31.5.22

Top Gun Maverick

Quando o primeiro filme Top Gun Ases Indomáveis estreou no cinema, em 1986, era uma adolescente e fui ver com os amigos. Gostei tanto que voltei no cinema para ver mais duas vezes. Ao longo desses 36 anos perdi a conta do tanto de vezes que já vi esse filme: em VHS, no supercine, na sessão da tarde, DVD, na tv a cabo e no streaming. Vi dublado e legendado. A última vez que vi foi um dia antes de ver Top Gun Maverick no cinema.


Nunca imaginei que veria um segundo filme de Top Gun mas quando o Tom Cruise se animou com o roteiro desse e começou a filmar já fiquei atenta. Esse filme era para ter sido lançado em junho de 2020 mas aí pandemia e tivemos que esperar 2 anos. Valeu a pena.

Quando Top Gun Maverick começa a sensação é de estar lá em 1986 só que num cinema com tela IMAX e som surround pica das galáxias. Tudo na cena dos créditos inicias é quase igual a início do primeiro filme, nos dando um conforto e preparando para o que viria a seguir na velocidade mach 10.

Feel the need, the need for speed!

É um filme que soube usar a nostalgia a seu favor e deu um salto a frente.

Como disse o Daniel Galera no Twitter: "...os momentos iniciais do "Top Gun" novo visto no IMAX, os créditos de abertura e as primeiras cenas são a melhor experiência de cinema em anos. A trilha e as imagens se esgueiram devagarinho, apertando todos os botões certos. Arte."

Pete Mitchell não tem o codinome Maverick a toa, ele é essa pessoa arrojada, as vezes inconsequente, que desafia as regras e gosta de correr riscos.

Pete Mitchell ainda é capitão depois de três décadas, mas ele quer continuar sendo esse piloto na ativa e faz o que pode (ou não pode) para permanecer assim. Quando começa o filme ele é um piloto de testes de um avião novo hipersônico que a marinha quer cortar do orçamento porque afinal de contas os drones fazem tudo e pilotos tem que ir ao banheiro. Maverick leva esse avião a extremos e acaba custando várias dezenas de milhões de doletas ao governo.

Acontece que precisam de alguém para treinar os pilotos para uma missão muito difícil (quase suicida) e Jon Hamm (o novo Almirante) diz para Maverick: "Your mission, should you choose to accept it," NÃO, pera, esse é o outro filme do Tom Cruise.

Então, o Almirante Lindão já diz que não gosta do Maverick, que ele só está ali pela indicação do Iceman (Val Kilmer) e também porque, vamos combinar, ele é o melhor piloto de todos os tempos ever. Iceman e Maverick continuaram amigos ao longo dos anos e o encontro dos dois emociona.

Maverick chega para conhecer os pilotos que ele vai escolher para fazer parte da missão. Tem o ótimo Hangman, que poderia ser filho do Maverick com o Iceman; a girl power Phoenix, o nerd Bob, o filho do Goose que é o Rooster, e vários outros.

Tem uma tensão entre Maverick e Rooster (o ótimo Miles Teller) e umas coisinhas que aconteceram no passado recente mas que acaba sempre levando a memória da morte do Goose.

Maverick começa o treino e mostra que eles são os melhores pilotos mas ainda tem muito o que aprender.

As cenas dos aviões são ESPETACULARES. O Tom Cruise se dedica e assim ele faz com que todos os outros façam o mesmo. Não tem tela verde nesse filme e faz toda a diferença. O diretor desse filme é o Joseph Kosinski, que dirigiu Oblivion (também com o Tom Cruise) e é um cara com uma visão estética apurada.

Não tem o vôlei de praia shirtless, mas tem o futebol americano shirtless (e de calça/bermuda jeans na beira da praia). 

Esse filme mantém a rivalidade entre os pilotos, afinal são muito competitivos, mas com menos testosterona.

A Jennifer Connelly faz a Penny Benjamin, que no primeiro filme não aparece mas ela é mencionada duas vezes como a filha do almirante que o Maverick levou para um passeio. É uma personagem que sabemos de cara que tem uma história com ele. E, gente, que casal bonito! A camera ama Tom Cruise e Jennifer Connelly.

Top Gun Maverick é melhor do que o primeiro filme por vários motivos mas principalmente por que nesse tem o Tom Cruise correndo.

O primeiro filme só tem UMA coisa que é melhor do que esse: a trilha sonora. Top Gun Maverick tem Lady Gaga mas Hold My Hand não é nenhuma Take My Breath Away, nem Playing With The Boys e nem Danger Zone (que toca nesse filme).

Não sei se a Tia Helo alguma vez viu o primeiro Top Gun mas acho que ela gostaria desse segundo. 726 "Ai, Jesus!" para todas as vezes que os pilotos levam um G a mais na cara.

Voltarei ao cinema para ver outra(s) vez(es)? Sim ou com certeza?

30.5.22

+ Filmes e Séries

 Filmes

Doutor Estranho no Multiverso da Loucura - Gosto do Dr. Estranho, o primeiro filme dele é muito bom, conta sua origem, mas parece que agora ele existe só para consertar os erros dos outros heróis. Esse segundo filme foi dirigido pelo Sam Raimi e tudo que é marca registrada dele no filme eu gostei. O que eu não gostei é que esse filme é mais a história da Wanda (a Feiticeira Escarlate) do que do Dr. Estranho. Wanda é a vilã desse filme e ela até é uma vilã interessante porque é muito poderosa. Acontece que para entender como a Wanda foi de ser uma dos Vingadores para a vilã desse filme tem que ver a série Wandavision e uma outra série chamada What If. Eu não vi nenhuma das duas, não me importo com a Wanda nem com o Vision para ver Wandavision e fiquei com preguiça de uma série baseada em possibilidades, mas os geeks me contaram o que aconteceu e eu pude entender mais ou menos o que estava acontecendo. Anyway, a menina nova que tem o poder de pular por multiversos é boa e a cena das notas musicais é incrível de boa.

Deserto Particular - filme nacional do ano passado que agora está na Amazon Prime. Daniel é um policial que está afastado por alguma coisa que aconteceu. Ele as vezes trabalha de segurança e tem uma namorada virtual chamada Sara. Um dia a Sara para de responder as mensagens dele e ele decide ir atrás dela no interior da Bahia. Esse filme é muito bom, as vezes esperamos algumas reações das pessoas mas elas podem surpreender.

Along For The Ride - Filme teen sobre uma menina que antes de ir para faculdade vai passar o verão com o pai (e sua nova esposa grávida) numa cidade de praia. Lá ela conhece as meninas locais e um rapaz que aparece de vez em quando no pier. Ela fica amiga do rapaz. Não tem nada demais, é bobinho, mas pelo menos os problemas dos adolescentes desse filme são menos dramáticos. (NETFLIX)

After Yang - Um filme sobre uma família que tem uma filha adotada que é chinesa e, para fazer companhia a ela, compram um androide chinês, o Yang, que vai ensinar a língua e curiosidades para a menina. Um dia o Yang desliga e não liga mais. O pai leva o Yang (que ainda está na garantia) para o conserto só para descobrir que Yang kaput de vez e a única coisa que ele pode talvez fazer é preservar as memórias do andróide. Através de uns óculos modernos o pai (que é o Colin Farrell) consegue ver tudo que o Yang via e descobre que ele tinha uma amiga. É um filme quase que contemplativo, é tudo muito lento mas passa rápido, e é num futuro próximo que pelo menos não é apocalíptico. É muito sobre o que fazer com as memórias de alguém que não existe mais e perceber que as pessoas vivem vidas fora do que conhecemos. E tem a MELHOR cena inicial de créditos do ano.


Séries

Outer Range (Além da Margem) - uma série que parece um mix de Lost com cowboys. Tem duas famílias que disputam um pedaço de terra, são rivais. Uma das famílias tem o terreno onde tem um buraco misterioso. Quando alguém cai nesse buraco aparentemente viaja no tempo, mas nada é muito explicado. Um dia os filhos da familia Abbott brigam com os filhos da familia Tillerson e um deles morre. O papai Abbott joga o corpo no buraco que some mas depois de uma semana reaparece no meio do mato. Tem a Sherife que tenta investigar as coisas, tem uma hippie misteriosa que acampa no terreno dos Abbott e tem um dos filhos Tillerson que faz tudo cantando. Achei bizarra mas verei a segunda temporada. (Amazon Prime Video)

Conversations With Friends - acho que o multiverso da Sally Rooney está sendo criado com essa segunda série baseada num livro dela. Adorei a série Normal People e como essa foi feita pelas mesmas pessoas claro que vi. Esteticamente é tudo muito parecido com Normal People, inclusive tudo filmado em Dublin. É como se fosse Normal People com outros personagens. Só que com personagens frustrantes. Não li o livro então não posso comparar. Nessa série temos a história de 4 pessoas: Frances e Bobbi, duas universitárias que foram um casal mas agora são só amigas, e Nick e Melissa, um casal na casa dos 30 anos, ela escritora e ele ator. Frances e Nick ficam íntimos e torta de climão. Não sei se no livro eles conversam mais, na série é uma comunicação errada atrás da outra. Gostei muito do Nick e só. Passei a série revirando os olhos para essas meninas de 20 anos mas aí no final, bem no final mesmo, o Nick vai e fala uma frase tão boa, mas tão boa que eu teria respondido a mesma coisa que a Frances. Aguardo a série de Belo Mundo, Onde Você Está (que foi o livro da Sally Rooney que mais gostei).

