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9.6.20

Analisando a música: Heavy (Orla Gartland)

Ainda respirando os ares de Normal People, estava escutando a playlist das músicas da série no spotify e tem vários artistas irlandeses novos.

Uma das músicas que gostei na série foi Did It To Myself da Orla Gartland, uma irlandesa de 25 anos que começou fazendo covers no youtube e em 2013 ela lançou seu primeiro disco. É só isso que sei dela.

Fui escutar as outras músicas e Orla Gartland faz um som pop melódico. Me lembrou um pouco a Florence Welch só que menos hipster (gosto da Florence and the Machine).

Heavy, que foi lançada em janeiro desse ano, me chamou a atenção porque parece uma música que já conheço (mas não sei qual). É melódica, o liricismo da letra se encaixa no ritmo da música e é bonita.

Aí parei para escutar a letra.

Orla  Gartland disse que escreveu essa música ano passado "when I was right in the thick of desperately missing someone and feeling sad as heck".

Heavy não toca em nenhum episódio de Normal People mas a BBC usou no trailer. Faz sentido.

A série é sobre Connell e Marianne e seu relacionamento desde o fim da adolescência na escola até os anos do início da vida adulta na universidade. É um relacionamento que vai e vem entre dois jovens apaixonados que tem muita intimidade mas também algumas dificuldades, desde comunicação a não saber lidar com sentimentos intensos.

A série é muito bem feita e bonita.

Não vou dar spoilers da série nessa análise. Vão assitir. Fica a dica.

Mas vamos ver o que a Orla Gartland fala na letra dessa música que é uma carta poética para um fim de relacionamento.


Do you think about me at night?
When the sky is losing light
I swear my head fills up with memories every time
Are you moving on with your life?
Did you find a job you like?
Always thought you could do anything

E parece que foi um fim recente. Não sei se foi um fim de relacionamento amistoso ou turbulento mas vamos ver se ao longo da música ela diz.

Ela começa perguntando "Você pensa em mim a noite?". Porque quando o céu vai perdendo a luz a cabeça dela sempre se enche de memórias.

Ela quer saber como ele (ou ela) está, se a vida seguiu e se está num emprego que gosta. Ela sempre acreditou que ele poderia fazer tudo.

And I've been running over all the things that I will never say to you
Like how I just wanna hang with you
And watch Grand Designs
And I've been trying to train my mind to put you in another category
But it's still not coming naturally
After all this time

E ela fica pensando em todas as coisas que nunca vai dizer para ele. Como ela gostaria de estar com ele, curtindo, e assistir Grand Designs (programa de arquitetura). Depois de um fim de relacionamento, que a outra pessoa sai da sua vida assim de uma vez, sente-se muito a falta das coisas mais simples e corriqueiras.

Ela está tentando condicionar sua mente a colocá-lo em outra categoria. De namorado para ex-namorado, ou para amigo, ou para apenas alguém que ela conhecia.

Mas é uma coisa que ainda não vem naturalmente para ela. Mesmo depois desse tempo todo. (Então o fim do relacionamento não é tão recente assim.)

So tell me why this has to be so heavy
Tell me why this has to be
‘Cause I really thought that we'd be cool
Some exception to the rule
But honestly, I think it has to be this heavy

E ela quer saber por que tudo isso tem que ser tão pesado. Ela achava que estaria tudo ok entre eles, que seriam algum tipo de exceção a regra, mas conclui que tem que ser pesado mesmo.

Sim. Para a vida seguir tem que ser assim.

I wish your mum and I could be friends
I think about her now and then
How we drove up to her house
I'll never see that dog again
I guess I needed a minute
To live a life without you in it
But you're in every stripey t-shirt that I own

Ela gostaria de continuar amiga da (ex) sogra, que pensa nela as vezes e sente saudade do cachorro. Porque no fim de relacionamento muitas vezes perde-se outras pessoas (e animais) que faziam parte da convivência.

"Acho que precisei de um tempo para viver uma vida sem você".  ("I guess I needed a minute, to live a life without you in it" palmas para essa frase.)

Mas ele está em cada camiseta listrada que ela tem.

A única solução é parar de usar as camisetas listradas por um tempo, exatamente esse tempo para se acostumar a vida sem esse relacionamento.

Ou não. Usa todas as camisetas listradas. Cada um passa pelo sofrimento como pode.

Oh, I've been running over all the things that I will never say to you
Like how I just wanna sing with you
As we're walking home
And I've been kissing different faces just to make it a reality
Oh, I did it for the therapy
But I felt alone

Ela continua pensando e relembrando todas as coisas que nunca vai dizer para ele. Como ela só quer cantar com ele enquanto voltam andando para casa.

E ela tem beijado rostos diferentes para ver se cai na real. (Quem nunca?)
Ou fez isso como terapia mesmo.

Mas se sentiu só.

So tell me why this has to be so heavy
Tell me why this has to be
‘Cause I really thought that we'd be cool (we'd be cool)
Some exception to the rule
But honestly, I think it has to be this heavy

Então o refrão mais uma vez. Ela quer saber por que isso tem que ser tão pesado e por que tem que ser.

Deve ter sido um término mais para o turbulento porque ela diz que achava que estaria tudo ok, que achava que eles dariam certo numa outra categoria, amigos talvez, (que estariam cool um com o outro), mas não aconteceu.

Eles não são exceção, e ela sabe que tem que ser pesado e tem que passar por tudo isso.


Do you think about, do you think about, think about
Do you think about, do you think about it too?

Ela termina querendo saber se ele também pensa sobre tudo isso. (acho que ela não vai ter uma resposta)


O video é com a letra da música e já começa com um coração partido.



29.3.20

Analisando a música: Flashdance....What a Feeling (Irene Cara)

A MTV surgiu no início dos anos 1980 (nos EUA) e fomos apresentados ao videoclip. As bandas começaram a fazer videos mais elaborados do que só a banda tocando. Com isso vários filmes dos anos 1980 apareceram com ótimas trilhas sonoras, filmes que não eram musicais. Músicas escolhidas a dedo para embalar cenas (como os videoclips), algumas compostas especificamente, e tão boas que o filme sem elas talvez não seja tão bom. Dirty Dancing, Footloose, About Last Night, Vision Quest, Ruas de Fogo, Flashdance e até Top Gun, para citar alguns filmes.

Nesses tempos de ficar em casa sobra tempo para ver muitas coisas, e mesmo com a grande oferta de filmes e séries novas, as vezes um bom e velho filme da sessão da tarde alegra os animos.

Essa semana pulando pelos canais do Telecine vi que ia passar Flashdance, adoro a trilha sonora desse filme, tem: Maniac do Michael Sambello (levanta a mão aí quem faz o passinho da corrida), Romeo da Donna Summer, Manhunt da Karen Kamon, Lady Lady Lady do Joe Esposito (que embalou muita dança lenta nas festinhas). Tem até Gloria da Laura Brannigan (ainda faço um analisando dessa).

Claro que assisti pela enésima vez. Vi Flashdance no cinema, depois em VHS, na sessão da tarde e sei lá mais onde. Flashdance é girl power.

A Alex é soldadora de dia e dançarina a noite (e ciclista). Ela dança numa espécie de casa noturna que não é um strip club mas tem números de dança mais sensuais. O "vilão" do filme é o dono do strip club vizinho que quer levar Alex e as outras para dançar sem roupa. Alex sonha em entrar para uma escola de dança que tem uma abordagem mais clássica, mas Alex nunca fez aula de ballet, ela aprendeu a dançar sozinha (e com os caras do break dance). Alex se envolve com seu chefe (o dono da fábrica), Nick, e é ela que toma algumas iniciativas (you go girl!). Alex também é amiga de uma senhora que era bailarina e as duas vão assistir ballets juntas. Essa senhora convence a Alex a se inscrever na melhor escola de dança da cidade. Alex pega o papel mas sabe que não tem currículo para se canditadar. O Nick consegue, através de seus contatos, que ela seja avaliada. Alex não gosta de Nick ter se metido mas ele diz: eu só consegui que você fosse avaliada, quem vai dançar é você.

Aí Alex vai e temos a cena final dela fazendo um pouco de todas as danças que aprendeu ao som de Flashdance...What a Feeling cantada pela Irene Cara.

É um filme bom? Gosto muito, memória afetiva, e, como disse, tem uma trilha sonora que vale a pena. A atuação da Jennifer Beals não é das melhores, ela não dança, nem passinhos básicos, foi uma dublê o tempo todo e dá para ver, a peruca é péssima, mas na dança final todo mundo se empolga.

A trilha sonora é tão boa que duas música concorreram ao Oscar: Maniac e Flashdance...What a Feeling. E as músicas concorrentes eram do filme Yentl (com a Barbra Streisand). Flashdance...What a Feeling ganhou e Irene Cara levou um Oscar para casa, e um Globo de Ouro e um Grammy.

Como é uma música composta para o filme a letra tem a ver com a história do filme, mas vamos analisar.

First when there's nothing
But a slow glowing dream
That your fear seems to hide
Deep inside you mind

Os compositores da música são: Giorgio Moroder, Keith Forsey e Irene Cara. O Giorgio Moroder tem um dedo em vários hits da década de 1980, um gênio do pop. A Irene Cara é cantora, atriz e bailarina, e foi ela que escreveu a letra porque ela entendia bem o que acontecia com a Alex do filme.

Então, a música começa lenta com ela dizendo que no início não tem nada além de um sonho que vai aparecendo devagar mas que os medos parecem querer escondê-lo lá no fundo da mente.

All alone I have cried
Silent tears full of pride
In a world made of steel
Made of stone

Ainda na parte lenta ela diz que tem chorado sozinha, lágrimas silenciosas cheias de orgulho (essa frase é ótima), num mundo feito de aço e de pedra. (o aço é referência direta ao trabalho de soldadora da Alex). A vida é dura.

