27.2.17

Oscar 2017

Não posso nem dizer que o Oscar desse ano foi chato porque no fim teve babado, e já conto o que aconteceu, mas antes vamos a cerimônia.

O apresentador desse ano foi o Jimmy Kimmel e eu gostei porque ele entende que menos é mais. Seu monólogo foi curto e suas piadas eram rápidas (algumas funcionaram e outras não). Começou com o Justin Timberlake cantando uma música e deixando o pessoal da platéia animada mas não teve nenhuma daquelas montagens dos filmes indicados (e que as vezes são divertidas).

Para quem não sabe, o Jimmy Kimmel tem uma rixa com o Matt Damon que é de anos. Vem da época que a ex-namorada do Jimmy Kimmel, Sarah Silverman, fez uma música dizendo que transava com o Matt Damon. Essa briga é muito engraçada porque a gente sabe que é fake, e sempre tem uma brincadeira no programa de entrevistas do Jimmy Kimmel (que o Matt Damon nunca é convidado mas sempre tenta invadir). Já até fizeram terapia de casais. Como eles são profissionais a coisa tomou uma dimensão que chegou até o Oscar. E foi muito engraçado ver Jimmy Kimmel jogando farpas para o Matt Damon.

Fizeram alguns segmentos de atores falando de seus atores favoritos, que os inspiraram, e qual filme eles viram que os levaram a essa inspiração.Teve Charlize Theron falando de Shirley MacLaine e Seth Rogen falando de Michael J. Fox (e chegando num DeLorean), aí os dois entravam e apresentavam um prêmio. Na vez de Roteiro Original apareceu o Jimmy Kimmel falando do Matt Damon em Compramos um Zologico e foi hilário. No palco o anuncio foi "Ben Affleck e convidado". Como se isso já não me fez quase cair da cadeira de tanto rir, toda vez que o Matt Damon abria a boca a música subia (como fazem para expulsar quem tem discurso longo do palco). Melhor piada.

Jimmy Kimmel também tem um segmento ótimo no seu programa que se chama Mean Tweets onde os atores tem que ler tweets maldosos sobre eles mesmos. E teve isso no Oscar ontem.

E para terminar a parte apresentador, Jimmy Kimmel fez uma pegadinha do Malandro. Ele pegou um onibus de turistas e os levou até dentro do auditório com a desculpa que iam ver uma exposição. As pessoas entraram e ficaram surpresas, algumas tremiam, mas o casal que entrou na frente tirou de letra. Gary de Chicago tirou de letra, apertou mãos, fez selfie, filmou todo mundo e virou celebridade no Twitter.

Então vamos a premiação.

(Esse ano vi quase todos os filmes e Hell or High Water era o meu preferido, just saying, mas não ganhou nada.)

Melhor ator Coadjuvante foi para o Marhershala Ali que faz o traficante sensível em Moonlight. Atriz Coadjuvante foi a excelente Viola Davis por Fences, e alguém acha uma música para ela cantar porque só falta um grammy para ela ter um EGOT. Melhor Ator foi Casey Affleck por uma atuação contida em Manchester by the Sea que impressiona (mas as vezes acho que ele é assim mesmo). Melhor Atriz foi Emma Stone por La La Land, e acho que foi pela cena que ela canta na audição.

Melhor Documentário foi o excelente OJ: Made in America, vejam. Melhor Filme Estrangeiro foi O Apartamento que não vi, e também não vi Zootopia que ganhou Melhor Animação.

Efeitos Especiais foi para Jungle Book, o filme live action do Mogli, e Suicide Squad, o filme dos vilões da DC ganhou melhor Maquigem - que nem é tão boa assim. Melhor Figurino foi para Animais Fantásticos e foi o quarto Oscar da Colleen Atwood nessa categoria.

Hacksaw Ridge, o filme de guerra do Mel Gibson, ganhou Melhor Edição (as cenas de guerra são excelentes) e Mixagem de Som, mas Edição de Som foi para Arrival. E finalmente entendi a diferença entre mixagem e edição de som. Em Arrival a edição de som é a voz dos ETs e é muito boa!

La La Land ainda ganhou Cenografia, Fotografia, Musica Original, Trilha Sonora Original e Diretor (Damien Chazelle foi o diretor mais novo a ganhar um Oscar, 32 anos).

Roteiro Original foi para Manchester By The Sea e Roteiro Adaptado foi para Moonlight.

E chegamos no Melhor Filme. Babado. Warren Beatty e Faye Dunaway foram apresentar essa categoria e na hora de anunciar o vencedor o Warren Beatty fez cara de confuso e disse "La La Land". Algumas pessoas comemoraram, outras reviraram os olhos (eu), e o pessoal do filme subiu no palco. Logo depois teve um burburinho e o produtor de La La Land disse que anunciaram errado e o prêmio era de Moonlight. Isso mesmo. Moonlight, Oscar de Melhor Filme.

Como aconteceu no Miss Universo 2015 entre Miss Colombia e Miss Filipinas.




Provavelmente deram um envelope errado para o Warren Beatty porque ele disse que estava escrito "Emma Stone, La La Land" que foi a premiação anterior. Alguém duplicou os envelopes, ou seja, os auditores pisaram na bola. Já fizeram um Envelopegate.

Os produtores de La La Land foram muito elegantes na hora de passar o prêmio, acho que até eles votaram em Moonlight, e ficou todo mundo feliz.

E foi isso. Provavelmente ano que vem vão fazer os apresentadores mostrarem os papéis com os nomes dos vencedores para a camera.

14.2.17

Analisando a música: How Deep Is Your Love (Bee Gees)

Domingo teve o Grammy e mais uma vez a Adele saiu carregada de troféus. No discurso do Grammy de Melhor Album do Ano a Adele até o dedicou para a Beyoncé mas a Queen B teve que se contentar mesmo só com o Grammy de Melhor Album de Contemporary Urban (categoria que nunca entendi) com Lemonade.

David Bowie levou todos na categoria rock. Gênio, mas ele nunca tinha ganhado um, agora o filho dele vai poder decorar a lareira.

George Michael e Prince foram homenageados. Adele cantou Fastlove da maneira mais deprimente que essa música poderia ser cantada e ficou bonito. Ela errou, falou uns palavrões, recomeçou e deu tudo certo. Já Bruno Mars se fantasiou de Prince e cantou Let's Go Crazy, bem mais animada.

Lady Gaga cantou com o Metallica e provou que pode cantar qualquer coisa.

Ed Sheeran cantou com um violão e uma parafernalha eletrônica que fazia os outros instrumentos, tipo cantor de churrascaria com um orgão, mas a música Shape of You é boa.

Beyoncé fez uma apresentação conceitual, ficou muito bonito mas achei a música sonolenta.

Katy Perry fez uma apresentação politizada e a música era ótima.

Gostei da música que o The Weeknd cantou com o Daft Punk. Saudades do ano que o Daft Punk ganhou tudo, foi muito animado.

E teve uma homenagem aos Bee Gees. Vamos falar dos Bee Gees. Os irmãos Barry, Maurice e Robin Gibb começaram cantando juntos em 1958. Robin e Maurice eram gemeos e Barry o mais velho. Tinha outro irmão mais novo, o Andy, mas ele fez carreira solo.

Os Brothers Gibb, BGs, Bee Gees, fizeram hits nas décadas de 1960, 1970, 1980 e até 1990.

O primeiro hit dos Bee Gees foi To Love Somebody em 1967.

Eles são conhecidos pela trilha sonora de Saturday Night Fever (1977), filme que o John Travolta rebola lindamente nas discotecas de NYC. Essa trilha sonora é só hits: Stayin' Alive, How Deep Is Your Love, More Than a Woman, Night Fever, If I Can't Have You (cantada pela Yvonne Elliman) e muitas outras. Essa trilha sonora rendeu vários Grammys aos irmãos. Duvido alguém colocar esse disco para tocar e não dançar.

