30.11.15

Analisando a música: You've Got Time (Regina Spektor)

A Renata pediu para analisar essa música e sempre tento atender os leitores. :)

Regina Spektor é uma cantora e compositora russa (filha de uma professora de música e um violinista amador) que foi morar com a família nos EUA com 9 anos de idade. Regina estudou piano clássico mas depois se interessou por outros ritmos (inclusive punk). E as músicas dela (as que conheço) tem um pouco de tudo: folk, jazz, clássica e rock. A wikipedia diz que ela é anti-folk (oi?), indie folk, indie pop, jazz e barroco (!), ou seja, vale tudo.

A primeira música que escutei foi Us na ótima trilha sonora de (500) Dias com Ela. Não conheço bem a discografia dela, mas tem algumas músicas que gosto.

Regina Spektor já abriu show de bandas como: The Strokes, Kings of Leon e Keane.

You've Got Time (que eu coloco na categoria rock) foi composta para a série Orange is The New Black, da Netflix. A série é sobre a Piper, que vai presa depois de ser condenada a 15 meses por ter se envolvido no transporte de uma mala de doletas proveniente do trafico de drogas. A vida como ela é numa prisão feminina. A primeira temporada é muito boa, gostei. Desisti na metade da segunda temporada, já teve terceira e vai ter quarta.

Então vamos saber o que diz You've Got Time.

The animals, the animals
Trapped, trapped, trapped 'til the cage is full
The cage is full
Stay awake
In the dark, count mistakes
The light was off but now it's on
Searching the ground for a bitter song
The sun is out, the day is new
And everyone is waiting, waiting on you
And you've got time

A Regina Spektor foi convidada pela criadora da série para compor a música de abertura. A Regina teve acesso a alguns episódios não editados e disse que compôs a música imaginando como seria estar presa e o estado de espírito das pessoas lá dentro.
Então os animais estão presos na jaula, e a jaula está lotada (isso porque a Regina Spektor nunca viu uma prisão brasileira). E quem dorme tranquilo na prisão? Como não dá para contar carneirinhos é melhor rever os erros. Sem contar que a prisão tem toda uma dinâmica social própria.
A vida na prisão é rotineira, limitada, sempre a mesma coisa, tempo não falta. E tem as pessoas do lado de fora que estão esperando (no caso da Piper é o noivo).
Mas vamos combinar que as pessoas do lado de fora não ficam sentadas esperando, a vida segue.

Think of all the roads
Think of all their crossings
Taking steps is easy
Standing still is hard
Remember all their faces
Remember all their voices
Everything is different
The second time around

Essa parte da música é mais calma, sem a batida forte do início. O tempo na prisão serve para refletir então dá para pensar em muitas coisas principalmente nos erros, nos caminhos e cruzamentos que levaram a essa situação. Ficar parada é difícil (e enclausurada).
Quando ela fala em lembrar dos rostos e vozes acho que é tanto das pessoas que estão fora esperando quanto das que estão lá dentro. Na série não é só a história da Piper que é contada, tem várias coadjuvantes ótimas.
E saber que tudo é diferente na segunda vez (tanto quando sai ou quando volta para prisão - porque isso é comum.)
Nunca fui presa (toc toc toc bate na madeira) mas visitei Alcatraz e lá davam uns fones de ouvido com os presos relatando suas experiências. Só queria sair correndo (no caso, nadando) de lá, imagina quem ficou preso.

The animals, the animals
Trapped, trapped, trapped 'til the cage is full
The cage is full
Stay awake
In the dark, count mistakes
The light was off but now it's on
Searching the ground for a bitter song
The sun is out, the day is new
And everyone is waiting, waiting on you
And you've got time

Volta a ótima batida. A música é uma referência direta a vida na prisão mas numa interpretação mais ampla pode ser sobre a frustração de estar presa/parada numa fase da vida que não anda.


Não tem video oficial porque foi para abertura da série, mas na abertura não toca a música inteira, então aqui vai um video-audio.




A ótima abertura da série é essa.


29.11.15

+Filmes

Mr. Holmes

Um filme sobre a velhice do Sherlock Holmes. O Ian McKellen faz o Sherlock idoso e ele viveu muito anos. O que atormenta o Sherlock no fim da vida é que ele já não se lembra muito bem das coisas.
O filme vai e vem no tempo entre o Sherlock resolvendo seu último caso (já sem o Watson que casou e mudou da casa), a viagem dele ao Japão e os dias na sua casa de praia cuidando das abelhas. Na casa de praia ele tem uma empregada que faz as coisas mas não gosta muito dele (porque Sherlock ainda é Sherlock e a tendência é piorar com a velhice). A empregada tem um filho que fica no pé do Sherlock e os dois acabam ficando amigos.
Achei esse filme um pouco mais deprimente do que esperava mas é bom.
A Tia Helô diria 23 "Ai, Jesus!" Para sherlock e suas abelhas.


