13.9.19

Toronto - TIFF

A ida ao Canadá e Toronto também foi motivada pelo TIFF, Toronto International Film Festival, o festival de cinema da cidade.



A King Street fecha para carros e bondes, vira uma rua de pedestres com food trucks e stands de patrocinadores. Andar na King Street durante o TIFF é animado, e tem vários bares e restaurantes em volta, a chance de encontrar um famoso é grande. (Nós vimos Gael Garcia Bernal num restaurante Tailandês)

na king street tem a calçada da fama canadense

Como ali tem a maioria dos cinemas que passam os filmes, a organização monta vários tapetes vermelhos por onde passam as celebridades. E tem muitas pessoas que ficam lá até na chuvinha fina esperando os famosos.



Demos sorte de ter uma amiga trabalhando no TIFF esse ano e conseguimos alguns ingressos. Quase todas as sessões que fomos eram da primeira exibição então tinha a presença dos diretores e de atores apresentando seus filmes. Não é tão fácil conseguir ingressos para o que se quer ver, as vezes tem que ir no que tem, mas alguns filmes até dá para conseguir na rush line (a fila para comprar ingressos que sobram daquela sessão).


Alguns filmes passam em teatros com balcões e camarotes. Um dos teatros que fomos parecia uma filial do Rainforest Café de tanta planta no teto.

Aqui está o que vimos no TIFF.

Seberg - filme sobre a atriz americana Jean Seberg, que fez muito sucesso na França, e foi perseguida pelo FBI que achava que ela tinha ligações com os panteras negras. Ela foi vigiada por muitos anos. Filme dirigido por Benedict Andrews com Kristen Stewart, Anthony Mackie e Jack O'Connel. Essa história tinha muito potencial que achei desperdiçado. A Kristen Stewart está bem e a melhor coisa do filme é o figurino dela. O elenco estava lá e depois do filme teve um perguntas e respostas.

kristen stewart no tapete vermelho
elenco e diretor respondendo perguntas

Ema - filme chileno sobre uma mulher, professora de dança e bailarina, que quer recuperar seu filho adotivo. Esse filme é ótimo, moderno, atual. Dirigido por Pablo Larrain que dirigiu Jackie com a Natalie Portman. Em Ema ele conta com Gael Garcia Bernal, Santiago Cabrera e Mariana Di Girolamo (que está maravilhosa como Ema). O elenco e diretor estavam lá e responderam várias perguntas sobre o filme. Vimos tudo na primeira fileira. Gael é um fofo e Santiago é lindão.

gael, santiago e mariana de pertinho

Marriage Story - um ótimo filme sobre divórcio que consegue colocar muito bem os pontos de vista de cada um e como esse processo é encarado por ambos. Adam Driver e Scarlett Johansson fazem o casal nesse filme dirigido pelo Noah Baumbach (que gosta do tema já que também dirigiu A Lula e a Baleia). Scarlett Johansson deve estar no Oscar ano que vem assim como Adam Driver que quase rouba o filme. Levem lencinhos. Nessa sessão o Noah Baumbach apareceu no início para apresentar seu filme mas não teve perguntas depois.

Two Popes - filme sobre o período entre o Papa Bento deixar o cargo e o Papa Francisco assumir. E mostra também um pouco da história do Papa Francisco. A conversa entre os dois é sempre ótima, a trilha sonora é certeira e tem uma cena na Capela Sistina que me deixou querendo saber como tinham conseguido filmar lá dentro. Filme dirigido pelo Fernando Meirelles com Sir Anthony Hopkins e Jonathan Pryce. No fim do filme Fernando Meirelles e Jonathan Pryce estavam lá para responder as perguntas e é claro que alguém perguntou da Capela Sistina. Resposta do Fernando Meirelles: "A Netflix tem tanto dinheiro que construimos nossa Capela Sistina nos estudios da Cinecitta". BUFO! E queria agradecer a Netflix que distribuiu ingressos na rush line e vimos esse filme de graça.

na hora que fernando meirelles explicava a cena da capena sistina

A Vida Invisível de Euridice Gusmão - sim, vimos um filme brasileiro em Toronto. Filme do cearense Karim Ainouz, baseado no excelente livro da Martha Batalha. O filme é sobre Euridice e sua irmã Guida e como suas vidas seguiram caminhos, eu diria, frustrantes, mas que infelizmente na época em que passa a história (1950-1960) a realidade das mulheres era essa. O livro é maravilhoso e leve, o filme é bom e muito pesado. Como eu tinha a expectativa de quem leu o livro acho que quem não leu o livro achou o filme melhor. No fim o Karim respondeu perguntas e uma senhora se levantou e disse "Na minha família sou conhecida por dormir em filmes bons, dormi nesse.". O Wagner Moura estava na platéia, foi simpático com nosso grupo de cearenses e até tirou uma foto.



