Qualquer pessoa que pergunta se conheço uma banda e não conheço, vou atrás. Não precisa ser uma pessoa na vida real, pode ser uma personagem de filme ou série. Fiz o analisando a música de uma música da The Who porque me senti desafiada pelos personagens de The Newsroom.
Gosto de escutar novidades (para mim), afinal faço parte de um clube do disco exatamente para descobrir, e as vezes redescobrir, músicas, bandas e artistas que dificilmente chegariam na minha bolha. E é bom dar uma chacoalhada no algoritmo.
Falei da série Off Campus em outro post e disse que a trilha sonora é muito boa, tem muitas bandas novas e alguns artistas mais antigos (Billy Idol, AC/DC, Jet). Tem de tudo nessa trilha: rock clássico, rock alternativo, indie, pop clássico, pop chiclete, pop alternativo, soul music, etc. A série fez tanto sucesso que, para ter uma idéia, a música On The Floor da J. Lo com Pitbull voltou as paradas depois de 15 anos e as bandas novas (ou menos famosas) estão vendo seus números crescerem exponencialmente.
Na trilha sonora tem até The Bitch is Back para a Gen Z conhecer Elton John. E é numa cena que Garrett e Hannah falam sobre essa música de sir Elton John (ela pergunta se ele conhece a versão da Miley Cyrus e a versão do Billy Porter) que termina nela perguntando se ele conhece uma banda chamada The Beaches e diz que o set do Coachella iria mudar a vida dele.
você conhece the beaches?
Garrett não conhecia a banda e nem eu, então fui atrás de escutar. O Garrett, que é um FOFO e não é bobo, escuta The Beaches no fim do episódio.
The Beaches é uma banda canadense, de Toronto, formada em 2009, são 4 mulheres (girl power): Jordan Miller, Kylie Miller, Leandra Earl e Eliza Enman McDaniel. A banda tem 3 discos: o primeiro disco, Late Show, é de 2017 e o mais recente é No Hard Feelings de 2025.
Escutei o disco do meio de 2023, o ótimo Blame My Ex, que é exatamente sobre o tema preferido de quem gosta de compor música: fim de relacionamento. E como já disse em outras análises: uma boa dor de cotovelo rende ótimas músicas e discos.
A música de lançamento desse disco foi Blame Brett, que é muito boa, também gostei de Kismet e What Doesn't Kill You Makes You Paranoid, são todas boas, a maioria com uma vibe rock alternativo anos 1980 (tipo The Cure, ótima influência).
Escolhi Edge of the Earth porque é a música que toca na série e ficou na minha cabeça. Tem um refrão chiclete e se não era um hit, vai ser.
Vi uma entrevista das irmãs, Jordan e Kylie, dizendo que todas estavam passando por um fim de relacionamento quando fizeram esse album. Tudo começou com a Jordan que tinha acabado de terminar um namoro e compôs Blame Brett (porra Brett!). A Kylie disse que não foi fácil vê-la passando por esse fim de namoro mas que as sessões da banda pareciam terapia com as amigas e que esse disco as aproximou ainda mais. Logo depois a Kylie e Leandra também terminaram relacionamentos. A Jordan diz que compôs Edge of the Earth sobre a Leandra e a ex-namorada dela (não sei se já era ex na época da música mas provalmente vamos descobrir), então sabemos que é uma música com tendências a dor de cotovelo. Aparentemente as duas tinham uma relação apaixonada e ardente, então
vamos saber onde é essa beirada (ou canto) da Terra e como chega lá.
She's a fire sign and I don't really know what that means
I'm a cold night and I wanna be close to the heat
I don't want to get burned
I don't want love like that
But I can't go any further till I start coming back
"Ela é de um signo de fogo e não sei o que isso significa." Nem eu, não entendo nada de astrologia mas o Google me disse que pode ser Aries, Leão ou Sargitário. Ela diz que é uma noite fria e que gostaria de estar perto do calor. Aqui temos personalidades diferentes, os opostos se atraem. Ela quer calor pero no mucho, não quer se queimar, não que esse tipo de amor. Que tipo de amor é esse? Namoro iôiô? Vai e vem? Muitas diferenças? E ela completa dizendo que não pode ir mais longe (ou se afastar mais) porque em algum ponto vai começar a voltar.
A Terra é redonda.
I'm a rock star and I'm never around when you need
Like a race car driving away from the scene
Does she want me to stay? Does she want me to pack?
You can't push me any further till I start coming back
"Eu sou uma rock star e nunca estou por perto quando você precisa." A Leandra é a guitarrista rock star da banda e imagino que elas fazem muitos shows (e vão fazer mais agora), deve ser dificil manter um relacionamento. Ela até diz que é como um carro de corrida fugindo da cena (do crime?).
É interessante como ela alterna uma fala indireta com uma direta.
Indireta: "Ela quer que eu fique? Ou ela quer que eu faça as malas?" Fica difícil saber se está sempre fugindo como se fosse um carro de corrida.
Direta: "Você não pode me pressionar mais até que eu comece a voltar." Se pressionar demais, ou se afastar demais vai começar a voltar ao ponto inicial. É a saudade que aperta de vez em quando mesmo quando o namoro esta chegando ao fim. Quem nunca?
O mundo da voltas.
Turn me around, right upside down
Spin me like a globe and drop your finger on me
I feel so far, you're all I want
Spin me like a globe and drop your finger on me
You push me in circles to the edge of the Earth
Where I can't go any further till I start coming back to you
O refrão que vai ficar grudado na sua cabeça e te fazer cantarolar igual a Hannah cantarolou Now That I Found You depois de dançar (fazer outras coisas) com o Garrett.
"Me vire de cabeça para baixo, me gire como um globo e coloque seu dedo em mim." Sabe quando você gira um globo e para com o dedo escolhendo um lugar? É isso. Como se fosse a aventura de escolher um lugar aleatório e aqui o lugar aleatório pode ser no corpo dela. Pode gritar quinta série.
Ela se sente tão longe que a outra é tudo que ela quer. Ou seja, a falta é a mãe do desejo (parafraseando os filósofos Platão e Schopenhauer).
Gira esse globo outra vez!
"Você me empurra em circulos para a beirada da Terra, onde não posso ir mais longe até começar a voltar para você."
Os circulos são a repetição desse relacionamento iôiô, esse vai e vem que em algum momento volta ao ponto inicial. Vale lembrar que depois da volta dada o ponto inicial não é o mesmo, pode ser parecido mas não é igual, as coisas se transformam, sentimentos mudam.
Se Garrett tivessse escutado essa música com mais atenção ele teria aprendido mais sobre filosofia e teria entendido melhor o conceito de verdade subjetiva e como duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo. No caso da música ela sabe que o relacionamento está acabando e ainda quer ficar junto.
I'm an addict, I'm addicted to her into me
She's a magnet pulling me under the sheets
If I hold you too close, will the good things still grow?
Don't matter what happens, wherever we end up, we'll come right back
Ela é uma viciada, dependente na outra apaixonada por ela. O que faz ela continuar nesse relacionamento vai e vem é que ela é obcecada por esse sentimento que a outra tem por ela. Freud explica.
"Ela é um imã me puxando embaixo dos lençóis" pode ser ela se deixando levar, sem vontade própria, jogando a resposabilidade para a outra.
"Se eu te segurar perto demais as coisas boas ainda vão aumentar (se multiplicar)?" If you love somebody, set them free já diria o Sting, então segurar perto demais já não é bom. Ela não está bem. Para usar um termo que surgiu das fãs da série: ela está unwellsy.
E conclui que não importa o que aconteça, onde vão acabar, elas voltarão. É o padrão se repetindo.
Turn me around, right upside down
Spin me like a globe and drop your finger on me
I feel so far, you're all I want
Spin me like a globe and drop your finger on me
You push me in circles to the edge of the Earth
Where I can't go any further till I start coming back to you
Ela sabe que pode ir até o fim do mundo, mas ele é redondo e ela acaba voltando ao ponto inicial. Mas, fica a dica, dá para desviar e parar em outro ponto, a linha não precisa ser reta.
E vamos dançar com esse refrão chiclete! Rodar que nem um globo, dar voltas até que voltamos ao começo e música no repeat.
