com a batida grave mais depressiva "Here comes the rain again / falling on my head like a memory" aí depois sobe e fica animada com  o "So baby talk to me / like lovers do", e volta para a batida grave. Para ver a chuva chegando pela janela.

6 - It's Raining Men - Weather Girls - Gente, chega de músicas deprimentes com a chuva, vamos animar essa coisa com esse clássico do anos 80. Se chuva de água deprime, uma de homens seria a solução. Ah, mãe natureza faz isso acontecer! "I'm gonna go out / I'm gonna let my self get absolutely soaking wet!". Deixa o guarda chuva em casa.

7- Singing In The Rain - Gene Kelly - Não podia faltar nessa lista né? Mais uma para animar um dia cinzento. Chuva também é motivo de alegria "Come on with the rain I've a smile on my face". Vamos pular em poças d'água! "Singin' and dancin' in the rain".

8- Raindrops Keep Fallin On My Head - BJ Thomas - Essa música foi composta por Burt Bacharach para o filme Butch Cassidy and The Sundance Kid (com Paul Newman e Robert Redford, assistam). É uma música cafona, #prontofalei, mas é tão otimista que não sai da sua cabeça. "Raindrops keep falling on my head / but that doesn't mean my eyes will soon be turning red / crying's not for me / 'Cause I'm never gonna stop the rain by complaining". Ganhou Oscar de melhor música. (Adoro a sequência da bicicleta! Todas querem ser Katharine Ross.)

9- November Rain - Guns n' Roses - Outra música sobre fim de relacionamento. A banda misturou as guitarras elétricas e bateria com uma orquestra sinfônica e resultou numa música de quase 9 minutos que você nem sente. É dramática, megalomaníaca, uma tempestade. "Nothing lasts forever / Even cold November rain". KD o cobertor?

10 - Rain - The Beatles - Claro que os rapazes de Liverpool iam ter uma música sobre a chuva, é o que mais acontece lá no norte da Inglaterra.  "I can show you when it starts to rain / Everything's the same". Rain, I don't mind. Nem eu.

17.2.12

+ Filmes

Moneyball (O Homem Que Mudou o Jogo)


Os 3 esportes mais populares nos EUA são: football (o americano, óbvio), baseball e basketball (assim, em inglês mesmo). Dos três eu gosto muito de basketball e de baseball, mas não me empolgo com o football (apesar de conhecer as regras). O que esses três esportes tem em comum, e é o que os americanos gostam muito, são as análises estátisticas dos jogadores, times, jogadas e qualquer coisa que possa ser colocada em porcentagem.

Dos 3 é justamente o baseball que mais se utiliza dessas estatíticas. Pode reparar que em todo jogo de baseball sempre aparece vários números na tela quando mostram um jogador, e baseados nesses números sabem qual a probabilidade do que pode acontecer.

Acontece que, como todo esporte, nem tudo pode ser calculado, ainda mais fatores que são independentes dos números como a vontade dos jogadores em ganhar aquele jogo naquele dia. O baseball é um jogo de troca-troca de jogadores entre os times, inclusive no meio das temporadas, assim como se fossem os famosos cartões de baseball (que sempre valem muito dinheiro nos filmes).

Ao contrário do football, que tem um sistema de distribuição de grana entre os times da NFL (a liga nacional) garantindo que todos os times tenham dinheiro para competir igualmente, no baseball é cada um por si. Esse vídeo o Bill Maher explica direitinho o sistema.

Então, Moneyball conta a história (real) de Billy Beane (Brad Pitt), um ex-jogador, que é gerente de um time que tem pouco dinheiro para gastar (e está perdendo seus principais jogadores para times mais ricos). Ele decide contratar um economista que analisa os jogadores baseados nos seus números, deixando de lado coisas que os olheiros tradicionais levam em conta (como idade, jeito de arremessar, etc). Billy e Pete (o economista) montam um time de jogadores considerados losers (mas tem n´¨meros satisfatórios), e sofrem com a cabeça dura do treinador e outras pessoas do time. A matemática é poderosa e o sistema de Billy e Pete se mostra eficiente.

