23.11.13

De Uyuni para o Atacama (1)

Existem algumas maneiras de atravessar o Salar do Uyuni e o deserto até chegar na fronteira com o Chile. As opções geralmente envolvem um carro 4x4, mas tem quem se aventure em bicicletas. Para ir de carro pode ser num tour coletivo ou num tour privado. O tour coletivo é bem mais barato e envolve dividir uma camionete 4x4 com outras 5 pessoas, mais o motorista e uma cozinheira. O tour coletivo dorme em refúgios que, pelo que li tem camas confortáveis e comida boa, mas as vezes falta banho quente, ou falta banho ponto. No tour privado é só seu grupo (eramos 3) no carro com o motorista e te dão a opção de dormir nos refúgios (fica mais barato) ou em hotéis construídos para dar um certo conforto. Nós fomos na opção mais confortável, ou deveria dizer, menos desconfortável. Todos os tours (barato e caro) incluem o carro 4x4 com motorista, comida e hospedagem.

fila de tours

O pessoal de Uyuni controla totalmente esse mercado. Os motoristas são os donos dos carros e são contratados através das agências. Também são eles que fazem as reservas nos hotéis e refúgios que são administrados por comunidades locais. Mesmo que você contrate o tour no Atacama, quando chegar na fronteira com a Bolívia seu motorista Uyuniano (Uyuniense?) estará lá te esperando.

Tem os tours de 3 noites que geralmente começam e terminam no mesmo lugar (Uyuni ou San Pedro do Atacama) e os de 2 noites, que fizemos, começando em Uyuni e terminando em San Pedro do Atacama. De todo jeito (coletivo ou particular) é uma aventura que vale muito a pena!

A nossa aventura começou no cemitério de trens de Uyuni. Sinceramente não achei nada demais, mas rende umas fotos interessantes.



A próxima parada foi uma cidadezinha, Colchani, com mais western feellings do que Uyuni, com trilho de trem na rua principal e casas feitas com tijolos de corais. Nessa cidadezinha vimos como é o processo da fabricação de sal feito pelos locais, tudo manual.

parede de corais


Depois de ver algumas barraquinhas de souvenirs, fomos ver alguns montinhos de sal acumulados para colheita e depois entramos de fato no belíssimo Salar de Uyuni, que fica a 3700 metros de altitude.



Salar de Uyuni é o maior deserto de sal do mundo. A camada de sal varia de 2 metros a 10 metros, é preciso saber onde o sal é firme ou então o carro atola mesmo. Na época de chuva (entre dezembro e fevereiro) não dá para circular por muitos pontos do Salar, mas tem aquelas poças d'água refletindo o céu dando sensação de infinito. Nós fomos na seca (novembro) e é uma coisa linda. Branco, infinito, dá vontade de sair andando e gritando.

as ilhas parecem flutuar



Rodamos uns 40 minutos pelo sal até chegar na Ilha Incahuasi, uma ilha cheia de cactus enormes com uma trilha até o topo com uma vista espetacular.

a ilha


Almoçamos na ilha e voltamos para o salar para fazer aquelas fotos clássicas de perspectiva (e pagar um mico, claro).



Seguimos para a vila de Chantani, que fica no pé de um vulcão colorido, onde vivem 4 famílias, mas tem um mini museu e uma espécie de parque com esculturas de pedras (e algumas múmias enterradas num buraco).

chantani


Terminamos o dia no Hotel de Sal em Tahua (as camas, sofá, cadeiras, paredes, eram tudo de sal) com um por do sol lindo.

