11.6.13

O Grande Gatsby

O Grande Gatsby é um dos livros que gosto muito. O F. Scott Fiztgerald fez sua obra mais conhecida  escrevendo sobre a vida dos ricos nos EUA dos anos 1920 (pré crash da bolsa) e de quebra contando a história de amor do Jay Gatsby e sua Daisy.

Jay Gatsby é um homem de mistérios. Mora numa mansão faraônica, dá festas inesquecíveis com milhares de convidados, mas poucos o conhecem de verdade. Um dia ele ganha um vizinho que pode ajudar nos seus interesses. Gatsby só tem UM objetivo para o verão que é chamar atenção da mimada/entediada/chaaaata Daisy. O Gatsby foi dispensado pela Daisy porque era po-bre e ela casou com outro de família quatrocentona. Gatsby levou isso a sério e foi ganhar dinheiro. Alguns anos depois ficou ricaço, comprou a mansão do outro lado da baía, começou a encher a casa com pessoas interessantes na esperança que um dia a Daisy aparecesse. Gatsby tem muito dinheiro, mas não tem o pedigree que ele tenta disfarçar contando mentirinhas que não convencem ninguém. Ele faz qualquer coisa pela Daisy.

O filme é bem fiel ao livro, inclusive nas falas e nas cenas principais (a do Gatsby jogando as camisas ficou linda!). Baz Luhrmann impôs seu estilo que se encaixou bem na história. As festas são fantásticas. Eu gostei.

Leo DiCaprio é o grande trunfo desse filme. Ele abraçou o Jay Gatsby e todas suas nuances, do homem charmoso, de negócios escusos, ao inocente sonhador (arrisco dizer que ele me pareceu até mais interessante do que o do livro). A Daisy (Carey Mulligan) desse filme me pareceu menos entediada, mas ainda assim conseguiu se manter na linha que mostra a mulher que o Gatsby sonha que ela é e quem ela realmente é. Também gostei muito do Joel Edgerton (leitinho australiano) que faz o Tom, marido abusivo e traidor da Daisy, com propriedade. Toby Maguire está bem como Nick Carraway, o vizinho camarada e narrrador do babado.

Só não entendi uma coisa: por que colocaram o Nick Carraway num instituto psiquiátrico? Ficou parecendo Moulin Rouge onde o autor só escreve depois de algum tipo de trauma.

Toda vez que os anos 1920 aparecem em filmes ou é em preto e branco (os antigos) ou tem tons pastéis e muito preto. Baz Lurhmann trouxe seu colorido e exagero para os roaring twenties como força total. E, claro, uma ótima trilha sonora.

A Tia Helo ia ficar escandalizada com aquela festança toda 586 "Ai, Jesus!" para Gatsby and friends.

9.6.13

Momento TOC: Top 10 basslines

O baixo é um instrumento quase que coadjuvante numa banda. Todo mundo presta atenção nos riffs das guitarras e baterias frenéticas marcantes, mas o baixo está lá para dar ritmo a coisa. Muitas vezes é sutil, mas em outras aparece com vontade. Como gosto de um som grave sempre presto atenção, então decidi fazer uma lista das 10 basslines (linhas de baixo) que acho mais marcantes. Aquelas que fazem a gente colocar dois dedos (indicador e médio) na altura da pança e tocar baixo imaginário.

10. Good Times - Chic. Essa nem é rock, é disco music anos 1970, mas o Daft Punk no seu sucesso recente, Get Lucky, ressuscitou o Nile Rodgers, ex- guitarrista do Chic, e me fez lembrar desse funk.
09. Men In Love - Gossip - toda vez que essa música pipoca no iPod fico com a linha de baixo na cabeça.
08. Billie Jean - Michael Jackson. O que seria de Billie Jean sem a linha de baixo inicial?
07. Give It Away - Red Hot Chilli Peppers. O Flea é um baixista muito louco e bom, essa música é toda dele e seu baixo.
06. Another Brick In The Wall- Pink Floyd. O Pink Floyd tem Money que é um clássico da linha de baixo, mas eu gosto mesmo é de Another Brick In The Wall.
05. Every Breath You Take - The Police. O The Police tem várias músicas com baixo marcante, Roxanne, Spirits In The Material World, etc, mas é o baixo de Every Breath You Take, uma música que marca desde o primeiro acorde. Ah, não vamos esquecer que o baixista do The Police é o Sting. 
04. Under Pressure - Queen feat. David Bowie - John Deacon é um excelente baixista é dele a linha de baixo que não deixa essa música sair da sua cabeça.
03. Hysteria - Muse. Uma linha de baixo nervosa. Adoro.
02. Come Together - The Beatles - Uma banda que tem o Sir Paul McCartney como baixista só podia ter muitas músicas com baixo marcante, fica até difícil escolher. Além de Come Together, Taxman também sobressai. E gosto muito do baixo metido em Something.
01. Another One Bites the Dust - Queen- A voz do Freddie Mercury praticamente acompanha a linha de baixo que é a estrela dessa música. 


Bonus Track: Psycho Killer - Talking Heads. O baixo inicial, e no resto da música, é tão eficiente quanto as facadas do Norman Bates.

1.6.13

Faroeste Caboclo

A Legião Urbana foi uma das bandas mais importantes para início do rock nacional. Gosto das músicas dos três primeiros albuns (já o Quatro Estações acho chato pacas). Vi o Legião Urbana ao vivo no começo, gosto da voz grave do Renato Russo, mas abandonei depois que viraram uma espécie de culto com fãs fervorosos.

Anyway, duvido alguém da minha geração (e a seguinte) não saber a letra de Faroeste Caboclo in-tei-ra, gostando ou não. A primeira vez que escutei essa música foi no lançamento do Que País é Este? quando um amigo chegou com o LP lá em casa e disse: vamos escutar essa música enorme. (Para quem nunca viu um LP, dava para saber a duração da música só olhando para o tamanho da faixa)

E escutamos os 9 minutos (!) da música para saber o que acontecia com o tal João de Santo Cristo.

Faroeste Caboclo foi composta pelo Renato Russo antes dele formar a banda. Com o sucesso do Dois (o segundo album), a gravadora queria outro album para já, mas eles não tinham muitas músicas novas prontas e foram fuçar no fundo do baú.

Assim que soube que iam fazer um filme da música fiquei curiosa para ver o resultado e gostei muito. O filme não segue a música a risca, mas tem todos os pontos importantes. É um filme pesado, com todos os problemas que o João de Santo Cristo enfrentou, e sabemos que essa essa história não termina bem. (Dificilmente darei algum spoiler)

Os primeiros acordes da música aparecem logo no início do filme e daí para frente nos momentos principais toca uma variação instrumental da mesma. A fotografia é muito boa, Brasília nos anos 1970/1980 era aquilo mesmo. E as referências aos filmes de western também estão todas lá.

Ao longo do filme, vendo as imagens, vem logo trechos da música na cabeça: "ainda mais quando com tiro de soldado o pai morreu"; "saindo da rodoviária viu as luzes de natal"; "era temido e destemido no Distrito Federal" e a minha preferida "e nisso o sol cegou seus olhos...". A única frase da música que é de fato usada no filme é "logo os malucos da cidade souberam da novidade" e um grita "tem bagulho bom aí!".

O primo Pablo, o peruano que vivia na Bolívia,  aparece numa versão tensa, mas é amigo. O Jeremias, traficante de renome, não está para brincadeira e faz o João ir para o inferno mais do que duas vezes. E a Maria Lucia, aquela menina falsa para quem ele jurou amor, é uma estudante de arquitetura filha de senador que adora fumar um baseado, anda um pouco entediada e se apaixona pelo João. Faroeste Caboclo também é uma história de amor.

Claro que a Winchester-22, a arma que o primo Pablo deu, faz sua aparição estelar e a última cena é fantástica.

Confesso que senti falta do sorveteiro no confronto final, mas a via crucis do João do filme não vira circo e achei justo o duelo intimista entre ele e o Jeremias com a participação especial da Maria Lucia.