Faço parte de um clube do disco chamado Disclubinho. Todo mês um disco é sorteado, entre os sugeridos pelos membros do grupo, e no fim do mês nos reunimos para falar sobre esse disco. A pessoa que teve a sugestão sorteada tem que apresentar o disco e artista. Já teve Clube da Esquina, Black Parade do My Chemical Romance, Trench do Twenty One Pilots, Ave Sangria do Ave Sangria e o mais recente foi Ray of Light da Madonna.
Na segunda parte do encontro cada um indica uma música (as vezes duas) que está escutando e é feita uma playlist.
É uma maneira de conhecer artistas, bandas, músicas e discos que eu talvez nunca fosse descobrir. E também ficar por dentro do que os jovens estão escutando.
No último encontro alguém sugeriu essa música da Raye e disse "Apenas escutem, não é nada do que o título sugere". Fiquei curiosa.
Raye é uma cantora e compositora britânica de 28 anos. Ela já compos músicas para Beyonce, Charlie XCX e John Legend. Raye lançou se primeiro disco em 2023 e já foi indicada para o Grammy de Best New Artist (em 2025). Não conhecia mas já escutei outras músicas dela e gostei muito, ela tem várias que são mais para um R&B e tem até rap.
Where Is My Husband é o primeiro single do próximo album da Raye que vai sair em algum momento do ano que vem (a Raye disse que o album ainda não está pronto). Ela cantou em Glastonbury e lançou oficialmente em 19 de setembro 2025. Já é um hit.
Vi um video dela cantando Where Is My Husband no Graham Norton com uma banda para lá de completa. Me lembrou muito as Supremes porque nessa música a Raye canta com outras duas moças com harmonias precisas e coreografias. Essa é uma música que gruda na sua cabeça instantaneamente.
Ela canta Where is My Husband numa velocidade intensa que só consigo entender bem o refrão, então decidi analisar a música para saber por que a Raye quer tanto saber onde está esse marido.
E se alguém mora em Fortaleza, ou estiver passeando por aqui, e quer participar do Disclubinho é só aparecer no dia do encontro.
Baby, where the hell is my husband? What is taking him so long to find me? Baby, where the hell is my lover? Getting down with another? Tell him, if you see him, baby He should holler
A música já começa com esse ótimo refrão que gruda na sua cabeça e na segunda vez que aparece você já canta junto. Não sei quem é Baby mas ela está perguntando "Onde diabos está o meu marido? Por que ele está demorando tanto para me encontrar?" É o que também queremos saber!
Baby pode ser um genérico querido. "Querido, onde está o meu amante? Está de chamego com outra (ou outro)?? Se você o ver manda ele dar um grito."
Então ela não sabe onde está o marido e não sabe se ele esta com outra pessoa. Sendo esse o refrão nós vamos seguir com esse mistério.
Why is this beautiful man waiting for me to get old? Why is he already testing my patience?
I only fear he's taking time with another woman that ain't me
While I've been reviewing applications
Wait til I get my hands on him, Imma tell him off too
For how long he kept me waiting, anticipating
Parying to the Lord to get him to my loving arms
And despite my frustrations
Então sabemos que esse é um homem bonito (por dentro e por fora?), mas porque ele está esperando ela envelhecer? Ou ela acha que vai envelhecer antes de encontrá-lo?
"Ele já está testando minha paciência." Como assim já está testando? Testando antes do que? E ela tem medo que ele está aproveitando o tempo com outra mulher que não é ela.
Pera aí. Então ele ainda não é o marido dela? Ela está procurando um marido? Plot twist!!
Por isso que ela fala que está analisando os apps, e diz que quando colocar as mãos nele vai dar uma bronca daquelas pelo tempo que a deixou esperando e na expectativa.
Calma amiga, para que tanta expectativa e ansiedade?
E ainda pede aos céus para colocar esse homem em seus braços e apesar das suas frustações....
He must need me, completely
How my heart yearns for him
Is he far away?
Is he okay?
This man is testing me
Help me, help me, help me, Lord
I need you to tell me
..."Ele tem que precisar de mim, completamente" Como assim? Você quer um cara dependente? Ela está muito ansiosa, o coração anseia por ele. Ela quer saber se ele está muito longe, se ele está bem. São muitas perguntas.
"Esse homem está me testando." Amiga, talvez ele esteja dando um recado, just saying. E aí ela apela para os céus e pede ajuda ao senhor, ela quer saber....
Baby, where the hell is my husband? What is taking him so long to find me? Baby, where the hell is my lover? Getting down with another? Tell him, if you see him, baby He should holler
"Onde diabos está o meu marido???" Ela está perguntando para qualquer pessoa/ser onde está esse homem e o que ele esta fazendo? Por que ainda não a encontrou? Ansiedade nível hard. Se alguém encontrar esse homem vai dizer para ele fugir e não gritar.
I'm doing lonely acrobatics, unzipping my dress at 2 AM and I'm tired of living like this He must be busy getting ready, tryingto fix up his tie Helllo? This is where your wife is Wait till I get your heart going, Imma turn it up too for how much I'm about to love ya, no one above ya Praying to the Lord to hurry hurry you along Baby I intend to rush ya
Então ela está sozinha fazendo acrobacias para tirar o vestido as 2 da madrugada e está cansada de viver assim (esticando o braço para tentar alcançar o ziper). Ela acha que esse homem imaginário está ocupado se arrumando, colocando a gravata, "Oi? É aqui que está sua esposa!". E ela faz algumas promessas ou ameaças, depende do ponto de vista: vai acelerar o coração dele, vai amar tanto esse homem que não vai ter ninguém acima dele. Apenas o desespero falando. E aí reza para o Senhor agilizar esse encontro e ela tem intenção de apressar tudo.
He must need me, completely
How my heart yearns for him
Is he far away?
Is he okay?
This man is testing me
Help me, help me, help me, Lord
I need you to tell me
Baby, where the hell is my husband? What is taking him so long to find me? Baby, where the hell is my lover? Getting down with another? Tell him, if you see him, baby He should holler
O refrão com as duas partes. A parte possessiva (ele tem que precisar dela, completamente) e a parte desesperada (onde diabos está o meu marido??).
Tell him I'm mmm, tell him I'm with the mmm
Tell him I'm kind
Tell him I'm 5'5
Tell him I've got brown eyes and a growing fear that, if he doesn't find me now, I'm gonna die alone, so can he?
I want it, I want it, I want it
"Fala pra ele que eu mmmmmmm (18+), que sou gentil, que tenho 1,67m e olhos castanhos". Porém o mais importante é ele saber que se ele não a encontrar agora ela vai morrer sozinha.
Ela quer quer quer. O que ela quer tanto? Um marido? Não é amor que ela procura.
I would like a ring, I would like a ring
I would like a diamond ring on my wedding finger
I would like a big and shiny diamond that I could wave around and talk about it
And when the day is here, forgive me God, that I could ever doubt it
Until death, I do, I do, I do
Nesse ponto da música foi que entendi o porque dela cantar tão rápido com tanta urgência, e é GENIAL!
É uma tradução da ansiedade que as mulheres sentem, pressionadas pela sociedade, de ter que encontrar um marido, casar, ter filhos, etc, ainda mais quando chega numa certa idade. A busca de um marido a qualquer preço. Ela fala que quer o anel de diamantes para mostrar e falar sobre, é isso que importa. "Migas, olha aqui o anel, vou casar!'. Se esse vai ser um bom casamento não importa. 2025 e as mulheres ainda estão se sentindo pressionadas pela sociedade para achar um marido. As coreanas já estão dizendo não para essa pressão.
This mas is testing me
Helpme, help me, help me Lord
I need you to tell me
Então ela joga a frustração que sente por não conseguir uma coisa imposta pela sociedade nesse homem fictício.
No video oficial ela fica buscando esse homem que nunca alcança e quando ela canta essa parte aparece um homem segurando um cartaz que diz: Find yourself and love will find you. Ou seja: se encontre que o amor chega até você.
Baby, where the hell is my husband? What is taking him so long to find me? Baby, where the hell is my lover? Getting down with another? Tell him that my Grandma said it
Tell him grandma said it
'Your husband is coming"
É interessante ela pedir para dizer para ele que a Vózinha disse que "Seu marido está vindo", porque se a vó disse é porque tem que acontecer. (Curiosidade: é a própria avó da Raye que fala essa frase)
I would like a ring, I would like a diamond ring on my wedding finger, I would like a big and shiny diamond
Where is my husband?
