15.2.14

Serra da Capivara


O Brasil tem, sem dúvida, muitos lugares lindos e interessantes para ver e conhecer, mas de vez em quando tem que ter muita vontade e disposição para ir até esses lugares (e ser um pouco highlander). As vezes é a infraestrutura que não ajuda, as vezes são os preços cobrados, as vezes é a organização. Muitas vezes é tudo isso junto.


O Parque Nacional da Serra da Capivara é um desses lugares lindos e interessantes, cheio de história, paisagens belíssimas, sitíos arqueológicos, pinturas ruprestes e animais. O parque é muito bem organizado, tem controle nas entradas, só pode visitar com um guia (que tem que ser contratado pelo menos no dia anterior), mas a cidade mais próxima deixa a desejar, tem pouca estrutura para o turismo. E não é fácil chegar.

No nosso caso fomos de carro. Aproveitando que tinha que renovar o visto dos EUA em Recife, fomos de Fortaleza a Olinda, de lá para Petrolina e depois para São Raimundo Nonato, no Piauí, a (maior) cidade mais perto do Parque (até aí foram quase 2 mil quilômetros de estrada).

As outras opções são: de avião até Teresina e mais 5 horas de carro, ou avião até Petrolina e mais 3 horas de carro.

E precisa ter um carro para percorrer o parque.



Chegando lá, visitar o Parque Nacional da Serra da Capivara é uma agradável surpresa e vale a pena.

entrada do parque para o circuito da
pedra furada
sinalização de transito do parque


A arqueóloga Niede Guidon tomou conhecimento dos sítios arqueológicos da Serra da Capivara em 1963 e a partir de 1973 concentrou seus trabalhos na área e começou a criação do parque visando a preservação da área e do patrimônio cultural pré-histórico.

algumas trilhas são marcadas
passarelas para ver as pinturas

O Parque começou a ser demarcado em 1990 e inaugurou em 1993. Muitas família moravam dentro do parque, cultivavam lavouras e foram transferidas para os limites externos. Inclusive algumas áreas tiveram que ser replantadas.


A vegetação é toda caatinga. Na época de seca é toda branca com galhos secos, nos pegamos o início das chuvas e estava tudo verde. As formações geológicas são incríveis.


O Parque está organizado em trilhas que levam até os sítios arqueológicos e as milhares de pinturas ruprestes que estão nas paredes (algumas com mais de 10 mil anos e super nítidas).


O circuito mais popular é o da Pedra Furada.


Em São Raimundo Nonato ainda tem o Museu do Homem Americano, que está muito bem organizado. O único problema é chegar até lá, não tem uma placa indicando.

interativo

Com tudo que o Parque Nacional da Serra da Capivara e a região tem a oferecer deveriam receber muito mais visitantes (nacionais e estrangeiros) que, se tivesse mais estrutura ao redor do parque, poderiam permanecer mais tempo. (e não é a construção de um aeroporto internacional em São Raimundo Nonato que vai resolver o problema. #ficadica)

12.2.14

Olinda


Como tinha que ir até Recife para renovar o visto dos EUA, aproveitei e fiquei em Olinda. Eu já tinha estado na cidade muitas outras vezes, mas só para passar algumas horas ou na confusão do carnaval.


Olinda é uma cidade colonial, patrimônio histórico e cultural da humanidade, com muitas ladeiras, casas e casarões antigos. A cidade foi fundada em 1537 pelos portugueses que escolheram o lugar por ser um porto natural (formado pelos arrecifes) e ter um morro alto de onde se tinha uma bela vista. Segundo um dos guias (que agora são coordenados pela prefeitura) o português chegou ali no alto e disse "Ó linda situação para se construir uma vila.". A vista devia ser muito bonita mesmo com mata atlântica e o mar ao fundo.



Os holandeses invadiram Olinda em 1630, incendiaram a cidade, tiraram o que tinha de valor das edificações e foram construir sua cidade: Recife. Os portugueses expulsaram os holandeses mais aí Recife já tinha se estabelecido como principal e Olinda ficou secundária. Depois que os holandeses foram embora os portugueses começaram a recuperar a cidade, mas pelo jeito até hoje não conseguiram (achei um pouco abandonada). No século 19 Olinda virou um lugar de veraneio que aos poucos foi se tornando residência.

olinda e recife


O centro histórico de Olinda não é grande, facilmente se percorre tudo a pé, mas tem que ter disposição para as ladeiras. No ponto mais alto, além das igrejas e museu, tem uma feirinha, lojas de artesanato e souvenirs e um banheiro público. Também tem uma caixa d'água bizarra que destoa da arquitetura local mas tem um elevador panorâmico com uma vista linda.

em olinda tem bikes de aluguel (só falta ciclovia)

Ficar lá é bom para fugir do agito da cidade grande, as ruas são tranquilas, a noite é calma (e boêmia) e tem bons restaurantes. Em Olinda tem vários ateliês de artistas locais e muita arte de rua também. Só a praia que não é boa.



