28.2.26

+Séries e Filmes

Séries

Heated Rivalry (Rivalidade Ardente) - Uma série que foi feita timidamente no Canadá com atores desconhecidos mas que ganhou o mundo. Foi baseada numa série de livros da Rachel Reid (que não li mas agora quero ler todos). É sobre dois jogadores de hóquei no gelo, Shane Hollander e Ilya Rozanov, que são de times rivais e começam um relacionamento escondido que a princípio é sexual mas evolui. Sim, tem bastante cena de sexo e nenhuma é gratuita. Shane é mais tímido e Ilya é bissexual, mais acostumado com o jogo da sedução, porém com problemas de família. O que os dois se entendem na cama se desentendem quando tentam se comunicar. Tem um episódio inteiro sobre outro jogador de hóquei gay que também está no armário que é muito bom e faz todo sentido quando chega no ótimo episódio 5. 

Shane e Ilya tem química 🔥. 

O Connor Storrie que faz o Ilya com um sotaque russo perfeito, e fala russo que ele aprendeu para a série. É curtinha, são só 6 episódios e já queremos mais. HBO 

Estou impressionada com a quantidade de memes, videos, podcasts, cortes da série que estão fazendo. Tem de tudo que alguém possa imaginar: analises da cinematografia (que é ótima), analise psicológica, pessoas reagindo aos episódios (gays, lésbicas, mulheres e homens heterossexuais, netos com vózinhas fofas, etc), tem gente fazendo as cenas com bonecos, com massinha, com cachorros e até com o Snoopy sendo o Shane. Me lembrou os bons tempos das teorias de Lost e de GoT porém Heated Rivalry não tem mistério, não tem luta por poder, não tem dragões, é um romance. As pessoas querem falar de amor, relacionamento, comunicação e também ver corpos bonitos e sarados. 

Todo mundo quer ir para a cottage.

A Knight of the Seven Kingdoms - uma série spin-off de Game Of Throne que passa mais ou menos uns 100 anos antes. O Duncan é um escudeiro e quando o cavaleiro que ele acompanha morre ele vai atras de se tornar um cavaleiro de verdade. No meio do caminho ele encontra o Egg, um garotinho sabido que diz que quer ser o escudeiro do Sir Duncan. Os dois juntos são fofos. Mas essa é uma Westeros mais escatológica. Quando os dois chegam no campeonato de cavaleiros a coisa esquenta. Também só 6 episódios e já queremos mais. HBO

Drops of God - na segunda temporada os irmãos Camille e Issei vão até a Georgia atrás de um vinho que o pai deles nunca conseguiu descobrir de onde era. Eles descobrem mas também se veem no meio de uma briga familiar. APPLE TV

Shrinking - na terceira temporada o Paul (Harrison Ford, ótimo) tem que decidir se aposentar de vez. O Jimmy está com a síndrome do ninho vazio porque sua filha vai para faculdade e tem o babado do casal gay com o bebê que vão adotar. APPLE TV

The Art of Sarah - série coreana de 8 episódios onde um detetive (bonitão) investiga a morte de uma mulher e a cada episódio vamos descobrindo uma faceta diferente dela. NETFLIX

Reality Check: Inside ANTM - O America's Next Top Model foi um programa bizarro, as meninas se submetiam a um bocado de coisa duvidosa na esperança de se tornarem modelos profissionais. A gente assistia pelo babado, e as vezes esse babado era forte demais. Nesse documentário a gente vê que a Tyra Banks tem muita culpa em tudo que aconteceu mas ela não assume. E vou dar logo o spoiler que ela diz que vai deixar a sorveteria na Australia de lado um pouco e vem com uma nova temporada do programa. Só queria dizer que os tempos são outros Tyra. NETFLIX

Pretty Baby Brooke Shields - Um documentário sobre a Brooke Shields que de certa forma teve sua beleza explorada por várias pessoas (incluindo sua mãe) desde muito nova e como ela virou atriz. Ela foi a cara dos anos 1980. DISNEY


Filmes

Wuthering Heights tem post.

Blue Moon - filme do Richard Linklater sobre o compositor Lorenz Hart (que compôs Blue Moon) que passa em uma noite quando ele vai ver a estréia de Oklahama, um musical composto por seu antigo parceiro de composição. O filme passa todo dentro de um bar e o Ethan Hawke fala sem parar. Ele tem observações pertinentes mas na maior parte do tempo ele é chato e sem noção. Ethan Hawke está indicado ao Oscar por esse papel, acho justo mas achei o filme chato.

