26.7.12

Blogagem Coletiva: Cores de Viagem

A Claudia do Aprendiz de Viajante propôs essa blogagem coletiva.
"Fotos são uma parte essencial do dia a dia do viajante. Quantas vezes esse é o único souvenir que a gente traz? As fotos tem o poder de evocar uma emoção ou uma lembrança de algum lugar que a gente já foi, uma história. E por isso, hoje estou propondo uma “brincadeira” com fotos, que foi inspirada num concurso que rolou na blogosfera algum tempo atrás: fazer uma viagem pelas fotos baseadas nas cores. Pode ser apenas um detalhe com a cor que chama atenção, use a imaginação. Você vai escolher uma foto de cada cor, de uma viagem ou diferentes viagens que você fez e contar um pouco dela. Pode ser foto feita no celular, com uma máquina comum, não importa, o que realmente importa aqui é que as fotos tenham sido tiradas por você e que elas contem uma história. Depois que você postar as suas, volte aqui e deixe o link para o seu post nos comentários para que a gente possa viajar nas suas fotos e cores também."
Eu já participo do Foto de Viagem, organizado pela Mikix e o MauOscar todas as sextas, e como gosto de fotos, listas e viagens gostei da idéia dessa blogagem.

Aqui estão as minhas fotos:

Amarelo - Esse garoto estava no ponto de ônibus em Berlim, lembro de ter pensado "esse cabelo deve dar um trabalho...". Foi só o tempo de tirar a máquina da bolsa e tirar a foto, logo depois ele entrou num ônibus. Até fiquei surpresa que a foto saiu focada. Adoro Berlim.



Vermelho - Meu amigo Silvio me levou para conhecer a moderna biblioteca de Seattle e, para minha surpresa, um dos andares era todo vermelho! Quase não dá para ver a escada no fundo. Confesso que achei um pouco claustrofóbico, mas é bacana.



Verde - O Camboja tem muitos campos de arroz, e eu nunca tinha visto um ramo (?) de perto, então pedi para o nosso guia do tuk tuk dar uma paradinha para eu olhar, e daí essa foto macro do arroz.



Azul - O azul do mar na costa da Croácia é uma das coisas mais bonitas que já vi. É intenso. Essa foto tirei do topo da muralha de Dubrovnik. Queria agradecer os nadadores por terem proporcionado esse contraste do azul com branco.



Multicolorido - Essa garotinha fica com a mãe e irmãs na praça em Cuzco, todas vestidas com as roupas típicas peruanas, que são muito coloridas. Aliás, o artesanato peruano é todo muito colorido e muito bonito.



Quem quiser participar deixa o link aí nos comentários.

25.7.12

Modo Olimpíadas: ON



Quatro anos já se passaram desde Pequim 2008, e estou pronta para Londres 2012. O clima pré-olimpíadas na cidade estava uma delícia e certamente será uma olimpíada maravilhosa.

Hoje começa o futebol feminino, amanhã tem o masculino e na sexta é a cerimônia de abertura com direção do Danny Boyle.

Michael Phelps está de volta as piscinas sem a pressão de ganhar mil medalhas de ouro, então acho que ele vai nadar mais relaxado e até melhor (se é que isso é possível). A natação vai ficar ainda mais interessante agora que o super maiôs foram abolidos e os rapazes vão ter que nadar de sunga (valeu FINA!).

Roger Federer vai tentar ganhar uma medalha de ouro em simples, mas tem o Djokovic, Nadal e Murray na parada. Levando em conta que vai ser na grama de Wimbledon e ele já foi campeão lá 6 vezes (incluindo esse ano), tem grandes chances, mas olimpíada é olimpíada e sempre tem um correndo por fora (né Gonzalez?).

Usain Bolt estará no ponto para animar as corridas de 100, 200 e 4x100. Adoro o atletismo, nem saio de casa.