Make or Break - Série documentário sobre os top 5 surfistas do circuito mundial, sendo que 3 deles são brasileiros. São 8 episódios que falam dos brasileiros, dos iniciantes, das mulheres, dos surfistas que começaram muito novos (já com apoio e patrocinio) até chegar na final do campeonato. Tem muitas ondas boas. Eu gostei do episódios Boys to Men (a pressão que o Kanoa Igarashi tem nas costas não é fácil), Chasing The Queen (sobre a australiana Stephanie Gilmore) e Conquering Demons (sobre o brasileiro Filipe Toledo). Tem muito Gabriel Medina (que acho um surfista muito elegante nas ondas) e Italo Ferreira (medalha de ouro nas Olimpiadas de Tóquio). (Apple TV+)

Shinning Girls - Série com a Elizabeth Moss (Handmaid's Tale) e Wagner Moura. Ele é um jornalista que começa a cobrir um caso de assassinatos de mulheres que vem acontecendo há 20 anos. Ela é uma pesquisadora do jornal que foi atacada brutalmente há alguns anos. Mas alguma coisa estranha acontece com ela em que as coisas ao redor dela mudam. Exemplo: ela pode chegar em casa e ao invés de estar morando com a mãe, estar casada com um fotografo. É confusa e as coisas só começam fazer sentido depois do episódio 4. São 8 episódios e vi 6 até agora. Jamie Bell é o vilão e ele é assustador. (Apple Tv+)

Made for Love - Segunda temporada dessa série sobre Hazel e Byron, um casal onde ele é um magnata da tecnologia e colocou um chip na cabeça dela. Na primeira temporada eles moravam numa espécie de complexo e ela consegue fugir, só que no fim da temporada ela volta para o complexo porque ele promete cuidar do pai dela (que está doente mas não que tratamento). Na segunda temporada o FBI infiltra um agente no complexo que pede ajuda da Hazel. O chip foi retirado da cabeça dela mas a consciência foi armazenada e quer liberdade. Essa série é muito doida mas é boa. (HBO Max)

The Staircase - série sobre o caso real do escritor que foi acusado de matar a esposa na escada de casa. Existe um documentário e essa série é o que aconteceu mas também tem o pessoal que vai fazendo o documentário. Colin Firth e Toni Collete estão ótimos. (HBO Max) 

23.5.22

Os clichês de novela coreana

Quando comecei a ver as novelas coreanas achei que não ia passar de 4, mas aí veio Vincenzo e entrei de vez no vortex das novelas coreanas. Até agora já vi umas 15 (ou mais) novelas coreanas, fora as várias séries que vem da Coréia do Sul.

Novela coreana é diferente de série coreana. A diferença, além do numero de episódios (séries são mais curtas e objetivas), é o tanto de clichês que as novelas coreanas tem.

E sim, tem novela coreana disfarçada de série coreana, as vezes com duas temporadas. Como saber? Os clichês, é claro.

Clichê não é ruim, é apenas uma repetição que acontece nas produções, como: perseguição de carro em qualquer produção que vem dos EUA, o bandido que corre quando vê os policiais em Law and Order, bordão em novela brasileira, irmão gêmeo aparecendo do nada em novela mexicana, gente voltando da morte em novela venezuelana, heróis que usam um boné como disfarce nos filmes da Marvel e por aí vai.

Nem toda novela coreana tem todos os clichês mas pelo menos quatro ou cinco deles tem, até nas mais recentes que estão mudando e tem menos clichês. E claro que tem novela coreana que faz o bingo dos clichês, especialmente se for romance. 

Aqui está a lista de clichês que fiz para uma amiga tentando convencê-la a ver novela coreana (nem que seja para tentar o bingo).

- Camera Lenta - haja camera lenta. E é pra tudo: gente andando, violencia, beijo, mãos dadas, passadas, puxões, etc.


- Nos romances tem sempre uma cena que o cara puxa o braço da mulher. Aparentemente isso é ok e até romântico para os coreanos.


- Mas pegar no braço é diferente de pegar na mão. Pegou na mão é namoro.

 

- A cena do tropeço. Alguém vai tropeçar e cair e o outro vai amortecer a queda. Tudo em camera lenta, claro. 


- Nos romances os casais andam numa velocidade irritante de lenta. Quando o cara chama a menina para um passeio as tartarugas parecem o Usain Bolt. 


- Sempre tem alguém que foi adotado ou que mãe ou pai morreram (as vezes os dois).


- Nos romances os personagens do casal central se encontraram em algum ponto antes do momento da novela (e vai ter esse flashback). Ou na infância, ou adolescência, ou até se cruzando na rua mas sem se ver. Coreanos acreditam em destino.


- Muitas vezes o capitulo seguinte começa com a mesma cena do fim do anterior mas de outro ponto de vista.


- O beijo de olho aberto. SEMPRE que o primeiro beijo vai acontecer quem está recebendo fica de olho aberto como se fosse uma surpresa (e depois fecha o olho).


- Primeiro beijo do casal geralmente acontece lá pelos episódios 8 a 10. Em algumas novelas acontece antes mas é como se não valesse até o beijo do episodio 10.


- O momento saranguê (te amo). Sempre depois do episodio 10, as vezes é só no último. Mas antes do "eu te amo" tem o momento tchuaê (gosto de você). 


- Coreanos nas novelas tiram os sapatos quando entram em casa mas nunca os casacos. As vezes sentam na mesa pra comer e deitam na cama de casaco. 


- A cena dos pés. Vai ter um momento que focam nos pés (calçados), as vezes combinado com passadas em camera lenta e um efeito sonoro próprio.


- Quase sempre tem uma vózinha fofa que não é poupada da desgraça. 


- Sempre tem um personagem com dívidas.


- Chuva e Neve. Quando chove ou neva acontece algo importante (romântico ou trágico).


- A cena no parquinho infantil: sempre tem (e geralmente alguém está bebado).


- Make over ou cena de desfile de roupa nova.


- A passagem de tempo (meses ou anos) e vale o combo clichê com a viagem para fora do país.


- O merchandising escancarado.

 

- O caminhão branco assassino. 


- Algumas novelas tem uma animação explicando algo. Toda vez que alguém fica muito bebado tem um efeito rosado nas bochechas. 


Se alguém lembra de mais algum deixa aí nos comentários.


E para quem chegou até aqui e quer saber quais novelas coreanas gostei mais até agora, segue um top 10. 


1. Vincenzo 

2. My Mister

3. Business Proposal (Pretendente Surpresa)

4. 25/21

5. Hometown Cha Cha Cha

6. Start Up

7. Our Beloved Summer

8. Snowdrop

9. Search WWW

10. Something In The Rain 


(todas na Netflix menos Snowdrop que está na Star+)


E já que falei das séries, top 10 séries coreanas que vi até agora.


1. Pachinko (tecnicamente é uma série americana mas é sobre coreanos com coreanos e falada em coreano e japonês)

2. The Silent Sea (O Mar da Tranquilidade) 

3. Hellbound 

4. All Of Us Are Dead 

5. My Name

6. Dr. Brain

7. DP

8. Squid Game (Round 6)

9. The School Nurse Files (A Enfermeira Exorcista)

10. Mad for Each Other


(todas na Netflix menos Pachinko e Dr. Brain que estão na Apple Tv+)




22.5.22

Festival MITA

A última vez que fui num festival de música foi no MADA em 2018, aí um amigo me disse que ia ter o MITA no Rio exatamente quando estaria aqui. 

Apesar de ainda não querer estar em aglomerações queria ver as bandas que viriam para o festival e por ser no Jockey Club num espaço aberto decidi ir.

Aliás, só vi vantagens em ser no Jockey Club. É perto de casa e começou e acabou cedo. O espaço é bom, tinha dois palcos, estava organizado e os shows começaram pontualmente. Ainda bem que fez um dia bonito com temperaturas agradáveis e não choveu porque já tinha muita lama no chão. O MITA não é um festival grande, estava cheio mas não lotado, dava para ficar bem a vontade.