Honey Boy - filme sobre um ator mirim e sua relação difícil com seu pai. O roteiro desse filme é do Shia LaBeouf e é meio autobiográfico. Nesse filme Shia interpreta seu pai e o menino Noah Jupe faz ele jovem. Shia adulto é feito pelo Lucas Hedges. Todos talentosos mas o menino Noah é maravilhoso. Filme dirigido pela Alma Har'el e esse é o primeiro filme dela que vi. O filme é bom. No fim estavam todos no palco respondendo as perguntas. O Shia LaBeouf é muito inquieto, mas a diretora disse que estavam todos emocionados porque foi a primeira vez que viram o filme pronto.

diretora e elenco de honey boy


O filme que venceu a escolha do povão (People's Choice) foi Jojo Rabbit que queriamos ver mas não conseguimos. A minha amiga Branca conseguiu ver no encerramento do festival e disse que é ótimo, foi merecida a vitória. E reza a lenda que vencedor do TIFF é sempre indicado ao Oscar e alguns ganham (Green Book foi um.)

E fomos ver Hustlers (As Golpistas), filme que estava no TIFF mas só conseguimos ver depois que estreiou nos cinemas canadenses. A única coisa que tenho a dizer sobre esse filme é que o pole dancing da J.Lo vale o ingresso.



11.9.19

Toronto

A última vez que estive em Toronto foi há tantos anos que a única coisa que lembro é de patinar na pista em frente a prefeitura. E do frio. Haja frio no Canadá.



Mas dessa vez fui no fim do verão e só peguei temperaturas super agradáveis.

Toronto é uma cidade tranquila. Tem todo o porte de uma cidade que poderia ser bem mais movimentada, mas as ruas e calçadas tem espaço para todos, e até no transporte público não andei nenhuma vez como sardinha em lata, nem na hora do rush.


O transporte público funciona muito bem, do metrô aos bondes. Se locomover pela cidade é fácil. Para andar no transporte público tem que ter um Presto, que é um cartão que você coloca dinheiro e vai passando nos transportes, vende nas estações e no aeroporto. Até 2 horas você pode mudar de transporte que paga só uma tarifa.




Fomos a Casa Loma, uma casa construída por um rico empresário que adorava uma ostentação e fez seu castelo no alto da colina com vista da cidade. Hoje a Casa Loma é usada como cenário de vários filmes e séries. Fiquei impressionada com os lustres da casa, é uma coleção incrível, até o chuveiro tem um lustre próprio. A casa é enorme e tem até um túnel subterrâneo que atravessa algumas ruas para chegar no que eram os estábulos da casa. E como o Halloween está próximo, esse túnel estava todo decorado para a data, na Casa Loma oferecem uma espécie de escape room (na verdade escape house) que deve ser divertido.


O jardim externo é bonito, o jardim de inverno é a parte mais bonita da casa, da para subir nas torres e ver o skyline de toronto lá do alto, e tem um andar todo dedicado a Primeira Guerra Mundial.



Também fomos na AGO, Art Gallery of Toronto, que fica num prédio que foi renovado por Frank Ghery e tem uma escada de madeira linda. Lá vimos a exposição da Yayoi Kusama que é uma sala de bolas de espelho muito interessante, pena que o tempo lá dentro é limitado a um minuto contado no relógio. O resto da galeria é maravilhoso, tem arte asiática, européia, Rembrandt, Picasso, Andy Warhol, Henry Moore e muitos artistas canadenses. Tem esculturas e fotografias. A lojinha do museu é ótima.


O ROM, Royal Ontario Museum, é o museu de história natural da cidade. A estrutura que mistura um prédio mais antigo com um que parece um cristal é interessante. Por dentro é um museu legal, mas acho que crianças aproveitam mais. Tem muitos bichos empalhados (que me dá nervoso), mas tem uma parte chinesa que é muito boa, e tem totems enormes.


O Distillary District é bacana, almoçamos lá e as lojinhas são ótimas. E claro, tem umas esculturas bem diferentes.


O meu amigo Luiz subiu na torre e gostou muito, disse que a vista era maravilhosa. Eu fiquei embaixo e fui passear na beira Lago Ontario que é bonita. Do lado da torre tem o aquário, que não fui mas o Luiz disse que para crianças é ótimo, e o Rogers Center que é o estádio de baseball da cidade e tem umas esculturas divertidas.


Andamos na Queen West Street com suas lojas alternativas, entramos no Trinity Bellwoods Park e tomamos o sorvete de carvão.


Toronto é uma cidade com algumas universidades então tem sempre muitos alunos pra lá e pra cá.


Presenciamos um festival chinês na praça da prefeitura que foi divertido.

no inverno é uma pista de patinação no gelo

Visitamos a Steam Whistle que é uma cervejaria que fica numa espécie de oficina de trens antiga.


