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27.12.19

Momento TOC Livros (13)

Esse ano li mais no início do ano do que no fim mas consegui passar da meta de 20 livros. Li 21 livros.

Teria lido mais dois mas aí....Amazon Prime AND Netflix.

Vou manter a meta de 20 livros. Já tenho 4 na mesa para 2020.

E vamos aos livros de 2019.


- 79 Filmes Para Assistir Enquanto Dirige - Choque de Cultura - O Choque De Cultura foi um fenômeno do youtube em 2018, os motoristas de van que mais entendem de cultura no país comentando filmes é um programa hilário. Os 79 filmes do livro são variados: tem ação, drama, filme infantil, suspense, terror e romance. Cada integrante comenta um filme e é impossível ler e não ter a voz de cada um na cabeça. Eles também dão subtítulos como: Laranja Mecânica - Não tem laranja no filme, Taxi Driver - A praga do Uber!, Ela - Não se apaixone pelo seu celular. Claro que se você viu os filmes aproveita mais os comentários. Tem a história de cada um dos motoristas e de brinde uns desenhos do Renanzinho.

- Less - Andrew Sean Green - Esse livro conta a história de Arthur Less, um escritor que acbou de fazer 50 anos. Ele descobre que seu ex-amante vai se casar e, para não estar por perto do dia do casamento, Arthur arranja um tour de palestras e cursos que passa pelo México, Itália, Alemanha, Marrocos, India e Japão. Tem uma parte ótima que o Arthur acha que sabe falar alemão só que não. Gostei desse livro. (em português: As Desventuras de Arthur Less)

-10:04 - Ben Lerner - Outro livro sobre um escritor (e poeta) que descobre que tem um problema de saúde que pode ser fatal e sua amiga pede para ele ser o pai de seu filho. Ele consegue um contrato para escrever um livro e com o dinheiro ele vai pagar o tratamento para amiga engravidar. Esse livro é escrito em forma de contos, alguns bons outros nem tanto. No fim desse livro eu nem lembrava mais do início.

- The Pisces - Melissa Broder - É sobre uma mulher, Lucy, que está com a tese de PHD parada porque deu um branco nela e tem um prazo para terminar. Ela fica um pouco descontrolada, acaba com o namorado, depois o agride, e a irmã oferece para ela passar uns dias em Venice Beach (festa estranha com gente esquisita). Lucy não é simpática, é egoista, má, autodestrutiva e viciada em atenção. Ela começa a participar de um grupo de apoio e vai em dates péssimos do Tinder. Um dia ela conhece um nadador que só aparece na praia a noite. Peguei esse livro sem nem ler a sinopse, achei bizarro, mas no fim gostei.

- Bad Blood: Fraude Bilionária no Vale do Silício - John Carreyrou - Sobre a ascensão e queda da Theranos, uma startup de biotecnologia e como sua fundadora Elizabeth Holmes enganou muita gente por dinheiro. Escrevi um post sobre esse livro.

- Jane Austen, The Secret Radical - Helena Kelly - Nesse livro os trabalhos da Jane Austen são analisados além da idéia geral que eram apenas história românticas. Cada capítulo é um dos livros e em cada um a autora tem bons argumentos. Alguns dos assuntos apontados por ela achei que estavam óbvios nos livros, afinal Jane escrevia lindamente e conseguia colocar esses temas (herança, escravidão, o clero, a nobreza e até evolução) no meio de suas histórias românticas. Achei a estrutura do livro um pouco chata (todo capítulo ela começa com uma carta), as vezes acho que ela forçou amizade em alguns pontos, mas no geral achei uma leitura interessante. E claro que aproveita mais quem leu os livros da Jane Austen.

- Maria Bonita: Sexo, Violência e Mulheres no Cangaço - Adriana Negreiros - Esse título engana um pouco porque, apesar dela falar das mulheres, é mais sobre o cangaço em geral. Inclusive a autora justifica a falta de informações aprofundadas sobres as mulheres porque seus relatos era descreditados. O cangaço foi romantizado mas eram bandidos violentos que aterrorizavam o interior do nordeste. As mulheres do bando eram roubadas de suas famílias, poucas realmente escolhiam a vida no cangaço, uma delas foi Maria de Déa (que virou Maria Bonita depois que morreu) que largou o marido por Lampião. Para quem não sabe nada do cangaço é um bom livro que conta o dia a dia dos cangaceiros. Só me incomodou que a autora inseria gírias nordestinas no meio do texto sendo que ela não tem intimidade com essas palavras e ficava estranho.

- Uma Sensação Estranha - Orhan Pamuk - O Ohran Pamuk escreve lindamente essa história de um rapaz, Melvet, que sai do interior da Turquia para vender iogurte com seu pai em Instambul. O livro acompanha a toda a história de Melvet, do crescimento de Istambul e da mudança de governo da Turquia. É um novelão.

- O Desaparecimento de Stephanie Mailer - Jöel Dicker - É um livro sobre um mistério. A Stephanie Mailer do título é uma jornalista que vai investigar um crime (homicídio quadruplo) que aconteceu 20 anos antes numa cidade pequena e o acusado morreu na perseguição da polícia. Ela fala para um dos investigadores que eles prenderam o assassino errado e depois some. O investigador Jesse vai a cidade investigar o desaparecimento e de quebra o crime anterior. Tem vários personagens periféricos e o plot twist é bom.

- Normal People - Sally Rooney - Um livro sobre dois jovens e sua história de amor. É bem escrito, me deixou curiosa até o fim. É sobre a capacidade (ou não) que as pessoas tem de se comunicar e como os millenials se relacionam. (Em português: Pessoas Normais)

- The Great Believers - Rebecca Makkai - Esse livro conta a história de um grupo de amigos nos tempos da AIDS em Chicago nos anos 1980. A história começa com a morte de um deles e depois foca em Yale amigo do falecido, que trabalha em uma galeria de arte, e em Fiona, irmã do falecido. Tem uma parte do livro que passa 30 anos depois em Paris. Me lembrou de Uma Vida Pequena, outro livro ótimo sobre um grupo de amigos.

- Daisy Jones & The Six - Taylor Jenkins Reid -Daisy Jones era uma jovem filha de artistas, cantora e compositora na California. The Six era uma banda da costa leste formada por dois irmãos, Billy e Graham. The Six foi para Los Angeles e o agente achou que seria uma boa idéia juntar Daisy com a banda para uma música. Deu match musical entre Daisy e Billy e acabaram fazendo um disco inteiro. Tudo isso nos anos 1970 com muito sexo, drogas e rock and roll. A narrativa desse livro é em forma de entrevistas. Gostei desse livro. (mesmo título em português)

- O Pior Dia de Todos - Daniela Kopsch - Esse livro conta a história de Maria Laura e Natália, duas meninas que estudavam na escola de Realengo e foram vítimas do ataque em 2011. A primeira parte do livro conta a história da familia delas (elas são primas) e como era a vida delas antes do massacre. A segunda parte do livro é o que aconteceu depois. São personagens fictícias baseadas nas pessoas que a autora conheceu quando foi jornalista cobrindo o ataque. O livro carece de uma certa fluidez mas é bom.

- Maybe In Another Life - Taylor Jenkins Reid - Gostei da prosa a Taylor Jenkins Reid em Daisy Jones e resolvi ler outro livro dela. Nesse livro a Hannah decide largar o amante casado e volta a morar em Los Angeles, onde passou a adolescencia. Lá ela reencontra sua amiga Gabby e um ex-namorado do college. Ela passa a noite conversando com ele e no fim ele pergunta se ela quer ficar (na casa dele) ou ir embora. Aí a timeline se divide em duas: a que ela fica e a que ela vai embora. É Chick Lit dos bons (mas o livro da Daisy Jones é melhor).

- Three Women - Lisa Toledo - Um estudo sobre o desejo sexual feminino e relacionamentos (afetivos e sexuais). que durou 10 anos e resultou nesse livro. A Lisa Toledo viajou por todos os Estados Unidos e escolheu três mulheres para contar suas histórias. Uma adolescente que teve um caso com um professor, uma mulher casada que o marido não quer mais sexo com ela então ela busca um namorado antigo, e uma mulher rica, bem casada mas num relacionamento meio aberto. Foi uma leitura interessante, mas as vezes tinha detalhes demais e outras de menos. (em português Três Mulheres)

- Só As Partes Engraçadas - Nell Scovell - A Nell Scovell é roteirista, produtora, diretora e showrunner. Ela escreveu para várias séries, filmes, programas de variedades e até para o Obama. No livro ela conta como é difícil trabalhar no ambiente machista de Hollywood e fala algumas verdades. O que me impressionou nesse livro é o processo de criar uma piada. É muito menos natural do que imaginava, as vezes para chegar numa punch line é preciso 5 pessoas discutindo o que é melhor. E no fim ainda tem a pessoa que vai falar a piada e pode sair diferente do quem escreveu imaginou. Não achei as piadas dela tão engraçadas assim mas ela escreve o livro com muito senso de humor.

