Chegou a vez da história do Michael Jackson chegar ao cinema.
Fui ver esse filme sem muitas expectativas porque é do mesmo produtor do Bohemian Rhapsody e dominado pela família do Michael Jackson.
Quando o Michael Jackson faleceu em 2009 escrevi um post e disse que comprei o Thriller assim que saiu no Brasil e escutei até furar, tanto que nem tenho mais o LP. Logo depois passei a me interessar pelo rock britânico e quando MJ lançou o Bad eu já estava em outra mas acompanhei os maiores hits que ele lançou depois.
Ainda não fiz um analisando a música do MJ mas um dia virá porque já fiz Madonna e Prince, os outros dois da santa trindade do pop dos anos 1980. (Aceito sugestões de músicas)
Vamos ao filme.
Vou começar dizendo que achei todos os atores bons. O Coleman Domingo que faz o Joe Jackson, pai do MJ, tem uma presença assustadora e fiquei com medo dele. O Juliano Valdi que faz o MJ criança é ótimo e o Jaafar Jackson está de parabéns porque quando ele dançava me sentia num show do MJ. Quanto mais passa o tempo no filme mais o Jaafar Jackson fica parecido com o Michael Jackson.
A parte dramática deixa a desejar. O Michael Jackson ficou bidimensional, ele já é uma figura infantilizada e ficou mais ainda no filme. O MJ de Off The Wall frequentava lugares, tem um bocado de foto dele na época saindo, indo a festas, no filme parece que ele adulto só ia do estúdio para casa brincar com os bichos. O pai do MJ foi uma figura dominante na vida dele nessa fase que mostra no filme mas acho que focaram demais na figura do pai. Dava para a gente entender essa dinâmica pai e filho e ao mesmo tempo mostrar outras coisas.
Senti falta de várias pessoas como a Diana Ross (sei que filmaram mas cortaram) e a Janet Jackson (que se recusou a fazer parte). Poderiam ter mencionado We Are The World, nem precisava mostrar, mas como falar do MJ dos anos 1980 sem mencionar esse evento.
Eu gostaria de ter visto mais do processo criativo do Michael Jackson, tanto musical quanto conceitual dos shows e videos. Queria ter visto mais dele com o Quincy Jones no estúdio gravando Thriller e Bad. Quincy Jones foi subaproveitado nesse filme.
Claro que não dá para colocar tudo em um filme de 2 horas mas dá para fazer uma coisa mais coerente, fluida, menos com cara e diálogos de filme/série para tv dos anos 1990 (a série já existe). MJ merecia mais do que uma biopic básica.
Palmas para o figurino, maquiagem e direção de arte das apresentações.
Toda a parte musical é muito boa, além das músicas serem ótimas tem as coreografias geniais. Acho que o ponto positivo da família ter tido controle do filme foi que puderam usar todas as músicas do MJ e do Jackson 5.
A cena do MJ criando a coreografia de Beat It é muito bem feita. A cena dele cantando e dançando Billie Jean na festa da Motown ficou perfeita (mas acho que não foi dada a dimensão do quanto foi importante na época, foi a primeira vez que ele fez o moonwalk em público). A cena da filmagem do video de Thriller é boa mas na vida real teve muito mais babado por trás. Poderiam ter feito um filme só sobre MJ fazendo o disco Thriller, as músicas e videos.
No filme, toda vez que tem uma apresentação tanto do MJ quanto do Jackson 5 a gente se sente na platéia do show. Passei o filme todo balançando os ombros e batendo os pés. Ver no IMAX fez a parte musical ainda melhor. Mas acho que teria gostada mais ainda se fosse uma sessão sing-a-long onde pudesse cantar e dançar.
Voltei para casa escutando Thriller no som do carro. É genial.
O filme termina no lançamento de Bad e dizem que vai ter uma segunda parte. Acho desnecessário mas espero que melhorem a parte dramática e verei pela parte musical.
Não sei se a Tia Helô gostava do Michael Jackson, não lembro dela falando dele como falava do Elton John e do Freddie Mercury. Acho que ela teria balançado os ombros vedo esse filme e teria dito 421 "Ai, Jesus!" para toda vez que o pai dele entrava em cena.

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