7.6.12

São Petersburgo (3)

tulipas no jardim do peterhof

O dia começou com uma ida aos jardins do Palácio Peterhof, que fica a 27km de São Petersburgo. Decidimos ir de metro+onibus e voltar de barco.

escadas rolantes vertiginosas do metro

O metro de São Petersburgo eh bem mais simples do que o de Moscou. São menos linhas e a sinalizacao eh mais clara, com as placas nos 2 alfabetos e algumas ate em inglês. Alias, as placas com nome das ruas também tem os 2 alfabetos. As estacoes são bonitas, em mármore com lustres enormes. Descemos na estacão Avtovo (Автово), logo na saída vimos algumas vans (eh, na Russia também tem transporte alternativo) e o cobrador chamando para Peterhof (Петергоф escrito em russo no vidro da van). Como havia outros turistas indo para la entrando na van, fomos junto. Bem, motorista de van eh igual no mundo inteiro, vai colocando gente ate entupir o veiculo. O que interessa eh que chegamos na porta do palácio.






O Peterhof eh mais um palácio construído pelo Pedro, o grande, e fica na beira do Golfo da Finlândia.  O terreno eh ENORME, tem o palácio grande e vários outros palacetes distribuídos pelos jardins de arvores altas, enfeitados de tulipas e fontes. Não entramos no palácio, só andamos pelos jardins. Gostei dos jardins, mas acho que carregaram muito na tinta dourada das estatuas. #prontofalei


os fundos do palacio


fontes, canal e jardim
a frente


pedro, o grande
A volta de barco foi mais rápida e em 30 minutos chegamos na porta do Hermitage. De la andamos para a Nevsky Proskect (Не́вский проспе́кт), a avenida principal de São Petersburgo. A avenida foi planejada por um arquiteto francês a pedido do Pedro, o grande (claro!), como inicio da estrada para Moscou. O nome da rua eh em homenagem a um herói do seculo 13, Alexander Nevsky, que defendeu as terras de invasores suecos e alemães.





Essa avenida eh o coração da cidade, tudo acontece ali. Eh muito comprida e larga. Eh cortada por 3 canais, tem varias lojas, cafés, o shopping mais antigo do mundo, vários prédios em art nouveau, o palácio dos Strogonov (os que inventaram o strogonoff), praças, tudo. Eh otimo para people watching.











uma apresentacao de teatro



Esse aviso pintado em azul esta no numero 14 da Nevsky Prospekt esta la desde o cerco dos alemaes durante a segunda guerra e eh renovado para lembrar os dias de terror. Diz: "Cidadaos! Esse lado da rua eh mais perigoso em caso de bombardeio.". Pode jogar no tradutor do google.

6.6.12

São Petersburgo (2)


O museu The State Hermitage eh um dos mais antigos do mundo. Foi fundado pela Catarina, a grande, (todo mundo aqui na Russia eh 'o/a grande') em 1764, quando ela comprou uma grande coleção de pintores holandeses e só foi aberto ao publico em 1852. O prédio principal foi construído pelo Pedro, o grande (obvio), para ser o palácio de inverno da família. O Hermitage eh ENORME, são 6 prédios, mas só 4 estão abertos ao publico (e mesmo assim eh coisa pacas). O museu tem uma coleção de 2.970.000 de pecas (isso mesmo, mais de 2 milhões!), claro que nem tudo esta a mostra (inclusive no primeiro andar tem muitas caixas fechadas). Em 2011 o Hermitage recebeu 920 mil turistas estrangeiros, fora os russos que viajam em massa pelo seu próprio pais.




Nos já tinhamos nosso ticket, que compramos via internet, e isso facilitou muito porque as filas são tao grandes quanto o museu. Com o voucher na mão foi só trocar pelos tickets na recepção. Quem vier tem que se preparar para andar muito, se perder um pouco, enfrentar multidões em algumas salas, muitos guias falando em diferentes línguas e muita gente tirando fotos das obras.

uma porta para essa multidao
Para otimizar a visita eh só escolher o que se quer ver la dentro. No nosso caso era: arte francesa do seculo 19/20, a parte egípcia, arte holandesa e os salões do palácio. Entre uma e outra íamos vendo arte russa, arte inglesa, arte italiana, etc, e as vezes só olhando para o chão admirando o piso.

trono
rococó
detalhe da fechadura
Muito da coleção do Hermitage vem de aquisições dos czares. Depois da revolução bolchevique, muitas pecas vieram de coleções particulares que foram nacionalizadas.

tem van gogh desconhecido
matisse mais do que conhecido

achei legal picasso em russo (com trocadilho)
O museu eh bem livre, pode tirar foto de tudo (e com flash, mas nem precisa, eh muito bem iluminado) e não precisa de pantufas para andar nos pisos de madeira maravilhosos. Os grupos são grandes, e as pessoas relativamente bem educadas. Em cada sala tem uma tiazinha com cara de bronca escolhida a dedo. Elas não estão uniformizadas, mas ficam sentadinhas, segurando suas bolsas (sera que eh para dar bolsada em caso de mal criados?), olhando tudo e todos.


piso lindo

Do museu fomos ate a igreja do S. Isaac, que eh gigantesca. Parece que tiveram que construir um barco especial para trazer as colunas de granito finlandês que são pecas inteiras.