- Fun Home - Alison Bechdel - Uma graphic novel autobiográfica sobre a família da Alison Bechdel. Os desenhos são todos num tom de azul e Fun Home vem de Funeral Home, a casa que a familia morava também era uma casa funerária. Um ótimo trocadilho. Ela conta desde quando seus pais se conheceram, como foram morar na casa funerária (que era do avô) e como ela saiu do armário para os pais. O pai dela morre logo depois que ela sai do armário e ela vai descobrindo muitas coisas dobre ele que ela não tinha idéia. (mesmo título em português)

- The Nickel Boys - Colson Whitehead - Nesse livro o Colson Whitehead conta a história de de um rapaz que por estar no lugar errado na hora errada foi parar numa escola que era também reformatório segregado na Florida. A história começa porque muitos anos depois um grupo descobriu corpos no terreno onde era a escola. É um livro curto (200 páginas), muito bem escrito, que tem muita informação sem precisar explicitar a violência. (em português é O Reformatório Nickel)

- Over The Top: A Raw Journey To Self-Love - Jonathan Van Ness - A autobiografia do cabeleireiro mais conhecido da Netflix. Eu conheço o Jonatthan desde Gay of Thrones e logo depois ele ficou famoso com o Queer Eye. No livro ele conta a infancia, adolescencia, seu vício em drogas (e outras coisas), relacionamentos, AIDS e como ele chegou onde está agora. Ele escreve como fala, então prepare-se para muitas referências pop e especialmente de paitnação no gelo e ginástica artística. O melhor é que ele subsitituiu o nome das pessoas por nomes russos.

- Me - Elton John - Sir Elton John é uma tia fofoqueira de primeira. Nessa autobiografia ele fala mais de sua vida pessoal e social do que suas múiscas, até porque o processo dele é simples: basicamente Bernie Taupin escreve as letras e Elton John coloca a música. Ele fala da sua infância, do relacionamento difícil com a mãe, adolescência e como começou no mundo da música. Ele conta várias fofocas dos amigos famosos e tudo que ele aprontou em todos os anos de carreira. Fala do vício em cocaína (que ele está sóbrio) e em compras (esse ele continua firme e forte). Achei ele sincero quando fala dos relacionamentos e como ele pode ser sufocante. No livro ele é sarcástico e irônico. Elton John é competitivo, ficava de olho nas listas de músicas e albuns para saber que estava em primeiro lugar. Mas ele adora fazer shows, não cansa de dizer que não importa o que está acontecendo fora dos palcos ele sempre consegue tocar para uma platéia.

- Why I'm No Longer Talking To White People About Race - Reni Eddo-Lodge - um livro sobre racismo no Reino Unido (e no mundo) que nasceu de um post escrito em 2014 com o mesmo título. No livro ela extende o que escreveu no post e conta a história dos negros (e pessoas de cor) no Reino Unido, explica o racismo estrutural, fala de feminismo e racismo, da mistura de raças e de raça e classe. Diria que é um livro didático. A arte da capa desse livro está de parabéns. (Já tem em português)



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7.3.19

Book Report: Bad Blood - John Carreyrou

O sub-título desse livro é: Fraude Bilionária no Vale do Silício, o que resume bem o conteúdo do livro, mas nem precisava porque o trocadilho com sangue ruim é ótimo.


O livro conta a história da start up Theranos e sua fundadora Elizabeth Holmes. Aos 19 anos a Elizabeth Holmes queria começar a ganhar dinheiro e teve uma idéia que veio de um medo seu. Como ela tinha medo de agulhas pensou que seria genial se os exames de sangue pudessem ser feitos a partir de gotas de sangue tiradas da ponta do dedo. Só um furinho e pronto. Ela abandonou a universidade (Stanford) e foi vender sua idéia. Inicialmente ela conseguiu um milhão de dólares de um vizinho para começar.

Além de fazer os exames só usando gotas de sangue ela queria uma máquina portátil que fizesse isso. E ela queria que fosse abrangente, coisa de 200 tipos de exames. Ela queria o iPhone dos exames de sangue. Ela queria ser Steve Jobs (e se vestia como ele, e chegou a contratar designers da Apple). Elizabeth devia ser muito boa em vender sua idéia porque as pessoas estavam dando dinheiro para ela.

Aqui vale dizer que ela vem de uma família influente com algumas conexões.

Já o desenvolvimento do produto não estava andando. A máquina não conseguia fazer os exames então a Theranos comprou outras máquinas existentes no mercado para fazer os exames. Havia o problema de ter que diluir o sangue para fazer os exames e isso aumentava a margem de erro.

Qualquer pessoa que já fez um exame de sangue sabe que tiram pelo menos 2 tubinhos daqueles direto da veia. Além disso, são vários métodos de analise de sangue: por reação química, por luz, por calor...Só com essa informação já dá para perceber que o que ela queria seria dificílimo.

Acontece que as pessoas querem acreditar. E o que ela oferecia era revolucionário e uma solução ótima para quem tem quem fazer vários exames constantemente, para quem tem medo de agulhas e para crianças. Elizabeth também dizia que era uma forma de enfrentar a grande industria farmaceutica e baixar os gastos dos pacientes.

No início Elizabeth estava só convencendo gente rica a dar dinheiro para ela, mas em algum momento ela teria que mostrar resultados. Como boa ambiciosa que era foi atrás de colocar sua máquina (que não funcionava) nas lojas da Walgreens (rede de farmácias dos EUA) e Safeway (rede de supermercados). O dono da Walgreens foi alertado por um de seus consultores da área de saúde que era roubada investir nisso mas ele preferiu acreditar na Elizabeth. Ela é boa vendedora, sabe convecer as pessoas, fala numa voz mais grave de propósito (tem videos no youtube, a voz é muito estranha).

Elizabeth conseguiu captar 700 milhões de dolares em investimentos. Ela inclusive foi capa da Forbes e da Fortune. Primeira mulher bilionária do Vale do Silício, a empresa dela estava valendo 9 bilhões e ela, Elizabeth, 4 bilhões de dólares. (Esse mundo da especulação financeira é bizarro.)

E aí a empresa começou entrar numa zona perigosa. Os exames davam resultados errados, muitas pessoas foram prejudicadas. Enquanto isso dentro da Theranos a rotatividade de funcionários era altíssima, Elizabeth despediu seu chefe de financeiro (ele percebeu as enganações e roubos) no início e nunca mais contratou outro. Tudo na Theranos era segredo absoluto, até os laboratórios. As equipes trabalhavam sem interagir umas com as outras e quem coordenava o escritório era o sócio de Elizabeth (e seu namorado) Sunny Balwani.

Tudo veio abaixo quando um ex-chefe de laboratório da Theranos decidiu contar tudo para John Carreyou, jornalista do Wall Street Journal. E no livro ele também conta como fez toda a pesquisa para escrever o artigo que deu início ao desmascaramento da enganção que era a Theranos.

A leitura é ótima, vale a pena. É uma história que tem até detetive particular quebrando vidro de carro para pegar papéis, muitas ameaças aos ex-funcionários e ao jornalista, advogados do mal, até general do exercito americano e ex-secretário de estado caíram no golpe. Melhor que a ficção.

As empresas do Vale do Silício que são avaliadas acima de um bilhão de dólares são chamadas de unicórnios. A Elizabeth Holmes queria muito ser um unicórnio, ela queria ser rica e queria poder. Acontece que ela esqueceu que não dá para mexer com saúde humana sem saber o que está fazendo, as consequências podem ser graves, não é como criar uma rede social ou uma app de caronas pagas ou uma engenhoca de busca.

A HBO vai lançar um documentário sobre esse babado e parece que vai ter um filme baseado no livro com a Jennifer Lawrence fazendo a Elizabeth Holmes. 

27.12.18

Momento TOC Livros (12)

A minha leitura esse ano foi irregular. Alguns meses li muitos livros em e outros nenhum, mas deu para terminar o ano com 21 livros (claro que contei o 1Q84 como 3 livros, afinal, são 3 volumes).

Para 2019 vamos ver se consigo manter a meta de 20 livros. Já tenho um engatilhado no kindle para janeiro.

Vamos aos livros de 2018.


- 4321 - Paul Auster - Esse livro é um belo exercício no "E se...". São 4 histórias com o mesmo personagem que uma coisa muda na vida dele e os resultados são diferentes (as vezes muito as vezes nem tanto). O personagem principal sempre é um escritor nas 4 histórias, sempre ama a mesma mulher mas algumas pessoas estão em todas as histórias e outras em apenas uma. "E se meus pais tivessem se separado quando eu era jovem, e se um deles tivesse morrido, e se tivesse ido morar em Paris, e se...."

- Laços - Domenico Starnone - um livro sobre um casal que começa com uma carta pra lá de rancorosa que a esposa escreve pro marido quando ele abandonou a família porque se apaixonou por outra. Depois ficamos sabendo o lado dele, e do resto da família por tabela (eles tem dois filhos). É um livro curto, conciso, muito bem escrito com tanto drama que é difícil acreditar que o autor conseguiu colocar tudo em tão poucas páginas.

