20.8.22

Patins

Quando tinha uns 8 anos não tirava os patins dos pés, na hora de sair de casa era o que eu calçava. Patinei muito até uns 13 anos. No início dos anos 1980 era uma febre, tinha matinê de patinação no Canecão (que era uma casa de shows, mas uma vez por semana era dos patins). Eu sabia fazer várias manobras e piruetas. 

Não lembro quando parei da patinar de rodas (no gelo ainda patinei em algumas viagens), mas faz muito tempo. Sempre patinei com o que, agora, chamam de quad - o patins com 2 rodas na frente e 2 atrás. Tentei o in line (com as rodas em fileira) mas não curti.

Esse ano estava andando na Beira Mar e vi uma patinadora, com um quad, na quadra aqui perto de casa. Fui conversar e ela me disse que tinha um outro par de patins, no meu número, e que se eu quisesse experimentar ela me emprestava.

No primeiro dia já consegui deslizar tranquilamente na quadra. Felizmente o corpo lembra. Não conseguia fazer manobras, ainda teria que me acostumar, mas fui bem e nem caí.

Comecei a ver videos no youtube com dicas de como patinar e como fazer algumas manobras. Não tinha idéia que durante a pandemia a febre da patinação tinha voltado. Aqui em Fortaleza agora tem grupos de pessoas que patinam juntas.

Na segunda vez, com mais segurança, consegui cruzar as pernas e até andar de costas. Aí fui melhorando (as vezes caindo) e agora me aventuro em vários lugares da cidade.

Além da quadra da Beira Mar, fui na nova feirinha, no novo skate park, e na praça da Estação de Trem no centro. 

No skate park foi desafio descer as rampas (consegui nas menores) e tentar não me estabacar no mini bowl. 

E é um ótimo exercício, é divertido e melhora o equilíbrio.


UPDATE: Em outubro comprei um par de patins para chamar de meu. Gostei do conceito da Slades, que é uma marca francesa, onde os patins também são tênis. Ou seja, é um tênis com encaixes para a base com as rodas. 

É mais prático mas também é mais difícil manter o equilíbrio porque o salto da bota ajuda muito. Tem que fazer uma nova adaptação para patinar.

Depois de alguns meses de uso posso dizer que a parte da base com as rodas é excelente. Inclusive as rodas que vieram nele são boas para patinar na ciclovia. A mecânica para tirar e colocar é simples e eficiente. A parte tênis achei ok. O tênis com as rodas como patins é bom, tem até um apoio bom para o tornozelo, mas para andar não achei tão confortável (para o meu pé), então acabo não usando tanto a opção de colocar e tirar a base.


a chave para tirar e colocar a base










27.7.22

+Séries e Filmes (e 2 novelas coreanas)

Séries

Ms Marvel - série teen da Marvel sobre a Kamala uma garota americana, de New Jersey, de origem paquistanesa que um dia descobre um bracelete da vó e com isso ela ganha uns poderes. Através da Kamala conhecemos a história do Paquistão e como é a vida da comunidade muçulmana nos EUA. Os pais da Kamala adoram Bon Jovi. As músicas são ótimas e como Kamala gosta de desenhar a identidade visual da série é muito bacana. DISNEY+

The Offer - Uma série sobre como O Poderoso Chefão chegou as telas do cinema. Miles Teller faz Al Ruddy o produtor responsável por pegar o livro do Mario Puzo e chamar o Francis Ford Coppola para dirigir. E não foi fácil. Achei boa essa série, e vale ver (ou rever) o filme. PARAMOUNT +

Loot - Maya Rudolph é Molly, uma mulher que, depois de pegar o marido no flagra, fica com bilhões de dólares no divórcio. Ela descobre que tem uma fundação que ajuda várias instituições e decide colocar a mão na massa. É bobinha e divertida. Apple TV+

Black Bird - Taron Egerton é Jimmy Keene, um rapaz, ex jogador de futebol americano e filho de policial, que é traficante de drogas. Ele é preso e condenado a 10 anos na prisão. Para diminuir sua sentença (e até sair da prisão) pedem para ele ir para outra prisão onde só tem casca grossa e ficar amigo de um serial killer para conseguir uma confissão. Apple TV+

The Last Movie Stars - uma série documentário de 6 episódios feita pelo Ethan Hawke sobre o casal Paul Newman e Joanne Woodward. O Ethan Hawke conseguiu (com o filho do Paul Newman) caixas de entrevistas transcritas que Paul Newman estava fazendo com um amigo roteirista para um livro de memórias. Ethan Hawke chamou alguns de seus amigos atores para interpretar os entrevistados. Então enquanto escutamos as entrevistas ficamos vendo várias imagens do casal que fez muitos filmes e peças juntos. Tem também várias imagens de Paul e Joanne em programas de tv e filmes caseiros. HBO Max

Pacto Brutal - em dezembro de 1992 o país ficou chocado com o assassinato da Daniella Perez que fazia o papel da Yasmin na novela De Corpo e Alma e era o maior sucesso. A coisa ficou ainda mais macabra quando descobriram que o assassino foi o par dela na novela, o ator Guilherme de Pádua. Mas tem muito mais nessa história e é isso que o documentário mostra. Lembro muito bem dos acontecimentos da época e o documentário tem mais informações e depoimentos. HBO Max


Filmes

Persuasão - pegaram o livro mais denso e dramático da Jane Austen que tem uma protagonista já com quase 30 anos que deu um fora no namorado quando era mais jovem, por influência da família e de uma amiga da mãe, e se reencontra com ele 7 anos depois e se vê ainda apaixonada mas acha que ele a despreza, e fizeram uma versão mais light com a Dakota Johnson falando para a camera como a Fleabag. Os puristas acharam que Jane Austen está se revirando no túmulo mas eu achei que se deixar as pessoas interessadas em ler o livro e saber mais da história já é positivo. Não é ótimo mas também não é péssimo. NETFLIX

Halftime - um documentário sobre a Jennifer Lopez (J.Lo para os íntimos) e como ela se preparou para os 6 minutos de show no intervalo do Superbowl em 2020 (os outros 6 minutos eram da Shakira). Uma coisa vou dizer da J. Lo: ela é esforçada mas para ela menos não é mais. NETFLIX

The Girl In The Picture - Um documentário sobre uma moça que foi encontrada na beira de uma estrada, levada ao hospital como vítima de atropelamento e morreu. Só que nada é o que parece. É um plot twist atrás do outro e é uma história muito triste. NETFLIX

The Gray Man - filme dos irmãos Russo (que dirigiram o Winter Soldier, o melhor filme do Capitão America, e os dois últimos filmes dos Vingadores) resolveram fazer um filme de espiões com Ryan Gosling, Chris Evans e Ana de Armas. Adianto que a melhor coisa desse filme é a Ana de Armas e ela já merecia um filme de espiã só dela. Ryan Gosling faz o agente Sierra Seis que, como o Jason Bourne, vem de uma cria especial da CIA. Aí numa missão ele descobre que o novo chefe (o Duque de Bridgerton, péssimo aqui) quer acabar com o programa de agentes Sierra e acaba perseguido pelo Chris Evans com um bigode ridículo (sdds barba) que faz um psicopata trabalhando legalmente para o governo. Ryan Gosling malhou um bocado, Chris Evans parece estar se divertindo e tem até o Wagner Moura, mas tudo nesse filme é cafona: as tomadas aéreas, os cortes, a fotografia, as lutas, as explosões exageradas, figurino, etc.  NETFLIX


Novelas Coreanas

 My Liberation Notes -Diria que essa é uma novela coreana filosofica. É sobre três irmãos (duas moças e um rapaz) que trabalham em Seul mas moram num subúrbio rural e levam mais de uma hora de trem até a cidade. O maior drama deles é essa distância porque toda a vida social deles acontece em Seul e quando eles tem que ficar até mais tarde na cidade eles tem que combinar de voltar juntos e dividir o taxi. Em casa o pai deles tem um negócio de carpintaria e também uma horta que eles ajudam a colher. Na casa vizinha mora o Sr. Gu que trabalha na carpintaria com o pai da familia. O Sr. Gu é jovem (e sexy), calado, misterioso (ele pagou o aluguel da casa por um ano e ninguém sabe o primeiro nome dele) e ele só faz duas coisas: trabalhar e beber depois do trabalho olhando as estrelas. A Mi Young é a filha mais nova, tímida, ela e uns colegas introspectivos do trabalho criam um grupo para se libertarem do que quer que seja (a falta que faz Freud na Coréia). Um dia ela cria coragem, chega no Sr. Gu e diz que se ele não faz nada que ele pelo menos a venere (sim, venerar, até agora não entendi isso mas eu também pediria qualquer coisa para o Sr. Gu). Os dois ficam amigos, mas é uma amizade esquisita. A irmã mais velha está empenhada em arranjar um namorado. O irmão tem a melhor história: ele trabalha numa empresa de lojas de conveniência mas não consegue avançar, é ele que tem muita vontade de morar na cidade e é o mais reclamão. Assisti essa novela só pelo Sr. Gu (e porque tenho zero maturidade já que o G em coreano tem som de K).