A marca registrada do trio é que eles cantam num falseto (ou agudo, ou falseto über agudo, não sei a diferença) o tempo inteiro (o Barry é que tem esse agudo), tanto que é difícil até para mulheres cantarem as músicas deles. Quando analisei a música Grease disse que o único outro capaz dessa façanha era o Frankie Valli.

Os irmãos também compuseram vários hits que foram cantados por outros artistas como: Heartbreaker (Dione Warwick), Islands In The Stream (Dolly Parton e Kenny Rogers), Woman in Love (Barbra Streisand), Emotion (Destiny's Child), Grease (Frankiie Valli) e muitas outras.

Cantaram juntos até o Maurice falecer em 2003 aí o Robin seguiu carreira solo. Em 2009 Robin e Barry se juntaram mais uma vez até o Robin morrer em 2012. Só sobrou o Barry, mas ele está aí ainda gravando e aparecendo em shows.

Barry Gibb estava curtindo a homenagem no Grammy, cantava junto, batia palma. No palco Demi Lovatto, Tori Kelly, Little Big Town e Andra Day cantaram um medley com Stayin' Alive, Tragedy, How Deep is Your love e Night Fever.

Como hoje é Valentine's Day vou analisar How Deep Is Your Love.

I know your eyes in the morning sun
I feel you touch me in the pouring rain
and the moment that you wander far from me
I wanna feel you in my arms again

Essa música foi lançada em 1977 como um single e depois entrou na trilha sonora de Saturday Night Fever (Embalos de Sábado a Noite). Foi número 1 em vários países (inclusive aqui no Brasil), ficou no Top 10 da Billboard por muito tempo e ganhou o Grammy de Melhor Performance de um Grupo.

É uma música românica, daquelas que o pessoal dançava na parte música lenta das festas nos anos 1970/80 e aproveitava para chegar mais perto do crush.

Ele começa dizendo "conheço (ou reconheço) seus olhos no sol da manhã, sinto seu toque na chuva e no momento que você se afasta de mim quero tê-la em meus braços outra vez". Chega mais que vai esquentar.

And you come to me on a summer breeze
Keep me warm in you love
Then you softly leave
And it's me you need to show
How deep is your love

Aí ela vem numa brisa de verão, aquece e depois vai embora suavemente. E acho que porque ela as vezes se afasta e dá amor mas vai embora, ele quer que ela mostre o quanto profundo é o amor dela.
Estou começando achar que ele está inseguro.

How deep is your love
How deep is your love
I really need to learn
'Cause we're living in a world of fools
Breaking us down
When they all should let us be
We belong to you and me

"Então diz aí, quanto profundo é esse amor que você sente? Eu preciso muito saber." Calma amigo, relaxa e aproveita a melodia. E temos uma filosofada sobre o mundo de tolos que querem destruí-los mas que deveriam deixá-los em paz. Ciúmes detected. "Afinal, nós pertencemos um ao outro."

I believe in you
You know the door to my very soul
You're the light in my deepest, darkest hour
You're my savior when I fall
And you may not think that I care for you
When you know down inside that I really do

E ela pode dizer a profundidade do amor que ele acredita. Ainda bem. E faz essa declaração "você sabe onde fica a porta para minha alma, você é a luz no momento que estou mais deprimido, você me salva quando caio." Que responsabilidade. (Adoro a combinação da melodia com as frases You're the light in my deepest darkest hour. You're my savior when I fall)
E ele garante que ela sabe que ele se importa apesar dela achar que não.

And it's me you need to show
How deep is your love
How deep is your love
How deep is your love
I really need to learn
'Cause we're living in a world of fools
Breaking us down
When they all should let us be
We belong to you and me

Claro que ele se importa e ainda quer mensurar a profundidade do amor mais uma vez no refrão. Mas vamos deixar os tolos de lado e foca no eu e você que é o que interessa.


Vamos ligar a luz negra (que é roxa), escolher o par e dançar de rosto colado.




A boy band Take That fez uma versão dessa música.

2.2.17

Analisando a música: Lithium (Nirvana)

Essa semana assisti o documentário Montage of a Heck que fala do Kurt Cobain, e do Nirvana por tabela. Esse documentário usou fitas gravadas pelo Kurt Cobain (com músicas, entrevistas, depoimentos, etc), filmes caseiros, os diários e desenhos. Tem também depoimentos dos pais, irmã, do Krist Novoselic e até da Courtney Love. Esse documentário é como ver um pouco da loucura dentro da cabeça do Kurt Cobain.

Kurt teve uma infância ok até seus pais se separarem e daí para frente foi rebelde com e sem causa. Ele era hiperativo e hipersensível. Kurt também devia ter alguns problemas de saúde que ele não resolvia, o histórico de família não estava a seu favor e era viciado em heroína. Tão viciado que a Courtney Love disse que ele queria ganhar dinheiro suficiente para ser junkie sem preocupações.

Kurt Cobain compôs músicas que farão sucesso ainda por muitos anos porque pessoas se indentificam com as letras melancólicas, dramáticas, guitarras pesadas e a voz crua dele. O Nirvana colocou o grunge no mapa mundial (junto com o Pearl Jam, mas isso é outra história) e os fãs vieram em progressão geométrica. Kurt Cobain queria sucesso mas não queria fama. Infelizmente para ele os dois vieram juntos e com força.

Além do Kurt Cobain, o Nirvana era composto pelo Krist Novoselic (amigo de adolescência do Kurt) e Dave Grohl (que entrou para ser baterista no Nevermind e ficou).

A discografia do Nirvana é curta, são 3 discos: Bleach, Nevermind e In Utero. Os dois últimos são ótimos. Ainda tem o excelente Unplugged que gravaram em 1993 e só foi lançado em 1994, depois que Kurt Cobain morreu.

Uma biografia boa sobre o Kurt Cobain é Heavier Than Heaven (Mais Pesado Que O Céu) do Charles Cross. A história dele e da banda é curta mas é intensa.

Já contei como abracei o grunge nos anos 1990 quando analisei uma música do Pearl Jam, e gosto de várias do Nirvana.

O Kurt Cobain odiava dar entrevistas e falava pouco das músicas, inclusive preferia saber o como os fãs as analisavam. Então, Kurt, vou dizer para você o que eu acho que Lithium significa.

Lithium é do album Nevermind. As letras do Nirvana não são longas mas são significativas e tem um bocado de coisa para analisar em poucas estrofes.

I'm so happy because today
I've found my friends
They're in my head
I'm so ugly, but that's ok, 'cause so are you
We've broken our mirrors
Sunday morning is everyday for all I care
And I'm not scared
Light my candles in a daze
'Cause I've found god

Essa música pode ser sobre várias coisas mas acho que é sobre transtorno bipolar, afinal lítio é um dos remédios indicados para controlar e estabilizar essa doença.
Bipolar é um estado mental volátil e poucas coisas são mais assustadoras do que uma doença mental, seja por química confusa do corpo, trauma, velhice ou drogas.
É uma música que começa num ritmo mais devagar mas o refrão vem com força, ou seja uma fase depressiva e uma fase irritada.

É uma música ambivalente com altos e baixos. (Come As You Are também é assim, todas as frases da música tem alguma contradição "take your time, hurry up don't be late")

A música começa com ele dizendo que está feliz porque encontrou os amiguinhos....que estão dentro da cabeça dele. "Eu sou feio, mas tudo bem, você também é.", aqui acho que ele está com uma outra pessoa que ele julga adequada a imagem que ele tem dele mesmo. Aí aproveitam e quebram os espelhos que pode ser: quebraram porque se acham tão feios que não aguentam olhar no espelho OU não se importam com suas aparências e não querem se preocupar.