Estou animada para ver esportes que nunca vejo como: tiro com arco (sim eu gosto, e daí?), hockey na grama, saltos ornamentais, ginástica artística, remo, handball, esgrima (da qual eu não entendo nada), o trampolim (hipnotizante) e os esportes equestres.

Claro que não vou perder os tradicionais vôlei de quadra, o basquete, futebol e vela.

Melhor ainda vai ser ver, no volêi de praia, minhas amigas Juliana e Larissa (com grandes chances de trazer uma medalha), e meu amigo Bella, que joga pela Suíça. Torcida garantida!

Nas próximas duas semanas posts olímpicos vão aparecer por aqui e muitos comentários no twitter.

I'm ready!

22.7.12

Fotos da Viagem

Finalmente consegui colocar as fotos no Flickr e, antes de entrar no modo Olimpíadas, vou colocar os links aqui para quem quiser ver outras fotos além das que já postei aqui no blog (e com uma resolução melhor).

Russia
Tallinn, Helsinki, Vilnius e Riga
Estocolmo, Copenhagen e Noruega
Inglaterra (Holmfirth, Haworth e Chatsworth)
Londres

20.7.12

Séries mid season

True Blood. Os seres sobrenaturais de Bon temps estão de volta! Agora tem um Vampirão Autoridade/Guardião que não está facilitando a vida do Vampiro Eric e do Beeeeel. A Sookie tirou uma casquinha do Alcide (oba!), a Tara é vampira, o monstro de fumaça de Lost está fazendo uma participação especial, o Jason não sabe se fica do lado dos vampiros ou das fadas, e vou parar por aqui que já está ficando bizarro. 

Damages. Patty Hewes e Elen Parsons na batalha final. Essa temporada final promete, o acusado da vez é um "cyber-justiceiro" tipo Julian Assange.

Suits. Essa série é muito boa. Nessa segunda temporada já aconteceu tanta coisa e nem chegou na metade. Tem uma disputa pelo escritório com um sócio que estava ausente, e Harvey e Mike continuam com uma química incrível.

The Newsroom. O primeiro episódio é ótimo! O Jeff Daniels sabe levar aqueles monólogos diálogos do Aaron Sorkin muito bem, e o apresentador de jornal dele não é muito simpático, mas é legal. Eu adorei o Jim, o produtor que veio junto com a produtora executiva (e ex-namorada do apresentador), ele é uma versão jornalística do Jim do The Office. O segundo episódio não foi muito bom, mas o terceiro e quarto trouxeram a Jane Fonda como dona do canal de tv. Vou assistir.

Girls. Quatro garotas nos seus vinte e poucos anos tentando a vida em NY. Não é Sex and The City mais jovem, é muito melhor que isso. Hannah e suas amigas são mais interessantes que Carrie e cia. A série é esquisita mas é muito divertida.

Mad Men teve uma temporada que começou um pouco lenta, mas os episódios finais foram de tirar o fôlego, especialmente o 5x11 (The Other Woman) que está facilmente entre os 3 melhores da série. Volta logo Don Draper!

The Killing. Gostei da resolução da morte da Rosie, só não precisava de duas temporadas para acontecer - era só ter feito uma temporada mais comprida. #prontofalei



18.7.12

On The Road (Na Estrada)

Quando uma amiga me emprestou On The Road para ler, fiquei empolgada, afinal era um livro quase autobiográfico que tinha traduzido uma geração com fama de ser interessante.

Li e não gostei. Entendo o contexto e porque esse livro foi tão influente na época do seu lançamento (e continua muitos anos depois), como traduziu uma geração e influenciou muitos artistas (do Bob Dylan aos Beastie Boys), mas para mim não fez efeito. Talvez eu teria achado esse livro mais atraente se tivesse lido com 18/20 anos, ou não. O movimento Beat que foi o início de algumas mudanças culturais, era baseado em experimentação, liberdade de expressão, exercício da espontaneidade e criatividade.

