25.9.19

Ottawa

Ottawa é a capital do Canadá, então fomos ver o que acontece por lá.


Fomos de trem e a viagem foi ótima. Trens confortáveis, espaçosos, limpos e com serviço de bordo com preço justo.


Ottawa não é grande e fica na beira do Rio Ottawa que faz fronteira entre Ontario e Quebec. De um lado falam inglês e do outro francês. Mas em Ottawa tem tudo nas duas linguas.


A cidade é fofa, limpinha, com parques verdinhos.


O prédio do parlamento parece um castelo e fica no topo de uma colina. Não visitamos por dentro porque estava em obras.


Do lado do Parlamento tem o canal que foi construído para ligar Kingston a Montreal evitando a fronteira com os Estados Unidos no Rio St.Lawrence.

o canal, o rio Ottawa e
Gatineau em Quebec do outro lado

Nós ficamos no Byward Market que é o bairro boêmio da cidade. Tinha vários restaurantes, cafés, bares e pubs. Só não tinha muitas pessoas. Um dos bares tinha mais gente e a maioria jovens na casa dos 20 anos. Nas duas noites que passamos lá fiquei tentando imaginar como os bares e restaurantes se sustentavam porque abriam e alguns estavam vazios mesmo, zero pessoas.


É um cidade com toda estrutura de uma cidade grande mas sem tanta gente para preencher.


Fomos ver a aranha enorme da Louise Bourgeois e é linda. Não entramos na Galeria de Arte de Ottawa porque estava um dia lindo e foi melhor andar na beira Rio.


Andamos por downtown Ottawa que tem prédios altos, modernos, e passamos por um bairro residencial até chegar no museu de história natural.

Beira Rio Ottawa

O prédio do museu é de 1911, foi construído em homenagem a Rainha Vitória, e em 1916 tiveram que derrubar a torre porque pesava e estava afetando a estrutura. Em 2010 inauguraram a nova estrutura de vidro que chamam de lanterna. A Rainha Elizabeth II veio lá da Inglaterra para cortar a fita.


O museu é ótimo, é interativo e um ótimo programa para crianças.

vai um cházinho?
um clássico canadense
o outono aparecendo.



13.9.19

Toronto - TIFF

A ida ao Canadá e Toronto também foi motivada pelo TIFF, Toronto International Film Festival, o festival de cinema da cidade.



A King Street fecha para carros e bondes, vira uma rua de pedestres com food trucks e stands de patrocinadores. Andar na King Street durante o TIFF é animado, e tem vários bares e restaurantes em volta, a chance de encontrar um famoso é grande. (Nós vimos Gael Garcia Bernal num restaurante Tailandês)

na king street tem a calçada da fama canadense

Como ali tem a maioria dos cinemas que passam os filmes, a organização monta vários tapetes vermelhos por onde passam as celebridades. E tem muitas pessoas que ficam lá até na chuvinha fina esperando os famosos.



Demos sorte de ter uma amiga trabalhando no TIFF esse ano e conseguimos alguns ingressos. Quase todas as sessões que fomos eram da primeira exibição então tinha a presença dos diretores e de atores apresentando seus filmes. Não é tão fácil conseguir ingressos para o que se quer ver, as vezes tem que ir no que tem, mas alguns filmes até dá para conseguir na rush line (a fila para comprar ingressos que sobram daquela sessão).


Alguns filmes passam em teatros com balcões e camarotes. Um dos teatros que fomos parecia uma filial do Rainforest Café de tanta planta no teto.

Aqui está o que vimos no TIFF.