Uma Advogada Extraordinária - Essa novela é sobre a Woo Young Woo, uma advogada autista. Quando ela era criança a mãe abandonou a família e o pai não sabia como se comunicar com ela até que ele descobriu que ela decorava os livros de direito que tinham em casa. Young Woo cresceu, se formou na melhor universidade da Coréia do Sul e conseguiu um emprego num escritório grande. Cada episódio é um caso diferente que mostra como ela pensa diferente dos colegas e dá soluções criativas. Junto com os casos vamos conhecendo a história dela e vendo como os amigos, colegas e clientes a tratam. E ela adora baleias. NETFLIX

14.7.22

Elvis

Confesso que quando vi o trailer a primeira vez no youtube não me empolguei, mas aí vi o trailer no cinema e mudei de idéia. Pensando bem, Baz Luhrmann e Elvis: tudo a ver.

O Baz Luhrmann tem um estilo próprio. Seus filmes são ágeis, tem cortes dinâmicos, tem animações, tem muito brilho, exagero, extravagância e sempre tem uma trilha sonora ótima. Baz sabe escolher músicas.

Aqui ele conta a história do Elvis Presley pelos olhos do Coronel Tom Parker, que era o agente do cantor.

O Coronel Parker é o vilão do filme (e da vida do Elvis) e o Tom Hanks está parecendo o Pinguim do Batman. No começo a vilania Dick Vigarista me incomodou mas depois achei que fez sentido com o tom um pouco cartunesco/HQ do filme, é para ele incomodar mesmo. 

O Austin Butler está maravilhoso. É um papel difícil porque Elvis é Elvis né? Austin Butler não é muito parecido com o Elvis mas depois de 5 minutos dele em tela você já acha que ele é o Elvis. O tom de voz é igual. Tem uma sequência que vai do Elvis retomando o sucesso em 1968 até a primeira vez dele em Las Vegas (1970) que é sensacional. Em alguns momentos do filme tem cenas do Elvis de verdade e você já não sabe quem é quem, demora para perceber. E ele faz o Elvis dos 20 aos 40, da fase rock n' roll a fase cafona em Vegas.

A trilha sonora é excelente. Não tem só Elvis Presley, tem várias músicas de artistas novos onde tem a influência da música do Elvis, seja em pedaços usados em mixagens de hip hop (Doja Cat e Eminem), remix hipsters (Tame Impala) ou em versões recentes (Kacey Musgrave e Maneskin). Claro que tem as influências do Elvis como Gospel e Blues. Tem Hound Dog numa versão que seria a original antes do Elvis levar para o mundo e é muito boa! Tem uma versão de Cotton Candy Land cantada pela Stevie Nicks e Chris Isaak que chega ser assustadora e combina com o personagem do Tom Hanks. Austin Butler canta algumas músicas também. Inclusive palmas para a cena que Baz Luhrmann usa Suspicious Minds no filme.

E todas as cenas que mostram as meninas e mulheres (e alguns rapazes) se empolgando com o Elvis rebolando são muito divertidas. Como disse o meu amigo Luiz elas estavam pensando "O que é isso que eu nunca senti e que é muito bom?".

O Elvis é um fenômeno. Os Beatles eram fãs.

Acho que nem preciso dizer porque a Tia Helô diria 825 "Ai, Jesus!" para one for the money, two for the show, three get ready now go, cat, go....

9.7.22

Thor Love and Thunder

A última vez que vimos o Thor ele tinha acabado de derrotar o Thanos junto com toda a galera dos Vingadores (e todos os outros heróis da Marvel) e se juntou aos Guardiões da Galáxia para um rolê.


No início desse filme o Korg (aquele amigo de pedra do Thor que ele conheceu em Ragnarok) conta toda a história do Thor (e é uma sequência ótima!) até o momento presente. Thor, que ficou sem irmão (sdds Loki), pai, mãe, namorada e planeta está meio deprimido. Ele ajuda os Guardiões da Galáxia a resolver os perrengues de outros planetas daquele jeitão dele (afinal ele é um deus) mas nada o deixa animado.

O Thor é um deus em evolução, ele tem sempre o que melhorar e está sempre aprendendo novas coisas (as vezes involuntariamente).

Depois de ajudar um povo azul que dá ao Thor duas cabras gigantes, ele descobre que sua amiga lady Sif perdeu uma batalha contra o vilão do filme que é o Gorr. 

Quem é Gorr na fila do bifrost? Ele foi escolhido por uma espada especial que o tornou um matador de deuses que está rodando por aí eliminando os deuses. Lady Sif diz para Thor que Gorr está indo para New Asgard, que fica na Noruega, para onde foram os sobreviventes de Ragnarok.

Enquanto isso descobrimos que Jane Foster (Natalie Portman) está doente mas ela escuta o chamado do que restou do Mjolnir (o martelo) e vai até New Asgard que virou ponto turístico sob o comando da Valquíria.

Gorr chega com seus monstros de sombra em New Asgard. Thor chega para acabar com a festa mas ele vê Jane que agora é a Mighty Thor com seu querido Mjolnir. Depois de muita luta o Gorr sequestra as criancinhas da cidade e some. Ele quer que Thor vá atrás dele porque tem uma coisa que ele quer.

Thor e Jane tem uma DR e temos uma sequência muito boa, ao som de ABBA (óbvio), nos contando como foi o relacionamento dos dois.

Aliás, pausa para dizer que se Ragnarok foi Led Zeppelin, Love and Thunder é puro Guns n' Roses.

O trio (Thor, Jane Thor e Valquíria) concluí que precisa ir na reunião de condomínio dos deuses que é comandado por ninguém mais do que o síndico Zeus. Thor e Cia querem juntar um exército de deuses para acabar com o Gorr, ou, no mínimo, o raio de Zeus emprestado.

E chega ou vou dar muitos spoilers, vão ver que é muito divertido.

Esse filme é pura galhofa, em muitos momentos parece uma paródia dos outros filmes. Dei muita risada, muita mesmo, mas teve um desequilíbrio entre a parte fanfarrona e a parte mais emocional. Em Ragnarok esse equilíbrio é bem melhor. Taika Watiti acertou mais em Ragnarok, pronto falei.

O Melhor Chris (o Hemsworth) se achou na comédia e o timing dele é excelente. E está em forma. O 3D no IMAX valeu a pena. 👀 

O vilão Gorr (o ótimo Christian Bale) tem uma motivação muito boa. O visual no planeta das sombras ficou bacana.

Jane Foster está de volta. Gostei dela como Thor mas continuo achando que Natalie Portman (que pareceu se divertir mais nesse filme) e Melhor Chris tem ZERO química. E isso fica ainda mais evidente nas cenas com a Valquíria (a ótima Tessa Thompson) que tem química com todo mundo, até com a cabeça do Korg, ela é muito cool.

Russell Crowe é Zeus, e agora toda vez que escutar o podcast Noites Gregas vou imaginar ele como o deus grego. O Zeus desse filme deixa a dica que existe uma divisão entre os deuses das antigas e os novos (os super-heróis). Basicamente a história de American Gods, o livro do Neil Gaiman. 

Esse filme tem duas cenas pós-créditos. Nada nesses filmes da Marvel é a toa e tudo é uma deixa para um futuro filme (ou série). Ficou cansativo e já deixei de acompanhar muita coisa da Marvel. Meio que dei por encerrado depois de Vingadores Ultimato, mas não deixaria de ver o Thor. 

A Tia Helô iria ficar passada com essa história de cada um com seu deus. Ela diria 615 "Ai, Jesus!" para as cabras gritantes do Thor.