Cheguei para o show da Liniker que foi muito bom. Depois teve o funk carioca do Heavy Baile que foi animado. Os norte irlandeses da Two Door Cinema Club tocaram no por do sol com o corcovado de fundo e mesmo com um vocalista alternativo (o original ficou doente) o show foi bom.

O show do Kooks estava com o som muito baixo e ruim para quem estava mais afastado do palco. Uma pena porque o vocalista da banda estava empolgado. Na verdade o som estava muito baixo para todos os shows, no show da Two Door mais longe do palco o som estava melhor do que perto. (O som baixo talvez foi por causa dos cavalos)

E a noite terminou com o ótimo show do Gorillaz. Gostei mais deles ao vivo do que no disco. As animações no telão são muito boas.

No fim já estava fazendo um friozinho (inverno carioca) e a saída foi tranquila.

18.5.22

O Peso do Talento

O Nicholas Cage já fez vários filmes, bons e ruins e em quase todos os generos: dramas, comédias, ação, coração quentinho, romance, filme premiado, filme cabeça e até filme hipster. Ele tem um Oscar por Despedida em Las Vegas e uma indicação por Adaptação.

Acho que só faltava mesmo ele fazer um filme onde ele interpreta ele mesmo. 

O título desse filme em português é o O Peso do Talento mas em inglês é o excessivo The Unbearable Weight of Massive Talent e é mais justo. Nesse filme o Nicholas Cage faz ele mesmo (no modo exagerado), um ator famoso, excêntrico, que fez vários filmes e está atrás do seu próximo papel.

Nick Cage (do filme) tem uma filha de 16 anos e uma ex-esposa. A filha adolescente não aguenta mais o pai egocêntrico que só fala de sua carreira e de filmes. Nick Cage é rejeitado para o papel no filme que ele queria e seu agente diz que ele foi oferecido um milhão de doletas para ir na festinha de aniversário de um espanhol rico.

Nick Cage acaba aceitando ir na festinha porque tem dívidas.

Paralelo a isso, a filha do candidato a presidência de sei lá onde foi sequestrada para que o pai desista da eleição.

Nick Cage chega em Mallorca e conhece Javi, o rico excêntrico e fã. Javi (Pedro Pascal - CRUSH) quer que Nick Cage, além de participar da festinha, leia seu roteiro e talvez atue no seu filme. Acontece que Javi pode ser um traficante de armas, mas uma coisa é certa: ele é a melhor pessoa só por seu terceiro filme favorito de todos os tempos (não vou dizer qual é, vejam o filme).

Mais não conto. Dei muitas risadas vendo esse filme. É cheio de referências aos filmes do Nicholas Cage, mas eu só identifiquei mesmo umas 3.

A melhor coisa desse filme é Nick Cage e Pedro Pascal juntos. Nem precisava do resto da história.

A Tia Helô diria 315 "Ai, Jesus!" para Pedro Pascal de sunga.

16.5.22

O Homem do Norte

Robert Eggers gosta de uma história visceral. Foi assim em A Bruxa e O Farol. E ele trabalha com detalhes históricos.


O Homem Do Norte é baseado num folclore nórdico que foi base para Hamlet de Shakespeare. Ou seja, é Hamlet viking roots. 

Principe Amleth ainda garoto vê seu querido pai, o Rei, ser morto pelo tio e tem que fugir. Anos depois, quando já é o Alexander Skarsgard (conhecido aqui no blog como Vampiro Eric), ele é um guerreiro e durante uma invasão de uma vila pelo seu grupo (extremamente violenta) ele descobre que seu tio está morando na Islândia.

Amleth tem sede de vingança e quando fugiu prometeu voltar para matar o Tio e libertar a mãe (que ele viu se capturada pelo Tio). Ele se passa por escravo para chegar na vila do Tio e no barco ele conhece a Olga. Os dois juram que vão sair da ilha, mas ele tem uma profecia a seguir.

Amleth é homem urso AND lobo e, em vários momentos, ele se encontra com uns videntes que o atualizam da profecia.

Em algum momento ele vai ter que escolher entre a vingança e o futuro. E as vezes nem tudo é o que parece, desde aquela época.

É um filme violento, e violência bem real (física e psicológica). Dá pra sentir como era a coisa no meio dos vikings naquela época (ainda bem que filme não tem cheiro).

Tem Ethan Hawke fazendo o rei, pai do Amleth, tem Nicole Kidman fazendo a mãe, Ana Taylor Joy é a Olga e tem um ator dinamarquês, Claes Bang, que faz o Tio e é ótimo.

Alexander Skarsgard está de parabéns. Sangue nos olhos.


A trilha sonora é maravilhosa, no cinema parecia que os tambores estavam dentro da minha cabeça.

A fotografia é linda (a Islândia ajuda muito) e os cenários são perfeitos.

A Tia Helô ficaria horrorizada, não com a violência, mas com a Bjork fazendo uma feiticiera vidente. 812 "Ai, Jesus!" para tanto sangue e lama.

5.5.22

Momento TOC livros 16 (parte 1)

Esse ano coloquei a meta de 40 livros e comecei mais devagar do que ano passado, mas li 2 livros com mais de 800 páginas, reli Pachinko para ver a série e reli Kim Ji Young Nascida em 1982 que finalmente saiu em português.

Estou numa leitura coletiva de uma biografia dos Beatles (que tem 900 páginas) e só vai acabar em setembro, então esse livro entra na próxima lista.

Li 4 livros de contos e acho que essa vai ser a tendência da minha leitura de 2022. Continuo na saga dos autores asiáticos. A minha ideia para esse ano era ler autores latino americanos, um de cada país, só que é difícil encontrar autores de alguns países traduzidos para o português ou inglês e não consigo ler en español. Então vamos com os livros de contos que nunca gostei muito mas pelo jeito passei a gostar.

Vamos aos primeiros 20 livros do ano.

- Somos Todos Adultos Aqui - Emma Straub - esse foi uma sobra dos livros do ano passado, comprei pela capa. É a história de uma família, os Strick, e seus agregados. Astrid é a matriarca, ela ficou viúva quando o filho mais velho tinha 21 anos e foi trabalhar num banco. Astrid é ativa na comunidade e defende o comércio local. Um dia ela testemunha o atropelamento de Barbara, uma vizinha da sua idade mas que ela não gostava por conta de uma fofoca de anos atrás. Mas a morte de Barbara deixa Astrid abalada e a faz decidir não guardar mais segredos nem sentimentos.Tem a filha grávida, a neta adolescente que vai morar com a avó, o filho mais velho ressentido, o mais novo good vibes e o resto da comunidade. Achei esse livro ok. Daria uma boa novela.

- In The Dream House - Carmen Maria Machado - (em português: Na Casa Dos Sonhos) - um livro de memórias sobre uma mulher e seu relacionamento abusivo com sua namorada que ela chama de "The Dream House" porque as duas alugam uma casa onde Carmen acha que vai ser feliz mas vive uma história de terror. Gostei mais da primeira metade do livro, a forma como ela conta a história é interessante mas tem tanta nota de rodapé desnecessária que ficava chato.

- Modern Lovers - Emma Straub - (em português: Amantes Modernos) Esse comprei pelo título que lembra a música do Bowie. A melhor coisa desse livro é o gato chamado Iggy Pop. É sobre 4 amigos que formaram uma banda de rock na faculdade e tocavam nos bares. Elizabeth e Andrew se casaram e tiveram um filho, Zoe também casou e teve uma filha e Lydia virou uma pop star. Lydia morreu de uma overdose e agora (20 anos depois da banda separar) querem fazer um filme sobre a vida dela, acontece que ela fez sucesso com uma música da banda que foi composta por Elizabeth e Andrew (mais Elizabeth, que ganha dinheiro com os direitos autorais da música) mas Andrew não quer assinar os papéis para ter sua vida contada no filme porque ele guarda um segredo. O livro é mais sobre a vida conjugal de Elizabeth e Andrew e Zoe e Jane do que os babados da banda. Entre esse livro e o Somos Todos Adultos Aqui acho que não preciso ler mais nada da Emma Straub.

- A Curva do Sonho - Ursula K. Le Guin - ficção cientifica de 1971 que passa no futuro de 2002. É sobre George, um homem que precisa de remédios para dormir que não o faça sonhar. Toda vez que ele sonha a realidade é alterada, as vezes pequenas coisas e as vezes coisas muito maiores. George se entorpece para não sonhar e não prejudicar as pessoas alternado a realidade delas. Mas ele é pego usando cartões alheios para comprar os remédios em grandes quantidades e passa da sua cota. George tem que fazer um tratamento voluntário (pero no mucho) com um psiquiatra que acaba descobrindo o poder do George em alterar a realidade e passa a manipular os sonhos do George. Mas o psiquiatra não controla o subconsciente do George, ele pode apenas fazer sugestões e cabe ao subconsciente interpretar. O ser humano é muito doido.