Well, I hear the music
Close my eyes, feel the rhythm
Wrap around
Take a hold of my heart

Aqui o ritmo da música aumenta, entra a batida pop. Ela começa se animar com a música, fecha os olhos, sente o ritmo, se ajeita e segura (controla) o coração.

What a feeling
Being's believing
I can have it all
Now I'm dancing for my life

E temos o refrão: que sensação, ser é acreditar! (filosofou) E ela sente que pode ter tudo agora que está dançando pela vida. (que no filme é a parte que ela dança na avaliação da escola)

Take your passion
And make it happen
Pictures come alive
You can dance right through your life

E tem que acreditar, pegar o sonho, a paixão, e fazer acontecer. Fotos se tornam realidade e você pode dançar por toda vida.

Fotos se tornam realidade é uma boa maneira de dizer que algo que você só olha pode estar ao seu alcance.

Now I hear the music
Close my eyes I am rhythm
In a flash
It takes hold of my heart

Aqui ela repete que escuta a música, mas quando fecha os olhos ela é o ritmo e em instante domina o coração.

What a feeling
Being's believing
I can have it all
Now I'm dancing for my life

Take your passion
And make it happen
Pictures come alive
You can dance right through your life

E temos o refrão até o fim. Você pode dançar por toda sua vida, nem que seja para fazer o passinho da corrida para mexer o corpinho.


Esse video é quase um trailer do filme.





11.3.20

Analisando a múisca: Torn (Natalie Imbruglia)

No carnaval, no caminho entre Brasília e São Jorge, passamos boa parte da viagem escutando uma rádio de Brasília chamada Verde Oliva. Pelo menos até descobrir como conectava o Spotify ao som do carro.

Essa rádio tinha uma seleção para lá de aleatória. Num mesmo bloco tocava Legião Urbana, Destiny's Child, Red Hot Chili Peppers e Caetano. Músicas que iam dos anos 1970 (tocou Earth Wind and Fire) até sucessos de 2019.

Depois, já no Spotify, alguém colocou uma lista tão aleatória que apelidamos de Verde Oliva. E dessa lista saiu Torn da Natalie Imbruglia.

Essa música fez muito sucesso em 1998. Tocava em todos os lugares. Acho que a última vez que escutei esse hit talvez tenha sido em 1998 mesmo. Mas música chiclete é assim, 20 anos depois você ainda lembra da letra.

Da Natalie Imbruglia só lembro de 4 coisas: é australiana, que ela foi atriz antes de ser cantora (inclusive participou da mesma novela que Kylie Minogue), que ela teve esse hit e que casou com o vocalista do Silverchair (banda australiana que fez sucesso na mesma época), mas acho que se separaram há anos.

A Natalie Imbruglia continuou a carreira de cantora, mas, depois de Torn, nunca mais escutei nada dela. Na época cheguei a escutar Left Of The Middle, o disco que tem Torn, mas não me lembro de nenhuma outra música.

Torn não é da Natalie Imbruglia. É um cover de uma banda chamada Ednaswap e foi composta pelos integrantes dessa banda: Anne Preven, Scott Cutler e Philip Thornalley. Eles gravaram Torn em 1995, no seu primeiro disco, mas teve pouca atenção (e gosto dessa versão mais pesada).

Antes da própria Ednaswap (que nome de banda péssimo), em 1993, essa música teve uma versão em dinamarquês chamada Brændt gravada por Lis Sørensen. E em 1997 uma cantora norueguesa, Trine Rein, gravou a versão em inglês mais parecida com a que a Natalia Imbruglia lançou depois.

Anne Preven foi no programa do Howard Stern em 2000 e ele disse que ela gravou uma musica linda, cheia de sentimento, mas que não foi a lugar nenhum, aí veio a Natalie Imbruglia e fez sucesso com a mesma música. Ele perguntou se ela tinha raiva. Ela disse que no início era estranho e surreal que as palavras dela estava sendo cantada por outra pessoa num arranjo que ela não faria (e depois cantou uma versão acústica da música).

Mas a Anne já deve ter superado porque o dinheiro que ela deve ganhar até hoje dos direitos autorais dessa música não é pouco. Até o One Direction cantou Torn. Quando a música tem uma versão forró é porque dominou o mundo.

A versão da Natalie Imbruglia é bem pop, chega ser animada, mas é uma música sobre fim de relacionamento e decepção.


I thought I saw a man brought to life
He was warm, he came around and he was dignified
He showed me what it was to cry

Ela começa dizendo que achou que viu um homem que começou a viver (uma pessoa com vida), como se quando ela olhou para ele uma luz acendeu. Era um cara legal, afetuoso, chegou junto e era digno.
Aí ela diz que ele mostrou a ela o que era chorar. Aqui vejo duplo sentido: ela pode estar dizendo que ele a fez mais sensível OU que apesar de todas as qualidades anteriores ele a fez sofrer (e chorar).

Well you couldn't be that man that I adored
You don't seem to know, don't seem to care
What your heart is for
No, I don't know him anymore

Então ela diz que ele não poderia ser aquele homem que ela adorava, ele não sabe para o que serve o coração e não se importa. KD o homem que ela conhecia??

There's nothing where we used to lie
Conversation has run dry
That's what's going on
Nothing's fine I'm torn

Não existe mais nada onde eles deitavam (sobrou nem o cheiro no travesseiro), acabou o assunto e a conversa. E é isso que está acontecendo. Fim do relacionamento, nada está bem e ela está arrasada (destruída, despedaçada e qualquer outro sinônimo).

I'm all out of faith
This is how I feel
I'm cold and I am shamed
Lying naked on the floor
Illusion never changed
Into something real
Wide awake and I can see the perfect sky is torn
You're a little late
I'm already torn

Tão arrasada que perdeu toda esperança. Ela está com frio, envergonhada e deitada nua no chão. Fundo do poço. Ela se tocou que a ilusão que ela tinha nunca se transformou em realidade e agora que ela está bem acordada pode ver que não era nada do que ela imaginava (o céu perfeito foi destruído). E aí ela diz que ele está atrasado, que ela já está arrasada.

A Anne Preven disse pro Howard Stern que nessa última frase era o cara tentando voltar com a moça mas que ele já tinha feito ela sofrer demais e não adiantava mais.

Essa parte da letra na versão forró é assim:
Não adianta me pedir perdão
Se não cuidou, só maltratou
Feriu meu coração
Não quero mais voltar atrás
Eu vou viver longe de ti
Por favor me deixa em paz
Pode parar ...desse blá, blá, blá

Achei essa tradução da Aviões do Forró muito justa.

So I guess the fortune teller's right
I should have seen just what was there
And not some holy light
But you crawled beneath my veins and now
I don't care, I have no luck
I don't miss it all that much
There's just so many things
That I can't touch
I'm torn

Até numa vidente ela foi e bem que a cartomante avisou mas ela preferiu ver o homem acordado para vida do que realmente estava ali. Mas ele conseguiu se arrastar embaixo das veias dela (muito mais profundo que embaixo da pele) e agora ela não se  importa, a sorte acabou e ela nem sente mais falta.
Tem coisas demais que ela nem pode tocar (acredito que emocionalmente e fisicamente). ARRASADA.

I'm all out of faith
This is how I feel
I'm cold and I am shamed
Lying naked on the floor
Illusion never changed
Into something real
Wide awake and I can see the perfect sky is torn
You're a little late
I'm already torn

Torn

E ela repete o refrão até o fim, cheia de sentimento. Com um pouco de otimismo, mesmo ela estando despedaçada, pelo menos ela está dando um fora nele.

O video é um classico da MTV da época. É uma gravação de uma cena entre dois atores e depois o cenário vai sendo desfeito. Tem um momento que a Natalie Imbruglia faz uma dancinha estilo Renato Russo.







31.8.19

Analisando a música: Cold Little Heart (Michael Kiwanuka)

As séries da HBO costumam ter ótimas músicas de abertura, tanto que nem pulo a abertura e escuto a música todas as vezes. True Blood tinha Bad Things do Jace Everett, Treme tinha Treme Song do John Boutté, The Sopranos tinha Woke Up This Morning da Alabama 3, True Detective tinha Far From Any Road da Handsome Family, The Wire tinha Way Down In The Hole (cada temporada era uma versão diferente) , e até o a música tema de Game of Thrones era ótima.

A série mais recente da HBO que tem uma música que só me faz querer que a abertura dure mais alguns minutos é Big Little Lies. (Toda a trilha sonora dessa série é ótima.)

Cold Little Heart combina tanto com a abertura, que são cenas das estradas lindas da Highway 1 na California, que dá vontade de entrar num carro e dirigir com essa música, mesmo que seja na Beira Mar de Fortaleza.

Eu nunca tinha escutado essa música até ver a primeira temporada da série. E nem sabia quem era Michael Kiwanuka, esse inglês de Londres de 32 anos. Não sei classificar a música dele, diria que é um indie folk, mas uma coisa é certa: Michael Kiwanuka tem soul de sobra. Ele lançou seu primeiro disco Home Again em 2012 e o segundo Love & Hate em 2016. O terceiro vai sair esse ano em outubro.

Cold Little Heart é do segundo disco e quando a HBO pediu autorização para usar a música Michael Kiwanuka achou que seria alguma música de fundo, mas não, foi para os 90 segundos da abertura.

Outra música dele que tocou em uma série esse ano foi a ótima Love & Hate que estava em When They See Us da Netflix. (essa música já tocou em várias séries - Dear White People e Atlanta)

Big Little Lies é sobre um grupo de 5 mulheres que moram em Monterrey, na California, e se juntam em torno de um incidente que abalou a comunidade. Tem Nicole Kidman, Reese Witherspoon, Laura Dern, Zoe Kravitz e Shailene Woodley. A primeira temporada é ótima. A segunda foi boa mas achei desnecessária. Pronto, falei, mas vi a abertura até o fim todas as vezes.