E para ele todo dia pode ser domingo de manhã que ele não se importa. (Domingo de manhã é ótimo, eu gosto, sempre vou andar de bicicleta, mas não é o caso aqui.) Ele não está com medo, acende as velas e diz que encontrou deus. Aqui vale uma observação: Kurt Cobain, depois do divórcio dos pais, vivia pulando de casa em casa e passou por uma fase religiosa onde ele frequentou a igreja mas isso só durou uns três meses.

Yeah, yeah, yeah

A música aqui passe de um ritmo mais lento para um rock pesado e Kurt quase gritando yeah, yeah, yeah...

I'm so lonely but that's ok I shaved my head
And I'm not sad
And just maybe I'm to blame for all I've heard
But I'm not sure
I'm so excited, I can't wait to meet you there
But I don't care
I'm so horny but that's ok
My will is good

De volta a calma. Ele continua dizendo que está solitário mas tudo bem ele raspou a cabeça. Hã? Bem, nada como um look novo para dar animo. Mas ele se acha culpado de algo que aconteceu e relataram para ele, mas não tem certeza.
Ele está animado, mal pode esperar para encontrar outra pessoa, mas não se importa. Está com muito tesão, mas tudo bem a vontade dele é boa (no sentido que consegue segurar o impulso). Coisas que são simultaneamente excitantes e péssimas. Highs and lows.

yeah, yeah, yeah

I like it, I'm not gonna crack
I miss you, I'm not gonna crack
I love you, I'm not gonna crack
I killed you, I'm not gonna crack

E aí emenda o yeah yeah yeah forte e rock pesado com essas quatro frases que pegam carona no fim da estrofe anterior ("My will is good"), e diz: eu gosto mas não vou ceder, sinto saudades de você mas não vou ceder, te amo mas não vou ceder, te matei mas não vou ceder. Altos e baixos.
Aqui acho que, apesar da depressão, ele está dizendo que não vai tomar uma atitude mais drástica.


Como disse alguém na internet (procurei mas não achei): "Kurt Cobain era bom em transmitir a idéia de ter sentimentos fortes sobre não ter sentimentos.".

Vamos quebrar alguns instrumentos com o Nirvana! I'm not gonna crack!



29.1.17

+ Filmes

A Bigger Splash

Em português o nome desse filme é A Piscina, e dessa vez achei que acertaram na tradução, afinal muita coisa nesse filme acontece ao redor de uma piscina.

Esse filme tem basicamente 4 personagens: Marianne uma roqueira famosa que operou a garganta e está sem voz; seu namorado Paul que é cinegrafista, fotografo e lindão; o Harry um produtor musical meio inconveniente mas divertido que já foi namorado/amante de Marianne e BFF do Paul; e Penelope a filha do Harry que ele descobriu recentemente.

Marianne e Paul estão numa ilha italiana, numa casa com vista pro mar, relaxados e pelados em sua piscina, aproveitando o sol quando Harry chega com sua filha e ainda se convida para ficar. Claro que tem muita coisa mal resolvida entre eles e a Penelope vai só para abalar as estruturas. E daí essa turminha se mete em muitas confusões.

Ralph Fiennes é o Harry e ele está sensacional nesse papel. Tem uma cena que ele dança Emotional Rescue dos Rolling Stones que é ótima.

A Penelope faz uma analogia muito boa da vida amorosa da Marianne com albuns de música (na época que tinha Lado A e Lado B).

Penelope: Você ficou com Harry por 6 anos e está ha quantos anos com Paul?
Marianne: 6 (mostrando os dedos das mãos)
Penelope: Ouvi dizer que um disco tinha 6 músicas de cada lado. E que você escutava um lado e tinha que virar para escutar o outro.
Marianne: Fiz algo para te aborrecer?
Penelope: Sabe, aposto que colocavam uma música muito boa de cada lado para você ficar mudando de lado o tempo todo.

Esse filme não concorre a nenhum Oscar mas eu teria colocado o Ralph Fiennes na lista de melhor ator.

A Tia Helô ia ficar horrorizada com esse povo obsceno, 517 "Ai, Jesus!" para o Harry do Ralph, e sim, isso é um trocadilho.


Lion

Um filme sobre como o leitinho australiano é bom ou sobre o poder de um biscoito.

Na verdade é sobre um menino indiano que se perde do irmão (e consequentemente da mãe e irmã), entra num trem, viaja por dois dias e depois de dias perambulando pelas ruas vai parar numa espécie de orfanato. Como ele é só uma criança, mal sabe falar o nome da sua cidade, acha que o nome de sua mãe é Mãe e foi parar há mais de 1500km de casa, ninguém consegue achar sua família e ele é adotado por um casal australiano.

Saroo cresce em Hobart na Tasmania, se torna um rapaz australiano típico que gosta de cricket e de surf. E o garotinho fofo da primeira parte do filme se torna o Dev Patel, que claramente andou malhando, e mostrando que o personagem tomou leitinho australiano do bom.

Saroo vai estudar hotelaria em Melbourne e lá ele passa a conviver com mais indianos. Um dia na casa dos amigos indianos ele vê os biscoitos que queria muito comer quando era criança na India e a partir daí abre uma porteira para o passado e ele decide procurar sua mãe no Google Earth. E esse trabalho não foi nada fácil porque além de exaustivo fisicamente (a India tem muita gente, muitos vilarejos e muitos trens) e emocionalmente, ele não queria contar para sua mãe adotiva que o criou tão bem.

Esse filme é baseado em fatos reais. A primeira parte com o garotinho é boa, e depois Dev Patel faz angustiado bem, mas em algum ponto o filme começa a ficar um pouco enfadonho pelo estilo de filmagem (ou talvez pela presença sem graça da Rooney Mara). Nicole Kidman faz a mãe adotiva e está muito bem.

Mas está concorrendo a 6 Oscars: melhor filme, ator coadjuvante, atriz coadjuvante, fotografia, trilha sonora original e roteiro adaptado.

A Tia Helô ia gostar do Saroo, ele é bom menino. 18 "Ai, Jesus!" para o leãozinho.


Hacksaw Ridge (Até o Último Homem)

Mel Gibson ressurgiu com esse filme que ele dirigiu. É sobre Desmond Doss, um soldado que foi lutar na Segunda Guerra como enfermeiro e não pegou em uma arma nem deu um tiro mas conseguiu tirar 75 homens de um campo de batalha com os japoneses atacando.

Desmond vinha de uma família religiosa e mesmo apanhando do pai e as vezes batendo no irmão ele não acreditava em violência. Quando a guerra começou para os EUA ele quis ir para o front ajudar e se alistou. Acontece que no país onde o pessoal é super apegado a suas armas os próprios militares não queriam aceitar a posição de Desmond que se recusava a pegar numa arma e fizeram de tudo para ele desistir de ir para guerra.

Esse filme é ok, também é baseado em fatos reais, e o pessoal de Hollywood adora um drama de guerra. Então: Segunda Guerra + fatos reais + herói que salva vidas = indicação para Oscar de melhor filme.

Andrew Garfield, que está muito bem como Desmond, foi indicado a melhor ator e Mel Gibson polêmico está na lista do Oscar para melhor diretor. E ainda tem umas indicações técnicas como edição, edição de som e mixagem de som (as cenas de batalhas são boas mesmo).

Tia Helô ia adorar o Desmond, rapaz dedicado a sua religião, mas ia ficar chocada com a guerra. 319 "Ai, Jesus!" para tanto sangue.

28.1.17

Outras Tias (18)

E hoje me contaram essa história de tia.

A Tia Aline foi convidada para um casamento e foi comprar o presente. Na loja ela escolheu um vaso de flores, de vidro, e quando se encaminhava para o caixa ela o deixou cair e o vaso kaput.