A sensação que tive é que Olinda passa o ano inteiro esperando o carnaval. A maioria das casas tinha placas ou faixas anunciando que poderiam ser alugadas para a festa do Momo e tem muitas lojas com fantasias e adereços de carnaval.

calma que ainda vai começar

4.2.14

+Filmes

The Wolf of Wall Street (O Lobo de Wall Street)

No começo do filme o Leo DiCaprio já diz quais são as drogas que seu personagem usa e porque as usa: para dar barato, para se concentrar, para se acalmar, para acordar e algumas porque são boas mesmo. E é assim que a gente assiste ao filme, as vezes parece um barato, outras nos concentramos, tem momentos de calma seguidos de agitação e Scorsese entrega um ótimo filme.

O filme é sobre o Jordan Belfort, garoto bom de vendas que aprendeu os segredos de Wall Street e começou a ganhar dinheiro. Muito Dinheiro. E também a esbanjar mais ainda. Fazem até um evento de arremesso de anões no escritório (a reunião organizando esse evento é hilária). Ele é um escroto, viciado em drogas, em sexo, na sua imagem, mas é um excelente vendedor. Ele diz logo no início: "todo mundo quer ficar rico rápido." e "o dinheiro faz de você até uma pessoa melhor.".

A parte mais importante do filme é quando o personagem do Matthew McConaughey (em mais um excelente papel) explica como funciona o mercado de ações (uma espécie jogo de azar/sorte, mas quem sai ganhando é o corretor cheirado que se aproveita do vício e vontade das pessoas em ganhar dinheiro rápido).

Outra parte interessante é a conversa do Jordan com o agente do FBI no seu iate faraônico. O agente o chama de "little man" e o Jordan deseja ao agente boa sorte voltando para casa de metrô.

Leo DiCaprio está ótimo como Jordan! Jonah Hill impressiona e a Margot Robbie, atriz australiana, faz um sotaque do Brooklyn perfeito.

A trilha sonora é excelente, mas por isso eu já esperava.

O filme é longo, 3 horas. As duas primeiras passam rápido, a terceira um pouco mais lenta, talvez porque nessa fase o Jordan tenha largado as drogas.

A Tia Helô ia ficar horrorizada com o tanto de f**ks que falam e com as festinhas organizadas pelo Jordan, aquela em Las Vegas então... 817 "Ai, Jesus!" para o Lobinho de Wall Street.


The Book Thief (A menina que roubava livros)

Li o livro em 2007 e não me impressionou muito. A única coisa que lembrava era que a história é narrada pela Morte. Fui no meu caderninho de livros para ler as anotações e lá escrevi "a primeira parte do livro em que a Morte se apresenta é muito boa, o resto é livro pipoca.", com isso eu quis dizer que a história não tinha nada de mais e não me apeguei a Liesel e companhia (mas gostei da Morte).

Dito isso, achei o filme melhor que o livro. Inclusive a narração da Morte no filme também é muito boa, pena que é só no início e fim. A Morte se impressiona com Liesel a a acompanha por toda a vida, mas a história do livro e filme se passa nos anos anos da segunda guerra mundial na Alemanha.

A única coisa que me incomodou foi como so atores falavam. Parecia aquela coisa de novela da Globo quando algum personagem é estrangeiro e fala com um sotaque esquisito inserindo algumas palavras do idioma natural. Tipo os italianos de Terra Nostra. Cafona.

Nesse filme eram todos alemães então, ou todos falam alemão, ou falam inglês normal, afinal sabemos que são alemães. Não é um "nein" e um "ja" no meio da frase com sotaque sisudo que faz a diferença.

A Tia Helô ia gostar do Rudi, mas não daquela queima de livros. 21"Ai, Jesus!" para a ladrazinha de livros.

Mud

Matthew McConaughey está numa fase ótima desde The Paperboy, onde ele fez um jornalista. Teve: o stripper de Magic Mike, o matador de aluguel de Killer Joe, o portador do virus da Aids em Dallas Buyer's Club, o yuppie de Wolf of Wall Street, o detetive misterioso de True Detective e esse fugitivo romântico de Mud.