Jack Kerouac sabia usar as palavras, a narrativa contínua, meio improvisada, do livro é muito boa, tem algumas passagens proveitosas, mas seus personagens, mesmo baseados em pessoas existentes, não eram tão fascinantes. Tirando a forma poética da descrição, todos viviam num loop eterno de delinquência, drogas, jazz, sexo e alcool, sempre nos mesmo lugares, e isso me deixou um pouco entediada. A vida no exagero também cansa e a busca pelo não-sei-o-que não me sensibilizou. Quanto mais tempo o Sal demorava para sacar que o Dean era um mané mais eu me irritava (pelo menos ele chega a essa conclusão no fim).

Então, dito isso, fui ver o filme e achei melhor que o livro.

A história é a mesma, continuo não me importando muito com a vida desenfreada dos beatniks, mas a fotografia, a reconstituição de época e trilha sonora do filme são excelentes! O Garrett Hedlund, que faz o Dean Moriarty, me surpreendeu, porque, quando li o livro, para mim, o personagem era só um cara carismático e bonito, no filme ele é tudo isso e ainda é envolvente, sexy pacas e com uma voz grave. O ator conseguiu  passar toda aquela aura moralmente flexível do Dean, o tipo do cara que você quer ir a uma festa com ele, mas depois de algumas horas você já vê que ele é, na verdade, um delinquente perdido, um mané (que vivia entre a sinuca, a prisão e a biblioteca). O Sam Riley (que já foi Ian Curtis no ótimo Control) faz o Sal do filme e parece um menino deprimido, ingênuo, coisa que o Sal do livro não é (deprimido sim, ingênuo não), mas é possível se identificar com ele. A Kristen Stewart se livrou do Vampirinho e aparece cheia de vida nesse filme como a Marylou. Até a Amy Adams está nesse filme fazendo a esposa chapada do Bull Lee (Viggo Mortensen).

As passagens relevantes do livro estão quase todas na tela, na narração do Sal.
"The only people for me are the mad ones, the ones who are mad to live, mad to talk, mad to be saved, desirous of everything at the same time, the ones who never yawn or say a commonplace thing, but burn, burn, burn....."
Palmas para o Walter Salles por ter conseguido levar essa história as telas com um filme bom.

A Tia Helo provavelmente passaria longe do cinema, mas acho que ela daria uma espiada para ver o que o Dean apronta na estrada e diria 617 "Ai, Jesus!" para On The Road.

16.7.12

Analisando a música: Somebody That I Used To Know (Gotye)

A música grude do momento.

Somebody That I Used To Know foi lançada em 2011 na Australia, mas só chegou pelo lado de cá do mundo esse ano. A música faz parte do Making Mirrors, terceiro album do Gotye. Quem é Gotye? Mais importante, como se pronuncia Gotye?

Gotye é um artista roqueiro-indie nascido na Bélgica e criado na Australia, em Melbourne. O nome dele (Wouter 'Wally' De Backer) é muito sem graça e ele decidiu usar Gotye como nome artísico. A pronuncia é Go-tee-yay, que nem Jean Paul Gaultier (Oi?).

O album tem músicas muito boas: Eyes Wide Open, Easy Way Out, I Feel Better e outras, mas a que fica mesmo na cabeça é Somebody That I Used To Know.

Essa música é sobre, adivinhem........... fim de relacionamento. E todos sabemos que esse assunto rende excelentes músicas, ninguém resiste a uma dor de cotovelo, fossa, #mimimi. É um dueto, ou seja, conta os dois lados da história. A parte feminina é cantada pela neo-zelandesa Kimbra. Também é sobre se sentir apagado da vida da outra pessoa. Quem nunca?

Eu gosto do jeito que a música começa tranquila, delicada, quase sussurrada e depois entra no drama do refrão.

Now and then I think of when we were together
Like when you said you felt so happy you could die
Told myself that you were right for me
But felt so lonely in your company
But that was love and it's an ache I still remember

Então, o relacionamento acabou mas ele ainda fica remoendo o que aconteceu entre os dois, recorda até que ela disse que estava tão feliz que poderia morrer. Ele achava que ela era a pessoa certa, mas mesmo em sua companhia se sentia só. Era amor, e é uma dor que ele ainda lembra.