Seberg - filme sobre a atriz americana Jean Seberg, que fez muito sucesso na França, e foi perseguida pelo FBI que achava que ela tinha ligações com os panteras negras. Ela foi vigiada por muitos anos. Filme dirigido por Benedict Andrews com Kristen Stewart, Anthony Mackie e Jack O'Connel. Essa história tinha muito potencial que achei desperdiçado. A Kristen Stewart está bem e a melhor coisa do filme é o figurino dela. O elenco estava lá e depois do filme teve um perguntas e respostas.

kristen stewart no tapete vermelho
elenco e diretor respondendo perguntas

Ema - filme chileno sobre uma mulher, professora de dança e bailarina, que quer recuperar seu filho adotivo. Esse filme é ótimo, moderno, atual. Dirigido por Pablo Larrain que dirigiu Jackie com a Natalie Portman. Em Ema ele conta com Gael Garcia Bernal, Santiago Cabrera e Mariana Di Girolamo (que está maravilhosa como Ema). O elenco e diretor estavam lá e responderam várias perguntas sobre o filme. Vimos tudo na primeira fileira. Gael é um fofo e Santiago é lindão.

gael, santiago e mariana de pertinho

Marriage Story - um ótimo filme sobre divórcio que consegue colocar muito bem os pontos de vista de cada um e como esse processo é encarado por ambos. Adam Driver e Scarlett Johansson fazem o casal nesse filme dirigido pelo Noah Baumbach (que gosta do tema já que também dirigiu A Lula e a Baleia). Scarlett Johansson deve estar no Oscar ano que vem assim como Adam Driver que quase rouba o filme. Levem lencinhos. Nessa sessão o Noah Baumbach apareceu no início para apresentar seu filme mas não teve perguntas depois.

Two Popes - filme sobre o período entre o Papa Bento deixar o cargo e o Papa Francisco assumir. E mostra também um pouco da história do Papa Francisco. A conversa entre os dois é sempre ótima, a trilha sonora é certeira e tem uma cena na Capela Sistina que me deixou querendo saber como tinham conseguido filmar lá dentro. Filme dirigido pelo Fernando Meirelles com Sir Anthony Hopkins e Jonathan Pryce. No fim do filme Fernando Meirelles e Jonathan Pryce estavam lá para responder as perguntas e é claro que alguém perguntou da Capela Sistina. Resposta do Fernando Meirelles: "A Netflix tem tanto dinheiro que construimos nossa Capela Sistina nos estudios da Cinecitta". BUFO! E queria agradecer a Netflix que distribuiu ingressos na rush line e vimos esse filme de graça.

na hora que fernando meirelles explicava a cena da capena sistina

A Vida Invisível de Euridice Gusmão - sim, vimos um filme brasileiro em Toronto. Filme do cearense Karim Ainouz, baseado no excelente livro da Martha Batalha. O filme é sobre Euridice e sua irmã Guida e como suas vidas seguiram caminhos, eu diria, frustrantes, mas que infelizmente na época em que passa a história (1950-1960) a realidade das mulheres era essa. O livro é maravilhoso e leve, o filme é bom e muito pesado. Como eu tinha a expectativa de quem leu o livro acho que quem não leu o livro achou o filme melhor. No fim o Karim respondeu perguntas e uma senhora se levantou e disse "Na minha família sou conhecida por dormir em filmes bons, dormi nesse.". O Wagner Moura estava na platéia, foi simpático com nosso grupo de cearenses e até tirou uma foto.



Honey Boy - filme sobre um ator mirim e sua relação difícil com seu pai. O roteiro desse filme é do Shia LaBeouf e é meio autobiográfico. Nesse filme Shia interpreta seu pai e o menino Noah Jupe faz ele jovem. Shia adulto é feito pelo Lucas Hedges. Todos talentosos mas o menino Noah é maravilhoso. Filme dirigido pela Alma Har'el e esse é o primeiro filme dela que vi. O filme é bom. No fim estavam todos no palco respondendo as perguntas. O Shia LaBeouf é muito inquieto, mas a diretora disse que estavam todos emocionados porque foi a primeira vez que viram o filme pronto.

diretora e elenco de honey boy


O filme que venceu a escolha do povão (People's Choice) foi Jojo Rabbit que queriamos ver mas não conseguimos. A minha amiga Branca conseguiu ver no encerramento do festival e disse que é ótimo, foi merecida a vitória. E reza a lenda que vencedor do TIFF é sempre indicado ao Oscar e alguns ganham (Green Book foi um.)

E fomos ver Hustlers (As Golpistas), filme que estava no TIFF mas só conseguimos ver depois que estreiou nos cinemas canadenses. A única coisa que tenho a dizer sobre esse filme é que o pole dancing da J.Lo vale o ingresso.