E como somos maratonistas, atravessamos o Rio Neva e fomos a Fortaleza de Pedro e Paulo, a primeira construção de São Petersburg, onde o Pedro, o grande (só para ter certeza), fincou sua bandeira e decidiu construir a sua bonita cidade.

o hermitage na beira do rio neva
a fortaleza
Dentro do forte tem vários prédios e uma igreja. Depois que o Pedro, o grande (confirmando), ergueu seu palácio, a fortaleza virou prisão e ate o Dostoievski passou um tempinho por la. Os locais gostam mesmo eh de pegar uma praia nos muros. Como estava um dia bonito e temperatura agradável (17 graus), os russos colocaram seus trajes de banho e estavam torrando ao sol.

a igreja e seu para raio gigante

tiozinhos bronzeados

5.6.12

São Petersburgo (1)



Saímos de Moscou para São Petersburgo de trem, mas não sem tentar decifrar o painel de partida dos trens na estacão do Lenin. A viagem de trem eh agradável, tranquila, e demora 4 horas e meia. Chegamos na estacão central de São Petersburgo e fomos andando ate o hotel, passando pela rua mais movimentada da cidade: Nevskiy Prospekt.

estacao de trem


kd sao petersburgo?


do interior


para a agitacao da cidade

São Petersburgo eh bem diferente de Moscou, eh uma cidade mais europeia, com prédios baixos, fachadas coloridas em tons pasteis e nada de concreto aparente. Eh um pouco mais confusa que a capital, inclusive o transito eh mais intenso, mas aqui tem muito mais gente andando nas ruas e curtindo os parques.




A cidade eh cortada pelo Rio Neva e desse rio derivam vários canais que só contribuem para o charme da cidade.



A historia da cidade começou quando o Czar Pedro,o grande, um homem viajado e muito culto, quis um pedaço de praia para a Russia e foi negociar com os Suecos. Os vikings disseram não, rolou uma guerra, o Pedro venceu e em 1703 construiu sua cidade na entrada do Golfo da Finlândia. Em 1712 a cidade se tornou a capital da Russia ate a revolução de 1917 quando voltou a ser Moscou.



Durante os anos de USSR a cidade ficou conhecida como Leningrado, e aqui aconteceu um dos momentos mais terríveis da Segunda Guerra: o Cerco a Leningrado.

Com o fim da Uniao Sovietica a cidade voltou a ser São Petersburgo, e assim como Moscou, eh possivel ver as mudancas que vem acontecendo. Muitos jovens nas ruas, carros novos, iPhones, iPads, rock n' roll, turistas de todos os cantos do mundo, a cidade não para.



Depois de largar as malas no hotel, ainda com muita luz do dia (aqui so anoitece depois das 23:00) fomos ver a Igreja Do Sangue Derramado. A igreja foi construida no local onde o Czar Alexandre II foi assassinado (jogaram 2 bombas na comitiva), e o irmão mais velho do Lenin fazia parte do grupo assassino (e foi mandado para a Sibéria). A parte exterior eh bonita com aqueles bulbos coloridos e dourados. O interior da igreja eh totalmente revestido de mosaicos super detalhados, uma coisa linda.









4.6.12

Moscow (3)

 Um pouco antes de vir nessa viagem, terminei de ler "Criança 44", a historia do livro se passa na USSR stalinista. Era sobre um agente da MGB (uma pre-KGB) que perseguia um serial killer (coisa que os comunistas não acreditavam existir na USSR, serial killer eh coisa de capitalista). Esse livro descreve bem desde a fome que o povo que morava nos campos passou (que chegaram a comer gente), nos anos 1930 ate a tensão que as pessoas viviam, sempre desconfiadas e com medo do governo (e dos vizinhos) nos anos 1950. Também descreve a diferença de classes (sim, existia) entre os funcionários do governo e o resto do povo (os funcionários do governo podiam comprar em lojas especiais e não dividiam moradia com outras famílias). Então, o agente do livro trabalhava no temido prédio da Praca Loubianka, onde quem não era funcionário entrava para não sair mais. Esse prédio, que depois foi a sede da KGB, devia ter os porões mais temidos do mundo. Claro que fui la ver.

praça loubianka e os temidos poroes


Depois um passeio pela rua Stoleshnikov, uma rua de pedestres com lojas de marcas caras e suas vitrines bonitas. Alias, essas lojas estão espalhadas por toda cidade quem anda por Moscou acha que tem muito milionário fazendo compras.