Song Sung Blue - Filme baseado num documentário sobre o Mike, um interprete que faz covers. Mike conhece Claire e os dois formam um duo que faz apresentações com músicas do Neil Diamond. Eles não tem dinheiro mas se viram. Mike é veterano da Guerra do Vietnã e alcoólatra. Claire é cabeleleira e os dois se conhecem num show de covers. A vida deles não é fácil, tem tragédia, tem dificuldades mas também tem bons momentos. As músicas do Neil Diamond são tocadas na íntegra e Hugh Jackman e Kate Hudson já podem sair em turnê.

Manual Prático da Vingança Lucrativa - Glen Powell é um rapaz que é herdeiro de uma fortuna. Sua mãe era filha de um bilionário que a expulsou de casa quando ela engravidou mas não a tirou da herança. Acontece que para ele ficar com a herança outras 7 pessoas tem que morrer. A mãe morre cedo e Becket decide se vingar da família e ficar com essa herança. Esse filme é muito parecido com um livro que li ano passado: How To Kill Your Family da Bella Mackie, a história é quase a mesma. O filme é divertido e tem o rolê aleatório de tocar uma música do Juca Chaves: Take Me Back To Piauí. 

O Último Azul - filme nacional sobre uma mulher de 77 anos que vai ser mandada para uma colônia de idosos nesse futuro meio distópico onde idosos depois de uma certa idade não tem controle da própria vida. O sonho dela é voar de avião mas para isso precisa da autorização da filha que não dá, então ela tem que procurar meios alternativos. NETFLIX

O Bom Bandido - um filme sessão da tarde sobre um cara que tudo da errado na vida dele e seu único talento é observar movimentação (dos vizinhos, de bancos, lojas, etc) então ele vira ladrão. O ladrão do telhado porque ele entra nos lugares pelo telhado. Ele vai preso mas consegue fugir e passa morar escondido numa loja de brinquedos. O Channing Tatum e a Kirsten Dunst estão muito bem e o filme é ok. PRIME

Even If This Love Disappears Tonight - filme coreano sobre uma menina que quando acorda esquece tudo que passou no dia anterior (igual aquele filme do Adam Sandler com a Drew Barrymore mas aqui as coisas são levadas mais a sério). Ela anota tudo que acontece e só seus pais e sua melhor amiga sabem dessa condição. Um dia, na escola, o mocinho vai defender um amigo de um bully e é desafiado a chamar a mocinha num date e ela aceita. Os dois começam a namorar mas ele não sabe de nada...até que ele descobre. A abordagem da condição dela é muito bem feita mas, porra coreanos, dá para deixar o povo ser feliz? NETFLIX


22.2.26

Milano e Cortina ô ô ô (2)

Entre os bloquinhos de carnaval consegui ver a segunda semana das olimpíadas.

Na patinação artística de pares a dupla japonesa, Miura Riku e Kihara Ryuichi, não foi muito bem no programa curto e ficou em quinto. Os dois voltaram com tudo no programa longo, foram impecáveis e ganharam a medalha de ouro.

fofos

A prata ficou com a dupla da Georgia e o bronze com a Alemanha.

Na competição feminina Alysa Liu ficou em terceiro no programa curto mas no programa longo ela veio com Donna Summer cantando McArthur Park e fez uma apresentação maravilhosa e animada. Medalha de ouro para ela!


A Kaori Sakamoto patinou lindamente e ficou com a prata e a Ami Nakai de 17 anos ficou com o bronze.

A apresentação de gala da patinação foi muito divertida. Teve a patinadora coreana que se apresentou com a música das Guerreiras do K-pop, teve uma dupla que fez Mortal Kombat, a dupla espanhola jogou futebol, o Ilia Malinin fez uma apresentação performática com backflip, a dupla japonesa mostrou ginga com a música do Justin Timberlake mas a cereja do bolo foi o medalha de ouro do Cazaquistão, Shaidorov, que veio vestido de panda e lutou com o Deadpool. No fim ele recebeu dois pandinhas do Jackie Chan.