Everest

Esse filme conta a história real de pessoas que subiram o Everest em 1996 e algumas delas ficaram por lá mesmo. Congeladas.
No início do filme um jornalista pergunta aos escaladores por que querem subir ao topo do Everest e nenhum deles consegue dar uma resposta convincente (nem o carteiro que sobe pelas criancinhas).
O filme mostra a preparação pré subida (pelo menos 40 dias aclimatizando com a montanha e aquela altitude absurda) e não é fácil. Passam mal mas não desistem.
O ser humano é muito louco, mais loucos ainda são esses que passam por toda desgaste físico (e psicológico) só para tocar no cume da montanha e voltar (nem apreciam a vista direito).
Depois li uma entrevista com o jornalista Jon Krakauer (o filme foi baseado no seu livro No Ar Rarefeito) que disse que foi mal retratado no filme e que era tudo besteira: "Subir o Everest não é escalada de verdade, é escalada para pessoas ricas. É um troféu na parede e depois nunca mais fazem nada."
É daqueles filmes que você já sabe o que vai acontecer e os efeitos são muito bons.
A Tia Helô diria uns 732 "Ai, Jesus!" para esses loucos.


23.11.15

Pearl Jam



O primeiro show do Pearl Jam que vi foi há 10 anos (em 2005) quando eles vieram ao Brasil pela primeira vez. Perdi o de 2011 e 2013 mas não deixei o dessa vez passar.

Escrevi bastante sobre a banda (e sobre minha fase grunge) no analisando a música que fiz de In Hiding. Sou fã da banda desde 1991 e fã-quase-a-nível-de-gritinhos do Eddie Vedder.

O show de 2005 foi excelente, era a primeira vez que a banda vinha aqui e a platéia estava toda em sintonia. O palco era básico, só a banda e um telão, tocaram mais músicas dos albuns mais conhecidos e o Eddie Vedder é carismático pacas e foi muito simpático.

Dessa vez foi um pouco diferente. Não fui na pista (os ingressos acabaram) mas até que gostei da arquibancada. O palco ainda é básico (que acho ótimo) mas o jogo de luz foi um super upgrade e as imagens no telão fantásticas (uma boa parte em preto e branco). Músicas mais recentes mas os grandes hits estavam lá: Black, Even Flow, Alive, Jeremy, Better Man, etc. Um dos covers da vez foi a ótima Comfortably Numb do Pink Floyd que na voz delícia do Eddie Vedder fica sensacional (também teve Rockin in The Free World do Neil Young). Ele também cantou Imagine no momento homenagem a Paris, confesso que já saturei dessa música mas na voz dele....até curti.

Quando tocaram Given To Fly o video no telão era do Rio de Janeiro filmado por um drone (eu acho) e terminava nas pessoas entrando para o show no Maracanã. Ficou lindo.

Gosto de toda a banda, adoro o Matt Cameron que é o baterista (e nem fez solo dessa vez), mas não tem como não falar do Eddie Vedder como frontman. Além da voz maravilhosa (a-do-ro), ele estava muito a vontade, falou um bocado em português (lendo do papel), estava de bermuda e camisa xadrez como nos tempos do Ten e, inclusive, pulava e corria pelo palco como se fosse 1991. Ele chamou um camarada que estava na platéia com um cartaz "é meu aniversário deixa eu cantar uma música com você" para o palco, ofereceu uma cerveja e deixou o cara cantar a primeira estrofe de uma música - Porch - (que o cara, por sinal, cantou muito bem).

A melhor parte foi quando no fim de Alive jogaram uma sunga vermelha da platéia, ele pegou e perguntou: "For me?". Primeiro colocou na cabeça e depois vestiu por cima da bermuda e deu uma reboladinha. Tomou uma cachaça depois de correr pelo palco com a bandeira nacional e até quebrou uma guitarra Pete Townshend style. E ele não queria sair do palco, acho que só foram embora porque passou da hora mesmo.

Eu gostei de tudo, nem me incomodei com Last Kiss (a banda tem covers muito melhores que esse) e nem com algumas pessoas mal educadas na platéia (um beijo para a tia chata do meu lado que tomou um merecido banho de cerveja).

Volta logo Pearl Jam que eu vou outra vez.

17.11.15

Maracanã





A primeira vez que fui no Maracanã eu tinha 12 anos. Fui com um amigo do prédio, o pai dele (que nos levou) e uma americana que estava hospedada na minha casa. Fomos ver um Fla x Flu e foi emocionante. Foi quando me tornei flamenguista.


