20.12.13

Analisando a música: Love Will Tear Us Apart (Joy Division)

Essa semana esbarrei numa lista dos 25 homens mais estilosos da literatura inglesa e claro que o Heathcliff está nessa lista (o Mr. Darcy e o Gatsby também, mas isso fica para outro dia). Então, sobre o Heathcliff tem a seguinte observação: "Se Heathcliff estivesse uns 150 anos, ou mais, a frente ele ostentaria um mac, teria um lado boêmio/festeiro hard core e escutaria Joy Division. Os pós-punks acham que inventaram a infelicidade e sofrimento, mas não foram eles. Bem-vindos ao mundo carregado de desgraça e sofrimento eterno do Heathcliff de Emily Brontë."

O Joy Division foi uma banda formada em 1976, em Manchester, por Ian Curtis, Bernard Sumner, Peter Hook e Stephen Morris. Tocavam nos clubes na Inglaterra, mas o primeiro album, Unknown Pleasures, foi só em 1979. O Joy Division é considerado punk rock, mas eu acho que eles tem mais do que um pé no pós-punk. As músicas são mais melódicas, menos cruas. O Ian Curtis era o vocalista e principal letrista da banda, a voz dele é grave e melancólica, assim como as letras. O Ian Curtis se matou um dia antes da banda sair para seu primeiro tour nos EUA. Um filme que conta a história da banda e do Ian Curtis é Control, de 2007. É um ótimo filme, mesmo que você nunca tenha escutado Joy Division. Outro filme muito bom sobre a época é A Festa Nunca Termina, de 2002.

Depois que o Ian Curtis morreu a banda se desfez e os três membros restantes formaram o New Order. Conheci o Joy Division depois de conhecer o New Order, quando lançaram, em 1988, um album (Substance) com as melhores músicas do Joy Division.

Love Will Tear Us Apart é de 1979, mas só foi lançada como single um pouco antes da morte do Ian Curtis em 1980. Acho que é a música mais conhecida da banda. O Ian Curtis se casou cedo, com a fama da banda a esposa dele não se encaixava nessa outra vida, então ele escreveu essa música sobre um relacionamento que está acabando, que apesar de se amarem os caminhos estão divergindo.

O Heathcliff nunca ficou com a Cathy, ela escolheu casar com o Edgar pelo dinheiro e posição. A Cathy tinha medo do amor que sentia por ele, inclusive dizia "He is more myself than I am.", e escolheu uma vida confortável ao lado do Edgar depois que o Heathcliff foi embora. Acontece que o Heathcliff voltou para a vida dela com força total, mas ela não segurou o tranco, love teared them apart. O Heathcliff se arrastou numa fossa por 20 anos depois da morte dela. Nunca saberemos se teriam dado certo juntos, certamente teriam vivido os problemas de um relacionamento, chata do jeito que a Cathy era, seria uma DR por dia.

Tenho certeza que o Heathcliff teria essa música no repeat do iPod dele.


When routine bites hard
And ambitions are low
And resentment rides high
But emotions won't grow
And we're changing our ways
Taking different roads

O pessoal do forum diz que essa música foi escrita como uma resposta cínica a Love Will Keep Us Together do Capitain & Tenille, como um antídoto a alegria, o amor não resolve tudo. Acredito. Como eu disse, o Ian Curtis estava numa fase difícil do seu casamento e, além dos problemas de saúde que ele tinha (sofria de epilepsia), dizem que ele teve um caso com uma jornalista belga (mas ela diz que foi só platônico). O babado todo veio a tona quando a Deborah Curtis escreveu a biografia do marido, Touching From A Distance (não li, mas agora me deu vontade).
Essa música é tão pessoal que a esposa gravou o título na lápide do túmulo dele.
É uma música honesta sobre relacionamento, porque, como tantas outras músicas nos ensinaram, um dia acaba. Tem uma letra bem direta sobre a rotina, falta de expectativas, ressentimentos, e como com o tempo as pessoas mudam, querem coisas diferentes e, o sentimento existe, mas não acompanha, a relação babau.

Then love, love will tear us apart, again
Love, love will tear us apart, again

Então, apesar de se amarem, vão se separar. O amor nunca morre, mas de certa forma morre (filosofei?). Já não é suficiente, e por isso o próprio amor vai apartar os dois. Também pode ser que esse amor que os separa é o fato dele ter se apaixonado por outra.

Why is the bedroom so cold?
You've turn away on your side
Is my timing that flawed?
Our respect runs so dry
Yet there is still this appeal
That we've kept through our lives

Ele sente a frieza no ar, ela esta de costas para ele na cama (sexo, nem pensar). Ele acha que perdeu o timing, quer saber o que está errado, sabe que o respeito está acabando, mas ainda tem uma atração. É difícil terminar um relacionamento, tanto que nessas duas últimas frases tem um pouco de otimismo.

But love, love will tear us apart, again
Love, love will tear us apart, again

E apesar da atração, o amor vai separá-los, outra vez. É também sobre uma relação iô-iô.

You cry out in your sleep
All my failings exposed
And there's a taste in my mouth
As desperation takes hold
Just that something so good
Just can't function no more

Ele sabe que ela está infeliz e que seus defeitos estão expostos. Ele sente o gosto ruim da desesperança e não quer acreditar que uma coisa tão boa não tem mais propósito. Ele sabe que não vai conseguir acertar as pontas e fazer a relação funcionar.

But love, love will tear us apart again
Love, love will tear us apart, again

Mesmo com a constatação que a relação está chegando ao fim, essa música não deixa de ser uma declaração de amor.


Eu adoro o início dessa música, tem um riff bacana e já começa com uma batida boa. É uma das minhas música preferidas de corrida, mas, gente, que letra triste.






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