Nas letrinhas no final Faroeste Caboclo toca na íntegra para quem nunca escutou a música (existe isso?) saber do que se trata e para quem esqueceu lembrar.

A Tia Helo ia ver esse filme com os olhos tapados, 719 "Ai, Jesus!" para Faroeste Caboclo, e o Jeremias do filme nem é crente.

25.5.13

Séries: fim de temporada

Vamos a um apanhado do final da temporada. Com possíveis spoilers, claro.

Arrow - uma ótima surpresa, pipocão de primeira. É uma série ágil, o Oliver Queen continua interessante, tem o melhor shirtless da tv e o season finale foi uma surpresa. Só gostaria de pedir aos roteiristas para não colocarem diálogos importantes enquanto o Oliver está malhando.
Hawaii 5-0 - ainda me divirto com essa série. McGarrett e Danno: o melhor casal das séries, bromance dos bons. A mãe do McGarrett quase contou o grande segredo do Wo Fat que todo mundo já sabe, mas ficou para a próxima. E se eu fosse a Kono também iria embora com aquele namorado maravilhoso dela.
Chicago Fire - os bombeiros renderam ótimos episódios, os resgates são incríveis, é um novelão e é bom.
Falando em novelões, Nashville é dona do título. Me surpreendi com a atuação da Hayden Panettiere (que parece o nome da padaria aqui do lado de casa), ela faz a gente querer que a chata da Juliet se de bem. É drama que não acaba mais e as músicas até que são boas.
Na mesma linha tem Scandal, que vi a primeira temporada e não achei nada demais, mas a segunda foi muito boa com um cliffhanger profissional no fim. E tem o presidente dos EUA mais charmoso ever (apesar dele ser quase uma criança birrenta).
Revenge teve uma temporada irregular, mas o season finale teve um pouco de tudo: bomba, gente incriminada, morte misteriosa, revelações bombásticas. Aguardo a próxima.
The Good Wife - a boa esposa terminou a temporada tomando uma decisão que acho que vai ter mais resultados a longo prazo. Não gosto do marido dela e acho que ela patina na hora de resolver os problemas pessoais. Adorei o episódio com o John Noble. Tentaram fazer um suspense na cena final, mas não enganaram ninguém.

Elementary - Sei que todo mundo adora o Sherlock Holmes da BBC (inclusive eu), o Benedict Cumberbatch é genial, mas o Jonny Lee Miller fez essa série policial com caso do dia ficar muito interessante. Palmas para ele. E gosto da Watson da Lucy Liu. Gostei do episódio final, revelaram o Moriarty cedo demais (mas foi uma surpresa e tanto!), não sei o que esperar da próxima temporada.
Hannibal - Já que comecei a falar das atuações, o Hugh Dancy é outro que surpreendeu com seu Will Graham, e olha que o Hannibal do Mads Mikkelsen mostou a que veio. Os casos (extremamente bizarros) nessa série são só coadjuvantes para a relação entre os personagens principais. A terapeuta do Dr. Lecter é a Scully. Apenas. Os diálogos são ótimos, é visualmente incrível, mas é uma série pesada. Tenho a impressão que acabei de achar uma série queridinha. Por favor não cancelem!
Entrando nos serial killers, Bates Motel não tem a riqueza visual de Hannibal, mas Norma e Norman não brincam em serviço, a Vera Farmiga acertou o tom da mãe do serial killer e é possível ver o futuro nos olhos do garoto. Como eu disse, Dexter tem concorrentes a altura.
The Following me deixou confusa. Gostei de algumas coisas, mas o FBI mais lento que a internet da TIM dava muita raiva. O Kevin Bacon salvou muita coisa ali, não sei se vou ver a segunda temporada.
Criminal Minds ainda tem gás.

Grimm - uma série que eu não assistia, comecei a ver na tv e gostei. É da linha sobrenatural, um detetive descobre que faz parte de uma linhagem de Grimms (são capazes de ver os seres monstruosos que pessoas aparentemente normais escondem, tipo lobisomens e tal), mas é boa, pelo menos a gente aprende um bocado de palavras em alemão. E passa em Portland, lugar certo para festa estranha com gente esquisita. Ok, confesso, foram os olhos azuis/verdes do Detetive Buckhart que me prenderam.

The Americans fechou bem a primeira temporada. Adoro ver como os espiões russos se viram na década de 1980 sem celulares e outras gadgets modernas que devem ter facilitado o ramo. E o drama é bom.

Comédias: The Office acabou e aguardo outra tão boa quanto para ocupar o lugar. Community teve uma temporada muito estranha, alguns episódios foram ótimos e outros muito sem graça, mas ganhou outra temporada. Parks and Recreation terminou essa temporada com o Ron na expetativa de ser pai e o casamento da Leslie com o Ben foi lindo. New Girl teve o melhor beijo da temporada e muitas situações divertidas. How I Met your Mother, nessa 7ª temporada ficamos sabendo como Ted conheceu a mãe (ela tocava na banda no casamento da Robin com o Barney) e até vimos a cara dela, então decidi abandonar essa série, não me interessa saber os mínimos detalhes desse encontro. Também abandonei Modern Family.

Das que terminaram ainda no ano passado ou no início desse ano: Homeland correu para o abraço deixando mais um cliffhanger de respeito para a 3a temporada. Espero que o Quinn volte. Dexter teve um assassino amigo a altura, o Isaak, lindão e charmoso (queira que ele e o Dex ficassem amigos para sempre), pena que teve um fim, mas a Deb descobriu tudo sobre o Dex e a próxima temporada (que é a última) promete. Downton Abbey teve duas mortes inesperadas uma no meio da temporada e outra no maldito episódio de natal (onde tudo acontece). Que venha a próxima temporada. Mas a minha séire inglesa favorita do momento é Ripper Street, que fez uma temporada sólida e tem uma reconstituição de época excelente. Sons of Anarchy foi cruel, não sei se tem muita esperança para o Jax na próxima temporada, mas vou assistir.

Mad Men ainda não terminou, mas está com uma temporada muito boa (como sempre). Só não curti Don Draper 50 tons de cinza e Don Draper on drugs, assim fica cada vez mais difícil saber quem é esse homem. E quero saber quem é o Bob Benson e o que ele veio fazer.
Game of Thrones está com uma ótima 3ª temporada, só pulo as partes do Greyjoy, o resto está bom. Passei a gostar tanto do Sawyer Jaime Lannister que até esqueço que ele jogou o garoto da torre na 1ª temporada. Jaime e a Brianne fazem o melhor casal (sem ser) da série. E sou team Daenerys e seus dragões até o fim.

Que venha a midseason com True Blood.

22.5.13

Analisando a música: Locked Out Of Heaven (Bruno Mars)

Semana passada estava num treino de corrida cansativo e quando estava quase para desistir o shuffle do iPod me mandou essa música que eu nem sabia que tinha (as vezes pego músicas que só vou escutar muito tempo depois, valeu shuffle!) e foi uma injeção de ânimo para continuar.

Fiquei curiosa para saber do que se tratava essa música que gruda como chiclete na cabeça e que você não esquece por dias.

A primeira vez que vi o Bruno Mars numa dessas premiações achei que era alguém fazendo um cosplay do Michael Jackson na época do Off The Wall, e ele tem aquele tom de voz alto. Melhor, se Michael Jackson e Prince tivessem um filho, ele seria o Bruno Mars.

Depois descobri que, além do Bruno Mars ser havaiano, ele tinha um bocado de hits pop que estavam fazendo sucesso por aí: Grenade, Just The Way You Are, The Lazy Song e Marry You. Ele até tem um Grammy de melhor vocal pop.

Locked Out of Heaven é do segundo album do Bruno Mars, Unorthodox Jukebox, de 2012, do qual só conheço essa música, por enquanto. Devo ter colocado no iPod porque o início é puro The Police, tem um baixo marcante bacana e daqueles refrões de levantar os braços.

É uma música sobre.....wait for it.... amor e sexo ou sexo e amor, porque as vezes é tudo a mesma coisa. Quem nunca?

(levanta a mão quem achou que eu ia dizer que era sobre fim de relacionamento)

Com tanto UH! na música a gente só pode pensar em uma coisa né? Vamos averiguar.