A Church Street é a rua LGBTQ+ da cidade e é divertida, fui em dois restaurantes ótimos lá. Aliás, em Toronto se come muito bem, comida de todos os cantos do mundo.

Toronto tem toda uma rede de tuneis, o PATH, com lojas para as pessoas não terem que andar no frio da rua no inverno. Aquilo é um labirinto sem fim. Nas vezes que entrei me perdi, toda vez procurei a rua para saber onde estava. Ainda bem que o clima estava agradável e não precisava fugir do frio.

Fomos no Lawrence Market (de comida), no Kensington Market (que são ruas com brechós e cafés), na Chinatown e na Yonge-Dundas Square. A rua Yonge é um evento por si só, tem de tudo.


Vimos até a fonte de cachorros. Fofa.



A King Street estava muito animada com o TIFF mas isso é no próximo post.

toronto with friends 



4.9.19

+ Filmes

Bacurau



Bacurau é uma cidadezinha no interior de pernambuco, um lugar muito pequeno que para chegar sem carro só de carona no carro pipa que abastece a cidade.

E Bacurau é um distrito de outra cidade maior que tem um prefeito que só aparece em Bacurau para pedir votos e deixar doações duvidosas.

O filme começa com Teresa voltando para o enterro de sua avó. É Teresa que nos apresenta a Bacurau e seus moradores. Tudo isso num futuro próximo.

Alguns forasteiros aparecem passando rapidamente pela cidade e são oferecidos uma visita ao museu local.  O museu aparece muitas vezes mas o que tem dentro e a história de Bacurau só ficamos sabendo depois. Saber a história local de qualquer lugar por menor que seja é sempre importante.

Mas um dia Bacurau some do google maps e aí a confusão começa.

É um black mirror western nordestino. Gostei desse filme, é nordeste raiz.

A Tia Helô não iria gostar nada que a igreja virou depósito. 712 "Ai, Jesus!" para Bacurau.


Parasite



Filme vencedor da Palma de Ouro em Cannes 2019, do diretor coreano Joon-ho Bong que também dirigiu Snowpiercer (com o Chris Evans) e Okja (com Tilda Swinton).

Difícil falar desse filme sem spoilers porque você pode esperar uma coisa e é outra. É melhor ver esse filme sem saber de nada.

Mas é sobre uma familia pobre que mora num apartamento subterrâneo e sobrevive de pequenos trabalhos (e talvez alguns golpes). Um dia o filho consegue ser professor particular de uma adolescente na casa de uma família rica.

Mais não vou dizer. É um filme ótimo, bem feito, que varia entre o engraçado, o drama, o tenso, o suspense e talvez um terrorzinho.

Esse filme já está na minha lista de melhores do ano.

A Tia Helô acharia a casa dos ricos muito minimalista. 489 "Ai, Jesus!" para o janelão que dá para o gramado perfeito do jardim.


Yesterday




E se os Beatles não tivessem gravado todas aquelas músicas?

Jack é um músico que tem zero sucesso. Ele toca em bares para sua agente e seus 4 amigos, em pequenos palcos para poucas pessoas e ele acha que chegou a hora de desistir.

Acontece um apagão e Jack é atropelado por um ônibus. Quando ele acorda no hospital, além de perder dois dentes, descobre que o mundo não sabe quem foram os Beatles. Isso mesmo, John, Paul, George e Ringo nunca se juntaram para compor todas aquelas músicas.

O que Jack faz? Primeiro tenta lembrar de todas as músicas dos Beatles e depois sai tocando nos pubs como se fossem dele. Um dia o Ed Sheeran o chama para fazer um show de abertura e Jack fica famoso.

Acontece que Jack tem consciência que essas músicas não são suas, e que todo o sucesso pode não ser o que ele quer.

É um filme divertido, dei muitas risadas e a trilha sonora é, obviamente, muito boa.

Um dos melhores diálogos é a nova agente do Jack tentando dizer para ele que não gostou de uma música que ele compôs (que era dele mesmo e não dos Beatles).

Minhas dúvidas antes de ver o filme eram: 1) será que qualquer pessoa sera famosa com as músicas dos Beatles? e 2) Será que Ed Sheeran e Colplay tocariam as mesmas músicas hoje se os Beatles nunca tivessem existido?

E não foram só os Beatles que nunca existiram nesse mundo pós-apagão.

A Tia Helô sempre foi fã do Freddy Mercury e do Elton John, não sei o que ela achava dos Beatles (vou perguntar para a Luizinha). 217 "Ai, Jesus!" para o coitado do Jack depois do atropelamento.