Acontece que na loja tinha um cartaz enorme escrito: Quebrou Pagou. A Tia Aline então pagou o vaso quebrado mas pediu para a moça embrulhar para presente.

No dia do casamento a Tia Aline chegou na festa com presente na mão e usou de todo seu talento teatral para simular uma tontura seguida de queda e caiu jogando o presente no chão.

As pessoas vieram ajudá-la e Tia Aline só dizia "ahh, o presente! quebrou o presente! trouxe esse presente especial para vocês".

A noiva pegou o presente, abriu e fez cara de WTF??

A moça da loja fez o favor de embalar separadamente cada peça quebrada do vaso.

¯\_(ツ)_/¯

24.1.17

+Filmes

As indicações para o Oscar saíram hoje e está bem diversificado. Claro que ninguém concorda com tudo, kd Amy Adams? Mas acho que distribuíram bem. Dos nove indicados a melhor filme já vi 6: Arrival, Hell Or High Water, La La Land e mais três que estão nesse post, Manchester By The Sea, Hidden Figures e Moonlight. Faltam 3 que até 26 de fevereiro vejo o resto (Fences, Hacksaw Ridge e Lion).

Depois que saiu a lista de indicados é que me dei conta que vários que vi não comentei aqui no blog como Hell Or High Water com Chris Pine e Jeff Bridges, que gostei bastante, e Arrival, o filme de comunicação com ETs que é muito bom.


Manchester By The Sea

Casey Affleck faz Lee, um homem que trabalha de faz-tudo em Boston e tem que voltar a sua cidade natal depois que seu irmão morre. Lee herda o sobrinho adolescente e entre alguns flashbacks ficamos sabendo da história dele e da família.

É um filme muito bom sobre a vida, universo e tudo mais. E Casey Affleck está realmente muito bom nesse filme.

Tia Helô ia ficar alguns dias enrolada no cobertor depois de ver o que acontece na Manchester a Beira Mar. 74 "Ai, Jesus!" Para a família Chandler.

(Indicado a: melhor filme, diretor, roteiro original, ator, atriz coadjuvante e ator coadjuvante)


The Lobster

No universo de The Lobster quem não está em um relacionamento é preso mandado para uma espécie de SPA/Sanatório onde a pessoa tem até um 45 dias para encontrar um parceiro ou então será transformado no animal de sua preferência.

David até tenta achar um par mas ele prefere ficar com os solteiros na floresta. Acontece que na floresta é proibido se relacionar com os outros e David se apaixona. E aí como faz?

Sim, é uma história muito louca, mas é ótima! Esse filme concorre ao Oscar de melhor roteiro original e acho que se original é a palavra chave esse Oscar tem que ser dele.

Tia Helo não ia gostar da linguagem dos sinais nesse filme. 317 "Ai, Jesus!" para a lagosta, o cachorro....


Hidden Figures

A corrida pelo espaço era uma coisa muito importante na época da guerra fria. Os americanos tentavam de qualquer jeito chegar na frente dos russos. A NASA tinha muitas calculadoras, não as máquinas, mas mulheres que eram ótimas em fazer calculos para que os foguetes entrassem em órbita.

Acontece que como isso é anos 50/60 e a NASA ficava no estado da Virgínia a segregação racial estava a pleno vapor, então as mulheres negras tinham tudo separado: ônibus, salas e banheiros.

O filme foca em 3 dessas mulheres: Dorothy Vaughn que supervisionava as calculadoras negras (mas não tinha esse título) e ao ver que a IBM vinha com um computador tratou de aprender Fortran e treinou seu staff; Mary Jackson que trabalhava na área de engenharia montando os foguetes (e depois se tornou engenheira) e Katherine Johnson que era gênio da matemática.

O filme conta um pouco da história delas e sua importância para o lançamento do foguete que levou John Glenn para dar uma voltinha no espaço.

Achei esse filme bom, não é sempre que vemos mulheres com destaque no mundo da corrida espacial.

A Tia Helo ia querer saber como é que faz tanta conta. 137 "Ai Jesus!" para tantas fórmulas no quadro.

(Indicado a melhor filme e atriz coadjuvante e roteiro adaptado)

Moonlight

Esse filme conta a história de Chiron, um menino tímido que cresce numa vizinhança barra pesada, no meio de traficantes e com uma mãe viciada. O filme passa por três partes da vida dele: a infância onde ele sofre bullying e é meio que adotado pelo traficante gente boa local e sua namorada. Na adolescência bullying continua e ele tem algumas dúvidas existênciais, e depois na idade adulta.

Em todas as fases seu amigo Kevin sempre surge para dar uma forcinha.

É mais um filme sobre a vida, universo e tudo mais, só que num bairro violento de Miami.

É um filme bom, mas poderia ter uns 15min a menos. Haja pausas longas. Naomi Harris está ótima e irreconhecível como a mãe viciada.

A Tia Helô teria dormido no início desse filme, mas acharia Chiron criança um fofo. 251 "Ai, Jesus!" para Moonlight.

(Indicado a melhor filme, diretor, roteiro adpatado, ator coadjuvante, atriz coadjuvante, edição e trilha sonora)

21.1.17

Book Report: 2 autobiografias

Comecei o ano dedicada as autobiografias. Li Born To Run, a autobiografia do Bruce Springsteen e Rita Lee: uma autobiografia.



Dois músicos contemporâneos (Rita Lee é só 2 anos mais velha que Bruce Springsteen) que decidiram contar suas histórias.

Não costumo ler biografias de músicos e artistas porque a gente sempre tem uma imagem idealizada, especialmente quando é fã, e as vezes saber verdades derruba a ilusão. Ou não.

A única outra biografia de músico que li foi Heavier Than Heaven do Charles Cross sobre o Kurt Kobain, que por sinal é muito boa. Li também um livro sobre o David Bowie, mas era mais sobre suas músicas e discos do que uma biografia mesmo.

Mas vamos a Bruce e Rita.

Tanto Bruce quanto Rita escreveram seus livros. As vezes os artistas usam ghost writers para quem contam suas histórias e os fantasmas escrevem. Não foi o caso aqui.

Bruce começou a escrever sua autobiografia em seu caderninho depois de sua apresentação no Superbowl de 2009 e demorou 7 anos para ficar pronta.

A Rita Lee até coloca um fantasma desenhado no meio do livro que corrige alguma coisa que ela contou sem exatidão. (Entendi que esse fantasma é um fã/amigo que leu o que ela escreveu e apontou algumas discrepâncias que ela ou se confundiu ou esqueceu de mencionar)

Bruce Springsteen escreve tão lindamente seu livro que enquanto lia conseguia escutar a voz dele contando sua história.

O livro da Rita Lee não segue exatamente uma ordem, mas tem uma certa cronologia. Não tem capítulos, só textos em poucos ou muitos parágrafos que levam títulos. As vezes parece que estamos escutando as histórias da tia engraçada numa reunião de famíla.

Bruce é um cara organizado, a história dele é contada em ordem cronológica e em capítulos. No fim a cronologia fica um pouco misturada mas não atrapalha em nada. Não é a toa que é chamado de The Boss, é um controlador assumido.

Rita Lee é filha de americano (escocês) com italiana. Bruce é filho de irlandês com italiana.

Bruce era de uma família pobre, teve que morar com os avós, e tem 2 irmãs. Rita vem de uma família classe média, seu pai era dentista, e também tem 2 irmãs.

Bruce Springsteen era bom menino, quase coroinha, do tipo que só foi beber depois dos 20 anos. A Rita Lee...bem, a Rita Lee era (e ainda é) da pá virada, inclusive com um pézinho na delinquência.