- Os Detetives Selvagens - Roberto Bolaño - Nos anos 1970 dois pseudo-poetas estão atrás de uma poetisa que criou um grupo de poetas em 1920. A primeira parte do livro é um diário de um rapaz que conhece esse dois pseudo-poetas e passa a fazer parte do grupo. Depois o livro é quase todo de depoimentos de pessoas que tiveram contato com eles ao longo de anos (até 1996) e no fim volta ao diário. Ele faz uma experimentação com a narrativa, e nos depoimentos ficamos sabendo o que aconteceu com os personagens secundários. É um livro longo, mais de 800 páginas, cansativo, perdi o foco várias vezes, mas as partes boas compensaram.

- Walk of Shame - Lauren Layne - Depois dos poetas detetives precisava de um livro bobo, mas esse foi bobo demais e ruim. Georgiana e Andrew vivem no mesmo prédio, ela é herdeira e chega em casa as 5 da manhã que é a hora que ele está saindo para trabalhar. Eles se gostam mas acham que não são correspondidos e ficam naquela briguinha. Um dia ele a desafia a passar um dia com ele no escritório e eles acabam se conhecendo melhor. Eles ficam juntos até ela descobrir que ele sabia que os pais dela iam se divorciar e como ela é uma mimada coloca a culpa nele. Foi uma revirada de olhos atrás da outra (até marquei a oftalmo depois de ler esse livro). Nos romances que li ano passado tinha reparado uma evolução no sentido que os casais se comunicavam melhor (inclusive no sexo) mas esse livro foi uma regressão total aos romances de banca Sabrina e Julia dos anos 1980.

- To Paradise - Hanya Yanagihara - O multiverso da depressão. A Hanya não escreve histórias felizes, vide A Little Life (Uma Vida Pequena), nem curtas, esse livro tem mais de 800 páginas. São 3 histórias que passam em 1893, 1993 e 2093 e são independentes mas em comum tem os nomes dos personagens e uma casa no Washington Square em NYC. Em 1893 David é um jovem solteiro e seu avô quer que ele case com Charles (mais velho e pançudinho) mas ele se apaixona por Edward. Nessa NYC que faz parte de um outro país que é um EUA dividido, todos os tipos de casamentos são aceitos. Em 1993 David é do Havaí e mora com Charles que é bem mais velho. Charles está dando uma festa de despedida para seu amigo Peter que está morrendo de AIDS. E tem a história do pai do David que se envolveu com um homem chamado Edward e fez parte de uma espécie de seita. E em 2093, num mundo onde os virus estão acabando com os humanos, tudo é controlado, o clima foi pro saco e depois de várias pandemias temos Charlie uma moça que trabalha num laboratório e é casada com Edward. Ela foi criada pelo avô Charles depois que o pai, David, morreu. Esse mundo de 2093 é assustador, até porque não é tão ficção assim. A história do meio achei chata, mas a primeira e a última são boas. Só muitos detalhes desnecessários, repetições e encheção de linguiça.

Homens Sem Mulheres - Haruki Murakami - livro com 7 contos sobre homens e como se relacionam com o abandono, o desejo, a descoberta, a paixão e a perda. Dois desses contos deram origem ao filme Drive My Car. Escrevi um post fazendo a comparação Livro x Filme e falo dos outros contos do livro.

- Véspera - Carla Madeira - Li o Tudo é Rio ano passado, achei a escrita dela boa e decidi ler esse. Véspera é melhor do que Tudo é Rio, até porque tem menos frases de efeito. O livro é em duas partes alternadas que se complementam. Em uma das partes Vedina, depois de uma briga com seu marido Abel, perde o filho na rua e fica procurando. Na outra parte temos a história de Abel, seu irmão gêmeo Caim, sua mãe super religiosa Custódia e seu pai Antunes. A parte do Caim se apaixonando pela Veneza é muito boa.

- A Cabeça do Santo - Socorro Acioli - Depois da morte da mãe, Samuel vai a pé de Juazeiro do Norte até Candeia para realizar o último desejo dela. Ele chega na cidade praticamente um mendigo e acaba se abrigando dentro da cabeça de um Santo Antônio que o corpo de 20 metros fica no alto do morro mas nunca colocaram a cabeça. Samuel passa escutar as vozes de mulheres rezando para o santo pedindo marido e decide fazer um desses pedidos acontecer. Aí a cidadezinha que estava abandonada passa a receber romarias. Achei essa história muito boa.

- O Deus Das Avencas - Daniel Galera - 3 histórias que falam de relações familiares num mundo em volta que está se desfazendo. A primeira é um casal nos momentos que a mulher começa a sentir as contrações do parto mas ainda não é o momento do parto e eles passam quase dois dias, na véspera da eleição de 2018, passando pelos momentos de "é agora?". A segunda história é num futuro não muito distante mas onde o clima foi pro saco (acho que estou num tema) e um homem frequenta um grupo de terapia onde ele leva sua mãe, ou a consciência de sua mãe armazenada num ovo, para entender e lidar com esse tipo de relação. Os flashbacks dele em Tóquio são ótimos. E a terceira história é num mundo pós-apocaliptico onde uma comunidade se desenvolveu no alto de uma montanha e dependem de abelhas para manter a saúde. As três histórias são muito boas. (considerei esse um livro de contos)

- Afterparties - Anthony Veasna So - São 9 contos sobre imigrantes cambojanos que foram para California. Na verdade é mais sobre os filhos desses imigrantes e como lidam com a herança do genocídio que aconteceu no Camboja nos anos 1970 e com as complexidades de raça, sexualidade, amizade e família. Gostei muito de 6 histórias: a da mãe com duas filhas na loja de donuts; a dos dois irmãos na festa de casamento; a do rapaz que formou na faculdade mas trabalha na oficina de carros do pai, a da mãe que conta para o filho de 9 anos como sobreviveu um tiroteio numa escola (em 1989), a do rapaz no templo com os monges e a a de um rapaz que começa um namoro com um cara mais velho.

- Não É Um Rio - Selva Almada - Essa escritora argentina estava na minha lista e peguei esse para ler. É sobre três amigos que vão pescar numa ilha. É um ritual que fazem sempre, dois homenes são mais velhos e o terceiro é filho do amigo que morreu há alguns anos. Eles pescam uma raia enorme e isso deixa alguns locais chateados. O livro conta a história dos 3 e de mais algumas pessoas da ilha. Tudo em menos de 100 páginas.

- A Casa do Silêncio - Orhan Pamuk - Gosto muito dos livros do Orhan Pamuk, ele nos mostra uma Turquia sem muito filtro e sempre com histórias envolventes. Aqui os eventos são contados em 5 pontos de vista: Fatma (a idosa dona da casa), Recep (o empregado anão), Faruk (neto mais velho da idosa), Metin (o neto mais novo) e Hasan (sobrinho revolts do Recep). Os netos de Fatma vieram passar uns dias do verão com a avó e é quando eles aproveitam para visitar o tumulo do avô e dos pais. Através da Fatma sabemos toda a história (pesada) da família, pelo Recep sabmos outro lado da história da família, Hasan nos põe a par da situação política, Faruk é um historiador e Metin nos conta os babados da juventude rica na cidadezinha de praia. Achei que faltou o ponto de vista da Nilgun (a neta da idosa). A escrita do Ohran Pamuk é muito boa, mas nesse livro quando chegou um pouco depois da metade eu só queria que terminasse. O narrador mais chato é o Faruk.

- Careless - Kirsty Capes - Bess é uma garota de 16 anos que acabou de descobrir que está grávida. Ela não sabe o que fazer. Boy (o namoradinho) não fala com ela há semanas, ela não quer contar para os pais (que são adotivos temporários) e nem para seu assistente social. Bess conta com o apoio de sua amiga Esh que também tem seus problemas. A primeira metade do livro é Bess contando como conheceu Boy, como é sua vida nessa família temporária mas que já a abriga há 10 anos e um pouco de seu passado. A segunda metade do livro é ótima, me deixou quase que na ponta da cadeira querendo saber qual seria a decisão final da Bess.

- Éter - 18 contos de batom borrado e outros anestésicos - Luciana Nepomuceno - Na verdade são 18 contos principais, 2 contos a 4 mãos, vários micro contos (um paragrafo) e outros 33 mini contos de uma página. Gostei muito de 6 dos 18 contos principais (mas são todos bons), os dois contos a 4 mãos são muito bons, as pílulas são interessantes mas quando cheguei nos 33 mini contos já estava cansada desse livro. Esse é o meu problema com livros de contos, acho que exigem uma certa paciência, talvez deixar do lado da cama e ler um conto por vez, mas gosto de terminar um livro antes de ir para outro. Acho melhor os livros com poucos contos.