Oh yeah, yeah, yeah
Yeah, yeah, yeah, UH!

Dez em dez pessoas acharam essa batida do início a cara do The Police, mas o Bruno Mars disse que não estava pensando no Sting e cia quando compôs. Com esse começo cheio de ohs, yeahs, e UH! a primeira pessoa que penso é o Sting. Just saying.

Never had much faith in love or miracles (miracles) UH!
Never wanna put my heart on the line UH!
But swimming in your world is something spiritual (spiritual) UH!
I'm born again every time you spend the night UH!

Ele confessa que nunca acreditou no amor e nem em milagres e que não queria arriscar seu precioso coraçãozinho (mas outras coisas que fazem UH! ele arrisca). Alguém perguntou para o Bruno Mars qual era a frase preferida nessa música e ele disse que era "Swimming in your world is something spiritual". Concordo. Essa analogia de nadar no mundo alheio é boa, gosto de coisas com água. E ele está dizendo que não é só um corpinho. UH! Também pode ser uma metáfora para sexo. Ui Ui Ui. Olha, gente, fazer o outro renascer toda vez que UH! é um poder e tanto que essa pessoa tem.

'Cause your sex takes me to paradise
Yeah your sex takes me to paradise
And it shows, yeah, yeah, yeah
'Cause you make me feel like
I've been locked out of heaven
For too long, for too long
Yeah you make me feel like
I've been locked out of heaven
For too long, for too long

Acontece que o Bruno Mars é direto e manda na lata "sexo bom que me leva ao paraíso! Tão bom, mas tão bom, que antes disso parecia que estava trancado do lado de fora do céu por tempo demais!" Estava trancado com cadeado, correntes, senha e tudo mais, mas agora descobriu o segredo. UH!

You bring me to my knees
You make me testify (testify) UH!
You can make a sinner change his ways UH!
Open up your gates 'cause I can't wait to see the light UH!
And right there is where I wanna stay UH!

Ela o faz ajoelhar e testemunhar, confirmar, mostar, etc, (provavelmente o poder que ela tem). UH! Ele diz que ela pode fazer um pecador mudar seu jeito (mas não necessariamente deixar de ser pecador, se é que vocês me entendem. UH!). "Abre esses portões que mal posso esperar para ver a luz! E é aqui que quero ficar." Definitivamente essa música é uma transa cantada. Sexy. UH!

Cause your sex takes me to paradise
Yeah your sex takes me to paradise
And it shows, yeah, yeah, yeah
'Cause you make me feel like
I've been locked out of heaven
For too long, for too long...

E cá estamos no paraíso outra vez. Deixa o cara aproveitar, foi tempo demais trancado do lado de fora, too looooooooog, too loooooooog.

Oh, oh, oh, yeah, yeah, yeah
Can I just stay here
Spend the rest of my days here

O clímax da transa música. E depois que entra, quem quer sair? Vamos ficar aqui para sempre. UH!

'Cause you make me feel like
I've been locked out of heaven
For too long, for too long
Yeah you make me feel like
I've been locked out of heaven
For too long, for too long

Vai Bruno Mars, esquece que estava trancado so lado de fora, já te deram a chave, abre esse cadeado e entra no paraíso! A senha é UH!

Oh, yeah, yeah, yeah, UH!

Agora sei porque me animou tanto na corrida. Aperta o play e boa sorte em tentar tirar essa música da cabeça. UH!




19.5.13

Corrida de Domingo

Depois da última corrida de 5km me inscrevi nessa de 10km da Unifor. Essa corrida geralmente acontece em dezembro, mas ano passado não teve e esse ano resolveram fazer em maio. O bom dessa mudança foi que nessa época não é tão quente e, como hoje, as vezes chove. Até amanheceu friozinho.

baixas temperaturas
acreditem, isso aqui é frio.

Depois de passar quase 1 mês com uma gripe/virose iô-iô, só voltei a correr de fato há duas semanas e isso não é tempo suficiente para treinar para 10km. Como consigo correr 5km normalmente, a tática para essa corrida era correr até o ponto de água, andar um pouco, correr até o próximo ponto de água, andar, e assim vai (os pontos d'água eram a cada 3km) E funcionou bem, consegui terminar a corrida inteira. Yeah!
largada

Antes da largada choveu forte por 10 minutos, mas durante a corrida não caiu um pingo. A chuva deixou poças d'água gigantescas e não teve um pé seco.

quase uma piscina

O percurso era ótimo, passava por uma área quase rural da cidade, e mais por dentro da universidade que é bem arborizada. Mesmo se não tivesse chovido para amenizar a temperatura, acredito que seria mais fresco do que correr no meio dos prédios. No fim teve a pista de corrida, que é a minha parte preferida, é como correr num colchão, pena que são só os 300 metros finais.

na comunidade
dessa vez tinha gente dando força
no campo
olha, uma vaca!
de volta a avenida
a gente indo e os outros voltando
dentro da universidade
melhor parte: a pista de corrida
eu e o nick inteiros no fim
(já o cara ali atrás nem tanto)
chegada, sua linda!
a medalha

17.5.13

The Office, the end.

Esse ano tive que dar tchau para a Fringe, 30Rock e agora The Office.

The Office era uma das minha séries favoritas. Vi a versão inglesa e depois comecei a ver a americana. Durante 7 temporadas acompanhei tudo, até tenho as três primeiras em DVD e o bobblehead do Dwight.

Já falei da série aqui, coloquei o Dwight na minha lista de nerds na tv, Jim e Pam nos casais mais legais, muito amor pelo Jim, e falei sobre a despedida do Michael Scott.

(com spoilers)

Não tinha série de comédia que eu esperava mais para ver na semana.

Depois que o Michael Scott saiu, no fim da 7ª temporada, e colocaram o chato do Andy no lugar dele parei de ver. O Ed Helms ganhou fama depois do Se Beber Não Case, mas o personagem dele sempre foi insuportável e piorou sendo o chefe do escritório. Por mim teria saído de vez quando foi fazer anger management lá na 3ª temporada. Ele me fez abandonar a série na 8ª temporada (mas vi alguns episódios). Quando soube que essa nona temporada seria a última decidi assistir para me despedir dos funcionários divertidos e loucos do escritório.

Para fazer sentido o estilo mocumentary da série, decidiram que depois de 9 anos o documentário ia ao ar. Na metade da temporada começaram a mostrar pequenos anúncios dentro da série e no penúltimo episódio o documentário foi ao ar com todos do escritório assistindo num bar. O útlimo episódio foi o que aconteceu um ano depois do documentário ir ao ar.

E essa última temporada teve episódios ótimos, mas os melhores de todos foram os últimos 3, especialmente porque o Dwight finalmente conseguiu o que sempre quis: ser o regional manager! O Dwight foi o melhor personagem dessa série, o mais constante e o que teve um amadurecimento sutil e importante. Sem contar que o Primo Mose quando aparecia era sempre uma alegria. No fim casou com a Angela, e ele se mostrou um ótimo gerente do escritório (com as devidas esquisitices). Sentirei saudades, bears, beets, battlestar galactica.

Jim e Pam sempre foram um dos meus casais favoritos na tv, mas nessa última temporada me decepcionei um pouco com a Pam. Nos últimos episódios dessa temporada ela foi mesquinha e meio que exigiu do Jim que ele abandonasse a nova carreira para ficar com ela em Scranton. O Jim é um fofo e mesmo crescendo no novo trabalho, gostando, fazendo mais dinheiro, ele disse para Pam que ela era a coisa mais importante na vida dele e que ele faria qualquer coisa por ela. Nunca pensei que fosse ter raiva da Pam, mas foi o que aconteceu nessa reta final, ainda mais depois que me lembrei de todas as outras temporadas e como ela sempre foi um pouco covarde em relação ao Jim.