O curling ficou com inveja das tretas da patinação e arrumou uma para chamar de sua. Teve uma briga entre os suecos e os canadenses no curling masculino. Parece que os canadenses estavam usando um dedinho para dar um empurrãozinho a mais na pedra. Teve palavrão e tudo. No fim o Canadá ficou com a medalha de ouro, os britânicos com a prata e os suíços com o bronze.

No feminino ficou: Suécia com ouro, Suíça com a prata e Canadá com o bronze.

No hóquei teve final clássica EUA x Canadá tanto no feminino quanto no masculino e os EUA ganharam ouro nos dois. No feminino a Suíça ficou com o bronze e no masculino foi a Finlândia.

E não teve beijo para os fãs de Heated Rivalry (risos).

Teve um esporte novo Skimo, esqui-alpinismo, que consiste em subir a montanha de esquis driblando uns obstáculos, tirar os esquis, subir umas escadas, colocar os esquis e tirar uma pelicula (que ajuda na subida) e descer a montanha. Tudo isso em menos de 3 minutos. Vi a competição de revezamento misto e a medalha de ouro ficou com a França. Prata para Suíça e Bronze para a Espanha.


No bobsled o Brasil conseguiu melhorar a posição da última olimpíada e ficou em 19, quem sabe na próxima a gente sobe mais posições. 

A chinesa Eileen Gu foi bicampeã olímpica no esqui livre no halfpipe. 

Esse ano meus horários não bateram com os do snowboard cross que acho ótimo de assistir quando tem a corrida entre os atletas. Espero que volte nas próximas olimpíadas.

O Brasil terminou em 19 no quadro de medalhas, na frente da Dinamarca, Nova Zelândia e Finlândia. Valeu Lucas!

A transmissão da CazéTV foi muito boa, as vezes os narradores são muito empolgados mas o importante é que mostraram todos os esportes.

A cerimônia de encerramento foi no coliseu de Verona que é lindo. Teve muita ópera e dança. O porta bandeira do Brasil foi o Edson Bindilatti do bobsled, essa foi a sexta e última olimpíada dele.


Até os Alpes Franceses em 2030!


Mas ainda tem a Paralimpiada e o Brasil vai levar 8 atletas.


Milano e Cortina ô ô ô  parte 1

14.2.26

Enquanto isso em Milano e Cortina ô ô ô...

(Ler esse título como a música Vamos a la playa)

Olimpiadas de Inverno! Adoro.

É muito bom ficar vendo o povo na neve e frio enquanto estou no calorzinho confortável.

Repito aqui o já escrevi em outros anos:

Adoro as Olimpíadas, de verão e inverno. Confesso que conheço pouco dos esportes de inverno, por motivo de: moro no nordeste do Brasil e, vamos combinar, o máximo de esporte de inverno que vejo por aqui é arremesso de cubos de gelo.
Mesmo assim acompanho quase tudo pela TV. Adoro as roupas tecnológicas coloridas (e coladas), bochechas rosadas e de ver a neve branquinha enquanto suo de calor. Como disse antes: gosto de todos os esportes. Da velocidade do esqui, das manobras do snowboard, das coreografias da patinação, da testosterona do hockey e até da precisão do curling.

Se bem que hoje já posso dizer que entendo um pouco mais dos esportes de inverno. Já sei identificar um triple axel na patinação, sei o que precisa ser feito para ganhar uma partida de curling e vamos combinar que não é difícil entender o esqui downhill e a patinação de velocidade.

A abertura em Milano foi bonita, trouxeram tudo que a Itália tem: moda, comida, ópera, história, etc. Teve até um pessoal fantasiado de cafeteira italiana. 


Os atletas entraram em lugares diferentes porque tem provas em diferentes cidades e é desnecessário ficar transportando os atletas para lá e pará cá.

Esse ano o Brasil teve um dos melhores uniformes na estrada dos atletas e tivemos 2 porta bandeiras - Lucas Pinheiro Braathen (esqui alpino) e Nicole Silveira (skeleton). Lucas entrou com mais dois atletas em Milano mas Nicole entrou em Cortina com um grupo que fez até coreografia. 

Esse ano a delegação brasileira tem 14 atletas nas modalidades: esqui alpino, skeleton, esqui cross country, bobsled, snowboard halfpipe. E temos chances de medalha, dedinhos cruzados.

chiques de moncler

A pira olímpica também foi acesa nas duas cidades. O Besuntado de Tonga foi mas ele não foi besuntado, estava todo vestido carregando a bandeira olímpica com a Rebeca Andrade.