Tanto Rita como Bruce foram influenciados por Elvis e Beatles. A diferença entre os dois é que Rita não fala muito de como essa influências aparecem na sua música (só que ela era rock n' roll), o Bruce Springsteen analisa muito bem onde essas influências e outras foram parar na sua carreira.

Aliás, no quesito músicas e carreira, o Bruce Springsteen é muito detalhista. Ele conta como cada album aconteceu, como algumas músicas foram compostas e ainda analisa o album com a fase da vida que ele estava passando.

Rita fala de algumas músicas, como foram compostas, quem as compôs, como foram parar não mãos dela e como apareceram nos discos. Ela fala em poucas palavras como os albuns surgiram, conta em mais detalhe sua carreira solo e usa muitas frases de suas músicas para contar sua história.

Bruce conta sua história em mais de 500 páginas, e Rita Lee em 270. O Born To Run tem umas míseras 6 ou 7 páginas de fotos no fim, o da Rita Lee tem muitas fotos, e boas, que ilustram bem a narrativa.

Rita e Bruce sempre foram músicos. Rita Lee ainda deu aula de inglês e trabalhou em escritório, mas o Bruce Springsteen só pegou no pesado pintando paredes durante um verão na adolescência para ter dinheiro para comprar uma guitarra. Ambos começaram em bandas covers, mas Bruce Springsteen tocou por mais tempo em bares e até hoje é só pedir uma música para ele no show que ele toca.

É interessante ver como o mercado da música era diferente nos dois países. Bruce tocou em bares e pequenos eventos com sua banda até ser descoberto e chamado para gravar um disco. Rita Lee (e os Mutantes) tocavam em festivais nacionais de música.

Tanto Bruce quanto Rita falam das suas amizades, das pessoas que passaram por suas vidas (pessoal e musical), e ambos relatam momentos de tocar com músicos dos quais tinham sido fãs. A Rita Lee abusa mais do name dropping, o mundo da MPB não é tão grande assim.

Bruce Springsteen é poético na sua narração. Ele sabe contar uma história. A leitura flui e em muitos momentos parei de ler para escutar as músicas. Ele é muito sincero numa autoanálise que expõe no livro sobre sua depressão.

A Rita Lee usa e abusa do humor  e de um certo sarcasmo que em muitas partes funciona, mas em outras força uma barra. Também parei o livro em muitas partes para escutar as músicas dela. Ela fala bastante de seu uso e vício em drogas, remedinhos e álcool.

Rita Lee se aposentou, concluiu que chegou a hora de deixar os holofotes de lado, inclusive em alguns momentos do livro ela disse que queria parar apesar dela também dizer várias vezes que no palco todas as mazelas desaparecem. Vi Rita Lee ao vivo acho que umas três vezes. Uma das vezes foi quando ela abriu para os Rolling Stones no Maracanã em 1995 e ela fala desse show no livro.

Nunca vi Bruce Springsteen ao vivo, mas ele continua firme e forte fazendo shows e adora o palco. The Boss teve a turnê mais lucrativa de 2016, então quem sabe eu ainda vou num show dele.


(Já fiz um Analisando a música de Dancing In The Dark do Bruce Springsteen aqui no blog)

13.1.17

+Filmes

E começou a época do ano que a gente vai muito ao cinema para ver os filmes que tem chances no Oscar.


Animais Noturnos

O livro que o Tom Ford pegou para fazer esse filme se chama Tony & Susan do Austin Wright. Li esse livro em 2015 e gostei muito.

A história é sobre a Susan que recebe de seu ex-marido um livro chamado Animais Noturnos, que ele escreveu e pede para ela ler e dar opinião. O leitor lê o livro junto com Susan e ao mesmo tempo ficamos sabendo detalhes da vida dela com o marido atual e com o ex-marido, e alguns questionamentos que a leitura traz para ela.

O livro dentro do livro Animais noturnos, é muito bom, é a melhor parte do Tony & Susan. É sobre um homem que encontra uns indivíduos delinquentes enquanto viaja com a família por uma estrada a noite.

O filme é do mesmo jeito. Tom Ford mudou um pouco a personagem da Susan, a colocou num ambiente minimalista com uma fotografia e música muito parecida com a do seu outro filme A Single Man. A parte da Susan é boa, achei a do livro melhor, mas a parte Animais noturnos do filme é excelente, tão boa quanto no livro.

O Aaron Taylor Johnson está ótimo! Ele é o Ray Marcus, um dos delinquentes na estrada. Muito medo dele.

Jake Gyllenhaal faz dois personagens: o Tony do livro e o ex-marido de Susan. Faz sentido porque dá entender que o Tony tem muitas características do Edward, o ex-marido.

Um filme que coloca escolhas em evidência e o questionamento do E se...?

A Tia Helô iria ficar horrorizada com o Ray Marcus. 329 "Ai, Jesus!" para esses animais noturnos.


La La Land

Eu gosto de musicais no cinema. De Cantando na Chuva a Moulin Rouge, passando por Grease, não tenho problema nenhum com gente que resolve cantar e dançar do nada. As vezes a vida deveria ser assim mesmo.

Só não gosto de musicais cantados o tempo todo como foi Les Miserables. Argh.

Mas La La Land é do primeiro grupo, tem cantoria e dança, mas as pessoas também conversam normalmente. É um musical que tem muito dos clássicos do gênero com muita coisa moderna.

É sobre o romance de um casal, de como se conhecem até....bem, aí tem que ver o filme.

Ela é atriz tentando conseguir um papel e ele é um músico de Jazz que tem que tocar músicas de natal em restaurantes e em bandas duvidosas para garantir um din din.

Emma Stone está incrível, canta, dança e ainda diz um bocado só com os olhos. Ryan Gosling é cool até com uma roupa cafona dos anos 80 tocando I Ran no sintetizador. As cenas dos dois juntos cantando e dançando são muito boas. Aliás, o filme funciona muito por causa deles, ótima química.

E tem Los Angeles que também é estrela no filme. Muitas cenas no Griffith Observatory.

A trilha sonora é boa, mas não fiquei fã. Duas músicas gostei City of Stars e A Lovely Night.

Só vou dizer que gostei muito do fim.

A Tia Helô iria gostar muito desse filme, acredito que ela era fã de musicais da MGM. 21 "Ai Jesus!" para a terra o La La La.

10.1.17

Spectacles

O Snapchat lançou ano passado óculos escuros com camera que faz snaps de 10 segundos.



Não só são óculos escuros bacanas como os videos feitos são circulares.

O que é um video circular? É um video que no celular dá para ver tanto na posição vertical quanto horizontal. Você pode virar o telefone que a imagem acompanha.

O video circular só funciona no Snapchat, mas dá para postar em outras redes sociais (fica com um frame redondo).



Desde quando lançaram fiquei com vontade de ter um porque faço muitos snaps andando de bicicleta e na rua. Tirar o telefone do bolso em muitos lugares não é uma boa ideia (nem pedalar com uma mão e filmando com a outra) então esses óculos facilitariam a produção de snaps.

Vi algumas pessoas fazendo videos com os óculos e gostei, especialmente o pessoal que anda de skate.

Acontece que comprar um desses não é fácil, só está a venda em uma loja em NYC e algumas pop ups que aparecem pelos Estados Unidos e só divulgam no dia. Aqui no Brasil não vai aparecer tão cedo. Sem contar as filas, porque americano adora uma fila. E aí como faz? Fui no Ebay e achei um cara que estava vendendo por um preço razoável, pouca coisa acima do preço original (129 obamas) e comprei. Chegou em 2 semanas.

Para filmar é só apertar o botão do lado esquerdo, a luz acende (para os outros saberem que está filmando) e pronto. Os snaps vão para o telefone por bluetooth e depois é só editar e colocar no feed do Snapchat.