Se você quer tanto um anel de diamante, compra um. Vai ser mais fácil (e melhor) do que achar esse marido.
Vou começar o ano com um analisando a música que é a categoria mais popular do blog e não fiz nenhuma vez em 2024 (a última vez foi em julho de 2023). Então, talvez uma resolução de ano novo para 2025 seja fazer mais analisando a música.
Decidi começar com essa música da Billie Eilish porque foi a mais tocada no Spotify em 2024 e está concorrendo a uma penca de Grammys: música do ano, gravação do ano (não me perguntem a diferença), melhor performance solo pop, melhor album do ano e melhor album vocal pop.
E também porque foi a primeira música da Billie Eilish que não me deu sono e até coloquei na playlist do ano.
A Billie Eilish tem uma voz muito bonita. Fato. E tem músicas muito boas que ela compõe com o irmão Finneas.
Porém acho tudo muito sonolento.
Bad Guy acho ok tem uma batida boa. Happier Than Ever é puro sonífero. Ocean EyeZzzzzzz.
A música do 007 No Time to Die é meio qualquer coisa. A música dela no filme da Barbie, What Was I Made For, é para emocionar mas não é a melhor do filme (vamos que combinar que é I'm Just Ken). Billie Eilish ganhou Oscar, Globo de Ouro e Grammy com essas duas músicas.
O estilo dela pra mim é mellow pop mas colocam ela até na categoria rock de vez em quando.
Quando ela lançou esse último album, Hit Me Hard And Soft, meu amigo disse para escutar que eu ia gostar, que estava cheio de músicas animadas. Fui para caminhada pronta para andar rapidinho com as músicas da Billie Eilish. Me senti enganada. Sim, tem músicas muito boas, algumas com mais batida, mas, pra mim, a maioria é música de fundo de cafeteria instagramável.
Acontece que gostei muito de Birds Of A Feather, que ficou dividindo espaço na minha cabeça com APT da Rosé com Bruno Mars por um bom tempo.
Billie Eilish diz que a música que ela faz é para quem escuta, que não importa sobre o que ela escreveu, quem escuta é que decide o que significa.
Então vamos saber o que Billie Eilish quer dizer com essa música que tem um título que vem da expressão "Birds of a feather flock together" que posso traduzir popularmente como: farinha do mesmo saco, mas assim me adianto na análise.
A música tem uma batida soft e a voz aveludada da Billie Eilish deixa tudo leve, mas o que será que esses pássaros da mesma pena estão aprontando?
I want you to stay
'Til I'm in the grave
'Til I rot away, dead and buried
'Til I'm in the casket you carry
If you go I'm going too
'Cause it was always you
And if I'm turning blue, please don't save me
Nothing left to lose without my baby
Acho que temos uma música fim de relacionamento, ou um relacionamento tóxico porque na segunda linha já tem a palavra túmulo.
Começa dizendo que ela quer que a pessoa amada fique com ela até ela estar no túmulo, apodrecida, morta e enterrada no caixão que a pessoa vai carregar. OU seja "Quero que você fique comigo até depois do fim". Era para ser romântico ou um até que a morte nos separe? Senti um pouco de rancor aí hein?
"Se você for eu vou também". Medo. Acho que ela está sendo abandonada mas não quer que a pessoa amada vá embora. E aqui temos uma frase com dois sentidos: And if I'm turning blue. Blue aqui pode ser de tristeza ou de estar ficando azul de sufocada. Nenhum dos sentidos termina bem porque ela não quer ser salva. Ela não tem mais nada a perder.
Depois de fazer vários desses posts sempre acho interessante ver que tem músicas que são compostas em minutos, horas, dias, meses e até anos.
Birds of a feather, we should stick together, I know
I said that I'd never think that I wasn't better alone
Can't change the weather
Might not be forever
But if it's forever, it's even better
"Nós somos farinha do mesmo saco e devemos ficar juntos". Falei que era um relacionamento tóxico.
Ela não pode mudar o tempo, ou prever o futuro, e pode não ser que o relacionamento seja para sempre mas se for, melhor.
And I don't know what I'm crying for
I don't think I could love you more
It might not be long, but baby I
Ela esta triste, chorando. "Não acho que poderia te amar mais. Pode não demorar muito mas, baby, eu...."
I'll love you 'til the day that I die
'Til the day that I die
'Til the light leaves my eyes
'Til the day that I die
"Te amarei até o dia em que eu morrer, até a luz abandonar meus olhos". PAH!
Billie diz no video do youtube que inicialmente odiou a música (ou essa parte) e cantou "'Til the day that I die" de forma bem dramática, gutural. Ainda bem que ela resolveu deixar mais leve, solta e cheia de harmonias sincronizadas.
I want you to see
How you look to me
You wouldn't believe if I told ya
You would keep the compliments I throw ya
But you're so full of shit
Tell me it's a bit
Say you don't see it, your mind is polluted
Say you wanna quit, don't be stupid
Aqui Billie fica fofa e diz para a pessoa amada:
Quero que você veja como eu te vejo. Você não iria acreditar se eu só te contasse, e você ficaria com os elogios que eu te faço (e não descartá-los).
Mas você só fala merda. (OU é um mentiroso, ou não leva a sério)
Me diz que isso é uma brincadeira (que você não sabe o quanto você é especial)
Você diz que você não vê, que sua mente está poluída
Você diz que quer desistir, não seja burro.
And I don't know what I'm crying for
I don't think I could love you more
It might not be long, but baby I
Don't wanna say goodbye
Aqui ela repete o refrão mas termina dizendo que não quer dizer adeus.
Birds of a feather, we should stick together, I know
I said that I'd never think that I wasn't better alone
Can't change the weather
Might not be forever
But if it's forever, it's even better
Birds of a feather flock together é uma expressão que significa que pessoas iguais andam juntas. Os pássaros vem da mesma pena. Na música muda um pouco dizendo que Birds of a feather SHOULD stick together, ou seja deveriam ficar juntos.
Em umas das traduções que vi para Birds Of A Feather estava: Metades De Uma Laranja. Já estou prevendo uma versão em forró com esse título.
I knew you in another life
You had that same look in your eyes
I love you, don't act so surprised
E a música termina com ela dizendo que conhecia a pessoa amada de outra vida, e que tinha o mesmo olhar. "Eu te amo, não finja tanta surpresa.".
No video a Billie Eilish parece estar sendo puxada e arrastada por um fantasma.
Talvez teria sido melhor começar o ano analisando APT.
Semana passada terminei de ler Crying in H Mart (em portugês saiu como: Aos Prantos No Mercado) da Michelle Zauner. Esse livro estava na minha lista fazia tempo mas foi só quando escutei uma entrevista da Michelle Zauner em um podcast que fiquei mais interessada. A Michelle Zauner é vocalista e guitarrista da banda indie pop americana Japanese Breakfast que conheci pelo terceiro disco, Jubilee, lançado em 2021 com a música analisada da vez Be Sweet.
A Michelle Zauner é filha de mãe coreana e pai americano e nasceu em Seoul. No livro ela conta boa parte da sua vida, como ela se sentia deslocada na escola nos EUA, como ela foi morar na Filadélfia e formou a primeira banda depois da faculdade e como ela conheceu o namorado (depois marido) Peter. Mas o livro é mesmo sobre a relação da Michelle com sua mãe e principalmente com comida. Os coreanos falam a linguagem do amor através da comida, cada ocasião tem um prato especial e a primeira coisa que um amigo coreano vai te perguntar é se você já comeu. Tem muita descrição das comidas coreanas nesse livro, me deu até fome. Quando a Michelle Zauner tinha 25 anos sua mãe ficou doente e depois faleceu.
Foi depois da morte da mãe que Michelle Zauner juntou uns amigos e resolveu gravar umas músicas. Daí saiu o primeiro disco da Japanese Breakfast: Psychopomp (de 2016). A capa desse disco é uma foto da mãe dela e em uma das músicas tem uma introdução que é a voz da mãe dela falando uma mensagem meio em coreano meio em inglês. Foi uma boa estréia que a levou a fazer shows pelos USA, Europa e Asia. O livro termina com ela fazendo um show em Seoul.
