12.11.09

Book Report: Comer, Rezar, Amar - Elizabeth Gilbert

Duas amigas me disseram que esse livro era ótimo, que eu deveria ler. Disseram que eu ia gostar, afinal tinha viagem, comida, e era tudo muito bem contado.

Uma delas me emprestou. Dificilmente eu compraria esse livro. Primeiro pelo título, depois pela capa (sim eu compro livros pela capa) e a sinopse não me agrada. Comecei a ler sem preconceitos (afinal também não compraria O Caçador de Pipas, li e gostei).

Para quem não sabe, a história é sobre uma mulher que, depois do divórcio, resolve tirar um ano sabático dividido em 4 meses na Itália, 4 na India e 4 na Indonésia.

Adivinhem.

Eu não gostei. (Sorry, amigas)

É um clichê atrás do outro. Tem algumas coisas interessantes, mas passam meio que desapercebidas. Ela tenta ser engraçada, até usa algumas referências pop, mas ficou forçado.

A parte da Itália, para mim, foi meio chata. Só me idenfiquei com o tanto de sorvete que ela comia. E como já disse aqui, o sorvete italiano é motivo suficiente para uma viagem até lá. Ela passa 4 meses morando em Roma e viajando pela Italia, comendo muito, mas descreve muito pouco a comida (eu só lembro dos sorvetes, da pizza e do primeiro jantar na cidade). Ela fala muito do namorado que deixou. Ela diz que ficou 4 meses na Italia e não foi a um museu, também está tudo lá a céu aberto.

Na India, eu fiquei entediada. Confesso que meu interesse nas coisas da India é quase zero (só gosto daquela coisa colorida que é Bollywood). E nessa parte do livro ela fala do ashram, das meditações, de crescimento interior, blá, blá, blá, zzzzzzzzzzz. Eu só gostei do tal Richard do Texas. Richard era um cinquentão com uma vida cheia de altos e baixos, aliás, um livro sobre a vida dele teria sido mais interessante.

Na Indonésia foi a parte que gostei um pouco. Acho que quando ela chegou lá já tinha passado pela fase mulherzinha chata e pela busca de Deus, só faltando o equilíbrio. Já na Indonésia ela descreve curiosidades da cultura (como os nomes das pessoas e estruturas familiares), fala das transações imobiliárias e dos amigos que fez. Bom, gostei até a parte que ela conhece o namorado brasileiro. Depois disso ficou ficou doce demais, mulherzinha demais, aqueles romances de jornaleiro, tipo Sabrina e Julia, são melhores. #prontofalei

A autora se propõe a escrever um livro sobre seu autoconhecimento, mas não solta todos os demônios. As pessoas não têm defeitos, nem seus pais, nem sua irmã, nem seu ex-marido (a não ser querer todo o dinheiro dela, mas, fora isso, não entra em detalhes), nem o ex-namorado, nem os amigos, e muito menos o namorado brasileiro.

Acho que esse vai ser um dos poucos casos que o filme vai ser melhor que o livro. Tem a Julia Roberts e o Javier Bardem (e provavelmente irá durar menos de 2 horas).

Eu já li outros livros que falam das mesmas coisas, e melhor:

-Um Advinho Me Disse (Tiziano Terzani) - sobre o oriente, religões, crenças, meditaçãos e viagens.
-Eu Falar Bonito Um Dia (David Sedaris) - sobre família, com muito humor e sacadas geniais. Autobiográfico e divertido.
-Na Praia (Ian McEwan) - sobre amor sofrido.
-Como Água Para Chocolate (Laura Esquivel) - sobre comida (e amor sofrido).
-Como Me Tornei Estúpido (Martin Page) - autoconhecimento.
-Melancia (Marian Keyes)- sobre um divórcio difícil, mas com humor. E, sim, é mulherzinha.
-Divórcio Em Buda (Sandor Marai) - obviamente sobre divórcio.

#ficaadica

Um comentário:

  1. Anônimo12:43 AM

    concordo ...
    ate gostei de algumas coisas no livro, mas ela é muito chata toda hora remembering the divorce.
    e, realmente, vc tem muita razão qdo diz q ela não descreve bem as comidas, e principalmente, quanto a irritante perfeição de todos os personagens, inclusive elazinha.
    pelo menos eu li no original e não tive q penar na mão dos tradutores.
    vou tentar os outros da sua lista de sugestões!

    ResponderExcluir