Os óculos carregam dentro da caixa que vem ou diretamente com o cabo. E ainda vem uma flanela formato fantasma para limpar as lentes.




Quem quiser ver os meus snaps: kmarselle.

E sim, isso é muito Black Mirror.

31.12.16

Vem 2017!

Todo ano tem seus momentos bons e ruins, mas 2016 foi um ano difícil para o Mundo. Muitas coisas aconteceram, claro que algumas boas mas a sensação é que as não tão boas foram em maior número. Houve discórdia, violência, e daqui para frente muita coisa vai ser diferente.

Foi um ano em que muitas celebridades queridas faleceram. No início do ano foi logo o genial David Bowie, no meio foi o Prince e agora no finalzinho foi o George Michael. Esses três rendem ótimas teses sobre imagem e música.

E também lá foi Carrie Fisher, a Princesa Leia, a melhor princesa de todos os tempos ever, para uma galáxia far far away.

Pessoalmente foi um ano bom. Teve Olimpiadas no Rio de Janeiro e eu aproveitei muito.

Depois de 2 anos só indo para o Rio, fiz viagens ótimas para lugares diferentes: NYC e Philadelphia, Praias Nordestinas e Alemanha.

Foi o ano que o Snapchat me pegou e agora é minha rede social favorita (mais ainda tchiamo Twitter!). Beijo no ombro para o Instagram Stories.

Finalmente fizeram uma ciclovia na Beira Mar de Fortaleza e agora posso pedalar tranquilamente para todo lado.

Então que venha 2017, não sei se estamos prontos mas como vem de qualquer jeito vamos aproveitar.

Feliz Ano Novo!


29.12.16

Momento TOC Livros (10)

Esse ano li pouco. Muito pouco. Só 12 livros, não é nem metade da meta que estabeleci ano passado (25 livros). Para o ano que vem não tenho meta e vamos ver quantos livros lerei.

Vou culpar a Netflix e as Olimpíadas pela pouca leitura em 2016 e não se fala mais nisso.

Mais da metade dos livros li em inglês, os títulos e capas me chamam mais a atenção, mas quase todos tem tradução para o português. Então para o ano que vem tentarei ler mais autores nacionais.

Li pouco mas metade desses livros tem mais de 500 páginas. Just saying.

Vamos aos livros de 2016.

- Attemping Normal - Marc Maron. Esse é um livro de histórias de vida do Marc Maron, que é um comediante americano. Ele abraça o lado loser da sua personalidade, faz uma autoanálise eficiente e é engraçado.

- Love Letters To The Dead - Ava Dellaira. É um livro teen. A Laurel recebe como dever de casa escrever uma carta para uma pessoa morta e ela começa pelo Kurt Cobain (foi isso que me pegou na sinopse). Acontece que é bem menos interessante do que parece. Ela escreve cartas para outras pessoas mortas mas só para contar sua própria vida (bobinha) e trauma depois que a irmã morreu num acidente.

- Calcinhas no Espaço - Carlos Cardoso. O Cardoso é uma celebridade do twitter e nesse livro ele conta histórias verídicas de pessoas que são pouco conhecidas, empresas que fizeram diferença mas poucas pessoas sabem, ou até fatos que foram mais comentados no Equador so que nos USA onde aconteceram. Inclusive o capítulo que conta a história que dá título ao livro é muito interessante. Assuntos polêmicos contados com humor. Tem um conto fictício. É de graça.

- A Little Life - Hanya Yanaghara. Esse foi o livro mais deprimente que li, ever. É muito bem escrito e falei dele nesse post.

- A Amiga Genial, História do Novo Sobrenome e História de Quem Foge e de Quem Fica - Elena Ferrante. Li três dos quatro livros dessa história sobre Lenu e Lila, BFFs que moram em Nápoles. O quarto livro só sai em português ano que vem. Confesso que tenho pouca paciência para os dramas italianos e muitas vezes acho a personagem principal, e narradora da história, Lenu, chatérrima (a Lila também não fica muito atrás), mas tem passagens muito bem escritas e a história se desenvolve bem. A primeira metade do primeiro livro beira o insuportável de tão chata (é sobre a infância delas nos anos 50), quase desisti, mas a segunda metade (elas já adolescentes) manteve meu interesse. O segundo livro é o melhor, muito bem escrito, tem duas passagens que valem a leitura. O terceiro livro é ok, mas não me deixou tão curiosa assim para ler o quarto. Inclusive, se alguém já leu e quiser me contar o que acontece, agradeço.

- Fates and Furies - Lauren Groff. Esse livro é sobre o casamento de Lotto e Mathilde. A primeira metade é toda contada na visão dele e a segunda metade do ponto de vista dela (e é beeeem mais interessante). É quase como Gone Girl mas sem psicopatas e a leitura da primeira metade é menos fluída. Se conseguir chegar na segunda metade vale a pena.

- Here I Am - Jonathan Safran Foer. Gosto muito do Jonathan Safran Foer, sempre leio os livros dele e comprei esse assim que saiu. O livro é sobre uma família judia que mora em Washington DC. Pai, mãe, três filhos, avós, cachorro e a dinâmica da família. É bem escrito, uma narrativa boa, e interessante até 2/3 do livro, aí no final a coisa meio que desanda, mas antes disso é muito bom.

- My Name is Lucy Barton - Elizabeth Strout. A Lucy Barton opera o apêndice e em decorrência da cirurgia ela tem algumas complicações que a mantém no hospital por mais tempo. Sua mãe, que ela não fala há anos, vem ficar com ela aí temos toda a história da Lucy contada, afinal ela é uma escritora. É um livro bom de ler.

- The Perpetual Astonishment of Jonathon Fairfax - Christopher Shevlin. Esse livro é uma comédia-thriller sobre uns documentos que são roubados de um político influente. Tem assassinato, perseguição, detetives particulares e um vendedor da Harrods. Tem até romance. Achei esse livro divertido e nada melhor do que humor inglês, especialmente depois de ter lido o drama excessivo das italianas de Nápoles.

- Moonglow - Michael Chabon - Nesse livro Michael Chabon conta a história de seu avô, e de sua família por tabela. Em 1990 ele foi até a casa de sua mãe na California visitar o avô que já estava doente e com a lingua solta louco para contar todos os babados da família. Claro que é uma versão romanceada e provavelmente muita coisa é inventada mas isso não interessa, é uma ótima leitura. O avô do Michael Chabon até que teve uma vida interessante mas os melhores capítulos são os que envolvem a avó.



Momento TOC Livros de anos anteriores:  
(1)(2), (3)(4), (5)(6), (7), (8) e (9)

16.12.16

Rogue One

(Um post sem spoilers)

Contei minha saga com o universo Star Wars nesse post sobre O Despertar da Força.

Rogue One é a história de como os rebeldes conseguiram os planos da Estrela da Morte que o Luke Skywalker destrói em Star Wars -A New Hope, que é o primeiro filme de todos, lá de 1977, mas que na ordem de todos os filmes seguindo a história cronologicamente é o filme 4.

Eu diria que Rogue One é o filme 3,9, porque na timeline da galáxia far far away Rogue One está bem pertinho (mas muito perto mesmo) de A New Hope. Eu diria que Rogue One trouxe mais sentido para A New Hope.

a ordem cronológica da história

Tudo nesse filme é bom.

Em Rogue One conhecemos Jyn e seu pai, Galen, no dia que o Krennic (diretor do Império, whatever that means, mas ele é patente alta) chega para levar o engenheiro para construir uma arma para o Império.

Jyn criança consegue se esconder, é encontrada por um dos rebeldes originais e cresce na clandestinidade. Quando a vemos outra vez, muitos anos depois, ela está presa.

Ela é liberada pela galera da rebelião porque eles sabem que um piloto do Império se rebelou e tem umas informações importantes sobre a tal arma.