No penúltimo episódio o Jim fez um video com todos os melhores momentos dos dois para mostrar o quanto ela era importante. Lindo, né? Mas no último episódio um ano se passou e o Jim ainda está no escritório. Para o meu alívio, a Pam se redimiu nos 45 do segundo tempo e resolveu se mudar de Scranton para que o Jim fosse trabalhar no emprego que ele queria. Ufa! E ela ainda disse que não conseguiu assistir mais do que alguns poucos episódios do documentário porque viu o tanto de burrada que fez ao longo dos anos. Bem feito. BUFO!

O resto do escritório fez sua parte, o Creed foi sensacional até o fim, Stanley se aposentou, Toby e Kevin foram despedidos, Oscar vai ser político, Phyllis está treinando um novo Stanley, a Meredith, quem diria, fez um doutorado durante 7 anos; Kelly e Ryan juntos outra vez, Daryl é um homem rico e de sucesso, não me importei muito com os novos funcionários (nem com a Erin) e detestei o Andy até o fim. Sentirei falta das pegadinhas (pranks) do Jim com o Dwight.

O último episódio foi maravilhoso. Dois momentos me arrancaram lágrimas: Jim e Primo Mose unidos para a festa de despedida de solteiro do Dwight (porque eu adoro o Primo Mose e o Jim) e a volta do Michael Scott como padrinho de casamento do Dwight. Best. Prank. Ever.

"I can't believe you came!"
"That's what she said!"



10.5.13

Stand up (2)

Ano passado eu comecei a fazer o stand up mas parei. Esse ano decidi que vou me dedicar até conseguir pegar onda, então voltei as atividades.



Não é fácil remar no mar aqui na frente, venta um bocado, as ondas são muitas dificultando o equilíbrio, mas consigo remar bastante. E o visual é lindo.

Essa semana fui duas vezes e levei minha inseparável camera waterproof para tirar algumas fotos.

verdes mares
pescador
outro remador
terra a vista
no caiaque
outro remador e um nadador escondido
nas ondas
uma gotinha na lente
descansando



E o Nick, que estava andando na areia, conseguiu tirar um foto minha remando e até fez um filminho.




5.5.13

Analisando a música: Love Is Blindness (U2)

O U2 apareceu no início da década de 1980 com o album Boy e mostrando que veio para causar polêmica no front. Irlandeses, de Dublin, bons meninos, foram mostrar seu rock cheio de riffs memoráveis e músicas de protesto.

Já fui mais fã do U2, e depois do How To Dismantle An Atomic Bomb não sei mais o que fizeram. Gosto muito da voz do Bono Vox, mas hoje me cansa um pouco. Teve música do U2 que foi banida do meu iPod, mas já fiz as pazes.

Lembro que meu primeiro disco de vinil da banda foi o Under A Blood Red Sky, um combo dos shows da banda nos EUA dos 3 primeiros albuns (Boy, October e War), só com 8 músicas, que minha mãe trouxe de Londres. Depois vieram os ótimos The Unforgettable Fire (que tenho em fita cassete) e The Joshua Tree (esse tenho em CD). Em 1988 o U2 lançou o Rattle and Hum que rendeu críticas mistas e a banda decidiu que era hora de mudar. Em 1991 o U2 gravou, em Berlim, o Achtung Baby, o meu album preferido da banda, aquele que toca do início ao fim sem uma música para pular. Achtung Baby é diferente de tudo que o U2 tinha feito antes, sai o rock cru de protesto e entra distorções, um pouco de eletrônico, e letras mais intimistas. Foram para Berlim absorver um pouco da loucura da cidade que na época tinha só 2 anos de muro caído e a influência surtiu efeito também no album seguinte o Zooropa.

Achtung Baby é o album que tem a ultra-über conhecida e tocada One, que gosto muito, mas não é a minha favorita no album. Ok, eu conto. A música que gosto mais nesse album é So Cruel (seguida de Even Better Than The Real Thing e Mysterious Ways), mas não é essa que vou analisar. O Jack White gravou uma versão de Love Is Blindness para o 20º aniversário do Achtung Baby que foi incluída na trilha do Great Gatsby do Baz Lurhman (que vai ser lançado em junho) e me fez lembrar dessa música que estava um pouco esquecida no meu iPod.

Love Is Blindness é sobre o mesmo assunto de, pelo menos, 80% das músicas (estatística minha): dor de cotovelo, fim de relacionamento, traição e amor sofrido. (O pessoal da teoria da conspiração acha que essa música é sobre terrorismo e bombas na Irlanda do Norte. Outra facção de palpiteiros acha que é sobre o suicídio, e sempre tem os defensores de 'tudo é sobre drogas'.) Pelo que consta nos autos, o The Edge estava passando pelo fim do casamento quando o U2 gravou Achtung Baby, daí algumas músicas no album que refletem essa fase (So Cruel, Ultraviolet e, claro, Love Is Blindness).

Essa música é a última no album e vem como um tapa na cara. É tensa, densa, introspectiva, e quando termina você só quer se enrolar no cobertor em posição fetal. Fica a dica.

Love is blindness
I don't want to see
Won't you wrap the night
Around me
Take my heart
Love is blindness

O amor não é só cego, é cegueira. É veneração, perturbação, loucura. De enterrar a cabeça na areia e entregar o coração.

In a parked car
In a crowded street
You see your love
Made complete
Thread is ripping
The knot is slipping
Love is blindness

Aqui acho que é o momento que a traição ocorre, num carro estacionado, numa rua cheia de gente, linhas rasgando e laços sendo desfeitos, ele olhou mas não viu, prefere a cegueira. Os laços podem ser da roupa de fato sendo rasgada (ui ui ui) ou o vínculo que os ainda mantém juntos.

Love is clockworks
And cold steel
Fingers to numb o feel
Squeeze the handle
Blow out the candle
Love is blindness

É muita desilusão dizer que o amor é automático e mecânico como um relógio e aço frio. Os dedos entorpecidos que nada sentem. "Squeeze the handle, blow out the candle" é sobre o perecimento do amor, puxa o gatilho e assopra a vela que o fim chegou. É fanatismo.

Love is blindness
I don't want to see
Won't you wrap the night
Around me
Oh my love
Love is blindness

O amor é um tiro no escuro, incontrolável, imprevisível. É perder a soberania sobre si mesmo.

A little death
Without mourning
No call
And no warning
Baby, a dangerous idea
That almost makes sense

A dualidade do amor. Não te amo mais, mas ainda te quero. O amor chega ao fim, mas ainda merece um pouco mais. "Little death" é um eufemismo para orgasmo, ou seja, essa idéia perigosa que quase faz sentido é um sexo fim de relacionamento (quem nunca?) sem arrependimentos, sem aviso.

Love is drowning
In a deep well
All the secrets
And no one to tell
Take the money
Honey
Blindness

E finalmente o amor se afoga num poço profundo. Não tem volta. Desabou. Segredos perdidos. Pode levar o dinheiro, querida, pode levar tudo. Insensatez.

Love is blindness
I don't want to see
Won't you wrap the night
Around me
Oh my love
Blindness

Uma última vez o refrão melancólico. Não tem final feliz, é para sofrer. Aperta forte esse travesseiro, eu avisei.

É interessante que o Bono canta essa música sem exageros, não tem gritos, como se fosse uma constatação, deixa a angústia para o solo de guitarra.

Love is Blindness não tem um video oficial, não gosto desse mas, sem ser ao vivo, foi o que achei.




A versão do Jack White é tem uma bateria inicial mais dramática, uma guitarra mais suja e é mais enfático na letra (que foi uma ótima escolha para a história do Gatsby), mas Bono cantando ao vivo na tour Zoo Tv com um solo de guitarra sentido do the Edge é essencial.


3.5.13

Homem de Ferro 3

Caro Tony Stark,

Você é um cara legal, divertido, criativo, inteligente, aliás, nas suas palavras, "gênio, bilionário, playboy e filantropo". Finalmente se juntou com a Pepper, largou os bons drinks, deixou de ser festeiro para se dedicar a uma vida tranquila aperfeiçoando seus brinquedos de guerra. Os eventos que aconteceram em NY no episódio que você ajudou seus camaradas dos Vingadores deixaram alguns traumas, porque né, ninguém fica amigo do Thor impunemente. Aliens!