Mas vamos saber que coraçãozinho frio é esse.

Cold Little Heart é a primeira música do disco Love & Hate e tem 10 minutos de duração (9:58 para ser exata). A introdução da música dura quase 5 minutos com um instrumental lindo, que é guitarra e vozes, e só depois disso a gente escuta o primeiro oooooh que começa a abertura da série.

Did you ever want it?
Did you want it bad?
Oh, my
It tears me apart
Did you ever fight it?
All of the pain, so much power
Running through my veins
Bleeding, I'm bleeding
My cold little heart
Oh, I can't stand myself

O oooooh inicial parece um vento soprando, uma coisa meio Morro dos Ventos Uivantes. Aí entra a batida com guitarra e vem a voz cheia de sentimento do Michael Kiwanuka.

"Alguma vez você quis? Quis muito, muito mesmo?"
 Quem quis o que?? Mistério. É algo que o deixa despedaçado. 
Aí ele pergunta "Você resistiu (ou lutou)?". 

Acho que essa música é uma DR, um relacionamento que acabou, ou está acabando.

Temos dor, muita dor, e temos poder correndo nas veias (que pode ser raiva). Ele está sangrando (sofrendo), "Meu pequeno coração frio, eu não aguento mais."

And I know
In my heart, in this cold heart
I can live or I can die
I believe if I just try
You believe in you and I
In you and I

O refrão que vem acompanhado de uma guitarra maravilhosa que se você escutar com fones de ouvido vai estar sempre do lado esquerdo. E no refrão ele diz que sabe que nesse coraçãozinho frio ele pode viver ou morrer mas acredita que se tentar a outra pessoa vai acreditar nos dois juntos. "Em você e eu."

E a guitarra vem com força num solo que parece um choro.

Did you ever notice?
I've been ashamed
All my life
I've been playing games
We can try to hide it
It's all the same
I've been losing you
One day at a time
Bleeding, I'm bleeding
My cold little heart
Oh, I can't stand myself

"Você já notou? Eu estive envergonhado." Hum, fez besteira. 
Ele diz que por toda vida fez joguinhos. "Podemos tentar esconder, mas é tudo a mesma coisa." Sabemos que joguinhos nunca acabam bem.
E ele sabe que está perdendo a outra pessoa um dia de cada vez. Ou seja, essa relação está enfraquecendo. Ele continua sofrendo e não aguenta mais. 

Força, coraçãozinho frio.

And I know
In my heart, in this cold heart
I can live or I can die
I believe if I just try
You believe in you and I
In you and I

Mas segue acreditando que se ele tentar vai dar certo. Que "Eu e você" vai continuar.

Maybe this time I can be strong
But since I know who I am
I'm probably wrong
Maybe this time I can go far
But thinking about where I've been
Ain't helping me start

Aí a música entra num fade out e essa estrofe final é só voz e guitarra. 
Ele diz que talvez dessa vez pode ser forte, mas como sabe quem é pode estar errado. Ele acha que pode ir mais longe mas quando pensa onde esteve não o ajuda a começar. 

Está difícil para o pequeno coração frio.

Quando ele termina de cantar, os outros instrumentos voltam e o fim dessa música lembra um pouco Wish You Were Here, ou Shine On You Crazy Diamond do Pink Floyd.


O video da música tem apenas 6 minutos, só com a parte cantada, mas acaba logo depois da última estrofe sem o finalzinho da música. Para quem quiser escutar os 10 minutos (e vale a pena) coloquei na lista do Analisando a música no Spotify




A abertura de Big Little Lies:

6.7.19

Analisando a música: Head Over Heels (The Go-Go's)

Essa semana fui assistir o novo filme do Spiderteen que, depois dos eventos de Vingadores Ultimato, ele vai para uma viagem pela Europa com os amigos da escola (afinal, ele e os amigos sumiram por 5 anos e voltaram ainda no high school).

O filme é divertido, o Spiderteen é fofis e Jake Gyllenhaal ocupa bem a tela do cinema. Tem uma parte realidade x ilusão que é ótima. No fim do filme, na hora que passa os créditos, toca Vacation das Go-Go's. Adorei. Acho que essa nova geração tem que conhecer essas banda ótimas da década de 1980, também tocou AC/DC nesse filme, mesmo Spiderteen achando que era Led Zeppelin, e tocou Ramones no filme anterior, Homecoming. No início do filme toca Whitney Houston, mas isso fica para outro post.

Eu gostava muito das Go-Go's, inclusive as vi ao vivo no primeiro Rock in Rio (1985). Tinha até uma camisa da banda.

A banda californiana de mulheres se formou em 1978 com Belinda Carlisle (vocais), Jane Wiedlin (guitarra), Charlote Caffey (guitarra), Elissa Bello (bateria) e Margot Olavarria (baixo). Depois a formação mudou, Margot e Elissa sairam da banda e entraram Kathy Valentine e Gina Schock.

The Go-Go's começou tocando um punk rock mas quando gravaram o primeiro disco já estavam mais com o pé no pop. O primeiro disco Beauty and the Beat (melhor título de disco com trocadilho) saiu em 1981 com o hit We've Got The Beat e Our Lips Are Sealed. A música do filme do Spiderteen, Vacation, está no segundo disco de 1982. Head Over Heels é do terceiro disco de 1984 chamado Talk Show.

A banda foi a primeira só de mulheres que tinha músicas compostas por elas e que elas tocavam seus instrumentos a ter um album (Beauty and the Beat) em número UM nas paradas americanas. Depois delas só as Dixie Chicks em 1999. Girl Power.

Antes do Rock in Rio o relacionamento entre as integrantes da banda já não ia bem, trocaram integrantes mais uma vez, mas depois do festival a banda acabou de vez.

Chegaram a fazer algumas reunions nos anos 1990 e em 2001 lançaram um disco chamado God Bless The Go-Go's. Desse último só conheço uma música.

Mesmo sem a banda, as integrantes continuaram trabalhando com música de uma forma ou de outra. Belinda Carlisle teve alguns hits pop entre eles Heaven Is a Place on Earth (1987).

Parece que as músicas das Go-Go's estão voltando porque o catálogo da banda está todo em um musical da Broadway chamado justamente Head Over Heels.

Eu tenho Head Over Heels na minha playlist de corrida e adoro. Quando toca dá um gás extra, sem contar que dá vontade de bater palmas no meio da corrida.

Mas vamos analisar para saber o que tem na letra dessa música que é uma concentração de energia.

Been running so long
I've nearly lost all track of time
In every direction
I couldn't see the warning signs
I must be losing it
'Cause my mind plays tricks on me
It looked so easy
But you know looks sometimes deceive

Essa música foi composta pela Kathy Valentine e Charlotte Caffey. Segundo elas é sobre uma garota que está se vendo com os desafios do dia a dia e chegou a conclusão que deveria deixar suas emoções guiarem um pouco, mas vamos ver se é isso mesmo.

Head over heels significa de cabeça para baixo (como quem vai fazer uma cambalhota), ou de pernas para o ar, é também uma expressão para estar (profundamente) apaixonada.

Então ela começa dizendo que esta correndo a tanto tempo que perdeu noção do tempo. Quem nunca? Esse correndo pode ser literal mas acho que aqui é a correria do dia a dia. E ela está correndo em todas as direções, tão envolvida na corrida que não viu os sinais de aviso.

Cuidado que é assim que alguém cai num buraco.

E ela diz que deve estar ficando louca porque sua mente a está enganando. Acontece que todos nós. Tudo parecia fácil mas as aparências enganam. FATO.

Claro que tem o pessoal do forum que acha que é sobre drogas e vício, e, como já disse em outros posts, tudo pode ser sobre drogas, mas acho que aqui se aplica mais a vida delas depois que ficaram famosas e devem ter se sentido sobrecarregadas de alguma forma.

Been running so fast
Right from the starting line
No more connections
I don't need any more advice
One hand's just reaching out
And one's just hanging on
It seem my weaknesses
Just keep going strong

Aqui ela diz que começou correndo rápido desde o início, ou seja, começou com gás total sem saber direito a distância a ser percorrida. Um erro de principiante, com o tempo a gente aprende que a corrida (e a vida) pode ser longa e é preciso ter ritmo e saber quando acelerar ou ir mais devagar. E como ela começou rápido demais perdeu as conexões, acha que não precisa de conselhos, mas uma mão está estendida (pedindo ajuda?) e a outra está segurando (para não cair?). Ela está tentando manter um equilíbrio mas parece que as fraquezas se mantém fortes (fim dessa frase é ótimo!).

Head over heels
Where should I go
Can't stop myself
Outta control
Head over heels
No time to think
Looks like the whole world's out of sync

E aí ela está de cabeça para baixo, revirada, não sabe onde ir, está fora de controle, não pensa e o mundo está fora de sincronia. OU ela é quem está fora de sincronia com o mundo.

Been running so hard
When what I need is to unwind
The voice of reason
Is one I left so far behind
I waited so long
So long to play this part
And just remembered
That I'd forgotten about my heart

Ela continua correndo num ritmo forte quando sabe que precisa se descontrair. A voz da razão ela deixou para trás há tempos (or isso está se fora de controle). Ela esperou tanto para chegar onde está que até então não tinha percebido que esqueceu do coração. Tão envolta pela correria que esqueceu que as vezes precisa parar para respirar, beber uma água, escutar o coração (ou a voz da razão) para saber como continuar.