- A Espera e Grama - Keum Suk Gendry-Kim - duas HQs lindamente desenhadas que contam duas histórias de sofrimento com muita sensibilidade. Em A Espera uma mãe se separa de seu filho enquanto foge do norte para o sul da Coréia, no meio de bombardeios e tiroteios, no início da guerra da Coréia e anos mais tarde tem a esperança de encontrá-lo através de um programa que unia as familias separadas (por poucas horas). Grama é a história de Lee Ok-sun uma menina que apenas queria ir para escola mas foi levada da Coréia para a China para ser uma "mulher de conforto" durante a ocupação japonesa na segunda guerra. É uma vida de sofrimento contada pela Ok-Sun idosa para uma autora de quadrinhos. Gostei muito das duas HQs.

- Build Your House Around My Body - Violet Kupersmith - Winnie é americana filha de pai vietnamita e ela vai para Saigon ensinar inglês, mas na verdade ela foi sem muita intenção de voltar. Um dia, em março de 2011, ela some. A história da Winnie está ligada aos irmãos Phan (Long e Tan), a amiga deles Bihn, um médico traficante de drogas, a fazendeiros franceses que viveram 60 anos antes, um vidente, uma senhora na cadeira de rodas que vende a loteria, cobras de duas cabeças, um cachorro e até um monstro de fumaça. Não sabia que o povo vietnamita tinha um folclore tão rico com superstições e histórias com fantasmas. O vai e vem no tempo as vezes é confuso mas as histórias dos personagens são boas, ainda assim classificaria em: livros para ler chapado.

- Second First Impressions - Sally Thorne -(em português: Segundas Primeiras Impressões) não sei porque dei uma segunda chance a Sally Thorne, o outro livro dela (The Hating Game) me deu raiva, mas precisava de uma coisa leve e boba para ler, custou 3 reais e fiquei curiosa com as tartarugas da capa. Achei esse livro melhor do que o outro, pelo menos os personagens são menos irritantes e são até fofos. Ruthie é uma garota de 25 anos que acha que tem 125 e trabalha (e mora) num condomínio de casas para idosos, ela se sente um deles (e se veste como um). Teddy é um rapaz, tatuado e tatuador, com cabelo comprido e lustroso (esse detalhe é muito importante e mencionado vááárias vezes), que precisa de dinheiro para ser sócio num studio de tatuagens. Acontece que Teddy é filho do dono do condomínio mas está sem grana (ele não quer o dinheiro do pai) e precisa de um lugar para ficar, aí o pai diz que ele pode ficar no condomínio desde que trabalhe. Teddy acaba sendo assistente de duas idosas ricas e divertidas e vizinho de porta de Ruthie. Ao contrário do Walk of Shame (acima nessa lista) nesse livro os personagens se comunicam melhor e mais diretamente. E tem tartarugas na história.


A Parte 2 dos livros de 2022.


Momento TOC Livros dos outros anos: (1)(2), (3)(4), (5)(6), (7), (8), (9), (10), (11)(12)(13), (14), (15)

30.4.22

+ Filmes e Séries (e duas novelas coreanas)

Filmes

The Bubble - Uma comédia sobre uma equipe que vai fazer a filmagem do sexto filme de uma série famosa de filmes com dinossauros. Acontece que é tudo durante a pandemia, então temos todos os procedimentos de segurança, pessoas tendo que ficar de quarentena nos quartos (algumas vezes), atores egocêntricos, seguranças exagerados, muita confusão e até dancinhas do Tik Tok. Achei divertido, poderia ser mais curto. (NETFLIX)

The Battleship Island - Filme coreano de 2017 sobre os 400 coreanos que estavam trabalhando numa mina (quase como escravos) numa ilha na costa de Nagasaki no fim da segunda guerra e se rebelaram. Vi esse filme porque em Pachinko falaram dessa mina e como os japoneses exploraram os coreanos. O filme é bem feito (melodramático porque afinal de contas é coreano), as cenas de guerra não poupam ninguém. Tem o Song Joong-ki (Vincenzo!) fazendo um espião infiltrado nos mineiros para ajudar um coreano influente a sair. Tem uma garotinha que é a filha do lider de uma banda que vai para as minas "por acaso" e é a dona do filme. (Amazon Prime Video)

All The Old Knives - dois agentes da CIA que foram amantes se encontram para um jantar cheio de desconfiança porque ele está investigando o que aconteceu num sequestro de avião que aconteceu 10 anos antes quando os dois trabalhavam e viviam juntos. Até metade estava achando mais ou menos mas gostei da reta final. (Amazon Prime Video)


Séries

Tokyo Vice - Série com o Baby Driver (Ansel Elgort) onde ele faz um jovem repórter americano que consegue entrar para o maior jornal do Japão e vai para a seção policial. É baseado no livro de memórias do Jake Edelstein. Ele começa investigar uns crimes que tem a Yakuza de pano de fundo e começa circular no meio. A série passa em 1999. Baby Driver fala muito japonês nessa série que tem o Ken Watanabe fazendo um policial que também investiga os crimes ligados a yakuza e ajuda o Baby Driver a conhecer melhor como funcionam as coisas em Tóquio. O Sato, um rapaz da yakuza, é o melhor personagem. O Shô Kasamatsu, ator que faz o Sato, é ótimo. Achei muito boa e aproveito para dizer que uma segunda temporada é mais do que necessária. (HBO Max)

Sato deveria estar no poster

Minx - no início dos anos 1970 a Joyce quer lançar uma revista feminista para falar de assuntos que são do interesse das mulheres, com seriedade, mas, na época, os editores (todos homens) não acreditavam nisso. O único que comprou a idéia da Joyce foi o Doug que tem uma editora de revistas adultas. Doug diz para Joyce que para ter os artigos lidos ela precisa chamar atenção das leitoras e sugere uma revista com nus masculinos. Aí como é HBO temos um festival de cenouras, berinjelas e pepinos. Joyce e Doug tem que enfrentar os preconceitos e até a mafia. Achei boa. (HBO Max)

Moon Knight - Oscar Isaac faz esse herói da Marvel que eu não conhecia. Ele é um homem com multiplas personalidades que as vezes é possuido por um deus egípcio. E Ethan Hawke faz o vilão que é do time de outro deus egípcio. Está muito bem feita e fiquei curiosa para saber dos deuses egípcios e quem é quem na fila da pirâmide. (Disney +)

Bridgerton - A segunda temporada é sobre Anthony, o filho mais velho da família Bridgerton. Chegou a vez dele arranjar uma esposa e ele é prático. Anthony espera a rainha declarar quem e o diamante da temporada e vai atrás mas acaba gostando da irmã dela. O duque hot hot hot fez falta mas achei a trama da Eloise com a Penelope boa e das irmãs Sharma também. A primeira temporada é melhor. (NETFLIX)

Anatomy of a Scandal - Um parlamentar britânico é acusado por uma funcionária de seu gabinete, com quem tinha um caso, de estupro. Mostra todo o processo e julgamento de um caso que é ele disse/ela disse. Tem Lady Mary de Downton Abbey fazendo a procuradora da Rainha. (NETFLIX)

He's Expecting - série japonesa sobre um homem que fica grávido. A gravidez masculina é apenas uma coisa que está acontecendo com alguns homens. A série é sobre um homem passando por todas as situações que uma mulher que engravida num país patriarcal e machista. Kentaro é um cara bacana, ele não é machista, é dedicado ao trabalho, sai com algumas mulheres mas tem uma amiga com benefícios que é a Aki. Um dia Kentaro começa sentir os enjoos, passa mal e vai no médico que dá a notícia do bebê. Kentaro quem que decidir se vai ficar ou não com o bebê, tem que avisar a Aki que é a mãe da criança, começa sentir a montanha russa dos hormônios, perde posição num trabalho importante, tem que parar de beber e por aí vai. (NETFLIX)


Novelas Coreanas

25/21- Twenty five twenty one - No presente (2022) a Hee Do é uma celebridade e está com a filha adolescente numa competição de ballet. A filha fica chateada com a mãe, desiste da competição vai morar com a avó onde ela descobre um diário da Hee Do de quando estava na escola e treinava esgrima. Vamos para 1998, no meio da crise financeira da Coreia do Sul, e Hee Do, com 18 anos, quer trocar de escola porque a dela acabou com o time de esgrima por falta de dinheiro. Hee Do conhece o Yi-jin que entrega jornais e também trabalha na loja de HQs. Yi-jin tem 22 anos e teve que abandonar a faculdade de engenharia e trabalhar porque seu pai faliu (e fugiu) e a família teve que se separar. A Hee Do é fã de uma outra garota esgrimista, Yu-rim, que é campeã, e vai estudar e treinar na mesma escola. Yu-rim conhece o Yi-jin desde nova porque a família dele a patrocinava. Rola uma rivalidade entre Hee Do e Yu-rim por causa da esgrima. Hee Do e Yi-jin ficam muito amigos, se ajudam, se entendem, certamente vai rolar algo ali e já estou torcendo muito para que os dois fiquem juntos.