Antes da cerimônia de abertura já tinha acontecido curling (duplas mistas) e patinação (de equipes).

Os suecos venceram o curling de duplas mistas mas a estrela da competição foi a italiana que lançava aquelas pedras com uma precisão incrível. Ela e sua dupla ficaram com a medalha de bronze.



O esqui downhill chega a 145km/h e deixa qualquer um tenso, mas agora tem um drone filmando e deixa a coisa ainda mais tensa porque dá para ver como é rápido.

No snowboard halfpipe masculino os dois brasileiros não passaram para a final, caíram na segunda volta e não fizeram pontos suficientes na primeira, mas fizeram voltas muito boas na minha opinião. Tem atleta que chega saltar 5 metros para fazer as piruetas.

Já no snowboard halfpipe feminino teve emoção de sobra. Chloe Kim veio para tentar o tri campeonato e na primeira volta (de 3) já fez uma nota alta e ficou em primeiro. A sul coreana Choi Gaun, de 17 anos, caiu feio na primeira volta, chegou a ficar um bom tempo sem se mexer no chão deixando os comentaristas preocupados, mas ela se recuperou e voltou para segunda volta e... caiu. Na última volta quase todas estavam caindo, tinha neve caindo, tinha vento, mas a coreana conseguiu completar e fez a maior pontuação ficando em primeiro. Não sei quem chorou mais: ela, o técnico ou os torcedores coreanos. Chloe Kim caiu no fim da terceira volta, ficou com a medalha de prata e foi sorridente parabenizar a Gaun. A japonesa ficou com o bronze.


Na patinação de velocidade a italiana Francesca Lollobrigida levou ouro nos 5000m. Ela patinou numa velocidade absurda de quase 50km/h (com lâminas nos pés!). A prata ficou com a holandesa e o bronze com a norueguesa.


Na patinação de velocidade na pista curta a Holanda continua dominando tudo.

Na patinação artística por equipes podemos ver o que vem pela frente das competições individuais e em duplas. 

O tema do programa curto da dança no gelo foi músicas dos anos 1990, então a diversão estava garantida: teve a dupla francesa com Vogue da Madonna, uma dupla britânica abraçou Freedom do George Michael e a outra foi de Spice Girls. Ricky Martin apareceu 3 vezes e a outra dupla francesa foi de Daft Punk (acho que mereciam mais pontos por essa escolha).

A dupla de dança no gelo americana fez um programa longo espetacular com Paint it Black da Rolling Stones.

A dupla japonesa fez uma apresentação perfeita na patinação em duplas (que vale saltos e arremessos).

Foi na patinação por equipes que vimos o patinador dos EUA, Ilia Malinin, patinando pela primeira vez mas ele não fez o tal axel quádruplo mas fez um backflip que era proíbido mas agora pode mas não vale pontos**. Não acho ele muito conectado na parte artística e nem só de salto com piruetas vive a patinação mas ele salta muito e faz muitos pontos.

O japonês Kagiyama fez uma apresentação super carismática e ficou na frente no programa curto da patinação por equipes. É um fofo.

Mas no programa longo o Ilia engoliu uma mola, fez vários saltos, fez outro backflip (a essa alltura já perdeu a graça) e deu a medalha de ouro para a equipe dos EUA. Japoneses com a prata e italianos com bronze.

** Vamos lembrar que a última vez que uma atleta fez um backflip em uma olimpíada foi a francesa Surya Bonaly em Nagano 1998, quando ainda era proibido, e ela fez protestando porque na época disseram que ela não poderia fazer tantos saltos, as mulheres tinham que ser mais "artísticas".**

Na competição da dança no gelo a dupla francesa do Vogue venceu a dupla dos EUA do Paint it Black. A dupla francesa foi melhor no programa curto mas no longo achei a dupla dos EUA melhor, mas aparentemente os juizes acharam os franceses melhores nas duas. O bronze ficou com os canadenses.

A treta da vez na patinação é exatamente com essa dupla francesa que se juntou em março de 2025 depois que ela trocou o Canada pela França. Tem outras coisas também mas quem quiser saber é só jogar no google. Não é patinação sem uma treta. (tem um video que classifica as tretas da patinação desde 1902)

Na patinação masculina o Ilia Malinin ficou em primeiro no programa curto. Acertou os saltos quádruplos no seu cosplay de he-man. O Yuma Kagiyama ficou em segundo e o francês Adam Siao Him Fa que fez a melhor apresentação ficou em terceiro.

