26.11.13

San Pedro de Atacama

Depois de 3 dias atravessando o Salar de Uyuni e o deserto chegamos a San Pedro do Atacama para descansar. A cidade é turística, estruturada com ótimos restaurantes, hotéis e agências de passeios. Estava lotada com gente do mundo todo, mas principalmente de brasileiros aproveitando o feriado do 15/11.

oasis no deserto

San Pedro é uma cidade fofa, as ruas são de barro ou calçamento (algumas são asfaltadas) e as casas são todas baixas. A rua principal, a Caracoles, é de pedestres, é onde fica a maioria dos restaurantes e agências de turismo. A Caracoles oferece um ótimo people watching.

vulcão licancabur visto da caracoles
caracoles by night


Tem a igreja na pracinha, um mercado de artesanato e um museu que tem muita coisa sobre a geologia e antropologia da região do Atacama.



Tem até um medidor de raios UV que nesse dia marcava extremo. Medo. (além do sol forte também é uma área muito seca então todo tipo de hidratação é necessário)

solmaforo

Em San Pedro do Atacama os passeios funcionam basicamente em dois turnos: manhã e tarde (alguns são a noite), ou seja, a hora da siesta está garantida.

êê soninho bom

Como estavamos lá mais para descansar ficamos bastante no hotel e pela cidade. Muitos dos passeios oferecidos no Atacama são parecidos com o que já tinhamos visto na Bolívia (geisers, salar, lagoas com flamingos, etc), um dos guias do hotel nos indicou passeios para lugares com paisagens diferentes do país vizinho (que virão em posts a seguir), então foi mais tranquilo.

Nosso hotel era ótimo, mas era afastado da Caracoles uns 2km e tinhamos que ir de bicicleta (que tinha no hotel). Algumas vezes depois dos tours tivemos que voltar a pé, que a noite era agradável, mas durante o dia o sol não dava trégua.



Um dos passeios pertinho da cidade (3km da Caracoles) era Pukara de Quitor um lugar com ruínas pré-colombianas e tem um caminho até o alto do morro que dava uma vista bonita da cidade e do vale da morte. É meia hora de subida até chegar no topo. Meia hora de esforço em 2700 metros de altitude (e sol forte) não é fácil, mas como tinha vindo dos 5000 metros em dias anteriores, subi e desci como se tivesse oxigênio extra.

vale da morte do alto


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Mais Atacama:

25.11.13

De Uyuni para o Atacama (3)

O terceiro dia começou cedo, as 6:30 da manhã. Nos 4700 metros de altitude faz muito frio nessa hora, o sol ameniza e estava fazendo um dia lindo.

passeando no deserto

Saímos pelo deserto vermelho e a primeira parada foi a árvore de pedra. No meio do nada aparecem formações rochosas grandes, o contraste do vermelho com o azul do céu é um espetáculo.



Seguimos para o Parque Nacional Fauna Andina Eduardo Abaroa que atravessariamos até a fronteira com o Chile. A primeira parada foi a espetacular Laguna Colorada.



Chegando do alto já dá para ver a cor vermelha (que é resultado das micro algas) e os milhares de flamingos que habitam o lugar. Uma coisa linda.



Depois de ficar contemplando o cenário colorido fomos para os geisers, a 5000 metros de altitude (e uma dor de cabeça que só iria embora no Atacama). Sai um bocado de fumaça com força dos buracos e o cheiro de ovo passado é forte, mas cores são bonitas.



A próxima parada foi uma lagoa que na ponta tem uma piscininha de água termal. A piscina é sem graça, mas o lugar é lindo.



Passamos por mais montanhas e um deserto justamente apelidado de Deserto de Dalí e chegando lá dá para ver porque. Momento Jung da viagem: "é incrível como Dalí pintou essa paisagem sem nunca ter estado aqui."

deserto de dalí
alguém largou a bike para usar o baño inca

Chegamos na Lagoa Verde que tem uma cor linda que muda o tom de verde a cada 10 minutos. Ao fundo o vulcão Licancabur que é metade Boliviano e metade Chileno.

licancabur da estrada
licancabur e a lagoa verde


A última parada foi a Lagoa Branca que é ao lado da Verde.



Almoçamos num refúgio na saída do parque (comida preparada pelo Juan) e seguimos para a fronteira.

O motorista chileno estava nos esperando, carimbamos os passaportes e começamos a descida para San Pedro do Atacama.