Não vou contar mais, vale a pena assitir. Brad Pitt está muito bem como Billy Beane, e ele sabe preencher bem aquela tela enorme do cinema, e Jonah Hill surpreende como o economista Pete. Ambas indicações ao Oscar merecidas. O roteiro tem Steve Zalillian (que também escreveu The Girl With The Dragon Tattoo) e o genial Aaron Sorkin.

Eu gostei de Moneyball, acho que quem entende o esporte vai aproveitar um pouco mais, mas não precisa ser especialista. A Tia Helo diria 93 "Ai, Jesus!" para o homerun.

(Gente, e o ator que colocaram para fazer um Brad Pitt jovem? Coloquem ele em mais filmes, please!)


O Artista


Filme mudo em preto e branco, e é muito bom. É uma bela homenagem ao cinema. Do começo ao fim lembrei de Cantando na Chuva, All About Eve, Luzes da Ribalta e alguns outros. Tem cenas que surpreendem, como a do sonho (não vou contar) e a dança final (eita, contei), a fotografia é bonita (adorei a conversa nas escadas com pessoas passando) e a música muito boa. O próprio formato da projeção é antigo, um retângulo menor ao invés de ocupar a tela toda do cinema.

O Jean Dujardin (só eu acho esse nome muito engraçado?) é de um carisma incrível. Ele faz muitas caretas, mas o sorriso dele é contagiante. Berenice Bejo dá conta do recado. Agora, bom mesmo é o cachorrinho Uggie. Oscar para animais já!

A Tia Helo ia adorar esse filme, uns 14 "Ai, Jesus!" sem muito susto.



J. Edgar

O J. Edgar Hoover foi diretor do FBI por quase 50 anos (de 1924 a 1972). Aliás, foi ele que fundou o FBI (em 1935) que antes não era um orgão federal independente. E só deixou de ser diretor do FBI porque morreu, se não acho que estaria lá até hoje. A diretoria dele passou por 8 presidentes americanos. Isso sim é poder.

O filme mostra como ele inseriu a ciência forense na polícia federal americana, desde a análise e cadastramento de digitias até outras ciências aplicadas. J. Edgar inventou o CSI. Além disso, era conhecido que ele mantinha um arquivo secreto que nunca foi descoberto (ou só algums partes apareceram), que continha segredos dos presidentes e pessoas envolvidas no poder.

O filme mostra sua vida, desde a ascensão no FBI a relação com sua mãe, sua secretária super eficiente e o seu melhor amigo de todos os tempos Clyde Tolson. Mostra sua luta contra os mafiosos e gangsters, e dá uma certa importância ao sequestro do bebê do Lindbergh.

Dizem que ele era um cross-dresser, mas o filme só faz uma leve insinuação sobre o assunto que só faz sentido se você sabe dessa fofoca. De forma um pouco mais explicita é tratada a sexualidade de Hoover, e o conflito dele em relação ao assunto.

O Leo DiCaprio está muito bem no papel do J. Edgar Hoover, mas a sua atuação, as vezes, é um pouco cansativa. Já o Armie Hammer (lindo!) dá vida ao Clyde Tolson com uma deliciadeza incrível, merecia uma indicação ao Oscar (nem que fosse só para aparecer na festa).

A fotografia do filme é toda em tons de cinza, uma coisa bem FBI mesmo. Clint Eastwood é mestre.

Eu gostei. Já a Tia Helo iria se identificar um pouco com a paranóia do Hoover, e ia gostar do fato que ele era um mama's boy. Uns 125 "Ai, Jesus!" para o menino Edgar.