26.6.22

+ Filmes e Séries (e uma novela coreana)

Filmes

RRR - Revolta, Rebelião, Revolução - Não tenho palavras para descrever esse filme, mas vou tentar. É um filme indiano (Bollywood roots) que passa nos anos 1920/30 quando os indianos estavam inquietos com os colonizadores ingleses. Raju é um oficial do exercito e na primeira cena dele já mostra que ele é capaz de qualquer coisa. Bheem vem de uma vila pequena e está atrás de recuperar sua irmã que foi sequestrada pelos ingleses. Raju e Bheem se conhecem ao ajudar um menino em perigo. Acontece que os ingleses deram a Raju a missão de encontrar e prender Bheem antes dele tentar resgatar a irmã, mas como um não sabe quem é o outro uma linda amizade começa. Raju e Bheem são personagens baseados em dois homens importantes para independência da India que existiram mas nunca se encontraram na vida real. As cenas de ação são espetaculares, as danças coreografadas são cheias de energia, tem música, tem animais de CGI e tem uma dublagem mal feita. É tudo exagerado, mas é um exagero honesto e no fim eu só queria aplaudir. O filme tem 3 horas mas você nem vê o tempo passar. (NETFLIX)

bromance

Hustle - Adam Sandler, que é amigo de todo mundo, resolveu reunir um caras do basquete americano para fazer um filme. É sobre Bo, um rapaz espanhol que trabalha na construção e joga basquete nas quadras de rua para ganhar um extra. Adam Sandler é um caça-talentos e vê em Bo o novo sucesso para o seu time. A história é simples, Adam Sandler acaba treinando o rapaz para que os times americanos vejam como ele é bom. O filme tem uma sequencia longa de treino e é por isso que vemos os filmes de esportes. (NETFLIX)

Spiderhead - um filme com pegada ficção científica do Joseph Kosinski (de Top Gun Maverick) com o Melhor Chris (o Hemsworth) e Miles Teller. Tinha muita coisa para dar certo mas deu errado. Nem o apuro estético que o Kosinski tem funcionou nesse filme. O Melhor Chris faz um cientista que experimenta drogas que alteram comportamentos (e sentimentos) em presidiários que aceitaram se submeter a essas experiências. O Miles Teller é um desses presidiários. O lugar onde acontecem as experiencias é um bunker no meio de ilha no que parece a costa leste da Australia, mas Melhor Chris fala com sotaque americano. Não vou reclamar de olhar para a cara do Melhor Chris (nem do Miles Teller) por 90 minutos, mas poderia ser melhor, poderia ter um shirtless. (NETFLIX)

Cha Cha Real Smooth - filme sobre Andrew, um rapaz que acabou de se formar na universidade mas ainda está sem rumo. Ele voltou a morar com a mãe, o padrasto (que ele não gosta muito) e o irmão mais novo. Um dia ele acompanha o irmão a um bar mitzvah e lá ele conhece Domino e sua filha Lola. Lola é autista mas Andrew se da bem com ela. Domino decide contratar Andrew para ser o babysitter da Lola de vez em quando. Domino e Andrew também se dão bem, mas ela tem um noivo. Andrew passa a ser animador de bar mitzvahs enquanto procura um rumo na vida. Daqueles filmes que não acontece muita coisa mas acontece. (APPLE TV+)

The Hating Game - li o livro ano passado e achei uma bosta então o vi o filme querendo saber se iriam conseguir melhorar a história. O filme é muito melhor do que o livro MAS mantiveram a pior parte (e mais cafona/creepy) do livro no filme. Lucy e Josh trabalham juntos e se odeiam só que não e tem que disputar o mesmo cargo. É isso. A Lucy do filme é mais bacana e o Josh um pouco menos creepy. (AMAZON PRIME VIDEO)

Downton Abbey A New Era - A vó da Mary recebeu de herança de um ex-amante uma vila no sul da França e ela quer dar para a bisnetinha filha do Tom (que se casou com a moça do filme passado). A Mary fica em Downton Abbey porque a vó não pode viajar e estão usando a casa como locação para um filme e rola o maior clima com o diretor. O resto da família vai até o sul da França ver a vila e enfrentar a viúva e filho do falecido que não concordam com o que foi deixado no testamento.


Séries

Hacks - A segunda temporada não foi tão boa quanto a primeira. Deb sai para se apresentar pelos USA testando novas piadas e acabamos conhecendo a Deb melhor. (HBO Max)

Obi Wan Kenobi - Ewan McGregor volta para o papel que ele fez nos filmes dos anos 2000 (Ameaça Fantasma, Ataque dos Clone e A Vingança dos Sith). Se passaram 10 anos desde que ele entregou Leia para o Senador Organa e Luke para seus tios. Obi Wan mora em Tatooine, se mantém discreto, não usa a Força e fica de olho no Luke. Existem uns inquisidores (são Jedis que foram para o outro lado da Força) que perseguem os Jedis e pessoas que tem afinidade com a Força. Acontece que Leia (criança precoce e muito fofa) é sequestrada pelo Flea (do RHCP) e o Senador pede a Obi Wan Kenobi que a resgate. Cada episódio dessa série parece um dos filmes que tem o Obi Wan, o episódio 4 é o primeiro filme (de 1977) todinho só que com a Leia criança. Sim, tem o Darth Vader e é o Darth Vader cheio de energia, mau pacas, como tem que ser. Tinha potencial para ser uma série muito boa mas ficou no mais ou menos.  Só no último episódio é que veio a carga emocional. Se tivesse deixado o babado dos inquisidores para outra série e feito da história do Obi Wan Kenobi um filme teria sido melhor. (Ewan McGregor, tiamo) (DISNEY +)

hello there

The Essex Serpent - Claire Danes é um viúva (na Inglaterra do século 19) que gosta de fósseis e decide sair de Londres e ir até Essex onde apareceram vários depois de um terremoto. Ela chega na cidadezinha com o filho e a acompanhante/amiga. Lá ela conhece o pastor da cidade que é o Tom Hiddleston. Ele é um pastor jovem, moderno, gosta de ler e é casado com filhos. Uma garota sumiu na região e todos acham que foi uma serpente aquática. Tem vários temas e acho que a série tentou abraçar todos, alguns sem sucesso, mas é bem feita. (APPLE TV+)

Candy - Série baseada numa história real. Em 1980,  Candy é uma dona de casa super eficiente, ela faz mil coisas ao mesmo tempo. Um dia ela tem que buscar o maiô da amiguinha da filha dela na casa da Betty que é uma dona de casa não tão eficiente. Candy sai de lá com o maiô mas também com sangue nas mãos, e aí a série vai desenvolver os acontecimentos.

The Boys - Não pouparam violência nessa terceira temporada. Homelander mais assustador do que nunca, tem herói novo na parada e os Boys meio perdidos com uma novidade entre eles. (AMAZON PRIME VIDEO)

Surviving Summer - Série teen sobre surfistas na Australia. A Summer é uma adolescente rebelde que mora em NYC mas depois de aprontar mais uma sua mãe a manda para uma cidadezinha na costa sul da Australia para ficar com uma amiga e sua familia. Chegando lá a Summer conhece Ari, filho da amiga da mãe, que é um surfista que quer voltar a competir depois de um acidente. Ela também faz amizade com as meninas surfistas. É teen, é bobinha, mas tem boas cenas de surf (acho que os atores são surfistas mesmo) e tem um personagem brasileiro que é meio que o antagonista do grupo. (NETFLIX)


Novela Coreana

Our Blues - Essa novela coreana é diferente. Da minha lista de clichês só risquei 4 clichês, não deu para fazer o bingo. É sobre um grupo de pessoas que vivem na ilha de Jeju no sul da Coréia do Sul. Cada episódio é focado em dois personagens e as vezes são dois episódios seguidos, mas sempre dá uma geral no que está acontecendo com os outros. Tem história de dívida com interesse romântico, história de amor no início, adolescentes apaixonados (e grávidos), amigos que viraram inimigos, pessoas com depressão, gente que foi morar na ilha fugindo de algo, tem as haenyeos que são as mulheres mergulhadoras de Jeju e mais algumas outras histórias. (NETFLIX)

17.6.22

Tudo Em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo

Em inglês o título é Everything Everywhere All At Once e a tradução para o português é fiel mas eu teria colocado Tudo Ao Mesmo Tempo Agora igual o disco dos Titãs. Just saying.