31.8.19

Analisando a música: Cold Little Heart (Michael Kiwanuka)

As séries da HBO costumam ter ótimas músicas de abertura, tanto que nem pulo a abertura e escuto a música todas as vezes. True Blood tinha Bad Things do Jace Everett, Treme tinha Treme Song do John Boutté, The Sopranos tinha Woke Up This Morning da Alabama 3, True Detective tinha Far From Any Road da Handsome Family, The Wire tinha Way Down In The Hole (cada temporada era uma versão diferente) , e até o a música tema de Game of Thrones era ótima.

A série mais recente da HBO que tem uma música que só me faz querer que a abertura dure mais alguns minutos é Big Little Lies. (Toda a trilha sonora dessa série é ótima.)

Cold Little Heart combina tanto com a abertura, que são cenas das estradas lindas da Highway 1 na California, que dá vontade de entrar num carro e dirigir com essa música, mesmo que seja na Beira Mar de Fortaleza.

Eu nunca tinha escutado essa música até ver a primeira temporada da série. E nem sabia quem era Michael Kiwanuka, esse inglês de Londres de 32 anos. Não sei classificar a música dele, diria que é um indie folk, mas uma coisa é certa: Michael Kiwanuka tem soul de sobra. Ele lançou seu primeiro disco Home Again em 2012 e o segundo Love & Hate em 2016. O terceiro vai sair esse ano em outubro.

Cold Little Heart é do segundo disco e quando a HBO pediu autorização para usar a música Michael Kiwanuka achou que seria alguma música de fundo, mas não, foi para os 90 segundos da abertura.

Outra música dele que tocou em uma série esse ano foi a ótima Love & Hate que estava em When They See Us da Netflix. (essa música já tocou em várias séries - Dear White People e Atlanta)

Big Little Lies é sobre um grupo de 5 mulheres que moram em Monterrey, na California, e se juntam em torno de um incidente que abalou a comunidade. Tem Nicole Kidman, Reese Witherspoon, Laura Dern, Zoe Kravitz e Shailene Woodley. A primeira temporada é ótima. A segunda foi boa mas achei desnecessária. Pronto, falei, mas vi a abertura até o fim todas as vezes.

Mas vamos saber que coraçãozinho frio é esse.

Cold Little Heart é a primeira música do disco Love & Hate e tem 10 minutos de duração (9:58 para ser exata). A introdução da música dura quase 5 minutos com um instrumental lindo, que é guitarra e vozes, e só depois disso a gente escuta o primeiro oooooh que começa a abertura da série.

Did you ever want it?
Did you want it bad?
Oh, my
It tears me apart
Did you ever fight it?
All of the pain, so much power
Running through my veins
Bleeding, I'm bleeding
My cold little heart
Oh, I can't stand myself

O oooooh inicial parece um vento soprando, uma coisa meio Morro dos Ventos Uivantes. Aí entra a batida com guitarra e vem a voz cheia de sentimento do Michael Kiwanuka.

"Alguma vez você quis? Quis muito, muito mesmo?"
 Quem quis o que?? Mistério. É algo que o deixa despedaçado. 
Aí ele pergunta "Você resistiu (ou lutou)?". 

Acho que essa música é uma DR, um relacionamento que acabou, ou está acabando.

Temos dor, muita dor, e temos poder correndo nas veias (que pode ser raiva). Ele está sangrando (sofrendo), "Meu pequeno coração frio, eu não aguento mais."

And I know
In my heart, in this cold heart
I can live or I can die
I believe if I just try
You believe in you and I
In you and I

O refrão que vem acompanhado de uma guitarra maravilhosa que se você escutar com fones de ouvido vai estar sempre do lado esquerdo. E no refrão ele diz que sabe que nesse coraçãozinho frio ele pode viver ou morrer mas acredita que se tentar a outra pessoa vai acreditar nos dois juntos. "Em você e eu."

E a guitarra vem com força num solo que parece um choro.

Did you ever notice?
I've been ashamed
All my life
I've been playing games
We can try to hide it
It's all the same
I've been losing you
One day at a time
Bleeding, I'm bleeding
My cold little heart
Oh, I can't stand myself

"Você já notou? Eu estive envergonhado." Hum, fez besteira. 
Ele diz que por toda vida fez joguinhos. "Podemos tentar esconder, mas é tudo a mesma coisa." Sabemos que joguinhos nunca acabam bem.
E ele sabe que está perdendo a outra pessoa um dia de cada vez. Ou seja, essa relação está enfraquecendo. Ele continua sofrendo e não aguenta mais. 

Força, coraçãozinho frio.

And I know
In my heart, in this cold heart
I can live or I can die
I believe if I just try
You believe in you and I
In you and I

Mas segue acreditando que se ele tentar vai dar certo. Que "Eu e você" vai continuar.