Head over heels
Where should I go
Can't stop myself
Outta control
Head over heels
No time to think
Looks like the whole world's out of sync

E temos o refrão até o fim, com um solo de piano sensacional seguido de uma paradinha para a bateria e baixo cheios de ritmo.

Já que perdeu o controle e está aí dando cambalhotas tentando entram em sincronia com o mundo, é melhor fazer dançando né?

O video é simples com as garotas da banda tocando seus instrumentos num fundo colorido bem new wave dos anos 80. Duvido alguém ver esse video e não sair dançando igual a Belinda Carlisle.

2.3.19

Analisando a música: True Faith (New Order)

Uma das primeiras músicas que analisei foi Bizarre Love Triangle, as músicas do New Order são ótimas! Até hoje tenho o vinil do Substance, uma coletânea que eles lançaram em 1987 e escutei muito.

dois discos: cada um com 6 músicas
3 de cada lado
faixas enormes = músicas com muitos minutos

Além de Bizarre Love Triangle, tem Blue Monday, Perfect Kiss, Procession e True Faith. Todas muitos tocadas na época em todos os lugares. E tocam até hoje.

Aí mês passado a Calvin Klein lançou uma propaganda com os millenials da vez (o namorado da internet Noah Centineo, o fofo do Shawn Mendes, a Kendall Jenner e mais alguns) mostrando toda sua juventude na tela ao som de....wait for it...True Faith. E como eu disse no post de Don't Stop do Foster The People: propaganda é a alma do negócio, e quando é bem feita rende para todos os lados. Quando acertam na trilha sonora é sucesso garantido. Então temos: jovens seminus em todo seu tédio millenial ao som de New Order.

Acho que, desses millenials (alguns acho que já são geração Z), nenhum era nascido quando essa música foi lançada, o que mostra o quanto as músicas do New Order resistiram bem ao tempo.

No post de Bizarre Love Triangle disse que o New Order foi a banda que surgiu com o fim do Joy Division. E no post de Love Will Tear Us Apart (do Joy Division) contei a trágica história do Ian Curtis. O som do Joy Division era um pós-punk melódico e já o New Order abraçou os sons eletrônicos da década de 1980 e praticamente lançou um gênero.

Mas sobre o que é True Faith que está na boca desses xóvens?

Muitas pessoas no forum acham que essa é uma música sobre drogas. Sempre acham isso, e dessa vez talvez tenham razão.

O Peter Hook, baixista da banda, disse numa entrevista que: "True Faith é uma das melhores letras do New Order, na minha opinião, mas não, não é sobre heroína que é algo que nenhum das letras de nossas músicas menciona. Acho que é fácil de ver que a letra reflete estar sob alguma influência." Já o Bernard Sumner, guitarrista da banda, disse em outra entrevista que é sim sobre dependência de drogas, ele diz que quando escreveu a música imaginou o ponto de vista de um viciado.

Como influência, dependência e vício podem vir de várias coisas, inclusive drogas (legais e ilegais), vamos analisar a música.


I feel so extraordinary
Something's got a hold on me
I get this feeling I'm in motion
A sudden sense of liberty
I don't care 'cause I'm not there
And I don't care if I'm here tomorrow
Again and again I've taken too much
Of the things that cost you too much

Então temos uma pessoa se sentindo extraordinária, como se algo estivesse segurando (dando segurança). A sensação é de estar em movimento e de liberdade. Essa pessoa não se importa porque não está lá (está viajando na sensação) e também não se importa se não estiver aqui amanhã. Como diria a The Strokes, jovens de outra geração: YOLO, só se vive uma vez.
E repetidamente vem tirando muito das coisas que custam caro a outro. (Se for sobre um drogado essa é uma forma poética de dizer que está roubando)

Para começar temos alguém se sentindo a última coca-cola do deserto (gíria bem novinha) sem querer saber do amanhã e roubando coisas. Vamos colocar os cães para farejar.

I used to think that the days would never come
I'd see delight in the shade of the morning sun
My morning sun is the drug that brings me near
To the childhood I lost replaced by fear
I used to think that the day would never come
That my life would depend on the morning sun

E aí temos uma pessoa que nunca achou que sentiria prazer na sombra do sol matinal. Aí ele explica que o sol matinal pessoal dele é essa droga que o faz chegar mais perto da infância perdida que foi substituída pelo medo. E nunca achou que chegaria o dia que a vida iria depender desse sol da manhã para encarar a realidade.

O comercial da Calvin Klein usa a primeira estrofe e esse refrão na propaganda. Que dentro do conceito de vender a marca para jovens que não se preocupam muito com o que pode acontecer, dizer que usar aquelas cuecas justinhas dá sensação de liberdade faz todo sentido. E ainda tem esses millenials/geração Z que são super nostálgicos com infância (e mal sairam dela). Tio Calvin sabe das coisas além de frequentar a praia de Ipanema.

When I was a very small boy
Very small boys talked to me
Now that we've grown up together
They're afraid of what they see
That's the price that we all pay
And the value of destiny comes to nothing
I can't tell you where we're going
I guess there was just no way of knowing

Nosso narrador diz que quando era um menino, outros meninos falavam com ele. Agora que cresceram eles tem medo do que vêem. Será que os amigos tem medo de vê-lo nessa situação de junkie?

Nessa parte o Bernard Sumner disse que a frase original era "Now that we've grown up together, they are taking drugs with me" mas o produtor pediu para mudar porque com essa frase não seria um hit. Ou seja, os amigos foram de se drogar com ele para terem medo dele.

Mas ele diz que esse é o preço que todos pagamos, que destino é superestimado, afinal não tem como saber para onde vamos. Filosofou. É amigo, mas ainda assim temos que fazer escolhas apesar da incertezas.

I used to think that the day would never come
I'd see delight in the shade of the morning sun
My morning sun is the drug that brings me near
To the childhood I lost replaced by fear
I used to think that the day would never come
That my life would depend on the morning sun

E temos o refrão outra vez com as delícias da sombra do sol nascente. Essa droga que o traz mais perto da infância perdida para o medo. Ele nunca achou que chegaria o dia que a vida dele iria depender desse sol nascente para sobreviver. A busca pela anulação do medo.

I feel so extraordinary
Something's got a hold on me
I get this feeling I'm in motion
A sudden sense of liberty
The chances are we've gone too far
You took my time and you took my money
Now I fear you've left me standing
In a world that's so demanding

E ele continua se sentindo fora do normal, como se algo tomasse conta dele com aquele sentimento de liberdade. MAS as chances são que tenham (aqui ele usa o plural que pode ser ele e outra pessoa ou ele e as drogas) ido longe demais. E aí ele fala para esse alguém (ou alguma coisa): "Você levou meu tempo e meu dinheiro, e agora temo que você me deixou em um mundo que é muito exigente.".

Bem vindo ao mundo real.

I used to think that the day would never come
I'd see delight in the shade of the morning sun
My morning sun is the drug that brings me near
To the childhood I lost replaced by fear
I used to think that the day would never come
That my life would depend on the morning sun

Vício é difícil. Mesmo com a constatação que, apesar de se sentir extraordinário e livre, roubou, os amigos tem medo dele, ficou sem dinheiro, perdeu tempo da vida e ficou com medo que foi abandonado nesse mundo exigente, ele ainda vê o deleite da sombra e depende do morning sun. É quase uma caçada por um prazer de instantes.


Mesmo com o tema triste, essa música tem umas frases ótimas e uma batida que faz a gente querer dançar.

Acho video ótimo. É bem 1980 nas cores e conceito, adoro a coreografia e os tapas na cara na batida da música.




A propaganda para quem não viu. (mas esses millenials/geração Z gostam das roupas com a marca estampada)




George Michael gravou uma versão dessa música em 2011.

15.2.19

Analisando a música: Doo Wop - That Thing (Lauryn Hill)

Domingo passado teve o Grammy e esse ano foi uma premiação girl power. A apresentadora foi a Alicia Keys e já começou com Lady Gaga, J. Lo, Jada Pinkett e Michele Obama falando da importância da música.

Dolly Parton foi a homenageada da noite e cantou seus hits. Diana Ross também foi comemorar seus 75 anos cantando no palco.

Muita gente faltou: nada de Taylor Swift, Beyonce, Ariana Grande, e nem o Childish Gambino que levou os prêmios mais cobiçados (por This is America, justíssimos). O Drake ganhou um Grammy e no seu discurso mandou umas farpas precisas para a indústria da música (e foi cortado na hora pelos comerciais).

Das apresentações gostei da cantora H.E.R. que não conhecia mas agora já coloquei no spotify, a Lady Gaga fez uma versão bad romance de Shallow (música que ganhou 2 Grammys e vai rumo ao Oscar), o fofo do Shawn Mendes cantou seu hit In My Blood com a Miley Cyrus e essa parceria deu certo e Camila Cabello trouxe latinidade junto com Ricky Martin e seu hit Havana.

Janelle Monae se apresentou uma vibe Prince, a Brandy Carlisle (que eu também não conhecia) deixou o pessoal emocionado e a Kasey Musgrave tem uma voz linda.

A J.Lo se esforçou numa apresentação homenageando a Motown mas foi um erro. O Anthony Kiedis apareceu num terno estampado (achei moderno) com o resto do RHCP para fazer uma apresentação com o esquisito do Post Malone mas ficou estranho. E teve Cardi B, confesso que tenho preguiça dela e das músicas dela, não sou público alvo (mas ela foi a primeira mulher a ganhar um  Grammy de album de Rap).

Quem arrasou mesmo foi a Alicia Keys que sentou entre dois pianos e daquele jeito dela de cantar e conversar foi cantando músicas que ganharam o Grammy que gostaria de ter composto. Desde Killing Me Softly da Roberta Flack, Unforgettable do Nat King Cole, passando por Use Somebody do Kings Of Leon e terminou com sua (e do Jay-Z) Empire State of Mind.