domingo as lojas fecham

Descemos ate a rua Varvarka onde ainda existem alguns palacetes, inclusive o que morava a família Romanov antes deles se mudarem para o Kremlin. Tem também uma casa que o Ivan, o terrível, deu para os Ingleses na época em que faziam muitos negócios.

outra igrejinha

palacete dos ingleses


Entre chuva e sol, chegamos outra vez a Praca Vermelha e a catedral de sorvete. Para fugir da chuva entramos no Gum, o shopping (onde tambem tem as lojas de marcas caras). Dessa vez entrei no supermercado mais chique que ja vi, com candelabros, piso de marmore e prateleiras de madeira.

eh linda mesmo
os corredores do Gum

kd a secao da vodka?

Eu adorei as avenidas largas de Moscou, fiquei imaginando para que tanto espaco se não havia tantos carros quando foram construídas. Poderia ter sido só para os ônibus, ou para as paradas militares, ou para levar os misseis para dentro da Praça Vermelha, ou para circulação de tanques. O fato eh que hoje passam muitos carros importados, e novos, nessas avenidas (nao vi nenhum Lada). Para atravessar tem varias passagens subterraneas ao longo das avenidas, nada de esperar o sinal fechar (e muitas vezes nem tem a opcao de atravessar por cima). Eh so procurar o bonequinho descendo a escada. O único porem eh que não tem uma em cada esquina, se perder uma, a próxima pode ser só em 300 metros.


entra aqui e sai ali

Gostei de Moscou, são pouco mais de 20 anos de mudanças e os russos estão se adaptando (alguns ate bem rápido). Acho que mais ninguém tem medo dos porões da Loubianka (sera?). Tenho certeza que ainda tem muitas outras coisas para ver, quem sabe numa próxima vez.

3.6.12

москва (2)

Os comunistas não acreditavam em religião e transformaram as igrejas em depósitos, estacionamentos e outra coisas úteis. O Stalin dinamitou uma das maiores catedrais de Moscou (que era simbolo do czarismo) para construir uma piscina pública, afinal o povo precisava mesmo era se exercitar (na verdade queriam construir um palácio soviético, mas faltou grana) Com o fim do regime socialista e o renascimento do cristianismo ortodoxo na Russia, decidiram reconstruir a Catedral do Cristo Salvador e em 1997 os moscovitas perderam uma piscina e ganharam mais uma igreja. Os russos são muito religiosos, as igrejas estão sempre cheias, e imagino que as tiazinhas tradicionais com lenço na cabeça que gostam de cantar lá dentro devem ter ficado super felizes.

A catedral eh enorme, toda em mármore, com 5 bulbos dourados e por dentro eh cheia de detalhes.



Da igreja fomos para um dos passeios mais conhecidos de Moscou: uma volta no metro. O metro de Moscou eh fantástico, foi inaugurado em 1935, são 305km em varias linhas interligando a cidade inteira, e tem aquelas estacoes belíssimas  que o Stalin mandou construir para que o povo se sentisse importante. Como transporte publico eh muito eficiente (e barato, um ticket custou 28 rublos ou 1 dólar), os trens passam a cada 2 minutos. Achei que seria complicado, mas com o meu método de decorar as palavras em russo, junto com olhar no mapa do metro e contar as estacoes ate a que queria descer, e fazer uma mimica para pedir o ticket, conseguimos nos virar. Na verdade o metro eh muito bem sinalizado, as placas tem as cores das linhas e na plataforma tem outra placa indicando a direção que o trem vai com os nomes das próximas estacoes. Ajuda ter um mapa com os nomes das estacoes nos 2 alfabetos, assim quando a próxima estacão eh anunciada você sabe onde esta. As estacoes mais artísticas (Komsomolskaya = Комсомольская, Novoslobdskaya = Новослободская , Belorusskaya = Белорусская) estao na linha 5, a marrom, que eh circular. Era sábado, o metro estava cheio, mas são todos educados e nada de empurra-empurra.

o ticket
estacão komsmolskaya (1935)
detalhe do teto
estação arbatskaya por fora (de 1935)
Nosso passeio de metro terminou na Arbatskaya (Арбатская), perto da rua Arbat, uma rua de pedestres no centro histórico de Moscou, e que estava animada num sábado a tarde. No seculo 18 era considerado pela nobreza um dos melhores lugares para morar. Em 1960 construíram a Nova Arbat, uma avenida larga com prédios de concreto enormes, e a antiga virou rua de pedestres. Hoje eh uma rua comercial com muitas lojas, cafes, lojas de souvenires, artistas de rua, alguns prédios antigos e a casa onde o Pushkin passou alua de mel.

rua arbat
casa do pushkin



ministério das relações exteriores, uma daquelas atrocidades construídas para impressionar (da para ver da rua arbat)