Maybe this time I can be strong
But since I know who I am
I'm probably wrong
Maybe this time I can go far
But thinking about where I've been
Ain't helping me start

Aí a música entra num fade out e essa estrofe final é só voz e guitarra. 
Ele diz que talvez dessa vez pode ser forte, mas como sabe quem é pode estar errado. Ele acha que pode ir mais longe mas quando pensa onde esteve não o ajuda a começar. 

Está difícil para o pequeno coração frio.

Quando ele termina de cantar, os outros instrumentos voltam e o fim dessa música lembra um pouco Wish You Were Here, ou Shine On You Crazy Diamond do Pink Floyd.


O video da música tem apenas 6 minutos, só com a parte cantada, mas acaba logo depois da última estrofe sem o finalzinho da música. Para quem quiser escutar os 10 minutos (e vale a pena) coloquei na lista do Analisando a música no Spotify. 




A abertura de Big Little Lies:

18.8.19

Era uma vez em Hollywood

E chegamos ao nono filme do Quentin Tarantino. Ele diz que só vai fazer dez filmes então esse foi o penúltimo.



Era uma vez em Hollywood é um filme sobre cinema, atores, bastidores e indústria.

Leo DiCaprio faz um ator chamado Rick Dalton que era famoso na TV americana, tentou a transição para o cinema e no momento do filme está em decadência.

(E quem diria que anos depois os atores de cinema é que estariam indo para TV)

Rick está numa fase onde só faz vilões em séries de TV o que, segundo um agente (feito Al Pacino), significa que ele está sendo jogado para escanteio e dando lugar a novos atores para serem galãs. Traduzindo: Rick nunca mais irá conseguir um papel principal.

Brad Pitt faz Cliff, o dublê do Rick Dalton. Na verdade ele é o motorista/babá/segurança de Rick. Cliff é um cara divertido, tranquilão, mas ele também é misterioso porque a gente não sabe se o que dizem sobre ele é verdade ou não.

Boa parte do filme passa em um dia que Rick está trabalhando em um filme e Cliff foi consertar a antena de TV do Rick.

Rick mora na mesma rua que Sharon Tate e Roman Polanski. E também vemos um dia na vida de Sharon Tate. (Se você não sabem que foi a Sharon Tate e o que aconteceu com ela não vai aproveitar tanto esse filme, mesmo que as partes em que Margot Robbie aparece sejam poucas. A cena no cinema é uma linda homenagem).

E se tem Sharon Tate tem Charles Manson e sua "família" de malucos e assassinos.

Leo DiCaprio está maravilhoso nesse filme, estará no Oscar ano que vem. E Brad Pitt....que bruxaria é essa?? Shirtless super digno. E sim, ele está hilário nesse filme.

Todos os elementos Tarantino estão lá da trilha sonora ótima aos pés sujos.

Eu gostei desse filme, achei divertido, é longo, são 2 horas e 40 que passaram bem rápido, pelo menos não olhei no relógio nem uma vez. Poderia ter um pouco menos de Brad Pitt dirigindo pra lá e pra cá, mas em Los Angeles é só isso que fazem (e quem sou eu para reclamar de Brad Pitt em cena?)

A Tia Helô não iria gostar muito dessa Hollywood tomada pelos hippies, mas acho que ela gostaria do Rick Dalton. 621 "Ai, Jesus!" para o Brad Pitt que deve ter virado vampiro naquele filme que ele fez com o Tom Cruise.

4.8.19

+Séries

Séries novas que assisti.

Euphoria - Série da HBO sobre a juventude americana atual. É uma série sobre teens mas não sei se é para teens. É pesada, fala sobre drogas, depressão, raiva, sexo, sexualidade, violência e pode até ter algum momento fofo mas é raro. É uma série eficiente na abordagem dos temas, os personagens são bem construídos e a forma como é contada nos deixa muito curiosos com o que vai acontecer. É muito bem feita (e artística). São 8 episódios e o ultimo vai ao ar no próximo domingo.

The Boys - Uma série sobre super heróis bem diferente. Super heróis inseridos na sociedade, controlados por uma empresa, preocupados em gerar lucros e contratos com o governo americano. Heróis que não estão exatamente preocupados com o bem estar geral. No meio disso tem Hughie, que não é herói, que teve a namorada destruída pelo A-Train (que é o The Flash genérico) e se junta com outros que não acreditam que os heróis sejam bonzinhos. Tem violência e o episódio 4 é para os fortes. Vai ter segunda temporada. Na Amazon Prime.

Fleabag - Essa série é excelente. É uma comédia e um drama. É sobre a Fleabag (a personagem não tem nome), uma mulher de 30 e poucos anos que tem uma vida sexual ativa, é dona de um café e está de luto pela morte de sua amiga e sócia. Ela fala e olha para a câmera então somos seus cumplices em tudo que ela faz. Os outros personagens são tão bons quanto, Olivia Coleman faz a madrasta/madrinha da Fleabag e a relação passivo agressiva entre as duas é das melhores. Phoebe Waller Bridge merece todo reconhecimento que está tendo. É uma série curta, são duas temporadas de 6 episódios de meia hora cada. A segunda temporada é genial. Tem na Amazon Prime.