No meio desse medley, Alicia cantou um pedaço de Doo Wop da Lauryn Hill e disse que gostaria de ter composto o disco inteiro.

The Miseducation of Lauryn Hill, de 1998, é um disco excelente e ganhou Grammy de melhor album. Lauryn Hill ganhou dois Grammys com essa música (musica e performance R&B).

A Lauryn Hill era do Fugees (que inclusive fez sucesso com uma versão de Killing Me Softly) e depois foi para carreira solo. Ela tem uma voz gostosa, mais para grave e muito melódica. O estilo dela é um rap melódico e R&B.

Em maio ela vem para o Brasil fazer um show só do The Miseducation of Lauryn Hill, que em 2018 fez 20 anos.

Acho rap/hip hop dificílimo de analisar, são muitas referências, falam muito rápido, mas vou tentar. Afinal o que é essa coisa (that thing)?

Vou fazer a versão da música que está no video. (A versão do disco tem uma introdução que é uma chamada para fazer doo wop e uma parte no fim depois que a música acaba. Tem no spotify.)

Doo Wop é um estilo de música que surgiu na década de 1940 onde os grupos cantavam nas ruas usando harmonias de vozes com melodias e uma batida simples com poucos (ou nenhum) instrumentos.

O estilo foi incorporado em várias músicas nos anos 1950 e 1960. Hoje tem até app para fazer música no estilo Doo Wop.

Na música da Lauryn Hill o Doo Wop é a parte do refrão e que começa a música:

Girls you know you'd better watch out
Some guys, some guys are only about
That thing that thing, that thing

Então começa com um aviso as garotas: alguns caras só querem saber daquilo. Aquilo o que? (ok, sabemos o que é mas vamos passar por toda a música antes de concluir)

Sisterhood mode: ON.

It's been three weeks since you were looking for your friend
The one you let hit it and never called you again
'Member when he told you he was 'bout the Benjamins?
You act like you ain't hear him the give him a little trim
To begin, how you think you're really gon to pretend
Like you was't down and you called him again?
Plus, when you give it up so easy you ain't even foolin him
If you did then, then you'd probably fuck again
Talking out your neck, sayin' you're a christian
A muslim, sleeping with the jinn
Now that was the sin that did Jezebel in
Who you gon tell when the repercussions spin?
Showing off your ass 'cause you're thinking it's a trend
Girlfriend, let me break it down for you again
You know I only say it 'cause my true genuine
Don't be a hard rock when you really ar a gem
Baby girl, respect is just a minimum
Niggas fucked up and you still defending them
Now, Lauryn is only human
Don't think I haven't been through the same predicament
Let it sit inside your head like a million women in Philly, Penn
It's silly when girls sell their souls because it's in
Look at where you be in, hair weaves like Europeans
Fake nails done by Koreans
Come again
(My friend come again)

Ela começa dizendo para a amiga que já tem três semanas que o boy sumiu depois daquela noite e ela (a amiga) ainda está esperando ele ligar.
"Amiga, lembra que ele disse que é só curte ostentação?" Aqui a frase "'bout the Benjamins" se refere a uma música do Puff Daddy (P. Diddy, Sean Combs, ele tem muitos nomes) chamada It's All About The Benjamins que fala dessa ostentação. E benjamins é gíria para dinheiro.
"Amiga, parece que você ignorou o que ele disse e ainda assim deu bola (e outras coisas). E você acha que engana quem fingindo que não estava mal e ligando para ele? E MAIS, quando você se entrega assim tão fácil você não o enganou, porque se tivesse enganado teriam transado outra vez."
E a amiga ainda fica mentindo que é cristã (mas nada de abstinência), que é muçulmana mas gosta de uma bebida e fica mostrando a bunda como se fosse moda (1998 nos USA não era moda, mas no Brasil...) e Lauryn Hill a lembra que esses foram os pecados da Jezebel.
E ela desenha para a amiga: "Não seja uma rocha quando você realmente é uma pedra preciosa. Bebê, respeito é o mínimo que eles tem que ter eles fazem merda e você ainda fica aí defendendo?"
E Lauryn Hill confessa que é humana, que passou por tudo isso mas que mudou seu jeito de pensar assim como o um milhão de mulheres na marcha na Filadélfia (em 1997).
Mas essa frase é sensacional "deixe essa idéia sentar na sua cabeça como um milhão de mulheres da marcha da Filadélfia"
E para terminar ela manda: "É estupidez uma garota vender sua alma porque está na moda, olha como você está: perucas de cabelos de européias e unhas postiças feitas por coreanas."
Esse "come again" pode ser: repete aí, ou vamos voltar ou se liga, ou até a conotação sexual de gozar, mas nesse caso vou de repete aí.

Guys you know you'd better watch out
Some girls, some girls are only about
That thing that thing, that thing

Agora ela fala com os rapazes: queridos prestem atenção, algumas garotas só querem saber daquilo.

The second verse is dedicated to the men
More concerned with his rims and his Timbs than his women
Him and his men come in the club like hooligans
Don't care who they offend, poppin' yang (like you got yen!)
Let's stop pretend, the ones that pack pistols by their waist men
Cristal by the case men, still in their mother's basement
The pretty face men claiming that they be the big men
Need to take care of they three or four kids
And they face a court case when the child support is late
Money taking and heart breaking, now you wonder why women hate men
The sneaky, silent men
The punk, domestic violence men
Quick to shoot semen, stop acting like boys and be men
How you gonna win when you ain't right within?
Come again

Lauryn Hill dedica esse segundo verso aos caras que estão mais preocupados com seus aros (carros) e seus timberlands (aquela bota amarela) do que suas mulheres.
*Rims tem várias traduções: borda, aro, margem, as gírias sexuais, mas aqui fui com aros dos carros.
Os caras chegam nos bares como hooligans (marginais) e não estão nem aí para quem estão ofendendo, sendo convencidos e falando besteiras (como se tivessem ienes - din din japonês).
E vamos parar de fingir, todo mundo sabe que os caras com armas na cintura e caras que compram caixa de espumante na verdade ainda moram com suas mães.
Os caras bonitos que dizem ser "grandes". Os que precisam cuidar de três ou quatro filhos mas tem que ir no tribunal quando atrasa a pensão.
Dinheiro roubado, coração partido. E ainda se perguntam porque mulheres odeiam homens.
O cara covarde e silencioso.
O valentão, o cara da violência doméstica
Rápidos em espalhar o semen.
Parem de agir como garotos e sejam homens. Como vencer se não está certo por dentro (ou bem consigo mesmo)?

Watch out, watch out
Look out, look out

Tome cuidado, abra os olhos. (garotas e rapazes)

Girls you know you'd better watch out
Some guys, some guys are only about
That thing that thing, that thing
Guys you know you'd better watch out
Some girls, some girls are only about
That thing that thing, that thing

E no refrão final ela fala para meninos e meninas. Resumindo: todo mundo quer aquilo com respeito.

Música boa é assim, depois de 20 anos continua relevante.

O video são duas block parties (festas de rua), uma em 1960 e a outra em 1998.





PS. O Guilherme tinha me pedido para fazer o analisando dessa música da Lauryn Hill em 2017, deixou o comentário nesse post de GoT. Guilherme, foi com atraso mas saiu!


25.10.18

Analisando a música: Grace Kelly (MIKA)

Quando estava na Africa minha amiga só tocava Franz Ferdinand porque estava se preparando para o show que fomos semana passada. Em um dos dias em Cape Town, do nada, lembramos do MIKA, que ele andava sumido e que gostavamos muito de seu primeiro disco Life In A Cartoon Motion.

Minha amiga o viu ao vivo em Londres há uns 10 anos e disse que o show dele é ótimo.

MIKA é um cantor libanês britânico. Ele morou em Paris e na Inglaterra, fala francês, inglês, espanhol e italiano fluente. Ele começou tocar piano desde cedo e em 2006 ele lançou seu primeiro single Relax Take It Easy.

Em 2007 MIKA lançou Life In A Cartoon Motion com várias músicas que fizeram sucesso: Love Today, Big Girl, Billy Brown, My Interpretation, Happy Ending e a analisada da vez Grace Kelly que chegou a ocupar primeiro lugar no Reino Unido.

Em 2009 veio outro disco bom The Boy Who Knew Too Much que tem a ótima Rain e Blame It on The Girls.

Depois ele lançou mais dois discos Origin of Love (2012) e No Place In Heaven (2015) que não conheço bem as músicas, mas vou escutar e ficar em dia com o MIKA.

No início da carreira MIKA era comparado ao Freddie Mercury (com as devidas proporções), acho que pelo jeito expansivo dele no palco, é performático, e é um cantor que também é pianista, mas as semelhanças acabam aí. MIKA tem um tom de voz agudo que ele usa muito bem, não tem medo de assuntos polêmicos em suas músicas, faz tudo num tom muito divertido e várias músicas são dançantes.

MIKA compôs Grace Kelly depois que os executivos de uma gravadora disseram que ele deveria mudar para se encaixar em algum modelo pop, tentando moldá-lo em algo que eles queriam. Foi uma música que veio da frustação. Ele diz que mandou a letra para esses executivos, eles nunca deram retorno e depois ele conseguiu gravar seu disco do jeito que quis e incluiu essa música.

Música composta com sentimento é sempre boa, seja sobre amor, raiva, dor de cotovelo ou sobre querer ser quem você é.

Então vamos saber qual o recado que MIKA passou pros executivos da gravadora.