Só fui escutar esse primeiro disco depois que li o livro e dá para sentir o peso do luto apesar das músicas terem uma vibe pop. O segundo disco, Soft Sounds From Another Planet (2018), tem um som mais experimental. Mas eu gosto mesmo é do Jubilee, é um disco mais leve, e por isso escolhi analisar o que acho que é o maior hit da banda até agora.
A banda usa muitos elementos que poderiam estar em músicas dos anos 1980 e acho que por isso Be Sweet me pareceu uma música conhecida. A Michelle Zauner disse que já tinha trabalhado o seu luto com os discos anteriores e estava pronta para celebrar apenas sentir. Ela disse que mirou em Kate Bush e Björk para fazer um disco "Teatral, ambicioso, musical e surreal". Michelle Zauner diz que tenta se manter "extremely weird" (extremamente esquisita? excentrica?) conciliando com sua persona pop star.
Mas vamos saber o que diz Be Sweet com sua batida pop e refrão que gruda na cabeça.
Essa é uma música que a Michelle Zauner compôs em conjunto com Jack Tatum da banda Wild Nothing. Os dois decidiram compor uma música pop sem ter ninguém em mente e não era para nenhum dos dois. Mas Michelle Zauner disse que assim que a música tomou forma ela amou e decidiu gravar. Segundo ela: "Acho que a distância de compor para 'outra pessoa' me permitiu essa persona de uma mulher da noite irreverente dos anos 1980, parece um pouco Madonna.". Então aqui temos uma música com uma batida pop interessante que remete aos anos 1980 mas ao mesmo tempo é contemporânea.
Tell the men I'm coming
Tell them to count the days
I can feel the night passing by
Like a mistake waiting for me
Caught up in my feelings, overthink the truth
Fantasize you've left me behind
And I'm turned back running to you
Com essa persona da mulher da noite irreverente em mente, ela começa dizendo que "Avisa aos homens que estou chegando." Eles podem começar a fazer a contagem regressiva. (aqui ja imaginei a Madonna no video de Material Girl que ela imita a Marylin Monroe).
Mas ela diz que sente que a noite está passando por ela como um erro que a está esperando.
Talvez ela tenha brigado/terminado com o namorado e decidiu sair na noite mas se arrependeu.
Aí ela diz que está apegada a seus sentimentos e está pensando demais na verdade.
E fantasia que ele a deixou para trás e que ela voltou correndo para ele.
Make it up to me, you know it's better
Make it up to me, you know it's better
Não sei o que ele fez mas ela não está correndo de volta a toa, ela diz que "é melhor você fazer as pazes comigo". Acertar as contas.
Be sweet to me baby
I wanna believe in you, I wanna believe (be sweet)
Be sweet to me baby
I wanna believe in you, I wanna believe in something
O refrão que gruda na sua cabeça.
Não só fazer as pazes mas também ser doce, ser um cara legal. Ela quer acreditar nele, ela quer acreditar em alguma coisa.
So come and get you woman
Pacify her rage
Take the time to undo your lies
Make it up once more with feeling
Recognize your mistakes and I'll let you back in
Realize not too late, love you always
"Então venha e pegue sua mulher", pelo jeito ela relevou o que ele tenha feito. Só que ele vai ter que acalmar a raiva dela. Eita. Mas ela diz que ele pode ter calma para desfazer as mentiras e acertar as contas mais uma vez, com sentimento (acho que aqui tem um duplo sentido hein?).
"Reconheça seus erros e te recebo de volta. Mas não demore para perceber que te amo sempre".
Make it up to me, you know it's better
Make it up to me, you know it's better
Be sweet to me baby
I wanna believe in you, I wanna believe (be sweet)
Be sweet to me baby
I wanna believe in you, I wanna believe in something
Ou seja, brigaram, acabaram, não sei o que ele fez, ela o quer de volta mas ele vai ter que reconhecer seus erros. Acho justo. Seja doce.
O video é divertido, parece um CSI meio anos 1980.
E claro que a banda gravou a versão em coreano dessa música com a So!YoOn!. É ótima.
Essa semana terminei de ler o livro This Bird Has Flown que foi escrito pela Susanna Hoffs que é uma das vocalistas da The Bangles, uma banda que teve alguns hits na década de 1980.
Só conheço três musicas e acho que foram os maiores hits da banda: Walk Like An Egyptian é divertida e dançante (e tem um video ótimo), gosto muito de Manic Monday e acho Eternal Flame chatérrima.
O livro é um romance beira de piscina que conta a história de Jane, uma cantora/compositora, que aos 33 anos, depois de um fim de relacionamento, está morando com os pais e aceita cantar seu maior hit, de 10 anos atras, com playback de karaokê, numa festa de solteiro em Las Vegas. Aí a sua agente resolve mandá-la para Londres para ver se a criatividade volta e no voo para Inglaterra ela conhece um professor bonitão de literatura que dá aulas em Oxford, mas isso fica para o post sobre livros.
No meio da história ela faz muitas referências a filmes, a Jane Eyre da Charlotte Brönte, e a muitas músicas. São tantas músicas que as vezes dava impressão que ela escreveu uma passagem no livro só para poder colocar um trecho ou nome da música. A playlist que saiu desse livro é muito boa e já me deu idéia para outros analisando a música.
MAS o que me levou a esse analisando a música é que, no livro, o maior hit da Jane é o cover de uma música de um cantor chamado Jonesy. Claro que Jonesy é fictício e no mundo do livro ele é um gênio da música adorado por todos. Então lembrei que Manic Monday é uma música do Prince gravada pelas meninas da Bangles. A arte imita a vida.
Prince, que gostou muito da banda, ofereceu duas musicas para elas escolherem uma para gravar em seu segundo album: Manic Monday ou Jelous Girl. A banda escolheu Manic Monday e o resto é história. (A versão que o Prince gravou só apareceu em 2019). Em abril de 1986 a musica #1 das paradas era Kiss do Prince a #2 Manic Monday que ele compôs.
Inclusive fiquei sabendo que era uma composição do Prince muitos anos depois (assim como Nothing Compares 2 U). Só para constar, o Billie Joe Armstrong da Green Day também gravou essa música (o video tem a Susanna Hoffs tocando guitarra).
Muitas coisas da vida da Susanna Hoffs estão no livro, é só dar uma olhada rápida pela internet. Uma dessas coisas é quando Jane diz que aprendeu o sotaque cockney assistindo muito Austin Powers. Susanna Hoffs compôs musicas para o filme e apareceu como parte de uma banda do agente britânico mais sem vergonha das telas.
Mas vamos saber o que acontece na segunda-feira da música.
Six o'clock already I was just in the middle of a dream I was kissing Valentino by a crystal blue Italian stream But I can't be late 'Cause then I guess I just won't get paid These are the days When you wish your bed was already made
A música começa com ela dizendo "Seis da manhã já?" provavelmente com o alarme tocando. Ela estava sonhando que beijava o Valentino (Rudolph Valentino um ator de filmes de hollywood dos anos 1920) ao lado de um riozionho límpido na Itália. Já entendo a revolta dela em acordar tão cedo.
Ela não pode se atrasar ou então não vai receber o salário.
E diz que esses são os dias que ela gostaria que a cama já estivesse feita para não ter o trabalho, ou ter muito dinheiro para alguém fazer a sua cama.
It's just another manic Monday I wish it was Sunday 'Cause that's my fun day My "I don't have to run" day It's just another manic Monday
A segunda-feira não é um dia popular, as pessoas adoram odiar. O gato Garfield odeia segunda-feira. Em inglês, Monday vem de moon day, o dia da lua que vem depois do dia do sol, sun day. Tem muitas músicas que falam desse dia que é o menos querido da semana: I Don't Like Mondays (Boomtwon Rats), Rainy Days and Mondays (The Carpenters), e Monday Monday (Mamas and the Papas).
Eu gosto da segunda-feira. Just saying.
Mas a moça da música já acordou no susto e não pode chegar atrasada então ela chama o dia de segunda feira maniaca porque já sabe que vai ter pressa, agitação e frenesi. Ela gostaria que fosse domingo e aí vem umas rimas ótimas de Sunday com "fun day" e "run day". Domingo é o dia dela de diversão e o dia que ela não tem correria. Mas a segunda feira é maniaca.