Isso é que é se reinventar na carreira de ator.

Mud é sobre um menino, Ellis, que mora na beira do rio numa casa barco com os pais. Ele passa o tempo com o amigo explorando as ilhotas das redondezas antes de ir para escola. Um dia eles encontram o Mud que está fugindo da polícia porque matou um homem que estava abusando fisicamente de Juniper, o amor da sua vida. Acontece que a Juniper é daquelas mulheres que gosta de provocar os homens e sabe que tem um porto seguro no Mud, afinal eles são namoradinhos de infância e esses amores duram para sempre.

O Mud pede ajuda aos garotos para consertar um barco abandonado para que ele possa fugir com a Juniper. Como o Ellis é um romântico, ele se empenha em conseguir as partes do barco e ao mesmo tempo vai aprendendo uma coisa ou outra sobre o amor.

Eu diria que é um filme fofo, mas tem tiroteio.

A Tia Helô não gostaria nadinha de meninos ajudando fugitivos, mesmo que seja por amor. 513 "Ai, Jesus!" para Mud.

1.2.14

The Pipi Ball



Nos 4,5km do calçadão da Beira Mar de Fortaleza, do mercado de peixes (que ainda está em construção), no Mucuripe, até a Ponte dos Ingleses, na Praia de Iracema, só tem UM banheiro público na ponte, que eu nem sei se ainda funciona.

Ao longo da Beira Mar tem várias barracas de praia, e alguns restaurantes, que tem banheiros, mas muitos são sujos, pequenos, mal cuidados. Tem barraca que fica regulando a chave do banheiro e algumas cobram para usar. Aliás, deveria ser obrigatório manter um banheiro limpo e público para ter a concessão da barraca. Se você estiver andando no calçadão e a vontade apertar as opções são: barracas sujinhas ou hotéis (ou, como alguns em desespero, a praia e o mar). Chuveiro, sem ser nas barracas, também só tem UM no aterro da Praia de Iracema.



Nem na construção do Jardim Japonês tiveram a idéia de colocar um banheiro público.

Aí vem a Copa do Mundo e a solução dos nossos problemas. Só que não.

Decidiram construir 3 banheiros públicos pela cidade. TRÊS para uma cidade com mais de 2 milhões de habitantes e que espera sei-lá-quantos-mil turistas na Copa. É em formato de bola. Isso mesmo. BOLA. Um deles fica na Praia de Iracema e passo por lá quase todo dia no percurso da corrida. (Os outros dois ficam na praça do Colégio Militar e no Mercado Joaquim Távora)

Por fora parece um mini Epcot Center.



Dizem que vão instalar painéis de led por fora, ainda não entendi para que.

A obra já tem mais de 6 meses. Disseram que a inauguração seria nessa semana, mas os tapumes ainda estão lá e a obra parece parada (acho que só inauguram depois do carnaval para a multidão não estragar o banheiro da Copa). Na reportagem está escrito que o banheiro vai abrir das 9h as 21h, ou seja, nós, os atletas matinais que estamos ali antes das 9, ainda teremos que recorrer métodos alternativos em caso de emergência.

A estrutura vai ficar por um ano, depois disso parece que a população vai ter que pedir à prefeitura que deixe a bola no local. Já adianto que quero que o banheiro permaneça, mas podem, por favor, simplificar a estrutura.

Não me entendam mal, acho ótimo que finalmente construíram um banheiro público na orla. Acho até justo se tiver que pagar para usar e mantê-lo limpo. Inclusive acho necessário que façam mais banheiros públicos, de preferência permanentes.

Espero que até a Copa do Mundo essa bola role.

enquanto isso banheiro químico no pré-carnaval


UPDATE (em 20/02): Não teremos mais a Pipi Ball e muito menos um banheiro público na Beira Mar. Pelo que entendi, o banheiro era uma concessão e a empresa não terminou a obra a tempo, nem inaugurou os banheiros, então a prefeitura mandou demolir. Um tremendo desperdício de dinheiro, mesmo que esse investimento tenha sido todo feito pela empresa. A prefeitura pode não ter gasto para construir a bola, mas gastou demolindo e provavelmente vai ter que recuperar o buraco no calçadão que ficou no lugar.
Por mais que achasse essa bola ridícula, o banheiro público é mais do que necessário.

O Nick também escreveu sobre a bola banheiro.