- The Idiot - Elif Batuman- A idiota fui eu em ler esse livro. Não que tenha sido de todo ruim, mas a história foi de lugar nenhum para lugar algum. É sobre uma estudante universitária americana de origem turca (detalhe importante porque ela compara as duas culturas o tempo todo) que decide aprender russo. Ela conhece um carinha na aula de russo, tem um crush e vai parar na Hungria só porque ele estava lá. No fim ele é um mané e ela vai de férias com a mãe para a Turquia.

- Everyone Loves You When You're Dead - Neil Strauss - Um livro de entrevistas que o Neil Strauss fez com pessoas famosas, desde músicos a atores, produtores, outros jornalistas. Minhas entrevistas preferidas foram: Bruce Springsteen, Flea (RHCP), Lady Gaga, Stephen Colbert, Trent Reznor e Cher. No fim ele faz uma lista das lições aprendidas (que são bem óbvias, tipo: segredo da felicidade é equilíbrio OU nunca diga nunca OU deixe o passado no passado).

- Scar Tissue - Anthony Kiedis - fiz um post sobre esse livro do vocalista do Red Hot Chili Peppers, um dos melhores relatos sobre vício em drogas que já li e de quebra a história da banda.

- Nunca Houve Um Castelo - Martha Batalha - A escrita da Martha Batalha é uma delícia e nesse livro ela conta a história da família do consul sueco e sua esposa que vieram para o Brasil no início do século 20 e construiram um castelinho em Ipanema para viver com a família. E assim o livro conta uma história informal do bairro através da família. Tem uma frase ótima: "O Passado é um país distante e tudo lá é feito diferente." Gostei muito desse livro.

- Middlesex - Jefferey Eugenides - A história de Cal (que nasceu Calliope) contada desde seus avós que vieram da Grécia, passando por seus pais, a história conturbada da cidade de Detroit e no meio de tudo isso a transição dele. É uma saga familiar, e sobretudo é um livro sobre transformação, de todos os personagens. Muito bem escrito.

- Jantar Secreto - Raphael Montes - Quatro amigos vão estudar no Rio de Janeiro e moram no mesmo apartamento. Um se formou médico, o outro em administração, outro em gastronomia e o outro abandonou os estudos e passa o tempo fazendo esquemas no computador. Um dia eles ficam endividados e precisam cobrir o dinheiro do aluguel. Aí decidem fazer um jantar para 10 pessoas e para apimentar (e aumentar o preço) dizem que é carne humana. Bem, dá para imaginar as trapalhadas que acontecem. O personagem principal é muito burro e mereceu o fim que teve, e o vilão da história era muito óbvio, mas  a discussão sobre o consumo de carne é boa.

- All Grown Up - Jami Attenberg - A personagem desse livro, Andrea, está na casa dos 39-40 anos. Ela é solteira, mora só num apartamento no Brooklyn e tem uma carreira de sucesso em propaganda. Os capítulos do livro são contos sobre a vida dela, sobre as amizades dela e ela filosofa sobre o que é ficar adulta: é casar? é ter filhos? Coisas que ela nunca quis. Achei esse livro interessante e bem escrito.

- I'll Be Gone In The Dark - Michelle McNamara - escrevi um post contando o que acontece nesse ótimo livro sobre um serial killer.

- 1Q84 - Harumi Murakami - Três volumes que contam a estranha história de amor de Aomame e Tengo no mundo paralelo (um pouco distópico e bizarro com duas luas) de 1Q84. Excelente.

- My Year Of Rest And Relaxation - Ottessa Moshfegh - Um livro sobre uma mulher que decide passar a maior parte de um ano dormindo. Quem não queria? E para isso ela tenta todas as combinações de drogas legais para dormir que ela consegue com uma psiquiatra bizarra e no meio ficamos sabendo suas motivações e relações. Ela não é uma personagem simpática mas a leitura é ótima.

- A Uruguaia - Pedro Mairal - Lucas é um escritor argentino que por causa dos problemas cambiais no país dele vai até o Uruguai para receber uns dólares. Lucas também tem problemas em casa e aproveita essa viagem de um dia para encontrar uma uruguaia que ele conheceu em um evento literário e o deixou querendo mais. É curto e bem escrito. E cuidado com seus pertences.

- Celular, Doce Celular - Rosana Hermann - A relação com o celular é descrita nesse livro que é tanto engraçado quanto assustador. Vai desde as inúmeras possibilidades de informação que esse dispositivo nos proporciona até verdadeiros problemas de postura e saúde. Tem desenhos do André Dahmer e histórias de celebridades e seus aparelhos.

- Tudo Que Nunca Contei - Celeste Ng - Esse livro é sobre uma família a partir do momento que a filha do meio é encontrada morta, afogada no lago atrás da casa deles. Ao longo do livro ficamos sabendo de doa a história da família: casamento dos pais, abandono da mãe, volta dela para casa, etc. O título do livro se refere a tudo que não é dito entre eles que leva a conclusões precipitadas, erros e enganos.

- O Império a Deriva - Patrick Wilcken - Um livro sobre a vinda da família real portuguesa para o Brasil e os efeitos que isso causou na formação da nossa sociedade (e de certa forma os resquícios que ficaram até hoje). Esse livro não entra em maiores detalhes mas deixa curioso quem quer saber mais. A abordagem de personagens não conhecidos, pessoas comuns, é interessante para descrever o dia a dia no Rio de Janeiro imperial. O curioso é que foi escrito por um australiano que deve ter achado muito louca essa história de uma familia real abandonar seu país e ir para a colônia fugida (com mais 10 mil pessoas).

- Lake Success - Gary Shteyngart - Como gostei muito de outro livro desse autor (Uma História de Amor Super Triste) decidi ler esse sobre um homem, Barry, que é administrador de fundos e depois que descobre que seu filho é autista ele decide fugir e ir atrás da sua ex-namorada e talvez de um tempo onde a vida era menos complicada. Ele vai de ônibus e ao longo da viagem se mete em algumas confusões. Barry não é um personagem simpático, nem sua esposa Seema (a história é alternada entre os dois), mas a leitura é muito boa. Tudo acontece no verão pré-eleição do Trump.

- Little Fires Everywhere - Celest Ng - Gostei tanto do livro anterior dela nessa lisa que resolvi ler esse. O título desse livro é sensacional, e a história é mais ou menos isso: pequenos dramas por todo lado que resultam em um drama maior (e um fogo maior). É sobre uma família rica de um subúrbio americano e um dia chega uma mãe e filha para abalar as estruturas dessa família. Como no outro livro, existe uma série de mal entendidos e muitas coisa não ditas que levam a conclusões precipitadas. Tem uma reflexão sobre adoção e maternidade.

- Sunburn - Laura Lippman - Ia deixar esse livro para 2019 mas comecei e a leitura fluiu tanto que terminei antes da virada do ano. É sobre uma mulher, Polly ou Pauline, que abandona marido e filho e vai ser garçonete numa pequena cidade perto de Baltimore. É sobre um detetive particular que foi contratado (por um terceiro) para segui-lá e acaba se apaixonando. A Polly tem muitos segredos. Não sei se gostei do fim e em alguns momentos tinha muita informação sobre personagens que não me interessavam, mas foi uma boa leitura.


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4.6.18

Book Report: I'll Be Gone In The Dark - Michelle McNamara



Esse livro vai sair em português com o título: Eu terei sumido na escuridão.

O subtítulo desse livro em inglês é: One Woman's Obsessive Search for the Golden State Killer. A Michelle McNamara é uma dessas pessoas obcecadas com serial killers. Ela conta no livro que quando era criança uma moça foi assassinada perto da sua casa (e nunca pegaram o assassino) e ela começou a se interessar por essas mentes criminosas.

O Golden State Killer (GSK), ou o assassino do estado dourado, foi um estuprador e serial killer que aterrorizou o norte e sul da California durante 10 anos (de 1976 a 1986). Ele estuprou mais de 50 mulheres e matou 10 pessoas. E não foi pego.

Michelle McNamara começou um blog sobre crimes e depois decidiu se aprofundar no GSK e escrever esse livro. A pesquisa dela foi extremamente bem feita. Ela conversou com policiais, técnicos do laboratório de criminologia, outros interessados no caso (existe um grupo dedicado a resolver esse caso) e leu milhares de páginas do caso que ela conseguiu com a polícia.

O GSK começou atacar no norte da California em 1976. Ele invadia as casas durante a noite e estuprava mulheres, depois ele passou a atacar as casas com os casais dentro e amarrava o homem e estuprava a mulher. Ele passou a atacar no sul do estado e começou a matar os casais. O GSK atacava em cidades perto uma das outra mas como as policias locais não conversavam entre si não o caracterizava como serial. Ele parou suas atividades em 1986 talvez porque alguma coisa aconteceu em sua vida ou achou que a policia poderia estar chegando perto.