Em uma hora descemos de 4800 metros para 2700 metros. Impressionante como você vai se sentindo melhor, a dor de cabeça foi sumindo e 2700 metros ainda é alto pacas!

Assim terminou nossa aventura pela Bolívia, um lugar que surpreendeu demais!


Extras:

Na fronteira chilena tivemos um dos episódios mais curiosos da viagem. Chegando lá tinha um casal de suíços e os dois estavam completamente suados, esbaforidos, cansados ao lado de suas bicicletas. De repente escutamos um choro e acoplado a uma das bicicletas tinha um carrinho anexo, protegido por um plástico, com duas crianças. Uma de 2 anos e outra de 4 com bochechas mais vermelhas do que a Laguna Colorada. A mulher tirou a menor do carrinho enquanto o homem preenchia os papéis. Descobrimos que eles também tinham acabado de atravessar o Salar de Uyuni só que de bicicleta com duas crianças. Gente, isso é que é aventura. Passamos o resto da viagem falando neles.

Sobre a altitude: meu problema é que não consigo dormir acima de 2000 metros, acordo de hora em hora com falta de ar. Fora isso, dessa vez não tive nenhum outro problema a não ser a dor de cabeça no último dia. Da última vez que estive acima dos 3000 metros foi em Cuzco, lá também não dormia, mas me movimentava como se estivesse ao nível do mar e depois de 3 dias passei muito mal. Na Bolivia a frase que mais escutava da minha mãe era "Devagar! Não corre!", sim, como se fosse uma criança de 4 anos, mas funcionou.

Os outros dias da aventura:
De Uyuni para o Atacama (1)
De Uyuni para o Atacama (2)

24.11.13

De Uyuni para o Atacama (2)

No segundo dia da travessia saímos cedo do hotel em Tahua e fomos mais uma vez pelo salar até a Isla Pescado. Chegar na ilha parece que estamos fazendo um passeio de barco, é incrível.

saindo de tahua

A Isla Pescado também é cheia de cactos mas não tem uma infraestrutura como a Isla Incahausi. Mesmo assim havia um grupo acampado lá numa caverna protegida, e alguns estavam no salar tirando as fotos clássicas.

cactos aos montes
praia na ilha
montanhas a frente

Continuamos pelo salar mas já de saída. Passamos por uma área onde dois carros tinham atolado dois dias antes e seguimos para uma caverna chamada Cueva Galaxia. Essa caverna foi descoberta recentemente quando dois homens, que estavam procurando múmias, encontraram as formações delicadas da Cueva Galaxia. Parece papel.



Das cavernas seguimos por um caminho que mudava muito de paisagem, e os vulcões começaram a aparecer junto com pedras, areia, outro pequeno salar e canions. Até que chegamos no mirador Ollago e o vulcão. É uma área com formações rochosas com vista para o vulcão Ollago e onde paramos para almoçar.

trilhos 
olha aí o pessoal de bicicleta


O Juan, nosso guia e motorista, tinha preparado um frango a milanesa com salada e macarrão que estava muito gostoso.


almoço com vista

O mirador é onde os tours fazem uma parada, então quando chegamos tinha outros carros por lá.

a cozinheira de outro tour


Do mirador seguimos para as lagoas. A primeira foi a Cañapa que estava cheia de flamingos, assim como a segunda, a lagoa Hediona (essa tinha até um hotel ecológico na beira). A próxima Chiarkota não tinha tantos flamingos e a quarta, a Honda, tinha um formato diferente.

cañapa
lagoa hediona
flamingos!
lagoa honda

Depois das lagoas começamos a entrar na parte desértica do tour. Parecia que estavamos entrando em marte, tudo vermelho. Entramos no Paso do Inca, uma passagem no meio das pedras, e chegamos no deserto a quase 5 mil metros de altitude, tentando economizar cada moleculazinha preciosa de oxigênio.

paso do inca
a 4900 metros

O Hotel do Deserto fica no meio do nada. É isolado, só dunas de areia vermelha e montanhas em volta. Tem água quente até as 7 da noite e as 10 desligam todas as luzes. A temperatura a noite foi abaixo de zero, mas dentro do hotel estava aquecido. Nessa noite consegui dormir por uma hora e sentada, não teve remédio para altitude que desse jeito. Mesmo com noites mal dormidas não dá sono durante o dia, a vontade de ver tudo nos mantém alerta.

nada em volta
Primeiro dia: De Uyuni para o Atacama (1)