Naquela época o estádio ainda era praticamente o mesmo desde 1950, quando foi construído para Copa daquele ano. Tinha cadeiras que ficavam embaixo da arquibancada, ainda tinha geral (um fosso entre as cadeiras e o campo onde os ingressos eram mais baratos e as pessoas viam praticamente os pés dos jogadores) e os banheiros eram podres.



De lá para cá fui várias vezes ao estádio tanto para ver jogos quanto para shows (Rock in Rio 2, Sting, Rolling Stones, The Police).

O Maracanã passou por várias reformas e a última foi para Copa de 2014. Eu ainda não tinha ido no estádio depois dessa última reforma então hoje fui até lá buscar uns ingressos (para mais um show - Pearl Jam), aproveitei e fiz o tour guiado.



O tour começa pela área de imprensa que tem uma ótima visão do campo. Depois vai até a tribuna de honra (com cadeiras confortáveis), entra num camarote, desce até a parte das cadeiras do Maracanã mais (cadeiras com direito comida e bebida), vai para o vestiário e o campo, e termina na sala de entrevistas.



O Maracanã hoje é um estádio ecológico, tem painéis solares e faz captação da água da chuva que usa nos banheiros e no campo.



A guia conta várias curiosidades (onde a Alemanha fez o gol da vitória na Copa de 2015, histórias de alguns jogos e jogadores, etc), a mais curiosa foi que o maior público que o Maracanã teve foi de 250 mil pessoas num show do Kiss. Isso mesmo. Kiss. Rock n' roll all night and party every day.



O estádio está aberto a visitação todos os dias e pode ser visitado com tour guiado ou sem guia. A única diferença entre os dois além do preço e do guia, óbvio, é que o tour guiado visita um dos camarotes (o que não achei nada especial). Para chegar lá o melhor jeito é pelo metrô, na saída da estação Maracanã tem uma rampa e a bilheteria e entrada para o tour fica no fim dela. Mais informações no site do Maracanã.

O tour no estádio vazio é bacana, mas bom mesmo é o Maracanã cheio em dia de jogo.

5.11.15

007 contra SPECTRE




Quando o Daniel Craig começou a fazer o James Bond em Cassino Royale (2006, ótimo) foi como um recomeço da série, afinal o filme começa com ele ganhando o 00 e sua licença para matar.

Aí veio Quantum of Solace que é bom, confesso que não me empolguei muito, mas ver o James Bond em ação sempre vale a pena.

Skyfall de 2012 é provavelmente o melhor filme do 007 evah! Nele o James Bond quase morre, volta, tem que suar para conseguir voltar a ser o agente da M6 e o vilão é sensacional.

Esse filme novo funciona como um encerramento do ciclo e não é a toa que a sequência inicial passa na festa do dia dos mortos no México. Lá o James Bond está seguindo uma investigação inciada pela M antes dela kaput no Skyfall.

Claro que ele está fazendo tudo isso sem autorização do novo M (Ralph Fiennes) e também explode alguns milhões de libras no processo (haja helicópteros). Acontece que o James Bond, além de ser macho-que-é-macho, tem amigos (Q e Moneypenny) que o ajudam a desvendar o mistério do SPECTRE (que é uma organização dedicada a dominação mundial).

E voltaram aos vilões megalomaníacos que marcaram os filmes com o Sean Connery e Roger Moore. Esse é um filme cheio de auto referências e ajuda se você assistiu os outros filmes com o Daniel Craig e alguns dos mais antigos.

Gostei desse filme, a ação é ótima, James Bond sempre bem vestido e muito elegante (os looks dele no deserto e na neve são impecáveis), Daniel Craig corre como poucos na tela do cinema, tem os apetrechos tecnologicos, as piadinhas estão lá, gosto do M do Ralph Fiennes, o Q é divertido e adoro a Moneypenny. A Monica Bellucci faz uma participação pequena mas essencial e a bond girl da vez é a francesa Léa Seydoux (que deu conta do recado mas não é a Eva Green).



Duas coisas não curti. A música sonolenta do Sam Smith (nem com a sequência dos créditos melhorou) e o Christoph Waltz. Acho o Christoph Waltz chatérrimo, para mim ele só foi bem em Bastardos Inglórios. Nesse filme fiquei um pouco decepcionada de terem entregue a ele um vilão icônico do mundo Bond, mas ainda vale o ingresso do cinema.

A Tia Helô iria dizer uns 425 "Ai, Jesus!" especialmente para a sequencia cheia de caveiras no início e sem largar o martini.

Dizem que esse é o último filme do Daniel Craig como James Bond. Se for, acho um fim justo para o ciclo dele, que venha o próximo!