8.6.12

São Petersburgo (4)

palacio da catarina
O dia começou emocionante com uma tarefa rotineira: a ida ao correio. Gosto de escrever e mandar postais, e assim vou conhecendo os correios mundo a fora. Perguntei no hotel onde ficava a agencia e a moca só soube apontar o nome da rua e indicar o quarteirão. Eu sabia que do lado de fora da agencia tinha uma caixa azul. Vi a caixa azul, mas não vi a agencia. Então entrei na bodega ao lado, crente que vendia selo, e perguntei ao rapaz. Perguntei fazendo sinais de carimbo e lambendo selo. O rapaz me levou a um portão de ferro, abriu com uma senha e mandou eu entrar para um patio interno duvidoso. Bem, se estivesse no Brasil e ele fosse meu melhor amigo eu não entraria naquele lugar, mas como eh a Russia, fui na confiança mas com medo de parar nos porões da Loubianka. Entrei, o portão fechou atras e não vi nada que indicasse uma agencia de correios. Quase voltei correndo quando uma senhora apontou para uma porta suspeita, entrei e era la mesmo. Ufa! Espero que os cartões cheguem.

kd agencia dos correios?


voce entraria nessa porta?
 Depois desse momento tenso, fomos tentar encontrar o ônibus que leva a cidade de Pushkin para ver o Palácio da Catarina. Achamos que seria tao fácil quanto chegar ao Peterhof, mas nao eh bem assim. O ônibus que o Lonely Planet indicava nao tem mais, perguntar as pessoas se tornou uma tarefa dificil (os mais jovens falam um pouco mais de ingles), falar com motorista de taxi nem com mimica resolvia, e, por fim, conseguimos saber que na Nevsky Prospekt, em frente a estacão de metro Gostinyy Dvor tem vários quiosques de turismo. Chegamos la e realmente tinha uns 10 quiosques de tours para todos os lugares, só que TODOS em russo menos um que oferecia em inglês. Fomos nesse. (eh incrível como o turismo interno na Russia eh forte. O numero de pessoas preparadas para lidar com estrangeiros eh minimo - como no Brasil).

O tour foi bom, nosso guia o Alexander, o grande (ele tinha 2m de altura), contou a historia dos czares, falou do Cerco a Leningrado, fofocas dos nobres e nos guiou pelo Palácio da Catarina, que estava cheio de turistas (todos em grupos).



O Palácio da Catarina, a grande, fica na cidade de Pushkin, 25km fora de São Petersburgo. A cidade antes era conhecida como Tsarkoye Selo (Vila dos Czares), onde alem do palácio da Catarina, tem o palácio do Alexander. A cidade mudou de nome em 1937 para a comemoração do aniversario de 100 anos da morte do poeta russo Alexander Pushkin.

o tour comecou nessa escada minimalista
O palácio começou a ser construído pela Catarina I, esposa do Pedro, o grande, ela queria (mais) um palácio de verão. Sua filha Anna deu continuidade, mas quem aproveitou mesmo o lugar foi a outra filha, a Imperatriz Elizabeth. Quando a Catarina II, a grande, assumiu o trono, mandou tirar a tinta dourada das estatuas, achou o estilo do palácio muito rebuscado e contratou outro arquiteto para dar um ar neoclassico. Só vou dizer que a tinta que ela não colocou nas estatuas esta toda dentro nos salões. Eh tinta dourada que não acaba mais. (como disse uma amiga no instagram: "Inshalah!")

depois foi so dourado
salao de baile
espelhos do salao de baile

turistas nos corredores

mais uma sala dourada e o sistema de calefacao em porcelana azul

Depois da morte da Catarina, a grande, os monarcas seguintes preferiram o vizinho: Palácio do Alexander, que foi, inclusive, onde os Romanov ficaram no período que estiveram presos. Esse palácio ainda vai ser restaurado.

Durante a Segunda Guerra, no Cerco a Leningrado, os alemães destruíram o Palácio da Catarina. Tem, ate uma polemica envolvendo a famosa sala de âmbar (Fringe feelings, para os fãs da serie), a unica que não pode tirar fotos dentro e as tias que tomam conta batem nos bracos para cima com câmeras. Felizmente os arquivistas russos tinham catalogado a maior parte do palácio antes da guerra e foi muito útil na restauração.

pedacinho da sala de ambar , de longe com zoom


O jardim do palácio também eh bonito, tem uma sauna turca, uma casinha só para jantares íntimos, e muitos alamedas arborizados para, segundo o guia, caminhadas fiilosoficas.





casinha para jantares


o dourado da igreja do palacio

Na volta a cidade demos mais uma volta na Nevsky Prospekt, a famosa avenida da cidade (que aparece nas paginas de Crime e Castigo do Dostoievsky) e uma ultima olhada na igreja colorida.


Gostei muito de Sao Petersburgo, andamos muito, comemos bem, tem muita historia e ao mesmo tempo esta se modernizando. A Russia foi uma otima surpresa.

Mais fotos da Russia no Flickr.

7.6.12

São Petersburgo (3)

tulipas no jardim do peterhof

O dia começou com uma ida aos jardins do Palácio Peterhof, que fica a 27km de São Petersburgo. Decidimos ir de metro+onibus e voltar de barco.

escadas rolantes vertiginosas do metro

O metro de São Petersburgo eh bem mais simples do que o de Moscou. São menos linhas e a sinalizacao eh mais clara, com as placas nos 2 alfabetos e algumas ate em inglês. Alias, as placas com nome das ruas também tem os 2 alfabetos. As estacoes são bonitas, em mármore com lustres enormes. Descemos na estacão Avtovo (Автово), logo na saída vimos algumas vans (eh, na Russia também tem transporte alternativo) e o cobrador chamando para Peterhof (Петергоф escrito em russo no vidro da van). Como havia outros turistas indo para la entrando na van, fomos junto. Bem, motorista de van eh igual no mundo inteiro, vai colocando gente ate entupir o veiculo. O que interessa eh que chegamos na porta do palácio.