You can get addicted to a certain kind of sadness
Like resignation to the end, always the end
So, when we found that we could not make sense
Well you said that we would still be friends
But I'll admit that I was glad that it was over

Ele conclui que tristeza pode ser um vício, como uma submissão até o fim. Até. O. Fim. Aí os dois decidiram que não estavam bem juntos, ela sugeriu amizade, e ele confessou que ficou feliz quando acabou. Aparentemente tudo muito maduro, tranquilo, sem conflitos, e aí vem o refrão.....

But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger and that feels so rough
No, you didn't have to stoop so low
Have your friends collect your records and then change your number
I guess that I don't need that though
Now you're just somebody that I used to know

Esse é o momento que todo mundo para o que estiver fazendo para cantar junto. O refrão cheio de sentimento.
"Tudo bem o relacionamento ter acabado, MAS PRECISAVA ME RISCAR DA SUA VIDA?!?" Drama, drama, drama. "E ainda faz como se nada tivesse acontecido? Olha, não preciso do seu amor, mas você me trata como um estranho, é brutal. Que baixaria é essa? Mandou os amigos buscar os discos e ainda trocou o número do telefone." Gente, pausa. Para um hipster/indie o fato da outra pessoa ir lá buscar os discos é demais, ele não aguentou, profundidade do desespero, diz logo que não precisa disso e agora ela é só alguém que ele conhecia.

Now and then I think of all the times you screwed me over
But had me believing it was always something that I'd done
But I don't wanna live that way, reading into every word you say
You said that you could let it go
And I wouldn't catch you hung up on somebody that you used to know

É a vez dela contar sua versão. Ela diz, suavemente, que também lembra de todas as vezes que ele a sacaneou e ainda a fez acreditar que a culpa era dela. Aí ela muda o tom: "Não quero viver assim, tentando adivinhar o que você quer dizer. Você disse que estava tudo no passado e que eu não o pegaria ainda xonado em.....alguém que você conhecia!" BUFO!

But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened and that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger and that feels so rough
No, you didn't have to stoop so low
Have you friends collect your records and then change your number
I guess that I don't need that though
Now you're just somebody that I used to know

E ele ainda reclamando que foi cortado da vida dela. Por que? Ela é só alguém que ele conhecia. Acho que ela fez certo em buscar todos os discos. #prontofalei

O video é interessante, ele se misturando com a pintura do fundo, como se estivesse sendo apagado.

E vamos cantar com Go-Tee-Yay.......You didn't have to cut me off!!!




O sucesso é tanto que já apareceu em Glee (que fez uma abordagem diferente usando 2 irmãos), tem uma versão com 5 pessoas tocando UM violão, tem a versão Star Wars (reclamando das mudanças que o George Lucas fez), tem uma do College Humor e uma que me fez rir muito (dois caras no carro que não aguentam mais escutar essa música, mas não resistem ao refrão.)

13.7.12

Londres Pré-Olimpíadas




As Olimpíadas começam em duas semanas, no dia 27 de julho, e Londres já está preparada e organizada. (#ficadica Brasil) Arenas prontas, metrô sinalizado e uma população sendo preparada para enfrentar uma cidade que vai receber muitos e muitos turistas a mais. O clima pré-Olimpíadas estava ótimo, cidade cheia, todos nas ruas, parques, pubs lotados e dias longos deixando todos animados.

Tenho certeza que essa Olimpíada será maravilhosa. Verei tudo em detalhes na minha TV. Então aqui está um pouco do meu passeio pela Londres pré-olímpica.

st. pancreas station
na grama do parque
cavalinhos no british museum
metrô sinalizado (volei de praia será no Horse Guards Parade)
colorido

covent garden

picadilly sempre cheia

regent street com todas as bandeiras
harrods
biscoitinhos fortnum & mason
street art 



street art
bebida clássica do verão londrino. delícia.
família passeando



a prefeitura
passando na ponte

towers of london

st. katherine's dock abbey road style

brick lane animada no domingo
pub das vítimas do jack



oi big ben!
relógio contando os dias para as paraolimpíadas
 E a viagem terminou aqui, na querida Londres, uma cidade para voltar sempre.