Na década de 1990 com a evolução da definição do DNA descobriram que o responsável pelos estupros no norte do estado era o mesmo dos assassinatos no sul, e aí policiais mais novos passaram a se interessar por esse cold case (caso frio).

Em 2001 o GSK chegou a ligar para uma vítima perguntando se ela lembrava que eles tinham "brincado".

A Michelle McNamara infelizmente faleceu repentinamente em 2016 antes de terminar de escrever esse livro. As partes que ela escreveu são excelentes, ela consegue fazer o leitor empatizar com as vítimas e as faz muita justiça. A narrativa vai e vem no tempo, tem a história das vítimas e algumas partes sobre a vida pessoal da Michelle. É uma ótima leitura.

O livro foi terminado pelos pesquisadores que a ajudaram e pelo seu marido Patton Oswald, um comediante americano. As partes que ela não terminou e que os pesquisadores escreveram são boas mas não tem o charme da escrita dela.

O livro foi lançado em fevereiro de 2018 e em abril saiu a notícia que tinham prendido um suspeito de ser o GSK. O DNA deu match.

O título do livro vem de uma frase ameaçadora que o GSK disse para uma de suas vítimas: "You'll be silent forever, and I'll be gone in the dark." No fim do livro a Michelle McNamara escreve excelente uma carta para o GSK dizendo tudo que ele fez e no fim ela descreve como a polícia vai chegar na casa dele, que ele vai escutar os passos na entrada, a campainha vai tocar, ele não vai conseguir pular mais cercas, terá que abrir a porta e pisar na luz.

Espero que isso tenha acontecido com o suspeito preso.

15.4.18

Book Report: Scar Tissue - Anthony Kiedis

Tive algumas fases Red Hot Chili Peppers.

A primeira foi em 1991 quando lançaram o clássico Blood Sugar Sex Magik e foi quando conheci a banda, o cabelo comprido e costas tatuadas do Anthony Kiedis. Escutei muito esse disco junto com minha fase grunge (Eddie Vedder era a minha voz favorita, Kurt Cobain para melancolia e Anthony Kiedis era o crush). Quando eles lançaram One Hot Minute em 1995 a fase continuava ali mas com menos intensidade.

A segunda fase começou com Californication (1999) teve um pico com By The Way (2002) e apagou com Stadium Arcadium (2006). Meu Anthony Kiedis favorito até então era o de By The Way (escutei muito esse disco).

Vieram ao Brasil algumas vezes mas nunca consegui vê-los ao vivo até esse ano.

Confesso que tinha deixado eles um pouco de lado no meu iPod, só poucas músicas nas playlists, aí escutei duas ou três músicas do album mais recente The Getaway de 2016. Gostei mas não dei muita bola até eles virem para o Rock In Rio e eu ver o show pela TV. Não sei se foi o bigodão do Anthony Kiedis, e ver que ele continua inteiraço, ou a energia da banda tocando ao vivo, mas voltei a fase RHCP. (Acho que esse Anthony Kiedis de bigode e cabelo curto é o meu novo favorito)

Me atualizei com o disco novo e o anterior (I'm with You de 2011), coloquei mais musicas deles nas playlists, fui escutar músicas de antes do Blood Sugar Sex Magik, analisei Californication, fiz uma lista dos 10 videos deles que mais gosto, fui no show deles no Lollapalooza mês passado e para terminar essa terceira fase (mas não muito) decidi ler a autobiografia do Anthony Kiedis que foi lançada em 2005 e nunca tinha lido.



No livro o Anthony Kiedis (AK para facilitar) conta sua vida desde que nasceu até 2004 que foi quando publicaram esse livro. É daqueles livros que dá para escutar a voz dele contando tudo que está acontecendo, ele é muito eloquente, e parei de ler algumas vezes para escutar as músicas.

AK faz uma auto análise muito interessante da sua pessoa nesse livro. Ele é arrogante, mimado, controlador, egoísta, se acha no direito de muitas coisas, imaturo emocionalmente, engana e mente (viciados em drogas fazem isso) e reconhece e assume todas essas facetas. Inclusive diz que muitas coisas que fez nunca pensou nas consequências para as outras pessoas porque a consequência para ele é que sempre conseguia o que queria.

(Mas também é um querido e carinhoso.)

O título do livro vem da música de mesmo nome do album Californication e na introdução ele escreve: "...the story of a kid who was born in Grand Rapids, Michigan, migrated to Hollywood and found more than he could handle at the end of the rainbow. This is my story, scar tissue and all."

As cicatrizes estão todas nas páginas.

Algumas partes desse livro mereceram olhos revirados e outras achei um pouco fantasiosas, mas a maior parte é muito boa. A seguir as partes que gostei muito.

-> O livro é basicamente sobre as drogas e a vida dele de viciado. A primeira página já é com ele relatando uma saidinha com seu traficante mexicano Mario para depois começar a contar a história dos pais.

Poucos relatos sobre drogas e a vida com vício são tão sinceros e detalhados como nesse livro. AK começou novo no mundo das drogas, seu pai era traficante e ele usou e abusou de tudo que tinha disponível por aí, especialmente cocaína e heroína. E, olha, não foram poucas drogas e ele fazia de tudo para consegui-las. AK conseguiu se manter sóbrio por 5 anos depois da primeira rehab séria que fez, mas teve inúmeras recaídas e outras tantas tentativas de se reabilitar (até conseguir em 2000 e acredito que continua sóbrio até hoje)

Só vou dizer que AK é um cara de muita sorte na vida (para tudo, desde carreira até vida de drogado). Um exemplo: ele teve um acidente de carro no meio do nada no Michigan e a única pessoa que escutou o acidente era um paramédico que morava perto e estava com a ambulancia na garagem. Nesse acidente ele quebrou alguns ossos do rosto.

Escutar Under The Bridge e Snow (e algumas outras músicas) depois de ler esse livro é uma outra experiência.

-> Esse livro contém toda história da banda Red Hot Chili Peppers até 2004. No meio da sua história com as drogas AK conta como a banda se formou, como começaram a compor as músicas, como faziam os primeiros shows, como foi o primeiro contrato para um disco, as várias formações da banda, os grandes shows, os amigos de outras bandas, etc. O processo deles de fazer músicas é muito interessante, inclusive a mistura de sons. Eles tem um som ótimo que é bem característico.

O RHCP apesar da imagem de maluquinhos é uma banda muito profissional. Foram de delinquentes (roubavam casas e tudo) para estrelas do rock n' roll. A música é o mais importante para essa banda, então quando estão juntos, seja fazendo discos ou shows, é quando estão no seu melhor. E eles são uma banda que gosta de fazer shows. Não é a toa que estão aí há 35 anos e continuam tocando com muita energia.

Quando gravaram Blood Sugar Sex Magik e fizeram o tour AK estava totalmente sóbrio. Aliás, quando fazia shows raramente estava drogado, ele deixava essa atividade para os intervalos e férias.

Depois de ler esse livro: Flea é um fofo, Chad é melhor pessoa, Frusciante é outro cheio de problemas mas é um talento nato, Dave Navarro sóbrio é bacana, e Hillel morreu cedo demais.

-> O relacionamento dele com o pai é curioso. AK foi morar com o pai na California aos 12 anos. O pai era um traficante que inclusive usava o AK em algumas de suas operações, e vivia aquela vida de Hollywood anos 1970. O pai só deixou de traficar drogas quando foi preso e decidiu se dedicar a ser ator. AK vivia num caos e ainda assim conseguia frequentar a escola e ter boas notas (mas também se drogava no meio tempo). Lendo o livro a gente vê que esse pai não tinha o menor cuidado com essa criança, mas AK adorava seu pai e seu relato é quase romântico no sentido que seu pai era seu herói. (E isso explica muito da personalidade dele)

-> Foi nesse livro que descobri que Eddie Vedder fazia parte de uma banda cover do Red Hot Chili Peppers e imitava Anthony Kiedis. (Taí uma coisa que eu gostaria de ter visto)

-> Eu já sabia que AK e Kurt Cobain eram amigos, mas nesse livro tem uma pequena declaração de amor para Kurt. (e fez uma música para Kurt Cobain chamada Tearjerker além de citá-lo em Californication)

-> Alguns relatos da vida amorosa dele são interessantes, outros nem tanto e estão ali só para fazer número (e dar uma certa vergonha alheia), mas os que importam são os que também fazem parte da trajetória dele no vício.

-> A história de como eles se apresentaram só com meias cobrindo as partes íntimas, que virou quase uma marca registrada da banda, é hilária. "We already had been playing shirtless and we realized the power and beauty of nudity onstage".

-> Momento inusitado. AK viajava bastante (com e sem a banda) e fez um trekking hard core na selva no Borneo e voltou de lá com dengue.

-> Um momento fofo foi quando a banda se fantasiou de Spice Girls para o aniversário de 10 anos da filha do Flea. AK era Posh Spice, Flea era Baby Spice, Frusciante a Sporty Spice e o baterista Scary Spice. Quando as meninas viram que eram homens vestidos de mulheres soltaram um EWWWW coletivo mas curtiram o show.