O Peterhof eh mais um palácio construído pelo Pedro, o grande, e fica na beira do Golfo da Finlândia.  O terreno eh ENORME, tem o palácio grande e vários outros palacetes distribuídos pelos jardins de arvores altas, enfeitados de tulipas e fontes. Não entramos no palácio, só andamos pelos jardins. Gostei dos jardins, mas acho que carregaram muito na tinta dourada das estatuas. #prontofalei


os fundos do palacio


fontes, canal e jardim
a frente


pedro, o grande
A volta de barco foi mais rápida e em 30 minutos chegamos na porta do Hermitage. De la andamos para a Nevsky Proskect (Не́вский проспе́кт), a avenida principal de São Petersburgo. A avenida foi planejada por um arquiteto francês a pedido do Pedro, o grande (claro!), como inicio da estrada para Moscou. O nome da rua eh em homenagem a um herói do seculo 13, Alexander Nevsky, que defendeu as terras de invasores suecos e alemães.





Essa avenida eh o coração da cidade, tudo acontece ali. Eh muito comprida e larga. Eh cortada por 3 canais, tem varias lojas, cafés, o shopping mais antigo do mundo, vários prédios em art nouveau, o palácio dos Strogonov (os que inventaram o strogonoff), praças, tudo. Eh otimo para people watching.











uma apresentacao de teatro



Esse aviso pintado em azul esta no numero 14 da Nevsky Prospekt esta la desde o cerco dos alemaes durante a segunda guerra e eh renovado para lembrar os dias de terror. Diz: "Cidadaos! Esse lado da rua eh mais perigoso em caso de bombardeio.". Pode jogar no tradutor do google.

6.6.12

São Petersburgo (2)


O museu The State Hermitage eh um dos mais antigos do mundo. Foi fundado pela Catarina, a grande, (todo mundo aqui na Russia eh 'o/a grande') em 1764, quando ela comprou uma grande coleção de pintores holandeses e só foi aberto ao publico em 1852. O prédio principal foi construído pelo Pedro, o grande (obvio), para ser o palácio de inverno da família. O Hermitage eh ENORME, são 6 prédios, mas só 4 estão abertos ao publico (e mesmo assim eh coisa pacas). O museu tem uma coleção de 2.970.000 de pecas (isso mesmo, mais de 2 milhões!), claro que nem tudo esta a mostra (inclusive no primeiro andar tem muitas caixas fechadas). Em 2011 o Hermitage recebeu 920 mil turistas estrangeiros, fora os russos que viajam em massa pelo seu próprio pais.




Nos já tinhamos nosso ticket, que compramos via internet, e isso facilitou muito porque as filas são tao grandes quanto o museu. Com o voucher na mão foi só trocar pelos tickets na recepção. Quem vier tem que se preparar para andar muito, se perder um pouco, enfrentar multidões em algumas salas, muitos guias falando em diferentes línguas e muita gente tirando fotos das obras.

uma porta para essa multidao
Para otimizar a visita eh só escolher o que se quer ver la dentro. No nosso caso era: arte francesa do seculo 19/20, a parte egípcia, arte holandesa e os salões do palácio. Entre uma e outra íamos vendo arte russa, arte inglesa, arte italiana, etc, e as vezes só olhando para o chão admirando o piso.

trono
rococó
detalhe da fechadura
Muito da coleção do Hermitage vem de aquisições dos czares. Depois da revolução bolchevique, muitas pecas vieram de coleções particulares que foram nacionalizadas.

tem van gogh desconhecido
matisse mais do que conhecido

achei legal picasso em russo (com trocadilho)
O museu eh bem livre, pode tirar foto de tudo (e com flash, mas nem precisa, eh muito bem iluminado) e não precisa de pantufas para andar nos pisos de madeira maravilhosos. Os grupos são grandes, e as pessoas relativamente bem educadas. Em cada sala tem uma tiazinha com cara de bronca escolhida a dedo. Elas não estão uniformizadas, mas ficam sentadinhas, segurando suas bolsas (sera que eh para dar bolsada em caso de mal criados?), olhando tudo e todos.


piso lindo

Do museu fomos ate a igreja do S. Isaac, que eh gigantesca. Parece que tiveram que construir um barco especial para trazer as colunas de granito finlandês que são pecas inteiras.


E como somos maratonistas, atravessamos o Rio Neva e fomos a Fortaleza de Pedro e Paulo, a primeira construção de São Petersburg, onde o Pedro, o grande (só para ter certeza), fincou sua bandeira e decidiu construir a sua bonita cidade.

o hermitage na beira do rio neva
a fortaleza
Dentro do forte tem vários prédios e uma igreja. Depois que o Pedro, o grande (confirmando), ergueu seu palácio, a fortaleza virou prisão e ate o Dostoievski passou um tempinho por la. Os locais gostam mesmo eh de pegar uma praia nos muros. Como estava um dia bonito e temperatura agradável (17 graus), os russos colocaram seus trajes de banho e estavam torrando ao sol.

a igreja e seu para raio gigante

tiozinhos bronzeados