22.11.13

Potosí e Uyuni

De Sucre para Uyuni, onde saem os tours para o Salar, é uma viagem de 6 horas de carro passando por Potosí. Para ir de ônibus tem que pegar um até Potosí, esperar algumas horas e pegar outro até Uyuni (ônibus sem banheiro interno). Nós tinhamos pensado em contratar um taxi para nos levar mas fomos informados que o pessoal de Uyuni é muito controlador com quem opera na sua área e só poucos carros são autorizados a fazer o trajeto (segundo o cara da agência local em Sucre : "the people there are mean".  No meio da estrada tem pedágios oficiais e não oficiais). Acabamos contratando uma minivan com motorista (autorizado) que nos levou até Uyuni com um pit stop em Potosi.

ponte sobre o rio seco
buraco coração na montanha
chola pastorando as ovelhas

A estrada de Sucre até Potosi e depois até Uyuni é muito boa, e a paisagem belíssima. Foi uma viagem muito agradável.

vila

Potosí em algum ponto do século 17 foi uma das cidades mais ricas do mundo por causa da exploração da prata que era enviada a Espanha. A cidade fica aos pés do Cerro Rico, uma montanha que parece uma pirâmide, de onde são extraídos os minérios.

rua com o cerro rico ao fundo
cholas em potosí

A cidade fica a 4000 metros de altitude, e você sente cada molécula de oxigênio faltando enquanto anda pela cidade. Passamos pouco tempo lá, só vimos a praça principal e algumas ruelas adjacentes. Tem muitas construções coloniais, ruas estreitas, quase sem calçadas e muita gente andando nas ruas. O passeio mais popular em Potosí é visitar as minas, mas esse não fizemos.

em potosí quem ajuda atravessar a rua é
um cachorro

Uyuni é a cidade na porta do salar, fica a 3700 metros de altitude. É basicamente terra de ninguém. Sabe aqueles lugares nos filmes western que os cavaleiros forasteiros chegam e o vento sopra a poeira e aquelas bolinhas de galhos secos? Pois é, Uyuni é quase isso, sem o charme das construções de madeira (com muito concreto e tijolo), e ao invés de um saloon tem muitas pizzarias. O turismo está crescendo, muitos estrangeiros passam ali, e o crescimento rápido da cidadezinha é visível.

no meio do nada tem uyuni
avenida principal
cholas colocando a conversa em dia

(Foi mais ou menos nessa área que pegaram o Butch Cassidy e o Sundance Kid)

Uyuni é onde começa (ou termina) a aventura no salar. É de lá que partiu o tour que ia nos levou por 3 dias atravessando o salar e o deserto até o Atacama no Chile.


20.11.13

Sucre

Sucre é a capital constitucional da Bolivia. Chegando de avião dá para ver que a cidade fica em colinas, com o centro histórico todo branco rodeado de bairros com casas de tijolos aparentes.

caminhar pela cidade é
sobe e desce

Sucre fica a 2800 metros de altitude. O clima é agradável, durante o dia no sol esquentava um pouquinho, mas a maior parte do tempo era fresco.



A cidade é bonitinha com seus prédios coloniais e várias igrejas, tudo branco (ou com a maior parte branca). Também tem aquelas sacadinhas de madeira. É patrimônio da UNESCO.



Sucre estava cheia de estrangeiros que passam por ali para começar (ou terminar) uma aventura no Salar do Uyuni (nosso caso) ou para fazer curso de espanhol.



É uma cidade muito agradável e tranquila, com muitos bares, restaurantes e pousadas. Também é cheia de jovens que frequentam a universidade. Comemos bem em Sucre, particularmente gostei dos sucos de frutas (que vinham em jarras de 1,5 litros!) e dos chocolates (lá tem uma fábrica).

casa de la liberdad de 1621 e onde
simon bolivar escreveu a constituição
essas zebras fanfarronas ajudam na travessia de
pedestres na praça


Em Sucre se vê mais bolivianos típicos com roupas tradicionais em todos os cantos da cidade. Inclusive quando estavamos fazendo um people watching na praça presenciamos uma manifestação de cholas (as bolivianas que se vestem tipicamente com saias rodadas, chales colorido, cabelos em 2 tranças e chapéu). Inclusive as garis que são cholas tem uma roupa de trabalho apropriada as tradições com saia rodada e tudo.

artesanato
familia

18.11.13

Santa Cruz de la Sierra

A viagem começou pela Bolívia. Nossa primeira parada foi Santa Cruz de la Sierra, antes de seguir para Sucre, para um descanso do pinga pinga de voos que fizemos desde Fortaleza.