MAS sabemos desde o início que em 2022 eles não estão juntos. 

O QUE ACONTECEU? 


Essa novela me lembrou muito Licorice Pizza porque tem o lance da diferença de idade (para os coreanos é meio escândalo um rapaz de 22 e a moça de 18), tem a afinidade dos dois, e também porque Hee Do e Yi-jin vivem correndo nessa novela: um para o outro, um atrás do outro e as vezes juntos. Só não digo que é a pressa da juventude porque, quanto o assunto é romance, coreano não tem pressa em nada, é tudo na camera lenta (nas novelas é literalmente). Nam Joo-hyuk (o Yi-jin) corre muito elegante, corrida de modelo com cara de apaixonado. A Kim Tae-ri (Hee Do) é ótima mesmo gritando um bocado e a Hee Do é puro girl power. Os dois tem a maior química e formam um dos melhores casais de novela coreana. Já aprendi mais de esgrima vendo 25/21 do que vendo as Olimpiadas. Essa novela é de uma leva de novelas coreanas que estão mudando, tem menos clichês. É sobre amadurecimento mas também fala sobre a pressão de sempre vencer, de ser o melhor, que as vezes tudo bem falhar e que maus (e bons) momentos são passageiros. (NETFLIX)


Business Proposal - não ia ver essa novela porque me pareceu muito boba mas como nos primeiros 2 episódios teve TODOS os clichês de novela coreana, inclusive o beijo de olho aberto, qualquer coisa que viria pela frente poderia ser uma surpresa. Não teve surpresa, é uma novela coreana de romance pura na essência e nos clichês, mas dei risadas vendo essa novela, tudo funciona, e no fim acabei gostando.

A Ha Ri trabalha numa empresa de produtos alimentícios e tem um crush num chef que a colocou na friendzone. A melhor amiga dela é a Young Seo que é muito rica e o pai fica arranjando dates com possíveis maridos. Um dia A Young Seo tem que ir num blind date e manda a Ha Ri em seu lugar para fazer a loka e o rapaz desistir do casamento. Ha Ri aceita ir nesse date porque a amiga diz que vai pagar e Ha Ri tem dívidas. Acontece que o encontro é com o Tae Moo que vem a ser o CEO da empresa onde Ha Ri trabalha. Quando Ha Ri descobre que é ele pensa em fugir mas decide continuar e fazer a loka na esperança dele desistir de seguir com o encontro. Tae Moo é um cara prático, ele não quer casar agora, mas está cansado do avô (que assiste novelas) ficar insistindo em casamento dizendo que vai mandá-lo em dates até ele achar uma noiva e acaba pedindo um segundo encontro. A Young Seo confessa que não era ela e que tinha contratado alguém mas Tae Moo pede o telefone da Ha Ri que se apresenta a ele com um outro nome e não diz que trabalha na empresa dele. Ele propõe a Ha Ri um namoro falso para agradar o avô e ela acaba aceitando, outra vez o fator financeiro e também porque Tae Moo é bonitão.
Aí são muitas confusões. 
Tem o vôzinho coreano com as sobrancelhas mais bizarras das novelas. 
O Sr. Cha, que é o secretário do Tae Moo, é lindão e a Young Seo fica apaixonada por ele (esse casal secundário é muito interessante).  (NETFLIX)

(vou fazer uma lista dos clichês de novela coreana)

29.4.22

Pachinko: Livro x Série

Ano passado li Pachinko que conta a saga de uma família coreana desde a ocupação japonesa da Coréia (de 1910 a 1945) até 1989. 

A ocupação japonesa da Coréia foi brutal e os coreanos que imigraram para o Japão foram tratados como cidadãos de segunda classe até muitos anos depois da guerra. Pachinko é um jogo que mistura fliperama com caça-niqueis e é um jogo que depende da sorte (e de alguns ajustes). Os japoneses adoram jogar pachinko, que foi proíbido no Japão durante a guerra mas voltou logo depois. Trabalhar no pachinko era uma das atividades que os coreanos (e descendentes) conseguiam exercer já que não podiam ser policiais, professores, enfermeiros, etc. O pachinko também serve de metáfora para a história dessa família que está sempre sujeita a elementos que não depende deles mas que estão sempre dispostos a jogar, sobreviver e prosperar.

Quando a Apple TV+ anunciou que estava filmando a série fiquei curiosa e achei o formato adequado. Poderia ser um filme? Sim, mas como a história é longa e passa por muitas décadas o formato série é melhor. 

A série é muito bem feita. Fotografia, direção, figurino (usaria todas as roupas dos coreanos de 1920), trilha sonora e até como escolheram contar a história. As três atrizes que fazem a Sunja são maravilhosas: Jeon Yu-Na (criança), Kim Minha (adulta) e a oscarizada Youn Yuh-yung (idosa). O Lee Minho é o Hansu que tinha imaginado lendo o livro e me apeguei ao Isak (Steve Sanghyun Noh) da série. O elenco é todo muito bom (e poliglota).

Uma coisa interessante da série é que as legendas são em 3 cores: branco para as partes faladas em inglês, amarelo para coreano e azul para japonês. Assim sabemos quem fala o que e também as falas que misturam as duas linguas. Afinal é sobre imigrantes e seus descendentes.

Antes da série estrear, no final de março, reli o livro para lembrar de vários detalhes que já tinha esquecido. 

Sei que cada meio é diferente para contar a história, cada um com suas vantagens, e não devem ser comparados, mas vou falar das diferenças e semelhanças. Sem spoilers (eu acho). 

A maior semelhança é que livro e série emocionam igualmente.

A maior diferença da série para o livro é que a história no livro acontece na ordem cronológica, de 1910 a 1989. Na série é como se fosse um paralelo entre a vida do Solomon, o neto da Sunja, em 1989 e a dela desde que nasceu, então, nos episódios, o passado e presente se alternam e as vezes a narração de um sobrepõe o outro. A imigrante que chega no Japão e seu neto, a segunda geração da família em solo japonês.

Isso, pra mim, foi bom porque no livro quando chega no Solomon a Sunja meio que ficou abandonada por alguns capítulos. Na série ela está sempre presente.

Tem personagens do livro que sumiram, alguns ficaram menores (por enquanto), outros aparecem mais e também tem os que são exclusivos da série.

A história do Solomon é um pouco diferente. Na série não existe a namorada americana-coreana do Solomon, que, para mim, abordava melhor o tema imigração e diferentes tipos (já que a família dela foi para os EUA) mas a série mostra bem como o Solomon não se sente pertencente a nenhum dos três lugares: no Japão ele é coreano (mesmo tendo nascido e vivido no Japão), nos EUA ele é um asiático, na Coréia ele é estrangeiro.

Solomon (Jin Ha) da série é mais ambicioso e tem espaço para seguir a história dele para além do livro, inclusive essa busca de identidade.

A série tem uma personagem maravilhosa (a senhora coreana que não quer vender a casa) que no livro não passa de duas frases. Na série essa senhora tem destaque e uma das melhores cenas.

Na série Solomon e Hana tem sua história reduzida mas o desfecho é parecido e importante para ele.

A história da Sunja idosa na série é um pouco diferente e ela é mais participativa na vida adulta do Solomon. 

A história da Sunja criança até a imigração para o Japão é quase igual ao livro. A série nos dá vários elementos a mais que não tem no livro e melhora a história. O episódio 4 é um exemplo disso e é maravilhoso.

Sunja e Isak em Osaka na série tem algumas diferenças para o livro mas deixa a história mais interessante. O irmão do Isak e a esposa seguem a história do livro.

A série introduz o Noa no último episódio da temporada, ainda criança (o garotinho que faz é sensacional). Não sei se vai seguir a história do livro mas precisamos saber! Também quero saber mais do Mozazu da série que até agora só vimos versão bebê e senhor de meia idade (o ótimo Soji Arai).