Acontece que nos seus dias de playboy você deixou algumas pessoas com raivinha, sede de vingança, e esse pessoal voltou para animar a festa. E não brincam em serviço. Primeiro a cientista que consegue regenerar plantas (e pessoas) e depois um megalomaníaco terrorista barra pesada tipo o Mandarim. O Mandarim conseguiu até que o presidente americano burlasse a regra número um: não negociar com terroristas.

Dito isso, por que raios (ou lasers) você foi dar o endereço, com CEP, da sua casa maravilhosa para esse homem?? Tudo bem que não deve ser difícil te encontrar na lista telefônica, afinal você não esconde nada de ninguém, mas chamar o cara para uma visitinha??? Olha, a culpa da destruição da casa é toda sua. Não tem coelho gigante de pelúcia que resolva.

Claro que as vezes que vi o trailer do filme já me preparavam para esse momento trágico, mas foi pior. Não sobrou nada. Não me conformo. #chatiada

Não quero nem falar do seu novo e divertido amigo mirim, nem do resgate incrível do pessoal que saiu pela porta do Air Force One, nem do Cel Rhodes e seu Iron Patriot, nem de pessoas que cospem fogo, nem do Guy Pearce e Ben Kingsley (ótimos, por sinal), nem da falta de música heavy metal, nem do fato que fiquei com a sensação de estar vendo um filme de natal fora de época.

Sei que você é o Iron Man, blá, blá, blá, e tem doletas o suficiente para construir uma casa nova, inclusive melhor, mas até lá estou suspendendo minha vontade de querer ser sua amiga (interesseira?). Pode ficar com o Bruce Banner.



P.S. A Tia Helô diria 361 "Ai, Jesus!" para a pirotecnia do Iron Man, e acho que ela gostaria mais da versão tailandesa

26.4.13

Oblivion

Antes de começar esse filme passou o trailer do Homem de Ferro 3 e sempre fico triste quando vejo aquela casa maravilhosa do Tony Stark sendo destruída. Não me conformo.

Acontece que quando Oblivion começa o Tom Cruise acorda na sua casa fantástica, que me fez esquecer a casa do Tony Stark. É um ambiente extremamente minimalista, claro, linhas retas com curvas precisas, uma paleta de cores belíssima, tudo no lugar certo. Só não gosto muito dos nichos estilo anos 1970 onde o sofá e mesa ficam num nível abaixo do piso, mas moraria facilmente nessa casa, ainda mais com aquela piscina na entrada.

Comecei falando da casa porque Oblivion é um filme sobre estética e design, inclusive o fato do Tom Cruise ser o protagonista do filme, poucos atores ficam tão bonitos na tela do cinema (a camera realmente ama o Tom Cruise, mesmo não sendo simétrico.). Os planos filmados são incríveis, prendem a atenção, as máquinas/armas tem linhas agradáveis e até a lua destruída ficou bonita. A outra casa do filme (spoiler?) também é linda, tudo muito bem encaixado num cenário inusitado no meio de tanta destruição. Depois descobri que o filme foi dirigido e escrito pelo Joseph Kosinski, que dirigiu Tron Legacy, outro filme visualmente incrível. Kosinski é formado em arquitetura, faz sentido.

Ok, é um filme de ficção científica, e a história se resume a um mix de vários outros filmes do gênero. Garanto que há uma identificação com algum dos filmes a seguir: Blade Runner, The Matrix, Planeta dos Macacos, Star Wars, Inception, Mad Max, Wall-E, 2001 e, fora do eixo ficção científica, Um Corpo que Cai e Tarde Demais Para Esquecer.

Claro que muitos filmes e livros não tem tramas originais e são baseados em outras histórias, mas no caso de Oblivion a sensação de colcha de retalhos é grande. Se a intenção era homenagear esses outros filmes pelo menos foi embrulhada com uma aparência bonita. (Se você não viu nenhum dos filmes acima, Oblivion será ótimo.)

O Morgan Freeman faz um Morpheus super cool (aqueles óculos dele são demais), o Jaime Lannister deixou a guerra do trono de ferro e foi ser bonito no mundo pós-apocalíptico e a Olga Kurylenko é linda.

Eu gostei, parecia que estava folheando uma revista de decoração e viagem, já a Tia Helô que não entendia nada de ficção científica e nem devia apreciar um bom design diria 137 "Ai, Jesus!" todos para o Tom Cruise.


24.4.13

Analisando a música: Can't Hold Us (Macklemore & Ryan Lewis)

Hoje é aniversário do Ney e é para ele o analisando a música. Apenas.


Uns dias atrás, no Whatsapp, o Ney disse que não conseguia parar de escutar Macklemore & Ryan Lewis, uma dupla de hip hop que eu só descobri recentemente lendo um post do Luiz.

Confesso que não sei a diferença entre Rap e Hip Hop, as vezes acho que um é mais leve que o outro, ou tem mais ritmo, um fala mais palavrão, acho que ambos fazem fortes críticas sociais, só sei que tem que rimar e ter muitas referências, mas acho tudo igual. Isso não quer dizer que não gosto, não é o meu gênero musical preferido, não conheço bem, mas gosto de várias músicas e artistas: Eminem, Azealia Banks, Nicki Minaj, Jay Z, Kanye Imma Let You Finish West, etc (se bem que criaram um tal de Urban Contemporary para esses dois últimos).

Quando estive em Seattle, em 2009, meu amigo disse que a cena do grunge tinha acabado (há alguns anos) e que na época a maioria os bares eram lugares de hip hop. Quem diria que a capital do grunge também produziria hip hop? Pois é, Macklemore (que se chama Ben Haggerty) e Ryan Lewis são de Seattle. Ryan Lewis começou como fotografo e depois de juntou ao Macklemore, que já cantava (rappeava?), para fazer música.

Em 2012 lançaram seu primeiro album, The Heist, que tem a música analisada da vez, Can't Hold Us, um hit instantâneo.

Como nada, nem ninguém, segura o Ney vou tentar analisar essa música.

Return of the Mac, get 'em
What it is, what it does
What it is, what it isn't
Looking for a better way to get up out of bed
Instead of getting on the internet and checking out who hit me, get up
Thrift shop, pimp strut walking
Little bit of humble, little bit of cautious
Somewhere between like Rocky and Crosby
Sweater game nope nope y'all can't copy
Yup. Bad, moonwalking
This here is our party
My posse's been on Broadway
And we did it our way
Throne music
I shed my skin and put my bones into everything I record to it
And yet I'm on
Let that stage light go and shine on down
Got that Bob Barker suit game and plinko in my style
Money, stay on my craft and sick around for those pounds
But, I do that to pass the torch and put on for my town
Trust me. On my I-N-D-E-P-E-N-D-E-N-T shit hustlin'
Chasing dreams since I was 14 with the four track bussing
Halfway cross that city with the backpack
Fat cat, crushing labels out here
Nah, they can't tell me nothing
We give that to the people
Spread it across the country
Labels out here
Nah, they can't tell me nothing
We give it to the people
Spread it across the country

Pelo que li na internet o Macklemore teve problemas com drogas, ficou sobrio, e, justamente com esse album, está de volta. Acho que essa música é um pouco da história dele.
Ele já começa a música perguntando o que está rolando, mas quem se importa? Tem que achar uma maneira melhor do que levantar da cama do que acordar já olhar nas redes sociais para ver que cutucou. (Ney, estou começando achar que essa música tem tudo a ver com você)
Vai no brechó, anda com atitude (de cafetão), mas com um pouco de humildade e cuidado. (Thrift Shop é também outro sucesso da dupla) Num estilo que mistura a determinação do Rocky Balboa e o humor do Bill Crosby (que mix hein?). Ou veste um sweater mesmo. (Importante é ter o tênis certo, né Ney?)
Aí temos referências a Michael Jackson (Bad, moonwalking), e ele diz que a festa é nossa. Yeah! A turma/galera/gangue dele esteve na Broadway (que é uma avenida no bairro alternativo de Capitol Hill em Seattle, mas várias cidades americanas tem uma Broadway, até Canoa Quebrada tem uma). E, numa possível alusão ao Frank Sinatra, fizeram do jeito deles.
Pelo o que entendi, os dois fizeram tudo independente de gravadoras, correram atrás do sucesso, faziam um pouco de tudo pela música, e tudo na própria cidade, sem ter que se deslocar para Los Angeles ou New York, onde o cenário do hip hop/rap deve ser maior. Seattle é boa para seus músicos.
Ele diz que persegue os sonhos desde os 14 anos, atravessava a cidade no busão com um gravador (four track) na mochila. Não quer ser marionete de grandes gravadoras e vai ser autônomo promover sua música, dar a música para as pessoas, atravessando o país. (Can't Tell Me Nothing é uma música do Kanye West)
Dito isso, Bob Barker foi o apresentador do the Price is Right e devia usar uns ternos bem curiosos.