15.2.12

Analisando a música: Rolling In The Deep (Adele)

Rolling In The Deep é música vencedora de 35647483 Grammys em 2012, é do album 21 (que também levou um Grammy) da Adele. A inglesa foi um dos maiores sucessos do ano passado com sua voz macia e potente. O sucesso do album foi tanto que tem música até na novela. A Adele compôs o 21 (seu segundo album) depois de um fim de namoro, uma decepção amorosa, ou, como ela disse, a rubbish relationship. Traduzindo: é um album com músicas de fossa. Todo mundo sabe que fim de relacionamento rende excelentes músicas e as vezes albuns inteiros, como é o caso da Adele e do Fleetwood Mac com Rumours (mas isso é outro post).

21 tem um pouco de tudo: música lenta para cortar os pulsos, animadinhas e as dançantes. A belíssima Someone Like You (que, infelizmente, virou tema de Griselda e Rene, mas vamos esquecer isso) é uma das lentas, I'll Be Waiting faz a linha animadinha, Rumour Has It e Rolling In The Deep são para mexer o corpinho.

Rolling In The Deep é uma música para a fase raiva do fim de relacionamento. Aquela que se canta apontando dedos, soltando adrenalina, fazendo punhos cerrados, eu estou sofrendo, mas sai de perto senão você apanha.


There's a fire starting in my heart
Reaching a fever pitch, it's bringing me out the dark
Finally I can see you crystal clear
Go 'head and sell me out and I'll lay your ship [shit] bare
See how I leave with every piece of you
Don't underestimate the things that I will do

Pelo jeito a fase da tristeza passou e ela já está esquentando, um fogo no coração, temperatura subindo (quase febril), a raiva chegando e a tirando do escuro. O tristeza cega, mas a raiva deixa tudo muito mais claro, límpido. "Vai cara, me trai que eu coloco as cartas na mesa." Opa! Cuidado que a coisa vai pegar! Ela diz que vai embora e vai levar cada pedacinho dele, ou seja, ela não vai deixar barato e ele ainda vai se arrepender. "Não subestime as coisas que eu vou fazer (ou que posso fazer)". Go Adele!

There's a fire starting in my heart
Reaching a fever pitch
And it's bringing me out the dark

Olha o calor da raiva tirando ela do escuro outra vez

The scars of your love remind me of us
They keep me thinking that we almost had it all
The scars of your love, they leave me breathless
I can't help feeling
We could have it all
(You're gonna wish you never had met me)
Rolling in the deep
(Tears are gonna fall, rolling in the deep)
You had my heart inside your hand
(You're gonna wish you never had met me)
And you played it, to the beat
(Tears are gonna fall, rolling in the deep)

O refrão. É aqui que ela mostra o quanto ele a magoou. O amor dele deixou cicatrizes que a lembram que eles poderiam ter tido tudo, mas que a deixam sem ar. "Sinto que poderiamos ter tudo...Rolling in the deep". Rolando no fundo? Fundo de que? Onde? Toda vez eu imagino alguém dando cambalhotas na parte funda da piscina ou um caldo fenomenal no mar. Algumas pessoas acham que significa se afogar em lágrimas (deve ser por causa do "lágrimas vão cair, rolling in the deep". A própria Adele diz que a expressão vem de uma gíria que significa ter sempre alguém que te apoia, ampara, proteje, ou seja, eles poderiam ter tudo, inclusive esse apoio mútuo.

A melhor das frases sussuradas pelos backing vocals é: "Você vai desejar nunca ter me conhecido". 

E e completa: "Você teve meu coração nas mãos e brincou com ele (ou fez ele bater no seu ritmo)". Uma forma poética de dizer "você me sacaneou".

Baby, I have no story to be told
But I've heard one on you
And I'm gonna make your head burn
Think of me in the depths of your despair
Make a home down there
As mine sure won't be shared

"Baby, não tenho nada para esconder, mas escutei uma fofoca sobre você e vou fazer sua cabeça pegar fogo." Muito medo nesse momento. "Pensa em mim na profundidade do seu desepero, aproveita e fica por lá porque para minha casa você não volta." Isso, gente, é que é dar um ponto final num relacionamento. Aprendam com Miss Adele. Profundidade do seu desespero é demais!

