30.6.16

Analisando a música: Everybody Wants To Rule The World (Tears For Fears)

A Thea deixou um comentário pedindo para analisar uma música do Tears For Fears. A banda vem fazer shows no aqui no Brasil em outubro e como gosto de algumas músicas deles achei ótima idéia.

O Tears For Fears é uma banda inglesa formada em 1981 pelo Roland Orzabal e Kurt Smith. Os dois eram amigos de adolescência, formaram um duo e depois uma banda. Li na internet que a primeira banda se chamou Graduate, a segunda History of Headaches (achei ótimo esse nome!) e finalmente Tears For Fears.

O primeiro album deles foi The Hurting, de 1982, que tem: Pale Shelter, Change e Mad World. Esse primeiro album foi bem, mas o sucesso internacional da banda veio com Songs From The Big Chair, 1985, que tem: Shout, Head Over Heels, Mother's Talk e a analisada da vez.

Gosto muito do terceiro album deles, The Seeds of Love (de 1989). Tem músicas mais elaboradas e teve hits como Woman In Chains, Advice For The Young At Heart e Sowing The Seeds of Love. Desse album também destaco de Badman's Song e Year of the Knife.

Vi o Tears For Fears tocando ao vivo na Apoteose no Rio de Janeiro em 1990, e gostei muito do show, eles são muito bons ao vivo. Trouxeram a Oletta Adams, vocalista maravilhosa e pianista que faz um dueto com o Roland Orzabal em Woman in Chains e Badman's Song, e foi um upgrade total em todas as outras músicas.

Os dois se separaram em 1991, mas o Roland Orzabal seguiu com outros músicos usando o nome da banda e chegou a lançar mais dois albuns.

Se juntaram outra vez em 2000, retomaram a parceria e lançaram um disco em 2005: Everybody Loves a Happy Ending. Como eu parei de saber o que eles faziam depois que se separaram lá em 1991 (e tinha abraçado o rock grunge) não conheço nada desses outros albuns mais recentes.

Tenho pelo menos 10 músicas dos primeiros albuns no iPod e o shuffle quase sempre manda uma na hora da corrida.

Foi difícil escollher uma música, mas nesses tempos de Brexit, eleições nos EUA com Trump na parada, Isis aterrorizando e situaçao confusa por aqui, achei que esse sucesso de 1985 cai como uma luva nos dias de hoje.

Muitas das músicas do Tears For Fears tem essa temática de colocar indignação para fora e reclamar de tudo que está acontecendo. De forma pop, claro. Vide Shout com "in violent times, you shouldn't have to sell your soul", Sowing the Seed of Love com "Politician grannie with your high ideals, have you no idea how the majority feels, we're fools to the rules of a government plan" e até Woman in Chains "it's a world gone crazy, keeps woman in chains."

Everybody Wants To Rule The World é sobre isso mesmo, gente que quer dominar o mundo colocado de forma poética e dançante com uma batida pop anos 1980.


Welcome to your life
There's no turning back
Even while we sleep
We will find you acting on your best behavior
Turn your back on Mother Nature
Everybody wants to rule the world

Roland e Kurt dividem os vocais nas músicas e essa é cantada pelo Kurt Smith. Tem gente no Forum que diz que essa música é sobre ou inspirada no 1984 do Geroge Orwell, não achei nada confirmando isso mas o livro também é sobre poder e controle dos governos. A banda diz que essa música surgiu rapidinho depois de trabalharem por muito tempo em Shout. (Acho Shout uma daquelas músicas que começa bem mas fica chaaataaaa - vou fazer um top 5 dessas músicas)

Acho essa música um pouco confusa, como se eles quisessem usar a frase "Everybody wants to rule the world" de qualquer jeito e colocaram outras coisas só para preencher espaço da música. Mas vamos ver o que diz o resto da letra.

A música já começa com uma frase fato: seja bem vindo a sua vida, agora não tem mais volta. Não sei quem é esse "nós" da música, mas é quem observa a todos e sabe que mesmo quando nós, humanos, estamos no nosso melhor comportamento podemos dar as costas a mãe natureza. E assim surge o lixo, a sujeira, as brigas, desentendimentos e guerras.

Lado negro da humanidade. Todos querem dominar o mundo.

It's my own design
It's my own remorse
Help me to decide
Help me make the most of freedom and of pleasure
Nothing ever lasts forever
Everybody wants to rule the world

Então ele diz que é seu próprio desenho/criação e também seu arrependimento. O que? Acho que o estilo de vida. E pede ajuda aos universitários para decidir e aproveitar o máximo da liberdade e prazer. Nada dura para sempre. FATO.
Temos uma pessoa que quer mudar mas está sem coragem.
Acontece que todos querem conquistar o mundo e cada um sabe da sua vida.

There's a room where the light won't find you
Holding hands while the walls com tumbling down
When they do I'll be right behind you
So glad we've almost made it
So glad they had to fade it
Everybody wants to rule the world

"Tem um quarto onde a luz não vai te encontrar" é uma forma poética de dizer quarto escuro. OU uma forma de dizer que tem como escapar da luz (que luz maligna é essa?) mas que as paredes fatalmente irão cair. Pelo menos não vai estar sozinho.
No modo filosófico pode ser que a pessoa tenha idéias (ou sonhos) que fogem do padrão, da sociedade, e nesse quarto escuro pode contemplá-las, mas que um dia terá que desistir de algumas delas para continuar a vida coletiva.

Todos querem mandar no mundo.

I can't stand this indecision
Married with a lack of vision
Everybody wants to rule the world

Mas não aguenta essa indecisão casada com falta de visão. Rimou. Resumindo: em cima do muro.

Say that you'll never never need it
One headline, why believe it?
Everybody wants to rule the world

"Diga que nunca vai precisar." De que? Conquistar o mundo?
Uma manchete, por que acreditar? Isso é verdade, do jeito que andam as notícias não dá para ler só a manchete sem ler o resto, vai que é pegadinha tipo Meia Hora.

All for freedom and for pleasure
Nothing ever lasts forever
Everybody wants to rule the world

Tudo pela liberdade e prazer, tentar ser feliz. Porque com essa briga toda pelo poder nada dura para sempre mesmo.


Um video clássico dos anos 1980. Adoro a coreografia que os dois caras fazem no posto de gasolina.


2 comentários:

  1. Obrigada <3
    Parece q Woman in chains foi inspirada na vida pessoal do Orzabal (pai agredia a mãe dele).
    Aliás, várias das letras (principalmente as do The hurting) são baseadas nas vidas do Curt e Roland.
    Seria bom se eles viessem pra cá tb, mas devem bem vir só pra RJ e SP :/

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    1. :)

      Não sabia dessa sobre Woman in Chains (mas não pesquisei sobre ela). Músicas com teor pessoal são sempre boas.

      Parece que o tour é em várias cidades, eles vem até para Fortaleza.

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