Mais fotos no Flickr.

12.7.12

Cabine Parade

cabine the clash

As tradicionais cabines telefônicas inglesas foram criadas por Sir Giles Gilbert Scott para comemorar o Jubileu de Prata do Rei George V (avô da Rainha Elizabeth II) em 1935.

Então, para o Jubileu de Diamante da Rainha Elizabeth, quiseram fazer algo para celebrar e surgiu o projeto BT ArtBox.

O projeto propõe que artistas criem o que quiserem usando a cabine. O resultado está exposto por toda Londres e no fim do verão as cabines serão leiloadas na National Gallery para angariar fundos para a ChildLine.

Passeando pelos principais pontos de Londres é certeza encontrar uma ou mais cabines, estão todas muito divertidas e algumas são até interativas.



essa era interativa, com um olho mágico







Com a facilidade dos celulares, e o aumento do número de aparelhos, as cabines estão caindo em desuso.

Precisei telefonar, não tinha um chip local (e nem sou louca de rasgar dinheiro usando meu chip do Brasil), e procurei uma cabine. Encontrei várias coloridas do projeto, algumas normais que não funcionavam, outras que era impossível ficar dentro devido odores não identificados, e depois de um tempo consegui usar o telefone público. Ufa!


Espero que as cabines não desapareçam porque uma bateria não dura para sempre.

10.7.12

Charles Dickens Walk



Da outra vez que estive em Londres fiz a caminhada do Jack, e decidi que iria fazer um desses walking tours toda vez que viesse a cidade. Dessa vez escolhi A Londres de Charles Dickens.

Charles Dickens é um dos grandes escritores ingleses, um excelente crítico social de sua época e um exímio conhecedor de Londres e seus moradores. A história pessoal de Dickens é tão interessante quanto seus livros, mesmo porque muitas de suas histórias são baseadas em sua vida.



Eu li: Oliver Twist, David Copperfield, Grandes Esperanças e A Tale of Two Cities.

Nascido em Portsmouth em 1812, ele teve uma vida boa até seu pai ir preso (por dever dinheiro). A mãe e irmãos mais novos foram morar com o pai na prisão para economizar e o pequeno Charles teve que ficar com uma amiga da família em Camden Town. Aos 12 anos teve que largar a escola e trabalhar numa fábrica (onde ele observou as condições de trabalho e a dureza da vida de operário). A avó morreu e deixou uma herança que tirou o pai da cadeia, mas a mãe insistiu que ele continuasse trabalhando na fábrica. Quem mandou Dickens de volta para escola foi seu pai quando o viu trabalhando na vitrine da fábrica.

Charles Dickens estudou e foi trabalhar como escriturário/estenógrafo em um escritório de advocacia. Ele era cheio de energia, tinha insônia, andava muito pela cidade, e aos 20 anos começou a escrever histórias para uma revista. Seu primeiro sucesso foi The Pickwick Papers, uma crônica sobre a vida londrina que foi escrita originalmente como um seriado (histórias publicadas em partes nas revistas). Aos 26 anos ele escreveu Oliver Twist, um de seus clássicos.

the royal courts of justice
Todos os livros de Dickens eram histórias seriadas e ele era o rei do cliffhanger, deixando seus leitores todos em suspense, curiosos, esperando o próximo capítulo. Por isso, até hoje, suas histórias traduzem bem para veículos modernos como a televisão. Ele também era um entusiasta do teatro, gostava de escrever peças e de atuar nelas.



Charles Dickens não é um escritor que só ficou famoso depois de muitos livros, ou depois de morrer, ele adquiriu fama desde cedo e ganhou muito dinheiro escrevendo e mais tarde fazendo leituras de suas histórias.