Have to catch an early train
Got to be to work by nine
And if I had an aeroplane
I still couldn't make it on time
'Cause it takes me so long
Just to figure out what I'm gonna wear
Blame it on the train
But the boss is already there
Ela tem que pegar o trem cedo porque o trabalho começa as nove, e mesmo se tivesse um avião não chegaria a tempo. E explica o porque do atraso: demora para escolher o que vestir. Quem nunca? Ela nem pode dizer que o trem que atrasou porque o chefe já está lá. Lá onde? No trem ou no escritório? Será que o chefe pega o mesmo trem que ela e sabe se atrasou ou não? De todo jeito o trem não leva a culpa.
It's just another manic Monday I wish it was Sunday 'Cause that's my fun day My "I don't have to run" day It's just another manic Monday
Of all my nights Why did my lover have to pick last night To get down? Doesn't it matter That I have to feed both of us Employment's down He tells me in his bedroom voice C'mon honey let's go make some noise Time it goes so fast (When you're having fun)
Aí vem essa parte da música onde ficamos sabendo o motivo dela ter sonhado com beijo e ter acordado no susto com o despertador.
Que de todas as noites (sexta, sábado) o namorado/amante, aparentemente desempregado e que não tem que acordar cedo no dia seguinte, escolheu a noite de domingo para chamá-la para fazer um barulhinho bom. O boy até usou a bedroom voice, ou seja sensualizou a voz no convite. E ela gostou porque nem viu o tempo passar. Essa foi a parte fun do "fun day" do domingo dela. Acho justo.
It's just another manic Monday I wish it was Sunday 'Cause that's my fun day My "I don't have to run" day It's just another manic Monday
Mas a segunda-feira está aí, maníaca.
Minha dica é deixar a roupa do trabalho na segunda-feira já escolhida na sexta-feira em caso do namorado usar a voz do quarto no domingo a noite, assim talvez a segunda-feira também seja o "I don't have to run day".
O ano começou com duas estrelas do pop lançando músicas tapa na cara do ex: Shakira e Miley Cyrus. Duas músicas ótimas que lavam a roupa suja com ritmo e poesia.
Miley já tinha se separado há tempos mas nunca é tarde para realmente colocar a última pedra num relacionamento via uma música que ela lançou no dia do aniversário dele (PAH!).
Miley Cyrus está no show business desde cedo, começou com um programa na Disney chamado Hannah Montana (nunca vi pois sou de outra geração). O pai dela é cantor de musica country e a madrinha dela é a Dolly Parton, apenas.
Só fiquei sabendo quem era Miley Cyrus quando ela foi de vez para a carreira de cantora. Em 2013 ela foi sucesso internacional com Wrecking Ball. De lá pra cá ela abraçou o rock e já fez vários covers de hits dos anos 1980 como Heart of Glass e Zombie. Tem uma versão dela cantando Nothing Else Matters do Metallica que é ótima. Ela fez uma colaboração com a Stevie Nicks que é um mash up com The Edge of Seventeen chamada The Edge of Midnight, uma colab para poucos.
Miley Cyrus é performática e tem uma voz grave cheia de personalidade. O disco dela Plastic Hearts (2020) é muito bom.
Miley fez 30 anos em 2022 e só melhora.
Já disse aqui no analisando a música de Rolling In The Deep da Adele: Todo mundo sabe que fim de relacionamento rende excelentes músicas e, as vezes, albuns inteiros como é o caso da Adele e Rumours do Fleetwood Mac.
Então vamos saber que flores são essas da Miley Cyrus.
We were good, we were gold Kinda dream that can't be sold
We were right 'til we weren't Built a home and watched it burn
Miley Cyrus teve um relacionamento ioiô com o irmão mais novo do Melhor Chris que começou em 2009. Tiveram alguns noivados e se casaram em 2018 só para se separarem no ano seguinte. O divócio saiu em 2020. Olha, 10 anos de relacionamento vai e vem não é fácil.
Ela acreditava nesse relacionamento, tanto que diz que estavam bem, que eram sensacionais juntos, um sonho que não pode ser vendido (nem comprado). Mas ela é realista e diz que estavam certos até não estarem mais. Que construíram uma casa e a viram queimar.
Ela toma distância da relação e consegue ver que teve um momento que o fim chegou.
I didn't wanna leave you
I didn't wanna lie
Started to cry but then I remembered
Ela não queria ir embora e também não queria mentir (provavelmente dizendo que estava tudo bem). Começou a chorar mas lembrou que...
I can buy myself flowers
Write my name in the sand
Talk to myself for hours
Say things you don't understand
I can take myself dancing
And I can hold my own hand
Yeah, I can love me better than you can
Parece que esse refrão é uma referência direta a uma música do Bruno Mars chamada When I Was Your Man. A internet diz que o ex da Miley dedicou essa música para ela. (Bruno Mars foi arrastado para esse barraco). Na musica do Bruno Mars ele diz que deveria ter comprado flores, que deveria ter segurado a mão, dado as horas e levado ela para dançar.
Mas aqui Miley lembrou que pode comprar flores para si mesma, que pode escrever seu nome na areia, que pode falar sozinha por horas (quem nunca?) e dizer coisas que ele nunca entenderia. Ela pode sair para dançar sozinha e segurar sua própria mão. "Sim, eu posso me amar melhor do que você". Drop the mic!
Can love me better
I can love me better baby
Eu posso me amar melhor. Repetidas vezes.
Paint my nails cherry red
Match the roses that you left
No remorse, no regret
I forgive every word that you said
Ela pinda as unhas de vermelho da cor das rosas que ele deixou. Rosas que talvez tenham sido deixadas como desculpas ou uma tentativa de voltar. Mas ela não tem remorso nem arrependimento. "Eu perdoo cada palavra que você disse.". A fase da aceitação e da indiferença. É o fim de fato.
I didn't wanna leave you, baby
I didn't wanna fight
Started to cry but then I remembered
Ela não queria deixá-lo nem brigar. Chorou mas lembrou que não precisa dele.
I can buy myself flowers
Write my name in the sand
Talk to myself for hours
Say things you don't understand
I can take myself dancing
And I can hold my own hand
Yeah, I can love me better than you can
Vai Miley, compra essas flores e dança!
Can love me better
I can love me better baby
Esse é o mantra para 2023.
E o video? Só a sequência crossfit já vale a pena. You go girl!
Comecei o Analisando a Música em outubro de 2011 com a musica Down Under do Men at Work, de lá para cá fiz 92 músicas. Em 2015, quando tinha feito pouco mais de 50 músicas, fiz um top 10 de frases que me chamaram atenção e que gostei muito nas músicas que tinha analisado. Frases que se sustentam sozinhas, fora do contexto da música.
Ia esperar chegar a 100 músicas para fazer essa parte 2 das frases, mas já tem 6 anos (tempo voa) e acho que dá para escolher mais 10 frases.
1. I guess I needed a minute, to live a life without you in it. (Heavy - Orla Gartland) - essa frase rima e é muito boa, é preciso ver as coisas por outra perspectiva para saber como é.
2. I love you but I leave you, I don't want you but I need you. (Colder Weather - Zac Brown Band) - uma frase com sentimentos conflitantes.
3. Listen carefully to the sound of your loneliness. (Dreams - Fleetwood Mac) - gosto dessa frase que é um tapa na cara para um fim de relacionamento.
4. Pay your surgeon very well to break the spell of aging. (Californication - RHCP) - o que gosto nessa frase é que o envelhecimento é um feitiço que o cirurgião bem pago pode neutralizar (mas sabemos que não)
5. 'Til my room is filled with shit I couldn't live without. (Everything Now - Arcade Fire) - uma frase sobre acumuladores.
6. She's got a smile that, it seems to me, reminds me of childhood memories. (Sweet Child of Mine - Guns n' Roses) - uma frase fofa, nostálgica, romântica.
7. Welcome to your life, there's no turning back. (Everybody Wants To Rule The Wolrd - Tears for Fears) - é isso aí, só tem essa vida mesmo, aproveita.
8. It was a slap in the face how quickly I was replaced. (You Oughta Know - Alanis Morissette) - frase cheia de raiva e sentimento numa música que é para socar almofadas.
9. People change, even though some people never do. (Seasons - Future Islands) - FATO.
10. There is one thing I can never give you, my heart will never be your home. (Stand By Me - Oasis) - uma frase sincera dita de forma poética.
Essa semana foi a vez dessa música tocar em vários lugares: no trailer da próxima série de suspense da Netflix, no episódio de Ted Lasso e em um filme que assisti.