-> A Nina Hagen aparece um bocado nesse livro. Ela disse para eles bem no início que a banda seria grande, depois ela disse que mesmo que o mundo tivesse esquecido dela ela sempre seria bem vinda no Brasil como se fosse um dos Beatles (e tem 2 páginas do AK elogiando nosso país e os fãs brasileiros), e uma conversa com ela inspirou o grande hit Give It Away.

-> Ele fala de poucas músicas, mas depois de ler o livro é só escutar as músicas que muitas se explicam, inclusive algumas mais recentes como Dark Necessities.

Gostei muito de ler esse livro e ainda fiquei curiosa para saber o resto da história, de 2004 até hoje. De lá para cá John Frusciante saiu outra vez da banda e o Josh Klinghoffer assumiu a guitarra, a industria da música é outra, Anthony Kiedis teve um filho em 2007 e isso provavelmente mudou algumas coisas, ou não. Quando vejo as entrevistas recentes do AK o acho muito equilibrado e simpático (insira emoji com coração nos olhos).

Antes de ler essa autobiografia do Anthony Kiedis li um livro de entrevistas do jornalista Neil Strauss chamado Everybody Loves You When You're Dead, e em português ficou Fama E Loucura (tradução tenebrosa). Nesse livro o Neil Strauss entrevista o Flea sobre eles ainda fazerem tantos shows, mas antes dá uma definição da banda para os dias de hoje:

"When a band of hard-touring, hard-partying delinquents grows up, gets sober, starts families and finds spirituality, as in the case of the Red Hot Chili Peppers and its bassist Flea, something unexpected starts to happen: The rock and roll dream turns into a job - with very long hours."

Mas, apesar das longas horas, eles fazem esse trabalho com o maior prazer e a gente agradece.

Um beijo Anthony Kiedis. Até a próxima fase. 

26.12.17

Momento TOC Livros (11)

Esse ano li mais do que ano passado, não tinha colocado meta mas li 20 livros. Yeah! Mesmo com uma Netflix no meio do caminho.

O que foi novidade esse ano é que li 3 autobiografias, uma biografia e mais 3 livros que não são de ficção. Se alguém se der o trabalho de ver os últimos 10 Momentos TOC Livros vai ver que sou mais da ficção do que da não-ficção.

E o meu segundo caderno de livros já está preenchido. Já comprei um novo para começar 2018.

Então vamos aos livros desse ano.

- Born To Run - Bruce Springsteen - a autobiografia do The Boss do rock n' roll. Gostei da prosa dele e como ele falou de suas músicas. Fiz um post aqui no blog desse livro junto com o próximo.

- Rita Lee: Uma Autobiografia - a Rita Lee conta sua história quase como se fossem anedotas de uma tia nas festas de natal. No post falo mais sobre esse livro.

- Nutshell - Ian McEwan - nesse livro a história é contada do ponto de vista do feto que ainda está na barriga da mãe. Gostei desse livro.

- The Princess Diarist - Carrie Fisher - a querida Princesa Leia faleceu ano passado no meio do tour de divulgação desse livro. Carrie Fisher encontrou seus diários da época que filmou o primeiro Star Wars quando tinha 19 anos. No livro (que é uma espécie de autobiografia) ela começa preparando o cenário para que quando chegar nas páginas do diário de fato (e ela não mudou nada) já estamos inseridos em todo contexto. A escrita dela é deliciosa.

- 20 - Branca Sobreira - A Branca é minha amiga e esse é seu primeiro livro de contos. São 20 contos e tenho vários preferidos.

- Commonwealth - Ann Pachett - Esse livro conta a história de duas famílias e como as coisas ficam confusas quando o pai de uma família se apaixona pela mãe da outra família. Tem um evento num verão que deixa marcas por muitos anos em todos os envolvidos. Tem também um escritor que escreve a história dessa família e depois vira filme.

- Kubrick's GameDerek Taylor Kent - um livro sobre um jogo (quase uma gincana) em que todas as pistas são relacionadas com a obra do Stanley Kubrick. É mais interessante se tiver visto os filmes.

- Lilian Boxfish Takes a Walk - Kathleen Rooney - A Lilian é uma senhora de 85 anos que decide andar do restaurante para casa na véspero do ano novo (de 1985) em NYC. Nessa caminhada ela vai lembrando de sua vida de mulher independente numa época em que as mulheres tinham menos opções. Lilian trabalhou com propaganda, era poeta e nos seus 85 anos ainda frequenta festas hipsters em Chelsea.

- Histórias da Gente Brasileira Vol. 1 Colônia - Mary Del Priore - Sou péssima com história, lembro de generalidades mas nada específico. Assistindo Outlander tive uma conversa com um amigo (que contei num post) e fiquei preocupada que se, por acaso, voltasse para o Brasil Colônia eu não saberia nada. Então li esse livro para ficar por dentro da vida nessa época. O livro é quase um manual de sobrevivência no Brasil Colônia. No início achei confuso, poderia ter sido melhor organizado, mas depois entendi que a autora usou relatos que ela encontrou em escritos da época (cartas, jornais, etc) para fazer esse raio-x do Brasil. Algumas vezes até parece que estamos lendo uma coluna social. O impressionante é terminar esse livro e ver que pouquíssima coisa mudou de lá para cá.

- The Underground Railroad - Colson Whitehead - O vencedor do Pulitzer de 2017. Um livro sobre a rede de pessoas que se organizaram para levar escravos fugitivos (das fazendas no sul dos USA) até um lugar seguro. Na vida real essa Ferrovia Subterrânea era só de pessoas, estradas e lugares, mas no livro o autor criou mesmo estações subterrâneas e trilhos com vagões. No livro lemos histórias das diferentes pessoas envolvidas com a ferrovia subterrânea: os escravos, os brancos que ajudavam, os brancos que perseguiam, os negros que perseguiam a mando dos brancos. Histórias que se entrelaçam de alguma forma e no centro está Cora que é escrava numa plantação de algodão e decide fugir.

- A História da Menina Perdida - Elena Ferrante. O último livro da série das italianas dramáticas de Nápoles. Não estava muito afim de ler esse livro mas não achei ninguém que me contasse o que acontecia então li tudo. A Elena Ferrante escreve bem, leitura flui, mas que história de revirar os olhos. No primeiro livro ela coloca um mistério que não é resolvido no quarto livro (afff), tem um romance no meio que não cola, o tal do Nino é insuportável, não sei qual das duas é a mais chata e nunca mais a Elena Ferrante me pega para ler um livro dela.

- Clarice - Benjamin Moser - Biografia da Clarice Lispector. Eu não sabia quase nada sobre essa escritora maravilhosa e agora sei mais um pouco.

- Hitmakers - The Science of Popularity in the Age of Distraction - Derek Thompson - um livro sobre a psicologia dos hits e a economia das midias. Porque determidados filmes, músicas, livros, personagens se tornam sucesso. Como a tecnologia muda e avança mais rápido que as pessoas. É um estudo e uma investigação do que chama atenção das pessoas no século 21. Tem ótimas histórias sobre carros, discursos do Obama, vampiros, música pop, pequenos negócios, coisas que viralizam, e a evolução livros-radio-tv-internet.

- Quando a Lua Canta Para o Lobo - Barbara Axt - Conheci a Barbara num pub em Londres e ela estava divulgando (e vendendo) seu livro. Apoiar novos autores é sempre importante. Esse livro é uma história de amor com elementos de fantasia, sobre Luna e Eric. Londres é bem descrita nesse livro e quem conhece a cidade vai se sentir andando por ela.

- Sourdough - Robin Sloan - Esse livro me deu vontade de comer pão. Muito pão. E pão específico. A história é sobre uma mulher que trabalha numa empresa de robôs em San Francisco e um dia resolve fazer pão. Sourdough especificamente - um tipo de pão de longa fermentação comum na cidade Californiana. É uma história divertida de como ela começa a produzir, depois vender e o conflito dela em largar o emprego.

- A Vida Invisível de Eurídice Gusmão - Martha Batalha - Que livro delicioso de ler! Adorei. Como diz no título esse livro é sobre a vida da Euridice Gusmão e todos a sua volta (seu marido, sua irmã, seus pais, sua vizinha fofoqueira, o dono da papelaria da esquina, etc). Eurídice é uma dona de casa no Rio de Janeiro, nos anos 1950,  cheia de talentos que desenvolve mas é sempre barrada de alguma forma pela sociedade, pelo marido, pelas circunstâncias.

- O Humano Mais Humano - Brian Christian - Humano mais humano é um título dado junto com um prêmio ao humano que conseguir provar através do teste de Turing que é um humano de verdade. Uma máquina é considerada pensante se conseguir convencer 30% dos juizes que é um humano através de uma série de perguntas em 5 minutos. E do outro lado humanos tentam fazer o mesmo. O autor do livro se inscreveu no prêmio de 2009 e no livro ele conta como estudou para poder responder as perguntas. E aí vai muita filosofia, linguagem, comunicação, como funcionam os programas de inteligência artificial, etc. A falha desse livro foi o autor não colocar seu teste para a gente saber como foi sua conversa (e ele ganhou o prêmio de humano mais humano daquele ano).