Sua vida pessoal é cheia de fofocas. Ele se casou, depois separou, havia rumores de um caso com a cunhada e com uma atriz. A Rainha Victoria quis conhecê-lo e nas duas ocasiões ele disse não. Polêmico. Charles Dickens também era um filantropo, ajudava muito os mais pobres, desde doações até as críticas que escrevia em suas histórias, fazia o que podia para melhorar a vida das pessoas.

Uma das coisas que o guia disse de Oliver Twist, é que hoje é só uma excelente história, que nós não precisamos saber exatamente qual era a situação política e social da época para entender e gostar do livro. Na época em que foi escrito e publicado foi uma crítica ao sistema social vitoriano, especialmente as workhouses (casas de trabalho para os pobres).

O walking tour começa na estação de metrô Temple, na beira do Tamisa, e ali já ficamos sabendo de toda infância de Dickens e como era Londres nessa época (sem nenhum saneamento - que só começou a ser feito em 1854). A primeira parada é em Temple, uma área, até calma, no centro de Londres onde ficam os principais prédios de escritórios de advogados, alguns tribunais, a OAB inglesa, e é perto do palácio de justiça. Dickens trabalhou ali e alguns de seus personagens viviam ali, como Pip de Grandes Esperanças.




pip morava nesse prédio

Andamos por trás da London School Of Economics, área onde era a bolsa de valores na época do Dickens e tem até o pub que ele frequentava. Ali perto fica a The Old Curiosity Shop, título e tema de um dos livros de Dickens. Depois um passeio pela Russell Street até o Theatre Royal Drury Lane, onde Dickes atuava com suas filhas em peças. E no outro quarteirão, perto de Covent Garden, ficava o escritório da revista onde Dickens publicava suas histórias e recebia amigos nos andares de cima. Hoje é um café.


No meio do tour o guia parou para mostrar onde foi filmado o banco Gringotts no filme do Harry Potter. Aí me perguntei: "o que diabos tem o Harry Potter a ver com o Charles Dickens?" e achei que foi só uma curiosidade. Mais na frente ele nos disse que assim como Harry Potter, os livros de Dickens, na época, também renderam peças de teatro e merchandising, sendo que Dickens não ganhou nenhum tostão com isso, enquanto que JK Rowling, bem, vocês sabem.

O tour termina perto de Covent Garden, em frente a vitrine do que era a fábrica onde Charles Dickens trabalhou quando criança e o guia nos conta como seu pai passou ali, o viu, e mandou ele voltar para escola. Ainda bem.

O guia era muito bom, e mesmo para quem nunca leu Dickens, vale a pena. Garanto que depois dessas duas horas a primeira parada vai ser numa livraria para comprar Oliver Twist ou David Copperfield e a segunda vai ser no parque para começar a ler.
"It was the best of times, it was the worst of times, it was the age of wisdom, it was the age of foolishness, it was the epoch of belief, it was the epoch of incredulity, it was the season of Light, it was the season of Darkness, it was the spring of hope, it was the winter of despair, we had everything before us, we had nothing before us, we were all going direct to heaven, we were all going direct the other way - in short, the period was so far like the present period, that some of its noisiest authorities insisted on its being received, for good or for evil, in the superlative degree of comparison only." (A Tale of Two Cities)
Muitos lugares em Londres tem o nome do escritor ou de seus personagens. Fui tomar uma cervejinha no The Dickens Inn, um pub em St. Katherine's Dock, uma área tranquila bem do lado da Torre de Londres. Dentro tinha mais uma frase de The Tale of Two Cities, apropriada ao bar: "Those were drinking days and most men drank hard.", Dickens devia saber que esses drinking days continuariam até hoje.



A casa-museu do Charles Dickens fica em Bloomsbury, perto da estação de metrô Russell Square ou Holborn. Está passando por uma reforma e estará fechada até dezembro de 2012 (justamente o ano do bicentenário de nascimento do escritor, go figure.)