Para começar, para quem não sabe, Grace Kelly foi uma atriz americana que nos anos 1950 estava fazendo sucesso, fez filmes do Hitchcock (um deles foi o ótimo Janela Indiscreta de 1954), ganhou um Oscar por The Country Girl (1954), quando o Príncipe de Mônaco apareceu na vida dela, casaram em 1956 e ela foi ser princesa em Mônaco. Ela nunca voltou a atuar, apesar de ter sido oferecida alguns papéis, inclusive pelo Hitchcock, e faleceu em um acidente de carro em 1982.

grace kelly em janela indiscreta


I wanna talk to you

(The last time we talked, Mr. Smith, you reduced me to tears
I promise you, it won't happen again)

A música começa com o MIKA chamando alguém para uma conversa e entra essa fala da Grace Kelly em The Country Girl: "Sr. Smith, da última vez que conversamos você me fez chorar. Prometo que não vai acontecer outra vez." Ou seja, MIKA está preparado.

E tem outras falas dela inseridas na música.

Do I attract you?
Do I repulse you with my queasy smile?
Am I too dirty?
Am I too flirty?
Do I like what you like?

E a conversa começa com uma série de perguntas porque MIKA quer saber qual é o problema, por que querem que ele mude. É o sorriso enjoado? É o jeito sacana? Ou será que flerta demais? "Será que eu gosto do que você gosta?"

I could be wholesome
I could be loathsome
I guess I'm a little bit shy
Why don't you like me?
Why don't you like me without making me try?

E emenda com o que ele poderia ser: saudável ou detestável. Você escolhe. Mas ele é tímido e um pouco inseguro então quer saber porque essa pessoa não gosta dele, por que não gosta sem que ele tenha que se esforçar?

I tried to be Grace Kelly
But all her looks were too sad
So I tried a little Freddie
I've gone identity mad

E ele tenta bastante. Ele tentou ser a Grace Kelly mas seus looks (que podem ser olhares, figura, aparência) eram muito tristes e aí tentou ser Freddie (Mercury), em uma clara referência as comparações que faziam dele com o vocalista do Queen (nesse momento MIKA até faz um hum rum como o Freddie). Resumindo: não sabe mais quem é.

I could be brown
I could be blue
I could be violet sky
I could be hurtful
I could be purple
I could be anything you like
Gotta be green
Gotta be mean
Gotta be everything more
Why don't you like me?
Why don't you like me?
Why don't you walk out the door!

E temos um refrão muito melódico com uma lista de tudo que ele poderia ser: marrom, azul, céu violeta (adoro a subida que a música dá nessa frase), pode ser ofensivo, roxo (essa rima de hurtful com purple é ótima), qualquer coisa que queiram.

"Tenho que ser verde, malvado e tudo mais. Por que não gosta de mim?" e termina com o que imagino ser um fora "Já que você não gosta de mim que tal ir embora!". PAH!

(Getting angry doesn't solve anything)

Mais uma frase da Grace Kelly dizendo que ficar com raiva não resolve nada.

How can I help?
How can I help it?
How can I help what you think?
Hello, my baby
Hello, my baby
Putting my life on the brink
Why don't you like me?
Why don't you like me?
Why don't you like yourself?
Should I bend over?
Should I look older just to be put on your shelf?

E ele volta a um tom mais amigável (pero no mucho). "Como posso evitar? Como posso evitar o que você pensa? Oi querido, estou colocando minha vida na beira (do abismo?). Por que você não gosta de mim?"
E vem a melhor pergunta: "Por que você não gosta de você mesmo?"
"Devo me curvar? Devo parecer mais velho só para ser esquecido?"
Acho que não.

I tried to be Grace Kelly
But all her looks were too sad
So I tried a little Freddie
I've gone identity mad

Grace Kelly? Freddie? Chega de crise de identidade!

I could be brown
I could be blue
I could be violet sky
I could be hurtful
I could be purple
I could be anything you like
Gotta be green
Gotta be mean
Gotta be everything more
Why don't you like me?
Why don't you like me?
Why don't you walk out the door!

O refrão com tudo que ele pode ser.

Say what you want to satisfy yourself
But you only want what everybody else says you should want

E aqui o fora final: fale o que quiser para se satisfazer (ou se convencer) mas você é maria vai com as outras.

I could be brown
I could be blue
I could be violet sky
I could be hurtful
I could be purple
I could be anything you like
Gotta be green
Gotta be mean
Gotta be everything more
Why don't you like me?
Why don't you like me?
Why don't you walk out the door!

Esse refrão final que tem a lista de todas as possibilidades quer mesmo dizer: "posso ser o que quiser e a porta é a serventia da casa!"

(Humphrey, we're leaving)

E Grace Kelly concorda, vamos embora.

Kerching!

E termina com esse som de dinheiro entrando no caixa. Mika fez um bom din din com essa música e esse album sendo o que ele queria ser. Dorme com essa executivos da gravadora.

Os videos do MIKA são muito divertidos. Gostaria de ver um show dele.

26.8.18

Analisando a música: The Dark of the Matinée (Franz Ferdinand)

Em Natal (RN) tem um festival de música alternativa, o M.A.D.A., que esse ano vai completar sua vigésima edição. A sigla significa Música Alimento da Alma. Nunca fui nesse festival mas várias bandas boas passaram por lá, brasileiras e de fora.

Esse ano vai ter Franz Ferdinand, banda escocesa que gosto muito. Como é rara a presença de bandas assim fora do eixo Rio-SP e ainda mais ao norte de Recife, as amigas disseram "Bora?", mas é claro que bora! Então em outubro estaremos lá para ver Alex Kapranos e Cia, além de Baiana System e Francisco El Hombre.

Já vi Franz Ferdinand ao vivo duas vezes (em 2006 e 2010 no Rio) e é um dos shows mais animados que já presenciei. Essa é uma banda muito divertida com músicas dançantes. Então para me preparar para o show em outubro aí vai um analisando a música dos escoceses.

A banda Franz Ferdinand foi formada em Glasgow em 2002 por Alex Kapranos, Nick McCarthy, Bob Hardy e Paul Thomson. Nick McCarthy saiu em 2016 e no lugar dele entrou Julien Corrie.

O nome Franz Ferdinand vem de um cavalo de corrida chamado Archduke Ferdinand (o nome obviamente veio do duque austríaco) que eles gostaram tanto da sonoridade dos dois nomes com a letra F que pegaram para ser o nome da banda. O fato de ser o nome do duque que foi assassinado em 1914 sendo o estopim para a Primeira Grande Guerra foi só um detalhe a mais. (Inclusive eles tem uma música sobre o fato: Bang Bang (All For You Sophia))

Franz Ferdinand veio numa leva de ótimas bandas britânicas como: Kaiser Chiefs, Arctic Monkeys, Keane, Block PartyKasabian. Todas essas bandas (junto com outras como The Killers) tocavam em uma lugar alternativo underground que eu frequentava aqui em Fortaleza. Era o único lugar na cidade que tinha música indie boa.

A banda tem cinco albuns. Gosto muito dos dois primeiros: Franz Ferdinand (2004) que tem o primeiro hit Take Me Out, tem a ótima Darts of Pleasure, Jacqueline, Auf Achse, Michael; e You Could Have It So Much Better (2005) que tem a divertida Do You Want To, a lindinha Eleanor Put Your Boots On (até fizeram uma versão nova dessa música), Walk Away e I'm Your Villain.

O terceiro album Tonight: Franz Ferdinand (2009) veio com o som um pouco diferente e tem No You Girls e a ótima Bite Hard. Em 2013 lançaram o Right Thoughts, Right Words, Right Action seguindo a linha do Tonight e tem a ótima Bullet , Right Action e Fresh Strawberries.

Em 2018 Franz Ferdinand lançou Always Ascending um disco com um som muito diferente dos outros discos e tão dançante quanto. Esse disco novo é tão década de 1980 que, além de sintetizadores, tem até uma música com solo de saxofone (Feel The Love Go). Ainda estou me acostumando com as músicas desse disco já escutei algumas vezes e estou gostando.

(A banda ainda tem um projeto coletivo com uma banda americana chamada Sparks e em 2015 lançaram um disco como nome de FFS)

Na hora de escolher uma música para analisar foi difícil porque nunca prestei muita atenção nas letras deles então a vontade é de fazer todas. Tentei escolher pelos videos: o de Do You Want To é divertidíssimo, o de Take Me Out é vanguarda, o de Darts of Pleasure é doidinho, a versão nova de Eleanor é um desenho lindo, o de Bullet é metalinguagem, são tantos e variados que não é tarefa fácil. Decidi escolher por frase que gosto de repetir pela sonoridade e The Dark of The Matinee tem: "Find me and follow me through corridors, refectories...". Foi disputada com Darts Of Pleasure que tem duas frases em alemão que adoro cantar: Ich Heiße Superphantastich, Ich Trinke Schampus mit Lachsfish.

No fim minha curiosidade para saber o que tem no escurinho da matinê ganhou da vontade de beber champagne com salmão.

You take your white finger
Slide the nail under the top and bottom buttons of
My blazer
Relax the fraying wool, slacken ties and
I'm not to look you in the shoe
But the eyes
Find the eyes

The Dark of the Matinée é do primeiro disco do Franz Ferdinand e o terceiro single lançado. O Alex Kapranos tem uma voz grave com um ar meio sacana do jeito que ele as vezes geme quando canta. Como quando ele começa a cantar essa música.

E essa é uma música sobre uma paquera, ou um crush, entre um cara talvez tímido que quer parecer cool (ou enfadado) e uma menina que parece estar a fim mas não está nem aí para a atitude dele. Vamos ver como se desenrola essa história.

Ele começa dizendo para ela passar o dedo entre os botões do blazer dele para ajeitar a lã puída e aproveitar e afrouxar a gravata. Deduzo que eles estejam em alguma escola britânica onde usam esse tipo de uniforme. E acho que ele está fantasiando em dizer isso para ela.