- Purple Hibiscus - Chimamanda Ngnozi Adichie - Esse livro conta a história da Kambili, uma garota de 15 anos, na Nigéria, que é de uma familia rica e tem um pai hiper religioso quase fanático (católico) e rígido. Seu pai é querido na comunidade porque ajuda muitas pessoas mas dentro de casa a realidade é outra. Kambili e seu irmão mais velho tem sua rotina de estudos, reza e pouca liberdade, quebrada quando eles tem que ir passar um tempo na casa da tia (irmã do pai). Com a tia e os primos eles aprendem que a vida pode ser melhor, mesmo com menos dinheiro. Tem um desfecho quase surpreendente (digo quase porque com tudo que é colocado no livro faz até sentido) e é muito bem escrito. Lerei mais da Chimamanda.

- Flâneuse: Women walk the city in Paris, New York, Tokyo, Venice and London - Lauren Elkin - Esse livro começa muito bem com uma filosofada sobre flanar (andar pela cidade e observar detalhes e pessoas) e porque isso era uma exclusividade masculina. Mulheres flanadoras eram raras nos séculos passados por todos os motivos que conhecemos (não andavam sozinhas, lugares não apropriados, não se davam o direito ao prazer de andar por andar observando, etc). Afinal o espaço não é neutro e a busca por essa neutralidade é sim uma causa feminista. Tem capítulos bons como o de Long Island que a autora morava numa cidade dependente de carros e se maravilhou quando se mudou para Manhattan. O capítulo de Tokyo é bom só porque ela é honesta em dizer que não gostou. Os outros são ela descrevendo o que outras autoras escreveram sobre os lugares (Virginia Woolf em Londres, George Sand em Paris), tem um capítulo inteiro que ela descreve um filme (muito chato), tem um capítulo sobre a Martha Gellhorn (jornalista de guerra e escritora) que é bom mas não serve o propósito do livro. Na volta dela a NYC dei uma boa revirada de olhos de tanto clichê. No finalzinho ela retoma o tema, mas achei essa autora chatinha.

- A Glória e seu Cortejo de Horrores - Fernanda Torres - Um livre sobre um ator, Mario Cardoso, e toda sua carreira (aventuras e desventuras) desde o teatro universitário na década de 1960 até as novelas de hoje. Os capítulos se alternam entre passado e presente (onde o ator montou uma versão fracassada do Rei Lear de Shakespeare). É um livro bem escrito, com humor e ironia. De quebra ficamos sabendo como funciona os bastidores de peças, filmes e novelas. A Fernanda Torres entende bem seus personagens. E o prazer de ler aumenta se você conhece a Tijuca e os tijucanos (a Tia Helô era tijucana roots). Um livro que começa com Rei Lear e termina com MacBeth.


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21.1.17

Book Report: 2 autobiografias

Comecei o ano dedicada as autobiografias. Li Born To Run, a autobiografia do Bruce Springsteen e Rita Lee: uma autobiografia.



Dois músicos contemporâneos (Rita Lee é só 2 anos mais velha que Bruce Springsteen) que decidiram contar suas histórias.

Não costumo ler biografias de músicos e artistas porque a gente sempre tem uma imagem idealizada, especialmente quando é fã, e as vezes saber verdades derruba a ilusão. Ou não.

A única outra biografia de músico que li foi Heavier Than Heaven do Charles Cross sobre o Kurt Kobain, que por sinal é muito boa. Li também um livro sobre o David Bowie, mas era mais sobre suas músicas e discos do que uma biografia mesmo.

Mas vamos a Bruce e Rita.

Tanto Bruce quanto Rita escreveram seus livros. As vezes os artistas usam ghost writers para quem contam suas histórias e os fantasmas escrevem. Não foi o caso aqui.

Bruce começou a escrever sua autobiografia em seu caderninho depois de sua apresentação no Superbowl de 2009 e demorou 7 anos para ficar pronta.

A Rita Lee até coloca um fantasma desenhado no meio do livro que corrige alguma coisa que ela contou sem exatidão. (Entendi que esse fantasma é um fã/amigo que leu o que ela escreveu e apontou algumas discrepâncias que ela ou se confundiu ou esqueceu de mencionar)

Bruce Springsteen escreve tão lindamente seu livro que enquanto lia conseguia escutar a voz dele contando sua história.

O livro da Rita Lee não segue exatamente uma ordem, mas tem uma certa cronologia. Não tem capítulos, só textos em poucos ou muitos parágrafos que levam títulos. As vezes parece que estamos escutando as histórias da tia engraçada numa reunião de famíla.

Bruce é um cara organizado, a história dele é contada em ordem cronológica e em capítulos. No fim a cronologia fica um pouco misturada mas não atrapalha em nada. Não é a toa que é chamado de The Boss, é um controlador assumido.

Rita Lee é filha de americano (escocês) com italiana. Bruce é filho de irlandês com italiana.

Bruce era de uma família pobre, teve que morar com os avós, e tem 2 irmãs. Rita vem de uma família classe média, seu pai era dentista, e também tem 2 irmãs.

Bruce Springsteen era bom menino, quase coroinha, do tipo que só foi beber depois dos 20 anos. A Rita Lee...bem, a Rita Lee era (e ainda é) da pá virada, inclusive com um pézinho na delinquência.

Tanto Rita como Bruce foram influenciados por Elvis e Beatles. A diferença entre os dois é que Rita não fala muito de como essa influências aparecem na sua música (só que ela era rock n' roll), o Bruce Springsteen analisa muito bem onde essas influências e outras foram parar na sua carreira.

Aliás, no quesito músicas e carreira, o Bruce Springsteen é muito detalhista. Ele conta como cada album aconteceu, como algumas músicas foram compostas e ainda analisa o album com a fase da vida que ele estava passando.

Rita fala de algumas músicas, como foram compostas, quem as compôs, como foram parar não mãos dela e como apareceram nos discos. Ela fala em poucas palavras como os albuns surgiram, conta em mais detalhe sua carreira solo e usa muitas frases de suas músicas para contar sua história.

Bruce conta sua história em mais de 500 páginas, e Rita Lee em 270. O Born To Run tem umas míseras 6 ou 7 páginas de fotos no fim, o da Rita Lee tem muitas fotos, e boas, que ilustram bem a narrativa.

Rita e Bruce sempre foram músicos. Rita Lee ainda deu aula de inglês e trabalhou em escritório, mas o Bruce Springsteen só pegou no pesado pintando paredes durante um verão na adolescência para ter dinheiro para comprar uma guitarra. Ambos começaram em bandas covers, mas Bruce Springsteen tocou por mais tempo em bares e até hoje é só pedir uma música para ele no show que ele toca.

É interessante ver como o mercado da música era diferente nos dois países. Bruce tocou em bares e pequenos eventos com sua banda até ser descoberto e chamado para gravar um disco. Rita Lee (e os Mutantes) tocavam em festivais nacionais de música.

Tanto Bruce quanto Rita falam das suas amizades, das pessoas que passaram por suas vidas (pessoal e musical), e ambos relatam momentos de tocar com músicos dos quais tinham sido fãs. A Rita Lee abusa mais do name dropping, o mundo da MPB não é tão grande assim.

Bruce Springsteen é poético na sua narração. Ele sabe contar uma história. A leitura flui e em muitos momentos parei de ler para escutar as músicas. Ele é muito sincero numa autoanálise que expõe no livro sobre sua depressão.

A Rita Lee usa e abusa do humor  e de um certo sarcasmo que em muitas partes funciona, mas em outras força uma barra. Também parei o livro em muitas partes para escutar as músicas dela. Ela fala bastante de seu uso e vício em drogas, remedinhos e álcool.

Rita Lee se aposentou, concluiu que chegou a hora de deixar os holofotes de lado, inclusive em alguns momentos do livro ela disse que queria parar apesar dela também dizer várias vezes que no palco todas as mazelas desaparecem. Vi Rita Lee ao vivo acho que umas três vezes. Uma das vezes foi quando ela abriu para os Rolling Stones no Maracanã em 1995 e ela fala desse show no livro.

Nunca vi Bruce Springsteen ao vivo, mas ele continua firme e forte fazendo shows e adora o palco. The Boss teve a turnê mais lucrativa de 2016, então quem sabe eu ainda vou num show dele.


(Já fiz um Analisando a música de Dancing In The Dark do Bruce Springsteen aqui no blog)

29.12.16

Momento TOC Livros (10)

Esse ano li pouco. Muito pouco. Só 12 livros, não é nem metade da meta que estabeleci ano passado (25 livros). Para o ano que vem não tenho meta e vamos ver quantos livros lerei.

Vou culpar a Netflix e as Olimpíadas pela pouca leitura em 2016 e não se fala mais nisso.

Mais da metade dos livros li em inglês, os títulos e capas me chamam mais a atenção, mas quase todos tem tradução para o português. Então para o ano que vem tentarei ler mais autores nacionais.