Jyn se junta ao Cassian (um espião rebelde) e ao sensacional andróide K-2SO.

*Pausa para dizer que eu gostaria muito de ver um filme estrelado só pelos andróides: BB-8, R2D2, C3PO e K-2SO.*

Eles (e nós) ficam sabendo que a tal arma é a Estrela da Morte e existem uns planos escondidos num outro planeta que contém informação de como destruí-la.

E aí é um espetáculo de naves, lasers, Stormtroopers, rebeldes, um ninja quase jedi e muita emoção até esses planos chegarem onde tem que chegar.

Muitos momentos OMG!

Conseguiram fazer um filme com efeitos especiais modernos mas que casa muito bem com os filmes mais antigos.

Esse filme acabou de entrar na minha lista como o segundo melhor filme de Star Wars. O primeiro ainda é O Império Contra-Ataca (o segundo filme, de 1980, mas na ordem cronológica da história é o 5).

Só sei que se lançarem um filme Star Wars por ano e for que nem esse está bom demais!

A Tia Helô ia ficar com pena dos Stormtroopers (assim como eu, porque depois de ver O Despertar da Força a gente fica mais sensibilizada com a vida dos Stormtroopers). 514 "Ai, Jesus!" para os rebeldes de Rogue One.

12.12.16

Analisando a música: Masters of War (Bob Dylan)

Bob Dylan ganhou o Prêmio Nobel de Literatura esse ano. Premiação mais do que justa para esse poeta moderno.

Teve gente que reclamou porque ele não é escritor. Como não? Poesia não é literatura? E música não é poesia cantada? Ok, nem toda música tem letras poéticas mas as do Bob Dylan sim. Aliás o Bob Dylan mais declama suas músicas do que propriamente canta.

Bob Dylan surgiu na cena musical na década de 1960, e ele começou bem jovem. No meio do furor do rock n' roll (Beatles e tal) com músicas dançantes de refrões pegajosos (mas que a maioria era sobre amor ou dor de cotovelo), Bob Dylan quis escrever músicas sobre temas mais sérios e foi para o folk.

(Só queria dizer que dor de cotovelo é uma coisa muito séria para muitas pessoas. Né, Adele?)

O folk é um gênero mais voz e violão, músicas com letras melancólicas, realistas, sentimentos profundos, in your face.

Um ótimo filme sobre essa época e música folk é Inside Llewyn Davis onde o Oscar Isaac (eu coração Oscar Isaac) vive uma versão loser do Bob Dylan.

O filme I'm Not There, onde Bob Dylan é interpretado por diversos atores (incluindo a Cate Blanchett) é muito bom também.

Então o Bob Dylan começou fazendo muitas músicas de protesto como Blowin' In The Wind e The Times They Are a-Changing. Ele é um compositor prolífico e muitos outros artistas gravaram suas músicas.

Gosto várias músicas mas não posso me considerar conhecedora da discografia do Bob Dylan. Na verdade só gosto das músicas dele cantadas por outros artistas. Não gosto da voz do Bob Dylan. Pronto. Falei. Poeta genial, voz horrível.

Like a Rolling Stone na versão Rolling Stones, All Along The Watchwater pelo Jimi Hendrix, Lay Lady Lay pelo Duran Duran, Mr. Tambourine Man pelo The Byrds, Knockin' on Heaven's Door pelo Guns and Roses, I Shall Be Released pela Nina Simone (The Band tem uma versão ótima também), Make You Feel My Love pela Adele (e pelo Billy Joel), Forever Young pelo Pearl Jam, Kansas City pelo Marcus Mumford, Stuck Inside Mobile pela Cat Power, Girl Form the North Country pelo Eddie Vedder (QUALQUER música cantada pelo Eddie Vedder, mas isso é outro post) - a versão dessa música do Dylan com o Johnny Cash também é ótima.

Até a versão do Caetano Veloso de Jokerman acho melhor. E não curto a voz do Caetano.

Duas músicas que gosto, mesmo com Bob Dylan cantando: Most of The Time e Things Have Changed, música que ele compôs para o filme Wonder Boys e ganhou um Oscar.

Masters of War é de 1963 e é da fase músicas de protesto do Bob Dylan. Gosto dessa música especialmente porque o Pearl Jam faz uma excelente versão. Eddie Vedder sabe dar o tom de revolta que a música merece e por isso (e porque eu sou fã do Eddie Vedder) vou analisar essa.

Essa música é uma adaptação de uma música folk tradicional chamada Nottamun Town. Bob Dylan usou a melodia e fez uma letra atualizada.

Come, you masters of war
You that built all the guns
You that built the death planes
You that built the big bombs
You that hide behind walls
You that hide behind desks
I just want you to know
I can see through your masks

Bob Dylan disse que essa é uma música pacifista, que ele fez depois do discurso do Eisenhower ao sair da Casa Branca falando de um complexo militar-industrial. Bem, sabemos que essa coisa militar-industrial é um comércio de bilhões de dinheiros, mas é tudo para a defesa do mundo. Aham, Claudia, senta lá. (Sim, desenterrei esse meme).

Então, vejo essa música como uma carta super sincera do Bob Dylan para o pessoal que adora fazer guerra mas não vai de fato ao front pegar numa arma e atirar. Se bem que hoje fazem guerra com drones.

Mas o Bob Dylan já começa dizendo que consegue ver através de todas as máscaras desse pessoal que constrói armas, bombas e se esconde atrás de paredes em escritórios.

You that never done nothing
But build to destroy
You play with my world
Like it's your little toy
You put a gun in my hands
And you hide from my eyes
And you turn and run farther
When the fast bullets fly

"Vocês não fizeram nada além de construir para destruir. Vocês brincam com o meu mundo como se fosse seu brinquedinho, colocam uma arma nas minhas mãos, se escondem e são os primeiros a correr para longe quando os tiros passam voando."

Like Judas of old
You lie and deceive
A world war can be won
You want me to believe
But I see through your eyes
And I see through your brain
Like I see through the water
That runs down my drain

"Seus traidores, mentirosos, querem que eu acredite que uma guerra pode ser vencida. MAS eu vejo através dos seus olhos e seus cérebros assim como vejo através da água descendo pelo ralo".

Bob Dylan mandando ver na galera dos jogos de guerra! Bob, cuidado que eles tem armas (muitas).

You fasten the triggers
For the others to fire
Then you set back and watch
When the death count gets higher
You hide in your mansion
As young people's blood
Flows out of their bodies
And is buried in the mud

Mas o Bob Dylan sabe que são covardes. Eles apertam os gatilhos para os outros atirarem. Ficam vendo só de longe, em suas mansões, enquanto o sangue dos jovens escoa de seus corpos para a lama.

You've thrown the worst fear
That can ever be hurled
Fear to bring children
Into the world
For threatening my baby
Unborn and unnamed
You ain't worth the blood
That runs in your veins

E Bob joga na cara deles que conseguiram infligir nas pessoas o medo de não querer colocar filhos no mundo por ser um lugar perigoso. Olha, Bob, sinceramente, acho que as pessoas tem filhos de qualquer jeito, porque se realmente se preocupassem com a situação do mundo a população mundial diminuiria.
Na música o Bob já está pensando em ter filhos porque diz que estão ameaçando seu bebê que nem nasceu ainda. (Só para constar: Bob Dylan tem 6 filhos.)

How much do I know?
To talk out of turn
You might say that I'm young
You might say I'm unlearned
But there's one thing I know
Though I'm younger than you
Even Jesus would never
Forgive what you do

Aí Bob Dylan (que na época que escreveu essa música tinha uns 21 anos) diz que é novo, e que pode até ser inculto, mas ele tem certeza que Jesus nunca vai perdoar esses mestres da guerra. PAH! Nem Jesus nem ninguém.