Tem lugares que habitam as listas de desejos, outros que cogitamos em algum ponto, outros que estão no fim da fila e alguns que a gente nem lembra que existe.



A Bolivia estava na fila dos lugares cogitados, mas Santa Cruz, especificamente, é um dos lugares que eu nunca pensei que fosse conhecer.



Do caminho do aeroporto (Viru Viru, adorei esse nome) para o centro histórico deu para ver que é uma cidade espalhada mas não é grande e tem muitos jovens.



Santa Cruz é o polo econômico da Bolívia, é lá que está a industria petroquimica. Também é onde ficam as principais universidades do país.



O centro histórico é cheio de casas antigas com estruturas de madeira, no estilo vila espanhola com pátios centrais. A praça tem a igreja, prédios do governo, o teatro e muitos engraxates.



E foi em Santa Cruz onde eu dormi uma noite inteira antes de encarar noites mal dormidas por causa das altitudes acima de 2000 metros que viriam a seguir.


8.11.13

Malas prontas

Um mês em casa está bom né? Time to hit the road. Dessa vez vou para lugares que nunca fui em um país inédito para mim e em dois países conhecidos.

 

 

Se der escrevo de lá, mas pode deixar que na volta conto tudo.

Quem quiser pode acompanhar pelo twitter e instagram.

Hasta luego!

4.11.13

Book Report: Longbourn - Jo Baker

É incrível o alcance que Orgulho e Preconceito tem até hoje. Apesar de ser um livro romântico sobre irmãs e seus interesses amorosos no século 19, continua com uma premissa atual e ainda tem um dos homens mais desejados da ficção: Mr. Darcy (Heathcliff, um beijo, tiamo). E é muito bem escrito pela fantástica Jane Austen.

Claro que fan fiction iria surgir e várias histórias derivam desse clássico da literatura desde O Diário de Bridget Jones até o duvidoso Orgulho e Preconceito e Zumbis.

Em Longbourn temos a família Bennet e os acontecimentos de Orgulho e Preconceito como pano de fundo para uma história sobre os empregados da casa. É uma visão particular já que nos livros da Jane Austen só sabemos como as moças da sociedade pensam, que elas sabem costurar, ler e escrever. Dessa vez temos os bastidores de como as roupas são lavadas (detalhadamente), botas sujas de lama são limpas, pratos lavados, bilhetes que tem que ser levados na chuva e no frio, e todas as outras coisas para manter as moças da casa pensando, lendo, escrevendo e tocando piano para arranjarem um marido. As moças Bennet vistas do ponto de vista da cozinha podem ser mimadas.

Em Longbourn temos a empregada Sarah que, desde que seus pais morreram, foi meio que adotada pela Sra. Hill, a housekeeper e cozinheira. A Sra Hill tem um marido que é o mordomo da casa e é mais velho. Para ajudar a Sarah nos serviços mais pesados tem a Polly, que é outra a empregada ainda criança (de uns 12 anos). E um belo dia chega o James Smith, um cara misterioso, calado, bonitão, que veio para ser o footman (copeiro?) e motorista de carruagem.

Em Orgulho e Preconceito os empregados aparecem pouquíssimo e não influem na história. Em Longbourn os donos da casa aparecem aqui e ali, mas tem mais influência do desenrolar das coisas.

A linha temporal segue os eventos de Orgulho e Preconceito. Então temos as empregadas tendo que arrumar os vestidos para o baile, a Sarah tem que levar um recado na casa do Sr. Bingley, o James é dispensado de dirigir a carruagem quando a Sra. Bennet quer que a Jane pegue uma chuva para ficar na casa dos Bingley, e claro que temos as situações que as empregadas estavam presentes e escutaram as conversas.

Longbourn é também sobre o romance de Sarah e James. A Sarah no início desconfia do James, e até se interessa pelo footman do Sr. Bingley. Enquanto as moças donas da casa se preocupam com o que os gentlemen possam pensar e esperam eles tomarem iniciativa, na cozinha a coisa acontece com mais liberdade. Sarah se contém apenas por indicação da Sra. Hill que se preocupa com a reputação da família, mas Sarah faz o que quer.