Filme dirigido pelos Daniels: Daniel Kwan e Daniel Scheinert. O outro filme deles que vi foi Swiss Army Man (Um Cadáver para Sobreviver) onde o Harry Potter faz um defunto que ajuda um homem a voltar para casa (é bizarro e gostei).

Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo é um filme difícil de explicar sem dar spoilers, vou tentar. (Até acho que vê-lo sem saber de nada é melhor ainda.)

Evelyn (Michelle Yeoh- maravilhosa) é uma imigrante chinesa morando nos EUA, nos seus 50 e tantos anos, dona de uma lavanderia em ponto de falência, casada (mas com um divórcio iminente) com o Waymond (Ke Huy Quan), e com uma filha, Joy (Stephanie Hsu), com a qual ela não se comunica direito e nem quer entender muito.

Evelyn mora num apartamento pequeno em cima da lavanderia que está cheio de coisas acumuladas (de papéis fiscais a roupas dos clientes), uma bagunça. 

Evelyn e Waymond tem uma hora marcada na receita federal para falar sobre os impostos que eles estão devendo. Ela levaria Joy para ajudar na tradução mas elas brigaram e Evelyn não consegue entender bem o que a funcionária Deirdre (Jamie Lee Curtis) está querendo dizer e Waymond não ajuda muito. Bem, o Waymond dessa realidade porque o Waymond do universo alfa sabe exatamente o que fazer.

Aí, gente, aperta o cinto que vem multiverso (também conhecido como universos paralelos ou realidades alternativas).

De todas as produções cinematográficas que abordam o multiverso esse filme e o Homem Aranha no Aranhaverso (2018) são as melhores.

Nesse filme o multiverso funciona como uma metáfora do "E se....". E se Evelyn não tivesse casado com o Waymond? E se não tivesse imigrado para os EUA? E se Evelyn tivesse ficado na China e aprendido artes marciais e virado uma atriz? Ou uma cantora? E se no processo da evolução humana nós acabassemos com dedos de salsicha? E se ela virasse a direita ao invés da esquerda? As possibilidades são quase infinitas. Como explica o marido da Evelyn no filme (mas é o marido alfa): cada decisão cria um novo caminho, e todas a levaram aquele momento.

Através de uma tecnologia, inventada por ela mesma em outra realidade, a Evelyn consegue ver (e ser) suas outras versões. Ela precisa enfrentar Jobu Topaki, que está causando um caos no multiverso, e recuperar o equilíbrio. E de todas as Evelyns possíveis ela é a que pode absorver todos os outros talentos já que ela não tem nenhum.

O filme aborda tanta coisa que nem vou conseguir colocar aqui, só vendo para entender.

O multiverso funciona bem nesse filme porque não tenta ser grandioso, foca só naqueles personagens e é uma alegoria.

Os pulos entre universos são muito bem feitos e encaixados. A "tecnologia" criada pela Evelyn para os pulos nos dá as cenas mais engraçadas.

O figurino da Jobu Topaki é sensacional e nem preciso dizer que as cenas de luta são ótimas (nunca pensei que uma pochete poderia ser uma arma).

Os universos favoritos foram: o das pedras e o que foi todo inspirado em Amor a Flor da Pele do Wong Kar Wai, ficou lindo. O universo das salsichas também muito bom.

A Tia Helô não entendia nada de multiverso ficaria tonta com todo vai e vem. 428 "Ai, Jesus!" para todos os métodos usados para pular entre as realidades.


31.5.22

Top Gun Maverick

Quando o primeiro filme Top Gun Ases Indomáveis estreou no cinema, em 1986, era uma adolescente e fui ver com os amigos. Gostei tanto que voltei no cinema para ver mais duas vezes. Ao longo desses 36 anos perdi a conta do tanto de vezes que já vi esse filme: em VHS, no supercine, na sessão da tarde, DVD, na tv a cabo e no streaming. Vi dublado e legendado. A última vez que vi foi um dia antes de ver Top Gun Maverick no cinema.


Nunca imaginei que veria um segundo filme de Top Gun mas quando o Tom Cruise se animou com o roteiro desse e começou a filmar já fiquei atenta. Esse filme era para ter sido lançado em junho de 2020 mas aí pandemia e tivemos que esperar 2 anos. Valeu a pena.

Quando Top Gun Maverick começa a sensação é de estar lá em 1986 só que num cinema com tela IMAX e som surround pica das galáxias. Tudo na cena dos créditos inicias é quase igual a início do primeiro filme, nos dando um conforto e preparando para o que viria a seguir na velocidade mach 10.

Feel the need, the need for speed!

É um filme que soube usar a nostalgia a seu favor e deu um salto a frente.

Como disse o Daniel Galera no Twitter: "...os momentos iniciais do "Top Gun" novo visto no IMAX, os créditos de abertura e as primeiras cenas são a melhor experiência de cinema em anos. A trilha e as imagens se esgueiram devagarinho, apertando todos os botões certos. Arte."

Pete Mitchell não tem o codinome Maverick a toa, ele é essa pessoa arrojada, as vezes inconsequente, que desafia as regras e gosta de correr riscos.

Pete Mitchell ainda é capitão depois de três décadas, mas ele quer continuar sendo esse piloto na ativa e faz o que pode (ou não pode) para permanecer assim. Quando começa o filme ele é um piloto de testes de um avião novo hipersônico que a marinha quer cortar do orçamento porque afinal de contas os drones fazem tudo e pilotos tem que ir ao banheiro. Maverick leva esse avião a extremos e acaba custando várias dezenas de milhões de doletas ao governo.

Acontece que precisam de alguém para treinar os pilotos para uma missão muito difícil (quase suicida) e Jon Hamm (o novo Almirante) diz para Maverick: "Your mission, should you choose to accept it," NÃO, pera, esse é o outro filme do Tom Cruise.

Então, o Almirante Lindão já diz que não gosta do Maverick, que ele só está ali pela indicação do Iceman (Val Kilmer) e também porque, vamos combinar, ele é o melhor piloto de todos os tempos ever. Iceman e Maverick continuaram amigos ao longo dos anos e o encontro dos dois emociona.

Maverick chega para conhecer os pilotos que ele vai escolher para fazer parte da missão. Tem o ótimo Hangman, que poderia ser filho do Maverick com o Iceman; a girl power Phoenix, o nerd Bob, o filho do Goose que é o Rooster, e vários outros.

Tem uma tensão entre Maverick e Rooster (o ótimo Miles Teller) e umas coisinhas que aconteceram no passado recente mas que acaba sempre levando a memória da morte do Goose.

Maverick começa o treino e mostra que eles são os melhores pilotos mas ainda tem muito o que aprender.

As cenas dos aviões são ESPETACULARES. O Tom Cruise se dedica e assim ele faz com que todos os outros façam o mesmo. Não tem tela verde nesse filme e faz toda a diferença. O diretor desse filme é o Joseph Kosinski, que dirigiu Oblivion (também com o Tom Cruise) e é um cara com uma visão estética apurada.

Não tem o vôlei de praia shirtless, mas tem o futebol americano shirtless (e de calça/bermuda jeans na beira da praia). 

Esse filme mantém a rivalidade entre os pilotos, afinal são muito competitivos, mas com menos testosterona.

A Jennifer Connelly faz a Penny Benjamin, que no primeiro filme não aparece mas ela é mencionada duas vezes como a filha do almirante que o Maverick levou para um passeio. É uma personagem que sabemos de cara que tem uma história com ele. E, gente, que casal bonito! A camera ama Tom Cruise e Jennifer Connelly.

Top Gun Maverick é melhor do que o primeiro filme por vários motivos mas principalmente por que nesse tem o Tom Cruise correndo.

O primeiro filme só tem UMA coisa que é melhor do que esse: a trilha sonora. Top Gun Maverick tem Lady Gaga mas Hold My Hand não é nenhuma Take My Breath Away, nem Playing With The Boys e nem Danger Zone (que toca nesse filme).

Não sei se a Tia Helo alguma vez viu o primeiro Top Gun mas acho que ela gostaria desse segundo. 726 "Ai, Jesus!" para todas as vezes que os pilotos levam um G a mais na cara.

Voltarei ao cinema para ver outra(s) vez(es)? Sim ou com certeza?