Uma coisa que a série fez lindamente foi toda a parte da Sunja com o Hansu. E faz melhor do que o livro quando consegue mostrar como o Hansu é uma espécie de sombra pairando sobre a vida da Sunja. Na série vemos os vários lados do Hansu que ganhou um episódio próprio contando a história dele jovem durante o terremoto de 1923 em Yokohama, que não tem no livro, e é ótimo! Vamos combinar que o Lee Minho é bonito e carismático.

Ainda não sei se terá uma segunda temporada (dedinhos cruzados) mas essa primeira temporada deixou de fora o que considero a melhor parte da história: dos anos da segunda guerra até 1965. Acho que quem não leu o livro ficou curioso para saber o que acontece com alguns personagens, e até quem leu também porque tem algumas mudanças.

Espero que tenham feito essa série como uma novela coreana de 16 episódios que dividiram em 2 temporadas de 8 episódios.

UPDATE: foi só eu publicar esse post que a Apple TV+ anunciou que vai ter a segunda temporada. Ainda bem.

Enquanto isso vou deixar a abertura da série aqui. No último episódio da temporada a música foi cantada em coreano.


28.3.22

Oscar 2022

Se eu fosse definir esse Oscar em uma palavra: BAGUNÇA.

Começou com 3 apresentadoras, Amy Schummer, Wanda Sykes e Regina Hall. Depois cada uma fez um sketch individual. 

A melhor piada das 3 foi quando falaram que no "In Memorian" estaria o Globo de Ouro, PAH!

Só verdades na Amy Schummer dizendo que "Depois de anos ignorando mulheres finalmente temos um filme sobre o pai as irmãs Williams.". Outra verdade "Leo di Caprio fez tanto para combater as mudanças climáticas para deixar o planeta verde e limpo para suas namoradas.".

Regina Hall chamou alguns atores para fazer um "teste extra de covid", entre eles Bradley Cooper, Timothee Chalamet e o Simu Liu. Boba ela não é.

Wanda Sykes deu uma volta sem graça no novo Museu do Cinema.

A bagunça foi generalizada. As categorias premiadas antes da transmissão foram repetidas, então por que fazer antes? O DJ era preguiçoso repetindo a mesma música quando subiam no palco para receber o prêmio mas também tinha uma banda e uma orquestra. Os filmes indicados a melhor filme que sempre tinham alguem apresentando e dizendo porque o filme era bom dessa vez apenas eram jogados na tela.

Apresentações musicais chatérrimas. Beyoncé até se fantasiou de bola de tênis e levou a filha mas a música não ajudou. Saudades de Shallow.

Teve uma homenagem aos 60 anos dos filmes do James Bond mas nem levaram o Daniel Craig, nem Pierce Brosnan, nem Timothy Dalton. Teve Tony Hawk, Kelly Slater e Shawn White, nunca fizeram filmes mas sabem usar pranchas de esportes radicais muito bem. E eu tinha achado a homenagem dos 50 anos (em 2013) fraca mas teve Shirley Bassey cantando Goldfinger.

Teve homenagem ao Poderoso Chefão com Al Pacino, Bob DeNiro e Francis Ford Coppola.

Teve dois Oscars de voto popular que foi para A Liga da Justiça.

Até o In Memorian foi meio bagunçado com várias músicas, gente dançando.

A Youn Yuh-jung (a vó de Minari) foi a melhor pessoa nessa apresentação. Começou pedindo desculpas se por acaso errasse a pronuncia dos nomes, depois segurou o Oscar do Troy Kotsur para ele fazer seu discurso emocionado.

E teve torta de climão. O Chris Rock fez uma piada de mau gosto com a esposa do Will Smith e ele reagiu subindo no palco, deu um tapão na cara do Chris Rock e depois ficou gritando da platéia. Os japoneses de Drive My Car devem ter ficados chocados com a baixaria, ou não.

Categorias antes da transmissão:

Documentário Curta - The Queen of Basketball (não vi)

Melhor Curta - The Long Goodbye - Riz Ahmed ganhou um Oscar e não foi por atuação, esse curta é forte e está no Youtube.

Melhor Som - Duna

Melhor Trilha Sonora - Duna (maravilhosa do Hans Zimmer)

Melhor Direção de Arte - Duna

Melhor Edição - Duna

Melhor Curta Animação - The Windshield Wiper (não vi)

Melhor Maquiagem e Penteado - Os Olhos de Tammy Faye (não vi)

Duna começou ganhando os prêmios técnicos antes da premiação e continuou ganhando durante. É um filme muito bom, e muito bem feito.

Durante a transmissão:

Melhor Atriz Coadjuvante - Ariana DeBose por West Side Story. Ela é a energia do filme.

Melhor Fotografia - Duna

Melhor Efeitos Visuais - Duna

Melhor Animação - Encanto (único indicado que não vi. Raya e o Último Dragão e Família Mitchell eram os meus favoritos.)

Melhor Ator Coadjuvante - Troy Kotsur (CODA)

Melhor Filme Internacional - Drive My Car (o meu filme preferido de 2021). Ryusuke Hamaguchi levou a tradutora mas ela não fez um rabisco no caderninho porque ele fez o discurso em inglês.

Melhor Figurino - Cruella (justíssimo!)

Melhor Roteiro Original - Belfast (Worst Person In The World e Licorice Pizza eram os meus favoritos)

Melhor Roteiro Original - CODA (acho que os outros 4 indicados eram melhores, até fiz um livro x filme de Drive My Car)

Melhor Documentário - Summer of Soul (Muito bom.)

Melhor Música - No Time To Die da Billie EilishZzzzzzzzz. 007 com mais um Oscar de música.

Melhor Diretora - Jane Campion por Power of The Dog. Merecidíssimo.

Melhor Ator - Will Smith por King Richard. Tenho preguiça do Will Smith e nesse filme achei tudo muito caricato. Para mim, esse Oscar era ou do Denzel Washington ou do Benedict Cumberbatch. O Will Smith pediu desculpas para a Academia num discurso longo e apelativo.

Melhor Atriz - Jessica Chastain por Os Olhos de Tammy Faye. Não vi esse filme. O Sir Anthony Hopkins saiu de casa para apresentar esse prêmio. O discurso dela foi bom.

Melhor Filme - CODA (No Ritmo do Coração), o filme coração quentinho que foi lançado em janeiro de 2021 no festival de Sundance e conseguiu chegar no Oscar. Pelo esquema de votação do Oscar era previsível. Foi apresentado por Lady Gaga e Liza Minelli.

E assim terminou o Oscar desse ano. Devem todos estar comendo pizza.


26.3.22

+Filmes e Séries (e Documentários)

Séries

Severance - E se o seu eu do trabalho fosse separado do seu eu fora do trabalho? É o que acontece com as pessoas que trabalham na Lumen, assim que entram no elevador esquecem sua vida fora da empresa e vice versa. Acontece que um dos funcionários foi despedido e ele consegue reverter o processo que separa as personalidades e vai atrás de seu melhor amigo do trabalho (que fora da empresa não sabe quem ele é). Ainda não acabou a temporada mas é essa série é muito boa. Apple Tv+

We Crashed - série com Jared Leto fazendo o israelense Adam Neumann que criou a We Work. Eu achava que a We Work fosse apenas espaço de escritório para uso coletivo mas pelo jeito era quase uma seita. A Anne Hathaway faz a esposa dele, Rebekah. É mais uma série de gente enganando gente, dessa vez com papo de coach. Já tem 4 episódios e fiquei curiosa para ver o resto. Apple Tv+

Euphoria - A segunda temporada dos adolescentes que me fazem ficar aliviada de não ter filhos adolescentes. Não foram todos os episódios bons, mas tem 4 que valem muito a pena ver a temporada. HBO Max.

Our Flag Means Death - Série comédia escrachada sobre piratas. Sim, piratas. O Stede Bonnet realmente existiu e era conhecido como o Gentelman Pirate porque ele era muito educado, veio de família rica e decidiu viver a vida perigosa dos mares do caribe. A série fica boa mesmo (e mais engraçada) quando ele conhece o Barba Negra, depois do episódio 3. E é com o Taika Watiti. HBO Max

The Tourist - Jamie Dornan sofre um acidente no meio do outback australiano e quando ele acorda no hospital não lembra de nada, nada mesmo, não sabe seu nome, de onde vem nem para onde estava indo. Ele conta com a ajuda da policial Helen para descobrir quem ele é. Gostei, Mr. Grey é divertido e um colírio par aos olhos. HBO Max

mr. grey com leitinho australiano

Filmes

Lucky Chan-sil - filme coreano sobre uma produtora de filmes que fica desempregada quando o diretor com quem ela fazia filmes morre de repente. Chan-sil passa a trabalhar de faxineira para uma das atrizes e faz amizade com um professor de francês. Ela mora com uma senhora (a vó de Minari) e conversa com um fantasma de só anda de cueca. MUBI

Right Now, Wrong Then e On The Beach at Night Alone  - Dois filmes do diretor coreano Hong Sang-soo com a Kim Min-hee. A fofoca coreana é que eles tiveram um caso na vida real. Right now, Wrong Then é sobre um diretor de cinema (casado) que vai para uma cidade apresentar seu filme e lá ele conhece uma artista. O interessante desse filme é que quando você acha que acabou vem a mesma história em outro ponto de vista, e bem mais interessante o que faz o filme valer a pena. On The Beach At Night é sobre uma atriz que está em Hamburgo passando um tempo longe das fofocas que ela teve um caso com o diretor. Ela volta para Coreia mas todo mundo sabe do babado. Achei esse filme muito, muito chato. MUBI

Marry Me - comédia romântica com J.Lo e Owen Wilson. J.Lo é uma cantora famosa que está noiva do Maluma e os dois vão casar durante um show, mas ela descobre que ele a estava traindo. Aí no meio do show ela acaba casando com o Owen Wilson que estava lá só acompanhando a filha adolescente. É tipo Notting Hill. Divertido.