Here we go back, this is the moment
Tonight is the night, we'll fight till it's over
So we put our hand up like the ceiling can't hold us
Like the ceiling can't hold us

Quem canta essa parte da música é o Ray Dalton que com a voz macia e no ritmo mais balançado faz um ótimo contratempo ao rap veloz do Macklemore. E esse é o momento que a galera se junta levanta os braços como se o teto não pudesse os segurar. Catarse.

Now can I kick it? Thank you
Yeah I'm so damn grateful
I grew up, really wanted gold fronts
But that's what you get when Wu-Tang raised you
Y'all can't stop me
Go hard like I got an 808 in my heart beat
And I'm eating at the beat like you gave little speed to a great white shark on shark week
Raw. Time to go off. I'm gone!
Deuces goodbye. I got a world to see, and my girl she wanna see Rome
Caeser will make you a believer. 
Nah, I never ever did it for a throne
That validation comes from giving it back to the people
Nah, sing a song and it goes like
Raise those hands, this is our party
We came here to live life like nobody was watching
I got my city right behind me, if I fall, they got me
Learn from that failure, gain humility and the we keep marching ourselves

"Posso mandar a real? Obrigado." Ele é agradecido por tudo, pelos fãs e conta que cresceu e que queria gold fronts - aqueles aparelhos dourados de dente - e explica que é isso que dá ser criado pelo Wu-Tang (um grupo de Rap/Hip Hop de NY famoso nos anso 1990 que ele provavelmente escutava muito). O Macklemore é um cara animado, e diz logo que ninguém o para, que o coração dele bate forte como um 808 - uma bateria eletrônica.
Ele faz o rap tão rápido que come o ritmo como se tivesse dado mais um pouco de velocidade a um tubarão branco na Shark Week - programação sobe tubarões no Discovery. (Tenho certeza que dessa parte da música o Ney não gosta nem um pouco, xô tubarões!)
"Fui! Tenho um mundo para ver e minha namorada que ir a Roma." (essa parte da música o Ney aprova com estrelas de ouro). Devoto de Cesar, que venceu na vida e chegou a imperador. Ele nunca fez nada pelo trono, não quer ser rei, que a única comprovação que ele precisa vem de retornar/devolver as pessoas. Então vamos cantar, levantar as mãos, essa é nossa festa e vamos viver como se ninguém estivesse olhando (ou seja, pagar mico a vontade). E ele volta a falar da sua cidade (e fãs) que independente do que acontecer vai apoiá-lo. A dica do Macklemore é aprender com os erros e bola para frente!

Here we go back, this is the moment
Tonight is the night, we'll fight till it's over
So we put our hand up like the ceiling can't hold us
Like the ceiling can't hold us

E vamos levantar o teto!

Na na na na na na na
And all my people say

Na na na na na na na
Feliz aniversário Ney!
\o/\o/\o/\o/\o/

O video da música foi criado pela dupla junto com os amigos, foi dirigido pelo Ryan Lewis e filmado por vários lugares em 3 meses. Tem camelo. Tem canguru. Tem até navio pirata. Gosto das cenas no Alaska (ou talvez Nova Zelândia?) e em Seattle.



No fim do video eles colocaram um pouco a mais na letra:
Let the night come
Before the fight's won
Some might run against the test
But those that triumph
Embrace the fight 'cause
The fear is there to prove courage exists
Hope

21.4.13

Ney e as coxinhas

O Ney estava voltando de Recife para Fortaleza e, antes de iniciar o road trip de fato, parou com a amiga (que permanecerá anônima por motivos de: gosta muito de coxinhas) no Rei das Coxinhas para um lanche.

Comeram. Comeram muito. Comeram o suficiente para a pança não reclamar pelo menos até Mossoró.

Antes de sair a amiga do Ney descobriu que, além das coxinhas grandes, também tinha mini coxinhas e deu a idéia de levar para comer no caminho. O Ney achou ótimo e até pensou "ahhh, que delícia beliscar no meio da estrada.". Compraram um pacote de mini coxinhas e foram para o carro. O Ney estava colocando o cinto de segurança quando olhou para o lado e a amiga estava enfiando algumas mini coxinhas na boca.

"É que não gosto de coxinha fria." (com a boca cheia, óbvio)


As coxinhas acabaram antes de saírem do estacionamento.

17.4.13

Book Report: O Museu da Inocência - Orhan Pamuk


Esse livro foi indicado pela Marcie no grupo de leitura do FB. Confesso que nunca tinha ouvido falar do escritor turco Orhan Pamuk mas até um Prêmio Nobel de literatura ele já tem. Como gosto de ler autores que não conheço na última ida à livraria vi que dele tinha Neve, Istambul - Memória e Cidade, e O Museu da Inocência. Peguei O Museu da Inocência, pela indicação da Marcie e porque achei a capa mais legal (sim, sou dessas).

Um livro é muito bem escrito quando: 1) é traduzido por outra língua que não a original e a leitura flui lindamente (nesse caso do turco para o inglês e depois para o português), palmas também para os tradutores; e 2) a história central me irritou várias vezes, mas as descrições secundárias e observações mantiveram meu interesse. Odiei o protagonista e sua obsessão amorosa irritante até os capítulos finais, mesmo entendendo suas atitudes levadas pela paixão/obsessão (no caso dele é uma linha muito tênue), mas, no fim, numa espécie de redenção, tive um pouco de pena dela e compaixão por dele.

É um livro de 500 páginas e em nenhum momento tedioso (as vezes incômodo, mas isso é devido o protagonista stalker). Orhan Pamuk sabe contar uma história. O livro é extremamente melancólico, nostálgico, é sobre amor, sofrimento por amor, paixão, obsessão (muita) e, especialmente, sobre memória. As coisas que lembramos, como lembramos e a sensação que o tempo para em alguns momentos.
"Esse domínio ambíguo no limiar entre o sentido e o imaginado."
Kemal, o protagonista, tem a mania de pegar objetos que lembram sua amada, Füsun, desde um brinco até prendedores de cabelo, bibelôs da casa dela, várias gimbas de cigarros que ela fumou e assim ele vai montando uma coleção que mais tarde vem a ser o tal Museu da Inocência. A narrativa é como um passeio guiado por esse museu e seus objetos.
"Era o momento mais feliz da minha vida, mas eu não sabia. Se soubesse, se tivesse dado o devido valor a esta dádiva, tudo teria acontecido de outra maneira? Sim, se eu tivesse reconhecido aquele momento de felicidade perfeita, teria agarrado com força e nunca deixaria que me escapasse. Levou alguns segundos, talvez, para aquele estado luminoso tomar conta de mim, mergulhando-me na paz mais profunda, mas ele me pareceu ter durado horas, até mesmo anos. Naquele momento, na tarde de segunda-feira, 26 de maio de 1975, em torno de quinze para as três, assim como nos sentíamos além do pecado e da culpa, o mundo todo parecia ter sido liberado da gravidade e do tempo."
Ao ler a história de Kemal e Füsun (que as vezes chega perto do bizarro) passeamos por uma Istambul que muda aos olhos do protagonista e conhecemos a cultura turca da época (se passa principalmente no meio dos anos 1970), os hábitos da sociedade, de como os jovens ricos queriam ser "modernos como os europeus", a censura do cinema, as bebidas típicas, as comidas (ai, baklavas!), a fofoca turca, e muitas outras coisas interessantes. Dá vontade de ir a cidade para ver os vários lugares que ele descreve no livro.