30.5.22

+ Filmes e Séries

 Filmes

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura - Gosto do Dr. Estranho, o primeiro filme dele é muito bom, conta sua origem, mas parece que agora ele existe só para consertar os erros dos outros heróis. Esse segundo filme foi dirigido pelo Sam Raimi e tudo que é marca registrada dele no filme eu gostei. O que eu não gostei é que esse filme é mais a história da Wanda (a Feiticeira Escarlate) do que do Dr. Estranho. Wanda é a vilã desse filme e ela até é uma vilã interessante porque é muito poderosa. Acontece que para entender como a Wanda foi de ser uma dos Vingadores para a vilã desse filme tem que ver a série Wandavision e uma outra série chamada What If. Eu não vi nenhuma das duas, não me importo com a Wanda nem com o Vision para ver Wandavision e fiquei com preguiça de uma série baseada em possibilidades, mas os geeks me contaram o que aconteceu e eu pude entender mais ou menos o que estava acontecendo. Anyway, a menina nova que tem o poder de pular por multiversos é boa e a cena das notas musicais é incrível de boa.

Deserto Particular - filme nacional do ano passado que agora está na Amazon Prime. Daniel é um policial que está afastado por alguma coisa que aconteceu. Ele as vezes trabalha de segurança e tem uma namorada virtual chamada Sara. Um dia a Sara para de responder as mensagens dele e ele decide ir atrás dela no interior da Bahia. Esse filme é muito bom, as vezes esperamos algumas reações das pessoas mas elas podem surpreender.

Along For The Ride - Filme teen sobre uma menina que antes de ir para faculdade vai passar o verão com o pai (e sua nova esposa grávida) numa cidade de praia. Lá ela conhece as meninas locais e um rapaz que aparece de vez em quando no pier. Ela fica amiga do rapaz. Não tem nada demais, é bobinho, mas pelo menos os problemas dos adolescentes desse filme são menos dramáticos. (NETFLIX)

After Yang - Um filme sobre uma família que tem uma filha adotada que é chinesa e, para fazer companhia a ela, compram um androide chinês, o Yang, que vai ensinar a língua e curiosidades para a menina. Um dia o Yang desliga e não liga mais. O pai leva o Yang (que ainda está na garantia) para o conserto só para descobrir que Yang kaput de vez e a única coisa que ele pode talvez fazer é preservar as memórias do andróide. Através de uns óculos modernos o pai (que é o Colin Farrell) consegue ver tudo que o Yang via e descobre que ele tinha uma amiga. É um filme quase que contemplativo, é tudo muito lento mas passa rápido, e é num futuro próximo que pelo menos não é apocalíptico. É muito sobre o que fazer com as memórias de alguém que não existe mais e perceber que as pessoas vivem vidas fora do que conhecemos. E tem a MELHOR cena inicial de créditos do ano.


Séries

Outer Range (Além da Margem) - uma série que parece um mix de Lost com cowboys. Tem duas famílias que disputam um pedaço de terra, são rivais. Uma das famílias tem o terreno onde tem um buraco misterioso. Quando alguém cai nesse buraco aparentemente viaja no tempo, mas nada é muito explicado. Um dia os filhos da familia Abbott brigam com os filhos da familia Tillerson e um deles morre. O papai Abbott joga o corpo no buraco que some mas depois de uma semana reaparece no meio do mato. Tem a Sherife que tenta investigar as coisas, tem uma hippie misteriosa que acampa no terreno dos Abbott e tem um dos filhos Tillerson que faz tudo cantando. Achei bizarra mas verei a segunda temporada. (Amazon Prime Video)

Conversations With Friends - acho que o multiverso da Sally Rooney está sendo criado com essa segunda série baseada num livro dela. Adorei a série Normal People e como essa foi feita pelas mesmas pessoas claro que vi. Esteticamente é tudo muito parecido com Normal People, inclusive tudo filmado em Dublin. É como se fosse Normal People com outros personagens. Só que com personagens frustrantes. Não li o livro então não posso comparar. Nessa série temos a história de 4 pessoas: Frances e Bobbi, duas universitárias que foram um casal mas agora são só amigas, e Nick e Melissa, um casal na casa dos 30 anos, ela escritora e ele ator. Frances e Nick ficam íntimos e torta de climão. Não sei se no livro eles conversam mais, na série é uma comunicação errada atrás da outra. Gostei muito do Nick e só. Passei a série revirando os olhos para essas meninas de 20 anos mas aí no final, bem no final mesmo, o Nick vai e fala uma frase tão boa, mas tão boa que eu teria respondido a mesma coisa que a Frances. Aguardo a série de Belo Mundo, Onde Você Está (que foi o livro da Sally Rooney que mais gostei).

Make or Break - Série documentário sobre os top 5 surfistas do circuito mundial, sendo que 3 deles são brasileiros. São 8 episódios que falam dos brasileiros, dos iniciantes, das mulheres, dos surfistas que começaram muito novos (já com apoio e patrocinio) até chegar na final do campeonato. Tem muitas ondas boas. Eu gostei do episódios Boys to Men (a pressão que o Kanoa Igarashi tem nas costas não é fácil), Chasing The Queen (sobre a australiana Stephanie Gilmore) e Conquering Demons (sobre o brasileiro Filipe Toledo). Tem muito Gabriel Medina (que acho um surfista muito elegante nas ondas) e Italo Ferreira (medalha de ouro nas Olimpiadas de Tóquio). (Apple TV+)

Shinning Girls - Série com a Elizabeth Moss (Handmaid's Tale) e Wagner Moura. Ele é um jornalista que começa a cobrir um caso de assassinatos de mulheres que vem acontecendo há 20 anos. Ela é uma pesquisadora do jornal que foi atacada brutalmente há alguns anos. Mas alguma coisa estranha acontece com ela em que as coisas ao redor dela mudam. Exemplo: ela pode chegar em casa e ao invés de estar morando com a mãe, estar casada com um fotografo. É confusa e as coisas só começam fazer sentido depois do episódio 4. São 8 episódios e vi 6 até agora. Jamie Bell é o vilão e ele é assustador. (Apple Tv+)

Made for Love - Segunda temporada dessa série sobre Hazel e Byron, um casal onde ele é um magnata da tecnologia e colocou um chip na cabeça dela. Na primeira temporada eles moravam numa espécie de complexo e ela consegue fugir, só que no fim da temporada ela volta para o complexo porque ele promete cuidar do pai dela (que está doente mas não que tratamento). Na segunda temporada o FBI infiltra um agente no complexo que pede ajuda da Hazel. O chip foi retirado da cabeça dela mas a consciência foi armazenada e quer liberdade. Essa série é muito doida mas é boa. (HBO Max)

The Staircase - série sobre o caso real do escritor que foi acusado de matar a esposa na escada de casa. Existe um documentário e essa série é o que aconteceu mas também tem o pessoal que vai fazendo o documentário. Colin Firth e Toni Collete estão ótimos. (HBO Max) 

23.5.22

Os clichês de novela coreana

Quando comecei a ver as novelas coreanas achei que não ia passar de 4, mas aí veio Vincenzo e entrei de vez no vortex das novelas coreanas. Até agora já vi umas 15 (ou mais) novelas coreanas, fora as várias séries que vem da Coréia do Sul.

Novela coreana é diferente de série coreana. A diferença, além do numero de episódios (séries são mais curtas e objetivas), é o tanto de clichês que as novelas coreanas tem.

E sim, tem novela coreana disfarçada de série coreana, as vezes com duas temporadas. Como saber? Os clichês, é claro.

Clichê não é ruim, é apenas uma repetição que acontece nas produções, como: perseguição de carro em qualquer produção que vem dos EUA, o bandido que corre quando vê os policiais em Law and Order, bordão em novela brasileira, irmão gêmeo aparecendo do nada em novela mexicana, gente voltando da morte em novela venezuelana, heróis que usam um boné como disfarce nos filmes da Marvel e por aí vai.

Nem toda novela coreana tem todos os clichês mas pelo menos quatro ou cinco deles tem, até nas mais recentes que estão mudando e tem menos clichês. E claro que tem novela coreana que faz o bingo dos clichês, especialmente se for romance. 

Aqui está a lista de clichês que fiz para uma amiga tentando convencê-la a ver novela coreana (nem que seja para tentar o bingo).