11.9.19

Toronto

A última vez que estive em Toronto foi há tantos anos que a única coisa que lembro é de patinar na pista em frente a prefeitura. E do frio. Haja frio no Canadá.



Mas dessa vez fui no fim do verão e só peguei temperaturas super agradáveis.

Toronto é uma cidade tranquila. Tem todo o porte de uma cidade que poderia ser bem mais movimentada, mas as ruas e calçadas tem espaço para todos, e até no transporte público não andei nenhuma vez como sardinha em lata, nem na hora do rush.


O transporte público funciona muito bem, do metrô aos bondes. Se locomover pela cidade é fácil. Para andar no transporte público tem que ter um Presto, que é um cartão que você coloca dinheiro e vai passando nos transportes, vende nas estações e no aeroporto. Até 2 horas você pode mudar de transporte que paga só uma tarifa.




Fomos a Casa Loma, uma casa construída por um rico empresário que adorava uma ostentação e fez seu castelo no alto da colina com vista da cidade. Hoje a Casa Loma é usada como cenário de vários filmes e séries. Fiquei impressionada com os lustres da casa, é uma coleção incrível, até o chuveiro tem um lustre próprio. A casa é enorme e tem até um túnel subterrâneo que atravessa algumas ruas para chegar no que eram os estábulos da casa. E como o Halloween está próximo, esse túnel estava todo decorado para a data, na Casa Loma oferecem uma espécie de escape room (na verdade escape house) que deve ser divertido.


O jardim externo é bonito, o jardim de inverno é a parte mais bonita da casa, da para subir nas torres e ver o skyline de toronto lá do alto, e tem um andar todo dedicado a Primeira Guerra Mundial.



Também fomos na AGO, Art Gallery of Toronto, que fica num prédio que foi renovado por Frank Ghery e tem uma escada de madeira linda. Lá vimos a exposição da Yayoi Kusama que é uma sala de bolas de espelho muito interessante, pena que o tempo lá dentro é limitado a um minuto contado no relógio. O resto da galeria é maravilhoso, tem arte asiática, européia, Rembrandt, Picasso, Andy Warhol, Henry Moore e muitos artistas canadenses. Tem esculturas e fotografias. A lojinha do museu é ótima.


O ROM, Royal Ontario Museum, é o museu de história natural da cidade. A estrutura que mistura um prédio mais antigo com um que parece um cristal é interessante. Por dentro é um museu legal, mas acho que crianças aproveitam mais. Tem muitos bichos empalhados (que me dá nervoso), mas tem uma parte chinesa que é muito boa, e tem totems enormes.


O Distillary District é bacana, almoçamos lá e as lojinhas são ótimas. E claro, tem umas esculturas bem diferentes.


O meu amigo Luiz subiu na torre e gostou muito, disse que a vista era maravilhosa. Eu fiquei embaixo e fui passear na beira Lago Ontario que é bonita. Do lado da torre tem o aquário, que não fui mas o Luiz disse que para crianças é ótimo, e o Rogers Center que é o estádio de baseball da cidade e tem umas esculturas divertidas.


Andamos na Queen West Street com suas lojas alternativas, entramos no Trinity Bellwoods Park e tomamos o sorvete de carvão.


Toronto é uma cidade com algumas universidades então tem sempre muitos alunos pra lá e pra cá.


Presenciamos um festival chinês na praça da prefeitura que foi divertido.

no inverno é uma pista de patinação no gelo

Visitamos a Steam Whistle que é uma cervejaria que fica numa espécie de oficina de trens antiga.


A Church Street é a rua LGBTQ+ da cidade e é divertida, fui em dois restaurantes ótimos lá. Aliás, em Toronto se come muito bem, comida de todos os cantos do mundo.

Toronto tem toda uma rede de tuneis, o PATH, com lojas para as pessoas não terem que andar no frio da rua no inverno. Aquilo é um labirinto sem fim. Nas vezes que entrei me perdi, toda vez procurei a rua para saber onde estava. Ainda bem que o clima estava agradável e não precisava fugir do frio.