Apesar de não gostar muito do Kemal, gostei de algumas personagens femininas do livro, até da Füsun em alguns momentos. São mulheres fortes, que mesmo numa sociedade de rigores machistas onde são tratadas como objetos conseguem driblar conceitos e se impor.

O livro também é uma forma de entender a cabeça de um colecionador e como vários museus menores são formados pelo mundo. O Orhan Pamuk construiu mesmo o Museu da Inocência em Istambul com objetos da época contada no livro e mais recentes. É um museu da vida diária dos habitantes da cidade. No livro, inclusive, tem um ingresso para ser carimbado na entrada do museu. Vou guardar o meu, quem sabe um dia volto a Istambul.

13.4.13

Analisando a música: In Hiding (Pearl Jam)

Demorou para o Pearl Jam aparecer aqui no analisando a música, mas depois de ver o show deles (pela tv) no Lollapalooza não resisti.

Os anos 1980 foram recheados do rock farofa, aquele com bandas que mantinham um visual anos 1970 reloaded e um som quase metal, mas com músicas boas e pegajosas. Bandas como: Van Halen, Poison, Bon Jovi, Skid Row e, vai, Guns n' Roses. Muitos cabelos altos em camadas com luzes e laquê, calças apertadas, olhos maquiados e animal print.

No fim da década, em 1989, uma revolução musical começou acontecer em Seattle, as bandas de garagem começaram a ganhar espaço. Assim nascia o grunge. Roqueiros com visual simples (sujinhos, alguns diriam), ainda cabeludos (só no shampoo e olhe lá), com suas camisas de flanela xadrez e botinas, sem grandes parafernalhas no palco, rock cru, pesado e melódico, para balançar a cabeça com vontade. As letras um pouco deprimentes, mas faz parte do grunge. Bandas como: Mad Season, Mudhoney, Soundgarden, Alice in Chains, Mother Love Bone, Stone Temple Pilots, Temple of The Dog, Nirvana e Pearl Jam.

Todo um gênero novo de música borbulhando na bonita Seattle. O rock estava mudando, mas só foi percebido depois que lançaram, em 1991, o Nevermind do Nirvana e o Ten do Pearl Jam. Abracei o grunge com vontade.

O Pearl Jam foi formado em 1990 quando o Stone Grossard, guitarrista, junto com Jeff Ament (baixo) e Mike McCready (guitarra) gravaram uma demo com 5 músicas e pediram para o amigo Jack Irons (na época do RHCP, aliás tive algumas fases fortes com o RHCP, eu coração Anthony Kiedis, mas isso é outro post) passar a  frente que eles precisavam de um vocalista. Eddie Vedder, que morava em San Diego, recebeu a fita compôs a letra e gravou na música da demo que viria a ser Alive. Assim nasceu o Ten, primeiro album da banda, que além de Alive tem a polêmica Jeremy, a ótima Even Flow e a corta-os-punhos Black. De lá para cá a banda tem mais 8 albuns: Vs (Daughter, Animal), Vitology (Spin the Black Circle, Better Man, Nothingman) , No Code (Hail Hail, Who You Are), Yield, Binaural (Light Years e a linda Thin Air), Riot Act (I Am Mine, Thumbing My Way), Pearl Jam (Life Wasted, World Wide Suicide, Army Reserve), o último Backspacer, e inúmeros albuns e DVDs de shows que fazem pelo mundo. A banda está na trilha sonora de vários filmes, compuseram a bonita Man of The Hour para Big Fish (Tim Burton) e State of Love And Trust para Singles do Cameron Crowe. O ótimo documentário Pearl Jam Twenty dirigido pelo Cameron Crowe lançado em 2011 conta os 20 anos de história da banda.

O Pearl Jam é uma banda engajada, comprou uma briga com a Ticketmaster, abraçam as causas do meio ambiente, casamento gay, e outras. Em 2000, na Dinamarca, 9 pessoas morreram esmagadas na frente do palco durante um show deles e desde então não tem uma vez que o Eddie Vedder não pergunte ao público se estão seguros.

O show deles no Rio em 2005 (com abertura do Mudhoney) foi um dos, se não o melhor que já fui. Ninguém sai de um show do Pearl Jam impune, é uma catarse coletiva. Todos cantam todas as músicas e eles não precisam de um palco sofisticado para fazer um público enorme se sentir numa garagem com os amigos. A set list nunca é a mesma, eles fazem alguns covers ótimos (Ramones, The Who), e os quarentões tem energia de sobra.

Eddie Vedder foi uma escolha acertada para vocalista da banda. Ele tem uma voz incrível (é mel para os meus ouvidos), é bonito (apesar de relutante com essa característica) e é carismático, um frontman como poucos. E o Eddie Vedder é surfista (e amigo do Kelly Slater). Ele tem uma carreira solo de sucesso, compôs a belíssima trilha sonora de Into The Wild, mas a banda continua firme e forte. Confesso que em muitas músicas não entendo nada da letra quando ele canta (Yellow Ledbetter é uma), mas a-do-ro.

Há quem ache o Pearl Jam a banda mais pasteurizada do grunge, talvez porque chegou ao mainstream e permaneceu, talvez porque tem o som menos pesado ou talvez porque seus integrantes tomavam banho com mais frequencia. Eu gosto de todas as bandas do grunge, muito amor pelo Nirvana (que obviamente terá um post), mas a voz do Eddie Vedder me pega de jeito. Sou fã.

Difícil foi escolher a primeira música para analisar (certamente outras virão). Já mencionei Black (músicas de fossa) e Thin Air (love songs) aqui no blog, então recorri ao querido iPod. Ia fazer um uni-duni-tê, mas fui na que tocou mais vezes.

In Hiding é do album Yield, de 1998, que também tem Wishlist, Given To Fly, MFC, e Do The Evolution (baby). Gosto muito dessa música, tem tudo: a voz maravilhosa do Eddie Vedder em vários tons (do mais grave ao aberto), um riff preciso e baixo marcante, bateria suficiente para mexer os braços.

Dizem que In Hiding é sobre o, escritor e poeta, Charles Bukowski, que passava dias trancado sozinho numa espécie de autoanálise junto com um jejum de outras pessoas. Claro que o pessoal da teoria da conspiração acha que é sobre drogas.

Vamos analisar.

I shut and locked the front door
No way in or out
I turned and walked the hallway
Pulled the curtains down
I knelt and emptied the mouth of every club around
But nothing's sound
Nothing's sound

Nunca li Bukowski então não posso opinar se a música é sobre ele, ou alguma referência a um trabalho dele, mas pelo começo da música acho que caminhamos para um momento introspectivo. As letras que o Eddie Vedder faz para as melodia do Stone Grossard sempre tem algum tom pessoal, não duvido que ele ou a banda estivessem passando por algum momento que precisassem desse recolhimento reflexivo.
Trancou a porta da frente, não tem entrada nem saída, baixou as cortinas, se ajoelhou e isolou os sons dos lugares (bares) vizinhos. O som do nada. Silêncio total.

I'd stay by my last tab left me
Ignored all my rounds
Soon I was seeing visions and cracks along the walls
They were upside down

Aí ele começa perder o controle, ignorar o que está ao redor, ter alucinações, ver rachaduras nas paredes (que pode ser na mente dele), que estavam de cabeça para baixo. É amigos, dias sem interagir com ninguém pode fazer isso com você. E a falta de remedinhos também. (timbre baixo da voz do Eddie Vedder quando ele quase geme 'They were upside down' é uma loucura. Ui ui ui. Suei.)

I swallow my words to keep from lying
I swallow my face just to keep from biting
I swallowed my breath and went deep, I was diving, diving.
I surfaced and all of my pen wasn't writing
Now I'm in...

Essa primeira frase é linda: Engulo as palavras para não mentir. Já a segunda...."I swallow my face justo to keep from biting" é estranha, engolir o rosto para não morder, sempre acho que ele canta "I swallow my fist just to keep from fighting" (engolir o punho cerrado para não brigar), que faz mias sentido, mas a letra no site oficial diz que é o rosto mesmo que ele engole. Ok, então, o perigo dele se morder é maior. Aí ele segura a respiração e mergulha. Fundo. E quando veio a superfície a caneta não escrevia, a inspiração não veio. E agora...