No programa longo o mexicano Donavan veio com um medley de Elvis Presley que merecia mais pontos só pela música e pela ginga. 

Aí no último bloco de patinadores o patinador do Cazaquistão arrasou e ficou sentado esperando o francês, o japonês e o menino saltador.

E o que aconteceu? Francês caiu um bocado, o Kagiyama errou um salto e também caiu e o menino saltador abortou 2 saltos e também caiu no chão. Cazaquistão com a medalha de ouro! Kagiyama com a prata outra vez e o bronze foi para o Sato, outro japonês, que nunca pensou que fosse para o pódio.

A patinação feminina é semana que vem. 

E para terminar esse post longo....TEMOS MEDALHA DE OURO!! 🏅

Lucas Pinheiro Braathen DOMINOU o esqui alpino slalom. Acordei as 6 da manhã para ver ele descendo a primeira vez e fez logo um tempo ótimo e ficou em primeiro. 

Na segunda descida eu estava no meio do crossfit e parei para ver no celular a descida espetacular e a comemoração fofa.

voando baixo


Brasil: país do esqui alpino. E vamos comemorar no Carnaval.


Milano e Cortina parte 2

13.2.26

"Wuthering Heights"

Já falei do livro, analisei a música, analisei uma outra música baseada no que seria o gosto musical do Heathcliff, disse porque prefiro o Heathcliff ao Mr. Rochester e visitei a cidade das irmãs Brontë. Então acho que estou apta a falar desse filme. 

Com Spoilers.

Quando saiu a notícia que viria uma nova adaptação de O Morro dos Ventos Uivantes fiquei curiosa. Já tinha visto o filme dos anos 1990 com Ralph Fiennes e Juliette Binoche, a série de 2009 com Tom Hardy e Charlotte Riley, o filme de 2011 com Kaya Scodelario e James Howson e até uma versão moderninha feita pela MTV.

Esse filme foi dirigido pela Emerald Fennell e gostei dos outros filmes dela: Promising Young Woman e Saltburn. Achei que ela iria trazer alguma irreverência ou modernidade para a história mas o que ela fez foi meio que uma fanfic. Ela pegou partes da história, adicionou o que ela gostaria de ter lido no livro (erotismo) ou o que ela achava que lembrava do livro e fez sua versão. Por isso ela colocou as aspas no título.

O Morro dos Ventos Uivantes é uma história de um amor (tóxico) mas é também uma história de vingança. Tanto que a Cathy morre no meio do livro e ainda tem muita história pela frente. 

No filme a história conta só a primeira parte do livro que faz sentido porque é uma história com muitas camadas para 2 horas. 

O filme segue mais ou menos a história do livro: Sr. Earnshaw traz o Heathcliff, ele e a Cathy ficam melhores amigos, os dois crescem e a Cathy curiosa vai ver o que acontece na casa vizinha. Lá ela torce o pé e fica na casa com o Edgar e Isabella por meses. Ela volta para Wuthering Heights toda mudada mas ainda procura Heathcliff. Tem a cena dela falando com a Nelly na cozinha que o Heathcliff escuta só metade e vai embora. Cathy se casa com Edgar e sofre porque Heathcliff sumiu. Os anos passam e adivinha quem volta lindão e rico? Ele mesmo, Heathcliff. 

Aqui é que a história muda para o que a Emerald Fennel gostaria de ver. Heathcliff e Cathy se pegam por um tempo no jardim, no sótão, na rua, na casa, na fazenda.... e ela já estava grávida do Edgar. Quando Heathcliff descobre que ela não vai largar o Edgar ele dá em cima da Isabella que estava querendo aquele corpinho faz tempo. Mas ele maltrata a Isabella e a faz escrever cartas para Cathy que a Nelly joga no fogo.

Cathy começa ficar doente de saudades e ciúmes do Heathcliff até que já é tarde demais. E o filme acaba nessa parte da história. 

Antes do filme estrear já estava cheio de polêmica por causa da idade da Margot Robbie (35 anos) e da cor do Jacob Elordi. Com exceção do filme de 2011, que os atores tem idade apropriada e o Heathcliff não é branco, em todos os outros os atores já estão na casa dos 30 e são bem brancos. Ralph Fiennes fez o Heatcliff com 30 anos e Juliette Binoche tinha 28 e o Tom Hardy já tinha 32 anos.