Li pouco mas metade desses livros tem mais de 500 páginas. Just saying.

Vamos aos livros de 2016.

- Attemping Normal - Marc Maron. Esse é um livro de histórias de vida do Marc Maron, que é um comediante americano. Ele abraça o lado loser da sua personalidade, faz uma autoanálise eficiente e é engraçado.

- Love Letters To The Dead - Ava Dellaira. É um livro teen. A Laurel recebe como dever de casa escrever uma carta para uma pessoa morta e ela começa pelo Kurt Cobain (foi isso que me pegou na sinopse). Acontece que é bem menos interessante do que parece. Ela escreve cartas para outras pessoas mortas mas só para contar sua própria vida (bobinha) e trauma depois que a irmã morreu num acidente.

- Calcinhas no Espaço - Carlos Cardoso. O Cardoso é uma celebridade do twitter e nesse livro ele conta histórias verídicas de pessoas que são pouco conhecidas, empresas que fizeram diferença mas poucas pessoas sabem, ou até fatos que foram mais comentados no Equador so que nos USA onde aconteceram. Inclusive o capítulo que conta a história que dá título ao livro é muito interessante. Assuntos polêmicos contados com humor. Tem um conto fictício. É de graça.

- A Little Life - Hanya Yanaghara. Esse foi o livro mais deprimente que li, ever. É muito bem escrito e falei dele nesse post.

- A Amiga Genial, História do Novo Sobrenome e História de Quem Foge e de Quem Fica - Elena Ferrante. Li três dos quatro livros dessa história sobre Lenu e Lila, BFFs que moram em Nápoles. O quarto livro só sai em português ano que vem. Confesso que tenho pouca paciência para os dramas italianos e muitas vezes acho a personagem principal, e narradora da história, Lenu, chatérrima (a Lila também não fica muito atrás), mas tem passagens muito bem escritas e a história se desenvolve bem. A primeira metade do primeiro livro beira o insuportável de tão chata (é sobre a infância delas nos anos 50), quase desisti, mas a segunda metade (elas já adolescentes) manteve meu interesse. O segundo livro é o melhor, muito bem escrito, tem duas passagens que valem a leitura. O terceiro livro é ok, mas não me deixou tão curiosa assim para ler o quarto. Inclusive, se alguém já leu e quiser me contar o que acontece, agradeço.

- Fates and Furies - Lauren Groff. Esse livro é sobre o casamento de Lotto e Mathilde. A primeira metade é toda contada na visão dele e a segunda metade do ponto de vista dela (e é beeeem mais interessante). É quase como Gone Girl mas sem psicopatas e a leitura da primeira metade é menos fluída. Se conseguir chegar na segunda metade vale a pena.

- Here I Am - Jonathan Safran Foer. Gosto muito do Jonathan Safran Foer, sempre leio os livros dele e comprei esse assim que saiu. O livro é sobre uma família judia que mora em Washington DC. Pai, mãe, três filhos, avós, cachorro e a dinâmica da família. É bem escrito, uma narrativa boa, e interessante até 2/3 do livro, aí no final a coisa meio que desanda, mas antes disso é muito bom.

- My Name is Lucy Barton - Elizabeth Strout. A Lucy Barton opera o apêndice e em decorrência da cirurgia ela tem algumas complicações que a mantém no hospital por mais tempo. Sua mãe, que ela não fala há anos, vem ficar com ela aí temos toda a história da Lucy contada, afinal ela é uma escritora. É um livro bom de ler.

- The Perpetual Astonishment of Jonathon Fairfax - Christopher Shevlin. Esse livro é uma comédia-thriller sobre uns documentos que são roubados de um político influente. Tem assassinato, perseguição, detetives particulares e um vendedor da Harrods. Tem até romance. Achei esse livro divertido e nada melhor do que humor inglês, especialmente depois de ter lido o drama excessivo das italianas de Nápoles.

- Moonglow - Michael Chabon - Nesse livro Michael Chabon conta a história de seu avô, e de sua família por tabela. Em 1990 ele foi até a casa de sua mãe na California visitar o avô que já estava doente e com a lingua solta louco para contar todos os babados da família. Claro que é uma versão romanceada e provavelmente muita coisa é inventada mas isso não interessa, é uma ótima leitura. O avô do Michael Chabon até que teve uma vida interessante mas os melhores capítulos são os que envolvem a avó.



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15.7.16

Book Report: A Little Life - Hanya Yanagihara

Esse ano não estou lendo tanto quanto gostaria. Não sei o que aconteceu mas até agora só li quatro livros, é muito pouco. Vou culpar a Netflix, mas isso fica para outro dia. Acontece que comprei um kindle novo (o antigo ainda está bom, mas queria um menor) e agora vou me dedicar mais. Xô maratonas de séries.



Confesso que não compraria esse livro pela capa (mas depois de ler fez sentido, e tem outras capas), mas me foi sugerido insistentemente pela Amazon, depois li o post da Helô sobre o livro e fiquei curiosa. É o primeiro livro no kindle novo. Saiu aqui no Brasil como Uma Vida Pequena.

Adianto que esse foi o livro mais deprimente que já li. Não é ruim de jeito nenhum, mas é muito triste mesmo, do tipo que você fica um pouco arrasada durante a leitura e depois também. Sim tem momentos leves, até alegres mas quando você acha que as coisas vão talvez melhorar um pouco PAH! tapa na cara.

O livro é sobre quatro amigos desde que saem da universidade, vão morar em NYC e os acompanha até seus 50 e poucos anos. Cada um dos amigos tem sua característica: o artista com personalidade forte, o bonito e gentil, o rico e prático, e o inteligente e calado. Algumas pessoas do forum relacionaram esse livro com é With A Little Help From My Friends dos Beatles, acho justo.

A amizade entre os personagens é bonita. São pessoas diferentes, de backgrounds diversos e que de alguma forma naquele espaço e tempo se encontraram e mantiveram a amizade ao longo dos anos. E é daquelas amizades fortes mas que permite agregados que vão aparecendo ao longo da vida. Assim outros personagens importantes surgem.

A história na verdade gira em torno do Jude, o inteligente calado. Dos 4 é o que teve uma infância misteriosa que nos é contada em pedaços ao longo do livro. E não foi fácil. Ainda bem que o passado misterioso do Jude é colocado aos poucos em camadas dentro da narrativa misturando com o presente igualmente dramático. Se fosse tudo de uma vez o leitor ia passar três dias em posição fetal traumatizado depois de cada página.

O personagem que mais gostei foi o Willem, o bonito e gentil. Ao contrário do Jude, que mesmo entendendo seus problemas me irritava muito, o Willem era uma pessoa aberta e flexível mas que também teve seus problemas.

(vou deixar a parte com spoilers nos comentários)

Gostei muito da narrativa do livro. A história é contada por vários pontos de vista e isso deixa a leitura mais interessante, mesmo porque as vezes eu demorava um pouco para saber quem estava contando aquela parte. A leitura flui, e em muitos momentos os problemas dos personagens são quase palpáveis. As descrições são precisas (algumas as vezes excessivas, too much information). São 700 páginas e a autora nos mantém curiosos e interessados em saber o que aconteceu e o que vai acontecer.

Poderia ter algumas páginas a menos e alguns diálogos melhores (haja pedidos de desculpas nesse livro). Não é uma história muito feliz, mas vale a leitura e a experiência.


(Esse livro em alguns pedaços me lembrou o excelente As Incriveis Aventuras de Kavalier e Clay, mas não é tão bom quanto. Sorry Hanya.)






29.12.15

Momento TOC Livros (9)

Esse ano não consegui passar dos 17 livros. Fiquei abaixo da média dos últimos anos (20 livros) mas vou manter a meta de 25 livros para o ano que vem. Um dia eu consigo. Então vamos a lista de 2015.

- To Rise Again At a Decent Hour - Joshua Ferris - Esse livro foi indicado a alguns prêmios (Man Booker era um deles) e estava em várias listas de indicações de leitura. É sobre um dentista, Paul, que tem sua vida hackeada. Alguém cria um website, twitter e facebook falsos, e essa pessoa sabe muito da vida do Paul. Acontece que começam aparecer alguns posts anti-semitas em nome do Paul (que é ateu), ele fica preocupado e decide investigar e tentar achar o hacker. O Paul é um chato. Pronto falei. O hacker tem uma história interessante.

- Quem Vai Ficar Com Morrissey - Leandro Leal - Eu gosto do vocalista do The Smiths e comprei esse livro pelo título. O livro é sobre o Fernando, um jornalista arrogante, condescendente, depressivo (mas não de fato) e infantil. Ele acha que as mulheres com as quais ele se relaciona tem que gostar das mesmas coisas que ele e se não gosta ele tenta doutriná-las. Ele é dessas pessoas que quando coisas acontecem ele escuta uma música para ocasião (nem que seja mentalmente), e é aí que entram as músicas do The Smiths (e outras). Um dia ele se apaixona, leva um fora, a história não fica melhor e o Fernando cada vez mais insuportável.