I'm in hiding. I'm in hiding.

Está escondido e se escondendo. Refugiado dentro de si. Oculto. (É curioso que justamente nessa parte da música ele quase que grita, ou quer chamar atenção para o fato que está escondido, ou não quer muito se esconder)

It's been about three days now 
Since I've been aground
No longer overwhelmed and it seems so simple now
It's funny when things change so much
It's all state of mind

Depois de três dias encalhado, submerso nos pensamentos, ele já não está se sentido esmagado, dominado pelos sentimentos que o angustiavam. Com as idéias claras tudo parece simples. Oh, really? Como é curioso que as coisas podem mudar tanto, é tudo um estado de espírito. Filosofou.

I swallowed my words to keep from lying
I swallowed my face just to keep from biting
I swallowed my breath and went deep, I was diving, diving.
I surfaced and all of my being was enlightened
Now I'm in...

Agora tudo no passado. Engoliu as palavras para não mentir, conseguiu se conter nas mordidas, mergulhou mais uma vez e quando emergiu todo seu ser estava iluminado. Problemas solucionados. Nada que três dias num lugar silencioso sem outras pessoas não resolva. Ommmmmmm.

I'm in hiding. I'm in hiding.

Chega de esconde-esconde.

Sai desse esconderijo Eddie e vem cantar aqui no meu ouvido. 


O Pearl Jam não faz muitos clipes, a maioria de coisas deles no youtube é gravação de show via celular, mas In Hiding está no o documentário Single Video Theory que é o making of do Yield. Eddie Vedder canta a letra um pouco diferente do que foi no album.


7.4.13

+Séries: novos serial killers

Houve um tempo em que Dexter Morgan reinava sozinho no mundo das séries como um serial killer protagonista. Claro que sempre tem serial killers em CSI, Criminal Minds, Bones, outras séries de procedimento policial, em comédias e até o House teve que curar um, mas só o  Dexter com uma série própria.

Esse ano pipocaram algumas outras para fazer frente ao analista de sangue de Miami. Começou com The Following que tem um serial killer que faz a linha líder de culto e o Kevin Bacon fazendo o agente do FBI que o persegue. E agora mais duas:

Bates Motel - essa série veio para contar os anos teen de Norman Bates e sua relação com a mãe, Norma. Sim, o mesmo Norman Bates do filme do Hitchcock baseado no livro Psycho de Robert Bloch (insira aqui a trilha sonora da cena do chuveiro). Norman é um psicopata/serial killer (ou será, no caso da série) que apresenta alguns distúrbios causados (ou não) por traumas de infância e uma relação diferente com sua mãe. Como Norman e Norma terminam sua história já sabemos, Hitchcock contou, mas como começaram é o que queremos descobrir. No início do primeiro episódio dava entender que a série se passava nos anos 50/60 até a Norma sacar um iPhone do bolso. Gostei, Norman Bates versão hipster.

Hannibal - O personagem baseado nos livros do Thomas Harris foi imortalizado pelo Anthony Hopkins, mas até hoje só sabemos como ele se comportava na prisão e depois que fugiu. A série Hannibal veio nos mostrar como o Dr. Hannibal Lecter enganou o FBI por tanto tempo. Na verdade essa série é mais sobre o agente Will Graham (Hugh Dancy, que está ótimo) que tem um talento especial para perceber a cena do crime e entrar na mente do psicopata, mas sofre de uma inabilidade social. O Dr. Lecter é chamado pelo Jack Crawford para ajudar o Will no seu problema e ele aproveita para ver como os crimes são desvendados. Hannibal aqui é interpretado pelo ator dinamarquês Mads Mikkelsen que, devo dizer, deu um ar sombrio e chique ao serial killer canibal. O Dr. Lecter é um serial killer/sociopata interessante, ele sabe exatamente o que faz, é um eterno provocador da natureza humana. E um ótimo cozinheiro.

Olha, Dexter, a concorrência está boa. Aliás se você não tivesse matado o Trinity provavelmente fariam um spin off sobre ele. (Quem merecia mesmo uma série era o Isaak, mas esse já está no fundo do oceano, né Dex?)

UPDATE: Só para não deixar passar a excelente série britânica The Fall, que tem o serial killer mais bonito e charmoso de todos. E a Scully é a policial que o persegue. (Paul Spector é feito pelo Jamie Dornan que já apareceu aqui no blog como o xerife de Once Upon a Time. É lin-do.)

5.4.13

Book Report: Diários de Bicicleta - David Byrne


O David Byrne é o vocalista do Talking Heads e, além de cantor, compositor e artista plástico, também um entusiasta da bicicleta. Ele pedala há anos por New York, desde quando a cidade não era bike friendly, e carrega sua bicicleta dobrável para outras cidades do mundo.

Nesse livro ele faz muitas observações interessantes sobre as cidades e as relações que as pessoas tem com o lugar onde vivem e entre si. Um ponto interessante que ele levantou foi sobre a cidade que é amigável a bicicleta geralmente tem um transporte público muito bom. Não vamos esquecer que a bicicleta é um transporte individual e o transporte coletivo deve sempre ter prioridade.

O livro começa com um apanhado sobre as cidades americanas, como são construídas para os carros e como isso define a convivência das pessoas. Depois começa uma volta ao mundo com os passeios de David por Berlim, Istambul, Buenos Aires, Manila, Londres, Sydney, San Francisco e, claro, New York. Além dessas cidades que mereceram capítulos ele também fala de Copenhagen e como o arquiteto urbanista Jan Gehl propôs mudanças na cidade que melhoraram a qualidade de vida e fez toda uma população adotar a bicicleta. (ele não fala de Amsterdam, mas o trabalho feito lá para incluir ciclovias na cidade foi incrível)

Em Istambul e Buenos Aires ele toca no ponto do carro como status, e são duas cidades com trânsito péssimo, assim com várias aqui no Brasil. Aliás, do Brasil ele menciona Salvador algumas vezes mas apenas para referências culturais e Curitiba para falar da eficiência do sistema de transporte público instalado pelo Jaime Lerner. Elogios na América do Sul só para Bogotá.

O capítulo que mais gostei foi Berlim. Afinal é uma cidade que era duas e voltou a ser uma, cheia de história recente desde a Guerra até os temidos agentes da Stasi. David Byrne não deixou a loucura de Berlim passar em branco, e é uma cidade super amiga das bicicletas.

Em Londres ele filosofa como a cidade aceita bem a diversidade, em Buenos Aires fala da vida noturna dos argentinos ("cidade dos vampiros"). Em Sydney ele se apavora com os morcegos gigantes e aranhas peçonhentas, e em Manila ele se diverte nos inúmeros karaokês.

Comprei esse livro pela capa bonitinha e pelo assunto, afinal também sou entusiasta do transporte público e bicicletas. Acontece que, como o livro é escrito em forma de observações em um diário, em muitas partes o David Byrne conta suas idas a festas, restaurantes, shows, filosofa sobre assuntos diversos e tal, as vezes é interessante e outras nem tanto.

No fim ele faz uma reflexão sobre a renovação de espaços nas cidades e como levar as pessoas para rua/calçada (caminhar, andar de bicicleta ou usar o transporte público) é importante até para diminuir a violência. Quando as pessoas estão na rua, em suas vizinhanças, se protegem e ocupam um espaço. Quando estão dentro de seus carros, trancadas, deixam as ruas abandonadas, "Estar dentro de um carro pode parecer mais seguro, mas quando todo mundo dirige, isso torna a cidade menos segura".

Isso me fez pensar Em Fortaleza, a cidade que vivo, onde ninguém anda nas ruas, e essa tensão que vivemos nos últimos tempos, sempre com medo. Uma cidade que fica cada vez mais quente porque derrubam arvores para fazer mais espaço para estacionar carros, fazendo a experiência de andar desagradável. Contudo, mantenho uma certa esperança que o problema terá solução.