Quando escrevi sobre A Origem disse que se fosse Hollywood daria um cheque em branco para o Christopher Nolan porque nunca tinha visto um filme dele que não tivesse gostado, alguns mais do que outros mas sempre vale a ida ao cinema.
Durante a pandemia entrei num mini vórtex de mitologia grega e li, entre outros livros, A Canção de Aquiles e Circe da Madeline Miller e Thousand Ships da Natalie Haynes. Nunca li a Odisséia nem a Ilíada, não gosto do formato de poema (quem sabe um dia) mas sei por esse outros livros, alguns filmes e o Noites Gregas como é a história do Odisseu/Ulisses.
Fui para o cinema com expectativa para ver o que o Christopher Nolan ia fazer com essa história. Adianto que gostei do filme, é lindo, feito no capricho, cada enquadramento é um flash. A música do Ludwig Göransson é maravilhosa, ele fez tudo com instrumentos que seriam da época.
Matt Damon faz o Odisseu que está tentando voltar para casa depois de passar 10 anos na guerra de Tróia. Foi dele a idéia do cavalo de madeira com soldados gregos dentro que os troianos levaram para dentro da muralha da cidade.
A guerra acabou e Odisseu começa sua jornada de volta para casa com seus homens enquanto sua esposa Penelope (Anne Hathaway) e seu filho Telemaco (Tom Holland) entretêm dezenas de candidatos a marido e rei de Itaca.
A história é conhecida, Odisseu leva 10 anos até chegar em casa e passa por muitos perrengues porque fez raiva ao deus Poseidon quando machucou o Ciclopes.
A história alterna entre Penelope e Telemaco tentando manter a ordem em casa e as peripécias de Odisseu que ele está contando para Calypso.
Calypso (Charlize Theron) é subaproveitada nesse filme. Menelau e Helena tem uma participação pequena mas boa. O Agamenon parece o Darth Vader com aquele capacete preto estiloso.
A parte no submundo é boa, mas faltou um bocado de gente que o Odisseu encontra lá (a mãe, o Aquiles). No filme ele conversa com o Agamenon, o Tiresias e com Sinon que foi o rapaz responsável por entregar o cavalo de Tróia para os troianos.
A parte do filme que mais gostei foi da Circe (Samantha Morton). Ela é uma feiticeira poderosa e no filme ela transforma os homens do Odisseu em porcos numa cena incrível. Na história é ela que dá várias dicas para o Odisseu (colocar cera nos ouvidos para passar as sereias) e ele passou um ano na ilha com ela mas isso não tem no filme e acho que ela merece um spin off.
A Penelope da história é tão inteligente e esperta quanto o Odisseu, afinal ela consegue enrolar segurar esses candidatos por 10 anos. No filme achei que ela sofre demais mas o Odisseu do filme também não mostra toda sua esperteza e carrega muita culpa.
O Antinous, um dos candidatos a marido da Penelope, é péssimo mas o Vampirinho está ótimo no papel desse covarde.
Os deuses aparecem como fenômenos da natureza: raios, trovões, ondas, chuva. A Zendaya, em teoria, faz a Athena mas ela é mais a consciência do Odisseu.
A adaptação do Nolan é eficiente, ele juntou algumas partes da história e cortou outras para agilizar, e ainda assim rendeu um filme com mais de 3 horas que passa rápido.
Como disse, gostei do filme, acho que vale o ingresso do cinema e de preferência na maior tela que tiver (vi no IMAX) mas não me emocionou, não saí empolgada do cinema.
(tem uma parte com luzes estroboscópicas que me incomodou demais, fica o aviso)
Não sei se a Tia Helô gostava de mitologia grega, acho que não, ela era muito church lady, mas acho que ela gostaria de ver Odisseu sofrendo para chegar em casa e diria 362 "Ai, Jesus!"para cada vez que alguém menciona a lei de Zeus.
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