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The Good Fight - Essa não é nova, já está na terceira temporada mas comecei a ver agora. É um spin off de The Good Wife, série que assisti toda. Em The Good Fight a Diane Lockhart (que era sócia no escritório de advocacia em The Good Wife) vai se aposentar quando descobre que todo seu dinheiro da aposentadoria foi perdido num fundo falso de um esquema pirâmide. Ela tem que voltar a trabalhar e começa a procurar emprego em outros escritórios já que tinha pedido para sair do antigo. A série segue a linha de ótimos casos e assuntos atuais. The Good Fight é melhor que The Good Wife porque é mais eficiente, são menos episódios por temporada e mantiveram vários personagens interessantes (e os juizes peculiares). Tem na Amazon Prime.

Years and Years - Série britânica da BBC que aqui passa na HBO sobre um futuro distópico que não está tão longe assim da realidade. A história segue uma família por 15 anos através de tempos modernos e turbulentos de um pós brexit no Reino Unido.

Chernobyl - Série da HBO sobre o desastre na usina atômica em 1986. É uma série ótima. É bem feita com excelentes atuações. Cinco episódios, um deles parece filme de terror e o barulho do medidor de radiação vai ficar na sua cabeça por dias.

When They See Us (Olhos que condenam) - Conta a história de 5 rapazes negros que foram presos e condenados por um ataque a uma mulher no Central Park mas eles eram inocentes. A série mostra o trabalho porco da polícia, a insistência naqueles suspeitos sem provas, uma promotora sangue ruim e como esses meninos (e suas famílias) foram injustiçados até depois de sairem da cadeia. Outra série muito boa.


7.7.19

Copa do Mundo

Hoje terminou a Oitava Copa do Mundo de Futebol Feminino. Uma copa maravilhosa com jogos ótimos, e com uma repercussão mundial mais do que merecida.

Nunca levei jeito para futebol, nem para goleira, mas sempre gostei de assistir e torcer.

Como aqui no Brasil o futebol feminino nunca foi divulgado, mesmo tendo excelente jogadoras, só fui assistir um jogo em 2000 nas Olimpiadas de Sydney. Confesso que não sabia o que esperar quando entrei no estádio mas nos primeiros 10 minutos de jogo entre Brasil x Alemanha pela medalha de bronze deu para ver que seria ótimo. O Brasil perdeu o jogo mas logo depois fui premiada com o excelente jogo entre EUA x Noruega. As norueguesas ganhara o ouro olímpico naquele dia.

O que eu posso dizer do futebol feminino é que é mais corrido, menos catimba, menos drama, menos frescura. Elas tem muita técnica, dribla, chutam forte, passam mais a bola, chutam de fora da área, ou seja, tudo que os homens fazem e mais um pouco.

A Copa do Mundo Feminino existe desde 1991, mas acho que nessa oitava edição finalmente teve o destaque que merece. As redes sociais se animaram, as TVs passaram todos os jogos e todo mundo passou a conhecer as jogadoras. O jogo Inglaterra x EUA foi o evento mais assistido do ano na tv do Reino Unido, isso não é pouca coisa.

O time do brasil ainda contou com Marta, Cristiane e Formiga, que jogaram bem, mas o nosso time precisa de renovação e a Marta deixou esse recado depois do jogo contra a França. O Brasil saiu nas oitavas de final.



A final foi EUA x Holanda.

O futebol das americanas é muito forte, lá elas abraçam esse esporte com vontade há muitos anos. Quando era criança e fui morar nos EUA e o primeiro esporte que tive na aula de educação física na foi futebol (isso na década de 1970). Meninas e meninos jogando juntos.

A liga americana é forte, as meninas jogam desde cedo, e jovens ganham bolsa de estudos em universidades por causa do futebol.

O terceiro lugar ficou com a suecas que ganharam das inglesas.

As Holandesas jogaram muito bem, mas as americanas estão realmente um passe a frente.




Tetra-campeãs do mundo. Em 8 edições as americanas ganharam 4.



A FIFA se empolgou tanto com essa copa que está considerando criar um mundial de clubes feminino, uma liga mundial feminina, aumentar as premiações e dobrar o investimento no esporte.

Que venha a Copa do Mundo 2023! Girl power.

6.7.19

Analisando a música: Head Over Heels (The Go-Go's)

Essa semana fui assistir o novo filme do Spiderteen que, depois dos eventos de Vingadores Ultimato, ele vai para uma viagem pela Europa com os amigos da escola (afinal, ele e os amigos sumiram por 5 anos e voltaram ainda no high school).