- Camera Lenta - haja camera lenta. E é pra tudo: gente andando, violencia, beijo, mãos dadas, passadas, puxões, etc.


- Nos romances tem sempre uma cena que o cara puxa o braço da mulher. Aparentemente isso é ok e até romântico para os coreanos.


- Mas pegar no braço é diferente de pegar na mão. Pegou na mão é namoro.

 

- A cena do tropeço. Alguém vai tropeçar e cair e o outro vai amortecer a queda. Tudo em camera lenta, claro. 


- Nos romances os casais andam numa velocidade irritante de lenta. Quando o cara chama a menina para um passeio as tartarugas parecem o Usain Bolt. 


- Sempre tem alguém que foi adotado ou que mãe ou pai morreram (as vezes os dois).


- Nos romances os personagens do casal central se encontraram em algum ponto antes do momento da novela (e vai ter esse flashback). Ou na infância, ou adolescência, ou até se cruzando na rua mas sem se ver. Coreanos acreditam em destino.


- Muitas vezes o capitulo seguinte começa com a mesma cena do fim do anterior mas de outro ponto de vista.


- O beijo de olho aberto. SEMPRE que o primeiro beijo vai acontecer quem está recebendo fica de olho aberto como se fosse uma surpresa (e depois fecha o olho).


- Primeiro beijo do casal geralmente acontece lá pelos episódios 8 a 10. Em algumas novelas acontece antes mas é como se não valesse até o beijo do episodio 10.


- O momento saranguê (te amo). Sempre depois do episodio 10, as vezes é só no último. Mas antes do "eu te amo" tem o momento tchuaê (gosto de você). 


- Coreanos nas novelas tiram os sapatos quando entram em casa mas nunca os casacos. As vezes sentam na mesa pra comer e deitam na cama de casaco. 


- A cena dos pés. Vai ter um momento que focam nos pés (calçados), as vezes combinado com passadas em camera lenta e um efeito sonoro próprio.


- Quase sempre tem uma vózinha fofa que não é poupada da desgraça. 


- Sempre tem um personagem com dívidas.


- Chuva e Neve. Quando chove ou neva acontece algo importante (romântico ou trágico).


- A cena no parquinho infantil: sempre tem (e geralmente alguém está bebado).


- Make over ou cena de desfile de roupa nova.


- A passagem de tempo (meses ou anos) e vale o combo clichê com a viagem para fora do país.


- O merchandising escancarado.

 

- O caminhão branco assassino. 


- Algumas novelas tem uma animação explicando algo. Toda vez que alguém fica muito bebado tem um efeito rosado nas bochechas. 


Se alguém lembra de mais algum deixa aí nos comentários.


E para quem chegou até aqui e quer saber quais novelas coreanas gostei mais até agora, segue um top 10. 


1. Vincenzo 

2. My Mister

3. Business Proposal (Pretendente Surpresa)

4. 25/21

5. Hometown Cha Cha Cha

6. Start Up

7. Our Beloved Summer

8. Snowdrop

9. Search WWW

10. Something In The Rain 


(todas na Netflix menos Snowdrop que está na Star+)


E já que falei das séries, top 10 séries coreanas que vi até agora.


1. Pachinko (tecnicamente é uma série americana mas é sobre coreanos com coreanos e falada em coreano e japonês)

2. The Silent Sea (O Mar da Tranquilidade) 

3. Hellbound 

4. All Of Us Are Dead 

5. My Name

6. Dr. Brain

7. DP

8. Squid Game (Round 6)

9. The School Nurse Files (A Enfermeira Exorcista)

10. Mad for Each Other


(todas na Netflix menos Pachinko e Dr. Brain que estão na Apple Tv+)




22.5.22

Festival MITA

A última vez que fui num festival de música foi no MADA em 2018, aí um amigo me disse que ia ter o MITA no Rio exatamente quando estaria aqui. 

Apesar de ainda não querer estar em aglomerações queria ver as bandas que viriam para o festival e por ser no Jockey Club num espaço aberto decidi ir.

Aliás, só vi vantagens em ser no Jockey Club. É perto de casa e começou e acabou cedo. O espaço é bom, tinha dois palcos, estava organizado e os shows começaram pontualmente. Ainda bem que fez um dia bonito com temperaturas agradáveis e não choveu porque já tinha muita lama no chão. O MITA não é um festival grande, estava cheio mas não lotado, dava para ficar bem a vontade.

Cheguei para o show da Liniker que foi muito bom. Depois teve o funk carioca do Heavy Baile que foi animado. Os norte irlandeses da Two Door Cinema Club tocaram no por do sol com o corcovado de fundo e mesmo com um vocalista alternativo (o original ficou doente) o show foi bom.

O show do Kooks estava com o som muito baixo e ruim para quem estava mais afastado do palco. Uma pena porque o vocalista da banda estava empolgado. Na verdade o som estava muito baixo para todos os shows, no show da Two Door mais longe do palco o som estava melhor do que perto. (O som baixo talvez foi por causa dos cavalos)

E a noite terminou com o ótimo show do Gorillaz. Gostei mais deles ao vivo do que no disco. As animações no telão são muito boas.

No fim já estava fazendo um friozinho (inverno carioca) e a saída foi tranquila.

18.5.22

O Peso do Talento

O Nicholas Cage já fez vários filmes, bons e ruins e em quase todos os generos: dramas, comédias, ação, coração quentinho, romance, filme premiado, filme cabeça e até filme hipster. Ele tem um Oscar por Despedida em Las Vegas e uma indicação por Adaptação.

Acho que só faltava mesmo ele fazer um filme onde ele interpreta ele mesmo. 

O título desse filme em português é o O Peso do Talento mas em inglês é o excessivo The Unbearable Weight of Massive Talent e é mais justo. Nesse filme o Nicholas Cage faz ele mesmo (no modo exagerado), um ator famoso, excêntrico, que fez vários filmes e está atrás do seu próximo papel.

Nick Cage (do filme) tem uma filha de 16 anos e uma ex-esposa. A filha adolescente não aguenta mais o pai egocêntrico que só fala de sua carreira e de filmes. Nick Cage é rejeitado para o papel no filme que ele queria e seu agente diz que ele foi oferecido um milhão de doletas para ir na festinha de aniversário de um espanhol rico.

Nick Cage acaba aceitando ir na festinha porque tem dívidas.

Paralelo a isso, a filha do candidato a presidência de sei lá onde foi sequestrada para que o pai desista da eleição.

Nick Cage chega em Mallorca e conhece Javi, o rico excêntrico e fã. Javi (Pedro Pascal - CRUSH) quer que Nick Cage, além de participar da festinha, leia seu roteiro e talvez atue no seu filme. Acontece que Javi pode ser um traficante de armas, mas uma coisa é certa: ele é a melhor pessoa só por seu terceiro filme favorito de todos os tempos (não vou dizer qual é, vejam o filme).

Mais não conto. Dei muitas risadas vendo esse filme. É cheio de referências aos filmes do Nicholas Cage, mas eu só identifiquei mesmo umas 3.

A melhor coisa desse filme é Nick Cage e Pedro Pascal juntos. Nem precisava do resto da história.

A Tia Helô diria 315 "Ai, Jesus!" para Pedro Pascal de sunga.

16.5.22

O Homem do Norte

Robert Eggers gosta de uma história visceral. Foi assim em A Bruxa e O Farol. E ele trabalha com detalhes históricos.


O Homem Do Norte é baseado num folclore nórdico que foi base para Hamlet de Shakespeare. Ou seja, é Hamlet viking roots. 

Principe Amleth ainda garoto vê seu querido pai, o Rei, ser morto pelo tio e tem que fugir. Anos depois, quando já é o Alexander Skarsgard (conhecido aqui no blog como Vampiro Eric), ele é um guerreiro e durante uma invasão de uma vila pelo seu grupo (extremamente violenta) ele descobre que seu tio está morando na Islândia.

Amleth tem sede de vingança e quando fugiu prometeu voltar para matar o Tio e libertar a mãe (que ele viu se capturada pelo Tio). Ele se passa por escravo para chegar na vila do Tio e no barco ele conhece a Olga. Os dois juram que vão sair da ilha, mas ele tem uma profecia a seguir.

Amleth é homem urso AND lobo e, em vários momentos, ele se encontra com uns videntes que o atualizam da profecia.