Let me ask you one question
Is you money that good?
Will it buy you forgiveness?
Do you think that it could?
I think you will find
When your death takes its toll
All the money you made
Will never buy back your soul

"Vem cá, deixa eu te fazer uma perguntinha: O seu dinheiro é tão bom assim?? Vai te comprar perdão? Você acha que sim? Eu acho que quando a morte bater na sua porta todo esse din din não vai comprar sua alma de volta." É mestres de guerra, o diabo paga bem pela alma, mas cobra muito mais caro para vender de volta (se é que ele vende de volta).

And I hope that you die
And your death will come soon
I will follow your casket
In the pale afternoon
And I'll watch while you're lowered
Down to your deathbed
And I'll stand over your grave
'Till I'm sure that you're dead

E aí para terminar o Bob Dylan diz logo que quer que todos os mestres de guerra morram, e logo. Que ele vai seguir o caixão, vai vê-lo ser colocado a sete palmos e ainda vai ficar em cima até ter certeza que estão mortos. Eitaaaaaaa! PAH! BUFO!

E é assim que se xinga, ameaça, provoca, joga na cara e ainda diz que quer ver alguém morto de forma poética. Acho que isso vale sim um Nobel de Literatura. (Ainda mais levando em conta que o Alfred Nobel que criou os prêmios é o mesmo que inventou a dinamite.)
Palmas para Bob Dylan.


O Pearl Jam tem algumas versões dessa música, essa é quando eles se apresentaram no programa do David Letterman. Eddie Vedder não canta a letra inteira e troca muitos I por We, troca a ordem de duas estrofes e fica ótimo.

Ninguém dá ênfase a frase "Is you money that good?"como o Eddie Vedder.



Para quem quiser, uma versão do Pearl Jam com a letra inteira, cheia de sentimento é essa ao vivo no Benaroya Hall em 2003. O video é péssimo mas o som está ótimo.



Ed Sheeran tem uma versão muito boa dessa música:




Bob Dylan cantando (mas ele não canta a letra inteira).



9.12.16

Novas séries

Westworld - Uma série sobre um parque de diversões que simula o velho oeste americano e tem robôs como anfitriões. Chamá-los de robôs é reduzi-los a simplicidade, para serem humanos falta só consciência. Oh, wait, é isso que acontece. Os anfitriões que repetem loops de suas narrativas começam a lembrar de coisas que aconteceram em outras narrativas e aí muito papo filosófico, músicas excelentes que encaixam nos personagens, cenas que deixam o telespectador confuso, muita gente pelada (afinal é HBO) e quando chega no fim só resta voltar e ver tudo outra vez. (E tem tempo para ver tudo várias vezes, afinal a segunda temporada é só em 2018)
É série para ficar filosofando com os amigos.
A trilha sonora de Westworld está disponível no Spotify e é muito boa. Exti Music (For a Film) do Radiohead ficou linda instrumental.

The Crown - a história da Rainha Elizabeth II desde seu casamento com o Príncipe Philip e os 10 primeiros anos de sua coroação. É uma série muito bem feita, valeu cada centavo que a Netflix investiu. E se não quiser ver tudo, veja o episódio da coroação, é sensacional.

This is Us - pega a caixa de lencinhos porque todo episódio dessa série é uma penca de lágrimas. É uma série sobre família, pais e filhos, irmãos, casais. Não posso contar muito porque logo no primeiro episódio tem um twist interessante. E o Milo Ventimiglia está bem demais nessa série.

Gilmore Girls - ok, essa é antiga mas a Netflix lançou 4 novos episódios contando um ano na vida de mãe, filha e avó depois que as vimos pela última vez. Eu fiz uma maratona das 7 temporadas (claro que muitos episódios em fast forward) só para chegar com tudo fresco na memória para esse revival.
Achei os 4 episódios bons: o Inverno é interessante, a Primavera trouxe os conflitos, o Verão é um pouco paradão e o Outono é o melhor. Foi bom rever os personagens, as aparições especiais, as maluquices da cidadezinha, as falas rápidas e várias referências pop. As quatro palavras do final nem me surpreenderam tanto assim mas deixou muita gente com vários sentimentos (raiva e curiosidade).

6.12.16

Analisando a música: Aqua Profunda (Courtney Barnett)

Semana passada voltei a fazer natação. Há anos não treinava os 4 estilos numa piscina e nadar é sempre um ótimo exercício.

Aí hoje estava indo para a piscina e tocou essa música da Courtney Barnett no shuffle.

Até novembro desse ano eu não sabia quem era essa cantora de Melbourne. Comprei um ingresso para um show dela junto com um show do Edward Sharpe and the Magnetic Zeros no Circo Voador sem conhecer nenhuma das duas bandas.

Até baixei o único album dela para escutar durante a corrida, mas choveu tanto no Rio que não corri. Então cheguei no Circo Voador sem conhecer uma música dela. (E, sim, eu costumo ver shows de bandas que não conheço e acho divertido)

Gostei muito do show dela, um rock básico, cru, de garagem. No palco só ela, um outro guitarrista e um baterista. E tocaram direto por pouco mais de uma hora com umas projeções maravilhosas de desenhos (que depois descobri que a própria Courtney desenha).

Voltando a natação. Só hoje reparei na letra dessa música e dei uma risada. Aqua Profunda é do primeiro (e único até agora) album da Courtney Barnett que tem o excelente título: Sometimes I Sit And Think, And Sometimes I Just Sit.

Como boa australiana, a Courtney escreveu uma música que envolve água. Vamos ver o que acontece nas águas profundas.

I saw you in the lane next to me
You were doing freestyle
Then you switched it around to a little bit of backstroke
I couldn't see you underneath
Your swimming cap, but it appeared that you had
Dark colored hair, maybe it was blonde for all I know

Essa é uma música sobre uma paquera na piscina. Quem nunca?
Ela começa contando que viu o paquerinha na raia ao lado e ele estava nadando crawl (também conhecido como: nado livre) e virou para nadar costas. É um atleta.
Ela não podia ver o que tinha embaixo da toca, se ele era moreno ou loiro. Ou ruivinho.
Acho que não foi bem a cor do cabelo o que atiçou a curiosidade, just saying.

I had goggles on
They were getting foggy
I much prefer swimming to jogging
I tried my very best to impress you
Held my breath longer than I normally do

Ela diz que estava de óculos de natação e que estavam ficando embaçados. Te entendo Courtney, é um saco óculos embaçado.
Ela diz que prefere nadar a correr. Aí já não sei se concordo. Nadar é ótimo, mas vamos combinar que depois de umas 30 voltas na piscina só olhando os azulejos fica um pouco chato. A corrida pode cansar mais no início, mas correr com vista é uma delícia.
Voltando as estratégias de paquera na piscina, ela tentou segurar o fôlego por mais tempo só para impressionar.
Adianto que essa tática não é boa. Quem é que repara se a pessoa está segurando fôlego embaixo d'água na raia do lado??

I was getting dizzy, my hair was wet and frizzy
Felt my muscles burn, I took a tumble
Turn for the worse, it's a curse
My lack of athleticism
Sunk like a stone
Like a first owners home loan
When I came to, you and your towel were gone

Claro que ela começou a ficar tonta, sentiu os músculos queimando, aí acho que tentou sair da piscina, caiu e afundou que nem uma pedra. Total falta de talento esportivo e ainda diz que é maldição. Não Courtney, é só falta de treino mesmo.

Aí alguém deve ter tirado ela da piscina e quando acordou viu que o paquera e a toalha dele tinham ido embora. Fuén, fuén, fuén..... FAIL.

Courtney, troca de piscina.



Esse video não é oficial (acho que nem tem), mas ficou muito bom!