O filme é divertido, o Spiderteen é fofis e Jake Gyllenhaal ocupa bem a tela do cinema. Tem uma parte realidade x ilusão que é ótima. No fim do filme, na hora que passa os créditos, toca Vacation das Go-Go's. Adorei. Acho que essa nova geração tem que conhecer essas bandas ótimas da década de 1980, também tocou AC/DC nesse filme, mesmo Spiderteen achando que era Led Zeppelin, e tocou Ramones no filme anterior, Homecoming. No início do filme toca Whitney Houston, mas isso fica para outro post.

Eu gostava muito das Go-Go's, inclusive as vi ao vivo no primeiro Rock in Rio (1985). Tinha até uma camisa da banda.

A banda californiana de mulheres se formou em 1978 com Belinda Carlisle (vocais), Jane Wiedlin (guitarra), Charlote Caffey (guitarra), Elissa Bello (bateria) e Margot Olavarria (baixo). Depois a formação mudou, Margot e Elissa sairam da banda e entraram Kathy Valentine e Gina Schock.

The Go-Go's começou tocando um punk rock mas quando gravaram o primeiro disco já estavam mais com o pé no pop. O primeiro disco Beauty and the Beat (melhor título de disco com trocadilho) saiu em 1981 com o hit We've Got The Beat e Our Lips Are Sealed. A música do filme do Spiderteen, Vacation, está no segundo disco de 1982. Head Over Heels é do terceiro disco de 1984 chamado Talk Show.

A banda foi a primeira só de mulheres que tinha músicas compostas por elas e que elas tocavam seus instrumentos a ter um album (Beauty and the Beat) em número UM nas paradas americanas. Depois delas só as Dixie Chicks em 1999. Girl Power.

Antes do Rock in Rio o relacionamento entre as integrantes da banda já não ia bem, trocaram integrantes mais uma vez, mas depois do festival a banda acabou de vez.

Chegaram a fazer algumas reunions nos anos 1990 e em 2001 lançaram um disco chamado God Bless The Go-Go's. Desse último só conheço uma música.

Mesmo sem a banda, as integrantes continuaram trabalhando com música de uma forma ou de outra. Belinda Carlisle teve alguns hits pop entre eles Heaven Is a Place on Earth (1987).

Parece que as músicas das Go-Go's estão voltando porque o catálogo da banda está todo em um musical da Broadway chamado justamente Head Over Heels.

Eu tenho Head Over Heels na minha playlist de corrida e adoro. Quando toca dá um gás extra, sem contar que dá vontade de bater palmas no meio da corrida.

Mas vamos analisar para saber o que tem na letra dessa música que é uma concentração de energia.

Been running so long
I've nearly lost all track of time
In every direction
I couldn't see the warning signs
I must be losing it
'Cause my mind plays tricks on me
It looked so easy
But you know looks sometimes deceive

Essa música foi composta pela Kathy Valentine e Charlotte Caffey. Segundo elas é sobre uma garota que está se vendo com os desafios do dia a dia e chegou a conclusão que deveria deixar suas emoções guiarem um pouco, mas vamos ver se é isso mesmo.

Head over heels significa de cabeça para baixo (como quem vai fazer uma cambalhota), ou de pernas para o ar, é também uma expressão para estar (profundamente) apaixonada.

Então ela começa dizendo que esta correndo a tanto tempo que perdeu noção do tempo. Quem nunca? Esse correndo pode ser literal mas acho que aqui é a correria do dia a dia. E ela está correndo em todas as direções, tão envolvida na corrida que não viu os sinais de aviso.

Cuidado que é assim que alguém cai num buraco.

E ela diz que deve estar ficando louca porque sua mente a está enganando. Acontece que todos nós. Tudo parecia fácil mas as aparências enganam. FATO.

Claro que tem o pessoal do forum que acha que é sobre drogas e vício, e, como já disse em outros posts, tudo pode ser sobre drogas, mas acho que aqui se aplica mais a vida delas depois que ficaram famosas e devem ter se sentido sobrecarregadas de alguma forma.

Been running so fast
Right from the starting line
No more connections
I don't need any more advice
One hand's just reaching out
And one's just hanging on
It seem my weaknesses
Just keep going strong

Aqui ela diz que começou correndo rápido desde o início, ou seja, começou com gás total sem saber direito a distância a ser percorrida. Um erro de principiante, com o tempo a gente aprende que a corrida (e a vida) pode ser longa e é preciso ter ritmo e saber quando acelerar ou ir mais devagar. E como ela começou rápido demais perdeu as conexões, acha que não precisa de conselhos, mas uma mão está estendida (pedindo ajuda?) e a outra está segurando (para não cair?). Ela está tentando manter um equilíbrio mas parece que as fraquezas se mantém fortes (fim dessa frase é ótimo!).