A seguir ele faz uma nota mental para si mesmo para olhar para ela nos olhos e não para os pés. "olha para cima, encontre os olhos! os olhos!" OU se ler essas duas frases juntas (But the eyes find the eyes) fica melhor - os olhos se encontram.

Find me and follow me through corridors, refectories and files
You must follow, leave this academic factory
You will find me in the matinée, the dark of the matinée
It's better in the matinée, the dark of the matinée is mine
Yes, it's mine

Aí pode ser que os olhos se encontrando ele mande esse recado para ela:
Me encontre e me siga por corredores e refeitórios e arquivos. Tem que seguir, sair dessa fábrica acadêmica (conhecida como: Escola) e você vai me encontrar na matinê, no escurinho da matinê porque lá é melhor e é meu lugar de conforto.

Matinê é uma sessão no início da tarde de qualquer espetáculo (filme, peça, show), acredito que na música seja um cinema.
Aqui no Brasil na década de 1980 e 1990 algumas danceterias tinham matinês para os menores de idade poderem se divertir no fim de tarde. Não sei se isso ainda existe mas na minha adolescência fui a várias e muitas tinham um escurinho sugestivo.

I time every journey
To bump into you accidentally, I charm you and tell you
Of the boys I hate, all the girls I hate, all the words I hate
All the clothes I hate, how I'll never be anything I hate
You smile, mention something that you like
Oh, how you'd have a happy life if you did the things you like

Ele cronometra os turnos para topar com ela "acidentalmente". Pequeno stalker. (Quem nunca?)
Ele joga charme e conta de tudo que ele detesta (com um ar de entediado que dá para escutar na voz do Alex Kapranos). Os meninos e meninas que ele odeia, as palavras que ele abomina, as roupas que ele detesta e como ele nunca vai ser nada que ele odeia.

Pausa para filosofar. Ele pode estar dizendo que detesta todas essas coisas e pessoas e que nunca vai ser ou fazer nada disso, talvez para encontrar algo em comum com ela. OU, como sabemos que muito ódio pode ser desejo, pode ser uma pontinha de inveja dele e no fim ele conclui que nunca vai conseguir ser nada disso.

Ela acha tudo isso bobagem, dá um sorriso, fala sobre algo que curte e diz que teria uma vida feliz se fizesse as coisas que gosta.

Find me and follow me through corridors, refectories and files
You must follow, leave this academic factory
You will find me in the matinée, the dark of the matinée
It's better in the matinée, the dark of the matinée is mine
Yes, it's mine

Aí com essa ignorada dela no jeito entediado dele acho que ele apaixonou de vez e a chama para o escurinho da matinê, onde ele pode ser ele mesmo. (Será que ela foi? Acho que sim e ele passou a fazer coisas que gosta.)

So I'm on BBC Two now
Telling Terry Wogan how I made it
And what I made is unclear now
But his deference is and his laughter is
My words and smile are so easy now
Yes it's easy now, yes, it's easy now

Aqui a música diminui o ritmo, aparentemente tem um salto no tempo na letra, e estamos no futuro. Ele agora esta num programa de entrevistas da BBC 2, na TV, falando de como chegou lá. Mas afinal, o que é "chegar lá"? Para ele não está muito claro, mas o respeito e as risadas do apresentador estão claras. Então as palavras e o sorriso vão ficando mais fáceis. Aí o riff de guitarra entra e o Alex Kapranos canta "Yes, it's easy now" com mais segurança. Se acostumou com a fama.

Find me and follow me through corridors, refectories and files
You must follow, leave this academic factory
You will find me in the matinée, the dark of the matinée
It's better in the matinée, the dark of the matinée is mine
Yes, it's mine

De volta ao passado.....ele ainda está a chamando para segui-lo por esses corredores e refeitórios e arquivos, sair da escola, e saber o que afinal de contas tem na matinê que ele garante ser melhor. Eita escurinho de cinema bom!


O video passa numa escola e adoro a cara de entediado que o Alex Kapranos faz. E as coreografias? Franz Ferdinand é diversão garantida.

23.8.18

Analisando a música: Nervous (Shawn Mendes)

Essa semana teve o MTV Video Awards, e até fiquei surpresa que a MTV, que já não mostra videos em sua programação, nem é mais um canal de música, ainda dê prêmios, mas tudo bem.

A premiação começou com o FOFO (e usarei essa palavra inúmeras vezes nesse post) do Shawn Mendes cantando In My Blood, seu hit do momento. Depois ele apresentou o prêmio Vanguard para a Jennifer Lopez. Esse menino é tão fofo que eu que nunca quis ser mãe de ninguém gostaria de ser mãe dele.

Até ano passado eu não fazia a menor idéia de quem era Shawn Mendes. Ídolo teen canadense para mim era o Justin Bieber ou a Avril Lavigne. Mas, em 2017, assistindo o Rock in Rio pela tv, o mesmo que me colocou na fase Red Hot Chili Peppers mais uma vez, vi esse menino fazendo um ótimo show ao vivo (não é fácil tocar para um público daquele tamanho). Não conhecia nenhuma música mas ele era tão simpático, carismático, e soube fazer o show tão bem que fui procurar saber quem era Shawn Mendes na fila do pão.

Shawn Mendes é um ídolo teen dos tempos modernos, da era das redes sociais, mas que mantém uma coisa meio old school quando toca ao vivo. Ele não tem apenas fãs, ele tem um exército, a Mendes Army.

Shawn é canadense, filho de um português e uma inglesa. Começou fazendo covers no Vine (ainda existe?) e no Youtube e chamou atenção dos caras da gravadora. Entendo totalmente os caras da gravadora, dá para ver o potencial do garoto de cara. Carisma não é qualquer um que tem e esse menino tem de sobra, além de ser um bom músico (é cantor e compositor).

Aos 16 anos ele gravou o primeiro disco (Handwritten), aos 17 o segundo (Illuminate) e esse ano, aos 20 anos, lançou o terceiro (Shawn Mendes).

Shawn Mendes é pop-rock com sentimento. Os hits dele são: Stitches, Treat You Better, Mercy, There's Nothing Holdin' Me Back, e do disco mais recente In My Blood e Lost in Japan. Todas grudam um pouco a sua cabeça, mas acho que a performance dele ao vivo dá um upgrade considerável nas músicas.

O hit do momento, In My Blood, é boa, é sobre ansiedade e deve ter muitos jovens se identificando com o que ele fala na letra. É uma música (teen) dramática.

Dá para ver que as músicas vão melhorando a cada disco, a voz dele ainda deve mudar um pouco (espero que para mais grave), ele ainda vai ter muitas experiências (dor de cotovelo é sempre uma ótima fonte para músicas boas) e aguardo Shawn Mendes experimentar com outros sons no futuro.

Hoje o Youtube me sugeriu (insistiu) o video dessa nova música Nervous. Assisti. Além de me dar vontade de invadir a tela e apertar as bochechas desse garoto fofo (momento Tia Karine) achei essa música ótima, um ritmo gostoso.

Vamos saber porque o Shawn Mendes está tão nervoso.

I saw you on a Sunday in a café
And all you did was look my way
And my heart started to race
And my hands started to shake
I heard you asked about me through a friend
My adrenaline kicked in
'Cause I've been asking about you too
And now we're out here in this room

E é uma música sobre uma paquera e um encontro. Pelo que entendi ele já está com ela em algum lugar mas começa contando onde a viu pela primeira vez. Foi num café quando ela deu uma olhadinha para ele (e quem não olharia?), o coração dele acelerou e as mãos tremeram. Aí ele se animou (haja adrenalina!) porque descobriu que ela estava buscando informações sobre ele com um amigo e vice versa.

E agora eles estão em um quarto. Juntos.

I get a little bit nervous around you
Get a little stressed out when I think about you
Get a little excited
Baby, when I think about you
Talk a little too much around you
Get a little self-conscious
When I think about you
Get a little excited
Baby, when I think about you

O refrão fofo dele confessando que fica um pouco nervoso perto dela. Que se estressa um pouco quando pensa nela. Pera aí, se estressa por que? É aquele friozinho bom na barriga Shawn, deixa de ser ansioso. Felizmente ele também fica animado quando pensa nela.

Fala demais quando ela está perto (quem nunca?), fica um pouco envergonhado mas também fica entusiasmado.

We walked in the rain
A couple blocks to your apartment
You told me to come inside
Caught me staring in your eyes
And I'm not usually like this
But I like what you're doing to me

Aí eles vão andando na chuva até o apartamento dela, ela convida para entrar e ele está fixando o olhar nela. "Não sou assim, mas gosto do que você está fazendo comigo." Ui. Ui. Ui.

I get a little bit nervous around you
Get a little stressed out when I think about you
Get a little excited
Baby, when I think about you
Talk a little too much around you
Get a little self-conscious
When I think about you
Get a little excited
Baby, when I think about you

E mais uma vez o refrão reconhecendo todos os sentimentos que ela provoca nele.

You got me acting like I've never done this before

Ele está tão nervoso que nem parece que já fez isso antes. Fofo.

I promise I'll be ready when I walk through the door

Mas estará pronto quando passar pela porta. Senti firmeza.

And I don't know why
no, I don't know why

I get a little bit nervous....

Ele não sabe porque fica tão nervoso....ahhhh, a gente sabe.

O video é simples e como Shawn Mendes é muito expressivo a cara dele diz tudo, fofo.





Shawn Mendes é tão querido que nem no programa das entrevistas com pimentas, com a boca queimando, ele deixa de ser educado.




29.4.18

Analisando a música: Dreams (Fleetwood Mac)

Essa semana escutei essa música em alguns lugares (inclusive na minha playlist) e resolvi finalmente fazer um analisando a música de uma das músicas de um dos melhores discos ever.