Gosto muito dessa música. Gosto da introdução, do piano, do crescente, da voz do cantor (Tom Chaplin), mas nunca reparei na letra (só na parte do "somewhere only we know"). Pela melodia parece uma música sobre amantes, só não sei se início ou fim de relacionamento, mas isso deixo para a análise mais abaixo.
Keane é uma banda inglesa que surgiu no início dos anos 2000 junto com outras bandas com a letra K: Killers, Kasabian, Kings of Leon e Kaiser Chiefs.
Comprei o primeiro disco da Keane, Hopes and Fears (2004), que tem seu maior hit Somewhere Only We Know - a música analisada da vez, Everybody's Changing (primeiro hit), This is The Last Time e Bend and Break. É uma banda onde os dois instrumentos principais são: piano e bateria. É tudo muito melódico.
O album seguinte, Under The Iron Sea de 2006 (tem Is It Any Wonder? com mais guitarra e menos piano) também é bom e tem uma capa muito bonita. Depois veio Perfect Symmetry de 2008 que tem Spiralling e The Lovers Are Losing. Aí deixei o Keane de lado e só fui pegar outro disco deles para escutar em 2012, Strangeland, e achei ok, tem You Are Young. A banda se separou em 2013 (problemas do vocalista com drogas) e só voltaram 2018, lançaram um disco em 2019 mas esse ainda não escutei.
Vamos saber o que diz Somewhere Only We Know, música versátil que serve tanto para série de terror como para filmes e séries de comédia, teens e romance, e até propaganda de natal de loja inglesa.
I walked across an empty land I knew the pathway like the back of my hand
I felt the earth beneath my feet
Sat by the river and it made me complete
Temos uma introdução com um piano e bateria cheio de emoção para logo depois deixar só o piano e voz.
O início da letra parece eu contando um sonho: andei por um lugar vazio num caminho que conhecia de cor, senti a terra sob meus pés, sentei na beira do rio e me senti completo.
Mas acho que é só a forma de dizer que chegou num lugar muito conhecido, onde esteve várias vezes e que é aconchegante.
Oh, simple thing, where have you gone?
I'm getting old and I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired and I need somewhere to begin
(entra um pandeiro bem leve)
Ele quer saber onde foram as coisas simples? Está ficando velho e precisa de algo em que possa confiar porque geralmente com a idade cai o índice de aventura. E quer saber quando vai poder entrar.
Entrar onde? No lugar onde só eles conhecem? Ou é uma metáfora para que a outra pessoa diga logo o que tem para dizer.
Porque ele está cansado e precisa começar em algum lugar. Como diria outra música que analisei: cada começo vem do fim de outro começo. É preciso começar para terminar para começar.
I came across a fallen tree I felt the branches of it looking at me Is this the place we used to love?
Is this the place that I've been dreaming of?
(entra bateria com um piano mais marcante)
No caminho ele encontrou uma árvore caída e sentiu que os galhos o encaravam. Acho que ele encontrou foi uns cogumelos nessa floresta.
E pergunta: "É esse o lugar que adorávamos? É esse o lugar com o que eu tenho sonhado?" Parece um pouco perdido mas acho que chegou no ponto de encontro.
Oh, simple thing, where have you gone?
I'm getting old and I need something to rely on
So tell me when you're gonna let me in
I'm getting tired and I need somewhere to begin
Coisas simples, onde se esconderam? Estou envelhecendo a cada minuto que passa, estou cansado e a fila precisa andar.
And if you have a minute why don't we go
Talk about it somewhere only we know
This could be the end of everything
So why don't we go?
So why don't we go?
Somewhere only we know
A música cresce lindamente nessa parte, para cantar com todo ar do pulmão. É uma súplica que termina suavizada se transformando num pedido.
E chega de enrolação. "Se você tem um minuto vamos conversar num lugar onde só nós conhecemos." Já que pode ser o fim de tudo, pelo menos vamos estar num lugar agradável e confortável para ambos.
Do Tim Rice-Oxley, pianista da banda e compositor da música: "It's about being able to draw strength from a place or experience you've shared with someone."
No fim dessa segunda parte logo depois do "Somewhere only we know", a música fica quieta antes de voltar com tudo para repetir as duas estrofes mais uma vez.
This could be the end of everything
So why don't we go
Somewhere only we know
Somewhere only we know
A estrofe final começa forte mas termina delicada, um pedido suave para ir até aquele lugar especial, mesmo que seja para acabar tudo.
É uma música melancólica mas que de alguma forma deixa o coração quentinho. É boa para correr, ou para uma viagem de carro ou até um karaokê.
Muitas músicas são inspiradas por livros, inclusive fiz um post com 5 dessas músicas. Até fiz um Analisando a música especialmente para Wuthering Heights da Kate Bush usando passagens do livro (O Morro Dos Ventos Uivantes, de Emily Brontë).
O contrário não acontece muito. Tentei lembrar de livros que li que foram inspirados por alguma música e só lembrei de Norwegian Wood do Haruki Murakami, inspirado na música de mesmo nome dos Beatles, High Fidelity do Nick Hornby que usa várias músicas em sua história e Os Tais Caquinhos da Natércia Pontes que usa a música da Marina Lima.
Gosto quando autores mencionam músicas nos livros mesmo que não tenham sido a inspiração principal mas que servem a história. Li um livro que a autora fez uma lista especial no Spotify com uma música para cada capítulo, a playlist era melhor que o livro mas adorei a idéia.
Semana passada terminei de ler O Homem Que Viu Tudo da Deborah Levy. Comprei esse livro pela capa que tem uma promessa de fofoca e não me arrependi, gostei da história do Saul Adler.
Berlim na capa
O livro faz várias referências ao disco Abbey Road dos Beatles (de 1969) e também a música Penny Lane (que foi lançada em 1967 como um single junto com Strawberry Fields Forever). O livro é um quebra cabeça que faz você juntar as peças para entender (ou não) o que aconteceu com Saul Adler e muitas peças vem da música dos Beatles.
do lado de dentro da capa tem essa foto da Abbey Road
Para fazer esse Analisando a música feat. Book Report vou dar alguns SPOILERSdo livro. Avisei.
É um livro que tem muitas ambiguidades e a história de Saul se passa na fronteira delas pisando lá e cá: oriente/ocidente, feminino/masculino, passado/presente, capitalismo/comunismo, realidade/fantasia, amor/abandono, vida/morte.
O livro tem duas partes, uma em 1988 e outra em 2016. A parte de 2016 tem momentos de 1988 e vice versa. A autora disse que queria que uma parte fosse um espelho da outra.
É sobre como os outros nos vêem e a imagem que temos de nós mesmos, sobre memória, o que guardamos e como lembramos e sobre alguns fantasmas.
Em 1988 Saul Adler vai fazer uma pesquisa em Berlim Oriental, ele é um historiador, mas, antes de ir, sua namorada, Jennifer, teve a ideia de tirar uma foto dele atravessando a Abbey Road e levar para irmã do seu tradutor que é fã dos Beatles. Antes de Jennifer chegar, Saul atravessa Abbey Road e é atropelado de leve por um homem chamado Wolfgang. Jennifer chega com uma escadinha para tirar a foto (igual o fotografo original da capa do disco) e Saul Adler vestido com um terno branco igual John Lennon atravessa a rua para a foto.
Aqui tem várias referencias diretas a capa do disco Abbey Road. Inclusive tem várias músicas desse disco que podem ser usadas em momentos do livro: Oh, Darling, Come Together, Because, She Came Through the Bathroom Window, The End e I Want You.
Quanto a capa do disco, tem uma teoria que Paul McCartney está descalço porque ele estaria morto (aos 28 anos, que é a idade do Saul Adler em 1988), então, na ordem, John Lennon de terno branco é o anjo, Ringo de terno preto é o agente funerário, Paul descalço (e com cigarro) é o defunto e George Harrison é o coveiro. Essa teoria cabe na história do livro.
Saul Adler é o narrador de toda a história e não devemos confiar nele, mas ele nos diz que é muito bonito e que Jennifer sempre o observa através das lentes de sua câmera. Jennifer faz uma arte com colagens das fotos dele. Saul usa um colar de pérolas que foi de sua mãe, que faleceu num acidente de carro, e que seu pai e seu irmão o sacaneavam por usar o colar. O pai de Saul era um comunista raiz e Saul quer levar um pouco de suas cinzas para enterrar na Alemanha Oriental.