Head over heels
Where should I go
Can't stop myself
Outta control
Head over heels
No time to think
Looks like the whole world's out of sync

E aí ela está de cabeça para baixo, revirada, não sabe onde ir, está fora de controle, não pensa e o mundo está fora de sincronia. OU ela é quem está fora de sincronia com o mundo.

Been running so hard
When what I need is to unwind
The voice of reason
Is one I left so far behind
I waited so long
So long to play this part
And just remembered
That I'd forgotten about my heart

Ela continua correndo num ritmo forte quando sabe que precisa se descontrair. A voz da razão ela deixou para trás há tempos (or isso está se fora de controle). Ela esperou tanto para chegar onde está que até então não tinha percebido que esqueceu do coração. Tão envolta pela correria que esqueceu que as vezes precisa parar para respirar, beber uma água, escutar o coração (ou a voz da razão) para saber como continuar.

Head over heels
Where should I go
Can't stop myself
Outta control
Head over heels
No time to think
Looks like the whole world's out of sync

E temos o refrão até o fim, com um solo de piano sensacional seguido de uma paradinha para a bateria e baixo cheios de ritmo.

Já que perdeu o controle e está aí dando cambalhotas tentando entram em sincronia com o mundo, é melhor fazer dançando né?

O video é simples com as garotas da banda tocando seus instrumentos num fundo colorido bem new wave dos anos 80. Duvido alguém ver esse video e não sair dançando igual a Belinda Carlisle.

13.6.19

Rocketman

Um filme sobre Sir Elton John na desde a sua infância, passando por sua fase sexo, drogas e rock n' roll até ele ficar sóbrio. Não poderia deixar de ver esse filme, o primeiro disco que tive na vida foi um compacto do Elton John com Your Song de um lado e Don't Go Breaking My Heart do outro. Sou fã desde criancinha.



É um musical. Dos bons. E como musical funciona muito bem já que Elton está contando sua história no grupo da rehab.

O filme usa as músicas do Elton John, independente da época, para contar sua história. Assim temos I Want Love de 2001 para marcar um momento do sua infância. Genial.

O filme mostra como o garotinho gênio (sim, o menino Reggie Dwight era capaz de tocar qualquer coisa de ouvido) se transformou em Elton John, como ele tocou com uma banda de soul americana, como ele conheceu seu parceiro em composições (e melhor amigo) Bernie Taupin e como sua carreira começou e o rumo que tomou.

A amizade e parceria de Elton com Bernie é a relação central desse filme.

A cena da composição de Your Song é linda, Goodbye Yellow Brick Road ganhou um novo significado (para mim), o momento que o define como showman no Troubadour é mágico, a passagem de tempo com Pinball Wizard funciona muito bem e no fim, é claro, I'm Still Standing.

Todas as músicas são reconhecíveis nos primeiros acordes e com arranjos excelentes e muito bem executadas pelos atores. Taron Egerton está de parabéns, depois de ver o filme não consigo ver mais ninguém fazendo Elton John, e como canta bem esse menino (pessoal do Oscar lembrem dele!). Jamie Bell como Bernie Taupin está um fofo.

Claro que tem alguns personagens caricatos: a mãe, o pai e o empresário mau caráter, mas faz sentido dentro do formato lúdico do filme.

A comparação com o Bohemian Rhapsody é inevitável. São filmes sobre artistas contemporâneos, vindos do mesmo país, os dois filmes tem o personagem do John Reid que foi empresário da banda e do cantor, e os dois filmes tiveram o mesmo diretor (que em Bohemian dirigiu só uns 15%).

Como filme, eu gostei mais de Rocketman. E eu gostei de Bohemian Rhapsody, mas como disse no post, é um filme para fãs.

Inclusive faço a afirmação polêmica que Taron Egerton fez um Elton John melhor que Rami Malek fez Freddy Mercury. Pronto. Falei.

A única coisa que o filme do Queen tem que é melhor que Rocketman são aqueles 20 minutos finais do Live Aid, que deu ao filme um final apoteótico.

Rocketman tem um final mais calmo, com o Elton John chegando a sobriedade que foi no início da década de 1980. Depois disso Elton John ainda teve 30 anos de sucessos e continua fazendo shows.

A Tia Helô era fã do Elton John (assim como ela era fã do Freddy Mercury), ela teria gostado muito desse filme (mesmo tapando os olhos em algumas cenas), especialmente sabendo que Elton é meio filho de vó. 417 "Ai, Jesus!" para o menino Elton e sua coleção de óculos.


PS. Esse filme merecia a tela do IMAX mas aqui em Fortaleza só passou no cinema normal.
PS. 2 Já analisei Empy Garden.