The scars of your love remind me of us...
......
Could have had it all
Rolling in the deep
You had my heart inside your hand
But you played it, with a beating

O refrão mais uma vez com uma pequena variação, aqui no filnalzinho ela troca o beat por beating, ou seja, brincou com o coração com uma pancada. Sacaneou para valer. Coisa séria.

Throw your soul through every open door
Count your blessings to find what you look for
Turn my sorrow into treasured gold
You'll pay me back in kind and reap just what you've sown

"Cara, vai, se joga no mundo, e vê se você acha outra igual a mim". E aí ela termina com um "Transforma minha tristeza em ouro, você vai me pagar na mesma moeda, você colhe o que planta". Traduzindo: cara, você vai sofrer muito e eu não estou nem aí. 

We could have had it all...
.....
But you played it
You played it
You played it
You played it to the beat.

Termina com o refrão, e mais uma vez ela lembra que ele brincou/jogou/sacaneou com ela. Ponto final.



A Adele decidiu tirar umas longas férias, merecidas. Vai curtir a vida Adele, e depois escreve um album inteiro sobre a experiência.

Enquanto isso vamos dar cambalhotas no fundo da piscina. Rolling In The Deep.





11.2.12

Book Report: Religião Para Ateus - Alain de Botton

O filósofo, e ateu, Alain de Botton resolveu escrever esse Religião para Ateus, não com a intenção de debater a existência ou não de um Deus, mas para mostrar a importância que certos aspectos das religiões são benéficos para uma vida em sociedade.

O livro é dividido em partes: comunidade, educação gentileza, pessimismo, arte, etc. Em cada assunto ele aplica algum aspecto religioso que faz com que a convivência dos seres humanos seja melhor. A idéia do livro é até boa, mas é cheio de obviedades com uma narrativa condescendente e chatinha.

Religiões, e seus rituais, são regras e leis que se utilizam da crença em um ser (ou seres) superior para organizar uma sociedade. Já pensou se Moises só tivesse chegado para o pessoal e dito: "olha gente, acho que ninguém deveria matar, nem roubar... O que vocês acham? Vamos fazer algumas leis e tal"? Será que teria funcionado? Então, para mim, em cada uma tem algo que se possa aproveitar, mesmo que não se creia em nada. É perfeitamente possível ser ateu e admirar a arquitetura de uma catedral, a estátua do David, os templos de Angkor Wat, o enorme Buda deitado, o Pantheon (que de masoleu romano virou igreja), e as ondas perfeitas de Uluwatu.

Umas das falhas do livro é falar mais do Cristianismo e do Judaísmo. O Budismo aparece em algumas páginas e nenhuma palavra sobre o Islamismo é dita. Isso dá uma visão muito ocidental de religião. Ficou superficial demais, faltou um pouco de pesquisa. #prontofalei

Na parte do pessimismo, ele fala que as pessoas acham que quando coisas ruins acontecem elas se sentem perseguidas, como se as adversidades só acontecessem com elas. O Muro da Lamentações, em Jerusalém,  é citado como um espaço onde as pessoas vão para manisfestar suas dores, implorar ajuda, expor suas aflições, e que, no fundo, são só várias pessoas sofrendo juntas, que a angústia não é exclusiva. Então para o Alain de Botton, já que ateus não tem um muro de lamentações onde mostrar ou comparar seu sofrimento, ele sugere (achando que teve a melhor idéia ever) que entre os cartazes e outdoors de propagandas nas ruas fossem colocadas versões eletrônicas das lamentações alheias. Assim ninguém ia se sentir só com seus problemas. Esse homem nunca ouviu falar do Post Secret?