Saul Adler pede Jennifer em casamento mas ela recusa e diz que recebeu uma oferta para estudar e expor suas fotos nos EUA. Saul vai embora arrasado (Jennifer tira uma foto dele saindo), vai até os estúdios da Abbey Road e senta no muro. Chega uma moça de vestido azul (referência ao verso capa do disco Abbey Road) eles tem uma conversa, se beijam e ela vai embora, mas nas costas dela diz que ela é uma enfermeira.
Saul recebe as fotos e vê que está descalço igual Paul McCartney mas não lembra de tirar os sapatos, depois ele vai até o supermercado e na volta dizem que seu prédio está pegando fogo mas ele não vê fumaça. Ele liga para Jennifer para dizer que os bombeiros estão em greve.
Chegando em Berlim Oriental, Saul conhece seu tradutor, Walter Muller, e ficam amigos. A irmã beatlemaníaca de Walter se chama Luna, ela é enfermeira, e Saul tem todo um pensamento de como os oficiais da Stasi deixam as músicas dos Beatles passarem na censura. Saul é apresentado a Rainer, um conhecido de Walter que consegue as coisas do ocidente.
Saul e Walter vão passar um fim de semana na casa de campo e ficam juntos. Saul se apaixona por Walter e escreve uma carta se declarando. Depois fica preocupado da Stasi ter lido, ele sente que é observado.
Luna convida Saul para a casa de campo, ele vai, e os dois se divertem escutando Abbey Road. Luna diz que seu sonho é conhecer Penny Lane, e canta a música para Saul. Luna quer fugir da Alemanha Oriental e ser enfermeira em Liverpool. Saul conta para Luna que em novembro de 1989 o muro vai cair. Os dois acabam transando e Luna diz que agora Saul tem que casar com ela e a levar para Londres, mas ele quer levar Walter. Saul quebra o disco Abbey Road de Luna.
Saul dá dinheiro para Rainer poder passar Walter para o lado ocidental e decide ir embora. Quando ele vai se despedir de Walter, o tradutor diz que não quer sair da Alemanha Oriental, que é feliz lá, diz que é casado e tem uma filha e que Rainer é agente da Stasi. A última imagem que Saul tem de Walter é de uma kombi da Stasi o levando.
Pula para 2016. Saul Adler é atropelado por um homem chamado Wolfgang ao atravessar a Abbey Road. Wolfgang pergunta a Saul quantos anos ele tem e Saul diz "28." no que Wolfgang faz uma cara alarmada. Saul cai sobre o quadril, perde os sapatos no impacto e é levado de ambulância para um hospital.
Em 2016 o pai de Saul está vivo e o visitando no hospital. Jennifer agora tem 51 anos, é uma fotografa famosa e também está ao seu lado. Saul acha que acabou de voltar da Alemanha Oriental mas se passaram 28 anos e ele teve uma hemorragia interna, tiraram parte do baço dele numa cirurgia e está em processo de septicemia. E seu médico se chama Rainer.
O Saul de 2016 tem delírios que está em 1988 e também momentos de lucidez onde ele consegue lembrar das pessoas e eventos nos anos entre 1988 e 2016.
Cabe a nós, leitores, usarmos as informações de Saul para entendermos o que aconteceu entre 1988 e 2016.
Agora vamos ao que interessa: a música e o livro.
Penny Lane é uma música que já nasceu nostálgica. Fala de uma rua em Liverpool onde Paul McCartney, George Harrison e John Lennon passavam com frequência. John e Paul compuseram essa música em 1967, depois de muito famosos, usando lembranças que tinham da rua.
A música é como se fosse uma pessoa contando como era a rua, inclusive usa a palavra "meanwhile" algumas vezes que significa: Enquanto isso em Penny Lane...
A música também tem suas ambiguidades, tem sol, tem chuva, é verão mas é perto do inverno. É uma memória de um lugar e de um tempo, pode vir acompanhada de sonhos, de cores e misturada a outras lembranças.
Penny Lane there is a barber showing photographs
Of every head he's had the pleasure to know
And all the people that come and go
Stop and say "Hello"
A música não tem uma introdução e já começa nos contando que em Penny Lane tem um barbeiro que gosta de mostrar fotos das cabeças que conheceu e que todos que passam, param e dizem "Oi".
No livro claro que Saul Adler vai num barbeiro. Ele vai fazer a barba e lavar o cabelo para encontrar Walter em Berlim.
Todas as pessoas que ele conheceu estão passando por sua memória e no hospital todos que passam (as enfermeiras, a moça da comida, o médico, familiares e amigos) param para falar com ele.
On the corner is a banker with a motorcar
The little children laugh at him behind his back
And the banker never wears a mac
In the pouring rain, very strange
Seguimos com o banqueiro que tem um carro, as criancinhas riem dele. O banqueiro nunca usa uma capa de chuva enquanto chove. Muito estranho.
Wolfgang, o homem que atropela Saul Adler é o banqueiro com o carro. Quando visita Saul no hospital, Wolfgang diz que trabalha com fundo de investimentos. E, segundo Saul, Wolfgang sabe que tem culpa pelo acidente mas quer que Saul diga que não foi culpa dele.
O negócio é o seguinte Saul Adler: é tudo muito estranho mesmo.
Penny Lane is in my ears and in my eyes
There beneath the blue suburban skies
I sit, and meanwhile back
Penny Lane está em todos os lugares. Assim como a Stasi em Berlim Oriental era os olhos e ouvidos que controlava a população.
Penny Lane também está em todas as lembranças que ate em um dia de céu azul o narrador senta e lembra que Enquanto isso em Penny Lane....
In Penny Lane there is a fireman with an hourglass
And in his pocket is a portrait of the Queen
He likes to keep his fire engine clean
It's a clean machine
...Tem um bombeiro com uma ampulheta e no seu bolso uma foto da Rainha. Ele gosta de manter seu motor limpo, é uma máquina limpa. Palmas para a rima com piadinha tio do pavê de John e Paul.
Quanto a Saul Adler, no livro tem um incêndio falso e bombeiros que nunca aparecem para apagar o fogo porque Saul acha que eles estão em greve.
E tem a ampulheta que indica o tempo restante. Saul Adler, o tempo está acabando.
Curiosidade: Depois dessa estrofe tem um solo de trompete piccolo que Paul McCartney disse que foi uma exigência dele ter esse instrumento na música depois que ele viu numa apresentação de uma música do Bach. Sir George Martin deu um jeito.
Penny Lane is in my ears and in my eyes
A four of fish and finger pies
In summer, meanwhile back
Penny Lane continua habitando todas as lembranças. O narrador da música está comendo um fish and chips e fazendo mais sei lá o que no verão, mas Enquanto isso em Penny Lane...
Behind the shelter in the middle of the roundabout
The pretty nurse is selling poppies from a tray
And though she feels as if she is in a play
She is anyway
Atrás do abrigo no meio da rotunda tem uma enfermeira bonita vendendo botões de papoula em uma bandeja. Ela acha que está em uma peça de teatro e está mesmo.
Se o narrador no refrão estava no verão, em Penny Lane essa enfermeira está perto do inverno porque as papoulas geralmente são de papel e vendidas em novembro perto do Armistice Day e estão ligadas aos soldados feridos e mortos na Primeira Guerra.
No livro temos a enfermeira de vestido azul que ele encontra no muro dos estúdios de Abbey Road e Luna, irmã de Walter, que também é enfermeira e quer fugir da RDA para Liverpool. Luna odeia a RDA, ela se sente controlada (como numa peça?) e com medo o tempo todo.
In Penny Lane the barber shaves another customer
We see the banker sitting waiting for a trim
And then the fireman rushes in
From the pouring rain
Very strange
E voltamos para o barbeiro que está fazendo a barba de um cliente. O banqueiro também está lá esperando e o bombeiro entra afobado porque chove muito lá fora. Very Strange. Muito estranho mesmo.
Aqui a música volta lugar de início, como o livro que volta ao lugar do acidente anos depois. Três dos quatro personagens da música estão reunidos: barbeiro, banqueiro e bombeiro. A enfermeira continua dentro da peça de teatro, ela fica ausente dessa reuniãozinha.