Poderia ter escolhido qualquer uma das 11 músicas do Rumours, obra prima do Fleetwood Mac, lançado em 1977. Confesso que fiquei entre The Chain (que tocou em vários filmes ano passado), Go Your Own Way, Don't Stop e Dreams. Mesmo depois de 40 anos, essas músicas continuam atuais, se tocar para uma pessoa mais nova, que não conhece, não vai saber dizer de que época é.

Escolhi Dreams porque é a mais conhecida e resume bem o tema principal do disco que é: fim de relacionamento.

E sabemos que um coração partido rende ótimas músicas e albuns inteiros como Rumours e o 21 da Adele.

Os integrantes da banda Fleetwood Mac na época desse disco eram: Stevie Nicks (vocal), Lindsay Buckingham (guitarra e vocal), Christine McVie (vocal e teclados), Mick Fleetwood (bateria) e John McVie (baixo).

John e Christine eram casados e Stevie Nicks e Lindsay Buckingham namoravam.

Com o sucesso do disco anterior, Fleetwood Mac de 1975, a bruxa ficou solta e esses relacionamentos se acabaram, mas felizmente o relacionamento musical continuou e gravaram Rumours. Aliás o título do disco vem de todo mundo especulando o que estava acontecendo com a banda.

Por isso a temática fim de relacionamento, que acho que foi mais espontânea do que intencional.

Dreams foi composta pela Stevie Nicks para o Lindsey Buckingham onde ela ressalta que ele queria sua liberdade mas que na solidão tem que viver com a idéia do que ele tinha e do que ele perdeu (já me adiantando na análise).

E como diz o cara desse video que analisa a parte melódica da música: "É uma reviravolta do destino que essa música fez tanto sucesso que ele passou os próximos 40 anos cantando nos shows." PAH!

No mesmo disco tem a ótima Go Your Own Way que ele compôs para ela, mas isso é outra história.

Vamos saber o que Stevie tem a dizer sobre esse babado. A voz dela é ótima.

Now here you go again, you say
You want your freedom
Well, who am I to keep you down
It's only right that you should
Play the way you feel it
But listen carefully to the sound
Of your loneliness
Like a heartbeat drives you mad
In the stillness of remembering what you had
And what you lost, and what you had, and what you lost

Temos uma DR musical e poética. Como apontei antes, ela diz que ele quer sua liberdade e "Quem sou eu para te segurar?'. Ela continua dizendo que é certo que ele faça o que sente (e aqui tem um jogo de palavras com play que pode ser: tocar um instrumento, brincar ou jogar) MAS "Presta muita atenção ao som da sua solidão.".

Gente, "escute com atenção o som da sua solidão" é bom demais! E o som da solidão é como? É como um batimento cardíaco que te deixa louco. Nesse momento da música, quando ela fala "heartbeat" tem uma batida mais forte da bateria (daquele tambor que fica no pé). E nessa quietude, escutando o som da solidão, é o momento dele lembrar o que perdeu e o que tinha (e repetir essas lembranças num loop).

Isso, amigos, é um tapa na cara poético.

Thunder only happens when it's raining
Players only love you when they're playing
Say women they will come and they will go
when the rain washes you clean, you'll know, you'll know

"Trovão só acontece quando chove", não é verdade, tem trovão sem chuva, mas essa metáfora é boa para indicar que se já está ruim, pode piorar.
Jogadores só te amam quando estão jogando OU Músicos só te amam quando estão tocando.
"Olha, querido, mulheres vão e vem, mas quando a chuva te lavar você vai saber." É ela avisando que depois que tudo passar ele vai ver a besteira que fez.

Now here I go again, I see the crystal visions
I keep my visions to myself
It's only me
Who wants to wrap around your dreams and
Have you any dreams you'd like to sell
Dreams of loneliness
Like a heartbeat drives you mad
In the stillness of remembering what you had
And what you lost, and what you had, and what you lost

E ela tem umas visões (um dos rumores é que eles usaram muitas drogas) mas as guarda para si.
"Sou só eu que quero me envolver nos seus sonhos." acho que ela está dizendo que quer dividir os sonhos com ele e gosta dele além da fama. MAS na frase seguinte ela pergunta se ele tem algum sonho para vender. To sell dreams em inglês significa enganar, prometer sem querer cumprir.
Esses sonhos de solidão que o deixam lembrando o que ele tinha e o que ele perdeu, no loop.

Thunder only happens when it's raining
Players only love you when they're playing
Say women they will come and they will go
when the rain washes you clean, you'll know, you'll know

E aí temos esse refrão maravilhoso com trovoadas (bateria sensacional nessa parte), enganação e a certeza de que quando a chuva parar todos vão ver as coisas com mais clareza.


Aperta o play e vamos escutar esses trovões.

11.3.18

Top 10 videos do Red Hot Chili Peppers

Quando analisei a música Californication disse que poderia facilmente fazer um top 10 só dos videos da banda porque são todos ótimos.

Red Hot Chili Peppers é uma banda dedicada. Experimentaram bastante no início da MTV e até hoje fazem videos ótimos com diretores talentosos. Nos shows vivo eles tem muita energia e conseguem passar isso para os videos. No fim do mês os verei tocando ao vivo no Lollapalooza.

Então aqui vai meu Top 10.


10. By The Way



Dirigido por Jonathan Dayton e Valerie Faris (Pequena Miss Sunshine). Nesse video o Anthony Kiedis pega um taxi dirigido por um maluco que é fã da banda e acaba sequestrado. Flea e John Frusciante vão salvá-lo (e Anthony Kiedis pulou mesmo de um carro para o outro). Esse video tem uma continuação no Universally Speaking onde o motorista louco vai num show da banda.


09. Dark Necessities



Uma música do disco mais recente The Getaway que é sobre o nosso lado mais escuro, como isso é parte do nosso design, como criatividade vem das dificuldades e como tem coisas na nossa cabeça que só a gente entende. O video foi dirigido pela Olivia Wilde (a Thirteen de House) e tem dois ambientes: um é a banda numa casa e o outro são 4 garotas skatistas (Noelle Mulligan, Carmen Shafer, Amanda Calloa e Amanda Powell) pela cidade de Los Angeles. A música é ótima e as imagens se encaixam perfeitamente, desde as meninas andando de skate (e caindo um bocado) passando pelo Flea tocando baixo numa pia até o Anthony Kiedis dançando shirtless (como sempre e a gente agradece).


08. Sick Love



Outra música do The Getaway que é também uma parceria com Sir Elton John. Esse video é uma animação linda da Beth Jeans Houghton que basicamente traduz o que a letra diz.

(esse album tem outro video ótimo de Go Robot que é uma óbvia referência a Embalos de Sábado A Noite, destaco os nomes nos créditos iniciais do video)



07. Californication



analisei essa música e o video representa muito do que está na letra em forma de video game. A banda vai passando por obstáculos na cidade de Los Angeles, enquanto a música toca eles pulam, correm, nadam, lutam e fogem. Outro video dirigido pela dupla Jonathan Dayton e Valerie Faris.


06. Aeroplane



Acho que essa é a música do Red Hot Chili Peppers que mais toca na minha playlist, é do album One Hot Minute e o video é uma homenagem aos musicais aquáticos dos anos 1950.


05. Scar Tissue



Californication é outro album da banda com videos excelentes. Scar Tissue foi dirigido pelo Stéphane Sednaoui (Mysterious Ways do U2, Fever da Madonna, etc). A banda está num carro conversível numa estrada vazia e explorando o deserto, todos parecem saídos de um acidente. É só isso e é muito bom.


04. Dani California



Um video dirigido pelo Tony Kaye (American History X) que conta a história do rock com os integrantes da banda se fantasiando de Elvis, Beatles, rock psicodélico, David Bowie, punk rock, goth rock, rock farofa, Nirvana, até chegar neles mesmos. Queria dizer que o Anthony Kiedis fica muito bem maquiado com lápis no olho e rímel.


03. Otherside



Mais uma música do Californication e mais um video dirigido pela dupla Jonathan Dayton e Valerie Faris. Essa música é sobre o confronto/batalha que os ex-vicidados (e pessoas com depressão) enfrentam. O video mostra uma meia animação (com referências aos desenhos do Escher) com live action de um lugar que parece um hospício. Acho que esse é o único video da banda nessa lista que o Anthony Kiedis se mantém totalmente vestido.


02. Give it Away



Música do clássico Blood Sugar Sex Magik e um dos maiores hits da banda. Esse video também foi dirigido pelo Stéphane Sednaoui, é preto e branco e tem a banda toda pintada de prateada. É um video anárquico que traduz muito bem o que era a banda naquele início da década de 1990. Acho a fotografia desse video linda e adoro a forma como a camera é usada no ritmo da música.


01. Can't Stop



Esse video foi inspirado num projeto chamado One Minute Sculptures do austriaco Erwin Wurm que consiste em pessoas fazendo esculturas com objetos comuns. Foi dirigido pelo Mark Romanek, que dirigiu o filme Never Let Me Go, videos da Madonna (o lindo Rain), do Michael Jackson (Scream), do Beck (Devil's Haircut) e muitos outros. Nesse video a banda brinca com vários objetos e mostra como eles são fanfarrões e performáticos com uma música que diz "Choose not a life of imitation" e termina com"This life is more than just a read through.", ou seja, vamos viver que isso não é um ensaio.




BONUS: Tell Me Baby - uma música sobre as pessoas que vão até Hollywood atrás de seus sonhos e vão naquelas audições até conseguirem algo. Ou não. O video é isso, vários músicos, cantores, performers que estão numa audição e de repente entra o pessoal da banda para tocar com eles. É bem divertido ver a cara das pessoas quando a banda entra. Tem um video do making of que é ótimo! (também dirigido por Jonathan Dayton e Valerie Faris)