Na história a Cathy é bem jovem, ela tem que decidir se casar ali pelos 14 anos, o que também justifica sua personalidade mais do que irritante e mimada. 

O Heathcliff é descrito com uma pele escura que, na Inglaterra de 1800, isso pode ser um cigano, um árabe, um negro, ou uma pessoa com um tom acima do branco leite, e concordo que isso importa porque o Heathcliff sofre muito preconceito e não só porque ele é um orfão que foi abandonado e pobre. Porém nesse filme a parte da vingança foi deixada de lado então só importa mesmo o Heathcliff ser pobre.

Se é para ser chata: a Cathy do livro não é loira, ela tem o cabelo e os olhos escuros. Quem são os loiros na história são so vizinhos, os Linton, Edgar e Isabella. No filme isso foi trocado.

Alguns personagens foram eliminados. A mãe da Cathy ainda é viva quando o Heathcliff chega trazido pelo Sr. Earnshaw e no filme ela já morreu. O irmão da Cathy, o Hindley, não existe no filme e a personalidade destrutiva dele foi incorporada no Sr. Earnshaw que por sua vez viveu muito mais do que no livro. 

No livro Heathcliff só vira empregado depois que o Sr. Earnshaw morre porque é o Hindley que o odeia. O Sr. Earnshaw tratava o Heathcliff como filho.

O Sr. Earnshaw, enquanto vivo, era muito respeitado e tinha dinheiro. O Hindley é que vai perdendo a fortuna mas depois que a Cathy se casa com Edgar. A Cathy se casa com Edgar porque ele tem a mesma posição social e é um gentleman, no filme dá entender que é porque a família dela precisa do dinheiro.

O livro é narrado por duas pessoas: Sr. Lockwood, um homem que alugou a casa vizinha a Wuthering Heights e vai até lá conhecer os vizinhos, e a Nelly que conta todo o babado para o Sr. Lockwood. OU SEJA tudo que sabemos dessa história é o ponto de vista da Nelly, é um livro fofoca, e ela não gosta do Heathcliff.

A Nelly virou vilã, mesmo que involuntariamente. No filme a Nelly é da mesma idade que a Cathy e é uma acompanhante, no livro a Nelly era a empregada e é mais velha. Mas a Nelly é a melhor personagem do filme.

Outra mudança foi a Isabella. No filme ela é não é irmã do Edgar e sim uma protegida. Isabella do filme é meio esquisita. O Joseph (empregado da família Earnshaw) ficou melhor no filme, no livro ele é insuportável.

Pra mim faltou química entre Margot Robbie e Jacob Elordi. São dois atores bons e muito bonitos mas não deu liga, e para essa história dar certo a gente tem que acreditar nesse amor sem limites e desesperado. Os atores mais jovens que fizeram Cathy e Heathcliff tinham muito mais química. 

Margot Robbie pegou o espírito insuportável da Cathy mas faltou um pouco de fogo para mostrar aquela paixão toda. Cathy é mimada e chata, arrogante, narcisista e tão cruel quanto ela acha que o Heathcliff é. 

O Jacob Elordi fez sua parte e ele tem um olhar de quem vai se vingar que é muito bom mas foi desperdiçado já que a parte da vingança não existe no filme. Mas a cena dele seduzindo a Isabella é muito boa.

A Emerald Fennell usou vários diálogos do livro que são bem dramáticos mas perderam força no filme. 

O design de produção é elaborado, tem umas coisas kitsch interessantes. Não sei se gostei do figurino da Cathy mas amei o livro de amizade que a Isabella dá para ela (dei risadas) e a casa de bonecas.

Tem uma fotografia bonita com neblina. Tem uma cena que parece a capa de um dos livros Sabrina/Bianca/Julia na banca de jornal.

A trilha sonora não me impactou mas tem músicas originais compostas para o filme pela Charli xcx e Finn Keane.

O que achei do filme? É ok. Para quem nunca leu o livro é melhor. Vi no IMAX e acho que isso ajudou porque as imagens ficam bem bonitas. 

O livro é bem mais emocionante.

A Tia Helô diria 723 "Ai, Jesus!" para todas as vezes que esse pessoal sai na chuva e no vento sem casaco.