No hospital Saul tem a visita de Jennifer, de seu pai, seu irmão e Jack (um amigo/amante). Walter ainda está na Alemanha e Luna desapareceu.
Penny Lane is in my ears and in my eyes
There beneath the blue suburban skies
Penny Lane
Mas Penny Lane continua lá, nos olhos e nos ouvidos, ocupando a memória, a nostalgia, o passado e presente misturados.
No fim Saul Adler quer tirar outra foto atravessando Abbey Road. "And in the end, the love you take is equal to the love you make"
Gosto muito dessa música. Já estive em Liverpool e fui a Penny Lane com um tour que apontava todos os lugares da música.
Também já estive em Abbey Road, mas estava só e não consegui uma foto minha atravessando a rua.
Quando terminei o livro escutei a música com mais atenção. De primeira o que me pegou foi o "Very strange" da música porque as coisas acontecem e o próprio narrador acha estranho, como no livro, depois foi isso de passado e presente. Dei uma relida rápida no livro, vi que tinha mais coisas relacionadas e rendeu esse post.
Gostei do livro. Não foi um 5 estrelas, dei 4 e entrei no jogo das referencias dos Beatles.
Esse clássico de 1984, que estava na trilha sonora de Footloose, já foi usada em várias séries, filmes, propagandas, realities, mas ultimamente está pipocando por aí outra vez. Fazia alguns anos que não escutava essa música aí só essa semana escutei no trailer do desenho novo do He-Man, em um episódio da série do Loki e até no trailer do jogo dos Guardiões das Galáxias. (coisas que aparecem no grupo dos geeks)
A minha confusão faz sentido porque todas foram compostas e produzidas pelo mesmo cara: Jim Steinman. Ele também compôs Total Eclipse of The Heart que já analisei aqui. Jim Steinman compôs várias músicas conhecidas da década de 1980 (e depois), além dessas tem algumas do Meatloaf, do Air Supply, e Celine Dion.
Holding Out For a Hero é daquelas músicas que toca e eu canto a letra inteira, até sei as partes da bateria imaginária mesmo depois de anos sem escutar. Quando Footloose saiu comprei o LP da trilha sonora e escutei direto. Essa música toca na parte do filme que o Ren vai numa disputa boba de tratores com o bully da cidade. Se vocês nunca viram Footloose, vejam. A versão original, de 1984, por favor. (A versão mais recente não é ruim, mas Kevin Bacon é Kevin Bacon e a trilha sonora original é bem melhor).
Ainda tenho LP mas não tenho mais um toca discos então fui no spotify e escutei Holding Out For A Hero com mais atenção e fones de ouvido muito bons. Porque mesmo escutando essa música quase que uma vida inteira, e saber a letra, nunca reparei o que a Bonnie Tyler estava dizendo de verdade. Para isso eu criei esse analisando a música, então vamos descobrir que herói é esse que ela tanto espera.
Essa é uma música deliciosamente exagerada, dramática, over the top.
Já peço desculpas pelos trocadilhos e duplos sentidos.
Where have all the good men gone
And where are all the gods?
Where's the streetwise Hercules to fight the rising odds?
Isn't there a white knight upon a fiery steed?
Late at night I toss and I turn
And I dream of what I need
Para começar, essa música tem um coro feminino que funciona como um coro grego reforçando os pedidos da Bonnie Tyler.
Ela quer saber onde estão os homens bons e onde estão os deuses? Já tenho uma dúvida: ela quer homem bom que também seja um deus OU ela quer saber onde estão os deuses que sumiram com os homens bons? Ou ela quer apenas um deus grego?
KD Hercules espertão (e fortão), que fez todos aqueles 12 trabalhos, para combater os desafios crescentes? Herói grego né?
"Onde está o cavaleiro branco montado em seu cavalo de fogo?" Conhecido como cavaleiro em seu cavalo branco. Por que o cavalo do herói é sempre branco? Anyway, ela canta fiery que é fogoso. Sei que ela se refere ao cavalo, mas quem sabe ela quer um cavaleiro fogoso, ou ela está fogosa, são muitas possibilidades nesse tom urgente da música.
A noite ela fica se revirando na cama e sonha com o que ela precisa. Quem nunca?
E do que ela precisa?
I need a hero
I'm holding out for a hero 'til the end of the night
He's gotta be strong
And he's gotta be fast
And he's gotta be fresh from the fight
I need a hero
I'm holding out for a hero 'til the morning light
He's gotta be sure
And it's gotta be soon
And he's gotta be larger than life
Larger than life
(momento bateria imaginária!)
Ela precisa de um herói.
E ela vai esperar por um herói até o fim da noite. Por que noite? Herói de dia também resolve.
Temos uma checklist exigente do que ela quer nesse herói: força, rapidez, certeza, agilidade e que ele seja "larger than life", maior que a vida, que pode ser: extravagante, de uma importância descomunal ou extremamente carismático. Ou seja: difícil hein? Mas ela vai esperar até o amanhecer.
Ah, e ela quer que ele venha fresco da luta/batalha. Suando, cheiro de testosterona, disposto a lutar. (inserir emojis de foguinho)
Somewhere after midnight In my wildest fantasy
Somewhere just beyond my reach
There's someone reaching back for me
Racing on the thunder and rising with the heat
It's gonna take a Superman to sweep off my feet
Ali pela meia noite, em sua fantasia mais louca e selvagem, tem alguém a buscando que ela não consegue alcançar.
"Correndo no trovão e ascendendo com o calor." É o THOR. Acho mais do justa essa escolha de herói. Herói AND deus. Não tenho emojis com coração nos olhos (nem de foguinho) suficientes para o Thor.
E ela diz que tem que ser um Superman para conquistá-la. Te entendo Bonnie Tyler. Pode escolher, todas querem ser Lois Lane.
superman vintage
superman why so serious?
superman reloaded
superteen
I need a hero
I'm holding out for a hero 'til the end of the night
He's gotta be strong
And he's gotta be fast
And he's gotta be fresh from the fight
I need a hero
I'm holding out for a hero 'til the morning light
He's gotta be sure
And it's gotta be soon
And he's gotta be larger than life
I need a hero
I'm holding out for a hero 'til the end of the night
E continua esperando a noite toda, até o amanhecer por esse herói, com essa checklist impossível para um humano comum. Será que ele vai aparecer?
No início desse segundo refrão tem um teclado de fundo fazendo um som de mágica, ou de quem está sendo hipnotizado, é sutil mas está lá. E no fim tem mais momento bateria imaginária, preparem os braços.
Up where the mountains meet the heavens above
Out where the lightning splits the sea
I could swear there is someone, somewhere
Watching me
Through the wind, and the chill, and the rain
And the storm, and the flood
I can feel his approach like a fire in my blood
(like a fire in my blood, like a fire in my blood)
Mas aí onde as montanhas encontram os céus (Monte Olimpo? Asgard? Afinal temos deuses nessa história) e onde o relâmpago parte o mar ela tem certeza que tem alguém a observando. Relâmpago? É o Thor.
Através do vento, do frio, da chuva, da TEMPESTADE (Oi Thor, tudo bem?), e da enchente ela consegue sentir ele se aproximando como fogo em seu sangue. Fogo Em Seu Sangue. Ui. Ui. Ui. É tanto fogo no sangue que o coro repete várias vezes.
(voltando ao fogoso da primeira estrofe, acho que temos uma resposta: é ela, e com razão.)
I need a hero
I'm holding out for a hero 'til the end of the night
He's gotta be strong
And he's gotta be fast
And he's gotta be fresh from the fight
I need a hero
I'm holding out for a hero 'til the morning light
He's gotta be sure
And it's gotta be soon
And he's gotta be larger than life
I need a hero
I'm holding out for a hero 'til the end of the night
Ela continua precisando de um herói, é urgente mas vai esperar a noite toda até o amanhecer. Eu também esperaria pelo Thor.
Não tem superpoderes na checklist, e se ela aliviar essas exigências um pouquinho ela consegue um herói humano que vai dar conta do recado, e nem vai precisar esperar até o amanhecer.
Vamos tirar as polainas do armário e aquecer para dançar essa música que estava presente em todas as aulas de aeróbica, quando existiam. E é uma música ótima para correr.
No video Bonnie Tyler super dramática, quer um herói para apagar o fogo (da casa), vai ate o Grand Canyon gritar sua checklist e no fim é salva por um cowboy, humano.