Em algum momento ele vai ter que escolher entre a vingança e o futuro. E as vezes nem tudo é o que parece, desde aquela época.

É um filme violento, e violência bem real (física e psicológica). Dá pra sentir como era a coisa no meio dos vikings naquela época (ainda bem que filme não tem cheiro).

Tem Ethan Hawke fazendo o rei, pai do Amleth, tem Nicole Kidman fazendo a mãe, Ana Taylor Joy é a Olga e tem um ator dinamarquês, Claes Bang, que faz o Tio e é ótimo.

Alexander Skarsgard está de parabéns. Sangue nos olhos.


A trilha sonora é maravilhosa, no cinema parecia que os tambores estavam dentro da minha cabeça.

A fotografia é linda (a Islândia ajuda muito) e os cenários são perfeitos.

A Tia Helô ficaria horrorizada, não com a violência, mas com a Bjork fazendo uma feiticiera vidente. 812 "Ai, Jesus!" para tanto sangue e lama.

5.5.22

Momento TOC livros 16 (parte 1)

Esse ano coloquei a meta de 40 livros e comecei mais devagar do que ano passado, mas li 2 livros com mais de 800 páginas, reli Pachinko para ver a série e reli Kim Ji Young Nascida em 1982 que finalmente saiu em português.

Estou numa leitura coletiva de uma biografia dos Beatles (que tem 900 páginas) e só vai acabar em setembro, então esse livro entra na próxima lista.

Li 4 livros de contos e acho que essa vai ser a tendência da minha leitura de 2022. Continuo na saga dos autores asiáticos. A minha ideia para esse ano era ler autores latino americanos, um de cada país, só que é difícil encontrar autores de alguns países traduzidos para o português ou inglês e não consigo ler en español. Então vamos com os livros de contos que nunca gostei muito mas pelo jeito passei a gostar.

Vamos aos primeiros 20 livros do ano.

- Somos Todos Adultos Aqui - Emma Straub - esse foi uma sobra dos livros do ano passado, comprei pela capa. É a história de uma família, os Strick, e seus agregados. Astrid é a matriarca, ela ficou viúva quando o filho mais velho tinha 21 anos e foi trabalhar num banco. Astrid é ativa na comunidade e defende o comércio local. Um dia ela testemunha o atropelamento de Barbara, uma vizinha da sua idade mas que ela não gostava por conta de uma fofoca de anos atrás. Mas a morte de Barbara deixa Astrid abalada e a faz decidir não guardar mais segredos nem sentimentos.Tem a filha grávida, a neta adolescente que vai morar com a avó, o filho mais velho ressentido, o mais novo good vibes e o resto da comunidade. Achei esse livro ok. Daria uma boa novela.

- In The Dream House - Carmen Maria Machado - (em português: Na Casa Dos Sonhos) - um livro de memórias sobre uma mulher e seu relacionamento abusivo com sua namorada que ela chama de "The Dream House" porque as duas alugam uma casa onde Carmen acha que vai ser feliz mas vive uma história de terror. Gostei mais da primeira metade do livro, a forma como ela conta a história é interessante mas tem tanta nota de rodapé desnecessária que ficava chato.

- Modern Lovers - Emma Straub - (em português: Amantes Modernos) Esse comprei pelo título que lembra a música do Bowie. A melhor coisa desse livro é o gato chamado Iggy Pop. É sobre 4 amigos que formaram uma banda de rock na faculdade e tocavam nos bares. Elizabeth e Andrew se casaram e tiveram um filho, Zoe também casou e teve uma filha e Lydia virou uma pop star. Lydia morreu de uma overdose e agora (20 anos depois da banda separar) querem fazer um filme sobre a vida dela, acontece que ela fez sucesso com uma música da banda que foi composta por Elizabeth e Andrew (mais Elizabeth, que ganha dinheiro com os direitos autorais da música) mas Andrew não quer assinar os papéis para ter sua vida contada no filme porque ele guarda um segredo. O livro é mais sobre a vida conjugal de Elizabeth e Andrew e Zoe e Jane do que os babados da banda. Entre esse livro e o Somos Todos Adultos Aqui acho que não preciso ler mais nada da Emma Straub.

- A Curva do Sonho - Ursula K. Le Guin - ficção cientifica de 1971 que passa no futuro de 2002. É sobre George, um homem que precisa de remédios para dormir que não o faça sonhar. Toda vez que ele sonha a realidade é alterada, as vezes pequenas coisas e as vezes coisas muito maiores. George se entorpece para não sonhar e não prejudicar as pessoas alternado a realidade delas. Mas ele é pego usando cartões alheios para comprar os remédios em grandes quantidades e passa da sua cota. George tem que fazer um tratamento voluntário (pero no mucho) com um psiquiatra que acaba descobrindo o poder do George em alterar a realidade e passa a manipular os sonhos do George. Mas o psiquiatra não controla o subconsciente do George, ele pode apenas fazer sugestões e cabe ao subconsciente interpretar. O ser humano é muito doido.

- Os Detetives Selvagens - Roberto Bolaño - Nos anos 1970 dois pseudo-poetas estão atrás de uma poetisa que criou um grupo de poetas em 1920. A primeira parte do livro é um diário de um rapaz que conhece esse dois pseudo-poetas e passa a fazer parte do grupo. Depois o livro é quase todo de depoimentos de pessoas que tiveram contato com eles ao longo de anos (até 1996) e no fim volta ao diário. Ele faz uma experimentação com a narrativa, e nos depoimentos ficamos sabendo o que aconteceu com os personagens secundários. É um livro longo, mais de 800 páginas, cansativo, perdi o foco várias vezes, mas as partes boas compensaram.

- Walk of Shame - Lauren Layne - Depois dos poetas detetives precisava de um livro bobo, mas esse foi bobo demais e ruim. Georgiana e Andrew vivem no mesmo prédio, ela é herdeira e chega em casa as 5 da manhã que é a hora que ele está saindo para trabalhar. Eles se gostam mas acham que não são correspondidos e ficam naquela briguinha. Um dia ele a desafia a passar um dia com ele no escritório e eles acabam se conhecendo melhor. Eles ficam juntos até ela descobrir que ele sabia que os pais dela iam se divorciar e como ela é uma mimada coloca a culpa nele. Foi uma revirada de olhos atrás da outra (até marquei a oftalmo depois de ler esse livro). Nos romances que li ano passado tinha reparado uma evolução no sentido que os casais se comunicavam melhor (inclusive no sexo) mas esse livro foi uma regressão total aos romances de banca Sabrina e Julia dos anos 1980.

- To Paradise - Hanya Yanagihara - O multiverso da depressão. A Hanya não escreve histórias felizes, vide A Little Life (Uma Vida Pequena), nem curtas, esse livro tem mais de 800 páginas. São 3 histórias que passam em 1893, 1993 e 2093 e são independentes mas em comum tem os nomes dos personagens e uma casa no Washington Square em NYC. Em 1893 David é um jovem solteiro e seu avô quer que ele case com Charles (mais velho e pançudinho) mas ele se apaixona por Edward. Nessa NYC que faz parte de um outro país que é um EUA dividido, todos os tipos de casamentos são aceitos. Em 1993 David é do Havaí e mora com Charles que é bem mais velho. Charles está dando uma festa de despedida para seu amigo Peter que está morrendo de AIDS. E tem a história do pai do David que se envolveu com um homem chamado Edward e fez parte de uma espécie de seita. E em 2093, num mundo onde os virus estão acabando com os humanos, tudo é controlado, o clima foi pro saco e depois de várias pandemias temos Charlie uma moça que trabalha num laboratório e é casada com Edward. Ela foi criada pelo avô Charles depois que o pai, David, morreu. Esse mundo de 2093 é assustador, até porque não é tão ficção assim. A história do meio achei chata, mas a primeira e a última são boas. Só muitos detalhes desnecessários, repetições e encheção de linguiça.

- Homens Sem Mulheres - Haruki Murakami - livro com 7 contos sobre homens e como se relacionam com o abandono, o desejo, a descoberta, a paixão e a perda. Dois desses contos deram origem ao filme Drive My Car. Escrevi um post fazendo a comparação Livro x Filme e falo dos outros contos do livro.