Fomos no Lawrence Market (de comida), no Kensington Market (que são ruas com brechós e cafés), na Chinatown e na Yonge-Dundas Square. A rua Yonge é um evento por si só, tem de tudo.


Vimos até a fonte de cachorros. Fofa.



A King Street estava muito animada com o TIFF mas isso é no próximo post.

toronto with friends 



4.9.19

+ Filmes

Bacurau



Bacurau é uma cidadezinha no interior de pernambuco, um lugar muito pequeno que para chegar sem carro só de carona no carro pipa que abastece a cidade.

E Bacurau é um distrito de outra cidade maior que tem um prefeito que só aparece em Bacurau para pedir votos e deixar doações duvidosas.

O filme começa com Teresa voltando para o enterro de sua avó. É Teresa que nos apresenta a Bacurau e seus moradores. Tudo isso num futuro próximo.

Alguns forasteiros aparecem passando rapidamente pela cidade e são oferecidos uma visita ao museu local.  O museu aparece muitas vezes mas o que tem dentro e a história de Bacurau só ficamos sabendo depois. Saber a história local de qualquer lugar por menor que seja é sempre importante.

Mas um dia Bacurau some do google maps e aí a confusão começa.

É um black mirror western nordestino. Gostei desse filme, é nordeste raiz.

A Tia Helô não iria gostar nada que a igreja virou depósito. 712 "Ai, Jesus!" para Bacurau.


Parasite



Filme vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2019, do diretor coreano Joon-ho Bong que também dirigiu Snowpiercer (com o Chris Evans) e Okja (com Tilda Swinton).

Difícil falar desse filme sem spoilers porque você pode esperar uma coisa e é outra. É melhor ver esse filme sem saber de nada.

Mas é sobre uma familia pobre que mora num apartamento subterrâneo e sobrevive de pequenos trabalhos (e talvez alguns golpes). Um dia o filho consegue ser professor particular de uma adolescente na casa de uma família rica.

Mais não vou dizer. É um filme ótimo, bem feito, que varia entre o engraçado, o drama, o tenso, o suspense e talvez um terrorzinho.

Esse filme já está na minha lista de melhores do ano.

A Tia Helô acharia a casa dos ricos muito minimalista. 489 "Ai, Jesus!" para o janelão que dá para o gramado perfeito do jardim.


Yesterday




E se os Beatles não tivessem gravado todas aquelas músicas?

Jack é um músico que tem zero sucesso. Ele toca em bares para sua agente e seus 4 amigos, em pequenos palcos para poucas pessoas e ele acha que chegou a hora de desistir.

Acontece um apagão e Jack é atropelado por um ônibus. Quando ele acorda no hospital, além de perder dois dentes, descobre que o mundo não sabe quem foram os Beatles. Isso mesmo, John, Paul, George e Ringo nunca se juntaram para compor todas aquelas músicas.

O que Jack faz? Primeiro tenta lembrar de todas as músicas dos Beatles e depois sai tocando nos pubs como se fossem dele. Um dia o Ed Sheeran o chama para fazer um show de abertura e Jack fica famoso.

Acontece que Jack tem consciência que essas músicas não são suas, e que todo o sucesso pode não ser o que ele quer.

É um filme divertido, dei muitas risadas e a trilha sonora é, obviamente, muito boa.

Um dos melhores diálogos é a nova agente do Jack tentando dizer para ele que não gostou de uma música que ele compôs (que era dele mesmo e não dos Beatles).

Minhas dúvidas antes de ver o filme eram: 1) será que qualquer pessoa sera famosa com as músicas dos Beatles? e 2) Será que Ed Sheeran e Colplay tocariam as mesmas músicas hoje se os Beatles nunca tivessem existido?

E não foram só os Beatles que nunca existiram nesse mundo pós-apagão.

A Tia Helô sempre foi fã do Freddy Mercury e do Elton John, não sei o que ela achava dos Beatles (vou perguntar para a Luizinha). 217 "Ai, Jesus!" para o coitado do Jack depois do atropelamento.