American Girl - filme taiwanês sobre uma adolescente que morou quase a vida toda nos EUA e sua mãe decide voltar para Tawain para se tratar de uma doença e porque o pai delas ainda está lá. Fen é adolescente revolts, ela quer voltar para os EUA de qualquer jeito, não consegue se adaptar na escola, briga com a mãe, com a irmã menor. Ela se sente estrangeira. NETFLIX

The Weekend Away - Blair Waldorf vai passar um findi com sua amiga na Croácia e a amiga some. Blair fica desesperada e tenta descobrir sozinha o que aconteceu já que a polícia não ajuda. NETFLIX

Turning Red - Animação da Pixar sobre a Meilin, uma garota de 13 anos chinesa-canadense, com uma mãe controladora, que um dia vira um enorme panda vermelho. A mãe de Meilin acha que é a menstruação dela que chegou mas depois descobre que é o panda que vem a ser uma espécie de "maldição na família". Acontece que Meilin curte seu panda e não quer fazer o ritual para mantê-lo domado e escondido. O desenho é bem dinâmico, quase mangá, a Meilin me lembrou a Mônica com seu temperamento e a amiga dela Abby me fez rir. Disney+

Fresh - Filme que começa como uma comédia romântica mas com 30 min já te diz que não é bem assim. Noa vai num date péssimo e fica traumatizada com o Tinder. Um dia no supermercado ela conhece o Steve, cara bonito, bacana, que não tem redes sociais, e eles começam a sair. Tudo está ótimo e Steve a convida para um fim de semana na cachoeira. Parei para não dar spoiler. Sebastian Stan e Daisy Edgar Jones tem química. STAR+

The Adam Project - um filme família fofis sobre um cara que vem de 2050 e junto com seu eu de 12 anos tem que resolver uns problemas que afetam o futuro. NETFLIX

Deep Water - Ben Affleck e Ana de Armas fazem um casal que dorme separado na mesma casa, tem uma filha, e frequentam as festas dos amigos. Ela tem alguns "amigos" e ele sabe. Alias, todo mundo sabe desse arranjo dos dois. Um dia ele resolve ter ciúmes. Poderia ser bom mas é RUIM. Nem Ana de Armas salva esse filme. Amazon Prime Video

Ride The Eagle - Um filme simpático sobre um cara que a mãe morreu e deixou uma casa na montanha mas ele tem que fazer algumas coisas numa lista que ela deixou. A mãe dele o largou adolescente para fazer parte de um culto. HBO Max

The Dead Don't Die - Filme de zumbis pretencioso. Bill Murray e Adam Driver fazem a linha "ai, zumbis, estamos entediados". Achei tudo bobo, os zumbis, a mensagem. A Tilda Swinton merecia zumbis coreanos. Ninguém faz zumbis como os coreanos. Se é para ver zumbi na NETFLIX melhor assistir All Of Us Are Dead ou Train To Busan.


Documentários

Lucy and Desi - Sobre Lucille Ball e Desi Arnaz que fizeram a série de maior sucesso dos anos 1950/1960. É MUITO melhor do que ver o filme ruim com a Nicole Kidman e Javier Bardem. Amazon Prime Video

The Andy Warhol Diaries - série de 6 episódios sobre Andy Warhol a partir de 1976 quando ele começou a escrever um diário contando tudo sobre sua vida e todos em volta. Para mim poderiam ter expandido a série para os anos antes dele levar um tiro (antes de 1968) que foram os anos áureos da Factory. NETFLIX

3 Toneladas: O Assalto ao Banco Central - Série de 3 episódios sobre o roubo do Banco Central em Fortaleza, onde os criminosos cavaram um túnel de uma casa perto do banco até o cofre e roubraram 164 milhões de reais. Está bem feita, e é quase inacreditável como conseguiram. NETFLIX

Summer of Soul - Documentário que foi indicado ao Oscar desse ano. É sobre um festival de música que aconteceu em 20 de julho de 1969 no Harlem. Foi tudo filmado mas colocaram numa gaveta e só agora, mais de 50 anos depois, estamos vendo esse show num parque. As músicas são ótimas e tem também várias entrevistas.


10.3.22

The Battinson

O homem morcego está de volta as telas do cinema. Dessa vez pelas mãos de Matt Reeves (Planeta dos Macacos: Confronto e A Guerra) com o Robert Pattinson como Batman. 

(aqui no blog Robert Pattinson é conhecido como Vampirinho, sim, o do Crepúsculo)

O Batman desse filme é mais jovem, está no seu segundo ano como o vingador mascarado de Gotham (segundo os caderninhos de anotações dele), é meio emo, mora num apartamento gótico com o Alfred que não o ajuda, é revoltado mas ainda está aprendendo algumas coisas e descobrindo verdades. Esse Batman vem ao som de Nirvana.

Felizmente esse filme não mostrou origem do herói, The Batman já chegou chegando porque a essa altura todo mundo já sabe o que aconteceu e como ele virou vigilante.

O prefeito de Gotham é assassinado dias antes da eleição e o vilão da vez é o Charada que gosta de deixar enigmas para o Batman decifrar. O Charada desse filme está mais para o serial killer do Zodiaco do que para o fanfarrão do Jim Carrey. 

O Batman tem os melhores vilões.

O Charada quer mostrar para Batman que a podridão de Gotham é muito maior do que os criminosos da cidade que roubam lojas, picham paredes, fazem bullying com os cidadãos ou matam pessoas e distribuem drogas. O buraco é bem mais fundo do que a caverna do Batman (que nesse filme está mais para garagem subterrânea do prédio).

O Bruce Wayne quase não aparece, e ele não está nem aí para os negócios da família (nem para a filantropia). Bruce Wayne está mergulhado na sua missão de vingança, ele não tem um plano, ele vai na oportunidade.

O Batman desse filme é um detetive e dos bons. Ele se mete no trabalho da polícia e goza de privilégios junto ao tenente Gordon (o que lembra mais a série dos anos 1960 do que os filmes do Tim Burton e do Nolan).

A Mulher Gato é uma ladra mas ela também quer fazer uma limpa na cidade e se junta ao Batman. Zoe Kravitz arrasa.

Além do Charada (o excelente Paul Dano que poderia ter aparecido mais) tem o Pinguim mas nesse filme ele é só um mafioso coadjuvante. Aguardo a volta do Pinguim porque Colin Farrell está irreconhecível e ótimo.

O filme é do Vampirinho, que fez muitos filmes bons depois da "saga" Crepusculo e já provou que é um ótimo ator (Good Time, O Farol, Cosmópolis, The Devil All The Time). O Batman está em quase todas as cenas desse filme, que, inclusive, é narrado por ele. O vilão é muito bom mas aqui o foco é no morcegão e como ele ainda precisa aprender um bocado. Robert Pattinson (em forma) acerta na angústia do Batman que é difícil de fazer só com os olhos já que ele passa o filme quase todo mascarado.

Depois desse filme, o Vampirinho, aqui no blog, passa a ser conhecido como Battinson.

O filme tem violência, é escuro (mas bem fotografado), muita chuva, tem cenas de ação boas e a trilha sonora, do Michael Giacchino, tem um quê da marcha imperial do Darth Vader (já existe um mash up no Spotify). Vale a pena ficar vendo as letrinhas dos créditos para escutar Sonata in Darkness no piano. 

Gostei muito desse filme, entra no meu top 3 filmes do Batman, junto com O Cavaleiro das Trevas (2008) e Batman, O Retorno (1992).

A Tia Helô ia achar um exagero menino Bruce sair dando porrada pela cidade. 417 "Ai, Jesus!" para o cinto de utilidades do Battinson.