A sensação que tive é que o Sr. de Botton quer ser um bom menino, uma Poliana atéia, algo como: "sou ateu, mas dou importância as religiões, não quero causar discórdia". (fazendo o sinal de paz e amor)

Acho o, sempre polêmico, Christopher Hitchens mais interessante. ("Cartas a um jovem contestador " é bom para começar)

2.2.12

Analisando a música: Basket Case (Green Day)

O Green Day é uma banda de pop punk (porque, vamos combinar, o punk rock ficou mesmo nos anos 1970 com os Ramones e Sex Pistols), que se formou no fim dos anos 1980, quando ainda eram adolescentes. No início dos anos 1990, com o boom das garage bands, do grunge, (Nirvana, Peral Jam, etc) o Green Day conseguiu se firmar e Basket Case (de 1994) é um single do terceiro album da banda.

Basket Case é um termo, uma gíria, em inglês que indica pessoa ou coisa que não funciona propriamente, ou seja, um caso perdido (mentalmente ou não), ou louco de pedra. A origem (segundo a internet) não é nem um pouco agradável, e até ofensiva, vem lá da primeira guerra mundial quando os soldados que perdiam as pernas e os braços eram carregados em cestas (baskets).

Tentando tirar essa imagem da cabeça, dizem que o Billy Joel (o vocalista da banda) escreveu essa música enquanto tentava lidar com sua ansiedade. Faz sentido. Então vamos analisar a música que é sobre a loucura, drogas, sexo (ou a falta de), num ritmo alucinante.


Do you have the time
To listen to me whine
About nothing and everything
All at once
I am one of those
Melodramatic fools
Neurotic to the bone
No doubt about it

A música já começa com uma guitarra num riff constante, num ritmo preciso, como se a mente estivesse sobrecarregada, funcionando a mil por hora. Guardem essa informação para uma estrofe futura.
Eu acho essa primeira frase ótima: "Você tem tempo de me escutar enquanto reclamo de nada e de tudo ao mesmo tempo". Quantas pessoas não são assim? Falam, falam, falam, e quem escuta tem que pescar as partes importantes. Ser psicologo/psiquiatra/amigo não é fácil.
Pelo menos ele é um idiota-neurótico-melodramático assumido. 

Sometimes I give myself the creeps
Sometimes my mind plays tricks on me
It all keeps adding up
I think I'm cracking up
Am I just paranoid?
Am I just stoned?

Claro que essa combinação neurótico-melodrámatico ia ser creepy, estranha, assustadora, né? Uma das piores coisas que pode acontecer a alguém é a própria mente ficar de sacanagem fazendo você acreditar em coisas fantasiosas, e, para o cara da música, essas coisas ficam fazendo sentido. Ele acha que está a beira da loucura e pergunta: "só estou paranóico ou apenas viajandão?" É uma pergunta retórica? (Cara, conselho amigo, larga essa drogas. As lícitas e as ilícitas também.) 

I went to a shrink
To analyze my dreams
She says it's lack of sex
That's bringing me down
I went to a whore
She said my life's a bore
So quit my whining cause
It's bringing her down

Aí ele vai num psiquiatra/psicólogo analisar os sonhos (eu também tenho uns sonhos bem bizarros). A analista diz que o mal dele é falta de sexo (Oh, really? Acho que muitos problemas podem ser resumidos a isso). E o que ele faz? Vai numa prostituta, óbvio. Acontece que a profissional do sexo diz: "Cara, seu problema é tédio. Para de reclamar que quem está ficando deprimida sou eu!". Ok, tenho que adicionar prostitutas aos que ficam escutando reclamações chatas.

Lembram do ritmo da guitarra no início da música? Pois é, além da mente que não para, acho que é indicativo do que ele faz para resolver o problema apontado pela analista. Se é que vocês me entendem.

Sometimes I give myself the creeps
Sometimes my mind plays tricks on me
It all keeps adding up
I think I'm cracking up
Am I just paranoid?
Uh, yuh, yuh, ya

Grasping to control
So I better hold on

E temos o refrão outra vez. Paranóico e doidão. 

O que importa é que ele está tentando manter o controle.

Então vamos correr, pedalar, pular, fazer muita bateria imaginária, porque soltar adrenalina sempre é bom! 

(Coloquei uma versão ao vivo, o youtube não deixou colocar aqui o video oficial - feito num sanatório, tem que ver lá)