É curioso que a Sra. Hill está constantemente preocupada com quem vai herdar a casa porque ela sabe que sua vida depende disso (mesmo que não fossem escravos e teoricamente poderiam procurar emprego em qualquer outra casa). O mais interessante é a relação da Sra. Bennet com a Sra. Hill, já que a dona da casa sabe que a cozinheira tem mais moral com o Sr. Bennet do que ela.

A Sarah por sua vez não tem laços tão fortes com a família e cogita várias vezes ter uma vida independente. O James é misterioso, ele se interessa pela Sarah (e vice versa) e tenta manter um low profile. A história do James é interessante.

Esse livro vai um pouco além do que é contado em Orgulho e Preconceito. Apresenta e desenvolve os funcionários da casa e nos dá nova visão sobre personagens: alguns ficaram mais interessantes (como o Sr. Collins e o Sr. Bennet) e outros mais maldosos (o Sr. Wickham).

O Sr. Darcy aparece pouquíssimo, ele é a estrela do outro livro, mas quando aparece ficou estranho, quase um bully com empregados. A Elizabeth Bennet desse livro é um pouco fora do que ela é no livro original, cheia de dúvidas que não cabem a personagem. Na minha opinião faltou um pouco de humor. Fora isso, achei o livro bom, principalmente pelos detalhes de como cuidar de uma casa no século 19. Se em Downton Abbey a família de 5 pessoas tem uns 15 empregados e a vida é corrida, imagina 5 empregados para uma família de 7 pessoas que moravam no interior e andavam na lama o tempo todo?

Não é a toa que o maior sonho de Sarah é andar nas ruas calçadas de Londres.

(um beijo para quem inventou a máquina de lavar roupa)

2.11.13

Thor 2

Thor no mundo sombrio.

Confesso que fui ver esse filme mais pelo Loki do que pelo Loirão (ou como bem colocou o pessoal do Honest Trailers: The thunder from down under. Afinal, Chris Hemsworth tomou leitinho de sobra). Thor é lindão, deus do trovão, mas seu irmão adotivo é a coisa mais divertida dessa franquia.



Loki fez uma jogada arriscada ao tentar ser o rei da Terra e provocar raivinha nos Avengers. O Thor levou ele de volta para casa e Loki foi condenado a fazer o manequim numa vitrine da prisão de Asgard.

Thor foi lutar com azamigues nos outros reinos para manter a paz e ele arrasa com seu martelão. A cada vitória rola uma festinha no pub local, mas nosso Loirão querido anda tristinho com saudades da sem graça da Jane Foster. A Jane por sua vez começou a sair da fossa de dois anos desde que o Thor foi embora e nem ligou, nem mandou carta, nem e-mail, nem whatsapp. Aí ela descobre com a amiga Darcy uma espécie de passagem para outro mundo. A Jane encontra um monolito, cheira o éter da escuridão e os problemas de Thor só começam.

Tem uns elfos escuros que estão esperando os mundos alinharem para se vingar da galera de Asgard e apagar a luz.

Temos: batalhas, Loki sendo genial, Thor sem camisa, o Luther (não sei o nome do Idris Elba nesse filme) participando mais, muito amor pelo Thor usando o metrô para chegar numa batalha, momentos tensos, e outras coisas que fazem esse filme divertido.

A única coisa que não gosto nesse filme é da Natalie Portman. Gente, química zero com o Loirão, e ele tem química até com um martelo! Essa paixonite dele pela Jane não me convence e se colocassem um grilo falante nerd no lugar dela fazia o mesmo efeito. E olha que a Jane é uma personagem forte, inteligente, resolve problemas, poderia ser menos mulherzinha. Sem contar que ela só traz tragédia para a vida do Thor.

Mais Loki e menos Jane no próximo filme, please. Aliás, Loki para rainha rei de bateria de qualquer escola de samba no próximo carnaval.

A Tia Helo ia torcer o nariz para todo o drama familiar em Asgard e diria 329 "Ai, Jesus!" para essa coisa de que antes da luz tinha escuridão.