- How To Build a Girl - Caitlin Moran - É um livro sobre adolescência, mas bem realista e já começa chocando. Johanna é uma inglesa de 14 anos (o livro vai até os 18 anos dela) que é gordinha, mora numa cidade pequena, sua família (grande) é pobre (e depende de auxílios do governo). Ela gosta de escrever e até ganha um concurso de poesias mas depois de um episódio humilhante na tv ela cria uma persona, Dolly White, que gosta de música e é meio gótica. Johanna compra revistas e discos e começa escrever sobre música e bandas. Ela consegue um emprego numa revista maior e sua vida fica interessante.

- A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert - Joel Dicker- Um livro sobre um escritor escrevendo um livro sobre outro escritor. Um tapa de metalinguagem. Marcus é um escritor medíocre que vai atras de seu professor da faculdade, Harry (que é escritor de sucesso) para ajudá-lo. Acontece que o Harry estava sendo preso porque acharam um corpo no jardim dele. O Marcus decide investigar e escrever um livro sobre a história. Achei divertido. (a capa da edição nacional é bonita)

- The Anatomy of Dreams - Chloe Benjamin- Esse é sobre dois pesquisadores de sono e sonhos. Sylvia e Gabe se conhecem no high school, mas o Gabe some e só reaparece no penultimo ano da faculdade dela. Ele a convence a largar tudo e seguir um  professor que está fazendo uma pesquisa em pessoas que tem problema com sono. Tem uns twists interessantes, mas as vezes é confuso.

- Funny Girl - Nick Hornby - tem post.

- Sweetness #9 - Erik Clark - daqueles livros de ficção que estão muito perto da realidade. Tem post.

- Beautiful You - Chuck Palahniuk- versão do Chuck para 50 tons de cinza e ficou bom. Tem post.

- In The Unlikely Event - Judy Blume - Já disse que a Judy Blume é uma das minhas autoras favoritas (especialmente na fase pré-adolescente), as vezes ela escreve livros para adultos como o Summer Sisters que li ano passado. Esse é sobre a queda de não um, mas três aviões numa pequena cidade de New Jersey (entre 1951 e 1952) e como esses acidentes afetaram as vidas das pessoas (e cidade). Os persongens são fictícios, mas as quedas dos aviões foram reais. (Claro que a personagem central é uma adolescente, afinal é o que a Judy escreve de melhor)

- David Bowie e os Anos 70 - O Homem que Vendeu o Mundo - Peter Doggett - um livro sobre a fase mais produtiva do David Bowie. A história do rock star (e gênio) é contada em poucos capítulos e a maior parte do livro é uma espécie de análise das músicas dessa época uma por uma. Par ler escutando Bowie.

- Mirtes Ainda Vive - Daniela Abade - Sigo a Daniela Abade no twitter e fiquei curiosa para saber porque a Mirtes ainda vive. É um livro sobre uma road trip de duas senhoras idosas (afinal a Mirtes tem 89 anos) e o neto com síndrome de down. A Mirtes, assim como o João de Santo Cristo, só queria ir a Brasília falar com o presidente. A aventura das tias é boa, a narrativa é variada (tem umas cartas da filha no meio) mas achei o fim meio abrupto (queria saber um pouquinho mais).

- The Girl On The Train - Paula Hawkins - A Rachel foi traída pelo marido, é uma alcoolatra, está morando de favor com uma amiga, está desempregada e todo dia pega um trem (para dizer que está indo trabalhar) que passa pela casa onde ela morou com o marido (e ele agora mora com a nova esposa e filho). Ela tem uma fantasia com o casal da casa vizinha (acha que são perfeitos) que ela observa pelo trem até que um dia ela vê a esposa com outro homem. E aí segue uma história de mistério e muitas quedas por bebedeira. Divertido.

- Cordilheira - Daniel Galera - Gostei de Barba Ensopada de Sangue e decidi ler esse livro que o Daniel Galera escreveu antes. É sobre Anita, orfã (mãe morreu no parto, pai num acidente de carro anos depois), escritora (escritores adoram escrever sobre escritores né?), que ser mãe. Acontece que seu namorado não está a fim e terminam. Ela tem um grupo de amigas (estilo Sex and The City) mas 2 delas tentam suicídio e a Anita vai para Argentina divulgar seu livro e conhece um homem. É bem escrito mas achei o fim um pouco corrido (assim como o Barba).

- All The Light We Cannot See - Anthony Doerr - Esse livro venceu o Pulitzer de 2015. É sobre uma garota francesa e um rapaz alemão um pouco antes e durante a segunda guerra. É um livro sobre destino e caminhos que se cruzam. A história é boa, os personagens interessantes, foi uma leitura agradável mas eu só queria que terminasse logo.

- O Filho de Mil Homens - Valter Hugo Mãe - esse livro estava aqui em casa e peguei para ler. Conta a história de algumas pessoas que moram numa vila e como estão interligadas. É bom, curto, mas a prosa as vezes é puro sonífero.

- NW - Zadie Smith - Esse livro estava na minha wishlist da Amazon há uns 3 anos e finalmente peguei para ler. A história é sobre 4 pessoas que moram no noroeste de Londres (bairros onde a maioria é de imigrantes caribenhos, africanos e alguns irlandeses, que vivem em conjuntos habitacionais). Lea e Natalie são amigas desde sempre, uma virou meio hippie e a outra advogada de sucesso (mas voltou para morar na fronteira do bairro). Felix aparece no meio do livro para uma contribuição trágica e tem o drogado Nathan. O livro tem vários tipos de narrativas (tem um capítulo que os paragrafos seguem uma numeração.). Ler esse livro foi como pegar o mesmo ônibus todo dia, escutar uma conversa alheia das mesmas pessoas e ter que juntar os pedaços para fazer sentido e a conclusão ser sem graça. Não curti, devia ter acreditado nos comentários da Amazon e do Goodreads.

- Tony and Susan - Austin Wright - um livro de 1993 que voltou a tona porque o próximo filme do Tom Ford (com Jake Gyllenhaal) vai ser baseado nele. É a história de Susan que recebe o livro Nocturnal Animals que seu ex-marido escreveu para ler e criticar. Tony é um personagem do livro do ex-marido que no meio de uma viagem com a esposa e a filha ele é abordado por elementos criminosos. O leitor vai lendo o livro junto com a Susan e ainda fica sabendo dos babados da vida dela. Achei bom, o Nocturnal Animals prende a atenção.


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27.6.15

Book Report: Beautiful You - Chuck Palahniuk



(Esse livro saiu aqui no Brasil como Climax)

O Chuck Palahniuk gosta de experimentar com seus livros. Gosto muito dos livros dele. As narrativas são sempre diferentes e as histórias todas tem um pouco de bizarro. Já li: Clube da Luta, Lullaby (muito bom e ótimo para iniciar), Rant (esse exige muita atenção), Choke, Damned, Tell All,  Diário e Assombro. Um crítico do NY Times disse que Chuck não escreve para turistas.

Além da bizarrice que é comum nos livros do Chuck Palahniuk, uma coisa que ele faz muito bem é descrever o corpo humano e tudo que pode acontecer com esse aglomerado de células em ricos detalhes (as vezes poéticos e outras vezes nojento mesmo, mas você continua lendo com interesse).

Peguei esse Beautiful You para ler no Kindle só porque era dele, sem saber do que se tratava. É um livro sobre sexo (vide o título quase spoiler em português).

Acho que o Chuck Palahniuk viu o sucesso que 50 Tons de Cinza fez e decidiu fazer sua versão. Ou uma provocação. (Não li 50 Tons mas vi o filme)

Nesse livro temos uma garota, Penny, que veio do interior para NYC, se formou em direito mas ainda não passou na OAB e trabalha meio que de secretária num escritório famoso. Um dia Penny entra numa sala que não devia, tropeça, cai no chão e para ajudá-la aparece o homem mais rico do mundo, Maxwell. (coincidência com o livro do Mr. Grey? Acho que não.)

Max é um cara bonito e charmoso (claro) e chama Penny para jantar. Eles engatam um namoro mas sem sexo no início. Penny sabe que ele namorou mulheres poderosas (a Presidente dos EUA e uma atriz super oscarizada) e fica insegura no início. Depois de um jantar em Paris (sim, ele também tem um jatinho), Penny decide que é hora de ver o que o Max tem. E ele tem um bocado de coisa para mostrar. Ui ui ui. Ele é conhecido como CliMaxwell.

Ele também faz ela assinar um contrato mas é de sigilo. Ele quer lançar uma linha de produtos sexuais direcionados as mulheres chamada Beautiful You, e experimenta os top de linha na Penny. Exaustivamente. Anotando tu-do.

Claro que Max não é um cara qualquer, tem um passado misterioso, as mulheres que ele namora sobem na vida mas seus relacionamentos não duram mais do que 136 dias. As intenções do Max com a linha de produtos vão muito além do prazer feminino. (O slogan da empresa é "um bilhão de maridos serão substituídos".)

Achei a leitura divertida.