- Véspera - Carla Madeira - Li o Tudo é Rio ano passado, achei a escrita dela boa e decidi ler esse. Véspera é melhor do que Tudo é Rio, até porque tem menos frases de efeito. O livro é em duas partes alternadas que se complementam. Em uma das partes Vedina, depois de uma briga com seu marido Abel, perde o filho na rua e fica procurando. Na outra parte temos a história de Abel, seu irmão gêmeo Caim, sua mãe super religiosa Custódia e seu pai Antunes. A parte do Caim se apaixonando pela Veneza é muito boa.

- A Cabeça do Santo - Socorro Acioli - Depois da morte da mãe, Samuel vai a pé de Juazeiro do Norte até Candeia para realizar o último desejo dela. Ele chega na cidade praticamente um mendigo e acaba se abrigando dentro da cabeça de um Santo Antônio que o corpo de 20 metros fica no alto do morro mas nunca colocaram a cabeça. Samuel passa escutar as vozes de mulheres rezando para o santo pedindo marido e decide fazer um desses pedidos acontecer. Aí a cidadezinha que estava abandonada passa a receber romarias. Achei essa história muito boa.

- O Deus Das Avencas - Daniel Galera - 3 histórias que falam de relações familiares num mundo em volta que está se desfazendo. A primeira é um casal nos momentos que a mulher começa a sentir as contrações do parto mas ainda não é o momento do parto e eles passam quase dois dias, na véspera da eleição de 2018, passando pelos momentos de "é agora?". A segunda história é num futuro não muito distante mas onde o clima foi pro saco (acho que estou num tema) e um homem frequenta um grupo de terapia onde ele leva sua mãe, ou a consciência de sua mãe armazenada num ovo, para entender e lidar com esse tipo de relação. Os flashbacks dele em Tóquio são ótimos. E a terceira história é num mundo pós-apocaliptico onde uma comunidade se desenvolveu no alto de uma montanha e dependem de abelhas para manter a saúde. As três histórias são muito boas. (considerei esse um livro de contos)

- Afterparties - Anthony Veasna So - São 9 contos sobre imigrantes cambojanos que foram para California. Na verdade é mais sobre os filhos desses imigrantes e como lidam com a herança do genocídio que aconteceu no Camboja nos anos 1970 e com as complexidades de raça, sexualidade, amizade e família. Gostei muito de 6 histórias: a da mãe com duas filhas na loja de donuts; a dos dois irmãos na festa de casamento; a do rapaz que formou na faculdade mas trabalha na oficina de carros do pai, a da mãe que conta para o filho de 9 anos como sobreviveu um tiroteio numa escola (em 1989), a do rapaz no templo com os monges e a a de um rapaz que começa um namoro com um cara mais velho.

- Não É Um Rio - Selva Almada - Essa escritora argentina estava na minha lista e peguei esse para ler. É sobre três amigos que vão pescar numa ilha. É um ritual que fazem sempre, dois homenes são mais velhos e o terceiro é filho do amigo que morreu há alguns anos. Eles pescam uma raia enorme e isso deixa alguns locais chateados. O livro conta a história dos 3 e de mais algumas pessoas da ilha. Tudo em menos de 100 páginas.

- A Casa do Silêncio - Orhan Pamuk - Gosto muito dos livros do Orhan Pamuk, ele nos mostra uma Turquia sem muito filtro e sempre com histórias envolventes. Aqui os eventos são contados em 5 pontos de vista: Fatma (a idosa dona da casa), Recep (o empregado anão), Faruk (neto mais velho da idosa), Metin (o neto mais novo) e Hasan (sobrinho revolts do Recep). Os netos de Fatma vieram passar uns dias do verão com a avó e é quando eles aproveitam para visitar o tumulo do avô e dos pais. Através da Fatma sabemos toda a história (pesada) da família, pelo Recep sabmos outro lado da história da família, Hasan nos põe a par da situação política, Faruk é um historiador e Metin nos conta os babados da juventude rica na cidadezinha de praia. Achei que faltou o ponto de vista da Nilgun (a neta da idosa). A escrita do Ohran Pamuk é muito boa, mas nesse livro quando chegou um pouco depois da metade eu só queria que terminasse. O narrador mais chato é o Faruk.

- Careless - Kirsty Capes - Bess é uma garota de 16 anos que acabou de descobrir que está grávida. Ela não sabe o que fazer. Boy (o namoradinho) não fala com ela há semanas, ela não quer contar para os pais (que são adotivos temporários) e nem para seu assistente social. Bess conta com o apoio de sua amiga Esh que também tem seus problemas. A primeira metade do livro é Bess contando como conheceu Boy, como é sua vida nessa família temporária mas que já a abriga há 10 anos e um pouco de seu passado. A segunda metade do livro é ótima, me deixou quase que na ponta da cadeira querendo saber qual seria a decisão final da Bess.

- Éter - 18 contos de batom borrado e outros anestésicos - Luciana Nepomuceno - Na verdade são 18 contos principais, 2 contos a 4 mãos, vários micro contos (um paragrafo) e outros 33 mini contos de uma página. Gostei muito de 6 dos 18 contos principais (mas são todos bons), os dois contos a 4 mãos são muito bons, as pílulas são interessantes mas quando cheguei nos 33 mini contos já estava cansada desse livro. Esse é o meu problema com livros de contos, acho que exigem uma certa paciência, talvez deixar do lado da cama e ler um conto por vez, mas gosto de terminar um livro antes de ir para outro. Acho melhor os livros com poucos contos.

- A Espera e Grama - Keum Suk Gendry-Kim - duas HQs lindamente desenhadas que contam duas histórias de sofrimento com muita sensibilidade. Em A Espera uma mãe se separa de seu filho enquanto foge do norte para o sul da Coréia, no meio de bombardeios e tiroteios, no início da guerra da Coréia e anos mais tarde tem a esperança de encontrá-lo através de um programa que unia as familias separadas (por poucas horas). Grama é a história de Lee Ok-sun uma menina que apenas queria ir para escola mas foi levada da Coréia para a China para ser uma "mulher de conforto" durante a ocupação japonesa na segunda guerra. É uma vida de sofrimento contada pela Ok-Sun idosa para uma autora de quadrinhos. Gostei muito das duas HQs.

- Build Your House Around My Body - Violet Kupersmith - Winnie é americana filha de pai vietnamita e ela vai para Saigon ensinar inglês, mas na verdade ela foi sem muita intenção de voltar. Um dia, em março de 2011, ela some. A história da Winnie está ligada aos irmãos Phan (Long e Tan), a amiga deles Bihn, um médico traficante de drogas, a fazendeiros franceses que viveram 60 anos antes, um vidente, uma senhora na cadeira de rodas que vende a loteria, cobras de duas cabeças, um cachorro e até um monstro de fumaça. Não sabia que o povo vietnamita tinha um folclore tão rico com superstições e histórias com fantasmas. O vai e vem no tempo as vezes é confuso mas as histórias dos personagens são boas, ainda assim classificaria em: livros para ler chapado.

- Second First Impressions - Sally Thorne -(em português: Segundas Primeiras Impressões) não sei porque dei uma segunda chance a Sally Thorne, o outro livro dela (The Hating Game) me deu raiva, mas precisava de uma coisa leve e boba para ler, custou 3 reais e fiquei curiosa com as tartarugas da capa. Achei esse livro melhor do que o outro, pelo menos os personagens são menos irritantes e são até fofos. Ruthie é uma garota de 25 anos que acha que tem 125 e trabalha (e mora) num condomínio de casas para idosos, ela se sente um deles (e se veste como um). Teddy é um rapaz, tatuado e tatuador, com cabelo comprido e lustroso (esse detalhe é muito importante e mencionado vááárias vezes), que precisa de dinheiro para ser sócio num studio de tatuagens. Acontece que Teddy é filho do dono do condomínio mas está sem grana (ele não quer o dinheiro do pai) e precisa de um lugar para ficar, aí o pai diz que ele pode ficar no condomínio desde que trabalhe. Teddy acaba sendo assistente de duas idosas ricas e divertidas e vizinho de porta de Ruthie. Ao contrário do Walk of Shame (acima nessa lista) nesse livro os personagens se comunicam melhor e mais diretamente. E tem tartarugas na história.


A Parte 2 dos livros de 2022.


Momento TOC Livros dos outros anos: (1), (2), (3), (4), (5), (6), (7), (8), (9), (10), (11), (12), (13), (14), (15)